Mostrar mensagens com a etiqueta mudança. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mudança. Mostrar todas as mensagens

DIA 255: Desconstruir a IDEIAlogia: a família não tem de ser o exemplo a seguir


Comecei a julgar-me pela minha apatia em relaçao às pessoas à minha volta, porque nāo intervi quando as vi reagir ou a serem desonestas com elas proprias. Vejo agora que pouco ou nada se pode fazer pelos outros para ajuda-los a nāo ser eu manter-me estável em mim e agir em mim, sem ser influenciada pelo que os outros dizem ou fazem. Até agora sempre houve uma tendência para me deixar afectar pelo que os outros dizem ou fazem e para querer "salva-los" das suas proprias mentes mas é impossivel salvar uma pessoa de si própria. Realmente, cada um de nós é o seu próprio inimigo.


Desde que estou em Portugal que me apercebo-me da tendência de culpar os outros pelo que quer que seja - ou sao os emigrantes que sao os culpados pela violencia no país, ou é a mulher que nāo levantou a mesa, ou é o filho que nao sabe onde pôs nāo-sei-o-quê; As pessoas gritam em vez de falarem e quem grita mais alto é rei; O apego mental aos bens materiais é possessivo e emocionalmente destrutivo; a falta de planeamento cria stress; A necessidade de se controlar o que os outros dizem ou fazem é desgastante; O vício da justificaçāo impede ver-se que é possível mudar e fazer as coisas de maneira diferente.


DIA 250: Recriar auto-estabilidade: nesta (mu)dança estou sozinha


De regresso ao meu dia-a-dia citadino após um mês a viver na quinta Desteni na África do Sul, estou a aperceber-me das minhas reações mais rapidamente, ou seja, a instabilidade que os pensamentos causam em mim é reparada no momento e já não ignoro nem aceito a instabilidade como o meu estado "normal". A instabilidade em que eu me habituei a existir consiste num estado de ansiedade constante, de preocupação e de stress que já se acumula desde os tempos da escola e que tem de ser investigada. Aquilo que eu não me tinha apercebido é: a consequência que este estado de ansiedade tem no meu corpo, manifestado na alteração hormonal para corresponder ao estado de alerta associado aos elevados níveis de stress; segundo, que sou capaz de existir estável em mim; e, também, que eu sou responsável por criar a minha estabilidade.


É fascinante ver em mim própria as mudanças provenientes desta decisão de recriar a minha estabilidade onde quer que eu vá e independentemente de quem eu esteja: o facto de regressar ao meu dia-a-dia e continuar a dedicar-me ao meu Processo incondicionalmente é o melhor souvenir que eu podia ter trazido da minha viagem à Africa do Sul. As mudanças que eu estou a criar à minha volta vêm de dentro para for a, isto é, aquilo que eu antes via com sendo um problema eu estou agora a ver com outros olhos: procuro ver com os olhos voltados para uma solução.

 
Em vez de reagir dentro de mim quando alguma coisa na realidade externa não está a bater certo, eu procuro desvendar o porquê de estar a julgar a realidade (por ex. Quais sao as ideias ou desejos que eu tenho sobre como as coisas deviam ser) e pergunto-me o que é que eu posso fazer para me estabilizar (por ex. Escrever sobre determinados pontos) e mudar a situação para melhor, não baseado em desejo mas simplesmente em senso comum sobre como eu posso mudar a minha participação para me expressar livre dos julgamentos da mente. Foi precisamente isto que realizei na minha passagem de ano: apercebi-me que o meu Processo é como uma dança que eu danço comigo própria, primeiramente sozinha e, às vezes, acompanhada.


No primeiro dia do ano comecei o dia a escrever: escrevi o perdão próprio sobre os julgamentos e conversas na minha mente sobre a festa onde eu estava e foi como se um peso saísse de cima de mim - o peso ilusório da mente e dos pensamentos que eu criei e que sou igualmente responsável por parar e limpar em mim. Esta decisão de começar a escrever teve uma pequena resistência inicial mas que se dessipou no momento em que eu peguei no meu caderno e comecei o perdão prório.


Tal como uma (mu)dança, o meu processo de estabilidade/limpar a mente implica vontade própria e o movimento físico para criar soluções e testá-las com novos passos, aperfeiçar-me com novas maneiras de fazer as coisas e estando sempre ciente de quem eu sou a cada momento.

Quanto ao ponto de estar sozinha, isto vem da realização que sou responsável por tudo o que me acontece. Em honestidade própria eu vejo que não há nada nem ninguém a culpar sobre o que quer que eu pense, sinta ou faça, da mesma maneira que não há nada nem ninguém que me possa dar auto-estabilidade. Obviamente que há coisas práticas que podem vir da entreajuda e da cooperação entre nós (it takes two to tango) no entanto, cada um de nós está sempre sozinho em cada passo que decide dar, em cada pensamento que aceita ter e em cada correção que permite aplicar.

 

DIA 249: Se eu soubesse aquilo que eu sei hoje...

Apercebi-me desta lenga-lenga na minha mente enquanto eu falava com uma amiga sobre o meu processo e em como eu me permito ainda sentir frustrada quando descubro um ponto em mim que eu desejaria saber mais cedo, com base na ideia de que as coisas poderiam ter sido diferentes/melhores  caso eu estivesse ciente desse ponto em mim. Ao dizer isto, reparei também como isto não passa de uma ideia e, em honestidade-própria, é uma justificação para me manter exactamente no mesmo ponto de auto-vitimização, arrependimento e esperança. Esta é a minha mente e estou a abrir-me para mim, a cada dia, a cada respiração, a cada momento que eu decido viver este processo em plena dedicação própria e aplicação.

Se eu soubesse aquilo que eu sei hoje... o que é que seria realmente diferente? Vendo bem, tenho vários exemplos na minha actual dia-a-dia nos quais eu não aplico aquilo que eu sei: apesar de saber e ter provas em mim de que escrever para mim própria e escrever o perdão próprio sobre os pensamentos e emoções é de facto o melhor para mim, não o tenho feito todos os dias; apesar de saber que é saudável fazer desporto regularmente nem sempre planeio a minha semana de modo a dedicar tempo a essa prática; apesar de saber que avanço no meu processo a fazer os cursos do Desteni tenho tido enorme resistência em fazê-los; apesar de saber que eu estou ciente de mim a cada respiração ainda há grande parte do meu tempo a ser "vivida" em piloto automático... Ou seja, esta sabedoria é irrelevante se não for aplicada. Por isso, é inútil eu sabotar-me a dar azo a esta conversa da mente de "se eu soubesse antes"... Em vez disso, quando eu vejo um ponto novo em mim, posso agradecer-me por ter chegado a este ponto e dar-me esta oportunidade para mudar daqui para a frente com base nessa realização.

Outra coisa que vejo é o valor que dou à sabedoria da mente quando, na realidade, esta não é aplicada e acaba por se transformar em culpa por estar ciente da minha própria desonestidade! Para que é que eu preciso de me agarrar a esta ideia de saber qualquer coisa se isso não for transformado em mudança de hábitos por exemplo? Se eu sei que escrever é-me benéfico para acalmar a mente e dar-me espaço/tempo para ver as coisas por mim própria, porque é que eu pura e simplesmente não começo a escrever!
Penso bastantes vezes que, se tivesse sabido das coisas do Desteni antes da faculdade, teria utilizado o meu tempo livre de forma diferente e começado a lidar com a minha mente em momentos de desespero, solidão, incerteza e medo, típicos da fase da adolescência. Aquilo que eu vejo é que essa fase não tem necessariamente de ser complicada, mas pouco se partilha, pouco se fala, pouco se conhece sobre a mente e sobre as maneiras de nós nos conhecermos e ajudarmo-nos a nós próprios.

Por isso:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar e participar na conversa da mente sobre desejar saber algo há mais tempo com base na esperança e ideia de que isso teria mudado alguma coisa.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que é irrelevante imaginar como é que eu teria feito as coisas de maneira diferente quando por experiência própria eu vejo que mesmo agora ainda continuo a repetir padrões e a desprezar a minha própria honestidade própria. Realizo então que independentemente de saber dos pontos com os quais eu tenho de lidar, trata-se de me tornar na vontade própria de mudar, de realmente puxar por mim para parar os pensamentos automáticos e de sair dos hábitos da minha mente.
Eu perdoo-me por me permitir e aceitar criar uma realidade paralela na minha mente baseada na ideia de como eu as coisas podiam ter sido diferentes, em vez de ver que ao alimentar esta imaginação eu estou a permitir continuar distraída de mim própria e, portanto, a continuar "perdida" na mente, com esperanças do típico "e se"...

Apercebo-me também que esta conversa da mente surge como uma distração em mim; por isso, em vez de alimentar a imaginação de como é que teria sido, eu foco-me naquilo que eu vou fazer e mudar daqui para a frente.
Em momentos em que me apercebo de um ponto, eu comprometo-me então a ser honesta comigo própria e a pôr em ação essa realização, sem perder tempo na mente com ideias de como é que eu podia já ter feito tal mudança antes. O momento de mudar é o momento em que me permito ver essa nova opção em mim, essa nova perspectiva e essa solução para mim própria. Para quê adiar fazer e ser aquilo que é o melhor para mim?
Quando e assim que eu me vejo a participar na conversa da mente de "quem me dera saber isto antes" eu páro e respiro. Eu investigo em mim aquilo que eu desejaria que acontecesse antes e investigo o que é que eu posso realmente fazer aqui e agora. Por experiência própria, passar muito tempo em planos da mente é desgastante e é um pneu furado que não me leva a lado nenhum. Em vez disso, eu posso começar por escrever o padrão que eu enfrento, ver os pontos negativos e positivos aos quais eu ainda tenho uma ligação de arrependimento e desejo, e ver o que é que eu posso fazer para lidar com este ponto de modo a aplicar a realização numa mudança prática e de auto-apoio na minha actual realidade. Eu finalmente vejo que o meu futuro depende em quem eu me torno a cada momento e, para que o meu futuro seja vivido em honestidade-própria, eu terei de ser honesta comigo-própria aqui e agora, sem adiar o meu processo, e em garantir que crio/sou a minha fundação estável para me expandir como o potencial de Vida que eu sou/somos.


No próximo artigo irei escrever sobre a tendência de pensar que seria mais fácil estar numa posição, num tempo ou num lugar diferente daquele onde eu estou.



DIA 245: A personalidade dupla começa em casa

Provavelmente sem nos apercebermos, começamos a mentir em casa com as pessoas mais próximas de nós: com os pais (na maioria dos casos). Cedo adquirimos juízos de valor sobre aquilo que se deve ou não fazer para se ser visto como uma boa pessoa e portanto a comunicação vai tentar ao máximo corresponder a esses juízos de valor para se estar no "lado bom" do julgamento do outro. A falta de uma comunicação aberta entre os pais e os filhos, condicionada também pela falta de tempo, vai fazer com que uma série de eventos do crescimento da uma criança sejam vividos pela criança sozinha, sem qualquer apoio, guia ou compreensão de um adulto, em que somente as coisas superficiais são vistas e corrigidas pelos pais. Como também na escola não se dá a devida atenção ao desenvolvimento psicológico da criança (também devido à falta de tempo e ao programa escolar estilo industrial), haverá uma série de palavras, memórias, eventos na vida de uma criança que irão ficar para sempre acumulados num baú da mente que não é partilhado com ninguém. Infelizmente, mesmo na idade adulta, nós não somos ensinamos a lidar com essas memórias ou com essas ideias, embora estas estejam constantemente a surgir nas nossas mentes com um fantasma guardião dos nossos segredos mais fundos.

Aquilo que eu vejo cada vez mais é que o "segredo" pode ser irrelevante - aliás, muitas das vezes só é segredo para a própria pessoa porque é a única que se habituou a ser guardiã de uma reputação que só existe na sua própria auto-definição, - no entanto, a resistência para nos conhecermos a nós mesmos é preocupante e é ainda mais preocupante que não haja uma cultura de honestidade-própria em cada um de nós.

Esta dupla personalidade que se começa a manifestar é então baseada em medo: o medo de não corresponder a uma imagem que os pais parecem desejar ver nos filhos, como se houvesse um holograma projetado no pequeno ser-humano! Enquanto que esse holograma esconde realmente quem o novo-ser é, a criança vai usá-lo como um escudo de proteção para continuar a viver nessa aparência de relação perfeita na presença dos pais, embora por dentro haja uma série de perguntas sem resposta nem entendimento. A partir de certa idade, é dito aos filhos que eles já têm idade para serem responsáveis... Como é que a idade determina um elemento que devia ter sido construído passo a passo? A responsabilidade própria é baseada na capacidade de se conhecer a si próprio, de compreender os seus próprios problemas e ser capaz de encontrar uma solução (mesmo que isso implique pedir a ajuda do outro). Para isso, a base da honestidade própria é essencial, de modo a não rotular as experiências como "boas" ou "más", mas perceber como é que a estabilidade tem de ser criada dentro de si mesmo, sem julgamentos de valor sobre a sua própria vida e aberto à possibilidade de mudar o comportamento em humildade. Esta é a honestidade própria que os pais devem viver como exemplo para que a geração seguinte não passe pela mesma confusão interior que provavelmente os pais passaram no tempo deles.


Como é que seria uma cultura de honestidade-própria entre pais e filhos? Primeiramente, a partir da responsabilidade dos pais em se auto-conhecerem, perceberem de onde é que as suas reações, paranóias e medos vêm antes de projectarem essa "bagagem" no novo ser. Isto é possível através de uma escrita diária para se compreender a mente e re-educar-se a si próprio. O perdão-próprio é extremamente eficaz para abrir várias camadas da nossa mente em honestidade própria e,  finalmente, segue-se o compromisso em mudar-se aquilo que não se vê ser benéfico para si nem para os outros. Ao limparem o seu próprio baú mental, não irá haver julgamento sobre o comportamento dos filhos, porque o julgamento é substituído pela compreensão e, finalmente, pela ajuda a superar qualquer ponto que a criança esteja a manifestar. Para que a comunicação seja eficaz entre pais e filhos, terá de haver uma disciplina em realmente viver-se como exemplo: quantas vezes os pais evitam explicar os problemas aos filhos com base na desculpa de que eles não irão compreender? Provavelmente eles não precisam de saber os detalhes mas no entanto as crianças não são tótós e, mais cedo ou mais tarde, irão questionar-se, por isso é mil vezes melhor que uma relação de comunicação incondicional seja estabelecida com os filhos de modo a que os padrões sejam clarificados e a criança esteja esclarecida em tudo aquilo que vê e ouve.




DIA 219: Lições do Candy Crush


Ultimamente tenho jogado um jogo do Facebook chamado Candy Crush que implica fazer combinações de doces para se marcar pontos e seguir-se para o nível seguinte. Têm havido uma série de jogadas que, para além de fazerem um fogo-de-artifício de pontos inesperados, têm também sido fonte de realizações interessantes que posso sem dúvida aplicar ao meu processo.
  1. O primeiro elemento fascinante é o aumento gradual da dificuldade e quanto mais pratico mais "fácil" parece ser avançar para o nível seguinte, embora a facilidade seja relativa, pois tem a ver com o aumento da confiança, em conhecer o jogo, perceber como funciona e aplicar tudo isto para se atingir a perfeição. Da mesma maneira, ao trabalhar pontos em mim/memórias/padrões de pensamentos, consigo tirar camadas da minha mente para descobrir novos pontos para resolver em mim.
  2. Para isto, vejo que praticar diariamente ajuda a conseguir ver novas estratégias de jogo e o mesmo posso dizer que escrever todos os dias me ajuda a ver novas perspectivas sobre pontos que eu enfrento. Tal como no jogo, às vezes  é preciso parar, respirar e recomeçar com uma nova atitude, procurar jogar com uma estratégia nova, aprender com alguém que já esteja num nível mais à frente e aplicar essas soluções no meu jogo/na minha vida.
  3. Outro elemento essencial que pode mesmo ser decisivo para se ganhar um nível é o pensamento a longo-prazo: ou seja, por vezes é mais eficaz ver combinações mais complexas do que fazer pequenos pontos rápidos - também no processo, apercebo-me que as reações do momento têm um valor relativo que pode ser substituído por uma atitude de perceber a origem da reação de modo a que a minha aprendizagem dure no tempo e o meu processo seja uma acumulação de boas práticas e de correção-própria a cada novo passo.
  4. Ao ter-se em conta jogadas sustentáveis, pratico o chamado "thinking ahead" para perceber as várias opções e para isso ajuda ver o quadro global em vez de me fechar sobre uma parte to jogo. No processo de se lidar com a mente, é importante pôr-se as cartas na mesa, ao escrever sobre as várias opções  que eu tenho quando estou perante uma decisão, perceber as vantagens e as desvantagens das decisões que eu tomo de modo a ser responsável pela minha direção.
  5. Focus! Dificilmente se ganha no Candy Crush se não se estiver concentrado no jogo! Isto é possível ao perceber-se a "missão" do nível e a não perder de vista esse objectivo de se quebrar o "jelly" ou de se libertar os frutos encurralados!  No processo, o foco é sobre mim própria, ao estar ciente de quem eu sou naquilo que eu faço, estar ciente da minha presença, estar ciente daquilo que eu faço e a ser eficaz com o meu tempo disponível, sem me distrair desnecessariamente.
  6. A compaixão do jogo é um ótimo exemplo de como nos podemos salvar uns aos outros, ao dar vidas e receber vidas.
  7. A disciplina de se querer jogar "só mais uma vez" para se passar ao nível seguinte. Vou então aplicar esta ambição no meu processo em garantir que vivo  o compromisso de escrever o perdão-próprio diariamente. É brutal criar a estabilidade em mim própria quando eu realmente aplico a disciplina no meu processo e me apercebo do meu potencial de resolver os meus próprios problemas da minha mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a resistência para escrever o perdão-próprio é real. Apercebo-me que a resistência tem a ver com o facto do perdão-próprio não ser tão popular como dizer que estou a jogar Candy Crunch.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar avançar para o nível seguinte sem primeiro estar confortável com os pontos que tenho à minha frente para lidar e resolver.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido comparar o meu jogo/o meu processo com o jogo/processo dos outros, quando eu me apercebo que só eu posso andar o meu jogo/processo e que o meu jogo/processo depende inteiramente de mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido manter uma atitude passiva no meu jogo baseada na ideia que basta o meu parceiro ganhar para eu ficar contente. No entanto, apercebo-me que esta ideia é uma forma de justificar a minha falta de disciplina em completar o que comecei. Eu apercebo-me que eu costumava ter esta atitude quando jogava o GameBoy e a minha irmã completava os níveis - era como se eu perdesse a vontade de ganhar porque ela já tinha ganho. Por isso, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ver estes jogos como uma competição com as outras pessoas em vez de ser uma oportunidade para eu aperfeiçoar o meu jogo e fazê-lo por mim!

Quando e assim que eu me vejo a ter resistência em falar do perdão-próprio, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que tenho tido tantas ou mais lições através do perdão próprio do que até mesmo a jogar Candy Crush, por isso em igualdade, se eu falo em Candy Crush, faz sentido também estar à vontade a falar do perdão-próprio.
Quando e assim que eu me vejo a comparar o meu jogo com o jogo de outra pessoa, eu páro e respiro. Eu foco-me naquilo que eu estou a fazer e apercebo-me que o meu jogo depende da minha aplicação ao pôr em prática  soluções no meu jogo/vida.
Comprometo-me, de igual modo, a aplicar-me  a cada momento da minha vida ao estar focada na minha respiração e na minha correção para avançar no processo de me libertar das "jellys" da mente que me bloqueiam a expressão de Vida. Nisto, apercebo-me que tal como no jogo, é essencial eu aplicar o senso comum no meu dia-a-dia, em não complicar passos que podem ser simples e eficazes, a estar confiante nas minhas decisões e a não ter vergonha de pedir ajuda aos outros quando é necessário.

Tal como na vida real, no Candy Crush estamos todos na mesma terra, a dar-nos a nós próprios a oportunidade de aperfeiçoar a nossa ação.


DIA 208: A justificação do "Tenho Tempo"


Apercebo que a resistência para escrever e a tendência para a procrastinação são redflags a indicar-me aquilo que eu estou a permitir repetir-se em mim. Por trás deste padrão, vejo o pensamento que "tenho tempo" para fazer isto ou aquilo, "tenho anos à minha frente", "vou ter a oportunidade mais tarde", sem sequer considerar a hipótese de criar essa oportunidade agora e começar a encaminhar-me nessa direção. 
Este padrão enquadra-se na Religião do meu Ser, baseada naquilo que me foi ensinado ao longo dos anos. Lembro-me claramente de ouvir dizer "Joana, vai com calma", "tens tempo", "ainda és muito nova", ... E agora já não é preciso ninguém dizer-me isto porque ficou registado e aparece automaticamente na maneira como encaro certas coisas, especialmente coisas novas, e a curiosidade fica suprimida, porque afinal, apesar de me interessar por isto ou aquilo, irei ter tempo e "se calhar" (que é a mesma coisa que dizer "Se Deus quiser") mais tarde irei estar numa posição mais vantajosa para finalmente viver a decisão! Até lá, acumulo uma série de "potenciais" de coisas que quero fazer, imagino o momento em que irei fazer essa coisa nova e admiro aqueles que não hesitaram em começar.
Obviamente, o processo de escrita requer prática e é preciso ir-se com calma, respiração em respiração, e estar-se fisicamente aqui. Mas desde que me tornei ciente desta tendência para adiar, fui mais eficaz em perceber se fazia ou não sentido esperar, ou se afinal a oportunidade de fazer determinada coisa estava/sempre esteve aqui. Finalmente comecei o meu novo blog http://diplomatjourneytolife.blogspot.com/ e tem sido fascinante desenvolver cada artigo e ver novos tópicos com base em informação da actualidade.
A expressão do bad timing poderá ser então a consequência de se ter esperado pelo "momento certo" sem realmente fazer-se nada por se criar esse momento. E não será então esta esperança pelo momento certo mais uma desonestidade que limita a nossa expansão?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido absorver as expressões que me foram/são ditas pelos outros como sendo a "minha verdade" sem me aperceber que eu estou de facto a limitar o meu processo de auto-criação.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir quando oiço alguém dizer-me que "tenho tempo", em vez de perceber se estou ou não a participar nesse padrão, perceber onde é que este padrão se manifesta na minha vida, e como é que eu posso resolver/transcender/parar este padrão em mim.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido questionar-me sobre a minha hesitação em fazer coisas novas e em mudar hábitos, e a partir daqui empenhar-me em dar resposta a essa hesitação e praticar a minha confiança a fazer coisas novas e a praticar a minha eficácia em fazer igualmente todas as coisas que me são benéficas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido imaginar-me a conseguir fazer todas as coisas ao mesmo tempo ou a imaginar-me a ter conseguido fazer um bocadinho tudo sem realmente planear as minhas actividades.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que algumas coisas têm de ser largadas para começar novas e que tal mudança não implica necessariamente ruptura.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar mudar os meus hábitos sem realmente e deliberadamente parar hábitos antigos e começar novos!

Quando e assim que eu me vejo a reagir quando oiço alguém dizer-me que sou "muito nova para pensar nisso" ou que "tenho tempo" ou outra coisa qualquer, eu páro a reação e respiro. Em honestidade própria eu permito-me perguntar porque é que eu estou a levar tais comentário pessoalmente, e permito-me ver em que aspectos é que eu estou de facto a participar nessas ideias. Eu apercebo-me que não sou responsável por aquilo que me é dito, mas que sou responsável por aquilo que eu faço perante aquilo que me é dito.
Quando e assim que eu me vejo a hesitar em começar coisas novas, eu páro e respiro. Apercebo-me que uma das justificações é baseada em "já tenho muitas coisas para fazer, não vou ter tempo agora", no entanto, em honestidade própria eu analiso o que é que eu posso "largar" e substituir pela nova actividade que, neste momento, me será mais benéfica. Se tal decisão implicar outras pessoas, eu comprometo-me a comunicar com os outros a minha decisão, ciente que tais escolhas têm de ser feitas por mim e que não posso ter esperança que alguém decida por mim aquilo que é o melhor para mim.
Quando e assim que eu me vejo a querer conciliar/coexistir em mim os hábitos antigos e os hábitos novos, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que muitas vezes eu estou a manter certos hábitos (especialmente na minha relação com os outros) para agradar os outros, em vez de me disciplinar em ser honesta comigo própria na presença dos outros, um e igual.
Comprometo-me a estar ciente de cada vez que o pensamento/justificação do "tenho tempo" se manifesta e páro esse dominó - em vez de participar na resistência, eu faço exactamente o contrário daquilo que a minha mente dita e dedico-me então a começar essa nova actividade. Para isso, eu adapto e ajusto o meu tempo, e abdico de outras coisas, de modo a conseguir fazer essa actividade que neste momento me será benéfica. Vejo então que uma mudança de hábitos/padrões implica sempre uma mudança prática ao nível das prioridades em honestidade própria, e uma mudança física em se realmente viver as decisões.

Ilustração: Comical Sense - 'Advice', By Andrew Gable

DIA 207: Ser-se o nosso próprio Desmancha Prazeres...


Provavelmente este padrão é comum a muitas pessoas mas foi a primeira vez que escrevi sobre isto: refiro-me por exemplo ao padrão de pôr o despertador para uma certa hora, planear a minha manhã mas de manhã "sou outra pessoa" e acabo por não fazer nem metade do planeado e ainda por cima atraso-me. Pergunto-me: - Como é que eu posso confiar em mim própria se eu sou a minha desmancha prazeres?
Quantos de nós não diz ao seu parceiro que iremos fazer sexo à noite e quando a noite chega o cansaço instala-se primeiro e lá se foi o momento de intimidade?
E será que também tiveste aquela experiência de pensar que está tudo "sobre rodas" e nesse momento algo descarrila?
Tomando o primeiro exemplo, esta manhã acordei, olhei para o despertador e fiquei admirada por tê-lo posto para tão cedo! E pensei: vou ter imenso tempo para mim! No espaço de segundos, a minha mente criou um plano alternativo "às escondidas" e, em completo interesse-próprio, fiquei na cama mais tempo até chegar ao limite - como se só me movesse sob a ameaça/imaginação de chegar atrasada ou sob o stress que crio com esta projeção.
Porque é que eu não me levantei assim que vi as horas esta manhã? Porque é que eu não confiei na minha decisão tomada na noite anterior? Porque é que eu não me permito ser a minha própria motivação e direção? Que conforto é que eu associo à cama que não me estou a dar a mim própria quando estou fora da cama?
Quando anteriormente escrevi que tinha criado um plano na mente em completo interesse-próprio refiro-me ao facto de esperar pelo stress da sobrevivência parame impulsionar, e como se quisesse usar uma desculpa ou culpar a "falta de tempo" ou "o tempo pasas muto rápido" e depois esperar que tudo e todos sejam mais rápidos. Surge então a falta de paciência com as outras pessoas, o mau humor e a imperfeição por fazer as coisas à pressa.
Desta vez, não vou permitir que este padrão me passe ao lado porque eu sei que é a mim que me estou a prejudicar.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar e pensar que eu tenho o padrão da falta de pontualidade porque fui habituada a chegar tarde aos sitios, sem ver que eu estou a justificar o padrão como se fosse normal copiar os padrões que eu vi durante a minha infância.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desprezar este padrão e acreditar que o objectivo final é ser pontual, quando afinal ser-se pontual é o resultado de uma série de passos que eu tenho de dar para garantir que cumpro as horas.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a pontualidade é o resultado da minha performance num dado intervalo de tempo e com base naquilo que é acordado com a outra pessoa. Por isso, eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido acordar comigo própria ACORDAR de manhã com o primeiro toque do despertador.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido levar a sério os meus próprio acordos e planos e por isso julgar-me como "secundária" porque acredito que "no futuro" irei ser pontual, em vez de considerar que o meu processo de mudança é primário/principal neste/a cada momento de cada respiração.
Eu vejo que este padrão é automatizado e que implica uma mudança regular e disciplinada de hábitos.

Por isso, quando e assim que eu me vejo a culpar a minha experiência do passado com base na ideia que "posso ficar mais um bocadinho na cama", eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta memória de conforto não é real e que é uma manipulação que eu estou a fazer comigo própria, porque "esses minutos a mais na cama" ("desconto") vão apenas ter consequências que eu terei de enfrentar.
Quando e assim que eu me vejo a ter medo de escrever sobre o ponto da pontualidade, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que este resistência da mente para escrever é realmente o medo de ser responsável pela minha mudança e perceber que não posso ignorar este ponto de procrastinação matinal.
Eu comprometo-me a escrever na noite anterior o perdão-próprio caso eu vejo que estou a criar planos paralelos da mente sobre a possibilidade de ficar "mais um bocadinho na cama" de manhã.
Quando e assim que eu me vejo a rejeitar o telemovel de manhã como se rejeitásse a minha decisão na noite anterior, eu páro a mente e respiro. Ao estar ciente de mim, eu permito-me tomar a decisão de VIVER a decisão tomada. Eu apercebo-me que decidir acordar cedo implica estar ciente do meu corpo físico e realmente movimentar-me para me levantar.
Quando e assim que eu me vejo a ter resistências com pensamentos que "se calhar a reunião é cancelada", ou "só mais 5 min", ou "ontem deitei-me muito tarde", eu páro o pensamento e respiro. Eu realizo que estes pensamentos não são reais mas que são ideias para justificar a mente preguiçosa e desmanchar o meu prazer de acordar cedo e ter tempo para mim de manhã, tomar o pequeno almoço com calma, escrever um bocadinho e ir com calma para um dia longo de trabalho, sem criar a consequência de frustração pessoal, impaciência ou stress comigo nem com o mundo à minha volta.
Finalmente, quando e assim que eu me vejo a ter o pensamento que "já ontem cheguei tarde, mais um dia não vai ter problema" ou a aceitar a procrastinação comoo sendo a norma, eu páro e respiro. Começo então a ver estes "desleixos" como um indicador de como eu estou a desleixar-me do meu compromisso comigo própria de me recriar como ser humano, como Vida, como corpo físico. Ao ver este indicador, eu posso então auto-investigar a origem do desleixo e tomar a decisão de parar a polaridade de imaginar/planear uma coisa e depois fazer o contrário. Eu realizo que depende de mim praticar a minha confiança e recriar uma rotina que seja estável para eu dar atenção aos padrões da mente e dar-me tempo/a oportunidade para me corrigir.


DIA 193: Medo da mudança e medo da perda... dentes, acidentes, imaginação e dinheiro


Após a extração do dente, comecei a sentir remorsos e medo de perder todos os dentes, medo de precisar do dente, medo de ficar sem dentes suficientes! Nisto, vejo um padrão de medo da mudança baseado na ideia de perda e este estado mental é cego porque não se consegue ver mais nada que não sejam os pensamentos de "não devia ter feito isto". É interessante que estes pensamentos não existiam antes tão claramente - foi como se ao ter o dente extraído (ou perder fisicamente alguma coisa) tivesse descoberto este padrão em mim que obviamente já existia, apenas não se tinha manifestado. Por isso, neste processo, cada vez mais me apercebo que a minha realidade física é um reflexo do que se passa em mim, ao estar ciente dos pensamentos que eu projecto à minha volta...
Se o medo da perda existe em mim, vou tomar responsabilidade e investigar como me estou a permitir limitar e, finalmente, aplicar-me em corrigir este hábito mental em mim.
O medo da perda (do dente) surgiu com base no medo de precisar do dente no futuro. No entanto, neste preciso momento este dente estava a incomodar-me e iria trazer-me problemas mais cedo ou mais tarde.
 Outro medo tem a ver com o medo de perder os dentes da frente - Quem é que não reage quando vê uma pessoa desdentada, por ter medo de ficar também desdentada? Este medo é o medo da minha imagem sem dentes e como eu me defini por ter os dentes no lugar, brancos e direitinhos. Há cerca de 5 anos tive um acidente de mota e lembro-me que quando acordei após a operação, senti uma placa de ferro na minha boca - fiquei super assustada e imaginei imediatamente que os meus dentes tinham ficado todos encavalitados e partidos. Esta era a minha segunda grande preocupação, depois de ter mexido as pernas para ter a certeza que não estava paralisada. Afinal aquilo que eu sentia era simplesmente uma placa a apoiar os meus dentes a fixarem-se no lugar.

De volta ao dente, este medo de perda não tem de existir - este dente não me iria ser removido se fosse realmente essencial. Além disso, há a possibilidade que o dente do siso venha substitui-lo. Curiosamente, comecei a sentir a boca mais leve e com mais espaço.
Durante a extração, eu estava agarrada ao dente e curiosamente este estava a dar luta! Apercebi-me que era altura de aprender a largar e de me "render". De certa maneira, o medo de deixar o dente ir tem também a ver com o hábito de ter aquele dente na minha boca e não me imaginei não tê-lo. Ou seja, o medo do futuro é muito em parte baseado na imagem do que já se conhece (mesmo que não seja perfeito) VS uma coisa nova (que não se conhece).

Reparo agora que os medos são como as bonecas russas, abre-se um medo e surge um outro, como se a minha mente tivesse um lugar para o medo que tem de estar sempre ocupado! Desta vez, o medo que surgiu depois da extração do dente foi o medo de complicações pós-cirurgia. Obviamente, que o estado de stress que eu permito (ou não) em mim vai ter impacto na recuperação. Por isso decido recuperar sem o medo. A recuperação é a parte da operação que eu posso controlar - ou seja, depende de mim, da atenção que dou a mim própria, do descanso, da toma do antibiótico e da estabilidade que crio em mim. Por isso escrevo sobre estas preocupações da mente, para esvaziar o medo de dentro de mim e deixar o medo ir, tal como deixei o dente ir e me dedico a tomar conta do meu corpo que está aqui.

Depois de ter escrito o seguinte perdão-próprio e as afirmações de auto-correção, apercebi-me que a minha desconfiança tem também a ver com o medo de ser levada a gastar/investir cada vez mais dinheiro em tratamentos dentários. Lembro-me que tinha pensado que este dente tinha de ser tratado mas que o doutor não estava a dar prioridade a esta situação, visto que havia outros tratamentos supostamente mais rentáveis a serem feitos noutros dentes. No final de contas, acabou por ser este dente a ser tratado primeiro e, em vez de me permitir relaxar, continuei a  participar no medo e desconfiança da mente.


Quanto à questão do dinheiro, eu apercebo-me que o medo ou a resistência em perder/investir dinheiro em tratamentos dentários é um facto inerente ao actual sistema económico. Vejo também que, mais uma vez, estes medos e preocupações seriam colmatados caso vivêssemos num sistema monetário que fosse igualitário e que garantisse que os doutores seguissem a carreira da saúde por realmente quererem o melhor para os seres-humanos e não pelo lucro. Da mesma maneira, nenhum de nós iria ter medo de ter problemas dentários porque saberia que estes seriam resolvidos incondicionalmente. Apercebo-me então que não é só a dor física dos tratamentos mas também o peso na carteira que nos faz ter resistência a ir ao dentista...
Independentemente disto, é crucial resolver estes medos e preocupações da minha mente.

Eu perdoo-me por me estar a permitir e aceitar alimentar os medos que surgem na minha mente após a cirurgia, como se os medos fossem reais.
Eu perdoo-me por não me estar a permitir e aceitar olhar para a situação médica em senso comum e assim não permitir que o medo contamine tudo e todos.
Eu perdoo-me por me estar a permitir e aceitar desconfiar do meu médico e pensar que ele quer tirar os meus dentes para depois fazer mais dinheiro comigo caso eu precise de mais tratamentos para substituir o dente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na desconfiança da mente em vez de estar aberta à explicação do doutor e sobre a situação física e real dos meus dentes.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que tenho de ser desconfiada para ser respeitada (e não ser enganada).
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que se eu permitir tirar um dente estou de facto a andar em direção à perda total dos meus dentes, o que eu vejo ser a mente a levar-me para a outra polaridade!
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido imaginar-me sem dentes ou com os dentes encavalitados e por me ter permitido deixar assustar por esta imagem da mente.
Eu perdoo-me por me estar a permitir agarrar-me à ideia que não devia ter aceite este tratamento com base na ideia que o meu médico em Portugal saberia melhor o que fazer, com base em experiências do passado que não se aplicam necessariamente ao caso actual.
Eu perdoo-me por não me estar a permitir focar-me na recuperação e na minha estabilidade que é aquilo que eu realmente posso controlar neste momento.

Quando e assim que eu me vejo a participar na desconfiança da mente em relação à extração do meu dente, eu páro e respiro.
Ao respirar, eu permito-me descomplicar a situação física e apercebo-me que são os meus pensamentos que estão a complicar. Nisto eu apercebo-me que estou agarrada à ideia que podia ter havido outro tipo de tratamento alternativo em vez de ouvir os conselhos do doutor e ver aquilo que está realmente aqui. Eu apercebo-me que a minha dúvida é baseada em informação relativamente a outros casos, por isso, eu permito-me focar-me no MEU caso, abraçar esta situação como tendo sido o melhor para mim e aperceber que não precisava de chegar ao ponto de ter dor absoluta para me "convencer" que este dente deveria ser tratado/extraído urgentemente.

Eu dedico-me a focar-me apenas na minha recuperação e, quando e assim que eu vejo um pensamento da mente a justificar o arrependimento, eu páro, respiro e escrevo sobre isso para me permitir ver a complicação da minha mente e ajudar-me a ver as soluções para mim própria.
Quando e assim que eu me vejo a imaginar a perder os meus dentes da frente ou a ficar assustada com a ideia de vir a perder todos os meus dentes quando envelhecer, eu páro o medo e respiro. Eu apercebo-me que esta aterrorização da mente não é real e que é apenas uma forma de manipular quem eu Sou e a minha criação. Eu dedico-me a respirar e a confiar em mim no meu processo de remover os meus medos, não os meus dentes ou outra parte do meu corpo físico!

Quando e assim que eu me vejo a desejar voltar atrás e sugerir outro tipo de tratamento, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estou a criar stress desnecessariamente para mim própria e que tenho mesmo de confiar naquilo que o especialista sugere.
Eu dedico-me a andar passo a passo, respiração em respiração, em estabilidade própria, em vez de saltar para o passado ou para um futuro e pensar naquilo que eu devia ter feito ou naquilo que eu devo fazer. Apercebo-me que a solução para os meus problemas exteriores passa por eu criar soluções de dentro para fora e por isso dedico-me a resolver os padrões da minha mente que me impedem de ver soluções práticas para mim (e para o mundo).

Quando e assim que eu me vejo a desconfiar que a mudança não me vai ser benéfica, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que sou eu quem me estou a puxar para trás, em vez de abraçar a mudança e me permitir relaxar com a certeza que aquele dente não me vai incomodar mais!

Comprometo-me também a não generalizar esta situação e pensar que ao ter permitido a extração de um dente então vou abrir um precedente e terei  de extrair mais dentes - eu apercebo-me que a extração de dentes só é feita quando é realmente o melhor para a pessoa e que não é o fim do mundo. Isto é senso comum.

 Quando e assim que eu me vejo a projectar a minha desconfiança noutras pessoas e a acreditar que estou a ser enganada por outra pessoa, eu páro e respiro. Realizo que este é um indicador da mente que me mostra aquilo que eu tenho de urgentemente resolver em mim e por isso eu comprometo-me a parar a desconfiança em mim. Apercebo-me que a desconfiança da minha mente é auto-destrutiva e que sou responsável por parar este padrão em mim. Eu comprometo-me a abraçar aquilo que me é dado pelos outros, estando ciente que a minha estabilidade não está dependente disso e, ao mesmo tempo, dou-me a oportunidade de confiar em mim por me permitir confiar nos outros.

Ilustrações: 
Andrew Gable - The Decision – An Artists Journey To Life: Day 172 | An Artists Journey To Life http://bit.ly/SVmmxo
Andrew Gable - Where Do Your Thoughts Come From. Find Out how your mind really works - http://lite.desteniiprocess.com/
Marlen Vargas Del Razo - Money as Life?




DIA 189: "Quem foi ao ar perdeu o lugar"?... Educados a ser rivais e a competir


Isto de estar ciente das minha personalidades tem que se lhe diga! Tem sido cada vez mais fácil ver as personalidades surgirem no meu dia-a-dia, como se visualizasse o padrão e percebesse como ele funciona desde o momento em que me torno a personalidade e as consequências na minha realidade. Estar ciente destas personalidades é o primeiro passo para ver a origem, perceber as consequências que ando a criar para mim própria e finalmente mudar para o melhor de mim.

Hoje enfrentei a personalidade da rivalidade numa situação que talvez vos seja familiar: a famosa lenga-lenga do "quem foi ao ar perdeu o lugar". Fomos tão "bem educados" que continuamos a viver essa ideia na vida adulta. No meu exemplo, eu estava num lugar no ginásio durante a primeira parte da aula de dança e, quando saí para beber água no intervalo, uma pessoa tinha ocupado aquele lugar.  No espaço de segundos, perante aquela MUDANÇA eu senti a reação, depois a vergonha e a raiva: a reação de ver o meu lugar ocupado; vergonha ao pensar que as outras pessoas que assistiram à cena estavam a pensar que eu fui "ultrapassada" e portanto sou inferior; e raiva em relação à pessoa que eu pensei ter tido a lata de usar o intervalo para avançar para a linha da frente.
Ao escrever esta situação, vejo que este cenário se repete todos os dias na fila para entrar para o metro: há quase sempre uma fila e, quando o metro abre as portas, há pessoas que tentam avançar e ultrapassar a pessoa da frente. Perante este comportamento social eu manifesto uma sensação de inferioridade em relação à pessoa que avançou sem respeito. Pergunto-me: - Porquê julgar como superiores aqueles que não respeitam os outros? Por outro lado, porque é que eu me deixo afectar quando assisto (ou sou vítima) deste tipo de comportamento? Porque é que não me permito estar estável em mim, naquilo que eu faço, sem ir para o backchat da mente de julgar a outra pessoa como superior ou como imbecil?
Em relação à experiência desta manhã, eu apercebi-me o quão perturbante foi ficar permeável aos pensamentos da mente porque a partir deste episódio estive menos focada, distraída e mais descoordenada. Levei alguns momentos a estabilizar-me com a respiração e a fazer paz com a muDANÇA, ver que havia MAIS lugares e realizar que "ter perdido o lugar" era irrelevante para o meu propósito de DANÇAR, me divertir e de seguir os passos. Escrevo aqui o perdão próprio e as afirmações de auto-correção para prevenir esta reação dentro de mim e esta auto-sabotagem no futuro.

Perdão-Próprio:
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sabotar a minha decisão de dançar com o episódio inesperado de ter "perdido AQUELE lugar na sala".
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que AQUELE lugar é um lugar num espaço que é a sala e que serve apenas o propósito de ter pessoas, sem necessidade de criar uma relação com AQUELE lugar.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar incondicionalmente estável em vez de absorver as ações dos outros e tomá-las como pessoais. Nisto, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido comparar a minha dança com a dança da pessoa que ocupou o meu lugar, o que mostra a competição da mente para manter esta luta dentro da mente contra a outra pessoa.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido levar a atitude da outra pessoa como uma ofensa e como uma "guerra aberta" ao ter ocupado o meu lugar. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar em guerras de competição dentro da minha mente e assim estar a criar separação física que na realidade não existe - eu vejo agora que estávamos ambas na mesma sala e que os lugares são criados onde quer que haja um espaço livre.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me pelo lugar onde eu estou em vez de viver a decisão de ser estável e ciente de mim em qualquer lugar e a qualquer momento.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na imaginação da mente de falar com a rapariga para sair do meu lugar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir com um "grrrrr" e submissão à vontade da outra pessoa, em vez de decidir dar-me direção-própria, observar um lugar livre e em senso comum criar a minha estabilidade, sem ficar "agarrada" à atitude da outra pessoa. 
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar imediatamente que a outra pessoa foi ruim e que fez de propósito para aproveitar o intervalo para ser gananciosa. Ao trazer o ponto para mim própria, eu vejo que EU estava  a ser gananciosa sobre aquele lugar e a considerar a hipótese de "ter o lugar de volta" no próximo intervalo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido dançar no lugar novo contrariada e pensar que o outro lugar era melhor porque via o espelho. Nisto eu apercebo-me que as conversas da mente criam mais distração e "estragos" do que o facto de não ver o espelho!
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido calar a mente e o conflito da mente para me permitir viver a decisão de SIMPLESMENTE estar ali, sem relações com o lugar ou com as pessoas, mas SIMPLESMENTE presente, em mim, física, a dançar!
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que se a outra pessoa tivesse comunicado comigo com um "desculpa" ou ao perguntar se eu queria aquele lugar de volta, então eu não ficaria chateada. Eu apercebo-me que o ponto de não ficar chateada é independente da atitude da outra pessoa. Nisto eu apercebo-me que QUEM EU SOU não é dependente de quem OS OUTROS SÃO.

Afirmações para auto-correção:
Eu comprometo-me a parar a sabotagem da mente quando vejo que estou a ser perturbada por um evento que não estava "agendado". Em vez de reagir, eu ajudo-me a procurar uma solução perante a nova situação e a garantir que me ajudo a estabilizar, em vez de agravar a situação dentro de mim!
Quando e assim que eu me vejo a lutar na mente contra uma pessoa que tenha ocupado o meu lugar, eu páro a mente e respiro. Eu apercebo-me que a luta da mente é uma luta comigo própria e que não é isto que eu quero para mim.
Quando e assim que eu me vejo a julgar-me como fraca porque eu não reajo com a outra pessoa, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a ver as coisas e agir em senso comum - se vir que é relevante falar com a outra pessoa eu falo, se não eu permito-me viver a decisão de não falar e de parar qualquer conversa na mente.
Quando e assim que eu me vejo a julgar a outra pessoa como "má", "ruim", "estúpida", "gananciosa", superior" (curiosamente associamos a ganância à ideia de superioridade), eu páro e respiro. Eu apercebo-me que na minha Vida sou eu quem decido quem eu quero ser a cada momento. Nisto, eu comprometo-me a não ser influenciada pela maneira como as pessoas à minha volta são - porque eu só somente responsável por quem eu sou e, portanto, não me permitirei fazer aos outros aquilo que não quero que seja feito a mim.
Eu comprometo-me a ser SEMPRE o exemplo para mim própria e portanto não me permitir estar instável ou reagir mesmo quando esteja perante uma situação de competição. Aliás, eu apercebo-me que só existe uma situação de competição se eu permitir viver em competição. Realizo que a competição começa em mim e que existe primeiro em mim e que, ao permitir existir competição em mim, vou acabar por projectá-la na minha realidade/nos outros.
Comprometo-me a estar ciente dos pensamentos de competição na minha mente e a parar esta PERSONALIDADE competitiva e de rivalidade que eu crio e participo na minha mente sem qualquer benefício para mim nem para a realidade à minha volta.
Comprometo-me a parar de ver as outras pessoas como minha rivais como se esta vida fosse um jogo de soma nula - eu apercebo-me que há lugar para todos se todos criarmos lugar para todos. Eu apercebo-me que ao criar a minha estabilidade e ao adaptar-me a dançar no meu novo lugar, eu fui o exemplo para mim própria. Comprometo-me então a ver sempre o senso comum da situação e em viver uma solução prática para mim e que seja também o melhor para nós todos em cada momento.
Quando e assim que eu me vejo a ser inflexível comigo própria (que é uma forma de amuo!) ao estar a julgar o novo lugar como prior que o anterior, eu páro este julgamento da mente e respiro... E continuo a dançar no/com o meu corpo físico.
Quando e assim que eu me vejo a culpar a outra pessoa pela minha instabilidade, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que culpar a outra pessoa é a "easy way" e que desejar que a outra pessoa resolva o assunto é uma ilusão da mente. Vejo que a única maneira de garantir que resolvo a minha instabilidade é ao tomar responsabilidade por mim e criar soluções para mim nesta realidade física 

Quando e assim que eu me vejo a desejar que a outra pessoa seja simpática comigo para eu ser simpática com ela, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta ideia de ser simpática é a ideia de agradar a outra pessoa, em vez de perceber que eu sou simpática com a outra pessoa no sentido de respeitar a outra pessoa e de comunicar sem reações.
Eu apercebo-me que a instabilidade da mente é uma mentira porque QUEM EU SOU ESTÁVEL COMO VIDA é incondicional e portanto a minha estabilidade como Vida não está dependente do "desculpa" da outra pessoa, ou de um sorriso. Eu comprometo-me a não me permitir estar à mercê nem da minha mente nem da mente/atitude dos outros.

Foto: Image courtesy of photostock / FreeDigitalPhotos.net


DIA 179: PERGUNTA-TE: Quem é que eu me permito e aceito ser?


Quem é que eu sou em honestidade própria?
Quem é que eu sou sem medo dos outros e sem medo daquilo que pensam ou dizem de mim?
Quem é que eu seu se eu não levar a peito aquilo que dizem ou pensam de mim?
Quem é que eu sou estável nas minhas decisões?
Quem é que eu sou sem a complicação da mente?
Quem é que eu sou sem os auto-julgamentos?
Quem é que eu sou sem o medo de me expressar?
Quem é que eu sou sem a pressão dos outros ou da mente?
Quem é que eu sou se eu não me permitir ser influenciada pelos outros?
Quem é que eu sou se aprender com os bons exemplos?
Quem é que eu sou sem o medo de acidentes?
Quem é que eu sou sem o medo da morte?
Quem é que eu sou sem o medo da dor?
Quem é que eu sou sem as imagens da mente?
Quem é que eu sou sem a imaginação?
Quem é que eu sou sem o medo de engordar?
Quem é que eu sou sem o medo de estar sozinha?
Quem é que eu sou ciente de cada respiração?
Quem é que eu sou sem as memórias da mente?
Quem é que eu sou sem vergonha de mim própria?
Quem é que eu sou sem inveja dos outros?
Quem é que eu sou sem me comparar aos outros?
Quem é que eu sou sem as projeções no futuro?
Quem é que eu sou sem as 'minhas' personalidades?
Quem é que eu sou em total confiança em mim própria?
Quem é que eu sou sem preocupações?
Quem é que eu sou sem me definir pelo passado?
Quem é que eu sou como a solução para mim própria?
Quem é que eu sou sem o ego?
Quem é que eu sou sem a energia da mente?
Quem é que eu sou sem ciúmes?
Quem é que eu sou sem o medo da perda?
Quem é que eu sou sem o medo da ruptura?
Quem é que eu sou sem desejo?
Quem é que eu sou com assertividade?
Quem é que eu sou sem o medo de mudar?
Quem é que eu sou sem o medo de me corrigir?
Quem é que eu sou sem a realidade paralela da mente?
Quem é que eu sou sem desistir antes de começar?
Quem é que eu sou com paciência comigo própria?
Quem é que eu sou sem medo de falhar?
Quem é que eu sou sem stress em mim?
Quem é que eu sou pontual?
Quem é que eu sou em estabilidade própria?
Quem é que eu sou sem desconfiança?
Quem é que eu sou sem a competição?
Quem é que eu sou em senso comum?
Quem é que eu sou a viver o perdão-próprio?
  
Quem é que eu sou um e igual com toda a gente?

Quem é que eu me permito e aceito ser? 


Ilustração: 'Alternate Realities' by Andrew Gable



DIA 163: Entretida com as desonestidades dos outros...


Aquilo que julgo nos outros é um espelho daquilo que eu julgo em mim.
Este estado de "cansaço de ver e ser padrões" é um indicador de instabilidade própria que eu mesma estou a criar em mim.

  • Porque é que me afecto com os padrões que eu vejo nas pessoas à minha volta?
  • Porque é que eu procuro ver soluções para os padrões dos outros e não para os meus?
  • Porque é que a minha estabilidade de auto-direção e a minha aplicação não são uma constate?

Ainda dou por mim a acreditar neste jogo da mente e a sentir vergonha "do outro", quando em honestidade própria apercebo-me que é de mim que tenho vergonha, que é a imagem de mim que julgo, e que é assim que me estou a massacrar e a criar separação.  No meio da informação constante e da agitação de um dia-a-dia citadino acabo por muitas vezes me distrair do meu processo e passo para o lado da mente, que funciona como um olho que tudo quer saber e que tudo julga! A outra coisa que me tenho apercebido é que eu crio separação com as pessoas à minha volta porque existo em separação comigo própria, a começar pelos julgamentos próprios, pelas ideias que projecto nos outros, pela minha ideia de como as coisas devem ser e pela imagem que eu desejo projectar para os outros.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser afectada e influenciada pelos padrões que eu vejo à minha volta e acabar por comprometer a minha vida ao querer intervir e resolver o problema do outro.

 Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que ocupar-me com os pontos dos outros é uma forma de não olhar para mim e portanto manter-me entretida com a vida dos outros, enquanto que aquilo que eu posso e devo mudar (- eu!) não o faço.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido focar-me nos meus padrões da mesma maneira que analiso e vejo os padrões nos outros.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver a solução para os meus padrões e permitir-me Ser essa solução, ao direcionar-me em honestidade própria e realmente aplicar-me a mudar os padrões em mim a cada momento.
  
Eu comprometo-me a dedicar a minha atenção a resolver os padrões em que eu tenho participado. Por experiência própria (e ao ver o estado do mundo) eu apercebo-me que estes padrões não são o melhor para mim e não me permitem ser/criar-me em estabilidade.

Eu dedico-me a escrever, a analisar e a questionar-me sobre cada ponto que identifico como desonesto, e comprometo-me a aplicar as minhas realizações na prática. Quando e assim que eu vejo um padrão a manifestar-se na minha realidade, eu páro e respiro. Nesse momento, eu apercebo-me que tenho as "ferramentas" para me direcionar e não me permitir ser dis-traida pela mente.

Quando e assim que eu me vejo entretida a pensar nos padrões das outras pessoas, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que se eu vejo o padrão é porque esse mesmo padrão existe em mim! Logo, eu dedico-me a analisar e a ver onde é que eu estou a participar nessa personalidade e ajudo-me a ver como é que eu posso mudar esse ponto em mim de modo a tornar-me numa melhor versão de mim própria.

Realizo também que a melhor maneira (ou a única) de ajudar os outros é a ser a mudança e a viver como um exemplo de VIDA (honestidade própria) para mim mesma no meu dia-a-dia. Vejo também que para me mudar tenho primeiro de saber aquilo que tenho de mudar - para isso, parar e respirar é uma ótima ajuda para parar o rodopio da mente e dar-me espaço para ver aquilo que eu estou a fazer a mim própria. Estar ciente do meu processo, estar ciente das minhas desonestidades próprias e estar ciente da minha mente é essencial para perceber aquilo e COMO é que eu posso mudar.
A honestidade própria  é trabalhada e praticada. Quanto mais eu escrevo, quando mais eu leio sobrehonestidade própria e quanto mais eu me dedico ao processo, mais fácil é direcionar-me, expandir-me e muDar-me.


Ilustração: “When Can I Just Relax” – An Artists Journey To Life: Day 228
http://anartistsjourneytolife.wordpress.com/2012/12/29/when-can-i-just-relax-an-artists-journey-to-life-day-228/



DIA 162: A mudança é uma atitude física, hurrey!


Hoje tive um daqueles momentos em que tomei e vivi a decisão física de mudar um padrão for real. Ao mesmo tempo, o facto de estar a escrever este blog hoje é um sinal de direção própria e de viver o compromisso de recomeçar a cada momento aqui - parar, dar tempo a mim própria e escrever, mesmo quando tenho a casa cheia!
Em relação ao primeiro ponto, não lhe posso chamar um momento de "sucesso" porque este é um processo no qual a eficácia se baseia na minha consistência, no entanto, foi um indicador que vale a pena investigar um ponto em mim e dar-me a oportunidade de "tirar o hábito". Comecei o dia a escrever - primeiro sobre a camada mais superficial de pensamentos e, ao "escavar" mais fundo, fui parar a uma série de realizações - a escrita tornou-se fluente e o perdão próprio foi óbvio. Nesse momento apercebi-me que o meu processo é incondicional ao lugar onde eu estou, àquilo que eu faço ou com quem eu estou. O mais curioso é que ao escrever sobre os pontos que me estavam a ocupar a mente esta manhã, outros pontos vieram ao de cima, como se os tivesse desbloqueado e me permitido tomar responsabilidade pela minha mudança.

A mudança de atitude foi óbvia e apercebi-me do meu poder de criar/mudar a minha realidade. Não vou referir aqui qual foi a ação específica porque trata-se de um padrão - o padrão da zona de conforto. Aquilo que eu vejo ter sido essencial para ver a solução foi o facto de ter desacelerado a mente e ter-me dado o benefício da dúvida de agir de maneira diferente daquela que tenho agido até agora. Não houve um desejo energético, mas foi antes o meu movimento físico (caminhar passo a passo) a criar as condições para que a ação se realizasse, em vez de pensar sobre o assunto!

Apercebo-me que é neste estado de cientização que me quero permitir estar e ser - ciente da mente, mas fora da mente. Um e igual com o meu processo, um e igual com o mundo e pessoas à minha volta, um e igual com o meu corpo e movimento físico, em plena direção própria.
Partilho neste blog partes da minha escrita matinal que foram extremamente reveladores e que serviram de plataforma para passar à ação física.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar na resistência que surge enquanto eu escrevo, baseada na ideia de "isto não é relevante", quando afinal eu estou a escrever para mim e só eu sei o que se passa na minha mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido evitar questionar-me sobre aquilo que eu penso, sobre aquilo que eu digo, sobre a maneira como eu falo, sobre a minha tonalidade, sobre o Porquê de reagir a certas coisas ou a certas pessoas.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido alimentar o papel de apreciar "os outros" sem ver que sou eu quem está a alimentar estes papéis em total interesse-próprio porque estou a usar a ideia que "tenho de agradar os outros" como uma capa e justificação que me mantém presa ao ao medo de mudar. Por trás do medo de mudar, vejo que está o medo de sair da zona de conforto/defesa porque isso implica sair da personalidade de medo.

Apercebo-me que a minha honestidade própria é ser honesta com os outros, e que a minha desonestidade própria é ser desonesta com os outros. Nisto, eu apercebo-me que tudo aquilo que se passa à minha volta é um indicador daquilo que eu Eu permito e aceito ser cúmplice, quer sejam as relações, reações, frustações, sistemas da sociedade, etc. e que a mudança da realidade à minha volta depende da mudança da minha relação comigo e com as coisas à minha volta.

Quando e assim que eu me vejo a entrar nas imagens e pensamentos de antecipação da minha mente, eu páro e respiro.
Quando e assim que eu me vejo a acreditar nas emoções que eu sinto, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que depende sempre de mim criar a minha estabilidade e para isso Parar o programa automático da mente. Eu apercebo-me que em direção própria eu sou muito mais do que a minha mente - eu apercebo-me de coisas que não eram visíveis antes e que sou capaz de transcender a sensação de vitima e impotência.

Quando e assim que eu me vejo a ter resistência para aplicar aquilo que eu realizo, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estou a sabotar a minha própria vida porque a informação está aqui e eu estou a evitar aplicá-la na minha Vida! Não é este um padrão familiar no nosso mundo, em que sabemos aquilo que tem de ser feito mas continuamos a brincar às personagens e a viver papéis para encaixar na sociedade?