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DIA 245: A personalidade dupla começa em casa

Provavelmente sem nos apercebermos, começamos a mentir em casa com as pessoas mais próximas de nós: com os pais (na maioria dos casos). Cedo adquirimos juízos de valor sobre aquilo que se deve ou não fazer para se ser visto como uma boa pessoa e portanto a comunicação vai tentar ao máximo corresponder a esses juízos de valor para se estar no "lado bom" do julgamento do outro. A falta de uma comunicação aberta entre os pais e os filhos, condicionada também pela falta de tempo, vai fazer com que uma série de eventos do crescimento da uma criança sejam vividos pela criança sozinha, sem qualquer apoio, guia ou compreensão de um adulto, em que somente as coisas superficiais são vistas e corrigidas pelos pais. Como também na escola não se dá a devida atenção ao desenvolvimento psicológico da criança (também devido à falta de tempo e ao programa escolar estilo industrial), haverá uma série de palavras, memórias, eventos na vida de uma criança que irão ficar para sempre acumulados num baú da mente que não é partilhado com ninguém. Infelizmente, mesmo na idade adulta, nós não somos ensinamos a lidar com essas memórias ou com essas ideias, embora estas estejam constantemente a surgir nas nossas mentes com um fantasma guardião dos nossos segredos mais fundos.

Aquilo que eu vejo cada vez mais é que o "segredo" pode ser irrelevante - aliás, muitas das vezes só é segredo para a própria pessoa porque é a única que se habituou a ser guardiã de uma reputação que só existe na sua própria auto-definição, - no entanto, a resistência para nos conhecermos a nós mesmos é preocupante e é ainda mais preocupante que não haja uma cultura de honestidade-própria em cada um de nós.

Esta dupla personalidade que se começa a manifestar é então baseada em medo: o medo de não corresponder a uma imagem que os pais parecem desejar ver nos filhos, como se houvesse um holograma projetado no pequeno ser-humano! Enquanto que esse holograma esconde realmente quem o novo-ser é, a criança vai usá-lo como um escudo de proteção para continuar a viver nessa aparência de relação perfeita na presença dos pais, embora por dentro haja uma série de perguntas sem resposta nem entendimento. A partir de certa idade, é dito aos filhos que eles já têm idade para serem responsáveis... Como é que a idade determina um elemento que devia ter sido construído passo a passo? A responsabilidade própria é baseada na capacidade de se conhecer a si próprio, de compreender os seus próprios problemas e ser capaz de encontrar uma solução (mesmo que isso implique pedir a ajuda do outro). Para isso, a base da honestidade própria é essencial, de modo a não rotular as experiências como "boas" ou "más", mas perceber como é que a estabilidade tem de ser criada dentro de si mesmo, sem julgamentos de valor sobre a sua própria vida e aberto à possibilidade de mudar o comportamento em humildade. Esta é a honestidade própria que os pais devem viver como exemplo para que a geração seguinte não passe pela mesma confusão interior que provavelmente os pais passaram no tempo deles.


Como é que seria uma cultura de honestidade-própria entre pais e filhos? Primeiramente, a partir da responsabilidade dos pais em se auto-conhecerem, perceberem de onde é que as suas reações, paranóias e medos vêm antes de projectarem essa "bagagem" no novo ser. Isto é possível através de uma escrita diária para se compreender a mente e re-educar-se a si próprio. O perdão-próprio é extremamente eficaz para abrir várias camadas da nossa mente em honestidade própria e,  finalmente, segue-se o compromisso em mudar-se aquilo que não se vê ser benéfico para si nem para os outros. Ao limparem o seu próprio baú mental, não irá haver julgamento sobre o comportamento dos filhos, porque o julgamento é substituído pela compreensão e, finalmente, pela ajuda a superar qualquer ponto que a criança esteja a manifestar. Para que a comunicação seja eficaz entre pais e filhos, terá de haver uma disciplina em realmente viver-se como exemplo: quantas vezes os pais evitam explicar os problemas aos filhos com base na desculpa de que eles não irão compreender? Provavelmente eles não precisam de saber os detalhes mas no entanto as crianças não são tótós e, mais cedo ou mais tarde, irão questionar-se, por isso é mil vezes melhor que uma relação de comunicação incondicional seja estabelecida com os filhos de modo a que os padrões sejam clarificados e a criança esteja esclarecida em tudo aquilo que vê e ouve.




DIA 239: Enfrentar o lado lunar - medo do lado "escuro" da mente e do mundo


Apercebo-me que desenvolvi em mim o medo do escuro e consigo ver como é que esta paranóia se manifesta quando dou azo à imaginação de luzes apagadas. Provavelmente não sou a única a ter desenvolvido este medo visto que este  é ensinado eficazmente através dos filmes, das imagens associadas ao escuro, da música escolhida para acompanhar a cena, da associação da cor preta à morte/luto, dos fantasmas que "surgem" à noite, dos vampiros e toda uma série de pensamentos que criamos na mente quando os olhos estão limitados pela escuridão. Vendo bem, é a mente que está limitada.

A guerra das mentes projetadas no mundo.
Conversei com uma amiga minha que viveu muitos anos nos Estados Unidos e foi interessante ouvir que uma grande parte da cultura americana é baseada no positivismo e na procura de finais felizes e há uma aversão a falar-se das coisas "menos positivas", do "lado escuro da sociedade" que é de facto a actual realidade. Aliás, notícias como aquelas que falam sobre a queda da economia ou a ilusão do crescimento económico são  rotuladas como "deprimentes". Nisto, apercebi-me de duas coisas:
Primeiro, aquilo que se julga por fora é aquilo que se julga por dentro, o que significa que aquilo que nós consideramos como deprimentes é algo que existe em nós mas que não queremos enfrentar;
Segundo, ao trazer este ponto para mim própria, vejo que também eu desenvolvi um mecanismo de proteção que evita enfrentar o escuro da mente. Porquê? Apenas porque me habituei a ser escrava na minha própria mente, acreditei que sou a mente, acreditei em tudo aquilo que eu vi na televisão e nos filmes e, essencialmente, aceitei a mente como sendo o meu destino.
Só agora me começo a aperceber que posso mudar a minha vida ao re-educar-me para ser a solução para mim própria em honestidade própria, em tudo aquilo que eu faço e que eu sou. Começo então por investigar porque é que há certos tópicos que eu tenho ainda aversão em pensar, conversar e escrever sobre isso, e este é um indicador da relevância desse ponto no meu processo e de como me será benéfico abrir esse ponto em mim. Isto mostra também que eu estou a resistir ver-me completa-mente, ver as honestidades e as desonestidades, e por isso ando na corda bamba, a tentar controlar as desonestidades em vez de me curar e tornar-me honesta comigo própria em tudo e sempre.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a resistência para falar de determinados tópicos vistos como "deprimentes" ou vistos como "negativos" é real. Em vez de viver essa resistência, eu posso investigar a razão pela qual eu julgo algo como negativo ou deprimente e como é que o julgamento me impede de ver o senso comum para além da mente. Eu apercebo-me que é também da minha responsabilidade não participar no positivismo da mente, não participar nas conversas de chacha e não alimentar o facilitismo da mente, e que é da minha responsabilidade entender como é que estamos a criar a nossa própria realidade contra nós próprios porque queremos viver numa lalaland que só existe na mente como fuga aos problemas que afectam tudo e todos nesta realidade.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na resistência da escrever sobre as conversas da mente que afectam a minha estabilidade própria e que afectam a minha relação com as outras pessoas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desprezar os medos e as imagens que a minha mente me mostra com se quisesse fugir de mim, em vez de aproveitar para investigar os padrões por trás dos pensamentos, medos e imagens de modo a limpar-me dos padrões e criar a minha confiança ao parar de criar uma realidade contra mim própria baseada dos medos e imagens da mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido alimentar a mente num automatismo e rotina e distrair-me da minha responsabilidade de questionar a mente, compreender a minha mente e mudar a minha mente para que os meus pensamentos e acções sejam baseados em unidade e igualdade e que tanto os pensamentos e as ações sejam o melhor para mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar diálogos "negativos" ou "positivos" dentro de mim projectados naquilo que eu penso que outras pessoas vão dizer. Apercebo-me que estes diálogos bipolares são um espelho daquilo que eu penso de mim própria e vejo então que eu estou constantemente a reprimir/suprimir/criticar-me/julgar-me e que tal atitudes comigo própria não me ajudam a recriar a minha relação comigo própria de auto-correção, compreensão e amor-próprio. Apercebo-me que eu sou a minha melhor amiga no sentido de só eu me poder ajudar a ser honesta comigo própria e a motivar-me para viver os princípios de vida.

Quando e assim que eu me vejo a pensar num tópico e criar o diálogo na minha mente de "é um tópico demasiado grande para ser tratado", ou "eu não sei como resolver este problema na minha mente", ou "ainda não estou preparada para lidar com este padrão", eu páro e respiro.
Quando e assim que eu me vejo a pensar que irei ter mais oportunidades no futuro para enfrentar este ponto em mim, eu páro e respiro. Eu vejo que ao procrastinar o meu processo, eu estou de facto a criar mais sofrimento em mim própria e estou a adiar a minha honestidade própria que é a minha libertação da mente.

Quando e assim que eu vejo que o meu ponto de partida para adiar falar de um tópico é baseado no backchat de que não estou preparada para lidar com o ponto porque este é enorme, eu páro e respiro. Eu compreendo que o ponto em si tem várias camadas e que eu terei de andar este processo passo a passo, camada a camada, e portanto qualquer ideia de querer resolver um padrão de um dia para o outro é simplesmente um mecanismo de proteção da mente para eu nem sequer começar a ver as camadas e começar o processo de correção em relação a esse ponto.

Quando e assim que eu me vejo a criar diálogos que são a julgar (positivamente ou negativamente) algo que eu tenha feito ou dito, eu páro e respiro. Em vez de me "massacrar" com as memórias da mente, eu  comprometo-me a ver em senso comum o que é que eu disse e, caso haja algo que eu veja que podia ter sido melhor, então eu tomo este exemplo como um passo no meu processo de auto-correção e comprometo-me a aplicar essa correção a partir desse momento. Eu apercebo-me que os mesmos padrões manifestam-se em vários aspectos da minha vida, portanto, ao lidar com esse padrão eu serei capaz de me ajudar e auto-corrigir em vários ambientes e situações do meu dia-a-dia.
No lugar de rejeitar aquilo que a minha mente me diz ou mostra, eu comprometo-me a abraçar a mente como sendo a chave da minha própria libertação porque ao ver o problema/julgamento eu serei capaz de começar a criar a solução dentro de mim. Se a mente me mostra as minhas desonestidades próprias, então eu posso começar a perdoar cada uma das desonestidades próprias. Através do perdão próprio, eu começo a fazer as pazes comigo e abro caminha para recriar o potencial de vida que há em mim.

Quando e assim que eu me vejo fascinada com as imagens coloridas nos media e com as palavras de motivação usadas para vender uma felicidade temporária, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que a vulnerabilidade aos media ou aquilo que me é dito (e à maneira como me é dito) é um indicador da influência que eu permito que estes meios de comunicação tenham sobre mim. Eu comprometo-me a permitir-me estar um e igual ao mundo à minha volta e por isso estar estável, permitir-me questionar-me sobre aquilo que eu vejo e oiço e manter a minha integridade nas minhas decisões e que estas sejam baseadas nos princípios da igualdade, da unidade, da respiração, do bem-estar físico, da honestidade própria e daquilo que é o melhor para todos.


Apercebo-me que qualquer decisão baseada em emoções negativas ou emoções positivas será continuar a alimentar a mente de polaridade, de comparações e de imagens, e isto não traz qualquer progresso no meu Processo de me Tornar Honesta Comigo Própria e Viver os Princípios de Vida. Eu apercebo-me também que não estou aqui para copiar as vidas que foram "vividas" pelos outros porque simplesmente isso anula qualquer possibilidade de mudar esta realidade para melhor do que aquilo que actualmente existe. Eu comprometo-me a viver a realização que esta realidade é deprimente, tem problemas e ainda não é um paraíso para todos e estes são os indicadores que comprovam que há muita coisa a mudar, a começar na minha própria mente.




DIA 232: Mulheres com Confiança e Confiança nas Mulheres




Esta semana assisti a um documentário chamado Miss Representation, num evento organizado por mulheres profissionais que incluiu a partilha da experiência de uma CEO e uma sessão de perguntas e respostas colocadas pelas várias pessoas da audiência. Antes de mais, espero que este tipo de iniciativa inspire as mulheres Portugueses a organizarem tertúlias deste género que aproximam mulheres de diferentes carreiras e origens e promovem um diálogo saudável entre nós. 
O documentário mostra-nos as perspectivas de jovens e de pessoas na área do empoderamento das mulheres sobre a maneira como estas são reapresentadas na sociedade americana, muito em parte como consequência da forma como os meios de comunicação social compõe as notícias. Alguns dos pontos essenciais que eu assimilei deste documentário  foram o preconceito que existe na sociedade (americana e não só) em relação à presença de mulheres em posições de poder, tanto na área empresarial como na esfera política; a "des-educação" que é passada às novas gerações por parte de uma comunicação social podre; e finalmente, a emergência ardente de uma nova geração de mulheres que estão dispostas a cooperar umas com as outras. Sobre os dois primeiros pontos, aconselho vivamente que se veja o filme e se tire as suas próprias conclusões. Em relação à necessidade de cooperação entre as mulheres, a meu ver esta é possível quando cada uma de nós estiver plena em si mesma, quando não nos permitirmos distrair com comparações ou julgamentos em relação ao corpo ou até mesmo as roupas da outra, e quando estivermos dispostas a aprender umas com as outras.
A auto-confiança é uma capacidade que se desenvolve e, portanto, não é necessário definirmo-nos como inseguras porque afinal estamos no processo de desenvolver a confiança em quem nós somos e naquilo que fazemos. Numa sociedade ainda bastante patriarcal, é provável que sejam poucos os homens a congratular as mulheres, a reconhecer o seu esforço e até mesmo a motivá-las para continuarem uma carreira ou a mudar de estilo de vida. No entanto, quem é que precisa de uma motivação exterior quando se tem tudo dentro de si própria?

Relativamente ao processo de desenvolver a confiança, eu aconselho vivamente que se comece uma jornada única de auto-conhecimento através da escrita, do auto-reconhecimento, do perdão-própria e da correção para uma versão melhor de ti própria. Eu iniciei a minha há cerca de quatro anos com o apoio do grupo do Desteni e já não imagino o meu dia-a-dia sem a escrita diária, ou sem as realizações sobre pensamentos que tenho e eque estou ciente da origem e da solução para resolver os meus próprios problemas. Com base na minha experiência, eu recomendo os exercícios do Desteni Lite, uma plataforma online gratuita que oferece uma estrutura fundamental para darmos direção à nossa escrita e começarmos a lidar com a nossa mente passo a passo . É possível sermos livres de medos, de preocupações e de paranóias e só assim nos damos a oportunidade de ir para além das (baixas) expectativas sobre nós próprias.
Finalmente, e para quem nunca se interessou por política ou teve alguma resistência em imaginar uma mulher num cargo de enorme responsabilidade, sugiro que se atreva a ver a série televisiva Borgen (de origem dinamarquesa) que retrata a vida de uma mulher Primeiro-ministro com elevado senso comum, equilíbrio e tacto com a realidade, que para mim tem sido uma enorme inspiração e exemplo que infelizmente não vejo na política actual.

Obrigada a todas pelo vosso interesse em lerem o meu blog e enviarem comentários. Espero que possamos cada vez mais aprender umas com as outras, desenvolvermos a nossa confiança incondicional e o nosso potencial para nos tornarmos os nossos próprios exemplos e sermos de confiança para os outros.






DIA 139: Uma força invisível que nos puxa para trás?


Será que é isto que não vemos nas crianças? As crianças expressam-se incondicionalmente. Riem quando riem, choram quando choram, mas não vão propositadamente estragar aquele momento de diversão.
Um momento de estabilidade que rapidamente é invadido por esta força invisível  como um peso que se abate sobre nós. Com o passar do tempo, apercebo-me que me habituei a interromper a minha expressividade - algo de errado vai acontecer... não vale a pena... Já sei o que vai acontecer... Isto acontece sempre comigo... Dou por mim a criar uma vida contra mim própria - não será isto um indicador que não estou realmente a viver aqui ainda?
É a mente. Aquilo que tem acontecido com o passar dos anos é a aceitação da mente como o deus dos seres que tudo controla e limita. E é exactamente isso que acontece: eu própria me tenho permitido e aceite auto-limitar a minha expressão e controlar a minha existência; eu própria crio este peso sobre os meus próprios ombros; eu própria criei esta zona de conforto como se vivesse em sacrifício constante, sem ver que esta é uma desculpa da mente para eu manter esta prisão física; eu criei para mim própria a ideia que não posso expandir para além desta proteção da mente que tem o nome de medo; e não será este o padrão ensinado nos primeiros aninhos da catequese sobre a árvore do fruto proibido? Será que nunca vimos que é a árvore que nos dá oxigénio para respirarmos e existirmos primeiramente? Porque é que só vemos aquilo que nos dizem para vermos, sem nos educarem a vermos o senso comum e a expandir a partir dAqui, como novos? Estamos tão bem programados para passarmos ao lado da vida...

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido condicionar o meu presente ao dar azo aos pensamentos que são uma manipulação de imagens do passado e memórias.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido parar de me auto-controlar pela mente de pensamentos e memórias para ver o cúmulo que estou a criar para mim própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido punir-me pelo que eu faço pelo que eu não faço, como se nada do que eu fizesse fosse perfeito, sem nunca me ter apercebido que esta ideia de perfeição é uma manipulação da mente de forma a desprezar aquilo que está aqui neste mundo físico e de forma a sabotar qualquer tentativa de criar algo fora dos padrões da minha mente.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido sair do conforto da mente de medo, para estar aqui no corpo físico e começar a confiar em mim, na minha decisão de estar Aqui, um e igual com os outros e com aquilo que eu estou a fazer.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar a minha capacidade e vontade de parar a mente e mudar quem eu tenho sido até agora (a mente baseada em memórias, ideias sobre mim própria, ideias sobre os outros e ideias de como as coisas vão ser.)
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar e aceitar que o meu futuro/a minha existência na Terra iria ser parada ou limitada por um acidente ou por alguém, sem me ter apercebido que eu tenho sido a única responsável pela minha estagnação e limitação no meu processo de renascer como Vida.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que é a mim e só a mim que eu estou a fazer mal ao prender-me neste ponto e na supressão da mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido antecipar a ideia do que é viver e acreditar que a vida é só isto (a mente) sem sequer me dar a oportunidade de viver cada momento incondicionalmente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar controlar o futuro com base nas supostas aprendizagens do passado, sendo que em honestidade própria nunca houve um presente perfeito.

Eu comprometo-me a tomar responsabilidade por parar de participar na mente, que é como um vício que eu criei em mim.
Quando e assim que eu me vejo a prender-me na mente, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que só eu me estou a prender a mim própria; eu apercebo-me que fui eu que criei estes pensamentos para mim própria e tenho sido eu a permitir controlar a minha expressão.
Quando e assim que eu me vejo a justificar o meu medo do futuro com qualquer ideia que só existe na minha mente, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que qualquer justificação da mente para a limitação da minha expressão será sempre uma sabotagem contra mim própria. Por isso eu comprometo-me a parar de participar nas justificações da mente e vivo a decisão de parar a influencia da minha mente (e da mente dos outros) em mim.
Quando e assim que eu me vejo a pensar que não me posso expressar incondicionalmente, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que a sensação de ter algo a bloquear-me tornou-se um hábito porque repeti e aceitei esta limitação desde sempre.
Quando e assim que eu vejo esta limitação e justificação a sabotar o momento de potencial expressão, eu páro e respiro.
Eu comprometo-me a praticar a minha própria libertação ao parar a mente e ao respirar.
Quando e assim que eu me vejo a pensar que algo vai correr mal quando as coisas em mim estão estáveis, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que esta estabilidade da mente não é real e que não haverá estabilidade enquanto eu continuar a participar na mente. Por isso, eu dedico-me a andar este processo passo a passo, respiração em respiração, a dar-me direção constante e a recriar a relação que tenho comigo própria e a criar uma estabilidade incondicional.

Eu apercebo-me que esta ideia que eu criei sobre a Vida é uma ideia (a minha religião), na qual as coisas nunca acabam bem porque a mente é baseada em medo e na perda.

Quando e assim que eu me vejo a assombrar o meu presente como se me relembrasse que não me posso expressar à vontade, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta censura da mente só existe porque eu permiti criá-la e alimentá-la ao longo do tempo.

Quando e assim que eu vejo o medo de me expressar a surgir em mim na minha mente, eu páro, eu respiro e permito-me ficar no presente. Eu responsabilizo-me por parar a minha participação na mente e parar o hábito de seguir a mente.

Eu comprometo-me a dar uma gargalhada de cada vez que a mente me assombra e permito-me deliberadamente manter-me no presente, sem me permitir afundar na mente de memórias e percepções sobre o passado. Em vez disso, eu foco-me em ver aquilo que é senso comum no presente e mudar-me a partir dAqui, ciente que é da minha responsabilidade começar por mim, um e igual com toda a humanidade.




DIA 83: Personalidade de sobrevivência é a política da mente


Sempre que admiro e/ou julgo uma característica externa, este é um indicador daquilo que permiti separar de mim própria.
Trazer os pontos em auto-reflexão é um passo em honestidade própria. Apercebo-me que a política da mente é baseada em conflito de interesse-próprio em auto-defesa e comparação com o mundo exterior, numa luta de sobrevivência, sem ver que se trata de um espelho das múltiplas personalidades aceites como essenciais à existência, quando na verdade é o oposto que se manifesta: acreditar na separação da mente em detrimento do senso comum da vida.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar nas personalidades que eu acredito manifestar aos olhos dos outros.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar nas personalidade que eu criei em relação aos outros e que eu julgo como sendo "os outros", sem me aperceber que esta ideia é uma forma de separação porque esta  é de facto uma personalidade que eu acredito estar  separada de mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar no conflito de personalidades baseada na ideia que eu tenho de mim, na ideia que eu penso que os outros tenham de mim e na ideia que eu quero que tenham de mim. A mente é baseada em polaridade e por isso nada daquilo que provém dos "olhos" da mente resultará em unidade. Eis o ciclo de decepção desvendado.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar no conforto de ser aprovada pelos outros, o que não deixa de ser mais uma manifestação de sobrevivência.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido estar separada da minha auto-confiança e assim acreditar que a minha direção está dependente de algo exterior, de  alguém, de um local, de uma data, quando o ponto de falta de confiança é somente consequência de auto-definições e personalidades aceites como sendo eu, aos olhos "dos outros". Esta ilusória separação é baseada na polaridade da mente humana projectada no mundo com conceitos de superioridade/inferioridade/aprovação/desaprovação/valorizado/desvalorizado.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver no momento que o conflito só existe em mim; que a política de conflito existe primeiramente em mim baseada nas personalidades da mente.  É obvio que qualquer pensamento criado por mim é baseado naquilo que eu permito ser em mim, mesmo que eu não queira ver/ser como tal.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me de mim e focar-me naquilo que vejo nos outros, nas personalidades dos outros, no corpo dos outros e na estabilidade dos outros, em vez de tomar e viver a decisão de parar a polaridade eu-outros.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que os julgamentos  criados por mim sobre os outros são reais.

Eu apercebo-me que cada pessoa à minha volta representa uma personalidade existente/suprimida em mim.

Quando e assim que eu me vejo participar nas ideias e julgamentos da mente baseados em personalidades e comparações, eu páro e respiro. Apercebo-me que qualquer resistência em enfrentar esta personalidade em mim é um indicador do padrão/hábito que eu acreditei ser uma limitação ou um ponto fraco em mim. Eu sou responsável por perceber a origem e tirar cada camada/personalidade/ideia aceite em mim e assim existir íntegra, sem personalidades nem máscaras.

Quando e assim que eu me vejo a participar nos julgamentos-conflito-polaridade da mente, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que a mente funciona em polaridade e que é sempre em interesse próprio que eu acredito resolver os conflitos externos. Por isso, eu dedico-me a resolver os conflitos internos em honestidade própria, sem polaridades e a considerar soluções/acções em senso comum.

Eu comprometo-me a parar as personalidade criadas por/em mim e dedico-me a ver o senso comum de tudo o que é manifestado no mundo.

Eu dedico-me a parar a personalidade do conforto da aprovação dos outros. Eu apercebo-me que este desejo é puro interesse-próprio sem qualquer validade e que é irrelevante. Eu comprometo-me a ser, escrever, falar em honestidade própria com a vida que eu sou, sem permitir a influencia de personalidade, informação e conhecimentos que me distraem do senso comum que seria óbvio sem tais influencias.

Quando e assim que eu me vejo participar no desejo de ser aprovada pelos ouros e acreditar que o conforto da aprovação é real, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta personalidade é mais uma limitação à expressividade humana, à criatividade e à mudança dos padrões que ate agora têm sido baseados em medo e sobrevivência típicas da mente humana.

Eu dedico-me a recriar-me numa nova versão daquilo que é Ser-se humano, em vez de me continuar a participar/copiar os padrões da mente/História.

Ilustração: 'Hiding from Fear' by Andrew Gable
Faithful Obeying FEAR – An Artists Journey To Life: Day 105 http://wp.me/p2mGTf-86