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DIA 236: Proibido falar de sexo?


O blog de ontem foi uma introdução à jornada que me proponho fazer de desconstruir as ideias geradas à volta do sexo, que têm mantido este tema separado de nós próprios. Quantos de nós têm conversas maduras sobre sexo? Conversas que realmente procuram alargar o nosso entendimento sobre aquilo que é o sexo, sobre quem nós somos no sexo, sobre aquilo que é realmente importante para cada um durante o sexo, sobre os medos atrelados ao sexo, sobre as dúvidas, sobre as paranóias... E falar de tudo isto sem medo de se ser julgado, criticado ou gozado?
Mesmo que quiséssemos falar sobre sexo, como podemos falar sobre algo que ainda não está plenamente estável no nosso ser? Como é que vamos progredir no nosso discurso sobre educação sexual se não há um diálogo construtivo, sem julgamentos, sem agendas, sem desejos, sem interesse próprio, sem ego, sem religião, sem medo e sem ideias pré-feitas? Como é que podemos ensinar aquilo que não sabemos nem vivemos para nós próprios?
É exactamente sobre esta resistência em se estar um e igual com a conversa do sexo que eu vou escrever o perdão-próprio de hoje. Alguns destes pontos foram enfrentados há alguns anos, no entanto, vou partilhá-los agora e viver o compromisso de me estabilizar nesta conversa.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar a palavra sexo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar sobre sexo com amigos, colegas e familiares por pensar que eles não me compreendem ou por pensar que é errado conversar-se sobre sexo. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que é errado falar de sexo só porque este não foi um tópico falado no ambiente e sociedade em que eu cresci - eu apercebo-me que não tenho de copiar aquilo que eu vejo à minha volta, muito menos de participar no silêncio quando vejo que a falta de educação sexual e a falta de honestidade própria criam tantos conflitos  e paranóias pessoais que, por sua vez, trazem consequências e desequilíbrios graves para a sociedade em que vivemos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que só se pode ler coisas sobre sexo ou falar sobre sexo às escondidas uns dos outros, como se o sexo fosse uma conversa suja.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que os meus pensamentos e medos sobre aquilo que as outras pessoas possam pensar sobre o sexo é de facto um espelho/reflexo daquilo que eu permito pensar e acreditar sobre aquilo que o sexo é. Eu apercebo-me que se o pensamento sobre aquilo que o outro pensa existe na minha mente então sou eu que estou a permitir esse pensamento em mim e a projectá-lo no outro, em vez de tomar responsabilidade própria sobre os pensamentos que eu aceito viver. Eu apercebo-me que evitar falar de sexo é estar a limitar o meu auto-conhecimento, estar a limitar o meu próprio esclarecimento e expansão e estar a ignorar um dos elementos que mais influencia a nossa vida mental e física.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o sexo a pornografia e a notícias de violações, somente porque essas são as formas mais comuns de se ouvir falar de sexo nos meios de comunicação social.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que o sexo é uma coisa separada de mim, separada do meu dia-a-dia, separada das outras pessoas.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que quanto mais eu suprimo/nós suprimimos as nossas dúvidas sobre o sexo, mais ideias, crenças e medos alimentamos nas nossas mentes e assim mais distantes estamos da simplicidade sexual e da expressão sexuais.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a resistência em falar de sexo é prova de como o sexo foi manipulado e subvertido na nossa sociedade para controlar as mentes das pessoas através do medo da nossa própria existência e da nossa própria criação (ou será que não somos todos frutos do sexo?)

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter resistência para partilhar os pontos da minha religião do Ser, inclusive as crenças e medos associados ao sexo,  mesmo com as pessoas mais próximas de mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar e escrever abertamente sobre a expressão sexual e o sexo em geral, ao pensar que vou ser julgada, criticada e gozada pelas pessoas que me conhecem. Eu apercebo-me que estes pensamentos que a minha mente me mostra são os pensamentos que eu tenho acumulado em mim e que se tornaram a minha referência e a minha limitação. Eu realizo então que só eu me posso ajudar a caminhar estas resistências, a libertar-me do peso do medo e a parar de impor julgamentos da mente sobre mim, o que é contra a minha expressão própria.



DIA 235: Onde anda a expressão sexual?


Quando ponderei começar a escrever uma série de artigos sobre sexo, pensei que seria desta que chegaria às 200 visitas diárias! E porquê? A meu ver, há de facto uma falta de claridade sobre aquilo que a expressão sexual é ou pode vir a ser nas nossas vidas e reparo na falta de literatura que olha para o sexo em honestidade-própria. Para além das entrevistas da EQAFE, há muito pouco conteúdo sobre sexo que valha realmente a pena ler-se ou ouvir-se.

Mas porque é que o tema sexual no nosso mundo é composto por esta polaridade abominável: ou se trata deste tópico na sua vulgarização máxima com piadas de calibre abaixo do respeitável, ou não se fala dele apesar de estar constantemente a palpitar nas mentes humanas, sem qualquer orientação, tornando-se num tabu sem se saber como se falar dele?
Na continuação da minha escrita e investigação da minha Religião do Ser, começo a ver a minha relação com o aquilo que me foi ensinado como sendo errado, ou doloroso, complicado, vergonhoso e perigoso: o melhor exemplo que eu encontro é a religião criada à volta da expressão física dos corpos chamada de sexo. É incrível como a falta de educação é substituída por uma religião de secretismo à porta fechada, mesmo quando tal cegueira traz tantas consequências para cada um de nós e, consequentemente, para a nossa sociedade.  Na minha mente, este tópico foi também mantido como um secretismo baseado nas histórias que ouvia falar dos outros e da representação daquilo que supostamente o sexo é na indústria cinematográfica.

É uma pena que os adultos não sejam educados a educar as crianças sobre o que a vida sexual é ou pode ser, sem se ter como referência a imprensa oculta de revistas Marias e afins, ou pior, a referência pornográfica que é a completa adulteração daquilo que a expressão sexual humana realmente é. A meu ver, o silêncio do sexo tem sido substituído pela comédia, em que a maioria das piadas vão dar eventualmente a fantasias sexuais que ficaram suprimidas algures nas mentes humanas e que nem sequer nos questionamos sobre a banalidade dos comentários. Vê-se então a paranóia do sexo espalhada por todo o lado associada à nudez das campanhas publicitárias, a objectivação do corpo feminino, a ignorância sobre a origem dos desejos da mente e, finalmente, a consequência global do abuso manifestada em notícias de violações sexuais, de relações desequilibradas, de violência sexual que pode condicionar a vida de um ser-humano para sempre caso não haja um acompanhamento adequado. E no final de contas, somos nós enquanto humanidade que estamos a criar este inferno para as nossas vidas e para as vidas dos outros e portanto cada um de nós é responsável por ajudar-se a si próprio a compreender o que se passa nas nossas mentes e, obviamente, corrigir aquilo que manifesta abuso sobre si próprio e sobre os outros que são afectados directa e indirectamente.

Se tirarmos por momentos todas estas ideias associadas ao sexo, o que é que temos? Corpos que respiram, igualdade, movimento, expressão, descoberta corporal, expansão pessoal, alinhamento com o físico, presença, respeito por si próprio e pelo outro, novidade, carinho, INTIMIDADE COM O SEU PRÓPRIO CORPO, prazer, entrega, vulnerabilidade, estabilidade, sensibilidade, CONFIANÇA EM SI PRÓPRIO, CONFIANÇA NO OUTRO, simplicidade, humildade, partilha e transcendência dos limites que impusemos a nós próprios.

Infelizmente, a extensão do abuso sexual na nossa sociedade comprova que há uma deficiência na maneira como este tema é educado e que consequentemente é deixado à mercê das mentes de cada um e também manipulado pelo sistema de poder e dinheiro.
Todos sabemos que a prevenção é o melhor remédio, e para que haja prevenção tem de haver entendimento sobre o que o sexo realmente é, como é que este tem sido usado e abusado para manter as mentes suprimidas e sob controlo do medo, em vez de cada um de nós ser realmente educado sobre o seu próprio corpo, em estabelecer uma relação de confiança e a saber aquilo que é o melhor para si próprio em unidade e igualdade com os outros.

Abro então um novo capítulo no meu processo em que vou explorar os várias camadas de pensamentos e ideias associados com o sexo como até agora tem sido mal-tratado, e vou abrir caminho a uma nova perspectiva sobre a expressão sexual como sendo o potencial máximo de expressão física, respeito mútuo e auto-conhecimento. Vou andar este processo em tempo-real, re-educando-me de acordo com pontos que eu vou enfrentando e lidando com eles. Sugiro que se oiça também as entrevistas da EQAFE que proporcionam um entendimento da relação que cada um de nós criou com o sexo.



DIA 221: Mais vale Agora do que Nunca - já é altura de Acertar

A acumulação do processo é uma coisa fascinante - pôr em prática os meus próprios compromissos de ultrapassar as limitações que, ao longo do tempo, tenho imposto em mim própria. São coisas que já estão inconscientes e só as vejo quando puxo por mim para me questionar PORQUE é que eu penso, ajo ou não ajo de determinada maneira - ou seja, ao ir além da fase dos julgamentos próprios, estou agora a avançar para o nível de investigar COMO é que eu posso melhorar a minha experiência comigo própria.
Para quem está a começar o Processo de escrita diária, o Processo de se estar ciente da respiração e de se tomar responsabilidade pelos pensamentos que permitimos em nós próprios, provavelmente não irá ver efeitos imediatos porque não é uma questão de magia. Poderá haver momentos em que se parece voltar à estaca zero mas isso é uma sabotagem da mente: o Processo é mesmo real e, tal como em tudo, requer prática.

Hoje enfrentei um ponto que já tinha visitado no passado mas desta vez puxei ainda mais por mim para ultrapassar a resistência de  que eu estava a ter em relação a confiar no outro. Mais uma vez visitei também o ponto de querer fazer "à minha maneira" mas desta vez, no lugar de me agarrar à ideia e ao desejo de fazer à minha maneira, decidi fazê-lo. Mas ao fazer à minha maneira, foi como se não houvesse prazer e afinal esta era apenas uma imagem. Nesse momento foi como se risse comigo própria, do estilo: "que teimosia inconsciente que andava para aqui a incomodar-me! Não vale a pena manter este desejo. Vamos lá libertar esta imagem", e foi então que aceitei a maneira do outro de fazer a tarefa - e afinal assim fazia mais sentido. Apercebi-me então que era a minha responsabilidade participar também na maneira do outro e criar AQUELA ação em conjunto porque estávamos ambos a participar naquele momento em igualdade! 

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido manter em mim ideias e imagens de como as coisas "deviam ser" ou como é que eu faria "à minha maneira" quando afinal vejo que, se a minha maneira resultasse, então esta não seria mais uma ideia mas passava a ser a minha prática constante.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me com os desejos/teorias/ideias da mente, em vez de realmente me ocupar em pôr as minha ideias e soluções em prática na minha vida, testar e ver se resulta; se não resultar, começo o processo de me corrigir. Eu apercebo-me que ficar na corda-bamba é desonesto comigo própria e é uma auto-sabotagem porque não me permito criar confiança em mim própria, na minha decisão de aplicar soluções na minha realidade e de me aperfeiçoar gradualmente na minha relação comigo própria e com os outros.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido continuar a fazer coisas "à minha maneira" apesar desta maneira nem sempre ser o melhor para mim e que, portanto, trata-se do ego e de uma resistência a mudar/a aprender/a praticar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar o outro por não me ensinar como "devia ser" (de acordo com a minha ideia de como as coisas deviam ser).
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido tomar responsabilidade por mudar a minha atitude naquela ação e por aproveitar cada momento como uma oportunidade de me aplicar no meu processo e de criar estabilidade nas minhas ações. Eu apercebo-me que a imprevisibilidade sobre conseguir ou não conseguir é um reflexo da relação que eu estabeleci com essa ação (por exemplo a minha relação com a culinária e com o sexo).
Como é que eu corrijo a imprevisibilidade das minhas ações? Primeiro ao parar a mente das memórias, parar o medo de falhar, parar de pensar que ainda não consigo corrigir-me ou que não estou preparada. EU realizo que o meu Processo depende única e exclusivamente de mim, por isso em vez de confiar nos meus pensamentos, eu passo a confiar na minha respiração e a empenhar-me fisicamente para aperfeiçoar as minhas ações.

Eu comprometo-me a auto-ajudar-me com regularidade, compromisso e eficácia no meu Processo. EU apercebo-me que por muitas conversas que eu tenha com outras pessoas, no fundo tem a ver com a minha força de vontade, dedicação e persistência em aplicar a minha correção nas coisas que eu faço/digo.
Quando e assim que eu me vejo a desejar continuar a fazer as coisas à minha maneira embora eu veja não ser a mais eficaz, eu páro esta ideia de como as coisas deviam ser e respiro. Eu apercebo-me que ter ideias na mente é inútil e uma perda de tempo - eu comprometo-me a aplicar as soluções no meu dia-a-dia, a testar as soluções. Quando e assim que eu me vejo a interpretar os comentários de outra pessoa como sendo um sermão, eu páro e respiro. Eu permito-me a não levar a correção como sendo uma ofensa. Em vez disso, eu páro de participar no padrão da culpa e ajudo-me simplesmente a tomar responsabilidade por mudar a minha relação naquela circunstância. Até lá, apercebo-me que cada correção funciona como recompensa por parar e mudar.
Eu comprometo-me a ter paciência comigo própria e a praticar o ponto de confiar no meu processo de correção!

Quando e assim que eu me vejo a pensar que o processo de correção é demorado, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que este ponto de partida define e limita logo à partida que eu sou demorada a corrigir-me. Por isso, quando e assim que eu me vejo a assumir as minhas ideias/julgamentos como sendo uma verdade inquestionável, eu páro e respiro e ajudo-me a trazer o ponto para mim própria e ver onde é que eu estou a definir/limitar a minha aplicação prática. Eu apercebo-me que depende somente de mim  estar focada no meu processo, estar disposta a ouvir soluções que eu posso aplicar na minha vida e passar para o "nível seguinte" da correção prática. Apercebo-me também que o Ego por trás da resistência para sair de um padrão só se mantém se eu continuar a alimentar o Ego da raão mesmo depois de perceber que é a mim que a resistência da mente prejudica. Finalmente, realizo que ser e fazer as coisas em honestidade própria é ser e fazer as coisas em senso comum, como aquilo que é o melhor para mim = todos.

Ilustração: Marlen De Vargas Del Razo, Day 258: Vampires in the Soul of Sacred Geometry - ADC - Part 105 http://creationsjourneytolife.blogspot.com/2012/12/day-258-vampires-in-soul-of-sacred.html

DIA 178: Álcool - supressões e personalidades à tona do Iceberg...


Este artigo vem no seguimento dos dois artigos sobre a minha decisão de parar de beber.
DIA 177: Sobre o desejo de beber
DIA 176: Pensei em beber após três anos sem álcool...

Esta não foi uma decisão difícil de tomar - simplemente  parei de beber e continuo a viver esta decisão. Às vezes perguntam-me como é que eu consigo não beber, como se fosse a coisa mais normal do mundo abusar o meu corpo e permitir a pressão da sociedade em mim! Aqui no Reino Unido é bastante comum sair-se para beber ao fim do dia e, enquanto falava com uma amiga minha, apercebi-me da pressão que se sente dos colegas (peer pressure ). A meu ver, a pressão que vem dos outros é indiferente desde que não se permita que a pressão passe para nós e que sejamos influenciados pelo que quer que se diga sobre a decisão de não se beber.

Ainda não estamos cientes dos efeitos do álcool e do design da química do álcool. Esta estrutura é explicada neste vídeo que eu recomendo ouvir:




Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter medo de dizer que não bebo álcool quando toda a gente à minha volta bebe álcool.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a pressão dos média, dos amigos ou dos colegas para eu beber é real.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que esta realidade paralela do "eu bezana" é uma distração da minha Vida aqui e uma forma deliberada de me suprimir e limitar o meu potencial de Vida aqui.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que é mais fácil culpar o álcool pelas coisas que se diz ou pelas coisas que se faz, do que se tomar responsabilidade própria por cada palavra e cada ação minha.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar beber para ser mais atraente e interessante para os homens.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o álcool ao sexo e pensar que o "verdadeiro" sexo é baseado na energia da mente!
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ignorar o meu corpo físico quando afinal o sexo e o prazer em honestidade própria são expressões físicas e não energias da mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ingerir bebidas que eu nem sequer gostava do sabor mas que queria simplesmente sentir o efeito aluado e flutuante do álcool em mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter medo de tomar decisões definitivas na minha Vida, mesmo quando eu sei que estas são o melhor para mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser masoquista ao repetir os mesmos episódios com as noitadas de álcool na esperança que algo de novo aconteça ou que as personalidades do efeito de álcool decidam coisas por mim que eu depois terei de lidar o resto do tempo em que estou sem o efeito.

Eu questiono-me: porque é que eu desejo estar aluada e a flutuar? O que é que na minha vida eu não estou satisfeita e por isso acredito precisar de um escape de mim própria? Onde é está a minha vontade própria para mudar aquilo com o qual eu não estou satisfeita para me ajudar a criar esta satisfação e plenitude?

Eu apercebo-me que em honestidade própria eu vejo aquilo que eu posso corrigir em mim para o meu próprio bem. Eu apercebo-me também que tenho usado o álcool como uma desculpa para fazer coisas que eu acredito não poder fazer SEM ÁLCOOL!!

Logo, eu apercebo-me que o desejo de ser extrovertida com os outros não é real porque é uma personalidade da mente com base em medo de não se ser aceite. Aquilo que pode ser real é a minha atitude de me expressar com os outros sem medo dos julgamentos da mente. Eu apercebo-me que não preciso do álcool para me libertar dos meus pensamentos, visto que posso tomar a decisão de parar os pensamentos e personalidades, perceber a sua origem e ajudar-me a resolver os problemas da minha mente em total cooperação comigo mesma.

Quando e assim que eu me vejo a pensar que os outros me estão a pressionar para eu beber com eles, eu páro e respiro. Eu realizo que ninguém me pressiona a fazer nada porque sou eu quem decido aquilo que eu faço ou não faço. Nisto, eu comprometo-me a tomar responsabilidade pela minha atitude em relação ao álcool e comprometo-me a parar de culpar a "pressão dos colegas" por qualquer desejo que existe em mim e que eu ainda não resolvi em mim.

Quando e assim que eu me vejo a desejar que o álcool ou outra droga qualquer decidam aquilo que eu deva ou não fazer, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a tomar todas as minhas decisões em plena ciência de mim, a estar um e igual com a decisão, de modo a viver a minha decisão em honestidade própria a cada momento sem hesitações nem dúvidas.

Comprometo-me então a trazer estes pensamentos ao de cima, analisá-los, escrever sobre eles e a dar-me direção para parar estes padrões em mim e a mudar a minha atitude para da próxima vez que enfrentar o mesmo pensamento.
Ao escrever estas frases, tornou-se claro para mim como eu usava o álcool para cobrir personalidades que eu não queria ver em mim e que portanto culpava o álcool como o causador das personalidades. No entanto, em senso comum eu vejo que estas personalidades existem em mim sempre só que não estão ao de cima, tal e qual um iceberg. Ao ingerir bebidas álcoolicas, em vez de dar direção a cada uma dessas personalidades que surgem, eu continuo a ver estas personalidades como separadas de mim - por isso beber álcool nunca será uma ajuda no meu processo.
Ao escrever apercebo-me que me permitido trazer pontos ao de cima que até agora estavam submersos e que realmente os vejo, mesmo à minha frente nas palavras que escrevo e que em honestidade própria não me posso ignorar.




DIA 176: Pensei em beber após três anos sem álcool


Enquanto caminhava para casa dei por mim a pensar na sensação de descontração que eu tinha quando bebia bebidas alcoólicas. Não foi por acaso que esta ideia surgiu - apercebo-me que funcionou como um escape à exaustão sentida após uma semana de trabalho intenso. A minha mente saltou para imagens dos meus tempos de Erasmus, das longas conversas, da lata que eu tinha sob o efeito de álcool e foi como se nesse momento percebesse porque é que as pessoas desejam beber no final da semana - aparentemente o álcool anestesia as preocupações  durante algumas horas, como se se tirasse a carapaça de um peso às costas.
Esta foi provavelmente a segunda vez que pensei em álcool  desde que parei de beber há cerca de três anos, cuja decisão foi tomada no momento em que realizei que o álcool trazia supressões ao de cima sem qualquer direção - como se fosse uma realidade paralela que, ao passar o efeito, nada daquilo faz sentido porque não era real em mim. Ao ver que o hábito de beber álcool não me trazia a estabilidade que eu quero criar em mim, foi claro para mim que iria parar para sempre e que iria dedicar a minha vida a direcionar todos os pontos em plena sobriedade para realmente resolver os pontos/supressões em mim.

Vejo o álcool como uma forma de passar "paninhos quentes" e evitar ver as coisas como elas são, por isso o desejo de voltar a beber surgiu como uma alternativa ao meu cansaço do dia-a-dia. Foi como se a mente tentásse intervir na minha decisão de não beber e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para eu rever a minha posição em relação ao álcool. Curiosamente, estava a ter resistência em escrever sobre isto e em partilhar os pontos sobre o álcool no meu blog. Porquê? Porque beber é cool. Lembro-me das primeiras vezes que disse que não bebia álcool de todo, vi o ar espantado da pessoa à minha frente, como se fosse anormal não beber! Aqui em Inglaterra perguntaram-me se a minha religião não o permitia... Em Portugal pensavam que eu tinha aprendido a lição com um coma álcoolico ou coisa assim. Felizmente não foi preciso aprender a lição da forma  dolorosa - no entanto, lembro-me daquelas manhãs de ressaca horríveis em que passava horas a respirar na casa de banho para não vomitar e em que prometia a mim mesma que não tocaria em álcool nunca mais. Claro que estas palavras ficavam perdidas algures no tempo e voltava a beber ao sabor do momento, da festa e da companhia.
Nunca fui de beber para "partir" mas tinha a ideia que podia beber sempre mais e que aguentava! O momento em que me apercebi do quão prejudicial este hábito podia ser foi durante uma house party em Portugal há cerca de quatro anos. Apesar de estar com um namoro estável, permiti-me sentir uma espécie de atração por um rapaz que estava na festa - já nos conhecíamos há mais tempo mas foi como se naquele momento visse que podia haver mais qualquer coisa entre nós - e pelos vistos ele também estava interessado. A aparente liberdade de poder curtir com aquele rapaz não era real porque não existia antes de estar com o efeito de álcool! Como é que posso acreditar que há alguma liberdade na ditadura da mente sobre o corpo?

Apercebi-me que não estava a permitir-me dar-me direção em honestidade própria (e com o compromisso da minha relação com o João)e estava a desistir dos meus princípios de integridade e de responsabilidade.
A parte boa desta experiência foi o facto de ter aberto em mim a minha atenção para os efeitos do álcool na minha mente e permitir-me dar-me direção mesmo assim. Outra coisa curiosa de ver nesta experiência foi o padrão da imagem - aquele rapaz correspondia à imagem de perfeição da minha mente porque era loiro, de olhos verdes e estrangeiro... Posso dizer que resisti à tentação da mente, no entanto, sei que não resolvo os pontos se não escrever sobre eles e realmente me dedicar a viver a mudança. Nisto, apercebo-me que nunca tinha escrito sobre este episódio e que ainda estava a permitir dar asas a estas ideias e à associação entre álcool e sexo.

Aquele momento de flirt foi sem dúvida motivado pela energia da mente, pela energia do desconhecido, pela energia de fazer algo às escondidas, pela imaginação e pela energia de sair da minha vida rotineira - no entanto, também isto são personalidades passageiras porque não se mantém depois do efeito passar. Por isso, nada disto dura. A verdade é que eu não posso sair da minha Vida rotineira, mas o que eu posso fazer é recriar a minha vida, conhecer-me e mudar-me nos pontos/hábitos que requerem mudança para me tornar uma pessoa melhor para mim e para os outros.
Por isso, volto a rever a minha decisão de não me permitir ingerir álcool no meu corpo e comprometo-me a ser assertiva na minha decisão.

No próximo artigo irei escrever o perdão próprio e escrever a solução para cada vez que estes pensamentos surgem.

Foto de Malin Olofsson http://malingunilla.blogspot.com/



DIA 18 - O corpo humano, a mente, álcool e sexo


Porque é que temos medo de perder o corpo que temos? De onde vem o medo de partir um pé? Apercebo-me que quanto mais tempo passa, mais tempo na mente eu passo. A partir de certa altura (não me recordo exactamente quando) comecei a estar pre-ocupada com a as imagens e diálogos da mente e a esquecer-me do corpo, como se este fosse secundário. Claro que esta distracção tem consequências para o mEu corpo e eu própria fomentei a separação de mim própria. Neste processo dedico-me a inverter esta tendência típica da "natureza humana" e estabeleço-me um e igual com o meu corpo, pois o corpo é o que é real! Está aqui. Eu sou Aqui. O corpo é a matéria viva e é um indicador a indicar-a-dor que, através da mente, temos criado em nós próprios. Ao não permitir abuso em mim, não me permito abuso nos outros/no mundo.
O corpo humano é uma ferramenta essencial neste processo. Cada vez mais realizo o grande suporte do corpo em parar a mente e me aperceber de novos pontos em mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido suprimir a minha expressão corporal baseada no medo de punição/julgamentos promovidos pela cultura/religião que promove um espírito santo e ignora um corpo real.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar o meu corpo como menos do que eu, sendo que eu sou o meu corpo. Apercebo-me que as ideias da inferioridade do corpo são uma separação de mim própria e que só existem na mente humana.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido realizar que o corpo é um indicador dos pontos de desonestidade própria que eu tenho aceite e alimentado contra mim (contra o meu corpo), logo o corpo indica-me também a solução para a minha direcção e para transcender as limitações da mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar o respirar: o inspirar e o expirar, dos quais eu só estava ciente em momentos de ressaca e de enjoo depois de beber.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido colocar-me em situações de desconforto físico e de mal-estar físico por não estar ciente do meu corpo em relação à quantidade de alcool ingerida. Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ser o meu apoio incondicional, em vez de estar a agir contra mim própria (sendo o meu corpo).

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido esquecer-me do meu corpo ao alimentar a mente subconsciente com álcool.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ignorar os sinais de abuso que o meu corpo me mostrava à medida que mais me permitia viver em ideias, crenças, distrações e procrastinação.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido abusar do meu corpo ao consumir-me de ideias, crenças, substâncias e desejos, sem nunca me questionar se tudo isso me estava a ajudar a dar estabilidade a mim própria. Em honestidade própria eu vejo que todas essas experiências se baseavam no medo da rejeição social e na ideia que alguém/alguma coisa fora de mim saberia melhor o que era o melhor para mim, do que eu própria!

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter medo de perder a ideia que tenho de mim própria e os julgamentos que eu projecto que os outros tenham de mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido suprimir-me na minha expressão sexual com base nos julgamentos que o sexo é pecado ou errado ou qualquer coisa punível.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar resistências a falar/escrever sobre sexo, como se o sexo fosse algo separado de mim/da vida humana - eu apercebo-me que a hipocrisia da sociedade começa pelo consentimento em ignorar-se o acto de se criar Vida.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a minha resistência em comunicar coisas relacionadas com sexo não é "natural", mas apenas fruto da censura de crenças religiosas aceite e permitidas pela sociedade durante as gerações anteriores.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar personalidade em mim em relação ao sexo ao acreditar que há "reputações" a manter, quando na verdade a única coisa que existe/é real é a honestidade própria.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido usar o corpo contra mim através de imagens e pensamentos de dor, em vez de estar um igual com o meu corpo e me auto-ajudar através do corpo e desta realidade física no processo de auto-aperfeiçoamento da natureza humana.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido focar-me no meu corpo/respiração e ser capaz de parar as imagens da mente e os medos da mente. Eu realizo que os medos são um hábito uma curiosidade da mente para me manter pre-ocupada e que depende de mim não fomentá-los.

Eu perdoo-me me ter aceite e permitido querer agir/projectar uma ideia de mim própria nos outros que é de facto a ideia que criei de mim própria e pela qual me tenho auto-limitado na minha expressão e expansão da criação que sou eu.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ser incondicional neste meu processo de parar a mente e me dedicar à expressão corporal.

Assim, quando e assim que eu me vejo começar a seguir pensamentos e imagens da mente, eu páro e respiro. Eu confio em mim, sendo o meu corpo, a estar ciente da minha respiração e a trazer-me de volta ao físico, aos corpos e dar-me a oportunidade de me conhecer enquanto estável como o meu corpo. Eu sou responsável pela minha própria criação projectada nas acções e na minha expressão e forma corporais. Eu comprometo-me a criar-me enquanto Vida em vez de alimentar a auto-destruição na mente e nas minhas acções.

Quando e assim que eu começo a desejar experiências do subconsciente através do alcool, eu páro e respiro. Apercebo-me que esta é uma trama da mente para se manter na ilusão de uma mudança que nunca acontece porque é o padrão que continua a ser fomentado. Neste processo eu nao me permito substimar a minha capacidade de mudança e em confio em mim e que esta mudança seja sempre o melhor para mim e o melhor para os outros -a única solução verdadeira.

Quando e assim que eu me vejo julgar a minha expressão corporal, eu páro de julgar e respiro. Eu sou a minha expressão corporal. Realizo que o julgamento do sexo como algo a ser punido é uma camada de supressão que garante que eu não saia do meu pre-programado sistema de consciência e cultural.

Quando e assim que eu me vejo  participar em ansiendade, spress ou medo, eu páro e respiro. Apercebo-me eu sou responsável por parar estes pontos de auto-abuso e desocnideração) através de perdão-próprio específico. Eu tomo direcção para parar qualquer tipo de auto-abuso (mind, físico, através dos diálogos internos) e passo a considerar o meu corpo/Eu c cada momento.

Quando e assim que eu me vejo ter resistência a parar a mente, quer sejam imagens ou enquanto eu escrevo, eu páro e respiro e continuo. A resistência para abrir os pontos em mim é proporcional à quantidade de tempo dispendido nas ideias acumuladas durante a minha infância/juventude. Eu dedico-me ao meu processo de auto-redefinição e não me permito ser mais nem menos do que a Vida que eu sou. Apercebo-me que este é o processo de me tornar um e igual com a existência física/vida da qual temos estado completa-mente distraídos mas que é a solução para a existência - Vida por dentro e Vida por fora.

Quando e assim que eu me vejo participar em pensamento /imagens/medo de criar acidentes para mim própria, eu páro e respiro. Eu realizo que o padrão da auto-destruição é uma completa auto-sabotagem e um desrespeito pela Vida que eu Sou. Logo, eu comprometo-me a direcionar-me como Vida  em unidade e igualdade  com os corpos, matérias e tudo o que existe/é expressão deVida.