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Dia: 259: O Peso Dos Julgamentos e da Imagem: Ser Em Vez de Parecer


Hoje depois do meu Periscope apercebi-me de uma limitação mental de julgamentos próprios com base na minha imagem: o aspeto do meu cabelo, a minha cara, os meus olhos, olheiras, os meus óculos e os meus dentes. Estes julgamentos-próprios aparentemente banais e comuns a muitas mulheres têm um impacto maior do que eu possa imaginar, porque ao prender-me a estas criticas que tenho de mim própria estou a petrificar a minha ação e a minha capacidade criativa. Se eu tivesse dado ouvidos à minha mente esta manhã eu não teria feito o Periscope e teria adiado uma vez mais a minha partilha incondicional com o Mundo.

Porque é que ainda permito que os julgamentos da mente controlem as minhas decisõe? E de onde é que vêm estas ideas de como eu devo ou não devo ser e agir?

O meu ponto de partida para fazer vlogs, videos no Periscope e até mesmo publicar fotos no Instagram é o de partilhar o meu processo de descoberta pessoal, de crescimento, e o de ajudar pessoas que passam por situações semellhantes e que também procuram mehorar as suas vidas. Ao ajudar-me a perceber as relações que eu criei comigo, com o meu corpo e com o mundo à minha volta estou a permitir-me mudar-me para desenvolver o meu potencial máximo enquanto ser humano.

Relativamente às imagens da mente, estou ciente que estas são influenciadas pelas imagens que vejo passar na TV, em filmes, séries, e também em fotos e vídeos de outros vloggers. Acabo por me limitar ao pensar que se eu for diferente dessas imagens então serei criticada e julgada pelas pessoas. Mas no entanto, eu vejo também que eu só penso nestes julgamentos porque eles existem primeiramente dentro de mim mesma! Se eu não julgásse o meu cabelo, então eu nem sequer projectaria este pensamento para a outras pessoas (aquilo que eu penso que outras pessoas pensam e dizem sobre mim). Se estes julgamentos existem dentro de mim mesma então não são os outros que me julgam porque sou eu que já estou a fazer isso em mim - e esta separação é inaceitável porque esta sou eu, este é o meu corpo, esta é a minha vida. Não tenho outra e não preciso de outra porque eu estou aqui agora e é nesta vida que eu crio o melhor de mim e o melhor para mim.

Por isso, tenho de primeiro perceber que estas ideias não vêm dos outros e que eu sou responsável por parar os julgamentos-próprios. No fim de contas, eu tenho o potencial de Ser (e não pareCer) a cada momento, cada expressão, cada estilo, e em cada palavra que eu expresso. Se houver outras palavras que eu quero viver para mim própria, por exemplo confiança, concentração, assertividade, então sou eu que tenho de me mudar e aplicar estas palavras naquilo que eu faço. Quando me distraio em pensamentos e julgamentos da mente é um indicador de uma ideia que ainda me defino e que me agarro para querer parecer algo ou alguém para ser aceite pelos outros - embora ao fazer isso estou a mentir-me a mim mesma (e aos outros)!

Em vez de me puxar para trás e evitar fazer vídeos ou fotografias, eu decido investigar o julgamento e re-estabelecer a relação que tenho comigo mesma e em vez de me rejeitar/julgar, eu abraço-me e eu perdoo-me.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido olhar para mim através da mente dos julgamentos próprios.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar o meu cabelo por estar diferente do cabelo de outras pessoas que eu vejo a fazer vlogs ou Periscopes.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido jugar-me como sendo menos interessante por estar com óculos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido projectar os meus julgamentos para os outros e pensar que outras pessoas estão a ter estes pensamentos sobre mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar e acreditar que os julgamentos próprios são reais.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar os meus dentes como não sendo direitos e brancos o suficiente com base na ideia do que é uma boca perfeita.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido evitar mostrar a minha cara com base na ideia de que eu não estou arranjada para a câmara, com maquilhagem e lentes de contacto.
Eu perdoo-me por me estar a permitir e aceitar criticar a minha imagem com base em imagens de outras pessoas que eu uso como referência de beleza e de aceitação. Eu apercebo-me que esta aceitação e julgamentos dos outros tem a ver com os julgamentos que eu ainda me permito ter de mim própria e que são inaceitáveis.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido disTRAIR-me com os julgamentos próprios e com isso separar-me do meu corpo e das palavras que eu estou a dizer.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar estável ao ver a minha cara no vídeo, em vez de criticar a minha imagem e pensar que estas ideias sobre aquilo que eu devia parecer são reais.

Vejo que esta ideia de corresponder a uma imagem é de facto uma forma de me esconder de mim própria e de suprimir ideias que eu ainda tenho contra mim em vez de me descobrir na minha totalidade e corrigir a relação que tenho comigo própria para que seja de apoio incondicional, de amor-próprio, de auto-ajuda e de realmente viver quem eu sou.

Eu apercebo-me que estas imagens são personalidades que eu não quero nem preciso para mim própria porque não são o melhor para mim.

Por isso, quando e assim que eu me vejo a querer vestir, arranjar, maquilhar ou agir para parecer alguém ou alguma personalidade, eu páro e respiro. Ao respirar e acalmar a mente eu vejo que esta pressão que eu coloco em cima de mim não é real e que quem eu sou no meu todo é quem eu quero ser com as outras pessoas - o verdadeiro Eu que me estou a recriar na minha honestidade própria.

Apercebo-me também que as personalidades são máscaras temporárias. Em vez disso, eu comprometo-me a viver as palavras da auto-confiança, estabilidade, independência, movimento e amor-próprio em cada coisa que eu faça, incluindo nos meus vídeos, fotos e blogues.

Quando e assim que eu me vejo a julgar como sendo inferior ou menos capaz quando estou com óculos, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que este julgamento não é real e que eu sou a mesma pessoa com óculos ou com lentes de contacto.

Quando e assim que eu me vejo a querer usar maquilhagem para querer ser respeitada ou vista como mais interessante, eu páro e respiro.

Em honestidade própria eu apercebo-me que este ponto de partida é uma forma de esconder-me de mim própria. Em vez disso, eu comprometo-me a parar de julgar as minhas olheiras, borbulhas ou a cor pálida sem bronze, e dedico-me a investigar a origem das olheiras e das borbulhas para mudar os meus hábitos que estejam a provocar esta reação na minha pele. Quanto ao bronze (ou à falta dele), eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que o bronze de verão é indicador de saúde e de vitalidade. Eu apercebo-me que a minha saúde e vitalidade não estão dependentes do sol e vejo também que o bronze tem a ver com a ideia de beleza e vitalidade que quero que outros tenham de mim.

Quando e assim que eu me vejo a participar na polaridade de querer ser vista como bonita/aceite pelos outros quando estou com maquilhagem e arranjada como uma modelo, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que ao participar na polaridade do positivo estou também a criar a polaridade do negativo quando não estou vestida, maquilhada ou arranjada de uma maneira que é promovida nas revistas e TV.

Vejo então que o que quer que eu decida fazer, ou como eu me decida arranjar, com óculos ou sem óculos, com maquilhagem ou sem maquilhagem, ou com uma determinada roupa tudo isto é uma decisão que eu tomo por mim e para mim, como uma expressão minha. Finalmente, eu comprometo-me a viver as palavras de auto-confiança, honestidade-própria, estabilidade, amor-próprio, autenticidade e auto-criação em tudo aquilo que eu faço e naquilo que eu digo, e é esta a imagem que eu projecto para o mundo como o meu exemplo para ajudar outros a fazerem o mesmo por si.


Eu comprometo-me a ser um e igual com o meu corpo, sem me julgar como superior ou inferior consoante o que eu visto, ou como tenho o cabelo, com ou sem maquilhagem, com ou sem óculos. Eu comprometo-me a ser um e igual com o meu corpo e por isso usar a relação com o meu corpo como uma referência da relação que tenho comigo própria. Ao estar ciente disto, eu comprometo-me então a parar a mente de ideias pre-feitas e a recriar a minha relação comigo própria tendo como ponto de partida o amor-próprio, o bem-estar físico e a minha estabilidade-própria.


DIA 256: Como Parar de Estar Acelerada na Mente e no meu Dia-a-dia




Esta noite sonhei que conduzia na estrada e, ao tentar virar uma curva, tinha saído do viaduto e voado às cambalhotas pelo campo ao lado da estrada, até o jipe parar. Nesse momento, com medo de ver as consequências dos ferimentos, desejei andar para trás no tempo e conduzir mais devagar e não fazer a curva daquela maneira para evitar o acidente.

Ao investigar este sonho, perguntei-me o que é que eu via para além da imagem do acidente. Vejo-me a mim, acelerada na minha mente, a querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo e a desprezar o tempo que as coisas realmente levam a fazer. Vejo também como desejo lidar com o tempo de maneira diferente: desejo ter tempo para não chegar atrasada e para dedicar mais tempo a outras coisas durante o meu dia. Finalmente, vejo o arrependimento de andar acelerada quando o meu corpo começa a dar sinais de stress e de cansaço por participar na energia da mente, dos pensamentos e imaginação.

Esta minha relação com o tempo é, portanto, uma relação de separação, como se o tempo fosse algo separado de mim que eu uso e abuso, embora afinal de contas não seja separado de mim porque o meu corpo está também dependente do tempo - ou seja, o tempo passa e reflecte-se na fome que o meu estômago começa a sentir, na necessidade de descansar, na ansiedade física quando corro para não chegar atrasada e no stress muscular quando passo demasiado tempo focada na minha mente de ideias, imagens e imaginação.

Estar acelerada dentro de mim é um estado mental que requer a minha correção, porque traz consequências para mim e para os outros. Ao andar acelerada na minha mente, a minha noção de tempo é manipulada para corresponder à velocidade quântica da mente, em que as imagens se ultrapassam umas às outras, sem qualquer referência ao tempo real e físico. Por isso, neste processo de correção, eu ajudo-me a alinhar-me ao tempo físico e real, de modo a estar sempre ciente do meu corpo e a garantir que as minha acções são geridas de acordo com o tempo real a cada respiração. Ajudo-me também a usar a mente como um guia para conhecer os meus medos, a minha maneira de funcionar e os meus padrões de pensamento e comportamento. Assim, ao ver o padrão de criar acidentes na minha imaginação eu ajudo-me a parar e a perceber que se estou na mente então não estou ciente do meu corpo/realidade física e por isso estou a colocar-me numa situação propícia a um acidente proveniente de uma distração.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que o tempo quântico da mente é real.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido usar o tempo quântico da mente como uma referência para a realidade e por isso participar na frustração de que as coisas na realidade demoram demasiado tempo a serem feitas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar stress físico no meu corpo ao tentar fazer as coisas de acordo com a imagem do tempo quântico da mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar o tempo real que as coisas levam e por isso não considerar cada passo e prevenir as consequências de andar acelerada.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar o meu corpo/a mim própria por ser lenta e alimentar o julgamento próprio, quando na realidade eu estou entretida na minha mente de ideias e no tempo quântico em vez de estar totalmente dedicada a viver no tempo real e a fazer as coisas de acordo com a leis físicas, quer seja a conduzir, a andar, a fazer, a crescer, a perceber, a aprender e a mudar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar no arrependimento da mente e de desejar voltar atrás no tempo - o que não é possível e não é real. Apercebo-me que a única maneira de corrigir esta tendência é em mudar a minha relação com o tempo e ajudar-me a estar ciente de cada momento para que cada ação minha seja absoluta, em plena certeza e a ser/fazer o melhor que eu posso. Desta maneira, ao estar ciente de mim e ao estar ciente do tempo real e das leis físicas eu vou evitar criar consequências físicas e não irei participar no arrependimento e no desejo inútil de mudar o passado.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que as consequências físicas (acidentes) são uma punição de Deus e assim evitar ver como eu crio as consequências para mim própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que o passar do tempo que vejo nos filmes (e na minha mente) é real e que é possível ser transposto para esta realidade física sem criar consequências. Eu apercebo-me que eu sou responsável por viver em tempo real e em prevenir consequências de stress e acidentes na minha realidade.

Por isso,

Quando e assim que eu me vejo a imaginar eventos na minha mente, eu páro e respiro. Eu ajudo-me a ver que o tempo quântico da mente não é real e que estou a criar uma realidade paralela e fictícia que me disTRAI desta realidade física no mundo. Por isso, eu comprometo-me a parar de criar e participar em realidades paralelas na minha mente e assim ajudar-me a estar sempre ciente de mim e das minhas ações nesta realidade física.
Quando e assim que eu me vejo a criar uma imagem de mim a fazer qualquer coisa, eu páro a imaginação e respiro. Eu comprometo-me a usar o tempo físico como referência e a fazer as coisas do meu dia-a-dia de forma prática e eficaz de modo a fazer o máximo que posso com o tempo que tenho. Apercebo-me também que ao estar totalmente ciente de mim e das minhas ações, serei capaz de criar soluções para mim própria e assim permito-me fazer mais e melhor do que quando me limito com as ideias e padrões da mente.
Quando e assim que eu me vejo a criar a ideia de acidentes na minha mente, eu páro e respiro. Em vez de ficar "presa" emocionalmente a esta imagem, eu ajudo-me a ver e a investigar o que eu estou a mostrar a mim própria e dedico-me a criar a correção e a mudança na minha relação comigo e com o mundo.
Eu apercebo-me que o constante estado de alerta e de stress é evitável se eu estiver ciente de como a minha mente funciona, ciente do meu corpo e desta realidade física. Por isso, quando e assim que eu me apercebo que estou num estado de ansiedade, eu páro e respiro. Eu uso esta manifestação como um indicador de que estou separada de mim/do meu corpo/da realidade física e ajudo-me a parar de participar na mente e, com a ajuda da respiração, eu volto para mim, para o meu corpo, para a Vida Aqui, ciente de cada respiração e da minha ação.

Fotografia de João Maria Alves

Sites que eu recomendo:
http://lite.desteniiprocess.com/ Curso gratuito de Auto-Conhecimento 
http://forum.desteni.org/ Forum de participação, perguntas e respostas





DIA 255: Desconstruir a IDEIAlogia: a família não tem de ser o exemplo a seguir


Comecei a julgar-me pela minha apatia em relaçao às pessoas à minha volta, porque nāo intervi quando as vi reagir ou a serem desonestas com elas proprias. Vejo agora que pouco ou nada se pode fazer pelos outros para ajuda-los a nāo ser eu manter-me estável em mim e agir em mim, sem ser influenciada pelo que os outros dizem ou fazem. Até agora sempre houve uma tendência para me deixar afectar pelo que os outros dizem ou fazem e para querer "salva-los" das suas proprias mentes mas é impossivel salvar uma pessoa de si própria. Realmente, cada um de nós é o seu próprio inimigo.


Desde que estou em Portugal que me apercebo-me da tendência de culpar os outros pelo que quer que seja - ou sao os emigrantes que sao os culpados pela violencia no país, ou é a mulher que nāo levantou a mesa, ou é o filho que nao sabe onde pôs nāo-sei-o-quê; As pessoas gritam em vez de falarem e quem grita mais alto é rei; O apego mental aos bens materiais é possessivo e emocionalmente destrutivo; a falta de planeamento cria stress; A necessidade de se controlar o que os outros dizem ou fazem é desgastante; O vício da justificaçāo impede ver-se que é possível mudar e fazer as coisas de maneira diferente.


DIA 250: Recriar auto-estabilidade: nesta (mu)dança estou sozinha


De regresso ao meu dia-a-dia citadino após um mês a viver na quinta Desteni na África do Sul, estou a aperceber-me das minhas reações mais rapidamente, ou seja, a instabilidade que os pensamentos causam em mim é reparada no momento e já não ignoro nem aceito a instabilidade como o meu estado "normal". A instabilidade em que eu me habituei a existir consiste num estado de ansiedade constante, de preocupação e de stress que já se acumula desde os tempos da escola e que tem de ser investigada. Aquilo que eu não me tinha apercebido é: a consequência que este estado de ansiedade tem no meu corpo, manifestado na alteração hormonal para corresponder ao estado de alerta associado aos elevados níveis de stress; segundo, que sou capaz de existir estável em mim; e, também, que eu sou responsável por criar a minha estabilidade.


É fascinante ver em mim própria as mudanças provenientes desta decisão de recriar a minha estabilidade onde quer que eu vá e independentemente de quem eu esteja: o facto de regressar ao meu dia-a-dia e continuar a dedicar-me ao meu Processo incondicionalmente é o melhor souvenir que eu podia ter trazido da minha viagem à Africa do Sul. As mudanças que eu estou a criar à minha volta vêm de dentro para for a, isto é, aquilo que eu antes via com sendo um problema eu estou agora a ver com outros olhos: procuro ver com os olhos voltados para uma solução.

 
Em vez de reagir dentro de mim quando alguma coisa na realidade externa não está a bater certo, eu procuro desvendar o porquê de estar a julgar a realidade (por ex. Quais sao as ideias ou desejos que eu tenho sobre como as coisas deviam ser) e pergunto-me o que é que eu posso fazer para me estabilizar (por ex. Escrever sobre determinados pontos) e mudar a situação para melhor, não baseado em desejo mas simplesmente em senso comum sobre como eu posso mudar a minha participação para me expressar livre dos julgamentos da mente. Foi precisamente isto que realizei na minha passagem de ano: apercebi-me que o meu Processo é como uma dança que eu danço comigo própria, primeiramente sozinha e, às vezes, acompanhada.


No primeiro dia do ano comecei o dia a escrever: escrevi o perdão próprio sobre os julgamentos e conversas na minha mente sobre a festa onde eu estava e foi como se um peso saísse de cima de mim - o peso ilusório da mente e dos pensamentos que eu criei e que sou igualmente responsável por parar e limpar em mim. Esta decisão de começar a escrever teve uma pequena resistência inicial mas que se dessipou no momento em que eu peguei no meu caderno e comecei o perdão prório.


Tal como uma (mu)dança, o meu processo de estabilidade/limpar a mente implica vontade própria e o movimento físico para criar soluções e testá-las com novos passos, aperfeiçar-me com novas maneiras de fazer as coisas e estando sempre ciente de quem eu sou a cada momento.

Quanto ao ponto de estar sozinha, isto vem da realização que sou responsável por tudo o que me acontece. Em honestidade própria eu vejo que não há nada nem ninguém a culpar sobre o que quer que eu pense, sinta ou faça, da mesma maneira que não há nada nem ninguém que me possa dar auto-estabilidade. Obviamente que há coisas práticas que podem vir da entreajuda e da cooperação entre nós (it takes two to tango) no entanto, cada um de nós está sempre sozinho em cada passo que decide dar, em cada pensamento que aceita ter e em cada correção que permite aplicar.

 

DIA 247: Quando Lisboa não é boa…



Fui sair à noite em Lisboa e, mais do que nunca, apercebi-me de uma contradição no ar. Antes de descrever aquilo que senti e aquilo que vi, foi com tristeza que ouvi a voz alarmada dos mais velhos nos seus conselhos do "tem atenção, as coisas não estão para brincadeiras". Estas "coisas" referem-se ao estado  de crise económica em que o país se encontra (ou se perde!) durante o qual a sobrevivência justifica a estupidez, corrupção e violência.

Este blog vem no seguimento de uma 'demonstração' de violência em plena noite lisboeta, na qual três ou quatro jovens começaram a atacar um rapaz com pontapés na barriga, murros nas costas e, quando este se encontrava já mobilizado no chão, um dos jovens ainda saltou na cabeça da suposta vítima, como se se tratásse de um ring de wrestlin em pleno Bairro Alto. Eu encontrava-me do outro lado da estrada e fiquei estática, sem saber o que fazer mas a desejar que aquela cena parásse. Houve dois homens de estatura forte que se envolveram para separar os "lutadores" e finalmente a cena acabou com o tal grupo a fugir pela rua acima. Provavelmente, muitos de nós que assistimos ao que se passava naquele momento queriamos ajudar e terminar o conflito, mas nestas situações não se sabe o que é que realmente se passou, nem quais são as intençōes daquele "espetáculo", nem se ha alguém armado naquela confusão toda.

Já não sentia aquela ansiedade de perigo eminente há algum tempo. Trata-se de uma sensação de insegurança que me prende os músculos e acelera o batimento cardíaco. Uma das coisas que me faltou foi estar ciente da minha respiração e garantir que a minha estabilidade é inabalável. Esta é a única preparação que eu me posso dar a mim mesma de modo a não alimentar o conflito com mais uma reação vinda da minha parte.

Quando o ambiente naquela rua acalmou, continuei a andar e questionei-me se as proximas eleiçoes autárquicas vão mudar alguma coisa e garantir que a segurança na rua seja um direito básico proporcionado por políticas sociais-económicas. Nesse momento, questionei-me também se algum dos políticos ocupados em ganhar votos estariam ali, àquela hora e local, a ver a realidade crua e dura da juventude nacional.

Aquilo que esta experiência me trouxe não foi uma justificação dos conselhos dos mais velhos, mas foi um alerta pessoal para os medos que eu permito desenvolver dentro de mim por influência daquilo que eu oiço, vejo e imagino. Ao mesmo tempo, realizei que a desigualdade social no país é agudizante - por um lado assistimos à violência mais primitiva e por outro lado, a uma elite em festa numa passerele cor-de-rosa. E finalmente, vejo que campanhas ou programas políticos que não tenham em vista acabar com as desigualdades sociais e económicas são uma fachada desafazada da realidade.

Vou escrever sobre os pontos da ansiedade, medo e antecipação brevemente. Até lá, vou ajudar-me a aplicar o senso comum e a respiração no meu dia-a-dia especialmente quando enfrento situações novas e sugiro também que os cidadãos e políticos exijam soluções que garantam estabilidade financeira para todos os cidadãos, como por exemplo, através da renda básica de cidadania. A prevenção é o melhor remédio.

Faz a tua voz contar pela Renda Básica de cidadania: http://cidadania-europeia.weebly.com/
 
Ilustraçao de Andrew Gable.

 

DIA 231: Quando as gerações se copiam: os pecados de pais para filhos


Investiga este ponto em ti: quando te zangas com alguém ou reages com alguma coisa, pergunta-te onde é que já viste o mesmo tipo de comportamento noutra pessoa. Irás provavelmente até descobrir que tu já passaste por uma experiência semelhante embora nessa altura fosses tu a vítima da reação de outrem.

Hoje dei atenção a esta mímica do comportamento, especialmente quando copiamos os pais e as pessoas que nos são próximas, enquanto eu reagia com o Joao. Nesse momento, apercebi-me que tinha como justificação esta ideia de que "tinha" de reagir com ela, como se aquilo que ele estivesse a fazer tivesse de ser chamado a atenção. Não foi preciso muito tempo nem muita escrita para ver que eu estava a copiar o comportamento que a minha mãe tinha tido comigo no passado e que agora estava a ser eu a vestir "esse papel".
Escrevi sobre a minha reação e foi curioso chegar à conclusão que eu estava a fazer uma tempestade num copo de água, que estava a criar problemas onde eles não existiam e, ainda mais fascinante, estava a reagir contra uma coisa que eu própria faço. Ao escrever o perdão próprio sobre os pensamentos na minha mente que acumularam até à exaustão (reação), apercebi-me então de outra coisa: muito provavelmente, a reação da minha mãe na altura tinha sido copiada de uma reação da minha avó, que por sua vez tinha copiado o comportamento de alguém, etc. e este padrão tinha passado ao longo dos anos de mente em mente.
Como este Processo nos permite realizar, estas reações não são quem nós realmente somos  e tratam-se de padrões da mente sobre os quais não tomámos responsabilidade por perceber a origem e auto-corrigir. A consequência é óbvia: acabamos por fazer ao outro aquilo que inicialmente não gostámos que tivesse sido feito a nós próprios.

Solução

Por muito óbvio e simples que pareça, nunca é demais recordar a máxima de compaixão: "Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti". Isto significa que apesar de ter passado por uma situação em que tinha sido alvo da reação de alguém, eu não tinha necessariamente de reagir com o outro quando a situação semelhante surgiu. Aliás,  está nas minhas mãos "fazer história" na minha própria vida ao não seguir o programa automático da mente e não passar o testemunho da reação. Como? O meu primeiro passo foi escrever sobre a minha experiência para ver em honestidade própria a reação que eu tinha projectado na minha realidade e na realidade do outro; depois escrevi sobre a memória que eu tinha sobre este tipo de reação; escrevi o perdão-próprio por me ter aceite e permitido projectar o meu passado no presente e por me ter aceite e permitido reagir com o outro sem ver que toda aquela instabilidade existia apenas na minha mente de julgamentos, de "certos" e "errados", de regras adoptadas que provam não ser o melhor para todos; e finalmente escrevi o meu compromisso de correção para me estabilizar e me ajudar a acalmar a mente no momento, parar de justificar as reações e a parar o padrão de passar os pecados dos pais para os filhos.

Em momentos de reação, a mente humana parece ser mais forte do que qualquer princípio e vai requerer uma forte dedicação de cada um de nós para aprendermos a lidar com as nossas próprias mentes, lidar com os julgamentos, lidar com as influências, auto-corrigirmo-nos e finalmente mudarmos o nosso destino (que é o destino da humanidade). Realmente não temos escolha, se queremos que a nossa História deixe de ser a repetição de padrões e passemos à fase da verdadeira existência como UmaUnidade.


DIA 226: Tempo para lidar comigo - o regresso à faculdade

Hoje apercebi-me do ponto da exaustão da pior maneira. Nestas últimas semanas tenho participado numa enorme resistência em avançar com um trabalho da faculdade e hoje foi a data limite para o entregar. Apesar de ter conseguido enviá-lo a tempo, apercebi-me do stress desnecessário que eu criei para mim própria, como se fosse preciso estar sob pressão para avançar. A instabilidade mental contagiou o físico e o meu coração estava a bater super rápido nos momentos antes da entrega do trabalho.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a motivação de estar sob pressão é real, quando afinal esta motivação não passa de uma energia auto-destrutiva que eu própria me permito participar nela.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido viver o compromisso prático de parar a resistência de escrever o meu trabalho da faculdade, escrever o meu blog, avançar no meu processo, mudar a minha relação comigo própria e mudar a minha relação com o mundo à minha volta.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar stress na minha realidade ao permitir acumular tarefas sem pôr a minha estabilidade física em primeiro lugar e abrandar a mente. Eu apercebo-me que não me estou a dar tempo suficiente para aquilo que é essencial para a minha estabilidade, tal como o tempo para estudar, o tempo para escrever, o tempo parar PARAR e RESPIRAR e o tempo para aplicar soluções práticas para mim própria.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ter paciência comigo própria no meu processo de voltar à faculdade, de ter paciência com a minha mudança de ritmo e de mudar o meu dia-a-dia para viver o compromisso de estudar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me com as flutuações de energia em vez de me dedicar a viver o compromisso/decisão de fazer o meu trabalho, de me aperfeiçoar no meu processo de Vida, de me dar direção a cada respiração, sem hesitar a minha decisão de estar aqui e de expandir quem eu sou.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser e fazer aquilo que é o contrário daquilo que realmente quero fazer (eu apercebo-me que este diálogo interno é um reflexo da hesitação e desconfiança  que eu ainda permito ter em mim e que eu sou responsável por lidar/parar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido procurar entretenimento para "compensar" o stress que eu sinto quando estou a estudar, em vez de viver a decisão de estar estável em tudo aquilo que eu faça, sem emoções de medo ou desejo.


Quando e assim que eu me vejo a hesitar a minha decisão de estudar por mim e para mim (e para os outros, visto que quem eu sou se vai reflectir na minha relação com o mundo), eu páro e respiro. Eu dedico-me a puxar por mim de cada vez que eu vejo a resistência para estudar, para mudar o meu horário e incluir o estudo e para começar a estudar gradualmente sem estar com o count-down da evaluação.
Quando e assim que eu me vejo a imaginar na minha mente o stress de deixar as coisas para o último minuto, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que não preciso de ter este tipo de aventuras emocionais para valorizar aquilo que eu faço - aliás, eu apercebo-me que o meu trabalho será o reflexo de quem eu sou ao longo do processo de estudo e, por isso, a estabilidade do meu dia-a-dia irá proporcionar-me mais concentração e menos distrações.
Quando e assim que eu me vejo a ter um diálogo dentro de mim sobre aquilo que eu devia ou não devia estar a fazer, eu páro e respiro. Eu dou-me tempo para analisar os pensamentos, dou-me tempo para escrever e perceber o padrão que se manifesta para eu avançar no meu processo de me auto-corrigir.
Quando e assim que eu me vejo a distrair-me da minha decisão de estudar e assim participar na resistência de "seguir em frente", eu páro e respiro. Eu apercebo-me que tenho a cada respiração uma oportunidade de me aperfeiçoar e de aplicar o meu conhecimento em coisas práticas que sejam aplicadas no nosso mundo.
Eu apercebo-me que a tensão, o stress e a exaustão são formas de abuso próprio/físico que me limita, porque fico invadida pela experiência emocional. Quando e assim que eu me vejo a começar a participar no stress ou tensão, eu páro e respiro. Eu tomo direção e a responsabilidade sobre aquilo que eu permito e aceito fazer/ser neste mundo e por isso, ajudo-me a encontrar a origem do stress e da tensão em mim e ajudo-me a recriar a minha estabilidade a cada momento ao aplicar a solução da respiração, de abrandar a velocidade da minha mente e me permitir ver a situação em  senso comum (e agir com vista a uma correção duradoura e consistente).
Eu apercebo-me que uma das maiores distrações são as preocupações que eu crio com base no medo de falhar. Por isso, eu comprometo-me a confiar em mim e a viver esta confiança de aplicar soluções para mim própria, de escrever para mim própria, de me ajudar a lidar com a minha própria mente, de me apoiar a enfrentar os medos que existem na minha mente e de começar a fazer aquilo que eu tenho resistência.

Eu comprometo-me a ser assertiva com os meus trabalhos e a apoiar-me fisicamente para eu criar as condições para eu ter tempo para estudar, para começar o trabalho sem haver a desculpa de ter pouco tempo - Eu comprometo-me a aplicar esta organização pessoal em todas as minhas actividades no meu dia-a-dia. Eu apercebo-me que ao ser responsável por mim própria em honestidade própria e assertividade, eu estou a ser responsável por aquilo que eu faço e estou a ter consideração/respeito por mim naquilo que eu faço.

Ilustração: Andrew Gable "It's time to stop carying the past, investigate self with Desteni I Process


DIA 223: És o Director, Produtor e Actor no teu Filme


E se conseguisses ver a tua Vida em Retrospectiva antes de Morreres, o que farias de diferente? Afinal de contas, somos nós os Directores, Produtores e Actores das nossas próprias vidas.

Hoje ouvi mais uma entrevista genial da Eqafe sobre a morte por ataque cardíaco. Parece um tema mórbido mas garanto-vos que desta entrevista só vêm coisas boas, ou seja, uma lição de vida para aqueles que cá estão. Quantas vezes não me vejo a observar a minha vida como se Eu não tivesse a tomar a minha própria direção, como se houvesse uma força a decidir por mim, ou como se eu não tivesse o poder de mudar.


É precisamente sobre este "papel" de observador que eu vou escrever hoje e depois perdoar-me, porque eu também vejo, na minha própria vida, momentos em que eu fico a desejar fazer ou dizer qualquer coisa sem realmente me mexer para fazê-lo ou dizê-lo, e espero que a solução surja miraculosamente.
Ao ouvir esta entrevista,  relembrei-me do poder que é estar aqui nesta realidade física e da oportunidade de viver esta vida que, por enquanto, ainda só é uma força de vida mas ainda não é vivida por mim na minha plenitude, em unidade e igualdade com a Vida propriamente dita. Isto porque eu ainda "vivo" na minha mente de pensamentos, de cenários, de ideias, de crenças de como as coisas devem ser, de desejos e imagens de como quero que as coisas sejam, de medo da minha própria imaginação...


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido por nem que seja um segundo vacilar da minha presença aqui e da força de Vida que eu sou e tenho em mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sequer pensar que os pensamentos da minha mente, quer positivos ou negativos, são reais.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir momentos da minha vida como fáceis e como momentos difíceis, sem me dar a oportunidade de Viver cada momento, sem julgamentos de bom ou mau, certo ou errado.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me com a vida dos outros e com as personalidades dos outros, que me leva a comparar-me com os outros, em vez de me permitir recriar-me por mim, testar aquilo que resulta e aquilo que não resulta,e desenvolver a minha capacidade de tomar decisões em senso comum.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar na minha vida como se se tratasse de uma observadora em que julgo aquilo que eu faço. Esta reflexão mostra-me aquilo que eu tenho de corrigir em mim porque me estou a limitar com os julgamentos próprios. Ao parar os julgamentos, apercebo-me que estou sozinha, a escrever aqui, a lidar com a minha própria mente e responsável por recriar uma nova relação comigo própria, desta vez de verdadeira confiança, porque eu sou a directora da minha própria vida.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me nas relações que eu criei com as outras pessoas, quer sejam as relações de amizade, escola, colegas no trabalho, clientes, familiares - vejo que tudo isto são as várias personalidades que eu criei como mecanismos de defesa para eu não lidar comigo própria mas apenas "deixar passar" os pontos à minha frente sem correção imediata. Logo, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar filmes na minha mente sobre aquilo que pode ou não acontecer, e assim criar o meu próprio brainwashing the entretenimento mental enquanto que o meu potencial de vida fica perdido em pensamentos.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ser honesta, decisiva, assertiva e estável dentro de mim e comigo própria.

Eu apercebo-me que a estabilidade própria não implica a noção de pacifismo que eu associo com estabilidade na relação com os outros - aliás, esta "estabilidade de sistema" é uma versão de passividade e de aceitação que não é de todo uma tomada de direção como Vida e pela Vida.
Quando e assim que eu me vejo a entreter com pensamentos na minha mente por muito interessantes que sejam, eu páro o pensamento e respiro. Nesse momento decido o que fazer com o pensamento: quer seja escrever sobre o pensamento para investigar o ponto e escrever/dizer em voz alta o perdão próprio, ou então é um ponto que eu já conheço e que tomo a decisão de " deixar o pensamento ir".
Quando e assim que eu me vejo que eu estou a vacilar na minha decisão de estar ciente de mim e de confiar em mim própria, eu páro e respiro. Hoje apercebi-me do padrão da suposta "necessidade" de ter a confirmação/aceitação de outra pessoa. Eu apercebo-me então que a relação que eu criei com "o outro" é um espelho da relação que eu tenho comigo própria que é baseada no auto-julgamento de "não ser boa o suficiente naquilo que eu faço".
Quando e assim que eu vejo o pensamento de "não ser boa o suficiente naquilo que eu digo e naquilo que eu faço", eu páro e respiro. Eu dedico-me a ser completa nas minhas ações e a garantir que confio no meu comportamento em tudo o que eu faço. Por isso, sendo que o grau de confiança comigo própria é o grau de confiança que eu deposito nos outros, eu comprometo-me a andar este processo passo a passo até estar plenamente estável por dentro, logo, nas minhas ações e decisões como verdadeira Directora da minha Vida.

Ilustração: Eqafe store (https://eqafe.com/i/jferreira-heart-attack-death-research-part-2) 



DIA 215: Se eu não Parar os PensaMentos, a Mente Pára-me a Mim


Este meu vlog conclui (ou melhor, inicia) uma nova fase do meu Processo, após o susto recente do quisto no peito. Recebi os resultados da biópsia e não é nada de grave para além de um quisto inflamado, ou seja, "Não se observam células ductais." :)))

Este foi um alerta do meu corpo e tenho estado a trabalhar em vários pontos que têm surgido que, apesar de não serem pontos novos em mim, simplesmente tenho participado tanto neles ao longo do tempo que a consequência física manifestou-se. Vejo/Sinto então que viver os pensamentos da mente é estar a abusar a minha própria vida/corpo. Apercebi-me do constante estado de ansiedade na minha relação com o emprego, NO ENTANTO, este padrão tem sido aceite/permitido por mim e tem sido projectado em tudo o que eu faço. Nos próximos dias vou então investigar todas as manifestações de ansiedade/preocupação na minha realidade.

Como é que eu posso parar/apagar os pensamentos?
"Ao permanecer aqui, na respiração e a perdoar-me a mim própria - por exemplo, fundindo-me com o pensamento, em pé de igualdade com o pensamento, como um ponto de responsabilidade para a compreensão da natureza absoluta do pensamento, como eu o criei, e, em seguida, numa respiração, perdoando o pensamento, e libertá-lo e comprometendo-me a não mais entreter o pensamento, que eu confio em mim mesma que realmente me perdoei de tal forma que a energia não vai voltar. A energia só vai voltar se eu não me perdoar a mim mesmo. Assim, se a energia voltar, posso ver claramente que não fui eficaz no meu perdão-próprio - não foi absoluto - e é um indicador que preciso de "voltar à tábua" e realmente ir fundo para puxar toda a energia para fora e realmente deixá-la ir com o perdão." Lindsay Craver

Quanto à localização do quisto, é fascinante ter surgido na mama. Deixo-vos com esta citação de Bernard Poolman:




DIA 212: Auto-culpabilização e dura comigo própria



No seguimento destas minha andanças recentes, apercebo-me da solidariedade quando se fala de coisas do peito ou de zonas intimas do corpo, como se fosse ainda um tabu, mas vejo então que esta resistência para se falar nestes tópicos tem a ver com o medo de se “apanhar” a doença. Eu própria estava a participar no medo de falar sobre este assunto por medo de agravar a situação, como se só uma notícia mais grave fosse merecedora de um blog!

Afinal, isto não é daquelas coisas que só acontecem só "aos outros". Está aqui na minha realidade e eu tenho as ferramentas para andar este processo, passo a passo.

Mesmo antes de saber que este carocinho no peito se tratava de um quisto inflamado, comecei a aperceber-me do padrão da auto-vitimização e da tendência para me sentir culpada das coisas que acontecem na minha realidade. Mas participar no padrão da culpa não é produtivo e acabo por ser dura comigo própria.

Vejo então que agarrar-me à culpa é uma forma de evitar tomar responsabilidade e olhar para soluções práticas para aplicar correção imediata – por exemplo, começar a acalmar no trabalho, ser prática, fazer uma coisa de cada vez, desacelerar os pensamentos na minha mente, parar os medos, tomar decisões que sejam o melhor para mim, cuidar do meu corpo, respirar e relaxar.


Uma armadilha da mente até agora tem sido o de projectar a culpa nos outros, embora seja tal e qual um espelho de mim própria. Lembrei-me da expressão religiosa do “mea culpa” e vou tomar esta oportunidade para PARAR de participar na facilidade aparente da culpa. Por exemplo, em relação ao meu quisto, a culpa não é do meu emprego per se, porque não é o trabalho que gera o meu stress – Sou eu que permito (ou não) criar a ansiedade e acomodar-me ao estado de stress. Eu apercebo-me que sou responsável por investigar os pensamentos de culpa dentro de mim e ajudar-me a mudar a minha relação comigo própria, em AUTO-SOLIDARIEDADE e aplicar soluções na minha realidade!


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido habituar-me a culpar-me e a ser dura comigo própria quando algum acidente acontece ou alguma coisa corre fora do planeado, sem ver que ao culpar-me e ao ser dura comigo própria eu estou a criar novos problemas na minha mente.


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sentir-me culpada pelas coisas que acontecem à minha volta como se tivesse a perder o controlo, em vez de perceber que posso tomar responsabilidade pela minha vida sem participar na reação de culpa.


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido projectar a culpa para algo fora de mim, quando afinal o padrão de culpa não tem de existir em nada nem em ninguém. Apercebo-me que este padrão de culpa é um auto-massacre baseado em justificações sem realmente olhar para o problema e soluçõesn em plena responsabilidade, claridade e direção-própria.


Apercebo-me que ao simplesmente culpar-me pelas coisas, eu estou a evitar dedicar-me a uma solução prática e duradoura, como se fosse mais fácil culpar-me para “não pensar mais nisso”. No entanto, o padrão da culpa funciona. Em vez disso, eu posso e devo perdoar-me pela acumulação de culpa e dedicar-me a aplicar uma solução prática para o problema.


Quando e assim que eu me vejo a participar no padrão da culpa, tanto contra mim mesma ou a projectá-lo em algo ou alguém, eu páro e respiro.

Em vez de alimentar a culpa, eu procuro investigar em mim porque é que o sistema da culpa surge – e quais são as soluções reais que eu estou a suprimir em mim.


Quando e assim que eu me vejo a agarrar-me ao sistema da culpa como se isso fosse redimir-me das coisas que eu faço ou que eu não faço, eu páro e respiro. Em vez de querer mudar o passado, eu dedico-me a mudar-me no presente, a recriar a minha relação comigo própria em TOTAL COOPERAÇÂO. Eu apercebo-me que a culpa não tem qualquer efeito a não ser criar ansiedade em mim e separação comigo própria.


Ilustração: Andrew Gable

DIA 204: Mecanismo de defesa da mente


Continuo a analisar esta "necessidade de defesa" e curiosamente hoje vi a mesma reação noutra pessoa: reparei como o tom de voz se alterou quando o mecanismo de defesa começou a actuar e a voz tomou aquele ar defensivo, como se suplicasse para ser compreendido!
No meu caso de ontem, como eu expliquei no meu artigo De onde vem esta necessidade de medefender? apercebi-me desta vontade/energia para responder imediatamente, sem sequer me dar tempo para analisar os vários pontos envolvidos. Vejo então que o mecanismo de defesa da mente é uma forma de instinto de sobrevivência do ego, no qual manifesto o medo daquilo que o outro possa vir a pensar de mim e portanto tenho esta necessidade de agir o mais depressa possível. No entanto, ao escrever sobre isto, vejo que eu não posso controlar o que quer que seja que o outro possa vir a pensar de mim, porque nenhum desses pensamentos tem de ser tomado como pessoal. Da mesma maneira que qual quer que seja o julgamento que eu possa vir a pensar que o outro tenha de mim tem apenas a ver com o meu próprio julgamento. Nisto, vou então aplicar o perdão próprio sobre a reação de defesa pessoal quando permito sentir-me atacada pelo outro:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir quando recebi o email do meu colega e por ter levado a pergunta do outro como um ataque ao meu trabalho.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido estar vulnerável à interpretação da mente sobre aquilo que me é dito, em vez de verificar em honestidade-própria se fiz realmente tudo aquilo que eu era suposto fazer naquela tarefa específica.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido entrar no jogo de defesa da mente ao responder com base na ideia de estar a ser atacada, em vez de responder em senso comum e estar aberta ao comentário do outro sem uma personal agenda.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ficar ansiosa perante a questão, em vez de perceber que as outras pessoas podem não estar inteiramente dentro do assunto e é da minha responsabilidade passar essa informação e esclarecer o que é que foi feito. Assim, eu apercebo-me que a questão do outro não tem de ser considerada como um ataque ao meu trabalho, mas simplesmente um pedido de clarificação.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a minha reação não teve a ver com o outro mas que me mostra a insegurança que eu ainda tenho de corrigir em mim em relação ao meu trabalho.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido tomar completa responsabilidade pelas tarefas que eu faço e garantir que sou sempre capaz de responder a qualquer clarificação que me seja pedida, em plena estabilidade, ciente que fiz o melhor que podia e tudo aquilo que estava ao meu alcance. Desta forma, apercebo-me que crio a minha estabilidade à priori e que estou estável nas minhas decisões sobre aquilo que eu faço no meu trabalho.

Quando e assim que eu me vejo a julgar um comentário/pergunta como um ataque pessoal, eu páro e respiro. Em vez de participar no programa automático da mente de defesa, eu comprometo-me a dar direção àquele momento, e permito-me então parar o ataque pessoal em mim e permito-me ver o senso comum da questão. Dou-me também a oportunidade de investigar em mim qual é que o ataque que eu estou a interpretar e ajudo-me a perceber de onde é que o auto-julgamento vem. Neste caso, eu comprometo-me a responder em senso comum àquilo que me é pedido, sem ter qualquer segundas intenções de me defender ou de marcar pontos. Se for preciso, faço perdão-próprio no momento em que sinto a reação e ansiedade em mim, e comprometo-me a parar a ideia de que o outro desconfia das minhas capacidades.Eu apercebo-me que é nestas situações que eu demonstro maturidade a lidar com os problemas e me mantenho como um elemento estável na equipa, como um exemplo para mim própria e para os outros.

Quando e assim que eu me vejo a participar na competição do ego de "querer ganhar a discussão", eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta competição com "o outro" é de facto uma competição comigo própria e que este conflito do ego é uma fonte de instabilidade dentro de mim. Vejo então que a minha relação com os outros é um espelho da relação que tenho comigo própria, e que posso usar a minha relação com os outros como um indicador daquilo que eu sou responsável por mudar em mim, para o meu próprio bem.

Eu apercebo-me que qualquer julgamento que eu possa pensar que o outro tenha de mim é um julgamento que eu tenho sobre mim própria e cabe-me a mim trabalhar esse ponto em mim e verificar onde e como é que eu posso corrigir/aperfeiçoar a minha ação. Ao mesmo tempo, eu apercebo-me que o comentário que vem da outra pessoa é também uma projeção da mente dessa pessoa e que depende de mim aceitar isso como um ataque pessoal ou não.
Em honestidade própria, eu permito-me dar estabilidade numa situação em que sou chamada à responsabilidade, ao estar ciente que tomei as ações necessárias para levar a cabo a minha tarefa. Eu apercebo-me que ao não permitir que a reação se imponha na minha relação com os outros, eu sou capaz de ver a situação em senso comum e estar um e igual com o resto da equipa, sem procurar tomar posições defensivas ou de ataque, mas procuro cumprir a minha responsabilidade individual para com a equipa e para com o resultado final do projecto.


DIA 202: Imaginar o Pior Cenário VS Imaginar o Melhor Cenário (e o "dedo" do Deus nesta história)

Há alguns anos que eu me apercebo desta tendência em mim de criar o pior cenário possível e permitir-me "viver" esse cenário com medo do futuro. Ao mesmo tempo, recordo-me de tentar ao máximo imaginar cenários na minha mente que eu associava com paz e "está tudo bem", tal como fazia à noite ao fechar os olhos e esforçar-me por ver ursos num cenário cor-de-rosa de flores, e pensar que assim evitava ter pesadelos.
Hoje em dia, este padrão é manifestado na projeção de cenários de um futuro que eu temo ser contra mim própria no meu emprego. Dou por mim a imaginar cenários em que me esqueço de uma reunião importante, ou que falho, ou que está toda a equipa à minha espera... Por outro lado, dou também por mim a acumular excitação quando penso que o projecto está quase a acabar, ou a imaginar que é tudo terminado com sucesso e há a imagem do reconhecimento dos outros. Ainda estou no processo de me permitir estar ciente de quando estes eventos mentais ocorrem... Aquilo que me tem escapado tem sido perguntar-me: - quem é que, para além de mim, me tem permitido imaginar/participar nos cenários da minha mente? Ao escrever "minha mente" acabo de dar a resposta à minha pergunta. Sou eu a única responsável por me permitir cair no "buraco negro da mente" e seguir a mente como se fosse um Master...
Provavelmente, a minha crença em Deus durante os primeiros 21 anos da minha vida foi também um factor para me questionar ainda menos e acabar por varrer este padrão para debaixo do tapete com a suposta ideia/esperança que era a vontade de Deus e que portanto era aceitável. No entanto, mais uma vez eu sou a única responsável por ter aceite e permitido a minha crença em Deus e por "descartar" a minha responsabilidade de não seguir a mente.

Apercebo-me que as duas versões dos cenários são desfasadas da realidade: uma representa a polaridade negativa e a outra a polaridade positiva. Ambas são baseadas em energia da mente que tem impacto na minha estabilidade física de cada vez que eu me permito aceitar e alimentar os cenários da mente em mim.
  • Porque é que há a necessidade de criar cenários para o futuro quando estes cenários são contra a minha estabilidade?
Nisto, apercebo-me do ponto da falta de confiança em fazer aquilo que é o melhor para mim considerando todos os pontos da minha realidade e acabo por acreditar que a mente (tal e qual um Deus) vai saber decidir por mim. Ao escrever sobre este padrão começo a encontrar novas perguntas e novas camadas que me podem ajudar a descobrir o padrão, a percebê-lo e a estar ciente da minha correção prática.  Curiosamente, os cenários da mente não são planos que consideram a realidade das coisas - pelo contrário, estas imagens surgem mentalmente como um filme improvisado sem guião. Portanto, uma coisa que eu posso tentar fazer da próxima vez que comece a criar um cenário de futuro na minha mente, é escrever sobre aquilo que a minha mente está a projectar e verificar com base na realidade das coisas se o cenário tem fundamento - em vez de participar no medo reactivo e primitivo da mente, eu ajudo-me a estabelecer soluções práticas para ir eliminando os factores de risco e ver como posso prevenir que uma situação adversa ocorra.

Enquanto que antes eu iria provavelmente rezar/agradecer a um Deus por ter ajudado a que tudo corresse bem, hoje em dia estou ciente que não houve uma magia separada de mim a ditar a minha vida, nem houve um dedo invisível divino - estou ciente que fui eu quem me permitiu dar direção a mim própria, me permiti abrandar o programa de medo da mente, e me permiti ver/APLICAR/viver as soluções para mim própria considerando as várias etapas e elementos envolvidos no projecto por exemplo.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar nos cenário auto-derrotadores da minha mente e acreditar que projecto x está destinado a falhar sem primeiro garantir que estou ciente do projecto, que estou à vontade e que faço o meu "trabalho de casa" de me limpar dos medos pré-concebidos na minha mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido simplesmente adoptar os medos da mente como sendo inquestionáveis, em vez de dizer ESPERA LÁ! Porque é que eu aceito o medo de falhar sem primeiro garantir que eu estou a planear o trabalho passo-a-passo, que estou a considerar os cenários possíveis e a colmatar/prevenir ao máximo os factores de risco que estão ao meu alcance evitar, por exemplo através de uma comunicação clara com os meus colegas, e ao pedir ajuda para coisas que eu possa ainda não saber resolver, ou ao ter em consideração falhas que possam ter ocorrido no passado e que eu tenho a oportunidade de corrigir.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido "perder tempo" e dar atenção às imagens/cenários da mente positivas (desejos) e negativas (medos). Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que depende sempre de mim criar a minha estabilidade própria. Por isso, comprometo-me a parar a espiral da imaginação da mente e dedico-me a investir o meu tempo e a minha atenção na prevenção, na preparação da minha ação para garantir que me estou a dar uma direção que seja o melhor para mim.

No emprego, eu realizo que o resultado final está dependente do meu empenho no processo de preparação e da minha concentração a planear e a executar a minha ação, que por sua vez estão dependestes da minha estabilidade própria e da minha respiração para evitar reações.

Eu realizo que o meu processo de criação tem impacto nos vários elementos da minha vida, nomeadamente na minha relação com os outros e no meu desenvolvimento pessoal/profissional no meu emprego.
Apercebo-me que o processo de auto-criação é um processo de aprendizagem prática em honestidade própria.
Apercebo-me que os medos da mente são baseados na ideia de separação em relação aos outros e na separação de mim própria, quando afinal sou/somos /estamos todos aqui em unidade e igualdade, cada um responsável por si epelo todo.
Em vez de aceitar os medos/padrões da mente como sendo "a regra", ou no lugar de culpar algo ou alguém pela minha experiência, em foco-me em perceber como é que eu estou a participar na minha realidade e comprometo-me garantir que sou responsável pelo auto-aperfeiçoamento das minha ações em considerar todos os pontos envolvidos e aquilo que é o melhor para todos.

Quando e assim que eu me vejo a participar no medo que o resultado seja contrário à minha dedicação, eu páro e respiro. Em honestidade própria, eu verifico onde é que eu estou a hesitar, ou se há medos que me impedem de dedicar a 100%, ou se há algum ponto que eu ainda não resolvi em mim e que esta é uma oportunidade para lidar/transcender esse ponto. Ao mesmo tempo, eu comprometo-me a parar o padrão de ser dura comigo própria , considerando que há alguns elementos que estão fora do meu controle.

Para concluir, posso utilizar os cenários/tendências da mente para estar ciente dos padrões que existem em mim e que eu sou responsável por mudar estes padrões em mim que são fonte de instabilidade e distração mental. Realizo então que a própria ideia de falhanço é uma sabotagem da mente e, em vez de pensar no medo de falhar como uma ameaça ou castigo, tenho a oportunidade/responsabilidade de verificar os passos que têm de ser tomados/corrigidos de modo a recriar uma realidade que seja benéfica para mim/todos em unidade e igualdade.