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DIA 229: "Não tenho tempo" é dizer-se que "não quero fazer"

Há momentos em que eu decido fazer uma coisa e acabo por engonhar noutras acções aparentemente mais fáceis e dou por mim a dizer a mim própria "já não tenho tempo" para aquilo que eu havia decidido fazer inicialmente. Uma coisa interessante nestas ocasiões é perceber o que está por trás desta decisão deliberada de não se viver a nossa própria decisão. No meu caso, em honestidade própria tem sido mais comum aperceber-me destas situações em que eu deliberadamente me disTRAIO com entretenimento e, nesse momento, vejo à minha frente a escolha de: ou permito o desejo pelo entretenimento fácil ou me dedico a escrever no meu processo de auto-criação. Isto não quer dizer que esta escolha seja verdadeira, ou seja, dar-me a escolher perante estas hipóteses é mais uma sabotagem da mente baseada em sentimentos de culpa ou de motivações mentais. Em vez disso, porque não começar por mudar a minha relação com as minhas decisões e por exemplo acabar com estas escolhas bipolares? Faria mais sentido aperfeiçoar a minha organização do tempo e permitir-me realizar ambas as ações no meu dia, sem motivações nem desejos, mas simplesmente porque a escrita é uma ferramenta de auto-ajuda e as séries/jogos ajudam-me a relaxar e a desenvolver capacidade de resolução de problemas. Vejo então que ainda permito que seja a mente de punição e inflexibilidade que está a ter controlo quando na realidade esta é mais uma amostra da manipulação da mente quando o ser humano não está preparado para lidar com a mente humana. Neste caso, e como o título deste blog reitera, por trás da desculpa do "não ter tempo" está muitas vezes a falta de dedicação para criar esse tempo ao ser-se disciplinado, organizado e colocar-se a vontade-própria em primeiro lugar. Para isso, há que haver uma realização pessoal em que individualmente cada um se questiona "porque é que eu deixei a minha escrita diária para último lugar quando afinal o meu processo de Vida é a minha prioridade". 

Hoje, o mesmo padrão está à espreita visto que deixei a minha escrita diária para muito tarde, o que implica uma limitação pessoal porque é o fim do dia e já estou cansada. Comprometo-me então a andar este ponto em honestidade própria até já não haver este tipo de desculpas - apercebo-me que é a mim que eu me prejudico porque a escrita diária  é o melhor para mim e que é através da escrita que eu expando a minha relação comigo própria, lido com a minha mente e me ajudo a criar soluções para mim própria.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido  deixar a minha escrita do blog para o fim da noite quando, por experiência própria, eu vejo que não sou tão eficaz, tenho sono, estou fisicamente cansada e que hesito no progresso de escrita e na minha expansão pessoal.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido  usar comigo própria  a justificação de "não tenho tempo" para escrever, eu páro e respiro. Nesse momento, eu comprometo-me viver a decisão de gerir o meu tempo de modo garantir que  não crio o meu próprio stress, decepção própria ou conflito.

Quando e assim que eu me vejo claramente a distrair-me com noticias, séries, ou jogos, ou sites, eu páro e respiro. Nesse momento em que eu tenho a noção que estou perante a decisão de fazer aquilo que a mente julga como sendo fácil/passivo e entre aquilo que é mais complexo/activo - comprometo-me então a respirar, ver com atenção esse momento e decidir em honestidade própria o que fazer. Em senso-comum, eu dedico-me a colocar a minha expansão pessoal como a minha prioridade, alcançável no meu processo de escrita e de auto-correção prática.

Dedico-me então a puxar por mim para tomar uma decisão com base na minha estabilidade e senso comum. Apercebo-me então que a necessidade de escolha entre escrever ou não só existe quando há um conflito de tempo, visto que quero fazer mais do que uma actividade ao mesmo tempo. Nesse caso, eu comprometo-me a dar-me tempo para a minha escrita e criar também disponibilidade para ver e fazer outras coisas, tais como surfar na web ou ver séries.

Quando e assim que eu me vejo a ter resistência a criar uma rotina de escrita para mim própria, eu páro a resistência e respiro. Eu apercebo-me que esta é uma resistência da minha mente à minha própria mudança. É então visível que a desculpa do "não ter tempo" é de facto uma manifestação de falta de vontade-própria  e é este também um padrão que eu tenho de lidar em mim. Eu ajudo-me a realizar que o meu processo de Vida é aqui e agora e que quem eu me permito ser depende totalmente de mim, da minha relação comigo própria, da minha mudança pessoal e da minha mudança na minha relação com os outros/o mundo à minha volta.


Quando e assim que eu me vejo a ir automaticamente visitar sites de entretimento, eu páro e respiro. Por experiência própria, aquilo que eu pensava ser só 5 minutos  acabou por ser mais tempo e esta distração comprometer todas as outras tarefas que ficam por fazer. Por isso, comprometo-me a escrever em auto-direção quando estou bem desperta, acordada e activa. Dedico-me então a não permitir nem aceitar usar desculpas para não viver e fazer aquilo que é o melhor para mim.



DIA 226: Tempo para lidar comigo - o regresso à faculdade

Hoje apercebi-me do ponto da exaustão da pior maneira. Nestas últimas semanas tenho participado numa enorme resistência em avançar com um trabalho da faculdade e hoje foi a data limite para o entregar. Apesar de ter conseguido enviá-lo a tempo, apercebi-me do stress desnecessário que eu criei para mim própria, como se fosse preciso estar sob pressão para avançar. A instabilidade mental contagiou o físico e o meu coração estava a bater super rápido nos momentos antes da entrega do trabalho.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a motivação de estar sob pressão é real, quando afinal esta motivação não passa de uma energia auto-destrutiva que eu própria me permito participar nela.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido viver o compromisso prático de parar a resistência de escrever o meu trabalho da faculdade, escrever o meu blog, avançar no meu processo, mudar a minha relação comigo própria e mudar a minha relação com o mundo à minha volta.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar stress na minha realidade ao permitir acumular tarefas sem pôr a minha estabilidade física em primeiro lugar e abrandar a mente. Eu apercebo-me que não me estou a dar tempo suficiente para aquilo que é essencial para a minha estabilidade, tal como o tempo para estudar, o tempo para escrever, o tempo parar PARAR e RESPIRAR e o tempo para aplicar soluções práticas para mim própria.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ter paciência comigo própria no meu processo de voltar à faculdade, de ter paciência com a minha mudança de ritmo e de mudar o meu dia-a-dia para viver o compromisso de estudar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me com as flutuações de energia em vez de me dedicar a viver o compromisso/decisão de fazer o meu trabalho, de me aperfeiçoar no meu processo de Vida, de me dar direção a cada respiração, sem hesitar a minha decisão de estar aqui e de expandir quem eu sou.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser e fazer aquilo que é o contrário daquilo que realmente quero fazer (eu apercebo-me que este diálogo interno é um reflexo da hesitação e desconfiança  que eu ainda permito ter em mim e que eu sou responsável por lidar/parar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido procurar entretenimento para "compensar" o stress que eu sinto quando estou a estudar, em vez de viver a decisão de estar estável em tudo aquilo que eu faça, sem emoções de medo ou desejo.


Quando e assim que eu me vejo a hesitar a minha decisão de estudar por mim e para mim (e para os outros, visto que quem eu sou se vai reflectir na minha relação com o mundo), eu páro e respiro. Eu dedico-me a puxar por mim de cada vez que eu vejo a resistência para estudar, para mudar o meu horário e incluir o estudo e para começar a estudar gradualmente sem estar com o count-down da evaluação.
Quando e assim que eu me vejo a imaginar na minha mente o stress de deixar as coisas para o último minuto, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que não preciso de ter este tipo de aventuras emocionais para valorizar aquilo que eu faço - aliás, eu apercebo-me que o meu trabalho será o reflexo de quem eu sou ao longo do processo de estudo e, por isso, a estabilidade do meu dia-a-dia irá proporcionar-me mais concentração e menos distrações.
Quando e assim que eu me vejo a ter um diálogo dentro de mim sobre aquilo que eu devia ou não devia estar a fazer, eu páro e respiro. Eu dou-me tempo para analisar os pensamentos, dou-me tempo para escrever e perceber o padrão que se manifesta para eu avançar no meu processo de me auto-corrigir.
Quando e assim que eu me vejo a distrair-me da minha decisão de estudar e assim participar na resistência de "seguir em frente", eu páro e respiro. Eu apercebo-me que tenho a cada respiração uma oportunidade de me aperfeiçoar e de aplicar o meu conhecimento em coisas práticas que sejam aplicadas no nosso mundo.
Eu apercebo-me que a tensão, o stress e a exaustão são formas de abuso próprio/físico que me limita, porque fico invadida pela experiência emocional. Quando e assim que eu me vejo a começar a participar no stress ou tensão, eu páro e respiro. Eu tomo direção e a responsabilidade sobre aquilo que eu permito e aceito fazer/ser neste mundo e por isso, ajudo-me a encontrar a origem do stress e da tensão em mim e ajudo-me a recriar a minha estabilidade a cada momento ao aplicar a solução da respiração, de abrandar a velocidade da minha mente e me permitir ver a situação em  senso comum (e agir com vista a uma correção duradoura e consistente).
Eu apercebo-me que uma das maiores distrações são as preocupações que eu crio com base no medo de falhar. Por isso, eu comprometo-me a confiar em mim e a viver esta confiança de aplicar soluções para mim própria, de escrever para mim própria, de me ajudar a lidar com a minha própria mente, de me apoiar a enfrentar os medos que existem na minha mente e de começar a fazer aquilo que eu tenho resistência.

Eu comprometo-me a ser assertiva com os meus trabalhos e a apoiar-me fisicamente para eu criar as condições para eu ter tempo para estudar, para começar o trabalho sem haver a desculpa de ter pouco tempo - Eu comprometo-me a aplicar esta organização pessoal em todas as minhas actividades no meu dia-a-dia. Eu apercebo-me que ao ser responsável por mim própria em honestidade própria e assertividade, eu estou a ser responsável por aquilo que eu faço e estou a ter consideração/respeito por mim naquilo que eu faço.

Ilustração: Andrew Gable "It's time to stop carying the past, investigate self with Desteni I Process


DIA 222: O stress suprimido



Hoje estou atrasada 30 minutos e já não vou chegar às 09:00. Acordei antes do despertador a pensar que já era demasiado tarde mas, no momento em que vi que afinal era muito cedo, tomei a decisão de ficar na cama até o desperta-dor tocar. Quando ouvi o despertador, fiz snooze e acabei por me levantar à hora que eu devia estar a sair de casa, ou pelo menos estar quase pronta. Aparentemente não há remorsos nem stress mas esta calma aparente é força do hábito de ter lidado com esta situação toda a minha vida. Apercebo-me então que criei este mecanismo de defesa que é a supressão do stress.Curiosamente, o actual relógio na minha cozinha é muito parecido com o relógio que eu tinha na casa onde eu vivi até aos meus 13 anos em Lisboa. Lembro-me de entrar na cozinha e olhar para o relógio na esperança de ser ainda bastante cedo para eu chegar à escola à mesma hora que os meus colegas. Isto deve ter acontecido muito poucas vezes.
Actualmente, embora já não esteja dependente de ninguém que me acorde e me leve à escola, vejo que o hábito ainda existe e eu ainda olho para o relógio como se miraculosamente fosse mais cedo, sem o fazer nada por garantir esta mudança no meu dia-a-dia.

O Problema: 

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desrespeitar-me ao não cumprir a hora de acordar que eu havia estipulado na noite anterior.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que eu preciso de uma motivação para além de ir para o emprego de manhã, em vez de ver que esta resistência ou qualquer motivação são tudo paranoias da mente e portanto não são reais.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido habitar-me e acreditar que o stress matinal é normal e que é também normal ter pouco tempo para mim, quando afinal eu vejo que eu sou responsável por me dar tempo e, caso contrário, eu estou a ser responsável por encurtar o meu tempo.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que eu tenho de ser pontual para agradar os outros (a Professora, o director, o pai, ...).
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar na pontualidade como sendo mais do que aquilo que é mas, devido à minha experiência e "historial" eu acabei por definir a m issão de chegar a horas como sendo difícil.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a resistência para me levantar é mental pois eu vejo como eu sou rápida a criar justificações para ficar mais um bocado na cama.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido "mudar" de ideias de manhã com base no interesse-próprio de ficar na cama, em vez de cumprir com a minha palavra em que havia decidido levantar-me aquela hora para estar tranquila.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido tornar-me no meu próprio inimigo ao criar este tipo de antagonismo entre aquilo que eu decido e aquilo que eu realmente faço, em vez de estar um e igual às minhas palavras nas minhas decisões.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar uma relação comigo própria de instabilidade, em que à noite decido acordar às X horas mas no dia seguinte acabo por desprezar a minha decisão - pela primeira vez eu vejo aqui também manifestado o padrão de conflito, em que quando está tudo bem numa relação há a partilha de bens mas quando o momento de viver essa decisão num momento crucial surge (por exemplo numa discussão) começam-se a ver restrições e menos vontade-própria de se partilhar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar desconfiança em mim própria com base no facto de ainda nem sequer conseguir confiar em algo supostamente simples que é o meu acordar de manhã.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o "acordar tranquilamente" ao fim-de-semana e portanto permitir haver/criar stress durante a semana por ter de acordar com horários.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido agarrar-me ao arrependimento em relação às coisas que eu visualizo na minha memória tal como o arrependimento de acordar tarde.

A Solução:

Eu apercebo-me que eu me defini como não sendo pontual e que eu fui alimentado esta ideia em mim, como uma maneira de justificar os meus hábitos. Eu comprometo-me a tomar esta oportunidade para realizar e viver a decisão de me corrigir por mim, incondicionalmente, aqui e agora.
Quando e assim que eu acordo de manhã e me vejo imediatamente a pensar que já estou atrasada, eu páro e respiro. Em vez de alimentar a resistência, eu ajudo-me a estar ciente do meu corpo físico, na cama, a respirar. Eu apercebo-me que a imagem na minha mente de acordar e ver no relógio que já é tarde não passa de uma imagem e que não tem de ter qualquer influencia na minha vida, porque eu tomo direção.

Quando e assim que eu me vejo a imaginar os vários cenários alternativos na minha mente que são diferentes do meu plano inicial, eu páro os cenários da mente e respiro. Eu comprometo-me a criar o meu plano de ação em tempo real e a que a minha ação seja em auto-correção de pontos que ainda limitam a minha expressão e auto-descoberta incondicional.

Quando e assim que eu me vejo a antecipar a experiência de estar atrasada, eu páro e respiro. Eu vejo agora que a minha mente me mostra memórias e que estas memórias são ainda fonte de ansiedade. Eu comprometo-me  parar a antecipação/memória da mente que em nada me ajuda a recriar a minha realidade de modo a criar a minha estabilidade.

Eu apercebo-me que os horário são uma ferramenta para eu me ajudar a gerir o meu tempo da melhor maneira e para o meu benefício.

Quando e assim que eu me vejo a imaginar-me a ficar na cama mais 5 minutos e justificar isso com a ideia que eu irei ser mais rápida de manha, eu páro e respiro. Apercebo-me então que esta ilusão sobre o tempo que eu levo a fazer as coisas  tem sido uma manipulação-própria para servir o "cansaço da mente". Eu serei mais eficaz ao combinar rapidez com soluções práticas a cada momento.

Ilustração 1: A Persistencia da Memória, Salvador Dali



DIA 213: Tempo é dinheiro e a falta de dinheiro é o cancro da sociedade


Nos últimos quatro dias tenho andado por dentro do sistema de saúde Português, entre consultas, análises, papéis para um lado, papéis para o outro, e reparo como o sistema está montado para o negócio privado de modo a que a rapidez seja uma garantia. É óbvio que numa situação de emergência e incerteza qualquer mãe/pai quer a melhor solução ao dispôr para o seu filho o mais rapidamente possível, mas está visto que sem o factor de “dinheiro no bolso” (literalmente, porque em alguns locais nem se aceita multibanco) uma mãe não vai longe. Pergunto-me se isto é óbvio para aqueles que montaram este negócio porque, certamente, aqueles que trabalham nele estão cientes do sofrimento daqueles que não podem pagar, mas também não podem esperar.

No meu caso, a primeira coisa que fiz foi tirar o parecer com a minha ginecologista e fui marcar uma ecografia da mama numa clínica. Obviamente que estes processos implicam já por si ter uma viatura com combustível para deslocações e ter tempo para se dedicar a estas andanças. A segurança social pode ajudar embora isso implique ter uma credêncial do médico de família (não sei quanto tempo de espera isso pode levar normalmente mas mais uma vez este tempo poderia ser substituído por dinheiro para se fazer a ecografia no dia seguinte por exemplo!). Se houver um seguro que cubra estas situações, este implica sempre que os custos sejam acarretados pelo paciente mas que poderá depois vir a ser reembolsado.

Ou seja, ou se tem dinheiro disponível, ou aguarda-se pelos requerimentos que dão uma ajuda de custo. Mas quem é que se pode dar ao luxo de esperar quando a ansiedade e o próprio corpo exigem atenção imediata? Como é que se promove o rastreio antecipado se isso envolve ter-se dinheiro para consultas, ter-se dinheiro para potenciais tratamentos e, outra coisa fundamental, ter-se tempo para se andar de um lado para o outro, dinheiro para transportes, um emprego que permita ter-se dias de folga, ter-se bons médicos ao alcance, ter-se o apoio da família, ter-se o acesso à informação e ter-se a preparação psicológica para não se alimentar fantasmas na mente e saber lidar com uma situação destas?

O sistema está montado para que todos estes elementos sejam preenchidos, mas todos nós sabemos que nesta altura é de facto uma minoria que consegue reunir os elementos necessários para que a experiência de saúde não seja traumatizante.


Mais uma vez se vê que a falta de saúde não é o problema se os recursos já existem no planeta para que se comece o acompanhamento médico. Não será então a falta de dinheiro o cancro da nossa sociedade que contamina tudo e todos? Não será então este mais um indicador que o sistema só funciona para alguns e que não existe uma plataforma de segurança social real que garanta o mesmo nível de excelência para todos os co-cidadãos? Não será altura de se investigar a solução da Igualdade Monetária que, na carta dos direitos visa garantir o direito igual à saúde que providencie tudo aquilo que é essencial para se construir corpos físicos fortes, com vitalidade e bem-estar, promovendo ao mesmo tempo a claridade intelectual, o equilíbio emocional e a estabilidade física.

Ilustração: Equal Life Foundation


DIA 208: A justificação do "Tenho Tempo"


Apercebo que a resistência para escrever e a tendência para a procrastinação são redflags a indicar-me aquilo que eu estou a permitir repetir-se em mim. Por trás deste padrão, vejo o pensamento que "tenho tempo" para fazer isto ou aquilo, "tenho anos à minha frente", "vou ter a oportunidade mais tarde", sem sequer considerar a hipótese de criar essa oportunidade agora e começar a encaminhar-me nessa direção. 
Este padrão enquadra-se na Religião do meu Ser, baseada naquilo que me foi ensinado ao longo dos anos. Lembro-me claramente de ouvir dizer "Joana, vai com calma", "tens tempo", "ainda és muito nova", ... E agora já não é preciso ninguém dizer-me isto porque ficou registado e aparece automaticamente na maneira como encaro certas coisas, especialmente coisas novas, e a curiosidade fica suprimida, porque afinal, apesar de me interessar por isto ou aquilo, irei ter tempo e "se calhar" (que é a mesma coisa que dizer "Se Deus quiser") mais tarde irei estar numa posição mais vantajosa para finalmente viver a decisão! Até lá, acumulo uma série de "potenciais" de coisas que quero fazer, imagino o momento em que irei fazer essa coisa nova e admiro aqueles que não hesitaram em começar.
Obviamente, o processo de escrita requer prática e é preciso ir-se com calma, respiração em respiração, e estar-se fisicamente aqui. Mas desde que me tornei ciente desta tendência para adiar, fui mais eficaz em perceber se fazia ou não sentido esperar, ou se afinal a oportunidade de fazer determinada coisa estava/sempre esteve aqui. Finalmente comecei o meu novo blog http://diplomatjourneytolife.blogspot.com/ e tem sido fascinante desenvolver cada artigo e ver novos tópicos com base em informação da actualidade.
A expressão do bad timing poderá ser então a consequência de se ter esperado pelo "momento certo" sem realmente fazer-se nada por se criar esse momento. E não será então esta esperança pelo momento certo mais uma desonestidade que limita a nossa expansão?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido absorver as expressões que me foram/são ditas pelos outros como sendo a "minha verdade" sem me aperceber que eu estou de facto a limitar o meu processo de auto-criação.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir quando oiço alguém dizer-me que "tenho tempo", em vez de perceber se estou ou não a participar nesse padrão, perceber onde é que este padrão se manifesta na minha vida, e como é que eu posso resolver/transcender/parar este padrão em mim.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido questionar-me sobre a minha hesitação em fazer coisas novas e em mudar hábitos, e a partir daqui empenhar-me em dar resposta a essa hesitação e praticar a minha confiança a fazer coisas novas e a praticar a minha eficácia em fazer igualmente todas as coisas que me são benéficas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido imaginar-me a conseguir fazer todas as coisas ao mesmo tempo ou a imaginar-me a ter conseguido fazer um bocadinho tudo sem realmente planear as minhas actividades.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que algumas coisas têm de ser largadas para começar novas e que tal mudança não implica necessariamente ruptura.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar mudar os meus hábitos sem realmente e deliberadamente parar hábitos antigos e começar novos!

Quando e assim que eu me vejo a reagir quando oiço alguém dizer-me que sou "muito nova para pensar nisso" ou que "tenho tempo" ou outra coisa qualquer, eu páro a reação e respiro. Em honestidade própria eu permito-me perguntar porque é que eu estou a levar tais comentário pessoalmente, e permito-me ver em que aspectos é que eu estou de facto a participar nessas ideias. Eu apercebo-me que não sou responsável por aquilo que me é dito, mas que sou responsável por aquilo que eu faço perante aquilo que me é dito.
Quando e assim que eu me vejo a hesitar em começar coisas novas, eu páro e respiro. Apercebo-me que uma das justificações é baseada em "já tenho muitas coisas para fazer, não vou ter tempo agora", no entanto, em honestidade própria eu analiso o que é que eu posso "largar" e substituir pela nova actividade que, neste momento, me será mais benéfica. Se tal decisão implicar outras pessoas, eu comprometo-me a comunicar com os outros a minha decisão, ciente que tais escolhas têm de ser feitas por mim e que não posso ter esperança que alguém decida por mim aquilo que é o melhor para mim.
Quando e assim que eu me vejo a querer conciliar/coexistir em mim os hábitos antigos e os hábitos novos, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que muitas vezes eu estou a manter certos hábitos (especialmente na minha relação com os outros) para agradar os outros, em vez de me disciplinar em ser honesta comigo própria na presença dos outros, um e igual.
Comprometo-me a estar ciente de cada vez que o pensamento/justificação do "tenho tempo" se manifesta e páro esse dominó - em vez de participar na resistência, eu faço exactamente o contrário daquilo que a minha mente dita e dedico-me então a começar essa nova actividade. Para isso, eu adapto e ajusto o meu tempo, e abdico de outras coisas, de modo a conseguir fazer essa actividade que neste momento me será benéfica. Vejo então que uma mudança de hábitos/padrões implica sempre uma mudança prática ao nível das prioridades em honestidade própria, e uma mudança física em se realmente viver as decisões.

Ilustração: Comical Sense - 'Advice', By Andrew Gable

DIA 195: A mania de apreciar "os outros"


No seguimento do meu fim-de-semana mais silencioso do que é habitual, dei por mim a não participar nas conversas de cerimónia e para "manter a relação", embora não tivesse sido necessariamente por escolha própria, mas porque tinha de evitar esforçar a boca/gengiva. Agora que recupero, apercebo-me que não quero participar nesta mania de conversas para apreciar o outro - exemplo típico é pensar que se não falar com a outra pessoa esta vai pensar que eu estou chateada com ela! Obviamente, esta é uma projeção minha e é este o ponto que eu me vou focar e vou esta atenta ao meu ponto de partida quando comunico: será que estou a partilhar coisas práticas, ou estou desabafar um ponto que ainda nem eu própria olhei para ele, ou será que estou a falar para ter a aprovação do outro, porque me sinto inferior, ou porque penso precisar da atenção do outro, ou porque é "chato" haver silêncio?


Ultimamente tenho visto uma série chamada The Big Bang Theory na qual um dos jovens cientistas não corresponde às expectativas sociais de evitar ser-se direto ou mesmo ser-se simpático - em vez disso, ele comunica as coisas como elas funcionam fisicamente, sem emoções nem apegos. É uma comédia e leva a situação ao extremo, mas dá que pensar como as relações conseguem ser superficiais em nome de supostos papéis que cada um de nós representa - E não seremos realmente todos ensinados a sermos actores e a aceitarmos os papéis que melhor posição social nos dão naquele momento específico, com aquela audiência, naquele lugar...

Umas das principais consequências que eu estou neste momento a enfrentar é a gestão do meu tempo, especialmente quando momentos de conversa rotineira passam à minha frente e eu ainda não consigo simplesmente explicar que não tenho tempo. Em vez disso, acabo por comprometer a minha vida ao pensar "São só mais 5 minutos" quando na realidade eu não estou a ser honesta comigo própria nem com a outra pessoa.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar que vou ser mal interpretada se eu não participar na conversa com a outra pessoa e simplesmente disser que não tenho tempo naquele momento.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que vou estragar aquele momento se eu for responsável por parar de alimentar o momento de boa disposição e partilha, em vez de ver que é uma tomada de direção simples e que não é nada pessoal em relação ao outro.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter medo de ser vista como uma desmancha prazeres, quando em honestidade própria vejo que é a mim que eu estou a comprometer a minha disponibilidade e o meu tempo.

Quando e assim que eu me vejo a manter uma conversa somente por ter medo/vergonha/resistência para parar a conversa e dar-me direção, eu páro e respiro. Ao respirar, eu dou-me a oportunidade de voltar a mim, de me situar e de ver se estou a conversar por iniciativa própria ou porque sinto a pressão social de alimentar uma conversa com outra pessoa.
Quando e assim que eu me vejo a participar nesta ideia do "são só 5 minutos" eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estou de facto a ter resistência em ser direta com a outra pessoa e de realmente perguntar quanto tempo é que a conversa vai levar ou quanto tempo é que o outro tem disponivel, de modo a garantir que estamos ambos com a mesma disponibilidade. Eu apercebo-me que a comunicação verbal é de facto super potente e pode ser eficaz quando aplicada em senso comum, em auto -ajuda e a ajudar o outro na partilha de informação. No entanto, eu apercebo-me que comunicar com o outro não é nem pode ser uma forma de entretenimento para passar o tempo - em vez disso, eu comprometo-me a ver este padrão de agradar os outros como uma referência da minha honestidade própria e mudar a maneira como eu lido comigo/com o meu tempo e com os outros.
Quando nas situações me que eu vejo que a conversa está sem rumo, ou que estou "a falar só por falar", eu páro, respiro e dou-me direção - por exemplo, dedico-me a escrever sobre o ponto, para eu própria perceber de onde é que os meus pensamentos vêm, as várias dimensões e ajudar-me a ver o ponto em senso comum.


Quando e assim que eu me vejo a manter uma conversa com a desculpa de "é preciso manter a relação"como se fosse uma obrigação em nome do interesse-próprio, eu páro e respiro. Eu averiguo se tenho de facto a disponibilidade para estar totalmente presente a participar um e igual na conversa, ou se é sensato explicar que tenho outras coisas planeadas e sugerir outra altura para se falar se o tópico ainda for relevante. Eu apercebo-me que se aquilo que eu disser for levado a peito é uma projeção do outro - da mesma maneira que se eu levar a peito aquilo que me é dito é também um ponto de insegurança minha.

Quando e assim que eu me vejo a acreditar que ao manter a conversa eu estou a agradar o outro, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta é uma ideia e projecção de mim própria e de como eu defino as pessoas de acordo com aquilo que elas me fazem sentir (se me sinto ouvida, se me sinto ignorada, se me sinto com atenção) e que afinal sou eu que julgo o outro como sendo simpático ou antipático de acordo com aquilo que me faz sentir (e quão manipulador isto pode ser!).

Eu comprometo-me então a estar  focada na minha direção e não me permitir dis-trair com estes diálogos da mente que só criam separação comigo própria e na minha relação com os outros. Eu vejo então que ao ser honesta comigo própria, eu estou a ser honesta com os outros e sou capaz de confiar na minha gestão de tempo e confiar no meu ponto de partida para comunicar com o outro (um e igual) sem manias de inferioridade.

Ilustração: Andrew Gable