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Dia 260: Ser Dura Comigo Mesma e Viver Sob o Estado de Zanga Iminente - Confissões


Esta semana tenho estado ciente da tendência de me zangar comigo própria quando não faço as coisas na perfeição ou quando cometo erros. Curiosamente, o conceito de perfeição é determinado por mim o que significa que o feitiço virou-se contra o feiticeiro porque acabo por ficar zangada quando não ajo de acordo com uma ideia que eu criei e impus para mim própria!
Esta rigidez mental ocorre automaticamente e foi preciso alguém perto de mim me ter alertado para o hábito de ser demasiado dura comigo mesma. Esta reação traduz-se em momentos em que eu crio e acumulo fúria dentro de mim, como uma forma de punição por algo que eu tenha dito ou feito e que me julgo como não sendo boa o suficiente.

Por trás disto, existe o factor da zanga, de estar chateada comigo, de me irritar, acumular esta raiva, projectá-la no meu mundo e suprimi-la dentro do meu corpo. Desde que comecei a investigar este ponto dentro de mim tenho visto como esta atitude para comigo mesma está presente em tantas coisas que eu faço no meu dia-a-dia: quando não concordo com algo que o meu parceiro faça, quando estou atrasada, quando algo não corre como planeado, quando começa a chuver, quando um motorista faz uma manobra, quando vou para a cama tarde, quando recebo um comentário negativo, quando vejo uma notícia sobre conflitos e injustiças, e muito mais. A lista é longa no entanto vejo agora que a minha reação para com aquilo que eu faço ou com o que está à minha volta é descenessária. Aliás, se eu parar de estar zangada é menos uma coisa a agravar o problema.

É interessante observar como a maioria destas reações não são exteriorizadas porque não quero passar uma imagem de ser exaltada, ou instável. No entanto, a energia da raiva continua a existir dentro de mim... Suprimida. Esta manifesta-se nas converas que existem dentro da minha mente, na minha visão de como eu vejo as coisas, nos julgamentos e na primeira reação que eu tenho, mesmo que seja por apenas alguns segundos. No passado deixava que estes julgamentos sobre os problemas alimentássem a ideia de impotência e actualmente sou capaz de não me deixar absorver pelo problema e olhar para a solução. No entanto, agora estou ciente que dentro de mim ainda participo na energia da reação baseada na fúria, na zanga, na irritação - a melhor maneira de identificar uma energia é ver como estas emoções duram apenas alguns momentos e, com o passar do tempo, acabam por desvanecer. Normalmente é depois da poeira acentar que se conseguem ver soluções e frequentemente acabamos por nos arrepender de algo que tenhamos dito ou feito sob o efeito da energia da raiva. Por isso pergunto-me: se eu vejo que esta reação não me ajuda e até cria consequências indesejadas, porque é que eu reajo em raiva e me zango? Quem é que eu sou sem participar nesta energia? O que é que eu penso ser quando estou sob o efeito da energia?

Se eu olhar para o passado, consigo identificar momentos na minha vida em que vi pessoas zangadas, de voz exaltada, com gestos largos e com atitudes bruscas. Embora isto me fizesse estremecer por dentro, poucos eram aqueles que desafiavam este estado de raiva e que faziam as coisas de maneira diferente. Portanto, a tendência de me zangar foi  aceite como normal. Está também associado à ideia de respeito e querer ser respeitada, à noção de autoridade, de controlo e de ter medo de ser inferior.

Em vez de me julgar por isso, estou a investigar e a comunicar este ponto - primeiro comigo própria e depois com as pessoas mais perto de mim - com o meu parceiro, com o meu buddy do Processo e amigos mais chegados. Agora chegou o momento de partilhar com o mundo. Tem sido importante expor esta minha tendência com o meu parceiro especialmente porque em momentos em que o João me vê a reagir comigo própria ou com alguma coisa, ele alerta-me e ajuda-me a ver quando me estou a zangar ou a ficar chateada. Este é o processo de lidar com uma energia que tem existido dentro de mim durante muito tempo e que estou agora a parar de participar nela através da respiração, do perdão-próprio e a corrigir-me em tempo real. 

Estou a tomar responsabilidade pelo que se passa em mim e a mudar a minha vida.
Sinto uma leveza dentro de mim desde que me permiti ver que não me tenho de zangar comigo, com nada nem com ninguém. Dá-me vontade de chorar por finalmente libertar este peso. É um peso carregado de moralidade, de ideias de como as coisas devem ser, do julgamento do certo e errado, do bom e do mau. É o peso de um Deus que eu criei dentro de mim própria e contra mim. É o peso de uma imagem de perfeição. É o peso de uma punição que imagino para mim própria quando não correspondo a estas ideias e que justifica os meus medos. É uma amarra à minha expressão e à minha honestidade própria.

Agora pergunto-me: quantos de nós tem vivido sob este estado de zanga iminente? Quantos de nós gritam nos sonhos, o único espaço em que as supressões vêm ao de cima? E quantos de nós se permite tirar o escudo de proteção chamado fúria, sem medo de sermos vulneráveis e gentis connosco mesmos, com os outros, e realizarmos que somos iguais?

Vejo então que a fúria é um mecanismo de defesa do ego. Nenhuma atitude com base na mente de superioridade e de controlo vai produzir resultados benéficos para mim ou para os outros à minha volta: vejo consequências nas minhas relações passadas e recentemente o meu corpo tem-me dado sinais de alerta. Estou grata por ter actualmente pessoas e ferramentas que me apoiam a olhar para dentro e a resolver este problema dentro de mim. Espero que este blog te ajude a lidar com este ponto caso também vejas a tendência para te zangares contigo e projectares essa raiva no mundo à tua volta.


Nos próximos blogues irei também publicar o perdão-próprio que tenho estado a viver em relação a coisas ou momentos que desencadeiam a energia da raiva, irritação, zanga.

Até lá, recomendo que oiças também estas entevistas (em Ingês):

Utiliza a secção de comentários caso tenhas perguntas em relação a este ponto (ou outro na tua vida!) ou sobre o processo de auto-investigação.



Dia: 259: O Peso Dos Julgamentos e da Imagem: Ser Em Vez de Parecer


Hoje depois do meu Periscope apercebi-me de uma limitação mental de julgamentos próprios com base na minha imagem: o aspeto do meu cabelo, a minha cara, os meus olhos, olheiras, os meus óculos e os meus dentes. Estes julgamentos-próprios aparentemente banais e comuns a muitas mulheres têm um impacto maior do que eu possa imaginar, porque ao prender-me a estas criticas que tenho de mim própria estou a petrificar a minha ação e a minha capacidade criativa. Se eu tivesse dado ouvidos à minha mente esta manhã eu não teria feito o Periscope e teria adiado uma vez mais a minha partilha incondicional com o Mundo.

Porque é que ainda permito que os julgamentos da mente controlem as minhas decisõe? E de onde é que vêm estas ideas de como eu devo ou não devo ser e agir?

O meu ponto de partida para fazer vlogs, videos no Periscope e até mesmo publicar fotos no Instagram é o de partilhar o meu processo de descoberta pessoal, de crescimento, e o de ajudar pessoas que passam por situações semellhantes e que também procuram mehorar as suas vidas. Ao ajudar-me a perceber as relações que eu criei comigo, com o meu corpo e com o mundo à minha volta estou a permitir-me mudar-me para desenvolver o meu potencial máximo enquanto ser humano.

Relativamente às imagens da mente, estou ciente que estas são influenciadas pelas imagens que vejo passar na TV, em filmes, séries, e também em fotos e vídeos de outros vloggers. Acabo por me limitar ao pensar que se eu for diferente dessas imagens então serei criticada e julgada pelas pessoas. Mas no entanto, eu vejo também que eu só penso nestes julgamentos porque eles existem primeiramente dentro de mim mesma! Se eu não julgásse o meu cabelo, então eu nem sequer projectaria este pensamento para a outras pessoas (aquilo que eu penso que outras pessoas pensam e dizem sobre mim). Se estes julgamentos existem dentro de mim mesma então não são os outros que me julgam porque sou eu que já estou a fazer isso em mim - e esta separação é inaceitável porque esta sou eu, este é o meu corpo, esta é a minha vida. Não tenho outra e não preciso de outra porque eu estou aqui agora e é nesta vida que eu crio o melhor de mim e o melhor para mim.

Por isso, tenho de primeiro perceber que estas ideias não vêm dos outros e que eu sou responsável por parar os julgamentos-próprios. No fim de contas, eu tenho o potencial de Ser (e não pareCer) a cada momento, cada expressão, cada estilo, e em cada palavra que eu expresso. Se houver outras palavras que eu quero viver para mim própria, por exemplo confiança, concentração, assertividade, então sou eu que tenho de me mudar e aplicar estas palavras naquilo que eu faço. Quando me distraio em pensamentos e julgamentos da mente é um indicador de uma ideia que ainda me defino e que me agarro para querer parecer algo ou alguém para ser aceite pelos outros - embora ao fazer isso estou a mentir-me a mim mesma (e aos outros)!

Em vez de me puxar para trás e evitar fazer vídeos ou fotografias, eu decido investigar o julgamento e re-estabelecer a relação que tenho comigo mesma e em vez de me rejeitar/julgar, eu abraço-me e eu perdoo-me.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido olhar para mim através da mente dos julgamentos próprios.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar o meu cabelo por estar diferente do cabelo de outras pessoas que eu vejo a fazer vlogs ou Periscopes.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido jugar-me como sendo menos interessante por estar com óculos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido projectar os meus julgamentos para os outros e pensar que outras pessoas estão a ter estes pensamentos sobre mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar e acreditar que os julgamentos próprios são reais.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar os meus dentes como não sendo direitos e brancos o suficiente com base na ideia do que é uma boca perfeita.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido evitar mostrar a minha cara com base na ideia de que eu não estou arranjada para a câmara, com maquilhagem e lentes de contacto.
Eu perdoo-me por me estar a permitir e aceitar criticar a minha imagem com base em imagens de outras pessoas que eu uso como referência de beleza e de aceitação. Eu apercebo-me que esta aceitação e julgamentos dos outros tem a ver com os julgamentos que eu ainda me permito ter de mim própria e que são inaceitáveis.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido disTRAIR-me com os julgamentos próprios e com isso separar-me do meu corpo e das palavras que eu estou a dizer.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar estável ao ver a minha cara no vídeo, em vez de criticar a minha imagem e pensar que estas ideias sobre aquilo que eu devia parecer são reais.

Vejo que esta ideia de corresponder a uma imagem é de facto uma forma de me esconder de mim própria e de suprimir ideias que eu ainda tenho contra mim em vez de me descobrir na minha totalidade e corrigir a relação que tenho comigo própria para que seja de apoio incondicional, de amor-próprio, de auto-ajuda e de realmente viver quem eu sou.

Eu apercebo-me que estas imagens são personalidades que eu não quero nem preciso para mim própria porque não são o melhor para mim.

Por isso, quando e assim que eu me vejo a querer vestir, arranjar, maquilhar ou agir para parecer alguém ou alguma personalidade, eu páro e respiro. Ao respirar e acalmar a mente eu vejo que esta pressão que eu coloco em cima de mim não é real e que quem eu sou no meu todo é quem eu quero ser com as outras pessoas - o verdadeiro Eu que me estou a recriar na minha honestidade própria.

Apercebo-me também que as personalidades são máscaras temporárias. Em vez disso, eu comprometo-me a viver as palavras da auto-confiança, estabilidade, independência, movimento e amor-próprio em cada coisa que eu faça, incluindo nos meus vídeos, fotos e blogues.

Quando e assim que eu me vejo a julgar como sendo inferior ou menos capaz quando estou com óculos, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que este julgamento não é real e que eu sou a mesma pessoa com óculos ou com lentes de contacto.

Quando e assim que eu me vejo a querer usar maquilhagem para querer ser respeitada ou vista como mais interessante, eu páro e respiro.

Em honestidade própria eu apercebo-me que este ponto de partida é uma forma de esconder-me de mim própria. Em vez disso, eu comprometo-me a parar de julgar as minhas olheiras, borbulhas ou a cor pálida sem bronze, e dedico-me a investigar a origem das olheiras e das borbulhas para mudar os meus hábitos que estejam a provocar esta reação na minha pele. Quanto ao bronze (ou à falta dele), eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que o bronze de verão é indicador de saúde e de vitalidade. Eu apercebo-me que a minha saúde e vitalidade não estão dependentes do sol e vejo também que o bronze tem a ver com a ideia de beleza e vitalidade que quero que outros tenham de mim.

Quando e assim que eu me vejo a participar na polaridade de querer ser vista como bonita/aceite pelos outros quando estou com maquilhagem e arranjada como uma modelo, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que ao participar na polaridade do positivo estou também a criar a polaridade do negativo quando não estou vestida, maquilhada ou arranjada de uma maneira que é promovida nas revistas e TV.

Vejo então que o que quer que eu decida fazer, ou como eu me decida arranjar, com óculos ou sem óculos, com maquilhagem ou sem maquilhagem, ou com uma determinada roupa tudo isto é uma decisão que eu tomo por mim e para mim, como uma expressão minha. Finalmente, eu comprometo-me a viver as palavras de auto-confiança, honestidade-própria, estabilidade, amor-próprio, autenticidade e auto-criação em tudo aquilo que eu faço e naquilo que eu digo, e é esta a imagem que eu projecto para o mundo como o meu exemplo para ajudar outros a fazerem o mesmo por si.


Eu comprometo-me a ser um e igual com o meu corpo, sem me julgar como superior ou inferior consoante o que eu visto, ou como tenho o cabelo, com ou sem maquilhagem, com ou sem óculos. Eu comprometo-me a ser um e igual com o meu corpo e por isso usar a relação com o meu corpo como uma referência da relação que tenho comigo própria. Ao estar ciente disto, eu comprometo-me então a parar a mente de ideias pre-feitas e a recriar a minha relação comigo própria tendo como ponto de partida o amor-próprio, o bem-estar físico e a minha estabilidade-própria.


DIA 258: A Nossa Gaiola Dourada... e a Culpa no Prazer

Sempre que estou em Portugal ou com familiares apercebo-me de maneiras de pensar e de agir que eu julgo como sendo limitadoras, normalmente baseadas naquilo que os outros pensam, e nunca pondo o seu bem-estar em primeiro lugar (nem em segundo, nem em terceiro). Mesmo quando há oportunidade para se sair da toca, descontrair e usufruir de algo gratificante, há uma força invisível de medo que o momento acabe ou que não se repita, ou que não se mereça o melhor, ou sentir-se culpado porque outras pessoas não estão a experienciar o mesmo. Uma amiga minha chamou a este fenómeno a "culpa no prazer".  

Recentemente vi estes padrões auto-destrutivos e de pouco amor-próprio no filme de Ruben Alves "La cage dorée" (A gaiola dourada) que retrata as peripécias de emigrantes Portugueses em Paris,  e questionei-me sobre a nossa aceitação (pessoal e nacional) de vivermos para os outros, sem controlo sobre as nossas vidas, e em modo de vitimização.

Tanto lá fora como cá dentro, há na nossa cultura uma constante angústia intervalada por breves momentos de descontração no café da esquina ou em frente ao ecrã da bola, para depois se voltar a falar dos problemas (normalmente dos outros) e mais uma vez esquecer-se de si próprio. Por muito honestos que sejamos, aquilo que faz da nossa vida uma prisão é a falta de honestidade própria sobre quem somos e quem queremos ser.

Dei por mim a sentir-me claustrofóbica, assustada e a julgar as personalidades que via passar no ecrã por perceber que estes padrões existem de facto e que afectam a vida das pessoas brutalmente - mas mais do que as peripécias que acontecem ao casal Ribeiro, esta foi uma oportunidade para investigar como eu também crio a minha própria gaiola, consciente ou inconscientemente. Sugiro que faças o mesmo por ti.

Algumas das minhas reações foram: apatia e medo em dar direção à minha vida; o medo de desapontar alguem com a minha decisao; a culpa por fazer algo benéfica para mim; o aparente conforto na vitimização e no desconforto; e a energia da fofoquice.

Nos próximos artigos irei desconstruir cada um destes padrões e ver como é que eu posso mudar a minha relação com estes hábitos e automatismos culturais. Por agora convido-vos também a ver o vlog sobre a minha experiência enquanto via o filme. E já agora subscreve o meu canal :)



DIA 253: Desconstruir a minha ideologia - a guerra fria que criei em mim




Todo o meu programa mental é baseado em ideias que eu criei sobre mim própria e esta é a ideologia que tem servido de guia na minha vida, manifestada nas minhas decisões e atitudes para com as coisas, quer sejam acontecimentos ou pessoas.

De acordo com o dicionário, uma ideologia é "um sistema de ideias, valores e princípios que definem uma determinada visão do mundo, fundamentando e orientando a forma de agir de uma pessoa ou de um grupo social (partido político, grupo religioso, etc.)"*.
Cada um de nós tem a sua própria ideologia que funciona como os nossos óculos (com filtros!) para vermos o mundo e, especialmente, para nos vermos a nós próprios. São exactamente estes filtros/ideias de mim própria e do mundo que eu me proponho desconstruir ao longo do meu processo de investigação, perdão-próprio e auto-correção. Para isso, a primeira decisão foi a de ver que esta ideologia não é necessariamente a minha verdade e que eu não tenho de impor estas ideias a mim própria nem de projectá-las no mundo. Porquê? Porque não tem sido o melhor para mim nem para os outros à minha volta, especialmente nos padrões que se manifestam na minha relação comigo própria, nas minhas relações com os outros e na minha relação com o mundo. Há pontos que eu me tenho tornado ciente e me tenho dedicado a corrigir  ao longo dos últimos anos - tal como uma cebola, à medida que retiro uma camada encontro uma nova ou o mesmo ponto surge para eu lidar novamente, de uma vez por todas.

Vou hoje começar com uma ideia que, embora pareça ser superficial, foi a partir desta que eu comecei a investigar a origem da minha ideologia e que decidi escrever este blog.
Até hoje, tenho-me definido com sendo friorenta e ainda não me tinha apercebido como esta ideia me tem limitado e criado desconforto na minha realidade. Por exemplo, a ideia de ter frio tem-me impedido de sair de casa à noite, de sair da cama de manhã ou até de andar descalça na tijoleira. Se a ideia do frio não existir, aquilo que eu vejo é que é uma questão de hábito e que o meu corpo adapta-se à temperatura rapidamente.
Ou seja, a ideia que eu tenho do choque de temperatura é tudo aquilo que me limita - é a imagem do frio que existe na minha mente que me limita a minha ação, seja ela qual for! Lembro-me de ter ido fazer snowboard e, mesmo dentro do autocarro, já estava a criar uma reação ao frio só de pensar no frio que eu iria sentir  lá fora. Na minha mente, eu crio o desconforto do frio mesmo antes de o sentir porque já tenho registada em mim a ideia do choque de temperatura. No entanto, se eu não reagir contra o frio, irei rapidamente ver/sentir que afinal não custa tanto e que o frio passa, ou que posso fazer com que o frio não se sinta (agasalhar-me melhor, por exemplo)

A importância de analisar a minha experiência do medo do frio reside em identificar um padrão de pensamento que, muito provavelmente, se aplica noutras situações e que pode evoluir para uma fobia. Tal como qualquer medo, este não precisa de existir. O mesmo padrão existe em relação às preocupações: ou seja, pre-ocupamo-nos com algo mesmo antes desse algo existir. Isso é inútil e não ajuda a lidar com a realidade.

Durante a minha infância eu lembro-me de ser chamada "friorenta" porque eu era mais sensível ao frio do que as minhas irmãs. A minha mãe dizia várias vezes que eu "era feita de lãzinha" porque não podia apanhar uma corrente de ar ou sentir um bocadinho de frio sem me queixar. Este tornou-se um automatismo até hoje.
Ao escrever sobre este padrão consigo identificar outros automatismos em mim que são baseados em ideias, ou seja, a minha ideologia passou a ditar as minhas ações. O facto de eu acreditar que sentir o frio do chão ou a brisa do vento é razão para eu reagir faz com que eu reaja. Porquê? Vejo agora que existe o medo de ficar constipada. Quem é que não ouviu dizer: "não apanhes frio ou ainda ficas constipada". Grande parte da educação infantil consiste em ameaças ou em ultimados de "ou fazes isto ou qualquer-coisa-de-mau acontece". Por isso, apanhar frio ou sentir frio passou a ter uma conotação negativa em mim. Quantos de nós temos esta relação de medo ou de preocupação com as coisas?

Este processo é revelador. Quanto da vida estamos a ignorar ou a escolher não ver porque aceitamos e permitir limitarmo-nos com as ideias que impomos a nós mesmos? Quanto de mim estou a limitar ao participar neste padrão de auto-limitação que, tal como um vírus, tem a capacidade de contagiar as minhas outras ações para justificar a "lealdade" à ideologia?

Apesar deste blog ser essencialmente para transmitir o padrão e perceber como é que a mente funciona, escusado será dizer que são exactamente estas ideias que criam separação para com a realidade e isto passa-se tanto nas nossas vidas pessoais como ao nível internacional - basta ver como a ideologia serve de rótulo que bloqueia a comunicação entre grupos definidos por ideologias diferentes.

Não será a Guerra Fria uma manifestação da nossa própria relação com as nossas ideologias e da maneira como nos sentimos ameaçados por ideologias diferentes que desafiam as nossas própria crenças?
Finalmente, não será a ideologia uma barreira invisível e mental que nos separa do mundo físico e da realidade?

Voltando ao exemplo do frio, o facto de eu evitar colocar o pé na tijoleira, estou a sabotar o meu equilíbrio corporal e posso eventualmente magoar-me "a sério" na tentativa de saltar de um tapete para o outro; ter resistência para sair de casa por causa da ideia do frio pode condicionar o meu dia e dificultar a minha comunicação com os outros por estar em modo reactivo;  preocupar-me com a ideia de ficar constipada por sentir frio é meio caminho andado para me permitir estar vulnerável e criar a minha própria doença na minha mente e depois no meu corpo.


Este processo de desconstruir a minha ideologia é o processo de tomar responsabilidade por cada pensamento, por cada ideia, por cada julgamento e por cada verdade ou mentira que eu criei em mim própria. Só tirando estes óculos foscos é que será possível ver o que a vida realmente é, expandir-me e vero o mundo em que andamos, com os pés bem assentes na Terra.


* Referência: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/ideologia;jsessionid=4dEnn8Aioc735WTIZ+kn7Q__

Ilustrações: Andrew Gable, Stop the Cycles of Collapse
                Word from the Well, Ground ourselves



DIA 252: Desejo de ajudar os outros e a resistência para me ajudar

Tenho-me apercebido deste fenómeno mental que é o de tentar resolver os problemas dos outros, ajudar os outros e eventualmente salvar os outros de um mal qualquer. Não deixa de ser interessante todo o processo mental de acreditar que o problema do outro é mais simples de resolver, ou até mesmo conseguir ver claramente o que é que o outro deve fazer para resolver o problema. Talvez seja com base neste vírus mental que a sociedade actual apresenta casos em que se espera ser salvo por alguém, ao mesmo tempo que nos sentimentos extremamente orgulhosos quando ajudamos alguém e somos tomados como "anjos".

Porque é que frequentemente somos capazes (de acordo com a nossa mente) resolver mais facilmente o problema que o outro apresente do que resolver os nossos próprios problemas? Será que acreditamos que conhecemos o outro melhor do que ele se conhece a si mesmo?

No meu caso, apercebi-me também que esta personalidade consegue tomar proporções extremas de me punir mentalmente quando não consigo ajudar o outro. Já não é tanto querer ajudar mas é o ego de ser reconhecido pelo outro, de cumprir uma missão, de fazer "o bem", de evitar a dissonância cognitiva entre aquilo que se acredita e o que se faz - no final de contas, trata-se de ter controlo sobre a vida da outra pessoa, o que é uma forma de poder ilusório. Seguramente, aquilo que se perde é o controlo da sua própria vida...

Pergunto-me: desde quando é que não ajudar o outro é um acto de egoísmo? Será que ajudar o outro sem se primeiro ajudar a si próprio não é um acto de desonestidade própria? Como é que se estabelece um equilíbrio de modo a não comprometer-se a própria vida quando se está sob o saviour syndrome?

Ultimamente tenho ponderado sobre estes pontos, especialmente quando se trata de ajudar os outros financeiramente. Convém antes de mais lembrar que, o dinheiro, ao contrário da cultura, não uma coisa que se dá sem se perder: quando se dá dinheiro a outra pessoa, fica-se sem ele. Seria interessante que o dinheiro tivesse a capacidade de se expandir e partilhar da mesma forma como a cultura e a educação passam de uns para os outros. Certamente que muitos problemas neste mundo deixariam de existir...

O outro fenómeno que se tem de ter em consideração é a noção do emprestadar, ou seja, a ilusão de que se vai reaver o dinheiro aparentemente emprestado. Uma ferramenta fundamental nestes casos é a comunicação para que ambas as partes estejam claras sobre o destino do dinheiro e da própria relação - as assumpções que um vai devolver o dinheiro pode não corresponder à vontade do outro e, por isso, se esta situação for planeada e discutida logo desde o princípio podem-se evitar surpresas desagradáveis.

O desejo de ajudar o outro tem uma polaridade: a negação de se ajudar a si próprio. Vejo que ajudar os outros pode facilmente tornar-se num hobbie ou mesmo numa distração para se evitar olhar para os próprios problemas dos quais cada um individuo é responsável.

Quanto à honestidade própria, será que emprestar-se dinheiro realmente ajuda o outro? Dar-se dinheiro a uma pessoa viciada no jogo irá provavelmente alimentar o vício. Dependendo da extensão do vício, negar-se essa ajuda pode ser realmente uma ajuda para a pessoa ver o ciclo que está a criar em si própria. Ao mesmo tempo, é óbvio que dar dinheiro num dia não vai resolver a origem do problema.
Aquando da minha estadia na Africa do Sul, deparei-me com um caso em que um mendigo me abordou de forma implacável e emocionalmente forte e, apesar de inicialmente eu acreditar que o podia ajudar, a situação acabou por envolver os seguranças do centro comercial e causou mais problemas para o mendigo e insegurança em mim. Com isto quero dizer que cada um de nós irá ter de inevitavelmente perceber que nenhuma destas atitudes serve para si próprio: nem a manipulação sentimental dos outros, nem o desejo de ajudar baseado na culpa de se ter mais do que o outro.

No que respeita ao sistema económico, para-se resolver um problema gigante será necessária uma solução em grande, que realmente garanta que cada ser humano tenha acesso aos recursos  necessários para uma vida digna (ver por exemplo Rendimento Básico Incondicional e o Rendimento de Vida).

Ao vermos que aju-dar nem sempre é o melhor remédio, podemo-nos questionar sobre o que é que é realmente honesto na relação com a outra pessoa?  Em vez de dizer o que o outro deve fazer ou ser, porque não sê-lo também e tornar-se num exemplo da eficácia de tal aplicação?

Cada um tem de se responsabilizar pelo que se passa dentro de si mesmo- o seu Processo de Vida.
Outra realização fundamental é a de perceber que nada na realidade individual de cada um vai mudar se a própria pessoa não mudar - e no que toca à mudança (de pensar, de ver as coisas), cada um só pode fazê-lo por si.

A relação que se tem para com o dinheiro e para com os outros reflecte a relação que se tem consigo próprio, e este é um novo ponto a investigar em mim.


Salvar os outros pode ser então um espelho da ideia que tenho de mim própria: a ideia de que preciso de ser salva de algo ou de alguém, a ideia que não sou capaz de resolver os meus problemas e que preciso que alguém os resolva por mim. Por isso, apesar de saber aquilo que tenho de resolver em mim, é aparentemente mais fácil olhar para o problema do outro, talvez porque não conheço a altura do abismo do outro tão bem como conheço o meu. Em honestidade própria eu sei por onde começar.

Ilustração by Andrew Gable.


DIA 251: Problema-Solução: Não permitas que o medo se torne na tua profissão



Há uma resistência em mim para estar estável e parar de criar problemas na minha mente. Escrevi o texto que se segue no avião quando voava para Portugal. Apercebi-me que, apesar das dezenas de viagens que eu já fiz, sempre que ando de avião tenho um backchat associado ao medo da morte.

Os pensamentos sobre a minha morte surgem automaticamente porque eu tenho permitido que o medo tome conta de mim, em vez de eu me dar direção e manter-me estável como Vida - o que prova que eu ainda não Sou Vida em cada momento, palavra, acção.

O medo da minha decisão de comprar o bilhete de avião mostra-me que tenho resistência para confiar nas minhas decisōes, apesar de que tudo que faça seja sempre uma decisão minha (quer seja viajar em lazer, viajar em trabalho ou em ficar em casa). Percebo então a frase "A estabilidade própria é incondicional", porque eu, enquanto Vida/quem eu Sou em mim, não estou dependente do local nem daquilo que eu faço. Se eu aplicar a minha estabilidade própria a cada respiração, consigo dar direção aos meus pensamentos e corrigir aquilo que é desonesto comigo própria. O estado de instabilidade não é a norma, é a excepção.

No filme que estava a ver durante o voo, a personagem dizia: "Não permitas que o medo se torne na tua profissão." Vejo que ao ocupar-me dos medos estou a prender-me e a limitar a minha aplicação, porque o medo é como uma cegueira. Realizo também que o medo da morte é o medo de me perder e que o medo de me perder é uma forma de evitar encontrar-me.

Quanto ao ponto de ultrapassar os meus medos apercebo-me que vou enfrentar a minha mente até criar a minha estabilidade por mim. Eu tenho de me relembrar  /aplicar o meu Processo a cada momento porque este não é um sistema automático - é um Processo de auto-criação a cada momento e não é automático porque isso seria ainda a mente do "conhecido" e porque requer prática para mudar os hábitos da mente. No meu processo de mudança, é em mim que eu confio porque é esta a minha responsabilidade - confiar na minha decisão de andar este processo, perceber os problemss, testar a minha mudança e tornar-me na solução em tudo o que sou e faço.

Em alturas de turbulência apercebo-me da tendência de querer fugir do avião e ir para terra, onde eu penso estar estável. No entanto, mesmo em terra, os mesmos medos (padrōes) continuam a surgir, embora manifestados de outra maneira. Concluo então que eu não me posso permitir desistir de mim própria nem abandonar-me. Sou eu que movo cada célula do meu corpo a cada passo - eu sou cada célula e cada partícula da minha/desta existência, em unidade e igualdade. Desistir de mim é desistir desta existência, de tudo e de todos. Desistir de me tornar na solução é aceitar e permitir ser o problema. Por isso, tenho cada momento para me estabilizar, respirar, ver o problema e focar-me na solução. Cada pensamento que surge em mim é uma oportunidade para me dedicar a parar/direcionar o medo, o padrão, a emoção que eu criei em mim e me defini como tal. Finalmente, realizo que o padrão do medo é um círculo fechado que eu criei e que quanto mais eu me dedico a conhecer quem eu tenho existido até então (como mente/medo/energia/problema), mais eficaz sou no meu Processo de me recriar como Vida (estabilidade/senso comum/honestidade própria/solução).

DIA 246: Recomeço... Quem era o Bernard Poolman



Muita coisa aconteceu desde a última vez que publiquei um artigo no meu blog em Português e quero primeiramente pedir desculpa pela falta de informação da minha parte sobre a razão pela qual desde o dia 5 de Agosto não têm havido novas publicações. Deixei de escrever? Não. Parei o Processo? Nem pensar. Continuo a escrever o mais regularmente possível no meu caderninho. Tópicos para artigos novos surgem constantemente mas por três razões não consegui manter a minha consistência:

Primeiro: desde o princípio de Agosto que estou a passar pela fase mais atarefada do meu emprego que tem envolvido viagens, longas noites de trabalho e começos pela madrugada. Apesar de ter tentado preparar esta época o mais possível, têm havido mudanças de última hora, novos desafios, novos clientes e, consequentemente, menos tempo para me dedicar à escrita;

Segundo: Apesar dos meus 246 dias de Processo, apercebo-me que ainda me permito participar nos altos e baixos da mente (que é energia) e isso reflecte-se na minha falta de disciplina diária em manter-me a par do que se passa dentro de mim, no meu corpo e na minha mente. Sinto neste momento uma terrível sensação de estar a "passar-me ao lado" e que não consigo identificar todos os padrões que eu visito durante o dia e assim perco uma oportunidade de lidar com esse padrão de uma vez por todas. A consequência é que o meu Processo se prolonga, a mente ganha território e transporto comigo este peso de padrões não resolvidos e corrigidos em mim - sem dúvida este é um padrão a trabalhar em mim, com perdão-próprio, honestidade-própria e correção;

Terceiro: finalmente recomecei a escrever o meu blog em inglês http://joanaslifeprocess.blogspot.com/ algo que já estava para fazer há bastante tempo e pelos vistos foi preciso uma motivação fora de mim para me alinhar com a minha decisão. Esta "motivação" funcionou como um chuto no meu rabo para me mexer e parar de procrastinar as minhas decisões que eu sei serem o melhor para todos. De facto, escrever um blog em inglês permite que o meu processo seja acompanhado por muito mais pessoas e posso igualmente apoiar mais pessoas que estejam a passar por pontos semelhantes. Ao mesmo tempo, quis que a minha mensagem chegásse a mais pessoas e infelizmente o público Português ainda não acompanha esta caminhada activamente. Provavelmente são poucos os Portugueses que conheciam o Bernard Poolman mas foi precisamente a sua morte, no dia 11 de Agosto, que me deu este chuto e me
"acordou" para a Vida. O Bernard não precisa de definições nem apresentações: ele está presente em cada palavra que eu escrevo, em cada passo do meu processo, em cada realização e em cada correção. No espaço de cinco anos, desde que eu comecei a interagir no Desteni Forum, a presença do Bernard através dos seus blogs, livros e vídeos, passou a fazer parte da minha vida e em 2012 tive a oportunidade de o conhecer aquando da minha visita à quinta do Desteni na África do Sul. Também é graças ao Bernard que eu e o João ponderámos seriamente a decisão de nos casarmos porque o Bernard era assim: sem hesitações, sem merdas, sem agenda e, em tal liberdade, era capaz de ver o óbvio que poucos conseguem ver. No Forum ele tinha o nickname de CommonSense e era exactamente isso que ele transmitia: uma carga de senso comum que nunca havia sido partilhada comigo por ninguém da minha família, grupo de amigos ou namorados. O Bernard foi e é um exemplo de Vida para mim e para muitos outros que se aperceberam da sorte de o ouvir, de o conhecer, de ler os seus blogs, de participar nos chats, de ter conversas com ele e de andar este Processo de escrita, perdão-próprio e de auto-correção. 

Claro que não era sorte: nós só fomos capazes de ver a "sorte" de conhecermos o Bernard porque aplicámos as suas palavras no nosso dia-a-dia e reparámos que os Princípios que o Bernard vivia eram também o melhor para nós: Igualdade, Unidade, Compaixão, Dar aos outros aquilo que queremos que nos seja dado, Honestidade-Própria, Integridade, Perdão-Próprio, Mudança, Estabilidade, Igualdade Monetária, Auto-Responsabilidade.

Ele era tudo menos preguiçoso porque o Bernard superou a mente e não andava distraído em pensamentos nem medos: ele vivia como Vida, presente, simples-mente ciente do físico, um e igual como toda a existência física universal, prático e incessante no seu apoio àqueles que andavam o Processo. A expressão dele era directa e desafiante, como se olhasse para dentro de mim e visse os meus medos, os meus problemas, as minhas preocupações, as minhas memórias, os meus julgamentos. Por isso, quando ouvi a notícia da sua morte, fiquei em choque e não queria acreditar, mas rapidamente aceitei esta nova fase do meu processo. Apercebo-me que grande parte da resistência em aceitar a sua morte era baseada em interesse-próprio e no medo de não voltar a ter esta pedra basilar ao longo do meu Processo de Vida. A estabilidade que o Bernard me transmitia tenho de ser eu a criá-la em mim; o senso comum que o Bernard manifestava terá de ser vivido em mim para ser real; a confiança que o Bernard me dava quando conversávamos sobre as minhas decisões tem de ser estabelecida por mim e em mim para que eu seja capaz de viver as minhas próprias decisões em plena confiança e auto-motivação. Ou seja, a morte do Bernard representa um recomeço em mim, naquilo que eu me permito e aceito ser no meu processo de me recriar como Vida.


Há novos pontos em mim que eu tenho estado a lidar e que vou partilhar neste blog passo a passo. Por agora, convido-vos a visitarem e a estarem também atentos aos artigos em Inglês que são um complemento aos meus artigos em Português.


Se quiserem saber mais sobre quem era o Bernard Poolman sugiro este site com muitos artigos escritos por pessoas de todo o mundo: http://forum.desteni.org/viewtopic.php?f=29&t=5694



DIA 243: Não há desculpas!




Estou ciente que tenho a oportunidade de me conhecer em plena claridade e entendimento. Nunca antes, ao longo dos meus 26 anos de existência, tive tanto material de livros, artigos, entrevistas, chats e cursos através dos quais eu me ajudo a auto-conhecer-me e a abrir-me para mim própria. É cada vez mais óbvio perceber quando estou a evitar escrever sobre um tópico, evitar olhar para determinada memória ou evitar viver a decisão de ser assertiva na minha disciplina no meu processo de escrita diária.
Curiosamente, parece que das coisas mais fáceis nesta vida é decepcionarmo-nos a nós próprios, ignorar os nossos próprios princípios, mentirmos a nós mesmos e fazermos o oposto daquilo que é o melhor para nós. Qual é a desculpa para eu ser desonesta comigo própria? Qual é a desculpa para eu querer manter as minhas personalidades activas? Qual é a desculpa para fugir da minha mudança, fugir das minhas decisões, fugir da minha responsabilidade de clarificar a minha mente?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido estar a escrever separada de mim própria ao pensar no julgamento de quem lê o que eu escrevo.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que o julgamentos que eu projecto nos outros é de facto uma ajuda da minha mente a mostrar-me os auto-julgamentos que não estão resolvidos em mim.
[é fascinante que a palavra auto refere-se a um automatismo e, igualMENTE, refere-se ao eu-próprio]

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido querer ignorar a minha própria decisão de corrigir as desonestidades próprias e a decisão de andar este processo em honestidade própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido procurar "desculpas" e justificações para tudo aquilo que eu faço ou não faço, em vez de realmente investigar de onde é que as decisões vêm e quais são as consequências que eu crio para mim própria com base nessas decisões.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido fugir da minha posição de realmente aplicar-me no meu processo e de mudar a minha atitude comigo própria, auto-definições e auto-julgamentos, ao perceber de onde é que estes padrões vêm e me ajudar a resolvê-los através da minha escrita e entendimento. 

Quando e assim que eu me vejo a procurar justificações e desculpas para aquilo que eu faço e para aquilo que eu não faço, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que tenho as ferramentas necessárias para lidar com as resistências e ultrapassá-las por mim por mim e comigo própria, por isso qualquer desculpa não é real. Dou portanto tempo a mim própria para andar estes pontos em mim.

Quando e assim que eu me vejo separada de mim própria e dos outros, ao seguir aquilo que a minha mente me mostra em vez de ver e ouvir aquilo que eu vejo e oiço, eu páro e respiro. Ao estar na mente eu estou separada desta realidade física e isso traz consequências. Por isso, eu dedico-me a ser irresponsável a lidar com a minha mente, a compreender a minha mente, a perceber como é que eu funciono com os outros.

Quando e assim que eu vejo a minha mente a ir em modo "automático" de correria e ideias, eu páro e respiro. Com a respiração, eu dou-me a possibilidade de ver esse pensamento e padrão que existe em mim de me distrair daquilo que é fundamental para mim, e ajudo-me através da escrita a abrir esse ponto em mim própria, sem desculpas da "falta de tempo" ou de outra justificação da mente. Eu comprometo-me a expandir o meu vocabulário, a re-educar-me sobre as palavras, a comunicar em senso comum e me mantenha honesta para com aquilo que é o melhor para todos. 

Eu apercebo-me que tenho esta vida para dar e ser o meu melhor e é neste Processo que eu me foco, logo, sou responsável por cada pensamento que ocorre na minha mente e que potencialmente requer uma mudança para que eu evolua para ser honesta comigo própria. Eu apercebo-me que ao evitar ver os meus próprios padrões e ver os meus pensamentos é ser deliberadamente irresponsável para comigo própria e para com a Vida em mim pois implica que não estou disposta a corrigir-me, quando na realidade este mundo e os seres humanos só têm uma solução: mudarmos para o melhor de quem somos e para o melhor de todos.


Apercebo-me que escrever sobre este ponto me ajudou a abrir novos pontos em mim de auto-motivação para mudar determinadas atitudes e dar-me direção em algumas das minhas decisões que até agora eu havia mantido em stand-bye por não saber como lidar com elas. Não há desculpas para ficar calada dentro de mim. Não há desculpas para eu reagir dentro de mim. Não há desculpas para eu não mudar.


Recomendo:


Living Words - Part 2: Clarity
How do you live the word “clarity”?
What is clarity?
What does it mean to live the word “clarity”?
How can clarity support you in your process of self honesty?



DIA 242: Disciplina para Mudar PRECISA-SE




Neste meu Processo apercebo-me da tendência de pensar que "voltei à estaca zero", ou  "estou a andar para trás" quando me sinto extremamente cansada fisicamente e apercebo-me que abusei do meu corpo com a aceleração da mente. Curiosamente, nestes momentos tenho tido também o hábito de culpar a minha actividade profissional como sendo demasiado stressante e exigente, mas hoje finalmente realizei que aquilo que eu faço é um reflexo daquilo que eu permito em mim: pensamentos, palavras e ações. Ou seja, independentemente da actividade profissional, sou sempre eu e quem eu sou irá influenciar aquilo que eu faço e como eu faço. O padrão de abuso-próprio por desgaste físico de trabalhar muitas horas seguidas é algo que eu tenho andado a permitir em mim e que está no meu "programa". Vendo bem, cresci a ver o meu pai a trabalhar mais horas do que o normal, a dedicar a sua vida ao trabalho e a fazer mais do que era exigido, e isto para mim ficou registado como sinónimo de sucesso.

Está nas minhas "mãos" mudar este programa que não me é benéfico, de altos e baixos - é de facto uma pressão ridícula que eu coloco em mim própria para exceder na avaliação na empresa embora até lá esteja a comprometer o meu corpo, o meu processo de escrita, a minha aplicação em honestidade-própria e mudança. Para isto, é necessário disciplina para mudar e para que a mudança passe a ser eu e que a minha mudança de atitude para comigo própria integre tudo aquilo que eu faço. Neste caso, é a minha aplicação na mudança do meu programa mental que vai permitir o meu sucesso naquilo que eu faço. É fascinante ver que eu tenho aplicado esta disciplina a seguir o meu programa, sem nunca considerar ser disciplinada em mudar a minha relação comigo própria, a não permitir "pôr mais areia" do que aquela que as minhas mãos conseguem segurar, e em ser constante nesta minha decisão. Ao mesmo tempo, vejo que o processo de acumulação pode ser adaptado para a acumulação de soluções, ao vivê-las em mim e ao mantê-las, caso me sejam benéficas.


Ou seja, eu vejo que tenho as ferramentas todas para lidar com a minha mente, desde que eu me dê direção para realmente mudar dentro de mim, naquilo que eu permito e aceito em mim: se eu aceitar a ideia de sacrificada, o mais provável é criar uma situação em que eu aceite ser vítima do sistema de trabalho, em vez de procurar saber como é que tal sistema me pode ajudar a criar a minha estabilidade. Em vez de ser vítima, eu ajudo-me a ser Vida.

Agora vou-me deitar para viver o meu compromisso de mudar o meu hábito de sono: vou testar deitar-me cedo e acordar com o nascer do dia.



DIA 226: Tempo para lidar comigo - o regresso à faculdade

Hoje apercebi-me do ponto da exaustão da pior maneira. Nestas últimas semanas tenho participado numa enorme resistência em avançar com um trabalho da faculdade e hoje foi a data limite para o entregar. Apesar de ter conseguido enviá-lo a tempo, apercebi-me do stress desnecessário que eu criei para mim própria, como se fosse preciso estar sob pressão para avançar. A instabilidade mental contagiou o físico e o meu coração estava a bater super rápido nos momentos antes da entrega do trabalho.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a motivação de estar sob pressão é real, quando afinal esta motivação não passa de uma energia auto-destrutiva que eu própria me permito participar nela.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido viver o compromisso prático de parar a resistência de escrever o meu trabalho da faculdade, escrever o meu blog, avançar no meu processo, mudar a minha relação comigo própria e mudar a minha relação com o mundo à minha volta.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar stress na minha realidade ao permitir acumular tarefas sem pôr a minha estabilidade física em primeiro lugar e abrandar a mente. Eu apercebo-me que não me estou a dar tempo suficiente para aquilo que é essencial para a minha estabilidade, tal como o tempo para estudar, o tempo para escrever, o tempo parar PARAR e RESPIRAR e o tempo para aplicar soluções práticas para mim própria.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ter paciência comigo própria no meu processo de voltar à faculdade, de ter paciência com a minha mudança de ritmo e de mudar o meu dia-a-dia para viver o compromisso de estudar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me com as flutuações de energia em vez de me dedicar a viver o compromisso/decisão de fazer o meu trabalho, de me aperfeiçoar no meu processo de Vida, de me dar direção a cada respiração, sem hesitar a minha decisão de estar aqui e de expandir quem eu sou.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser e fazer aquilo que é o contrário daquilo que realmente quero fazer (eu apercebo-me que este diálogo interno é um reflexo da hesitação e desconfiança  que eu ainda permito ter em mim e que eu sou responsável por lidar/parar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido procurar entretenimento para "compensar" o stress que eu sinto quando estou a estudar, em vez de viver a decisão de estar estável em tudo aquilo que eu faça, sem emoções de medo ou desejo.


Quando e assim que eu me vejo a hesitar a minha decisão de estudar por mim e para mim (e para os outros, visto que quem eu sou se vai reflectir na minha relação com o mundo), eu páro e respiro. Eu dedico-me a puxar por mim de cada vez que eu vejo a resistência para estudar, para mudar o meu horário e incluir o estudo e para começar a estudar gradualmente sem estar com o count-down da evaluação.
Quando e assim que eu me vejo a imaginar na minha mente o stress de deixar as coisas para o último minuto, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que não preciso de ter este tipo de aventuras emocionais para valorizar aquilo que eu faço - aliás, eu apercebo-me que o meu trabalho será o reflexo de quem eu sou ao longo do processo de estudo e, por isso, a estabilidade do meu dia-a-dia irá proporcionar-me mais concentração e menos distrações.
Quando e assim que eu me vejo a ter um diálogo dentro de mim sobre aquilo que eu devia ou não devia estar a fazer, eu páro e respiro. Eu dou-me tempo para analisar os pensamentos, dou-me tempo para escrever e perceber o padrão que se manifesta para eu avançar no meu processo de me auto-corrigir.
Quando e assim que eu me vejo a distrair-me da minha decisão de estudar e assim participar na resistência de "seguir em frente", eu páro e respiro. Eu apercebo-me que tenho a cada respiração uma oportunidade de me aperfeiçoar e de aplicar o meu conhecimento em coisas práticas que sejam aplicadas no nosso mundo.
Eu apercebo-me que a tensão, o stress e a exaustão são formas de abuso próprio/físico que me limita, porque fico invadida pela experiência emocional. Quando e assim que eu me vejo a começar a participar no stress ou tensão, eu páro e respiro. Eu tomo direção e a responsabilidade sobre aquilo que eu permito e aceito fazer/ser neste mundo e por isso, ajudo-me a encontrar a origem do stress e da tensão em mim e ajudo-me a recriar a minha estabilidade a cada momento ao aplicar a solução da respiração, de abrandar a velocidade da minha mente e me permitir ver a situação em  senso comum (e agir com vista a uma correção duradoura e consistente).
Eu apercebo-me que uma das maiores distrações são as preocupações que eu crio com base no medo de falhar. Por isso, eu comprometo-me a confiar em mim e a viver esta confiança de aplicar soluções para mim própria, de escrever para mim própria, de me ajudar a lidar com a minha própria mente, de me apoiar a enfrentar os medos que existem na minha mente e de começar a fazer aquilo que eu tenho resistência.

Eu comprometo-me a ser assertiva com os meus trabalhos e a apoiar-me fisicamente para eu criar as condições para eu ter tempo para estudar, para começar o trabalho sem haver a desculpa de ter pouco tempo - Eu comprometo-me a aplicar esta organização pessoal em todas as minhas actividades no meu dia-a-dia. Eu apercebo-me que ao ser responsável por mim própria em honestidade própria e assertividade, eu estou a ser responsável por aquilo que eu faço e estou a ter consideração/respeito por mim naquilo que eu faço.

Ilustração: Andrew Gable "It's time to stop carying the past, investigate self with Desteni I Process


DIA 225: Compromisso VS Medo de Falhar


Sugiro que se leia o meu blog anterior, onde eu descrevo várias realizações pessoais sobre o padrão da procrastinação que se manifesta quando eu estou perante o medo de falhar. Ultimamente tenho-me apercebido que o medo de falhar funciona como uma energia motivadora, com efeito de auto-controle. Ou seja, ao participar no medo de falhar, eu tenho andado a suprimir a minha expressão e a excluir soluções criativas para que eu consiga resolver os meus padrões na minha mente. Em vez disso, tenho ficado entretida com a ideia de como as coisas deviam ser sem realmente mudar a maneira como eu penso e faço as coisas -  isto chamo o Processo de Aperfeiçoamento e é este o meu compromisso de vida.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido usar o pensamento/ideia/medo de falhar sobre aquilo que eu estou actualmente empenhada em fazer, sem me aperceber que eu estou deliberadamente a comprometer o meu compromisso inicial e a sabotar a minha própria ação, visto que ainda permito que a minha mente de medo me dê direção.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar o meu próprio cenário de falhar na vida  e por isso, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido tomar a decisão de falhar em mim e assim ignorar/desprezar qualquer potencial de Vida em mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar no pensamento de falhar como sendo real. Eu apercebo-me que este pensamento é alimentado pela imagem na minha mente de alguém insatisfeito com aquilo que eu fiz no meu trabalho. Apercebo-me que esta projeção no outro é um indicador do meu mecanismo de auto-avaliação punidor através do qual eu própria me suprimo e me limito.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na mente com total submissão e criando possibilidades das "coisas que podem falhar" e, perante esta medonha experiência de potencial vergonha e medo, eu perdoo-me por me permitir e aceitar participar na petrificação física de "não saber o que fazer".

Quando e assim que eu me vejo a entrar na paranoia da mente do medo de falhar, do medo de ser avaliada negativamente ou de me sentir envergonhada por falhar, eu páro e respiro. Eu determino-me a escrever sobre os medos que estão a minar e a influenciar a minha ação física e escrevo também sobre o meu objectivo e direção naquele projecto/trabalho específico.
Quando e assim que eu me vejo a usar memórias em que por ventura falhei um objectivo específico, eu páro e respiro. Ajudo-me a perceber o padrão por trás dessa memória em vez de levar a memória a peito, e eu comprometo-me a não usar experiências do passado para justificar os medos manifestados no presente. Em vez disso, eu tomo esta oportunidade para resolver esse medo específico, através da escrita, do perdão próprio, da minha self-awareness e da minha correção em tempo real.
Eu comprometo-me a alinhar a minha ação com os objectivo e com a minha decisão inicial de realizar o trabalho e comprometo-me garantir que não uso desculpas como um mecanismo de defesa e de proteção da mente. Eu apercebo-me que não sou esta mente de ideias sobre mim própria: estas ideias foram criadas ao longo dos anos com base em experiências que foram transformadas em memórias e manipuladas segundo o meu programa mental de auto-julgamento, auto-destruição e de auto-desistência. Em vez de "lutar" com estas imagens da mente e fazer o oposto daquilo que a mente me mostra (apercebo-me que seria ainda sob o efeito da "crença na mente"), eu páro e respiro.

Eu tomo a decisão que as minhas ações são baseadas naquilo que é o melhor para mim no momento específico em que eu me encontro e naquilo que é melhor para mim para a minha estabilidade física. Por isso, em vez de participar imediatamente na mente, eu dou-me tempo físico para realizar quais são os padrões mentais a "assaltarem" a minha vida, para me ajudar a parar a influência do meu programa mental e, assim, passo a passo recrio a minha mente, desta vez em plena responsabilidade e sob os princípios e auto-respeito e de desenvolver-me nos princípios da Vida em unidade e igualdade neste mundo físico.



DIA 224: Bloqueio para Estudar ou Trabalhar? Aprende a identificar os teus medos

Se é por mim que eu ando este processo, também é por mim que eu me desleixo no meu processo. Ou seja, de cada vez que eu me desrespeito em pensamentos, palavras ou ações, é a mim que eu me estou a prejudicar e que estou a atrasar/adiar a minha Vida.
Nestes últimos dias tornei-me ciente de um ponto enraizado em mim há demasiado tempo e, por nunca me ter decido parar o padrão, acabo por participar nele automaticamente - refiro-me à procrastinação baseada no medo de falhar/ego/ideia que eu quero passar aos outros/desejo de ser perfeita sem realmente FAZER por isso na prática.
Reparo então que ultimamente tenho tido como ponto de partida o medo de não conseguir acabar um trabalho - mas em vez de enfrentar o medo e pará-lo, acabei por vivê-lo. Como? Ao adiar o momento em que começo o trabalho, ao imaginar o momento em que finalizo o trabalho e supostamente "está tudo bem".
A minha pergunta de hoje é: Porque é que eu participo nesta preocupação e crio este papão na minha mente?  Quanto mais resisto fazer este trabalho, maior me parece, porque existem camadas de medo, camadas de expectativas, camadas de ideias, camadas de comparações - tudo isto são camadas de energia mental que me prende na realidade. Por isso há também uma petrificação física em que me "sinto" bloqueada e não consigo fazer mais nada do que pensar no trabalho.
Curiosamente, quando me dedico de facto a ler e a escrever para o trabalho, dou por mim a pensar "Afinal não é assim tão difícil". No entanto, aquilo que eu também não estava a ver é que esta é também uma ideia, desta vez baseada na outra polaridade --- positiva. Ou seja, ao pensar que "afinal aquilo que eu criei como um papão não é assim tão grande" estou a fazê-lo sem qualquer indicação real porque o trabalho ainda não está feito. Apercebo-me que era um a ideia mental e que é importante estar ciente do exagero mental, no entanto, qualquer emoção positiva ou até mesmo motivação que possa surgir (como por exemplo imaginar o momento em que acabei o trabalho e há satisfação e alívio) também não é real. Pode depois haver tendência para criar desapontamento pessoal quando a imagem de facilitismo na mente não acontece, porque afinal a imagem de fast-success também não é real!
 A sensação de não ser "tão difícil" é somente baseada na realização que os meus pensamentos de derrota inicias eram escusados, mas não implica que esteja a haver uma mudança prática.  A mudança prática ocorre quando eu realizo que nem os pensamentos negativos nem os positivos são reais, e ponho em prática a realização que o trabalho é feito e escrito aqui, não na mente.  Da mesma maneira que temer um certo evento (por exemplo um exame da faculdade ou uma reunião no emprego) não faz sentido porque a única coisa que tememos é o cenário que criámos na nossa própria mente e que acreditamos que é isso que vai acontecer.
E por isso a única solução é criar o meu trabalho aqui e agora, fazer o melhor de mim e estar disposta e aberta a aperfeiçoar-me.

Para sumarizar, os pontos que eu realizei nesta altura da minha vida são:


  • A resistência que eu tenho para fazer alguma coisa baseia-se no medo de falhar
  • Na minha mente eu facilmente salto da ideia inicial para a imagem do resultado final, sem ver que estou a desprezar por completo o empenho físico real e o tempo real que irá levar a completar a minha ação
  • A imagem do trabalho completo não é real e é um desgaste mental estar a tentar corresponder à imagem da mente
  • A preocupação inicial de não conseguir acabar o trabalho é uma distração e uma crença, porque na realidade ainda nem sequer comecei
  • Quando eu começo e dou por mim a pensar que afinal não é assim tão fácil, eu estou a criar a outra polaridade na minha mente com base na esperança de conseguir terminar o trabalho, e portanto esta motivação também não real
  • Quando estou a fazer o trabalho, não é necessário fazer "cross referencing" com a mente: basta confiar naquilo que está feito aqui no físico e continuar a progredir e a auto-aperfeiçoar aquilo que estou a fazer
  • A ideia que eu criei de mim própria é baseada em falta de confiança-própria e é uma espécie de suicídio mental, porque tenho tendência para desistir de mim e portanto resistir ao processo de mudar quem eu sou e como eu ajo comigo própria
  • Apercebo-me que a única maneira de ultrapassar a resistência é ao não participar na resistência na prática e a começar a fazer o trabalho na prática, passo a passo, em auto-criatividade, auto-descobrimento e expansão pessoal.

Na ilustração, eu vejo também uma pessoa cuja mente está aparentemente iluminada de ideias, mas parada, em modo de observação e a ver a vida a passar ao lado...