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DIA 249: Se eu soubesse aquilo que eu sei hoje...

Apercebi-me desta lenga-lenga na minha mente enquanto eu falava com uma amiga sobre o meu processo e em como eu me permito ainda sentir frustrada quando descubro um ponto em mim que eu desejaria saber mais cedo, com base na ideia de que as coisas poderiam ter sido diferentes/melhores  caso eu estivesse ciente desse ponto em mim. Ao dizer isto, reparei também como isto não passa de uma ideia e, em honestidade-própria, é uma justificação para me manter exactamente no mesmo ponto de auto-vitimização, arrependimento e esperança. Esta é a minha mente e estou a abrir-me para mim, a cada dia, a cada respiração, a cada momento que eu decido viver este processo em plena dedicação própria e aplicação.

Se eu soubesse aquilo que eu sei hoje... o que é que seria realmente diferente? Vendo bem, tenho vários exemplos na minha actual dia-a-dia nos quais eu não aplico aquilo que eu sei: apesar de saber e ter provas em mim de que escrever para mim própria e escrever o perdão próprio sobre os pensamentos e emoções é de facto o melhor para mim, não o tenho feito todos os dias; apesar de saber que é saudável fazer desporto regularmente nem sempre planeio a minha semana de modo a dedicar tempo a essa prática; apesar de saber que avanço no meu processo a fazer os cursos do Desteni tenho tido enorme resistência em fazê-los; apesar de saber que eu estou ciente de mim a cada respiração ainda há grande parte do meu tempo a ser "vivida" em piloto automático... Ou seja, esta sabedoria é irrelevante se não for aplicada. Por isso, é inútil eu sabotar-me a dar azo a esta conversa da mente de "se eu soubesse antes"... Em vez disso, quando eu vejo um ponto novo em mim, posso agradecer-me por ter chegado a este ponto e dar-me esta oportunidade para mudar daqui para a frente com base nessa realização.

Outra coisa que vejo é o valor que dou à sabedoria da mente quando, na realidade, esta não é aplicada e acaba por se transformar em culpa por estar ciente da minha própria desonestidade! Para que é que eu preciso de me agarrar a esta ideia de saber qualquer coisa se isso não for transformado em mudança de hábitos por exemplo? Se eu sei que escrever é-me benéfico para acalmar a mente e dar-me espaço/tempo para ver as coisas por mim própria, porque é que eu pura e simplesmente não começo a escrever!
Penso bastantes vezes que, se tivesse sabido das coisas do Desteni antes da faculdade, teria utilizado o meu tempo livre de forma diferente e começado a lidar com a minha mente em momentos de desespero, solidão, incerteza e medo, típicos da fase da adolescência. Aquilo que eu vejo é que essa fase não tem necessariamente de ser complicada, mas pouco se partilha, pouco se fala, pouco se conhece sobre a mente e sobre as maneiras de nós nos conhecermos e ajudarmo-nos a nós próprios.

Por isso:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar e participar na conversa da mente sobre desejar saber algo há mais tempo com base na esperança e ideia de que isso teria mudado alguma coisa.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que é irrelevante imaginar como é que eu teria feito as coisas de maneira diferente quando por experiência própria eu vejo que mesmo agora ainda continuo a repetir padrões e a desprezar a minha própria honestidade própria. Realizo então que independentemente de saber dos pontos com os quais eu tenho de lidar, trata-se de me tornar na vontade própria de mudar, de realmente puxar por mim para parar os pensamentos automáticos e de sair dos hábitos da minha mente.
Eu perdoo-me por me permitir e aceitar criar uma realidade paralela na minha mente baseada na ideia de como eu as coisas podiam ter sido diferentes, em vez de ver que ao alimentar esta imaginação eu estou a permitir continuar distraída de mim própria e, portanto, a continuar "perdida" na mente, com esperanças do típico "e se"...

Apercebo-me também que esta conversa da mente surge como uma distração em mim; por isso, em vez de alimentar a imaginação de como é que teria sido, eu foco-me naquilo que eu vou fazer e mudar daqui para a frente.
Em momentos em que me apercebo de um ponto, eu comprometo-me então a ser honesta comigo própria e a pôr em ação essa realização, sem perder tempo na mente com ideias de como é que eu podia já ter feito tal mudança antes. O momento de mudar é o momento em que me permito ver essa nova opção em mim, essa nova perspectiva e essa solução para mim própria. Para quê adiar fazer e ser aquilo que é o melhor para mim?
Quando e assim que eu me vejo a participar na conversa da mente de "quem me dera saber isto antes" eu páro e respiro. Eu investigo em mim aquilo que eu desejaria que acontecesse antes e investigo o que é que eu posso realmente fazer aqui e agora. Por experiência própria, passar muito tempo em planos da mente é desgastante e é um pneu furado que não me leva a lado nenhum. Em vez disso, eu posso começar por escrever o padrão que eu enfrento, ver os pontos negativos e positivos aos quais eu ainda tenho uma ligação de arrependimento e desejo, e ver o que é que eu posso fazer para lidar com este ponto de modo a aplicar a realização numa mudança prática e de auto-apoio na minha actual realidade. Eu finalmente vejo que o meu futuro depende em quem eu me torno a cada momento e, para que o meu futuro seja vivido em honestidade-própria, eu terei de ser honesta comigo-própria aqui e agora, sem adiar o meu processo, e em garantir que crio/sou a minha fundação estável para me expandir como o potencial de Vida que eu sou/somos.


No próximo artigo irei escrever sobre a tendência de pensar que seria mais fácil estar numa posição, num tempo ou num lugar diferente daquele onde eu estou.



DIA 244: Nada a esconder


Quando há alguma coisa que eu hesito em partilhar ou até mesmo a pensar nisso, é um indicador que estou a esconder algo de mim própria. Vejo que há determinadas coisas que não são faladas abertamente porque de alguma forma, durante o nosso crescimento e educação, fomos "ensinados" a não falar disso, ou simplesmente nunca considerámos perguntar-nos de onde é que vem a nossa própria limitação. Obviamente, há certas coisas ou problemas que não adiantam partilhar com os outros porque primeiramente tem de haver um entendimento sobre si próprio e, no final de contas, cada um só se pode ajudar a si mesmo.

Dei por mim recentemente a preencher um formulário da junta de freguesia local (aqui em Londres é o Council) e tive a memória de um amigo meu a ter resistência em partilhar este tipo de informação. Ele tinha as razões (justificações) dele. Perguntei-me então quais seriam as razões para eu não ser transparente e verdadeira nos meus dados pessoais e porque razão haveria eu querer esconder-me de mim própria, visto que se trata dos meus direitos como residente ter uma voz nas decisões locais. Curiosamente, apercebi-me que ao exigir transparência de mim própria então não há qualquer reacção quando os outros (neste caso o Council) exige transparência de mim. Naquele momento de reflexão, apercebi-me que uma das razões pela qual não se quer desvendar os detalhes pessoais é o medo de se ser perseguido por alguma conta que não tenha sido paga, por exemplo. Ou seja, voltamos à questão do dinheiro que nos mantém separados uns dos outros, no entanto, ao ver que eu própria estava a criar esta ansiedade em mim, tomei esta oportunidade para reformular os meus pagamentos, garantir que estava tudo em ordem e tomar responsabilidade pelas minhas obrigações como cidadã.

Depois de ter resolvido este ponto/medo em mim, comecei então a ver que outros temas ou assunto ainda são tabus em mim e sobre os quais eu evito ainda escrever e que eu projecto no meu futuro. A minha mente mostra-me então o medo de ser notícia de jornal e de estar numa posição de ataque pelos media,o que ultimamente é o medo de ser excluída e gozada. De onde é que vem este medo? Este medo foi criado em mim muito provavelmente pela influência dos próprios telejornais e da maneira como as pessoas se permitem tratar e remexer nas vidas das pessoas para criar histórias em nome dos ratings de audiências. Também vejo a ideia de querer ser parte do grupo da escola para me sentir "protegida" dos "outros". Mas acima de tudo, este medo da mente tocou no ponto de eu garantir que me conheço a 100% e que estou estável em mim em relação a tudo aquilo que eu sou, sem nenhuma agenda de medo ou de vergonha de mim própria, ou uma imagem que não seja a minha honestidade própria e o meu próprio exemplo. Assim, independentemente do brainwashing que possa haver, eu mantenho-me estável incondicionalmente, porque não há razão e não há tempo a perder com os medos, paranóias e julgamentos da mente. Ao ser honesta comigo própria eu garanto que sou honesta com os outros e naquilo que eu faço.


Quando se entra no rodopio da mente, há duas hipóteses: ou se mantém a desonestidade própria e "vive-se" na paranóia da mente até à morte (o que não é recomendado) ou se começa o processo de honestidade-própria, responsabilidade própria e de correção. Quando eu me refiro à correção, esta é essencialmente pararmos os pensamentos que temos de nós próprios, as conversas mentais que permitimos ter, os ressentimentos, os arrependimentos, as ideias e os medos que condicionam e limitam a nossa ação. Conhecermo-nos a nós próprios sem nada a esconder de nós mesmos é a única maneira de mudarmos aquilo que aceitamos ser e assim recriarmos o nosso presente e futuro, de modo a não repetirmos os padrões manifestados no passado. O Perdão-Próprio é sem dúvida das melhores coisas que podemos dar a nós mesmos, neste processo de auto-conhecimento e mudança para uma melhor versão de nós mesmos e da nossa própria Vida.



DIA 239: Enfrentar o lado lunar - medo do lado "escuro" da mente e do mundo


Apercebo-me que desenvolvi em mim o medo do escuro e consigo ver como é que esta paranóia se manifesta quando dou azo à imaginação de luzes apagadas. Provavelmente não sou a única a ter desenvolvido este medo visto que este  é ensinado eficazmente através dos filmes, das imagens associadas ao escuro, da música escolhida para acompanhar a cena, da associação da cor preta à morte/luto, dos fantasmas que "surgem" à noite, dos vampiros e toda uma série de pensamentos que criamos na mente quando os olhos estão limitados pela escuridão. Vendo bem, é a mente que está limitada.

A guerra das mentes projetadas no mundo.
Conversei com uma amiga minha que viveu muitos anos nos Estados Unidos e foi interessante ouvir que uma grande parte da cultura americana é baseada no positivismo e na procura de finais felizes e há uma aversão a falar-se das coisas "menos positivas", do "lado escuro da sociedade" que é de facto a actual realidade. Aliás, notícias como aquelas que falam sobre a queda da economia ou a ilusão do crescimento económico são  rotuladas como "deprimentes". Nisto, apercebi-me de duas coisas:
Primeiro, aquilo que se julga por fora é aquilo que se julga por dentro, o que significa que aquilo que nós consideramos como deprimentes é algo que existe em nós mas que não queremos enfrentar;
Segundo, ao trazer este ponto para mim própria, vejo que também eu desenvolvi um mecanismo de proteção que evita enfrentar o escuro da mente. Porquê? Apenas porque me habituei a ser escrava na minha própria mente, acreditei que sou a mente, acreditei em tudo aquilo que eu vi na televisão e nos filmes e, essencialmente, aceitei a mente como sendo o meu destino.
Só agora me começo a aperceber que posso mudar a minha vida ao re-educar-me para ser a solução para mim própria em honestidade própria, em tudo aquilo que eu faço e que eu sou. Começo então por investigar porque é que há certos tópicos que eu tenho ainda aversão em pensar, conversar e escrever sobre isso, e este é um indicador da relevância desse ponto no meu processo e de como me será benéfico abrir esse ponto em mim. Isto mostra também que eu estou a resistir ver-me completa-mente, ver as honestidades e as desonestidades, e por isso ando na corda bamba, a tentar controlar as desonestidades em vez de me curar e tornar-me honesta comigo própria em tudo e sempre.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a resistência para falar de determinados tópicos vistos como "deprimentes" ou vistos como "negativos" é real. Em vez de viver essa resistência, eu posso investigar a razão pela qual eu julgo algo como negativo ou deprimente e como é que o julgamento me impede de ver o senso comum para além da mente. Eu apercebo-me que é também da minha responsabilidade não participar no positivismo da mente, não participar nas conversas de chacha e não alimentar o facilitismo da mente, e que é da minha responsabilidade entender como é que estamos a criar a nossa própria realidade contra nós próprios porque queremos viver numa lalaland que só existe na mente como fuga aos problemas que afectam tudo e todos nesta realidade.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na resistência da escrever sobre as conversas da mente que afectam a minha estabilidade própria e que afectam a minha relação com as outras pessoas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desprezar os medos e as imagens que a minha mente me mostra com se quisesse fugir de mim, em vez de aproveitar para investigar os padrões por trás dos pensamentos, medos e imagens de modo a limpar-me dos padrões e criar a minha confiança ao parar de criar uma realidade contra mim própria baseada dos medos e imagens da mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido alimentar a mente num automatismo e rotina e distrair-me da minha responsabilidade de questionar a mente, compreender a minha mente e mudar a minha mente para que os meus pensamentos e acções sejam baseados em unidade e igualdade e que tanto os pensamentos e as ações sejam o melhor para mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar diálogos "negativos" ou "positivos" dentro de mim projectados naquilo que eu penso que outras pessoas vão dizer. Apercebo-me que estes diálogos bipolares são um espelho daquilo que eu penso de mim própria e vejo então que eu estou constantemente a reprimir/suprimir/criticar-me/julgar-me e que tal atitudes comigo própria não me ajudam a recriar a minha relação comigo própria de auto-correção, compreensão e amor-próprio. Apercebo-me que eu sou a minha melhor amiga no sentido de só eu me poder ajudar a ser honesta comigo própria e a motivar-me para viver os princípios de vida.

Quando e assim que eu me vejo a pensar num tópico e criar o diálogo na minha mente de "é um tópico demasiado grande para ser tratado", ou "eu não sei como resolver este problema na minha mente", ou "ainda não estou preparada para lidar com este padrão", eu páro e respiro.
Quando e assim que eu me vejo a pensar que irei ter mais oportunidades no futuro para enfrentar este ponto em mim, eu páro e respiro. Eu vejo que ao procrastinar o meu processo, eu estou de facto a criar mais sofrimento em mim própria e estou a adiar a minha honestidade própria que é a minha libertação da mente.

Quando e assim que eu vejo que o meu ponto de partida para adiar falar de um tópico é baseado no backchat de que não estou preparada para lidar com o ponto porque este é enorme, eu páro e respiro. Eu compreendo que o ponto em si tem várias camadas e que eu terei de andar este processo passo a passo, camada a camada, e portanto qualquer ideia de querer resolver um padrão de um dia para o outro é simplesmente um mecanismo de proteção da mente para eu nem sequer começar a ver as camadas e começar o processo de correção em relação a esse ponto.

Quando e assim que eu me vejo a criar diálogos que são a julgar (positivamente ou negativamente) algo que eu tenha feito ou dito, eu páro e respiro. Em vez de me "massacrar" com as memórias da mente, eu  comprometo-me a ver em senso comum o que é que eu disse e, caso haja algo que eu veja que podia ter sido melhor, então eu tomo este exemplo como um passo no meu processo de auto-correção e comprometo-me a aplicar essa correção a partir desse momento. Eu apercebo-me que os mesmos padrões manifestam-se em vários aspectos da minha vida, portanto, ao lidar com esse padrão eu serei capaz de me ajudar e auto-corrigir em vários ambientes e situações do meu dia-a-dia.
No lugar de rejeitar aquilo que a minha mente me diz ou mostra, eu comprometo-me a abraçar a mente como sendo a chave da minha própria libertação porque ao ver o problema/julgamento eu serei capaz de começar a criar a solução dentro de mim. Se a mente me mostra as minhas desonestidades próprias, então eu posso começar a perdoar cada uma das desonestidades próprias. Através do perdão próprio, eu começo a fazer as pazes comigo e abro caminha para recriar o potencial de vida que há em mim.

Quando e assim que eu me vejo fascinada com as imagens coloridas nos media e com as palavras de motivação usadas para vender uma felicidade temporária, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que a vulnerabilidade aos media ou aquilo que me é dito (e à maneira como me é dito) é um indicador da influência que eu permito que estes meios de comunicação tenham sobre mim. Eu comprometo-me a permitir-me estar um e igual ao mundo à minha volta e por isso estar estável, permitir-me questionar-me sobre aquilo que eu vejo e oiço e manter a minha integridade nas minhas decisões e que estas sejam baseadas nos princípios da igualdade, da unidade, da respiração, do bem-estar físico, da honestidade própria e daquilo que é o melhor para todos.


Apercebo-me que qualquer decisão baseada em emoções negativas ou emoções positivas será continuar a alimentar a mente de polaridade, de comparações e de imagens, e isto não traz qualquer progresso no meu Processo de me Tornar Honesta Comigo Própria e Viver os Princípios de Vida. Eu apercebo-me também que não estou aqui para copiar as vidas que foram "vividas" pelos outros porque simplesmente isso anula qualquer possibilidade de mudar esta realidade para melhor do que aquilo que actualmente existe. Eu comprometo-me a viver a realização que esta realidade é deprimente, tem problemas e ainda não é um paraíso para todos e estes são os indicadores que comprovam que há muita coisa a mudar, a começar na minha própria mente.




DIA 196: O stress da indecisão


Durante o fim-de-semana observei-me através de outra pessoa - o que eu quero dizer é que vi uma atitude noutra pessoa que eu própria já experienciei e foi frustrante observar esta personalidade da indecisão! Para quem "sofre" desta dificuldade em tomar decisões espontâneas, talvez seja interessante ver um episódio do TheVoice UK na qual a cantora demorou quase meia-hora (o que na TV é mesmo muito tempo) para decidir o o seu mentor musical. O mais interessante foi ver que nessa altura do programa ela já sabia que tinha passado à fase seguinte, e aquilo que seria aparentemente o mais fácil, ela tornou numa coisa complicada. - Onde é que eu já vi isto!

Pessoalmente, ao ver o episódio da indecisão, apercebi-me das consequências da participação na mente - compromete-se o nosso tempo, o tempo dos outros, alimentam-se os diálogos na mente sobre "é isto", "não, afinal já não é", "e se eu for por aqui", "se calhar faço melhor escolher o outro", "porque é que não posso ter tudo", "não sou boa a escolher", "da última vez escolhi mal", etc etc etc...

Aquilo que eu vejo e que também me tenho apercebido a lidar com o ponto da tomada de decisão é que a indecisão não tem as ver com as escolhas disponíveis, mas que tem a ver com a confusão que se passa dentro das nossas mentes. Ou seja, a indecisão é um reflexo de uma série de padrões com que a mente anda ocupada e que não conseguimos ver o senso comum daquilo que é o melhor para nós próprios, porque nos permitimos estar submersos na insegurança e no medo de "falhar".

No caso da cantora, ela estava a fazer aquilo que queria, tinha conseguido (en)cantar o júri e mesmo assim criou uma situação de insegurança na sua tomada de decisão final. Aquilo que aparentemente seria uma felicidade tornou-se num tormento... Onde é que eu também já vi (e ainda vejo) esta cena? Coisas do meu dia-a-dia que são simples mas que se tornam complicadas - por exemplo, às compras - a indecisão entre gastar dinheiro naqueles sapatos ou não... Ou em comprar o Fair trade, apesar de ser mais caro? Ou a indecisão sobre aquilo que eu vou comer quando há multiplos pratos na ementa... Coisas pequeninas que na minha mente se tornam gigantes, como se a preocupação tivesse uma lugar que tivesse de ser continuamente ocupado dentro de mim. Depois há as "grandes decisões" que têm a ver com a carreira por exemplo - "que curso é que vou seguir?" E depois da escolha ter sido tomada "- será que fiz a escolha certa?", "Será que vou gostar? "...

 Curiosamente, nesse mesmo dia saiu uma entrevista na Eqafe exactamente sobre o tópico de Evitar tomar decisões e que me trouxe uma nova perspectiva sobre o cenário que eu crio/nós criamos para nós próprios em relação às decisões.
Um dos conselhos dados na entrevista é: Não tomar decisões apenas com a mente. Isto porque a mente não considera a realidade física, as várias coisas envolvidas, o ambiente, o momento, o contexto,  e por isso não considera aquilo que é realmente o melhor para nós. A mente apenas as personalidades, o interesse-próprio, os medos, as experiências passadas, os traumas, os desejos...  Há então este conflito interno, como se houvesse esta voz divina dentro de nós a dizer "leva isto"... "era melhor ter levado o outro", quando afinal não temos necessariamente de criar tal instabilidade dentro de nós. Este diálogo interno pode tornar-se obsessivo e, nos momentos em que é demais, o melhor a fazer é escrever num papel as várias possibilidades que vemos, as razões, os medos associados, e perceber quais as condições que estamos a impor a nós próprios. Pela minha experiência, em momentos de decisão eu acabo por imaginar as várias saídas para cada possibilidade e tomo uma decisão com base numa imaginação que não é real (imaginação baseada na mente de medos, desejos e ideias),  em vez de procurar perceber o que é que realmente "está em jogo" e procurar a melhor escolha. Quando a decisão se torna num bicho-de-sete-cabeças é sinal de alarme pois estamos a ver a situação apenas pela mente (imagens baseadas em medos, experiências passadas, informação, desejos, interesse-próprio) em vez de considerarmos a situação realista à nossa frente, em senso comum e honestidade própria.

Uma coisa que é importante ter em conta é a nossa responsabilidade por cada decisão que tomamos e de facto abraçarmos as consequências das nossas decisões. Frequentemente a palavra Consequência é associada a coisas negativas, quando afinal a consequência é um acontecimento que segue ou é resultado de outro. Quando toca a decisões, qualquer decisão que tomamos é um movimento, é uma direção que estamos a dar a nós próprios e somos nós que estamos em controlo das nossas próprias vidas. Apercebo-me também que não existem decisões erradas ou certas, mas que é um processo de dedicação e de nos comprometermos a viver o nosso potencial/a melhor versão de nós próprios. Em responsabilidade própria somos capazes de nos dar direção/decisão a cada momento para nos aperfeiçoarmos e aperfeiçoarmos a nossa tomada de decisão e as nossas decisões, para garantirmos que construímos a nossa auto-confiança com a certeza que fazemos aquilo que é o melhor para nós, tendo em conta a realidade/os outros/as várias possibilidades.

Leiam também o Perdão-Próprio e as afirmações de auto-correção sobre a Tomada de Decisão em: http://joanajesus-renascendo.blogspot.com/2013/02/dia-175-medo-de-tomar-decisoes.html




DIA 193: Medo da mudança e medo da perda... dentes, acidentes, imaginação e dinheiro


Após a extração do dente, comecei a sentir remorsos e medo de perder todos os dentes, medo de precisar do dente, medo de ficar sem dentes suficientes! Nisto, vejo um padrão de medo da mudança baseado na ideia de perda e este estado mental é cego porque não se consegue ver mais nada que não sejam os pensamentos de "não devia ter feito isto". É interessante que estes pensamentos não existiam antes tão claramente - foi como se ao ter o dente extraído (ou perder fisicamente alguma coisa) tivesse descoberto este padrão em mim que obviamente já existia, apenas não se tinha manifestado. Por isso, neste processo, cada vez mais me apercebo que a minha realidade física é um reflexo do que se passa em mim, ao estar ciente dos pensamentos que eu projecto à minha volta...
Se o medo da perda existe em mim, vou tomar responsabilidade e investigar como me estou a permitir limitar e, finalmente, aplicar-me em corrigir este hábito mental em mim.
O medo da perda (do dente) surgiu com base no medo de precisar do dente no futuro. No entanto, neste preciso momento este dente estava a incomodar-me e iria trazer-me problemas mais cedo ou mais tarde.
 Outro medo tem a ver com o medo de perder os dentes da frente - Quem é que não reage quando vê uma pessoa desdentada, por ter medo de ficar também desdentada? Este medo é o medo da minha imagem sem dentes e como eu me defini por ter os dentes no lugar, brancos e direitinhos. Há cerca de 5 anos tive um acidente de mota e lembro-me que quando acordei após a operação, senti uma placa de ferro na minha boca - fiquei super assustada e imaginei imediatamente que os meus dentes tinham ficado todos encavalitados e partidos. Esta era a minha segunda grande preocupação, depois de ter mexido as pernas para ter a certeza que não estava paralisada. Afinal aquilo que eu sentia era simplesmente uma placa a apoiar os meus dentes a fixarem-se no lugar.

De volta ao dente, este medo de perda não tem de existir - este dente não me iria ser removido se fosse realmente essencial. Além disso, há a possibilidade que o dente do siso venha substitui-lo. Curiosamente, comecei a sentir a boca mais leve e com mais espaço.
Durante a extração, eu estava agarrada ao dente e curiosamente este estava a dar luta! Apercebi-me que era altura de aprender a largar e de me "render". De certa maneira, o medo de deixar o dente ir tem também a ver com o hábito de ter aquele dente na minha boca e não me imaginei não tê-lo. Ou seja, o medo do futuro é muito em parte baseado na imagem do que já se conhece (mesmo que não seja perfeito) VS uma coisa nova (que não se conhece).

Reparo agora que os medos são como as bonecas russas, abre-se um medo e surge um outro, como se a minha mente tivesse um lugar para o medo que tem de estar sempre ocupado! Desta vez, o medo que surgiu depois da extração do dente foi o medo de complicações pós-cirurgia. Obviamente, que o estado de stress que eu permito (ou não) em mim vai ter impacto na recuperação. Por isso decido recuperar sem o medo. A recuperação é a parte da operação que eu posso controlar - ou seja, depende de mim, da atenção que dou a mim própria, do descanso, da toma do antibiótico e da estabilidade que crio em mim. Por isso escrevo sobre estas preocupações da mente, para esvaziar o medo de dentro de mim e deixar o medo ir, tal como deixei o dente ir e me dedico a tomar conta do meu corpo que está aqui.

Depois de ter escrito o seguinte perdão-próprio e as afirmações de auto-correção, apercebi-me que a minha desconfiança tem também a ver com o medo de ser levada a gastar/investir cada vez mais dinheiro em tratamentos dentários. Lembro-me que tinha pensado que este dente tinha de ser tratado mas que o doutor não estava a dar prioridade a esta situação, visto que havia outros tratamentos supostamente mais rentáveis a serem feitos noutros dentes. No final de contas, acabou por ser este dente a ser tratado primeiro e, em vez de me permitir relaxar, continuei a  participar no medo e desconfiança da mente.


Quanto à questão do dinheiro, eu apercebo-me que o medo ou a resistência em perder/investir dinheiro em tratamentos dentários é um facto inerente ao actual sistema económico. Vejo também que, mais uma vez, estes medos e preocupações seriam colmatados caso vivêssemos num sistema monetário que fosse igualitário e que garantisse que os doutores seguissem a carreira da saúde por realmente quererem o melhor para os seres-humanos e não pelo lucro. Da mesma maneira, nenhum de nós iria ter medo de ter problemas dentários porque saberia que estes seriam resolvidos incondicionalmente. Apercebo-me então que não é só a dor física dos tratamentos mas também o peso na carteira que nos faz ter resistência a ir ao dentista...
Independentemente disto, é crucial resolver estes medos e preocupações da minha mente.

Eu perdoo-me por me estar a permitir e aceitar alimentar os medos que surgem na minha mente após a cirurgia, como se os medos fossem reais.
Eu perdoo-me por não me estar a permitir e aceitar olhar para a situação médica em senso comum e assim não permitir que o medo contamine tudo e todos.
Eu perdoo-me por me estar a permitir e aceitar desconfiar do meu médico e pensar que ele quer tirar os meus dentes para depois fazer mais dinheiro comigo caso eu precise de mais tratamentos para substituir o dente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na desconfiança da mente em vez de estar aberta à explicação do doutor e sobre a situação física e real dos meus dentes.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que tenho de ser desconfiada para ser respeitada (e não ser enganada).
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que se eu permitir tirar um dente estou de facto a andar em direção à perda total dos meus dentes, o que eu vejo ser a mente a levar-me para a outra polaridade!
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido imaginar-me sem dentes ou com os dentes encavalitados e por me ter permitido deixar assustar por esta imagem da mente.
Eu perdoo-me por me estar a permitir agarrar-me à ideia que não devia ter aceite este tratamento com base na ideia que o meu médico em Portugal saberia melhor o que fazer, com base em experiências do passado que não se aplicam necessariamente ao caso actual.
Eu perdoo-me por não me estar a permitir focar-me na recuperação e na minha estabilidade que é aquilo que eu realmente posso controlar neste momento.

Quando e assim que eu me vejo a participar na desconfiança da mente em relação à extração do meu dente, eu páro e respiro.
Ao respirar, eu permito-me descomplicar a situação física e apercebo-me que são os meus pensamentos que estão a complicar. Nisto eu apercebo-me que estou agarrada à ideia que podia ter havido outro tipo de tratamento alternativo em vez de ouvir os conselhos do doutor e ver aquilo que está realmente aqui. Eu apercebo-me que a minha dúvida é baseada em informação relativamente a outros casos, por isso, eu permito-me focar-me no MEU caso, abraçar esta situação como tendo sido o melhor para mim e aperceber que não precisava de chegar ao ponto de ter dor absoluta para me "convencer" que este dente deveria ser tratado/extraído urgentemente.

Eu dedico-me a focar-me apenas na minha recuperação e, quando e assim que eu vejo um pensamento da mente a justificar o arrependimento, eu páro, respiro e escrevo sobre isso para me permitir ver a complicação da minha mente e ajudar-me a ver as soluções para mim própria.
Quando e assim que eu me vejo a imaginar a perder os meus dentes da frente ou a ficar assustada com a ideia de vir a perder todos os meus dentes quando envelhecer, eu páro o medo e respiro. Eu apercebo-me que esta aterrorização da mente não é real e que é apenas uma forma de manipular quem eu Sou e a minha criação. Eu dedico-me a respirar e a confiar em mim no meu processo de remover os meus medos, não os meus dentes ou outra parte do meu corpo físico!

Quando e assim que eu me vejo a desejar voltar atrás e sugerir outro tipo de tratamento, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estou a criar stress desnecessariamente para mim própria e que tenho mesmo de confiar naquilo que o especialista sugere.
Eu dedico-me a andar passo a passo, respiração em respiração, em estabilidade própria, em vez de saltar para o passado ou para um futuro e pensar naquilo que eu devia ter feito ou naquilo que eu devo fazer. Apercebo-me que a solução para os meus problemas exteriores passa por eu criar soluções de dentro para fora e por isso dedico-me a resolver os padrões da minha mente que me impedem de ver soluções práticas para mim (e para o mundo).

Quando e assim que eu me vejo a desconfiar que a mudança não me vai ser benéfica, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que sou eu quem me estou a puxar para trás, em vez de abraçar a mudança e me permitir relaxar com a certeza que aquele dente não me vai incomodar mais!

Comprometo-me também a não generalizar esta situação e pensar que ao ter permitido a extração de um dente então vou abrir um precedente e terei  de extrair mais dentes - eu apercebo-me que a extração de dentes só é feita quando é realmente o melhor para a pessoa e que não é o fim do mundo. Isto é senso comum.

 Quando e assim que eu me vejo a projectar a minha desconfiança noutras pessoas e a acreditar que estou a ser enganada por outra pessoa, eu páro e respiro. Realizo que este é um indicador da mente que me mostra aquilo que eu tenho de urgentemente resolver em mim e por isso eu comprometo-me a parar a desconfiança em mim. Apercebo-me que a desconfiança da minha mente é auto-destrutiva e que sou responsável por parar este padrão em mim. Eu comprometo-me a abraçar aquilo que me é dado pelos outros, estando ciente que a minha estabilidade não está dependente disso e, ao mesmo tempo, dou-me a oportunidade de confiar em mim por me permitir confiar nos outros.

Ilustrações: 
Andrew Gable - The Decision – An Artists Journey To Life: Day 172 | An Artists Journey To Life http://bit.ly/SVmmxo
Andrew Gable - Where Do Your Thoughts Come From. Find Out how your mind really works - http://lite.desteniiprocess.com/
Marlen Vargas Del Razo - Money as Life?




DIA 190: Estar estável COMIGO nas discussões com os outros




Ultimamente tenho lidado com reações dentro de mim no seguimento de uma discussão. Apercebi-me então que nenhuma destas reações eram novas: era como se este nervosismo, os tremores, o frio corporal, a mudança no meu tom de voz, a minha expressão, o stress, o cansaço e a fraqueza física me fossem familiares, de situações de conflito no passado.
Passei grande parte da tarde a escrever sobre memórias e ainda estou a trabalhar nos vário pontos que entretanto explorei em mim, baseados nas minhas conversas da mente, nas imagens, pensamentos e nos meus medos associados a momentos de conflito-aberto com outra pessoa.

Por agora, gostava de partilhar com vocês duas entrevistas que foram muito úteis para eu perceber o que se passa em mim ainda hoje quando enfrento uma reação da outra pessoa.
Nesta entrevista, a pessoa explica como uma experiência de conflito acabou por comprometer toda a sua vida de uma forma que ela não estava ciente, e dá também uma nova perspectiva de como cada um de nós tem a responsabilidade de ser a resolução de conflito dentro de si próprio e, assim:


Permitir-me criar a minha própria estabilidade independentemente daquilo que o outro diga ou faça; 
Ser responsável por mim e por isso não responder na mesma moeda;
Não me permitir reagir com o outro e assim não alimentar o conflito com mais energia da mente;
Levar a minha estabilidade ao extremo através da respiração; 
Permitir-me manter a voz mais estável e serena do mundo e por isso ser consistente na minha estabilidade dentro de mim; 
Ser o exemplo vivo para mim própria de estabilidade incondicional, de autoconfiança e senso comum na minha relação comigo própria e com os outros.

As entrevistas estão em Inglês. A versão Portuguesa de entrevistas da eqafe estarão disponíveis em breve.



DIA 185: As projeções que vão e voltam...



Vejamos: crio uma imagem de mim numa certa situação - noutras palavras, crio um julgamento sobre a minha atitude naquele momento e penso que a pessoa com quem eu estou a falar está a ter esse julgamento sobre mim. Ontem apercebi-me então que esta projeção é como um boomerang: o julgamento sai de mim em direção ao outro, instala-se a ideia que é o outro a julgar-me e este julgamento volta para mim, por exemplo em forma de vergonha ou arrependimento (e o pensamento de que devia ter agido de outra maneira).  Vejo que ao investigar este ponto comecei claramente a trazer os pontos para mim própria e a ver aquilo que eu permito passar-se em mim (ideias de mim própria acumuladas ao longo do tempo).

Aquilo que até agora me estava a escapar era esta estrutura de como os julgamentos/projeções funcionam - e tive uma resistência para realmente ver isto. 
Em relação aos próximos passos, primeiro tiro a outra pessoa desta equação - os julgamentos de mim própria não têm nada a ver com o outro e afinal a pessoa com quem eu falava apenas me ajudou a ver isto. Cada um de nós está cercado pela nossa mente de preocupações, agendas, medos, resistência e crenças por isso não vale a pena procurar desculpas para cobrir aquilo que só eu posso entender e resolver por mim: a minha mente, aquilo que eu aceito e permito em mim e naquilo que eu aceito participar na minha realidade.

Por isso, participar no boomerang da mente é uma escolha que até agora tenho visto como uma obrigação do "tenho de seguir este pensamento" ou "este julgamento é real", em vez de olhar para o espelho das projeções, ver-Me e perceber onde é que eu estou a complicar a minha vida e realmente a prejudicar a minha estabilidade.  O passo que se segue é a ser brutalmente honesta comigo própria e enfrentar os julgamentos/pensamentos com especificidade e começar a parar de cair nestes vicíos/energia da mente, que tal como um boomerang, vão e vêm até serem parados para não mais serem lançados. 

Ilustração: Sem dúvida, este boomerang nas nossas mentes não é um salva-vidas.



DIA 184: Imagina-a-ação e a vida passa ao lado...

Neste blog continuo a analisar as dimensões por trás do caráter/personalidade dos julgamentos próprios aquando da minha última saída à noite.

Quanto à dimensão da imaginação, consigo ver que na altura em que eu estava naquele espaço físico, a minha mente vagueava "fora de mim"... imaginava quem eram aquelas pessoas e onde é que elas iam. Ao mesmo tempo, imaginava-me a libertar-me dos julgamentos e a simplesmente dançar, a falar com as pessoas sem vergonha e sem medo de ser observada. Em relação ao medo de ser observada, vejo que a outra polaridade também se manifestou, em que imaginava a observar-me de fora, como se me visse ao espelho. e apontasse o dedo...  Assim se vê que a imaginação é mais uma dimensão da mente e, em honestidade própria, consigo então descobrir pontos em honestidade própria:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na imaginação da mente que funciona como uma telenovela de entretenimento mas em que as personagens que eu vejo nos outros são personalidades que eu projecto e que, portanto, existem em mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que os outros (personalidades) estão separados de mim quando, ao participar na imaginação da mente, é de mim que eu me estou a separar. Apercebo-me que este tipo de entretenimento funciona como um mecanismo de defesa para não  enfrentar estes pontos da mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido limitar a minha expressão naquela altura ao participar nos episódios da mente e ao imaginar como é que as coisas/eu estaria diferente se tivesse ido a casa por exemplo, ou se tivesse com outra disposição, ou menos cansada, ou mais produzida. Nisto, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido condicionar a minha vivência aqui/agora com base na ideia de que faltam coisas para eu estar simplesmente presente! É óbvio que a única coisa que verdadeiramente determina eu estar ou não presente é a minha presença física!

Quando e assim que eu me vejo a cair nas teias da imaginação da mente em que me começo a entreter com a ideia de como as coisas seriam se tivessem corrido de maneira diferente, eu páro e respiro. Foco-me então em parar a imaginação e em ver, no momento presente, o que é que eu estou a impor a mim propria como uma condição para eu ESTAR AQUI, em vez de simplesmente estar e SER aqui; 
Comprometo-me também a ver qual é a atitude que eu acredito e imagino que eu devia estar a ter para supostamente aproveitar melhor aquele momento (por exemplo: a imagem de mim a dançar incondicionalmente e sem vergonha) - apercebo-me que funciona como uma imposição que, se não for cumprida, significa que não me estou a divertir/ que não estou "aqui a fazer nada".

Dedico-me então a ver e a parar o julgamento e a ideia de que estaria melhor a fazer outra coisa do que aquilo que eu estou a fazer naquele momento (mais não seja estar simplesmente sentada em silêncio, ou a observar, ou a conversar); dedico-me também a ver e a parar as ideias de "vida perfeita" que eu projecto nos outros , cuja comparação é desonesta comigo própria e eu me distrai de estar aqui presente a criar o melhor de/para mim onde quer que eu esteja.

Quando e assim que eu me vejo a distanciar-me de mim própria e, ao mesmo tempo, a participar no medo de ser observada, eu páro e respiro. Aproveito então para ver que julgamentos estou a mostrar a mim própria e dedico-me a viver a decisão de parar os julgamentos,a respirar, perdoar e mudar a minha atitude comigo própria.
Quando e assim que eu me vejo a imaginar a vida das outras pessoas, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estas imagens na minha mente são de facto um espelho (normalmente coisas que eu não estou a dar/fazer para mim própria) e por isso é uma oportunidade para ficar ciente destas ideias e ver pontos que eu posso corrigir/aplicar em mim. 


Ilustração: Diss-Order Of Multiple Personalities By Carrie Tooley 



DIA 177: Sobre o desejo de beber




Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que beber álcool não tem a ver com ser certo ou errado, mas tem a ver com o facto do efeito do álcool na mente e no corpo humano suprimir a essência da vida e limitar a minha expansão.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que beber é normal só porque a maioria das pessoas que eu conheço bebe - apercebo-me que esta é uma influência do ambiente/cultura em que eu nasci mas que fui eu quem me permitir ser influenciada por isso.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter medo de fazer as coisas diferentes daquilo que é supostamente a norma no ambiente à minha volta, em vez de decidir por mim aquilo que é o melhor para mim e aquilo que não é o melhor para mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que ficar bezana me faz sentir mais do que quem eu sou sem o efeito de álcool.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a extroversão da minha mente sob o efeito de álcool é real.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido anular a minha direção sob o efeito de álcool no meu corpo em demasia, sem ver que quanto mais eu bebo mais eu amplifico a mente e suprimo o meu Ser.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e perceber os interesses que existem por trás da publicidade para se consumir álcool, porque isso desempodera as pessoas, separa-nos da nossa vontade própria e nos mantém entretidas nos altos e baixos da mente.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que o  álcool cria sistemas nos seres humanos e que estes sistemas não representam a Vida que realmente somos.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que eu era honesta na minha conversa com os outros quando estava bezana, em vez de ver que não estava a ser honesta comigo própria (com a Vida que eu Sou).

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar tirar as preocupações de cima de mim com a ajuda de álcool e acreditar que magicamente isso fosse resolver as minhas preocupações.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido manipular as minhas memórias de modo a pensar que tudo era tranquilo nos momentos de embriaguez, quando afinal estas memórias escondem momentos de agonia, de confusão, de má disposição matinal e de impotência motora.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar e até desejar que o álcool me trouxesse "a luz" para os meus problemas, sem ver que com isto eu estava a suprimir-me ainda mais e a não me permitir ver e ser a solução real e a longo prazo para os meus problemas.

Eu apercebo-me que a instabilidade que o excesso de álcool ou qualquer traço de álcool me dá não é o melhor para mim. Visto que aquilo que eu quero é empenhar-me em auto-ajudar-me a resolver os meus problemas da minha mente, o efeito supressivo e superficial do álcool não me ajuda de todo no meu processo, antes pelo contrário, o álcool alimenta os padrões da mente.
Quando e assim que eu me vejo a lembrar os momentos de diversão e festa em que eu estava sob o efeito de álcool, eu páro as imagens e respiro. Estou ciente que qualquer ideia, imagem ou associação que surgem da mente são feitas de energia que manipula a minha presença no momento presente. Por isso, comprometo-me a respirar, a permitir-me estar estável no presente e a desvendar os padrões que existem em mim e que a mente me está a mostrar.
Comprometo-me então a escrever sobre os padrões de comportamento e pensamento que visualizo na mente e dedico-me a fazer as pazes comigo própria através do perdão próprio e a restabelecer a minha relação comigo própria.

Eu comprometo-me a restabelecer a minha confiança na decisão de não adoptar influências nem personalidades que não são o melhor para mim. Quando e assim que eu me vejo a pensar que eu ou os outros somos superiores sob o efeito de álcool, eu páro a mente e respiro. Apercebo-me que qualquer julgamento da mente não é real e que é uma distração para não ver a igualdade e unidade entre todos nós.

Ao mesmo tempo, comprometo-me a viver a decisão definitiva de não usar o álcool com o intuito de ficar bêbeda. Em vez disso, quando e assim que eu me vejo a pensar na possibilidade de beber, eu páro, respiro e ajudo-me a ver o que está por trás deste desejo e ajudo-me a ver como é que eu posso mudar o meu dia-a-dia para não criar desejos separados de mim.

Por exemplo no emprego, eu comprometo-me a ter calma comigo própria e a não criar pressão no meu dia-a-dia. Para isso, ajudo-me a planear as várias tarefas realisticamente e a ser honesta com o tempo que as coisas levam a fazer. Em vez de querer parecer aos olhos dos outros mais organizada do que aquilo que eu estou a ser, eu dedico-me a ver a pressão que EU estou a criar para mim própria. Nisto, quando vejo que a mente está a ir demasiado depressa, eu ajudo-me manter o plano e a ser consistente na minha organização e a comunicar aos outros quando não irei conseguir cumprir o plano.

Eu comprometo-me a investigar as supressões sexuais que se manifestaram da última vez que bebi, em vez de levar a peito quaisquer desses desejos e imagens da mente. Por exemplo na minha relação com os homens, eu dedico-me a investigar os desejos de uma imagem de perfeição física ou os desejos de afecto. 
Apercebo-me que passei a ver o afecto/conforto como algo que me é dado por alguém (um homem) em vez de me dar afecto e criar o meu conforto e confiança em mim incondicionalmente, sozinha ou acompanhada. Por isso, eu comprometo-me a ver as situações eu não me estou a dar afecto e, nos momentos em que surge o desejo de ter alguém a dar-me esse afecto, eu páro esta separação e respiro. Dedico-me então a cooperar comigo própria, a ter paciência comigo  e a dedicar tempo para as minhas coisas que requerem a minha atenção/afecto e dedico-me a cuidar do meu corpo.

Apercebo-me que se trata de aplicar o princípio de auto-compaixão: Dar-me a mim própria o relaxamento que desejo que os outros (ou o álcool) me dêem. 



DIA 175: Medo de tomar decisões?



Hoje ouvi uma entrevista sobre o Medo de Ficar aPerder, que falava das várias dimensões por trás do medo da tomada de decisão/escolha entre diferentes opções e de onde é que a indecisão surge. Enquanto ouvia a história desta pessoa, apercebi-me como o medo de ser "excluída do grupo cool da escola" também se associa a mim ou pelo menos fez parte da minha adolescência (que pena que nessa altura ainda não conhecia o Desteni nem ouvia as entrevistas da eqafe!). Lembro-me dos pensamentos que tinha sobre o medo que as minhas amigas ficassem aborrecidas comigo se eu cancelasse os planos, ou os pensamentos de ter medo de excluir alguém do grupo porque tinha medo de criar inimizades e, ainda hoje, a indecisão sobre aquilo que eu quero fazer quando há vários eventos no mesmo dia. Curiosamente, este último ponto passou-se à pouco tempo e facilmente associei à entrevista que ouvi hoje, na qual se falava do medo de se ficar a perder e a imaginação sobre aquilo que se pensa que se está a perder, gerando arrependimento e frustração.
No final de contas, ao participar no limbo da indecisão, vejo que acabo por não me permitir estar presente naquilo que estou a fazer porque estou agarrada ao arrependimento. Não é interessante como a mente toma mais atenção àquilo que não passa de uma imagem do que àquilo que está mesmo aqui para ser vivido?! Outra dimensão interessante de ver é a esperança que algo ainda melhor surja, e então a escolha é a espera pelo momento/evento/(e príncipe) perfeito!
A tomada de decisão, que deveria ser uma rampa de lançamento para a expansão de nós mesmos, passa a ser um escorrega à mercê de medos, emoções e imaginações que não nos levam a lado nenhum e cria conflito dentro de nós. Comecei então a pensar em situações em que eu me vejo a criar este conflito/indecisão dentro de mim e reparo que isto surge quando eu estou a fazer uma coisa e penso que devia estar a fazer outra - ao escrever isto tornou-se claro para mim que este padrão é uma fonte de pressão que eu imponho em mim mesma e que me posso ajudar a parar/corrigir.
O que é que me impede de estar estável nas minhas decisões?
Porque é que eu não sou a primeira a confiar nas minhas decisões?
Porque é que penso na decisão como uma limitação em vez da expansão que eu posso proporcionar a mim própria?
Como é que eu posso garantir que tomo decisões assertivamente (com convicção, firmeza)?

É sobre estes os pontos que eu tenho escrito e aplicado o perdão próprio ultimamente. Em termos de resultados, esta semana tenho saído de casa à hora planeada e, nos momentos em que ainda me permito desleixar a minha decisão, consigo ver onde é que eu posso corrigir para que não volte a atrasar-me, ficar para trás e criar stress no meu corpo.

Eu perdoo-me por ter aceite e permitido julgar as decisões como limitações ou "portas que se fecham" quando na realidade este tem sido o meu ponto de partida por isso era eu que estava a criar essas limitações!
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar no medo de perder uma oportunidade que foi imaginada na minha mente, sem ver que ao participar neste medo da mente eu estou de facto a perder a oportunidade de ESTAR AQUI e de realmente viver a decisão sobre aquilo que está aqui, em unidade, igualdade e senso comum.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar as decisões como jogos de sorte, em vez de perceber que a decisão sou eu que a crio ao investigar sobre as diferente opções e assim permitir-me tomar decisões que sejam o melhor para mim.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido abraçar as minhas decisões sobre a carreira que tenho seguido e abraçar o meu processo de contínua auto-descoberta, auto-correção e auto-melhoria em quem eu sou e naquilo que faço.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ver as decisões como limitações que imponho a mim própria em vez de realizar que eu posso expandir-me em cada decisão que eu tomo.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido VIVER as decisões que eu tomo e realmente dar o meu melhor ao participar nas minhas decisões e ao dar-me direção/iniciativa.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar as decisões "novas" como sendo perigosas, quando afinal o elemento "novo" não significa perigo, mas sim uma oportunidade para expandir-me numa direção que ainda não tinha tido antes.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir as minhas decisões como certas ou erradas, em vez de aproveitar cada uma delas como sendo parte do meu processo de transcender medos e parar os julgamentos da mente.

Eu apercebo-me que cada decisão começa com a minha respiração e que sou responsável por todos os "outcomes" ao longo do processo de dar-me direção como vida e garantir que me expando a cada passo. Por isso, comprometo-me a dar um passo de cada vez, a ter paciência comigo mesma e a garantir que me expando em tudo aquilo que eu faço.
Eu apercebo-me que depende de mim ser assertiva na minha tomada de decisão e de facto ajudar-me a decidir aquilo que é o melhor para mim. Dedico-me então a investigar e a reunir informação que me ajude a estar ciente das várias hipóteses para que tome decisões por mim em plena estabilidade e confiança.
Quando e assim que eu me vejo a imaginar a "situação ideal", eu páro e respiro. Em vez de ficar obcecada com essa imagem, eu dedico-me a ver o que é que será o melhor para mim/para os outros e realmente planear COMO é que eu posso criar essa situação para mim.
Quando e assim que eu me vejo a planear as decisões na mente, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que a mente não é de fiar porque salta passos essenciais para que a decisão seja realmente vivida na vida física - por isso dedico-me a tomar notas dos vários objectivos para me ajudar a ser realista quanto ao tempo que as coisas levam a fazer.
Quando e assim que eu me vejo a decidir fazer uma coisa nova, eu páro, RESPIRO e Dedico-me a fazer isso passo a passo, sem medo de ficar a perder outras coisas. Apercebo-me que o medo de ficar a perder não é real porque aquilo que é real é a expansão/auto-aperfeiçoamento que eu proporciono a mim mesma a cada decisão que eu vivo.
Mais do que nunca apercebo-me que comparar aquilo que eu faço com aquilo que os outros fazem é irrelevante e uma distração da mente baseada em competição - em honestidade própria eu realizo que cada um de nós está a andar o seu processo de Vida e que as decisões que eu tomo e vivo faço-as por mim e para mim. O que posso então fazer é APRENDER com as boas práticas, TESTAR para ver como funciona comigo e PRATICAR para me aperfeiçoar na minha ação.

As decisões são tomadas em honestidade própria ou em desonestidade própria. Vivemos ou morremos. Respiramos ou não respiramos... A liberdade de escolha é uma ilusão da mente.


Ilustração de Andrew Gable: Where Do Your Thoughts Come From. Find Out how your mind really works - http://lite.desteniiprocess.com/


DIA 165: Desejo pela perfeição que não passa de uma imagem


Até agora tenho andado numa corrida constante comigo mesma e que só recentemente me apercebi que podia ser vencida - não por participar nela, mas por mudar a minha atitude para comigo mesma. Ou seja, até recentemente acreditava que as imagens da mente serviam um objectivo a seguir, como se fosse um guião que realmente me ditava aquilo que eu podia ou não fazer, aquilo que era certo e errado, o resultado das minhas ações e a noção de tempo que as coisas levavam. Foi através deste último elemento - o tempo - que me comecei a aperceber da luta que se passava em mim que a ninguém beneficia. Não é por acaso que as imagens da mente são frequentemente desfasadas da realidade, ou que sentimos a frustração de não conseguirmos realizar as coisas que foram idealizadas na mente. Mas este desejo de ser-se visionário e de se trazer para esta realidade aquilo que vai nas mentes humanas é perigoso e doentio - o tempo da mente NÃO é o tempo físico, a força da mente não é a força física, a velocidade da mente não corresponde àquilo que é sustentável aos corpos físicos. Ao seguirmos a velocidade da mente estamos a massacrar o nosso corpo - sinais de stress no meu corpo e uma sensação repentina quando o coração começa a bater demasiado depressa, ou quando atropelo as palavras por querer falar tão rápido como as palavras que voam na mente. Todos estes são indicadores de desfasamento com a realidade física e com o MEU corpo físico! Quantas vezes não estamos aqui e a nossa mente noutro lugar qualquer? E se não estamos atentos ao nosso corpo, como é que garantimos que tomamos conta de nós próprios? A resposta é simples e ao mesmo tempo desafiante - conseguir estar ciente da respiração a cada momento que passa.
As imagens de aparente perfeição da mente não são reais - Tomemos como exemplo a simples ação de cozinhar - penso em fazer o jantar em 20 minutos e, na minha mente, os tais 20 minutos dão perfeitaMENTE para fazer tudo. O que acontece é óbvio: passados 20 minutos, olho para o relógio e reajo comigo própria porque não fui rápida o suficiente. Começo a pensar que não sou suficientemente boa na cozinha, que cozinhar é uma perda de tempo e que alguém vai estar à minha espera porque eu tinha dito que só demorava 20 minutos. De um momento para o outro, a esperança de conseguir fazer tudo em 20 minutos passa a ser uma corrida contra o tempo e contra mim própria. Estou a contar os minutos enquanto corto com uma faca (err, não é boa ideia), reajo com aquele que me relembra que já passaram 20 minutos e começo a pensar que para a próxima encomendo uma pizza. Nãaaaaao! Aquilo que supostamente era uma imagem de perfeição - preparar os legumes e fazer uma sopa do princípio ao fim em apenas 20 minutos tornou-se num pesadelo de stress e de obrigação. A certa altura já não estava presente, já não me estava a divertir, já não me estava a dedicar. Comecei a sabotar a minha expressão a participar no arrependimento de ter começado sequer a cozinhar  e a culpar tudo à minha volta por me estar a atrasar, mas fui só eu quem permitiu criar tal limitação em mim própria.

E como estes há muitos exemplos de como seguir-se a ditadura da mente não beneficia ninguém. Os altos e baixos de esperança VS frustração e stress são auto-destrutivos. E tenho visto que até agora a minha vida tem sido composta de altos e baixos baseada nesta corrida atrás das imagens da mente que eu tenho acreditado ser o máximo que eu posso e devo fazer.

Quem eu sou fora da mente? Como é que eu agiria se estivesse ciente do tempo que eu realmente levo a fazer as coisas fisicamente? Quão rápida sou se estiver plenamente focada na minha ação física e não nas conversas da mente? Tenho dado a resposta a mim própria ao estar focada na minha respiração. Nisto, tenho-me apercebido que quanto mais física eu estou (ciente do mundo à minha volta, ciente da minha respiração, ciente das minhas ações), mais me dedico à minha ação e por isso mais gozo tenho ao fazê-la, como se a minha ação fosse uma continuação de mim própria em estabilidade.

Estas realizações e a aplicação da respiração no meu dia-a-dia têm sido essenciais no meu emprego que requer a gestão de vários projectos ao mesmo tempo e uma total dedicação na preparação de todos os detalhes para que seja tudo tomado em consideração. It is a work in progress / in process...

Reparo também que a minha comunicação está a ser mais clara porque já não ponho cá para fora os pensamentos soltos da mente - em vez disso, eu primeiro procuro compreender aquilo que se passa e, depois, sou capaz de comunicar e explicar com clareza.
O mesmo acontece com a velocidade da fala - lembro-me de ouvir o João dizer  que às vezes não percebe aquilo que eu digo porque eu engulo as frases ou porque faço com um comentário "vindo do nada". Quando isto agora se passa, em vez de reagir ofendida, eu comprometo-me a tomar esse alerta como um apoio para que eu me foque na minha respiração e que não tente seguir desalmadamente a mente - em vez disso, eu dou-me direção a cada respiração, dedico-me a dizer cada palavra com clareza, a realmente estar ciente das palavras que eu estou a dizer/viver e a falar um e igual à velocidade dos meus lábios e língua.

A mente serve então de indicador do meu estado pessoal para que eu veja os medos que ainda permito em mim, veja as noções e ideias que criei para mim própria e veja os padrões em que eu tenho participado - Ao realizar que a mente não é o melhor de mim e não me traz a estabilidade e perfeição na minha vida, eu comprometo-me a usar estes indicadores em auto-ajuda para finalmente ver onde é que posso/tenho de mudar para o meu próprio bem/para a minha criAção em estabilidade e real perfeição física.



DIA 154: O mundo muda quando eu mudo




Este é o ano de me abraçar a mim própria, de cooperar comigo própria e de parar esta fricção interna  - mais do que nunca vejo que o mundo à minha volta muda quando eu mudo a relação comigo mesma.
Parei e sentei-me a escrever. Às vezes o simples acto de começar a escrever é tão simples, outras parece ser tão complicado e pesado tal como a minha mente. Vou usar o dia de hoje como exemplo e parar a resistência da mente e simplesmente Escrever. Quanto à estrutura (e aqui recomendo ver-se a estrutura deste texto do blog Journey of Heaven), começo por abrir um ponto/a personalidade que tem andado a preOcupar-me e que tenho de ser eu a resolvê-lo, primeiro em mim e depois no meu mundo. Neste momento vi a sabotagem da mente com o pensamento - De que é que eu hei-de escrever? Está aparentemente tudo bem na minha vida. Mas em honestidade própria eu tenho a noção que esta é a ponta do iceberg e que se pudesse passava a maior parte do meu tempo a escrever, a fazer os exercícios de escrita do DIP e a investigar o que se passa em mim e o que se passa no mundo à minha volta.

Ultimamente tenho-me apercebido que a perfeição é ser e fazer as coisas em honestidade própria. Comecei por escrever sobre um evento que aconteceu na minha vida recentemente em que estava de tal maneira obcecada com o resultado final que não me apercebi que, como a palavra indica, o resultado seria fruto do meu empenho e dedicação - dei por mim a apressar a caminhada e acabei por desleixar cada passo, cada etapa daquilo que eu estava a fazer. No final, acabei por apressar e as coisas não correram como eu queria, especialmente porque não estava estável comigo própria e percebi onde eu tinha sido desonesta comigo própria. Nisto, apercebo-me que enganar os outros é relativo, porque o outro pode nem reparar, mas eu sei que me estava a enganar a mim própria porque não criei as condições para a minha estabilidade e para um resultado perfeito.
Em vez de chorar pelo leite derramado, comecei a analisar os pensamentos que ocorriam na minha mente relacionado com o tal evento. Curiosamente, comecei a ver padrões que não eram só de agora - eventos do passado que tinham tido pensamentos semelhantes e com o mesmo ponto de partida de medo. Por isso, não tinha a ver com o outro, ou com o evento em si mesmo, mas com o conjunto de medos e de pensamentos que criam um padrão que até agora tenho justificado como "eu sou sempre assim", "por muito que prepare as coisas há sempre uma coisa que me escapa", "devia ter tomado mais atenção". Por trás desta espécie de arrependimento, vejo o padrão de fazer as coisas parecerem melhor do que elas são -- aquilo que acontece quando se quer vender uma coisa não é?, em vez de ser realista. Ou o padrão de assumir que está tudo bem em vez de realmente garantir que está tudo bem. E ainda o padrão de achar que tudo o que vem de mim não é perfeito.
Para sair deste estado mental, tenho de parar cada pensamento que surge - porque sei que esta telenovela da mente é infinita; por isso eu páro e respiro, e dou direção a estes pontos quando escrevo sobre eles; aplico-me no perdão próprio para me preparar para mudar no futuro; e estabeleço quem eu quero ser e como eu quero agir da próxima vez para não cair na mente outra vez. Este é o meu trabalho de casa, em que eu páro e escrevo em honestidade própria e aberta comigo mesmo, sem vergonha de mim própria, sem me julgar e sem me desvalorizar. Escrevo para mim e por mim, cuido de mim para não deixar que a minha merda afecte os outros. Acima de tudo, vejo que eu não estou de todo dependente da reação ou até mesmo compaixão do outro, porque a desonestidade está em mim e é esta que eu tenho de resolver. Agora ou depois, mas não há volta a dar e o mesmo padrão vai surgir novamente para eu me enfrentar e corrigir, ou cair outra vez porque afinal ainda não me tinha preparado. Criar a estabilidade própria é perguntar-me: perante a minha decisão, sou capaz de estar estável e enfrentar todos aqueles que estão envolvido, sem qualquer arrependimento? Se ainda não estou clara na minha decisão, então terei de trabalhar em mim, perceber a origem da instabilidade, escrever sobre as preocupações, falar em voz alta comigo própria para me ouvir, desabafar com alguém para ter outras perspectivas fora dos limites da minha mente, fazer ajustes à minha decisão, até eu estar 100% clara naquilo que eu estou a fazer.

A partir daqui, não é preciso ter esperança ou estar dependente da reação do outro, porque eu estou 100% estável na minha ação, estou tranquila e firme, e o debate ou discussão não são necessários.
No entanto, a esta altura do campeonato em que estamos a caminhar o processo, há a tendência em ser dura comigo própria, e isto não é necessário. Quando vejo que errei, tomo esta como uma oportunidade para ajustar o meu processo, para mudar a minha atitude e mudar a minha abordagem, aprender a levar as coisas passo a passo, para fazer os possíveis para ser sempre clara comigo própria e ver onde é que eu posso corrigir-me. 

Como me disse a Lindsay Craver, às vezes parece que estamos a 100% mas depois andamos a decisão e vemos que afinal estava só a 30%, por isso é aqui que entra a honestidade-própria pura e dura, para verificar se todos os pontos estão alinhados e tidos em conta - leva tempo a desenvolver e é um processo que tem de ser caminhado em "tempo real".
Nisto, sugiro que se leia o meu artigo sobre "Fazer as coisas pela metade", e apercebo-me que 30% é de facto 0, porque ou é 100% ou é nada, ou respiro ou não respiro, ou é vida ou é morte, ou sou honesta comigo própria ou sou desonesta comigo própria.
Pontos simples de se ver mas extremamente difíceis de serem realmente vividos. É por isso que este processo é de volta ao básico.