Mostrar mensagens com a etiqueta vergonha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta vergonha. Mostrar todas as mensagens

DIA 198: O que eu permito acumular em mim


Hoje vi/enfrentei a consequência de manter o backchat da mente activo, ou seja, alimentar as conversas internas da mente que se acumulam em relação a algo ou a alguém e, sem me dar conta, começaram a ser trazidas cá para fora. Revi-me numa situação de "fazer queixinhas", como se tivesse acumulado uma série de experiências e naquele momento estava a contar o meu ponto de vista. O caso em questão é irrelevante porque isto passa-se entre amigos, familiares, casais, conhecidos, colegas e até mesmo desconhecidos. Depois de ter falado com o meu colega sobre a situação que eu andava a acumular em mim, apercebi-me que se tratava de falar nas costas do outro e senti vergonha. É incrivel como a mente passa da polaridade de controlo vs vergonha, em constante entretenimento de auto-julgamentos, em vez de ver o que se passava na minha relação comigo.

Eu pergunto-me: - Porque é que eu não escrevi sobre a situação que me estava a incomodar, para primeiro investigar por mim o problema e escrever as respostas e a solução para mim própria?
Porque é que aceito acumular o backchat em relação ao outro se na realidade é a mim que estou a dificultar o meu processo, pois estou agarrada à mente?
Escrever sobre o backchat iria ajudar-me a ver quais são os julgamentos que eu estou automaticamente a projectar no outro.

No momento em que eu trazia esta história cá para fora, apercebi-me da minha posição de vítima, como se quisesse que o outro me desse razão e me protegesse do "mauzão".
Por breves momentos eu apercebi-me que estava a seguir a mente dos julgamentos e no fim da conversa reparei que aquilo que eu tinha visto tinha sido de facto pontos que eu posso melhorar na minha relação com aquilo que eu faço, com os outros e o as minhas práticas de trabalho. Apercebo-me que não foi responsável da minha parte pôr o backchat cá para fora sem  ter primeiro investigado estes pontos em mim própria, estudar soluções e ver os padrões. E são estes os padrões que eu tenho aceite e permitido na minha vida são os padrões que têm condicionado a minha vida, caso contrário não tinha levado a peito relação com o meu colega.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser motivada pelo desejo de atenção e por isso querer partilhar o backchat como uma vítima, em  vez de dar-me direção e recriar um plano para resolver esta relação comigo (projectada no outro).

Nisto, eu comprometo-me a escrever sobre o backchat quando eu vejo a acumular-se em mim e a perdoar os julgamentos da mente que eu ainda alimento ou acumulo em relação a algo ou alguém. Eu apercebo-me que a  minha estabilidade é incondicional e que, ao ver estes padrões através da minha relação com o outro, pode funcionar como um espelho para eu perceber as personalidades/pensamentos/ideias que eu permiti acumular em mim e que portanto eu sou responsável por corrigir em mim.


DIA 189: "Quem foi ao ar perdeu o lugar"?... Educados a ser rivais e a competir


Isto de estar ciente das minha personalidades tem que se lhe diga! Tem sido cada vez mais fácil ver as personalidades surgirem no meu dia-a-dia, como se visualizasse o padrão e percebesse como ele funciona desde o momento em que me torno a personalidade e as consequências na minha realidade. Estar ciente destas personalidades é o primeiro passo para ver a origem, perceber as consequências que ando a criar para mim própria e finalmente mudar para o melhor de mim.

Hoje enfrentei a personalidade da rivalidade numa situação que talvez vos seja familiar: a famosa lenga-lenga do "quem foi ao ar perdeu o lugar". Fomos tão "bem educados" que continuamos a viver essa ideia na vida adulta. No meu exemplo, eu estava num lugar no ginásio durante a primeira parte da aula de dança e, quando saí para beber água no intervalo, uma pessoa tinha ocupado aquele lugar.  No espaço de segundos, perante aquela MUDANÇA eu senti a reação, depois a vergonha e a raiva: a reação de ver o meu lugar ocupado; vergonha ao pensar que as outras pessoas que assistiram à cena estavam a pensar que eu fui "ultrapassada" e portanto sou inferior; e raiva em relação à pessoa que eu pensei ter tido a lata de usar o intervalo para avançar para a linha da frente.
Ao escrever esta situação, vejo que este cenário se repete todos os dias na fila para entrar para o metro: há quase sempre uma fila e, quando o metro abre as portas, há pessoas que tentam avançar e ultrapassar a pessoa da frente. Perante este comportamento social eu manifesto uma sensação de inferioridade em relação à pessoa que avançou sem respeito. Pergunto-me: - Porquê julgar como superiores aqueles que não respeitam os outros? Por outro lado, porque é que eu me deixo afectar quando assisto (ou sou vítima) deste tipo de comportamento? Porque é que não me permito estar estável em mim, naquilo que eu faço, sem ir para o backchat da mente de julgar a outra pessoa como superior ou como imbecil?
Em relação à experiência desta manhã, eu apercebi-me o quão perturbante foi ficar permeável aos pensamentos da mente porque a partir deste episódio estive menos focada, distraída e mais descoordenada. Levei alguns momentos a estabilizar-me com a respiração e a fazer paz com a muDANÇA, ver que havia MAIS lugares e realizar que "ter perdido o lugar" era irrelevante para o meu propósito de DANÇAR, me divertir e de seguir os passos. Escrevo aqui o perdão próprio e as afirmações de auto-correção para prevenir esta reação dentro de mim e esta auto-sabotagem no futuro.

Perdão-Próprio:
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sabotar a minha decisão de dançar com o episódio inesperado de ter "perdido AQUELE lugar na sala".
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que AQUELE lugar é um lugar num espaço que é a sala e que serve apenas o propósito de ter pessoas, sem necessidade de criar uma relação com AQUELE lugar.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar incondicionalmente estável em vez de absorver as ações dos outros e tomá-las como pessoais. Nisto, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido comparar a minha dança com a dança da pessoa que ocupou o meu lugar, o que mostra a competição da mente para manter esta luta dentro da mente contra a outra pessoa.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido levar a atitude da outra pessoa como uma ofensa e como uma "guerra aberta" ao ter ocupado o meu lugar. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar em guerras de competição dentro da minha mente e assim estar a criar separação física que na realidade não existe - eu vejo agora que estávamos ambas na mesma sala e que os lugares são criados onde quer que haja um espaço livre.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me pelo lugar onde eu estou em vez de viver a decisão de ser estável e ciente de mim em qualquer lugar e a qualquer momento.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na imaginação da mente de falar com a rapariga para sair do meu lugar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir com um "grrrrr" e submissão à vontade da outra pessoa, em vez de decidir dar-me direção-própria, observar um lugar livre e em senso comum criar a minha estabilidade, sem ficar "agarrada" à atitude da outra pessoa. 
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar imediatamente que a outra pessoa foi ruim e que fez de propósito para aproveitar o intervalo para ser gananciosa. Ao trazer o ponto para mim própria, eu vejo que EU estava  a ser gananciosa sobre aquele lugar e a considerar a hipótese de "ter o lugar de volta" no próximo intervalo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido dançar no lugar novo contrariada e pensar que o outro lugar era melhor porque via o espelho. Nisto eu apercebo-me que as conversas da mente criam mais distração e "estragos" do que o facto de não ver o espelho!
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido calar a mente e o conflito da mente para me permitir viver a decisão de SIMPLESMENTE estar ali, sem relações com o lugar ou com as pessoas, mas SIMPLESMENTE presente, em mim, física, a dançar!
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que se a outra pessoa tivesse comunicado comigo com um "desculpa" ou ao perguntar se eu queria aquele lugar de volta, então eu não ficaria chateada. Eu apercebo-me que o ponto de não ficar chateada é independente da atitude da outra pessoa. Nisto eu apercebo-me que QUEM EU SOU não é dependente de quem OS OUTROS SÃO.

Afirmações para auto-correção:
Eu comprometo-me a parar a sabotagem da mente quando vejo que estou a ser perturbada por um evento que não estava "agendado". Em vez de reagir, eu ajudo-me a procurar uma solução perante a nova situação e a garantir que me ajudo a estabilizar, em vez de agravar a situação dentro de mim!
Quando e assim que eu me vejo a lutar na mente contra uma pessoa que tenha ocupado o meu lugar, eu páro a mente e respiro. Eu apercebo-me que a luta da mente é uma luta comigo própria e que não é isto que eu quero para mim.
Quando e assim que eu me vejo a julgar-me como fraca porque eu não reajo com a outra pessoa, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a ver as coisas e agir em senso comum - se vir que é relevante falar com a outra pessoa eu falo, se não eu permito-me viver a decisão de não falar e de parar qualquer conversa na mente.
Quando e assim que eu me vejo a julgar a outra pessoa como "má", "ruim", "estúpida", "gananciosa", superior" (curiosamente associamos a ganância à ideia de superioridade), eu páro e respiro. Eu apercebo-me que na minha Vida sou eu quem decido quem eu quero ser a cada momento. Nisto, eu comprometo-me a não ser influenciada pela maneira como as pessoas à minha volta são - porque eu só somente responsável por quem eu sou e, portanto, não me permitirei fazer aos outros aquilo que não quero que seja feito a mim.
Eu comprometo-me a ser SEMPRE o exemplo para mim própria e portanto não me permitir estar instável ou reagir mesmo quando esteja perante uma situação de competição. Aliás, eu apercebo-me que só existe uma situação de competição se eu permitir viver em competição. Realizo que a competição começa em mim e que existe primeiro em mim e que, ao permitir existir competição em mim, vou acabar por projectá-la na minha realidade/nos outros.
Comprometo-me a estar ciente dos pensamentos de competição na minha mente e a parar esta PERSONALIDADE competitiva e de rivalidade que eu crio e participo na minha mente sem qualquer benefício para mim nem para a realidade à minha volta.
Comprometo-me a parar de ver as outras pessoas como minha rivais como se esta vida fosse um jogo de soma nula - eu apercebo-me que há lugar para todos se todos criarmos lugar para todos. Eu apercebo-me que ao criar a minha estabilidade e ao adaptar-me a dançar no meu novo lugar, eu fui o exemplo para mim própria. Comprometo-me então a ver sempre o senso comum da situação e em viver uma solução prática para mim e que seja também o melhor para nós todos em cada momento.
Quando e assim que eu me vejo a ser inflexível comigo própria (que é uma forma de amuo!) ao estar a julgar o novo lugar como prior que o anterior, eu páro este julgamento da mente e respiro... E continuo a dançar no/com o meu corpo físico.
Quando e assim que eu me vejo a culpar a outra pessoa pela minha instabilidade, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que culpar a outra pessoa é a "easy way" e que desejar que a outra pessoa resolva o assunto é uma ilusão da mente. Vejo que a única maneira de garantir que resolvo a minha instabilidade é ao tomar responsabilidade por mim e criar soluções para mim nesta realidade física 

Quando e assim que eu me vejo a desejar que a outra pessoa seja simpática comigo para eu ser simpática com ela, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta ideia de ser simpática é a ideia de agradar a outra pessoa, em vez de perceber que eu sou simpática com a outra pessoa no sentido de respeitar a outra pessoa e de comunicar sem reações.
Eu apercebo-me que a instabilidade da mente é uma mentira porque QUEM EU SOU ESTÁVEL COMO VIDA é incondicional e portanto a minha estabilidade como Vida não está dependente do "desculpa" da outra pessoa, ou de um sorriso. Eu comprometo-me a não me permitir estar à mercê nem da minha mente nem da mente/atitude dos outros.

Foto: Image courtesy of photostock / FreeDigitalPhotos.net


DIA 184: Imagina-a-ação e a vida passa ao lado...

Neste blog continuo a analisar as dimensões por trás do caráter/personalidade dos julgamentos próprios aquando da minha última saída à noite.

Quanto à dimensão da imaginação, consigo ver que na altura em que eu estava naquele espaço físico, a minha mente vagueava "fora de mim"... imaginava quem eram aquelas pessoas e onde é que elas iam. Ao mesmo tempo, imaginava-me a libertar-me dos julgamentos e a simplesmente dançar, a falar com as pessoas sem vergonha e sem medo de ser observada. Em relação ao medo de ser observada, vejo que a outra polaridade também se manifestou, em que imaginava a observar-me de fora, como se me visse ao espelho. e apontasse o dedo...  Assim se vê que a imaginação é mais uma dimensão da mente e, em honestidade própria, consigo então descobrir pontos em honestidade própria:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na imaginação da mente que funciona como uma telenovela de entretenimento mas em que as personagens que eu vejo nos outros são personalidades que eu projecto e que, portanto, existem em mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que os outros (personalidades) estão separados de mim quando, ao participar na imaginação da mente, é de mim que eu me estou a separar. Apercebo-me que este tipo de entretenimento funciona como um mecanismo de defesa para não  enfrentar estes pontos da mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido limitar a minha expressão naquela altura ao participar nos episódios da mente e ao imaginar como é que as coisas/eu estaria diferente se tivesse ido a casa por exemplo, ou se tivesse com outra disposição, ou menos cansada, ou mais produzida. Nisto, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido condicionar a minha vivência aqui/agora com base na ideia de que faltam coisas para eu estar simplesmente presente! É óbvio que a única coisa que verdadeiramente determina eu estar ou não presente é a minha presença física!

Quando e assim que eu me vejo a cair nas teias da imaginação da mente em que me começo a entreter com a ideia de como as coisas seriam se tivessem corrido de maneira diferente, eu páro e respiro. Foco-me então em parar a imaginação e em ver, no momento presente, o que é que eu estou a impor a mim propria como uma condição para eu ESTAR AQUI, em vez de simplesmente estar e SER aqui; 
Comprometo-me também a ver qual é a atitude que eu acredito e imagino que eu devia estar a ter para supostamente aproveitar melhor aquele momento (por exemplo: a imagem de mim a dançar incondicionalmente e sem vergonha) - apercebo-me que funciona como uma imposição que, se não for cumprida, significa que não me estou a divertir/ que não estou "aqui a fazer nada".

Dedico-me então a ver e a parar o julgamento e a ideia de que estaria melhor a fazer outra coisa do que aquilo que eu estou a fazer naquele momento (mais não seja estar simplesmente sentada em silêncio, ou a observar, ou a conversar); dedico-me também a ver e a parar as ideias de "vida perfeita" que eu projecto nos outros , cuja comparação é desonesta comigo própria e eu me distrai de estar aqui presente a criar o melhor de/para mim onde quer que eu esteja.

Quando e assim que eu me vejo a distanciar-me de mim própria e, ao mesmo tempo, a participar no medo de ser observada, eu páro e respiro. Aproveito então para ver que julgamentos estou a mostrar a mim própria e dedico-me a viver a decisão de parar os julgamentos,a respirar, perdoar e mudar a minha atitude comigo própria.
Quando e assim que eu me vejo a imaginar a vida das outras pessoas, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estas imagens na minha mente são de facto um espelho (normalmente coisas que eu não estou a dar/fazer para mim própria) e por isso é uma oportunidade para ficar ciente destas ideias e ver pontos que eu posso corrigir/aplicar em mim. 


Ilustração: Diss-Order Of Multiple Personalities By Carrie Tooley 



DIA 183: E depois dos julgamentos, vejo o padrão da comparação - dimensão do pensamento


Sugiro que se leia a introdução desta secção em que eu estou a auto-investigar as várias dimensões associadas à experiência dos julgamentos:

Dimensão do pensamento:

Estou num bar trendy em Londres e penso que "há raparigas giras. Eu não sou tao gira como elas mas sou casada". Ou seja, acabo por justificar a comparação sem ver o padrão de polaridade  em que eu me estou a permitir participar (ser menos VS ter mais).

Porque não simplesmente observar e estar um e igual com as pessoas à minha volta? Para quê comparar-me? Para quê julgar? Para quê julgar-me? Para quê entreter a mente e PERDER a expressão da Vida aqui?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido cobrir os julgamentos de inferioridade com a ideia de "pelo menos tenho isto", quase como se fosse um -'toma, toma' a deitar a língua de fora, que é decepção, separação e uma maneira de ignorar o padrão de comparação e inveja.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter resistência a escrever sobre o padrão da inveja por ter vergonha dos meus próprios padrões, sem ver que ao esconder estes padrões de mim própria eu estou a aceitar limitar-me com estes padrões! Ao ver aquilo que se passa na minha mente, vou-me permitir estar a tenta ao padrão e AGIR pro activamente em viver a decisão de mudar a relação comigo própria para começar a viver em plena transparência comigo própria e confiança no meu processo de mudança.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido olhar à minha volta sem qualquer julgamento sobre aquilo que eu vejo e sem qualquer polaridade. Apercebo-me que a primeira polaridade começa por pensar que as outras pessoas são uma coisa e que eu sou o oposto disso, sem me permitir ver aquilo que somos/temos  em COMUM, como por exemplo o facto de estarmos TODOS, AQUI, AGORA.

Eu perdoo-me por nao me ter aceite e permitido ver/reconhecer que os julgamentos que eu tenho dos outros têm sempre a ver comigo e coisas que eu não me estou a permitir ver/criar em mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o bar de Londres a um local de beleza feminina e "trendy" e assim estar a criar separação com o local e acreditar que estes lugares não são para mim depois de um dia de cansaço e de trabalho.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me pelas roupas que eu tenho vestida e julgar as roupas como não sendo adequadas para o bar trendy!

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na vulnerabilidade em relação à mente e participar em cada julgamento, ideia e desejo da mente, que em honestidade própria eu realizo que este é um mecanismo da mente/um escape para não me enfrentar e viver a decisão de parar a insegurança da mente e criar a minha estabilidade de dentro para fora, independentemente de onde eu estou, com quem eu estou, daquilo que tenho vestido ou daquilo que eu faço.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar as mulheres como bonitas ou feias baseadas no estilo que aparentam e assim participar na imagem da mente que não me permite conhecer as pessoas (eu!) realmente e estar um e igual com elas (comigo).

Curiosamente, à medida que fui escrevendo o perdão próprio vê-se que comecei por perdoar os julgamentos em relação aos outros e gradualmente comecei a focar-me em mim (por exemplo toquei no ponto do conflito em relação às roupas que eu tenho vestida). Isto mostra que cada ponto tem várias camadas e que, ao tirar as de cima, começo a ver o que eu tenho acumulado em mim e que tenho literalmente escondido de mim própria. Através da escrita é possível trazer estes pontos em tempo-real e andar cada pensamento desonesto, cada ponto de separação, cada definição e ver com os nossos próprios olhos a maldade que fazemos a nós próprios nas nossas próprias mentes.

Quando e assim que eu me vejo a pensar que a outra pessoa é mais do que eu (quer seja o "mais bonita", "mais artística", "mais inteligente", "mais interessante") eu páro as comparações da mente e respiro. Eu dou espaço a mim própria para me estabelecer "fora do filtro da mente" e permito-me olhar à minha volta sem julgamentos da mente. Eu comprometo-me a auto-investigar a admiração que eu tenho pela personalidade que a(s) outra(s) pessoa(s) representam. Comprometo-me também a ver o que é que eu me estou a ver separada de determinadas qualidade, de forma a começar a fazer aquilo que até agora só associava a ser feito pelos outros!

Quando e assim que eu me vejo a limitar a minha expressão com base nas associações que eu dou sobre "como é que este sítio é" (exemplo: bar trendy)  e "como é que as pessoas se devem comportar" (fashion e extravagantes), eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estes pensamentos são a minha própria limitação e que posso então usar estas ideias para ver a prisão que eu tenho criado em mim e à minha volta. Comprometo-me então a estar um e igual com o sítio e com as pessoas, a estar estável dentro de mim incondicionalmente do local ou com quem eu estou, em plena auto-confiança, direção própria, sem querer parecer mais nem menos, sem querer agradar os outros nem definir os outros.

Eu comprometo-me a parar o pensamento/cadeia de pensamento que vejo surgir no momento em relação ao ambiente/pessoas à minha volta e RESPIRO. Eu procuro ver qual foi o pensamento que despoletou uma determinada personalidade, ou que desejos existem em mim e que eu me estou a dis-trair de mim. Eu apercebo-me que as definições da mente funcionam como uma limitação porque não me deixam ver para além daquilo que é superficial e por isso eu não me estou a permitir auto-investigar, descobrir e resolver em mim estas personalidades. Dedico-me então a estar atenta à dimensão do pensamento e a não tomá-los como pessoais - é um espelho de padrões que me mostra aquilo que eu posso corrigir em mim.

Quando e assim que eu me vejo a querer agir para querer controlar o pensamento que a outra pessoa possa ter sobre mim, eu páro e respiro. Apercebo-me agora da prisão que eu estou a criar para mim própria porque fui eu quem criei o pensamento em mim e que depois acreditei ser real porque projectei-o numa pessoa. Realizo então que as personalidades não são reais e que estas são criadas/alimentadas na minha mente se eu assim o permitir/aceitar.

Apercebo-me agora também que todas as personalidades que eu vejo e julgo à minha volta são pontos que eu posso verificar dentro de mim e ajudar-me a parar estas personalidades para me criar como o exemplo para mim própria.



DIA 152: Não permitir ser controlada... Pela mente dos outros?


Se eu não posso confiar na minha própria mente, como é que ainda me permito confiar na mente dos outros?
Até agora ainda não tinha dado um nome a este fenómeno de influência mental, mas tornou-se claro que se trata de permitir ser controlada pela conversa da mente dos outros e que ecoa na minha.

Apercebo-me que aquilo que me é dito pelos outros torna-se numa semente de pensamentos que eu adopto como meus, sem ver que na realidade estou a permitir ser controlada por toda esta conversa da mente tal e qual uma esponja que absorve aquilo que ouve, vê e aceita. Estou neste momento a investigar a origem desta influencia que eu tenho aceite como sendo normal, sem ver no entanto que estou a permitir-me ser controlada pela instabilidade típica da mente humana. O facto de ser a filha mais nova implicou ter como referência pessoas mais velhas e acreditar/confiar que estas estavam sempre certas e, consequentemente, eu estaria confiante ao segui-las. Recentemente vi este padrão manifestar-se na minha vida, mas desta vez num cenário diferente e sem qualquer laço familiar, embora se mantivesse a diferença da idade. De um momento para o outro, adoptei a opinião do outro como sendo a minha.
Durante este processo, não me apercebi como eu estava a participar no problema em vez de ser a solução - como se me tivesse juntado à causa como mais uma vítima, a queixar-me e a entregar-me à sensação de inferioridade. Passado alguns dias a reflectir e a escrever sobre este controlo mental, eu apercebo-me que esta sensação de injustiça e a vontade de "largar tudo" em tom de amuo tiveram como ponto de partida o estímulo de mudar o sistema e, ao mesmo tempo, a sensação de vergonha por não o ter conseguido, tal e qual expectativas da mente que não foram correspondidas na vida real.
Ou seja, no final de contas a minha vontade de mudar as coisas não vinha de dentro para fora, mas de fora para dentro, pela vontade de querer ser bem vista pelos outros e ser reconhecida. A verdade é que é inútil querer ser reconhecida pelos outros sem primeiro me conhecer a mim própria e Ser quem eu realmente quero ser, livre de julgamentos, de ideias, de crenças, de expectativas e de condições que eu impus para mim própria como se a mim me encostasse à parede. 

Ilustração de Scott Cook


DIA 13 - Confortável no mEU corpo


Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar confortável na minha expressão corporal e por isso ser confortável um e igual com o meu corpo.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido realizar que o meu corpo é vida feita da matéria do qual todo o universo é composto e por isso o meu corpo é um e igual com tudo o que existe.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar uma relação com o meu corpo de vergonha, querendo esconder-me de mim e dos outros.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estabelecer uma relação de total intimidade comigo própria, sem julgamentos, sem medo nem arrependimento. Apercebo-me que ao não estar confortável com/sendo o meu corpo, então estarei dependente da atenção dos outros e quando essa atenção não existe, sinto-me descartada - apercebo-me que fui em quem me ignorei primeiro.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido abafar a minha expressão corporal e suprimir a curiosidade pelo meu corpo - estar um e igual com o meu corpo é a melhor ajuda que posso dar a mim própria. Realizo que quanto mais os anos passam, mais eu existo na mente/em pensamentos e menos no físico -- quando é o físico que é real!

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ver o meu corpo como algo separado de mim - eu sou/existo como e no meu corpo. O meu corpo é Vida e eu tenho-me ignorado e esquecido de mim como vida que sou!

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido abusar do meu corpo com os desejos e com os medos da mente, que são as duas faces da mesma moeda. Apercebo-me que tenho de dar tempo e a oportunidade a mim mesma para restabelecer uma relação com o corpo que seja o melhor para mim, baseada em honestidade própria, em apoio incondicional e expressão igual a Vida.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sabotar a minha acção e expressão própria ao estar focada no pensamento ou em imagens da mente, em vez de ser incondicional aqui e criar a minha acção a partir do nada - um nada que vem da estabilidade e da confiança que tudo o que eu faço é o melhor para mim e para os outros.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido tomar responsabilidade pela comida que eu ingiro - apercebo-me que ao comer eu estou a criar o meu corpo e por isso vou dar a mim próprio a comida que suporta o meu corpo, nem mais nem menos.

Quando e assim que eu me vejo a suprimir a minha acção com base na imagem "de fora" que eu tenho de mim própria, eu páro e respiro. Se for preciso eu toco no meu corpo para perceber que esta matéria é real e que eu estou Aqui. Eu sou o movimento, não a imagem que tenho de mim na mente - O mEU corpo não existe na mente.

Eu comprometo-me a estar confortável no meu corpo e a estabelecer uma nova intimidade comigo própria, sem julgamentos, vergonha nem medo.

Quando e assim que eu me vejo obcecada com pensamentos da mente, eu páro e respiro. Apercebo-me que o respirar do meu corpo é a melhor ajuda/ferramenta que eu tenho aqui para me estabilizar aqui- Ao estar ciente de mim e dos meus movimentos, sou capaz de tomar direcção própria em plenitude com o meu corpo, ciente que qualquer decisão que eu tome não irá trazer consequências para o meu corpo/vida.

Quando e assim que eu me vejo participar em pensamentos e imagens que são um abuso de mim própria e um total desrespeito por mim enquanto vida, eu páro e respiro.Eu comprometo-me a respeitar-me enquanto vida que sou e agir de acordo com esta decisão.

Quando e assim que eu me vejo estar tensa na minha expressão, eu páro e respiro. Dou a mim própria o tempo para verificar qual o ponto que está aqui para eu ultrapassar para restabelecer a minha expressão incondicional.

Quando e assim que eu me vejo desejar que outros decidam a comida por mim, eu páro e respiro. Apercebo-me que me tornei preguiçosa e que nunca até agora me dediquei a cuidar do meu corpo de forma estável. Eu dedico-me a tomar responsabilidade e a garantir que tudo o que eu ingiro é um suporte para o meu corpo. Dedico-me também a confiar em mim própria um e igual com o meu corpo e páro de participar como o polícia/deus da mente.