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DIA 257: Quem são os refugiados e porque é que a Europa é também responsável pelo que se está a passar?

Foto: Refugiados Sírios celebram com uma selfie a chegada à Grécia após uma viagem arriscada (Reuters/Yannis Behrakis)

"Parem a guerra. Nós também não queremos estar na Europa. Por isso parem a guerra."

A elevada chegada de migrantes e refugiados a Europa está a ser mediático e a gerar preocupação nos Portugueses: por um lado queremos ser solidários para com aqueles que precisam de encontrar um refúgio seguro, e por outro lado há quem pense que primeiro temos de cuidar dos Portugueses que também precisam de ajuda. A meu ver, uma não tem de invalidar a outra e é esta mentalidade de considerar ambos (os nacionais e os estrangeiros) que tem de ser promovida. Esta é, apesar de tudo, uma excelente oportunidade para nos questionarmos sobre aquilo que temos andado a fazer ao longo dos 60 anos de paz em que a União Europeia (UE) tem coexistido: não seria já altura de se garantir que todos os habitantes da UE tivessem uma vida de qualidade e se eliminásse de uma vez por toda a pobreza num continente tão rico de ideais e de pessoas? Não seriamos um ótimo exemplo para acolher aqueles que ainda não tiveram a liberdade de viver num pais livre de guerra, para que também eles aprendessem connosco o que é viver em estabilidade social? No entanto, aquilo que temos assistido (em segunda mão pelos ecrãs televisivos) tem sido o oposto de um acolhimento generoso e de uma aceitação de unidade na diversidade. O uso de polícias de choque em vez de psicólogos ou de assistentes sociais é prova de que ainda não evoluímos de uma mentalidade bélica que vê terrorismo a cada esquina. Este é um reflexo do potencial que a UE não está a desenvolver ao seu potencial máximo.

Relativamente às questões práticas de receber e alojar pessoas que fogem da guerra à procura de asilo, é importante perceber quem são os refugiados: primeiramente, são seres humanos como tu e eu, e segundo a Convenção Relativa ao Estatuto de Refugiado, um refugiado é uma pessoa que "receando com razão ser perseguida em virtude da sua raça, religião, nacionalidade, filiação em certo grupo social ou das suas opiniões políticas, se encontre fora do país de que tem a nacionalidade e não possa ou, em virtude daquele receio, não queira pedir a protecção daquele país..." (http://www.cidadevirtual.pt/acnur/un&ref/who/whois.htm)
Apesar de qualquer conotação negativa que se possa associar a pessoas refugiadas (associadas às imagens desoladoras que passam em todos os telejornais), este estatuto tem direitos que são importantes recordar: "um refugiado tem direito a um asilo seguro. Contudo, a protecção internacional abrange mais do que a segurança física. Os refugiados devem usufruir, pelo menos, dos mesmos direitos e da mesma assistência básica que qualquer outro estrangeiro, residindo legalmente no país, incluindo determinados direitos fundamentais que são inerentes a todos os indivíduos. Portanto, os refugiados gozam dos direitos civis básicos, incluindo a liberdade de pensamento, a liberdade de deslocação e a não sujeição a tortura e a tratamentos degradantes." (http://www.cidadevirtual.pt/acnur/un&ref/who/whois.htm#rights)
É importante também relembrar que existem fundos de assistência aos refugiados que têm de cobrir estas necessidades. Aliás, em alturas de grande fluxo migratório, será da responsabilidade do Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) garantir os recursos para assistência aos refugiados e outras pessoas abrangidas que não consigam garantir as suas necessidades básicas .

Aquilo que eu vejo que está a acontecer é uma onda de medo e de insegurança promovidos pelos meios de comunicação social que é injectado nas mentes da audiência que ouve e vê o mesmo drama durante dias seguidos. Aquilo que eu não vejo ser transmitido são documentários ou factos sobre as verdadeiras razões da guerra na Síria e nos países vizinhos que levam pessoas a abandonar as suas casas, e sobre o interminável interesse em viver-se em estado de guerra e armamento.

Uma criança de 13 anos foi clara na sua mensagem ao mundo: "Parem a guerra. Nós também não queremos estar na Europa. Por isso parém a guerra."




Mas porque é que ele nos pediu para pararmos a guerra? Será que nós somos também responsáveis pela guerra que se luta numa terra que pensamos não ser nossa? Como é possível que afinal esta onda migratória seja apenas o sintoma de uma doença mais profunda?

Mais do que nunca, o mundo e as relações internacionais são interdependentes, o que significa que nenhum acontecimento político ou económico é isolado do sistema internacional. Infelizmente, esta relação de interdependência não está a ser desenvolvida com base na igualdade e só uma minoria de países/corporações/famílias beneficia das regras do jogo. Quanto à Síria, a luta contra o ISIS (Estado Islâmico) pelas forças Americanas, Russas e Europeias assemelha-se às demonstrações de poder e influência durante a guerra fria, num teatro de poder propagado pelos meios de comunicação social controlados pelas elites. Aconselho que se leiam artigos menos mainstream que explicam as relações entre os Estados Unidos, o movimento jihad Islâmico e as famílias reais do Médio Oriente, cujas alianças estão a ser desafiadas pela Rússia (ler artigo: http://www.globalresearch.ca/in-syria-putin-calls-obamas-bluff-russia-joins-war-against-the-islamic-state-isis/5473539).

O resultado desta guerra, como qualquer outra guerra, é a destruição de sociedades que deixam de funcionar e de ter as condições para garantir os direitos básicos de seres humanos. Estes são os migrantes e refugiados que fogem de uma guerra que nunca pediram. Estes são os chamados "danos colaterais" de uma luta com proporções desastrosas para a maioria da população no planeta que, de uma maneira ou de outra, é afectada pelos jogos de poder (tal e qual um game of thrones).

Quanto aos Europeus e aos Portugueses em particular, nós estamos directa e indirectamente envolvidos nesta luta de interesses entre o Ocidente (EUA, OTAN) e a Rússia:  enquanto União Europeia, temo-nos afastados cada vez mais dos princípios de bem-comum com que a UE fora fundada (de acordo com a informação disponível acerca da origem da UE) e temos estado à mercê dos interesses americanos (incluindo do FMI), da ganância do tudo ou nada, e do abuso dos recursos que priveligia a minoria. Aliás, talvez seja ingénuo acreditar que os valores fundadores foram alguma vez prioridade. Por isso, a meu ver, está na altura de reconhecer que é da nossa responsabilidade exigir senso comum, igualdade, e uma nova visão para o mundo diferente do estilo Hollywoodesco das guerras, desigualdade e destruição planetária. Atrocidades estão a acontecer num momento em que nós estamos também a assistir e a escrever a História do mundo - em ano de eleições legislativas, nós podemos exigir conhecer a posição dos potenciais líderes políticos quanto aos refugiados, quanto à defesa dos direitos básicos dos nacionais e dos estrangeiros, escolher não promover o medo nem o recurso à guerra pelos meios da nossa comunicação social, e individualmente reconhecermos que é possível mudar o mundo/sistema para que todos tenham direito à vida.

A minha posição quanto à mudança do sistema: http://rendimentobasico.pt/


DIA 247: Quando Lisboa não é boa…



Fui sair à noite em Lisboa e, mais do que nunca, apercebi-me de uma contradição no ar. Antes de descrever aquilo que senti e aquilo que vi, foi com tristeza que ouvi a voz alarmada dos mais velhos nos seus conselhos do "tem atenção, as coisas não estão para brincadeiras". Estas "coisas" referem-se ao estado  de crise económica em que o país se encontra (ou se perde!) durante o qual a sobrevivência justifica a estupidez, corrupção e violência.

Este blog vem no seguimento de uma 'demonstração' de violência em plena noite lisboeta, na qual três ou quatro jovens começaram a atacar um rapaz com pontapés na barriga, murros nas costas e, quando este se encontrava já mobilizado no chão, um dos jovens ainda saltou na cabeça da suposta vítima, como se se tratásse de um ring de wrestlin em pleno Bairro Alto. Eu encontrava-me do outro lado da estrada e fiquei estática, sem saber o que fazer mas a desejar que aquela cena parásse. Houve dois homens de estatura forte que se envolveram para separar os "lutadores" e finalmente a cena acabou com o tal grupo a fugir pela rua acima. Provavelmente, muitos de nós que assistimos ao que se passava naquele momento queriamos ajudar e terminar o conflito, mas nestas situações não se sabe o que é que realmente se passou, nem quais são as intençōes daquele "espetáculo", nem se ha alguém armado naquela confusão toda.

Já não sentia aquela ansiedade de perigo eminente há algum tempo. Trata-se de uma sensação de insegurança que me prende os músculos e acelera o batimento cardíaco. Uma das coisas que me faltou foi estar ciente da minha respiração e garantir que a minha estabilidade é inabalável. Esta é a única preparação que eu me posso dar a mim mesma de modo a não alimentar o conflito com mais uma reação vinda da minha parte.

Quando o ambiente naquela rua acalmou, continuei a andar e questionei-me se as proximas eleiçoes autárquicas vão mudar alguma coisa e garantir que a segurança na rua seja um direito básico proporcionado por políticas sociais-económicas. Nesse momento, questionei-me também se algum dos políticos ocupados em ganhar votos estariam ali, àquela hora e local, a ver a realidade crua e dura da juventude nacional.

Aquilo que esta experiência me trouxe não foi uma justificação dos conselhos dos mais velhos, mas foi um alerta pessoal para os medos que eu permito desenvolver dentro de mim por influência daquilo que eu oiço, vejo e imagino. Ao mesmo tempo, realizei que a desigualdade social no país é agudizante - por um lado assistimos à violência mais primitiva e por outro lado, a uma elite em festa numa passerele cor-de-rosa. E finalmente, vejo que campanhas ou programas políticos que não tenham em vista acabar com as desigualdades sociais e económicas são uma fachada desafazada da realidade.

Vou escrever sobre os pontos da ansiedade, medo e antecipação brevemente. Até lá, vou ajudar-me a aplicar o senso comum e a respiração no meu dia-a-dia especialmente quando enfrento situações novas e sugiro também que os cidadãos e políticos exijam soluções que garantam estabilidade financeira para todos os cidadãos, como por exemplo, através da renda básica de cidadania. A prevenção é o melhor remédio.

Faz a tua voz contar pela Renda Básica de cidadania: http://cidadania-europeia.weebly.com/
 
Ilustraçao de Andrew Gable.

 

DIA 199: Desacelerar a mente em Portugal para evitar o "programa automático da mente"


Aproveito a semana em Portugal para enfrentar em real-time os vários pontos associados a locais, pessoas, memórias e padrões que ainda se manifestam em mim. Uma coisa que noto diferente em mim é a estabilidade e rapidez ao aplicar as ferramentas do perdão-próprio e da respiração quando me deparo com os pontos. No entanto, ainda há desleixo na minha disciplina e exemplo disso foi ter ficado alguns dias sem publicar no meu blog (apesar de ter sempre um bloco de notas comigo). 
Apercebo-me que a única maneira de me aperceber dos padrões e ver as coisas como elas são (sem a interferência de memórias ou hábitos do passado ou ideias de "é sempre assim") é a desacelerar a mente para evitar ir para o "programa automático da mente", que funciona à base de imagens e projecções de um futuro imaginado. Logo na primeira noite em que cheguei, fui a um evento e apercebi-me de como as pessoas aqui parecem olhar fixamente, algo que em Londres me parece menos comum. Por outro lado, vejo que este inicio de preocupação ao ver alguém a olhar para mim é de facto uma projeção minha, sobre qualquer coisa que eu possa pensar que o outro pense! Isto é o cúmulo da distração. Ao trazer o ponto para mim própria, apercebi-me daquilo que a minha mente se andava a entreter e foi mais fácil parar os pensamentos, respirar e estar presente, focada naquilo que eu estava a fazer.
Outro ponto que me apercebi à chegada foi a minha falta de paciência, ponto que ainda estou a trabalhar em mim. É como se quisesse impor nos outros a minha disciplina, em vez de me focar simplesmente em ser o meu exemplo a cada momento - disciplina não implica levantar a voz nem ser rígida ou inflexível - implica viver as minhas palavras, fazer aquilo que tenho a fazer por mim, garantir que sou honesta comigo-própria e, para isso, ser clara na minha comunicação com os outros, mas sem o intuito de criar separação.

Photo: A descontração Lisboeta, em frente ao Palácio da Ajuda. Joana Jesus 2013


DIA 133: Qual é a próxima pr€ocupação?



A preocupação é como uma telenovela da mente: episódio atrás de episódio que parece ter mel. Dou por mim a voar de uma preocupação para a outra, entretida na mente e distraída com os sintomas de medo. Porque é que nos preocupamos contínuamente? Será uma coisa cultural? Ou será apenas a vinda dos medos à superfície projetados no nosso dia-a-dia?
Mais uma vez, enquanto andava sozinha a pé, dei a mim própria o tempo e o espaço para analisar estes "sintomas" e este ponto ficou mais claro do que nunca: a preocupação tem um efeito de crescimento gradual que só acontece porque eu dei permissão ao primeiro sinal de preocupação na mente - por exemplo, ao permitir que o medo se instale e contamine lentamente todos os subpensamentos que surgem em relação à minha ação, acabo por continuar a aceitar esta realidade paralela da mente e acreditar que "este é o meu destino"
Por exemplo:
Penso em apanhar um avião. Mesmo antes de tomar a decisão de comprar o bilhete, começo a criar uma bola de neve de situações prováveis de acidentes, de atrasos, de complicações - e chego mesmo a acreditar que "não é suposto" eu fazer isto porque vai estar tudo contra mim. Controlo total da mente e deprezo pela vida - Também vês a extensão da sabotagem?
Este padrão não existe só em mim. Aliás, criou-se um enorme sistema de lucro baseado neste nenúfar de preocupações, em que saltamos de uma para a seguinte, à procura de um porto seguro... Et voilà! Assim se instalou negócio das empresas seguradoras: seguro de vida, da casa, de morte, de trabalho, de carro, de férias. O pior é que apesar de toda esta proteção, a nossa mente ainda anda à solta a ditar aquilo que sentimos, imaginamos e acreditamos. Face ao sucesso das seguradoras e de propaganda medrosa é pouco provável que vejamos cartazes a dizer: 
"Não se preocupe. Respire e desligue os medos da mente."

A re-educação passa por criar esta estabilidade incondicional em mim e por mim, respiração em respiração, ciente que a sombra das precupações é criada e permitida por  mim, como histórias de embalar e hipnotizar qualquer potencial de mudança pessoal e social.

to be continued...



DIA 115: Boa aluna, ser ou não ser?


Ultimamente, tenho percebido o que é estar do outro lado, ou seja, como é a sem(s)ação de não se fazer o trabalho de casa e de não conseguir manter as lições em dia. Esta resistência tem-se manifestado na minha aplicação num curso que eu estou a fazer por opção própria - é curioso que durante o meu percurso escolar obrigatório fui sempre muito aplicada e tirava boas notas e, agora que se trata da minha direção própria, estou a adiar a minha dedicação.
Lembro-me de me questionar como é que se sentiam os meus colegas que estavam sempre a perder o comboio ou a ser puxados pelas orelhas para acompanharem a matéria e não percebia como é que se podia simplesmente não fazer os trabalhos e ser-se passivo em relação a isso. Mas será que eram passivos? Ou sera que era o jogo de papéis, no qual uns representam uma polaridade e os outros a outra? Infelizmente não somos educados para nos colocarmos nos pés do nosso colega e vermos a perspectiva do outro lado da sala...

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me como "má aluna" em relação ao curso que eu estou a tirar porque não tenho as lições em dia, sem com isso ver que não ter as lições em dia é apenas a consequência de ter permitido adiar a minha dedicação a mim própria e ao que eu faço. Apercebo-me que ao definir-me como "má aluna" com base nas situações passadas, eu estou a limitar a opção de parar de viver no passado para mudar quem eu sou a quilo que eu faço no presente.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que o não fazer o "trabalho de casa" é de facto uma resistência que me mostra a solução para mim própria -- a solução é ultrapassar esta resistência e dedicar-me A MIM, que é exactamente isso que me tem estado a escapar. Eu apercebo-me que são estes exercícios que realmente me têm ajudado a conhecer-me e a realizar tantas coisas em mim própria. Vejo então que esta resistência é o medo de largar o passado (baseado na memória daquilo que eu me tenho habituado a ser/fazer) para avançar para o novo - que sou eu no meu processo de mudança.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que dedicar-me neste curso é o melhor para mim, porque me estou a DEDICAR A MIM. Eu dedico-me a trabalhar no meu Ser e em viver a decisãode me conhecer em honestidade própria e de me tornar a honestidade própria a cada momento.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar avançar no curso para mostrar que sou capaz ou que sou "de valor" em vez de realizar que não há nada para provar a não ser eu própria garantir que faço e que me torno aquilo que é o melhor para mim em honestidade própria.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me como "má aluna" com base na ideia daquilo que um bom aluno deve ser, em vez de ser honesta comigo própria e ver se de facto me estou a ajudar neste processo e se estou a dar o melhor de mim. Neste caso, eu perdoo-me por não me estar a permitir e aceitar dar o melhor de mim e dedicar o meu tempo livre para trabalhar no meu Ser, para Ser aqui, em vez de ser a mente no ciclo de preocupações e medos.

Quando e assim que eu me vejo a ter resistência para de facto me sentar e começar a fazer os exercícios novos, eu páro e respiro. Eu estou a fazê-lo por mim e para mim, logo, qualquer resistência em dedicar-me a mim é desonesto comigo própria pois é a mim que eu me estou a limitar! Eu tenho-me apercebido que a partir do momento em que eu começo o exercício, eu estou de facto a avançar na minha descoberta das personalidades e a perceber novos padrões que até agora estavam automatizados e que passavam despercebidos. Associo este processo à descoberta fascinante de perceber como as fórmulas mantemáticas fazem sentido depois de se ter visto o processo passo-a-passo, tal e qual uma construção no nosso cérebro que até então era chinês para mim.

Quando e assim que eu me vejo a sentir aquela "falta de vontade" em começar, eu páro e respiro. Esta falta de vontade é só da mente em busca de uma zona de conforto, de um passado de definições e de entretenimento, porque eu Sou o meu corpo activo. Quando e assim que eu vejo a mente a entrar no modo da passividade, eu páro, respiro e permito-me estar ciente do meu corpo - posso até tocar em alguma coisa física (mesa, cadeira) e foco-me na minha decisão de me direcionar para aquilo que eu decidi fazer.

Quando e assim que eu me vejo a distrair-me a meio do exercício com pensamentos de coisas que eu tenho de fazer, eu páro e respiro. Ao parar e respirar, eu dou-me a oportunidade de começar de novo, corrigir-me e finalmente direcionar-me fisicamente para viver a decisão de começar a escrever. Vejo que o pensamento/imagem de mim a completar o curso é irrelevante, pois eu só irei completar os exercícios se fisicamente me mover e dedicar a fazê-lo.

Quando e assim que eu me vejo a justificar não ter pegado no exercício a semana toda com base na ideia que tive muito trabalho no emprego, ou que algo inesperado surgiu, eu páro e respiro. Em honestidade própria eu sei que é da minha responsabilidade recriar os meus horários e a parar hábitos que evidentemente não têm resultado e com os quais eu tenho comprometido  a minha dedicação. Apercebo-me que a justificação é baseada no ego e na vitimização como forma de manter as coisas como elas estão, sem isso significar que são o melhor para mim. Logo, eu dedico-me a recriar a minha estabilidade através da minha aplicação constante no curso, que serve de indicador para eu ver quem eu me permito ser naquilo que eu faço. Eu comprometo-me a ser honesta comigo própria e garantir que organizo o meu tempo de forma realista para viver a minha decisão de fazer o curso por mim e para mim.

A resistência a mudar de hábitos é um hábito que se tira.
Neste caso, estou a recriar o meu hábito da escrita, dos cursos novos, de mudar de planos, de pensar em senso comum e de descolar etiquetas que tampam os olhos.

Ao abrandar a mente através da respiração e ao estar ciente de mim no meu corpo, eu permito-me deixar de estar contra mim própria e a passar a cooperar comigo própria no meu processo de Vida. 

DIA 114: Deixar para depois mas o "depois" é nunca


Dizer a mim própria que - Amanhã é que vou chegar a horas, é o primeiro passo para mentir a mim mesma. Primeiro tenho de decidir o que é que vai mudar em mim para que o resultado da minha ação deixe de ser o atraso.

Este padrão da falta de compromisso comigo própria tem-se ultimamente manifestado em relação ao Agreement Course, como se me deixasse afundar dentro de água porque não me mantenho estável à superfície - este é literalmente o peso da acumulação do tempo a passar e a sensação que não faço tudo aquilo que quero fazer. Apercebo-me que esta é uma consequência e um indicador do padrão da procrastinação, baseado em imagens das duas polaridades: a imagem de mim a deixar para depois; e a imagem de mim a ter completado a minha tarefa - A única coisa real no meio disto tudo é a minha ação ou, neste caso, o facto de fisicamente adiar a ação.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar a ideia/imagem de mim a não fazer aquilo que eu havia prometido a mim própria. Apercebo-me que esta desonestidade própria é o ponto de partida para comprometer a minha ação e acabar por perder a confiança em fazer aquilo que eu sei ser o melhor para mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sabotar o meu processo ao ter aberto a hipótese de adiar os meus exercícios do curso para a noite seguinte, sendo que neste momento eu tenho as condições para o fazer. Vejo que este desleixo é a consequência de ter aceite em mim a hipótese de abrir uma excepção para mim própria, deixando a minha Vida para segundo plano e deliberadamente desvalorizara minha decisão de viver aquilo que é o melhor de mim. Apercebo-me que o meu processo de auto-realização e de direção própria só depende de mim e que qualquer atraso ou instabilidade na minha auto-dedicação no curso é total responsabilidade minha.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido tentar compensar o meu desleixo com a ideia que "um dia" vou dedicar "a noite toda" a fazer o exercício completo - realizo que estou a imaginar a outra polaridade do desleixo sem qualquer indicador que eu vou DE FACTO mudar e DE FACTO dedicar o tempo a faze-lo. Ou seja, vejo que não me estou a ajudar a criar a consistência e disciplina na minha dedicação porque continuo a alimentar esta ilusão com base na justificação que "amanhã" irei fazê-lo, em vez de aplicar esta decisão AGORA, ou garantir que organizo o meu tempo de outra maneira para que eu não repita a procrastinação.

Ao escrever sobre este ponto pergunto-me:
De onde é que eu me habituei a ser passiva em relação ao incumprimento de horários e daquilo que era suposto eu fazer?
Associo este padrão imediatamente à falta de pontualidade a ir para a escola. Vejo agora que se tinha criado uma rotina matinal que claramente não resultava para que eu começasse a chegar a horas.
Em relação ao agreement course, esta resistência a mudar a minha gestão do tempo indica que eu me estou a esquecer de mim, porque por experiência própria eu realizo que é através da escrita que eu me apercebo dos padrões da mente e eu recrio quem eu sou em honestidade própria.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sobrepor as minhas prioridades com outras ações quando em honestidade eu vejo que é a mim que eu me estou a enganar e a evitar cumprir o horário que eu criei para mim própria - tal e qual um jogo da mente em que me desafio a mim própria, em vez de estar um e igual com a decisão que eu tomei sobre fazer o exercício do curso à noite e VIVER a decisão por mim e para mim.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido criar uma solução prática que é a de me sentar e começar a escrever e, com a ajuda da respiração, parar qualquer tendência para abrir o facebook, ou decidir ir comer, quando na realidade sei que tudo isso são maneiras de me distrair de mim própria.

Quando e assim que eu me vejo a colocar a minha escrita em segundo plano, eu páro e respiro. Eu estou ciente que tudo o que eu faço durante a minha vida é com base em quem eu sou, logo, trabalhar em mim, conhecer-me e aperfeiçoar quem eu sou é o primeiro passo para uma mudança constante naquilo que eu faço. Tenho-me apercebido que escrever o perdão-próprio e fazer o curso é dos melhores apoios para ver quem eu me tornei na minha mente consciente e criar a solução para mim própria a cada momento, em auto-correção e ao dedicar-me a mudar para o melhor de mim.

Quando e assim que eu me vejo a "cair" na distração da mente que na maioria das vezes é em abrir o facebook ou a pensar que tenho fome, eu páro e respiro. Eu dedico-me a continuar a escrever sem interrupções da mente, e participo na escrita física, sem me distrair de mim própria, nem das palavras nem do meu corpo dedicado a escrever.

Quando e assim que eu me vejo a imaginar-me a escrever no dia seguinte, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta projeção para o dia seguinte não é real e que funciona apenas como um conforto da mente ilusório, pois eu não consigo controlar completamente que amanhã terei o mesmo cenário com tempo e condições para escrever sobre este ponto - aliás, eu apercebo-me que se resolver este ponto agora, amanhã será a altura de aplicar a minha auto-correção.
Eu comprometo-me a re-escrever o meu guião a cada respiração. Neste caso, eu dedico-me a parar a procrastinação da escrita e a fisicamente a ligar o computador e a fazer o exercício, e garantir a mim própria que durante essa hora será o tempo dedicado a este exercício. Eu apercebo-me que esta dedicação depende de mim e que qualquer distração é estar a sabotar a confiança em mim própria como VIDA. Curiosamente eu vejo que acabo por dedicar mais atenção aos outros do que a mim própria, o que é um indicador de desigualdade e ilusório - a única maneira de eu ajudar os outros é a tornar-me um exemplo de honestidade própria e Vida para mim própria primeiro.

Quando e assim que eu vejo que estou a adiar o meu exercício do curso para o dia seguinte com base em imagens, eu páro e respiro. Eu estou ciente que estou a enfrentar o padrão da procrastinação e vejo que tenho a oportunidade de naquele momento parar de participar no padrão e de facto começar a escrever, sem rodeios nem preparações, e simplesmente fazer o meu "trabalho de casa" que me comprometi fazer. Apercebo-me que somente a mente-consciente é baseada na energia do  passado e em ideias que alimentam a esperança oca de um futuro imaginário, quando na realidade eu tenho-me aqui a cada momento. Logo eu recrio em mim a vontade própria de mudar os meus hábitos  a cada momento e de viver a decisão de me ajudar a cada momento a aplicar em mim as ferramentas da escrita, do perdão próprio e de fisicamente viver em auto-correção.

Finalmente, quando e assim que eu me vejo a participar no conforto e justificação baseados na ideia que da última vez adiei e que por isso desta vez "não faz mal", eu páro e respiro. Eu apercebo-me que só a mim me estou a enganar porque estou a criar um hábito que não é o melhor para mim, em vez de dar direção a mim própria e andar o meu processo de me tornar Vida e para isso dedicar-me a desconstruir as personalidades que me suprimem. Na maioria das vezes, basta apenas parar os pensamentos da mente, respirar fundo e dedicar-me a escrever sem permitir qualquer resistência para completar a minha ação.

DIA 110: Como é que Deus sabe mais do que eu sobre A MINHA PRÓPRIA VIDA?!




Em honestidade própria apercebo-me que reagi enquanto escrevia o título deste blog. A reação vem de uma espécie de revolta em mim mesma por me ter permitido limitar durante tantos anos (desde sempre?) com base em toda a fantasia, apatia e cegueira próprias de quem olhou demasiado para o céu à procura de respostas e o que viu foi uma luz fortíssima que é nada mais nada menos do que o Sol, uma estrela que não deve ser observada fixamente a olho nu. Isto para dizer que a apatia social que se verifica em mim e nos outros não apareceu ontem e não vai sair de um dia para o outro - esta forma de controlo foi tão bem planeada que a humanidade já anda nisto há centenas de anos. Revoluções, peregrinações, renascimentos e perseguições - havendo sempre algo superior a nós que nos observa como se um jogo de pinipons se tratásse, enquanto abraça uns e se esquece dos outros. A própria história de Jesus, aquele-amigo-que-nos-ama andou pelas bocas do mundo até ser manipulada  de tal maneira surreal que nos faz acreditar que Jesus, esse tal amigo que de facto vivia pela igualdade, seja superior a todos os outros e, de um dia para o outro, passámos a ser seus servos! Haja paciência para tanta doença mental.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar na existência de uma lei INVISÍVEL a que se deu o nome de Deus, sem ver e perceber que em nome desta, eu e o resto da humanidade nos temos esquecido de nós próprios e da nossa responsabilidade em recriar a nossa existência aqui, no mundo físico, e fazer com que este mundo seja um lugar de verdadeira co-existência.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar nas conclusões transmitidas pelos adultos sobre a vida de Jesus e sobre a nossa relação de servidão e escravidão, sem ver que toda a sua história foi manipulada em nome do controlo, pois contradiz as palavras de Igualdade e de "amar o próximo como a sim mesmo".

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ter a coragem de questionar o poder inquestionável de Deus, da Igreja, do Governo e do dinheiro no mundo. Vejo então que todo este controlo e, por outro lado, a passividade são as duas faces da mente, em que uma existe porque a outra existe. Logo, cabe a mim e a cada um de nós deixar de ser escravo de tais forças invísiveis (controlo e medo) e tomar responsabilidade por si e por recriar relações em igualdade. Eu apercebo-me que a aceitação destas relações inconscientes tem servido de justificação para as minhas desonestidades próprias de "deixar andar" e "ter esperança", sem ver que é da minha responsabilidade parar de existir na mente e em todas as relações de polaridade inferior/superior.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e perceber que o medo de mudar e o medo de expor os problemas é baseado no medo de ser punida pela mente dos outros (Deus; moralidade; julgamentos), o que na realidade é uma forma de projectar a culpa nos outros/Deus e manter as coisas como elas estão. Eu apercebo-me que este medo de mudar só existe porque eu o tenho permitido e alimentado em mim e porque tenho permitido a personalidade de "deixar as coisas como elas estão porque há coisas piores", em vez de tomar a Responsabilidade de viver a mudança PARA O MELHOR DE TUDO E TODOS, a começar por mim e pela minha participação daqui para a frente.

Quando e assim que eu me vejo a culpar o passado e, com isso a religião, por todos os problemas que existem no mundo, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que direta ou indiretamente , os problemas do mundo são responsabilidade de cada um de nós que partilha a experiência na Terra. É a minha responsabilidade parar cada padrão/personalidade/julgamento/desonestidade própria/desigualdade que há em mim para me recriar como o meu exemplo, tal como Jesus que vivia as suas palavras.

Quando e assim que eu me vejo a acreditar na sensação de arrependimento por ter acreditado em Deus e numa força superior a mim, eu páro e respiro. Apercebo-me que, tal como a relação com Deus, também esta relação de arrependimento é baseada na mente que me dá a ilusão de impotência, quando na realidade eu estou aqui e posso recomeçar a confiar em mim própria e a garantir que eu me torno na solução para mim própria.

Apercebo-me que a crença em Deus funciona como um alçapão onde se acumularam todos os padrões, medos, confusões, questões que eu deliberadamente quis ignorar em mim própria, com esperança que alguém os resolvesse por mim. Neste processo, eu devolvo-me a confiança de abrir o alçapão sozinha, sem medo, sem julgamentos e simplesmente investigar cada ponto em mim, perceber a origem dos pensamento e realizar que sou capaz de limpar o alçapão/a mente para finalmente estar disponível para ser/ver a Vida que está aqui.

Eu comprometo-me a parar de acreditar num ser superior aos seres nem em um super-jesus para me dedicar a ver soluções práticas para aquilo que está fisicamente manifestado no mundo - ou seja, a viver as palavras de Jesus de "amar o próximo como a mim mesmo", ciente que primeiro tenho de recriar a relação que tenho comigo própria e, para isso, cuidar de mim e perdoar cada ressentimento, arrependimento, culpa, imagens, ideias e personalidades. Eu comprometo-me a parar de querer parecer as personalidades, para finalmente Ser honesta comigo própria, um e igual com o meu corpo, a expressar-me como Vida.

Quando e assim que eu me vejo a justificar a desigualdade, a pobreza ou a injustiça com base na ideia de pecado de uns e bonança dos outros, eu páro e respiro. Eu páro de justificar a cegueira do interesse-próprio e, tendo  em conta que existimos todos ao mesmo tempo na Terra, esta igualdade é um facto e por isso todos têm de ser considerados.

Quando e assim que eu me vejo a participar na ideia que há um ser a observar os seres na Terra, eu páro e respiro. Vejo agora que esta é um projeção da distância que eu permiti ter em relação a mim própria, como se estivesse longe de mim própria, quando na realidade eu sou a única que me posso mudar e dar direção de dentro para fora. Ao respirar eu apercebo-me estou em mim, no meu corpo físico, em honestidade própria e é da minha responsabilidade garantir que aplico a minha auto-correção, para assim recriar o meu exemplo de Vida, onde quer que eu vá e com quem quer que eu esteja.

Eu dedico-me a restabelecer a minha confiança para sair da passividade da mente/crença e me permitir estar estável incondicionalmente, sem me agarrar a memórias ou a crenças de conforto baseadas em esperança que alguém resolva os meus pontos da mente/memórias/julgamentos/medos por mim.

Apercebo-me que este processo vai demorar tanto ou mais o tempo que eu levei a distanciar-me de mim, com orações e palavras ocas que não tiveram qualquer efeito prático. Por isso dedico-me a resolver cada ponto que surge em mim, a escrever, a cuidar do meu corpo, a mudar fisicamente a minha relação comigo e com os outros, a criar o paraíso na Terra, a ser a solução da unidade e igualdade, passo a passo, a cada respiração, a cada perdão-próprio.


Ilustração de Andrew Gable




DIA 105: A mania que somos uns sacrificados e vítimas


Estas são duas permissões e aceitações provenientes das "lições" da História que até agora tem sido educada com base em medo: o medo de se mudar para pior visto que "antes é que era bom". Mas será que houve alguma época realmente boa, ou estaremos a falar da ideia de "bom para alguns" tal e qual o cenário social actual?
Como é que a auto-definição de ser-se um sacrificado e vítima limita a nossa expressão pessoal e consequentemente participação na sociedade?

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e perceber que a crença de se ser uma sacrificada ou vítima (normalmente de algo ou de alguém) é uma limitação com base na ideia como eu tenho de agir, sem ver e perceber que é a mim que me estou a limitar nas minhas decisões. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar ser "normal" sentir-me como uma sacrificada, sem com isso ver que é a mim, enquanto expressão de vida, que estou a sacrificar. O sacrifício pelos outros não existe - tem sempre a ver com aquilo que eu permito para mim própria.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que sou responsável pelas ideias que eu criei sobre mim própria e que sou igualmente responsável por PARAR de culpar os outros/a sociedade ou de desejar que os outros/a sociedade mudem para eu mudar. Eu realizo que as minhas permissões e aceitações da mente não são dependentes dos outros/da sociedade.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido justificar a lei-do-menor-esforço e a falta de responsabilidade própria com o sacrifício e vitimização, quando em honestidade própria me apercebo que o sacrifício deixaria de existir se eu der o meu melhor naquilo que eu faço e tomar responsabilidade própria por me criar a cada momento em honestidade própria -  Eu apercebo-me que a ideia de sacrifício surge como algo contra a minha vontade, sem primeiro investigar porque é que eu tomo certas ações e por quem as faço. Em relação à vitimização, eu apercebo-me que é uma projecção da responsabilidade que não tomei por mim e portanto projecto nos outros, em vez de realizar que sou a única responsável pelas minhas permissões e aceitações das ideias que criei de mim e dos outros.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar na lavagem cerebral tanto religiosa como política, como dos meus antepassado sobre os sacrifícios de se um ser-humano, quando na realidade, o ser-humano tem o potencial de viver BEM e estável se houver um sistema económico e político que o proporcione e se eu me permitir desenvolver para o melhor de mim, parando as ideias que me limitam e que têm limitado os meus antepassados/humanidade até então.

Quando e assim que eu me vejo a participar na personalidade de vítima e de queixas, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta personalidade é um indicador de impotência que eu permiti e aceitei creditar ser real, quando na verdade a impotência de mudar surge do hábito de se pensar que não se pode mudar porque há um sacrifício a defender.

Quando e assim que eu me vejo pensar que se os outros/a sociedade mudem eu também vou mudar, eu páro e respiro. Eu realizo que esta é uma justificação que adia a minha decisão de mudar as aceitações e permissões sobre aquilo que eu tenho sido até agora. Eu comprometo-me a parar a personalidade do "deixa andar" como se por milagre eu e as coisas à minha volta mudassem. Eu sou responsável a cada momento pela minha participação no mundo, e eu tenho vindo a aperceber que existir como sacrifício e vítima é uma forma fácil de não questionar esta realidade, este sistema económico e as relações entre as pessoas. Assim, eu comprometo-me a questionar as situações em que eu acredito estar a sacrificar-me ou a ser uma vítima, para tomar conhecimento do que se passa à minha volta e em senso comum realizar que se não me definir como uma sacrificada ou vítima poderei dar direção à situação, ciente que cada um de nós é igualmente responsável por mudar as coisas para melhor.

Eu comprometo-me a estar ciente das minhas permissões e aceitações e a rever as minhas permissões e aceitações, questionando-me se estas são de facto o melhor para mim e para os outros.

Ilustração de Andrew Gable



DIA 103: Autodisciplina de dentro para fora VS Austeridade de fora para dentro


É de certo surreal acreditar-se que alguma austeridade vai mudar a desorganização interna que existe na mente de cada um. As noções de certo e errado são manipuladas pelo valor das coisas, que por sua vez são manipuladas por um sistema económico demente.

Uma das consequências da falta de autodisciplina é acreditar que se está condicionado pelos outros ou mesmo por um Governo, quando em honestidade própria, somos nós quem primeiro permitimos condicionarmos com ideias de como as coisas são, com base em experiências passadas e crenças de que não se consegue mudar.  Podemos começar por nos questionarmos sobre aquilo que temos aceite e permitido como sendo a normalidade: a corrupção, a desigualdade, o ego, a superioridade e inferioridade com base no peso da carteira, os preços das coisas, a sobrevivência dos favores, o parecer sem se Ser, a ideia que um curso superior faz a diferença, ou até mesmo que lá fora é tudo melhor... Este "lá fora" é muito relativo, porque é por dentro da mente humana que a desorganização começa.
Será realmente impossível reformularmos as aceitações e permissões para juntos criarmos uma realidade que seja melhor do que aquela que tem sido até agora? E porque não começarmos por nós próprios que é a única coisa que podemos garantir mudar? E é aqui que entra a autodisciplina e honestidade própria - a honestidade como vida e para com a vida, em igualdade e unidade com os outros.

Até à pouco tempo a palavra/noção de disciplina trazia uma conotação negativa de algo contra a minha vontade, tal e qual uma imposição. Isto porque nunca tinha considerado a disciplina como algo vindo de mim e para mim, tendo antes sido associado a algo vindo de fora contra mim, como se alguém me conhecesse melhor do que eu própria.
Comecei por ler no site do Desteni artigos sobre self-discipline e como esta estava associada à honestidade e direção próprias. Agora em Portugal, apercebo-me das consequências da falta de disciplina própria, ou seja, de permitir e aceitar "ir ao sabor do vento" - que é a versão poética de se dizer que se vai desorientado e à espera que algo ou alguém me dê direção. Quando não há autodisciplina, a austeridade externa acredita ser uma solução, como ter alguém a dizer o que tem de ser, sem primeiro nos re-educarmos sobre o que é o melhor para todos.

Na realidade, o estado do mundo e o estado de cada país é o reflexo daquilo que cada um tem permitido em si próprio e por isso não ninguém que acarreta as culpas porque somos todos igualmente responsáveis pelo que temos permitido e aceite como "normal". O que é certo é que até agora temos permitido uma total ignorância sobre como o sistema económico e político funciona, com a desculpa que "desde que eu tenha o meu conforto emocional, então está tudo bem", sem nos apercebermos que estamos a cavar o nosso próprio abismo e que a terra que atiramos para trás vai acumulando até cair em cima de nós.
Por isso, uma das soluções que eu me tenho apercebido como essencial no processo de mudança, é a tomada de responsabilidade própria e a autodisciplina em realmente viver a mudança. Não há meios-termos: ou se pára de participar nos padrões do passado, ou se vive um novo futuro.

Esta semana irei dedicar-me a explorar e escrever o perdão-próprio para os vários padrões da mente, começando pela resistência em sermos o exemplo para nós próprios.

DIA 102: A resistência a ser auto-disciplinada



Em relação à disciplina própria (ou autodisciplina), apercebo-me a uma das consequências que durante anos eu tenho recriado para mim própria são a falta de pontualidade e a indecisão, porque não me permiti educar a ser assertiva comigo própria, naquilo que eu decido para mim e viver a decisão de mudar as aceitações e permissões para criar uma realidade que seja melhor do que aquela que tem sido até agora.

Apercebo-me que a resistência a ser autodisciplinada é uma resistência da mente. Durante anos acreditei que ir ao sabor do vento era algo fascinante e imprevisível - agora apercebo-me que a imprevisibilidade vai dar sempre aos mesmos padrões e que o fascínio é ilusório. Aquilo que neste momento me fascina é conhecer as ilusões da mente e mudar, isto é, começar a dar direção a mim própria e a sair dos padrões a que até agora eu me tenho definido/limitado.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitir realizar que a autodisciplina começa a cada respiração, sendo que eu sou responsável por respirar consistentemente para que o meu corpo esteja estável e funcione na sua plenitude.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ser disciplinada comigo própria quando estou em Portugal, com base na ideia de como devia ser para corresponder às memórias de como eu agi durante anos, em que ignorei escrever todos os dias e acreditei não saber aquilo que era o melhor para mim nas ações que tomava. Apercebo-me que uma das coisas que me distraem de mim própria é o apego emocional às coisas, às pessoas e aos sitios, que até agora justificavam a falta de senso comum na tomada de decisões - apercebo-me também que o apego emocional é com base no medo da perda, como se certas situações me trouxessem um conforto que eu temo perder.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido viver a decisão de ser pontual ou de fazer aquilo que eu havia planeado para mim em determinadas situações. Apercebo-me que me distraio com as horas quando estou em casa em Portugal, com se ignorasse o passar do tempo. Ao ignorar o tempo, eu estou a ignorar-me a mim, a minha respiração e quem eu sou a cada momento, assim como ignoro os outros e quem eles são a cada momento.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido enganar-me a mim própria a manipular a minha direção e querer esticar o tempo ao limite, sempre com base no medo de perder "esta oportunidade" de estar aqui, quando na realidade quem eu sou não está dependente do local.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido recriar a minha ação com base nos princípios da honestidade própria e da autodisciplina que eu sei por experiência própria são o melhor para mim, que é ser o exemplo para mim própria e dar-me direção a cada respiração, ciente daquilo que eu faço e de quem eu sou a cada momento. O conforto da mente é como uma nuvem de conforto que não é real, porque só existe na minha memória!  Eu apercebo-me que as própria definições de quem eu sou ou de como eu me devo comportar só existem se eu continuar a participar nelas.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que as pessoas mais velhas ou os meus pais ou até mesmo amigos de longa data sabem melhor aquilo que é o melhor para mim do que eu própria. Apercebo-me também que o medo de ser directa para com as pessoas mais velhas ou os meus pais é com base na ideia que eles sabem melhor o que eu deva fazer do que eu própria, em vez de eu própria me questionar sobre a origem da minha indecisão e trabalhar este ponto primeiro, antes de assumir que "não sei decidir por mim".

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a autodisciplina é algo contra mim própria, quando na realidade, eu sou responsável por respirar a cada momento incondicionalmente - ou seja, a audisciplina já existe de dentro para fora (respiração-ação). A mente, pelo contrário, é desorganizada e confusa e, caso não me dar direção a viver a cada respiração, as emoções da mente alteram os batimentos cardíacos e a consequência sou eu a recriar instabilidade de dentro para fora.
A autodisciplina como vida é a responsabilidade pela vida.

Quando e assim que eu me vejo a ser influenciada por apegos emocionais e memórias de como as coisas têm sido, eu páro e respiro. Neste momento, eu dou-me a oportunidade de recriar a minha realidade com base naquilo que está aqui e que à luz do senso comum as decisões se tornam mais óbvias, em que o senso comum é fazer aquilo que é comum a todos nós e em que eu vivo a decisão de ser honesta comigo própria como Vida e sem os condicionalismos na mente.

Quando e assim que eu me vejo a "esticar o tempo" e justificar a falta de noção das horas com o apego emocional, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que não estou a considerar os outros à minha volta e que esta é uma forma de manipular o tempo dos outros. Apercebo-me que a falta de autodisciplina é depois manifestada na falta de claridade na minha comunicação dos planos, visto que deixo portas abertas à alteração dos planos. Logo, quando e assim que eu me vejo ao considerar a mudança de planos e das horas, eu comprometo-me a informar os outros que estão comigo, de modo a parar de manipular a vida dos outros com a minha falta de responsabilidade. Eu apercebo-me que a mente só tem "poder" quando é silenciosa pois, ao comunicar a alteração dos planos vai ser claro para mim que esta mudança é baseada em apego emocional, memórias e medos da mente. Assim, eu apercebo-me que no momento em que eu me torno ciente dos padrões da mente eu tenho a oportunidade de parar a minha participação como mente e de me permitir agir aqui como Vida e a viver a decisão de ser o meu próprio exemplo de honestidade própria.

Quando e assim que eu me vejo a justificar a falta de disciplina em relação ao cumprimento dos planos e das horas com o medo de perder a oportunidade, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta justificação é de facto baseada no medo da morte, minha e dos outros, que é como um ultimato da mente a mim própria que justifica a repetição dos padrões do passado. Apercebo-me que esta é uma resistência a mudar de atitude nas minhas permissões e aceitações. Quando e assim que eu me vejo perante uma situação em que me sinto obrigada a participar nas memórias e em fazer aquilo que tenho feito até agora, eu páro e respiro. Eu dedico-me a parar o apego emocional e a ver as coisas como elas são, sem medo de agir de modo diferente das memórias. Eu apercebo-me que o conforto das memórias é a ilusão da repetição, em vez de me questionar sobre a validade e honestidade de tal padrão.

A disciplina comigo própria em caminhar este processo e corrigir cada padrão de desonestidade própria reflectir-se-á na consistência da minha ação e na minha estabilidade em tudo o que eu digo e faço. Ao trabalhar na minha autodisciplina em viver cada momento em autocorreção, eu estou a recriar a minha autoconfiança e a garantir que me torno no meu próprio exemplo de Vida.