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DIA 254: Ficar na cama para evitar o frio lá fora

No artigo anterior apresentei a nova série "Desconstruir a minha IDEIAlogia" relacionada com as ideias que eu criei sobre mim própria e que constituem a minha ideologia de vida praticada até agora. Eu apercebo-me como uma ideia, quando justificada nas nossas próprias mentes com razões que nós próprios criámos, pode condicionar toda a ação ou qualquer tentativa de se mudar de atitude. O problema e a solução começa dentro de nós próprios. Por isso, eu apercebo-me que a desculpa de "estar frio" para não sair da cama é mais uma ideia que eu aceitei como válida na minha mente. Se para uns é o frio, para o outros é a desculpa da ressaca, outros é o conforto, ou ainda a resistência para se enfrentar o dia. Independentemente da justificação, estamos todos a condicionar o nosso dia a partir do momento em que acordamos e damos ouvidos à voz constante da mente, dos desejos, dos medos, das ideias e das emoções. Partilho agora o meu Perdão-Próprio específico para esta resistência para me levantar da cama quando está frio:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido imaginar a sensação de frio e a minha reação ao frio que possa sentir quando saio da cama ou quando saio de casa.

Eu perdoo-me por me permitir e aceitar justificar a minha decisão de não sair da cama ou de não sair de casa com base na ideia de ir ter frio, sem ver que é a mim que eu estou a limitar a minha ação e expressão com um pensamento.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ficar a imaginar o momento seguinte em vez de viver a decisão de me levantar e de sair da cama sem permitir que as ideias me congelem a ação.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar ir para uma cidade mais quente para evitar enfrentar a minha relação com o frio; no entanto, como eu já percebi, este é um padrão que existe em mim e que se manifesta noutras situações. Logo, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir e limitar pelas ideias que eu criei sobre quem eu sou e por acreditar que esta ideologia é quem/como eu devo agir.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que não sou capaz de andar descalça ou de apanhar frio sem reagir com medo de ficar constipada ou com energia de choque, quando na realidade eu não preciso de participar nesta ideia que eu criei e alimentei para mim própria.

Eu comprometo-me a estabilizar o meu corpo através do perdão próprio em momentos em que eu vou lidar com o ponto do medo de sentir frio. Eu apercebo-me que o frio é uma sensação física que não requer o apego mental ao medo ou à ideia de que o frio vai ser penoso ou que irei ficar doente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido entreter a minha mente com a antecipação do frio e com a ideia de desconforto em vez de me focar na ação de me vestir rapidamente sem julgar o frio como mau, mas simplesmente sentir a temperatura e agasalhar-me até já não ter frio.

Vejo agora que a solução é clara quando se está fora do "estado mental" de resistência para FINALMENTE dar direção a mim própria:

Quando e assim que eu me vejo a imaginar o momento em que eu saio da cama e a ter frio, eu páro e respiro. O pensamento não é real e portanto não tenho de participar nele; posso e devo tomar a decisão de vestir uma roupa quente e começar o dia com plena força de vontade, sem estar presa a qualquer ideia.

Quando e assim que eu me vejo a pensar "só mais 2 minutos" em snooze, eu páro e respiro. Eu relembro-me que foi a minha decisão na noite anterior de acordar aquela hora e, por isso, eu comprometo-me a respeitar os horários que eu vejo serem o melhor para mim.

Quando e assim que eu me vejo a condicionar a minha expressão corporal por medo de ficar constipada, eu páro e respiro. Vejo pela primeira vez que mesmo antes de apanhar frio já estou a pensar na possibilidade de apanhar um resfriado, em vez de me focar em soluções práticas para me agasalhar, para criar o meu conforto incondicionalmente, fora e dentro da cama, e estar estável dentro de mim para prevenir qualquer fraqueza do meu sistema imunitário.

Eu comprometo-me a ajudar-me a parar os pensamentos/ideias que ditam aquilo que eu devo fazer, comprometo-me a estar presente nas minha ações e a fazer aquilo que é simples senso-comum: viver a decisão de me levantar (e vestir mais qualquer coisa caso esteja frio). Eu abraço a minha responsabilidade de criar a minha realidade e de ser/criar a solução para mim própria - neste caso, de garantir que me dou o conforto físico mas sem participar na paranóia nem limitações da mente.

DIA 236: Proibido falar de sexo?


O blog de ontem foi uma introdução à jornada que me proponho fazer de desconstruir as ideias geradas à volta do sexo, que têm mantido este tema separado de nós próprios. Quantos de nós têm conversas maduras sobre sexo? Conversas que realmente procuram alargar o nosso entendimento sobre aquilo que é o sexo, sobre quem nós somos no sexo, sobre aquilo que é realmente importante para cada um durante o sexo, sobre os medos atrelados ao sexo, sobre as dúvidas, sobre as paranóias... E falar de tudo isto sem medo de se ser julgado, criticado ou gozado?
Mesmo que quiséssemos falar sobre sexo, como podemos falar sobre algo que ainda não está plenamente estável no nosso ser? Como é que vamos progredir no nosso discurso sobre educação sexual se não há um diálogo construtivo, sem julgamentos, sem agendas, sem desejos, sem interesse próprio, sem ego, sem religião, sem medo e sem ideias pré-feitas? Como é que podemos ensinar aquilo que não sabemos nem vivemos para nós próprios?
É exactamente sobre esta resistência em se estar um e igual com a conversa do sexo que eu vou escrever o perdão-próprio de hoje. Alguns destes pontos foram enfrentados há alguns anos, no entanto, vou partilhá-los agora e viver o compromisso de me estabilizar nesta conversa.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar a palavra sexo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar sobre sexo com amigos, colegas e familiares por pensar que eles não me compreendem ou por pensar que é errado conversar-se sobre sexo. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que é errado falar de sexo só porque este não foi um tópico falado no ambiente e sociedade em que eu cresci - eu apercebo-me que não tenho de copiar aquilo que eu vejo à minha volta, muito menos de participar no silêncio quando vejo que a falta de educação sexual e a falta de honestidade própria criam tantos conflitos  e paranóias pessoais que, por sua vez, trazem consequências e desequilíbrios graves para a sociedade em que vivemos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que só se pode ler coisas sobre sexo ou falar sobre sexo às escondidas uns dos outros, como se o sexo fosse uma conversa suja.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que os meus pensamentos e medos sobre aquilo que as outras pessoas possam pensar sobre o sexo é de facto um espelho/reflexo daquilo que eu permito pensar e acreditar sobre aquilo que o sexo é. Eu apercebo-me que se o pensamento sobre aquilo que o outro pensa existe na minha mente então sou eu que estou a permitir esse pensamento em mim e a projectá-lo no outro, em vez de tomar responsabilidade própria sobre os pensamentos que eu aceito viver. Eu apercebo-me que evitar falar de sexo é estar a limitar o meu auto-conhecimento, estar a limitar o meu próprio esclarecimento e expansão e estar a ignorar um dos elementos que mais influencia a nossa vida mental e física.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o sexo a pornografia e a notícias de violações, somente porque essas são as formas mais comuns de se ouvir falar de sexo nos meios de comunicação social.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que o sexo é uma coisa separada de mim, separada do meu dia-a-dia, separada das outras pessoas.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que quanto mais eu suprimo/nós suprimimos as nossas dúvidas sobre o sexo, mais ideias, crenças e medos alimentamos nas nossas mentes e assim mais distantes estamos da simplicidade sexual e da expressão sexuais.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a resistência em falar de sexo é prova de como o sexo foi manipulado e subvertido na nossa sociedade para controlar as mentes das pessoas através do medo da nossa própria existência e da nossa própria criação (ou será que não somos todos frutos do sexo?)

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter resistência para partilhar os pontos da minha religião do Ser, inclusive as crenças e medos associados ao sexo,  mesmo com as pessoas mais próximas de mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar e escrever abertamente sobre a expressão sexual e o sexo em geral, ao pensar que vou ser julgada, criticada e gozada pelas pessoas que me conhecem. Eu apercebo-me que estes pensamentos que a minha mente me mostra são os pensamentos que eu tenho acumulado em mim e que se tornaram a minha referência e a minha limitação. Eu realizo então que só eu me posso ajudar a caminhar estas resistências, a libertar-me do peso do medo e a parar de impor julgamentos da mente sobre mim, o que é contra a minha expressão própria.



DIA 235: Onde anda a expressão sexual?


Quando ponderei começar a escrever uma série de artigos sobre sexo, pensei que seria desta que chegaria às 200 visitas diárias! E porquê? A meu ver, há de facto uma falta de claridade sobre aquilo que a expressão sexual é ou pode vir a ser nas nossas vidas e reparo na falta de literatura que olha para o sexo em honestidade-própria. Para além das entrevistas da EQAFE, há muito pouco conteúdo sobre sexo que valha realmente a pena ler-se ou ouvir-se.

Mas porque é que o tema sexual no nosso mundo é composto por esta polaridade abominável: ou se trata deste tópico na sua vulgarização máxima com piadas de calibre abaixo do respeitável, ou não se fala dele apesar de estar constantemente a palpitar nas mentes humanas, sem qualquer orientação, tornando-se num tabu sem se saber como se falar dele?
Na continuação da minha escrita e investigação da minha Religião do Ser, começo a ver a minha relação com o aquilo que me foi ensinado como sendo errado, ou doloroso, complicado, vergonhoso e perigoso: o melhor exemplo que eu encontro é a religião criada à volta da expressão física dos corpos chamada de sexo. É incrível como a falta de educação é substituída por uma religião de secretismo à porta fechada, mesmo quando tal cegueira traz tantas consequências para cada um de nós e, consequentemente, para a nossa sociedade.  Na minha mente, este tópico foi também mantido como um secretismo baseado nas histórias que ouvia falar dos outros e da representação daquilo que supostamente o sexo é na indústria cinematográfica.

É uma pena que os adultos não sejam educados a educar as crianças sobre o que a vida sexual é ou pode ser, sem se ter como referência a imprensa oculta de revistas Marias e afins, ou pior, a referência pornográfica que é a completa adulteração daquilo que a expressão sexual humana realmente é. A meu ver, o silêncio do sexo tem sido substituído pela comédia, em que a maioria das piadas vão dar eventualmente a fantasias sexuais que ficaram suprimidas algures nas mentes humanas e que nem sequer nos questionamos sobre a banalidade dos comentários. Vê-se então a paranóia do sexo espalhada por todo o lado associada à nudez das campanhas publicitárias, a objectivação do corpo feminino, a ignorância sobre a origem dos desejos da mente e, finalmente, a consequência global do abuso manifestada em notícias de violações sexuais, de relações desequilibradas, de violência sexual que pode condicionar a vida de um ser-humano para sempre caso não haja um acompanhamento adequado. E no final de contas, somos nós enquanto humanidade que estamos a criar este inferno para as nossas vidas e para as vidas dos outros e portanto cada um de nós é responsável por ajudar-se a si próprio a compreender o que se passa nas nossas mentes e, obviamente, corrigir aquilo que manifesta abuso sobre si próprio e sobre os outros que são afectados directa e indirectamente.

Se tirarmos por momentos todas estas ideias associadas ao sexo, o que é que temos? Corpos que respiram, igualdade, movimento, expressão, descoberta corporal, expansão pessoal, alinhamento com o físico, presença, respeito por si próprio e pelo outro, novidade, carinho, INTIMIDADE COM O SEU PRÓPRIO CORPO, prazer, entrega, vulnerabilidade, estabilidade, sensibilidade, CONFIANÇA EM SI PRÓPRIO, CONFIANÇA NO OUTRO, simplicidade, humildade, partilha e transcendência dos limites que impusemos a nós próprios.

Infelizmente, a extensão do abuso sexual na nossa sociedade comprova que há uma deficiência na maneira como este tema é educado e que consequentemente é deixado à mercê das mentes de cada um e também manipulado pelo sistema de poder e dinheiro.
Todos sabemos que a prevenção é o melhor remédio, e para que haja prevenção tem de haver entendimento sobre o que o sexo realmente é, como é que este tem sido usado e abusado para manter as mentes suprimidas e sob controlo do medo, em vez de cada um de nós ser realmente educado sobre o seu próprio corpo, em estabelecer uma relação de confiança e a saber aquilo que é o melhor para si próprio em unidade e igualdade com os outros.

Abro então um novo capítulo no meu processo em que vou explorar os várias camadas de pensamentos e ideias associados com o sexo como até agora tem sido mal-tratado, e vou abrir caminho a uma nova perspectiva sobre a expressão sexual como sendo o potencial máximo de expressão física, respeito mútuo e auto-conhecimento. Vou andar este processo em tempo-real, re-educando-me de acordo com pontos que eu vou enfrentando e lidando com eles. Sugiro que se oiça também as entrevistas da EQAFE que proporcionam um entendimento da relação que cada um de nós criou com o sexo.



DIA 222: O stress suprimido



Hoje estou atrasada 30 minutos e já não vou chegar às 09:00. Acordei antes do despertador a pensar que já era demasiado tarde mas, no momento em que vi que afinal era muito cedo, tomei a decisão de ficar na cama até o desperta-dor tocar. Quando ouvi o despertador, fiz snooze e acabei por me levantar à hora que eu devia estar a sair de casa, ou pelo menos estar quase pronta. Aparentemente não há remorsos nem stress mas esta calma aparente é força do hábito de ter lidado com esta situação toda a minha vida. Apercebo-me então que criei este mecanismo de defesa que é a supressão do stress.Curiosamente, o actual relógio na minha cozinha é muito parecido com o relógio que eu tinha na casa onde eu vivi até aos meus 13 anos em Lisboa. Lembro-me de entrar na cozinha e olhar para o relógio na esperança de ser ainda bastante cedo para eu chegar à escola à mesma hora que os meus colegas. Isto deve ter acontecido muito poucas vezes.
Actualmente, embora já não esteja dependente de ninguém que me acorde e me leve à escola, vejo que o hábito ainda existe e eu ainda olho para o relógio como se miraculosamente fosse mais cedo, sem o fazer nada por garantir esta mudança no meu dia-a-dia.

O Problema: 

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desrespeitar-me ao não cumprir a hora de acordar que eu havia estipulado na noite anterior.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que eu preciso de uma motivação para além de ir para o emprego de manhã, em vez de ver que esta resistência ou qualquer motivação são tudo paranoias da mente e portanto não são reais.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido habitar-me e acreditar que o stress matinal é normal e que é também normal ter pouco tempo para mim, quando afinal eu vejo que eu sou responsável por me dar tempo e, caso contrário, eu estou a ser responsável por encurtar o meu tempo.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que eu tenho de ser pontual para agradar os outros (a Professora, o director, o pai, ...).
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar na pontualidade como sendo mais do que aquilo que é mas, devido à minha experiência e "historial" eu acabei por definir a m issão de chegar a horas como sendo difícil.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a resistência para me levantar é mental pois eu vejo como eu sou rápida a criar justificações para ficar mais um bocado na cama.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido "mudar" de ideias de manhã com base no interesse-próprio de ficar na cama, em vez de cumprir com a minha palavra em que havia decidido levantar-me aquela hora para estar tranquila.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido tornar-me no meu próprio inimigo ao criar este tipo de antagonismo entre aquilo que eu decido e aquilo que eu realmente faço, em vez de estar um e igual às minhas palavras nas minhas decisões.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar uma relação comigo própria de instabilidade, em que à noite decido acordar às X horas mas no dia seguinte acabo por desprezar a minha decisão - pela primeira vez eu vejo aqui também manifestado o padrão de conflito, em que quando está tudo bem numa relação há a partilha de bens mas quando o momento de viver essa decisão num momento crucial surge (por exemplo numa discussão) começam-se a ver restrições e menos vontade-própria de se partilhar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar desconfiança em mim própria com base no facto de ainda nem sequer conseguir confiar em algo supostamente simples que é o meu acordar de manhã.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o "acordar tranquilamente" ao fim-de-semana e portanto permitir haver/criar stress durante a semana por ter de acordar com horários.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido agarrar-me ao arrependimento em relação às coisas que eu visualizo na minha memória tal como o arrependimento de acordar tarde.

A Solução:

Eu apercebo-me que eu me defini como não sendo pontual e que eu fui alimentado esta ideia em mim, como uma maneira de justificar os meus hábitos. Eu comprometo-me a tomar esta oportunidade para realizar e viver a decisão de me corrigir por mim, incondicionalmente, aqui e agora.
Quando e assim que eu acordo de manhã e me vejo imediatamente a pensar que já estou atrasada, eu páro e respiro. Em vez de alimentar a resistência, eu ajudo-me a estar ciente do meu corpo físico, na cama, a respirar. Eu apercebo-me que a imagem na minha mente de acordar e ver no relógio que já é tarde não passa de uma imagem e que não tem de ter qualquer influencia na minha vida, porque eu tomo direção.

Quando e assim que eu me vejo a imaginar os vários cenários alternativos na minha mente que são diferentes do meu plano inicial, eu páro os cenários da mente e respiro. Eu comprometo-me a criar o meu plano de ação em tempo real e a que a minha ação seja em auto-correção de pontos que ainda limitam a minha expressão e auto-descoberta incondicional.

Quando e assim que eu me vejo a antecipar a experiência de estar atrasada, eu páro e respiro. Eu vejo agora que a minha mente me mostra memórias e que estas memórias são ainda fonte de ansiedade. Eu comprometo-me  parar a antecipação/memória da mente que em nada me ajuda a recriar a minha realidade de modo a criar a minha estabilidade.

Eu apercebo-me que os horário são uma ferramenta para eu me ajudar a gerir o meu tempo da melhor maneira e para o meu benefício.

Quando e assim que eu me vejo a imaginar-me a ficar na cama mais 5 minutos e justificar isso com a ideia que eu irei ser mais rápida de manha, eu páro e respiro. Apercebo-me então que esta ilusão sobre o tempo que eu levo a fazer as coisas  tem sido uma manipulação-própria para servir o "cansaço da mente". Eu serei mais eficaz ao combinar rapidez com soluções práticas a cada momento.

Ilustração 1: A Persistencia da Memória, Salvador Dali



DIA 214: Chorar é um automatismo da mente



Foi fascinante ver a emoção que surgiu nas primeiras vezes em que eu falei do quisto e como começava a chorar automaticamente. Passado alguns dias, consigo ver que se trata de uma energia da mente e que deve-se ao valor e à imagem que eu associo a uma situação como esta, em que a minha mente me mostra o pior cenário possível e eu acredito na mente como sendo real.
Apercebo-me também da "sorte" que tenho de estar a passar por esta experiência com o suporte do grupo do Desteni e do perdão-próprio, cuja escrita e cursos já desenvolvo há quase quatro anos, e com a qual que eu crio a minha estabilidade em plena auto-confiança para lidar com a mente de preocupações, Mais do que nunca apercebo-me e sinto na pele as consequências de alimentar a energia da mente e, assim, desprezar e desrespeitar o meu corpo. 

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar no sistema da mente da emoção de cada vez que falo sobre a experiência de ter um quisto no peito.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido emocionar-me com base numa associação da mente que não é real porque as imagens/imaginação da mente não são reais.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido saltar para a mente da imaginação e assim desprezar por completo a minha respiração/presença aqui que é de facto aquilo que eu realmente sou e aquilo que me apoia a qualquer momento.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido parar a energia da emoção porque penso ser comum chorar-se nestas situação e expressar-se o medo (que é o medo da morte), sem ver que com isso eu me estou a separar de mim e estou a alimentar a paranóia da mente que não é real.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido olhar para o quisto como sendo aquilo que é, sem mais nem menos, sem imaginações nem projecções de um futuro baseado nas experiências das outras pessoas. Eu apercebo-me que não tenho de recriar o passado/vida dos outros em mim!!

Quando e assim que eu me vejo a participar na emoção/energia da mente quando falo da minha experiência do quisto e da biopsia, eu páro e respiro. Eu re-educo-me para recriar a minha estabilidade em qualquer situação e a não permitir que informação/imagens da mente tomem conta de mim!

Quando e assim que eu me vejo a associar a frase “quisto no peito” com a ideia de mim como uma vítima de cancro, eu paro a mente de associações e respiro. Eu comprometo-me a parar os PENSAMENTOS da minha mente, cuja direção é contra a vida que Eu sou, e dedico-me a recriar a minha relação com as palavras, sem a polaridade negativa ou positiva. Eu apercebo-me que quanto mais cedo eu parar este hábito de pensar e criar cenários de futuro na mente, mais eficaz eu serei no meu dia-a-dia, em que me foco naquilo que está aqui e garanto confiar em mim própria para resolver qualquer assunto/situação que surja na minha realidade.

Quando e assim que eu me vejo a entrar em pânico mental quando imagino alguém a dizer-me que tem más notícias dos meus resultados, eu paro e respiro. Eu estou ciente que este pensamento foi uma criação minha mas que não me ajuda a estar estável e, portanto, eu posso/devo/responsabilizar-me por parar os pensamentos/sistema de medo de modo a recriar uma relação de estabilidade na minha comunicação comigo e com os outros. Eu comprometo-me a estar estável a lidar com a minha realidade que é um espelho daquilo que eu permito em/para mim.


Em vez de continuar a participar na mente que não é o melhor para mim, eu dedico-me a parar os pensamentos e imagens da mente de modo a não permitir os pensamentos/emoções automáticas intervir na minha realidade. Foco-me então nas palavras que eu comunico e ajudo-me através da minha presença física aqui e respiração, a ser/viver estável como as palavras.





DIA 213: Tempo é dinheiro e a falta de dinheiro é o cancro da sociedade


Nos últimos quatro dias tenho andado por dentro do sistema de saúde Português, entre consultas, análises, papéis para um lado, papéis para o outro, e reparo como o sistema está montado para o negócio privado de modo a que a rapidez seja uma garantia. É óbvio que numa situação de emergência e incerteza qualquer mãe/pai quer a melhor solução ao dispôr para o seu filho o mais rapidamente possível, mas está visto que sem o factor de “dinheiro no bolso” (literalmente, porque em alguns locais nem se aceita multibanco) uma mãe não vai longe. Pergunto-me se isto é óbvio para aqueles que montaram este negócio porque, certamente, aqueles que trabalham nele estão cientes do sofrimento daqueles que não podem pagar, mas também não podem esperar.

No meu caso, a primeira coisa que fiz foi tirar o parecer com a minha ginecologista e fui marcar uma ecografia da mama numa clínica. Obviamente que estes processos implicam já por si ter uma viatura com combustível para deslocações e ter tempo para se dedicar a estas andanças. A segurança social pode ajudar embora isso implique ter uma credêncial do médico de família (não sei quanto tempo de espera isso pode levar normalmente mas mais uma vez este tempo poderia ser substituído por dinheiro para se fazer a ecografia no dia seguinte por exemplo!). Se houver um seguro que cubra estas situações, este implica sempre que os custos sejam acarretados pelo paciente mas que poderá depois vir a ser reembolsado.

Ou seja, ou se tem dinheiro disponível, ou aguarda-se pelos requerimentos que dão uma ajuda de custo. Mas quem é que se pode dar ao luxo de esperar quando a ansiedade e o próprio corpo exigem atenção imediata? Como é que se promove o rastreio antecipado se isso envolve ter-se dinheiro para consultas, ter-se dinheiro para potenciais tratamentos e, outra coisa fundamental, ter-se tempo para se andar de um lado para o outro, dinheiro para transportes, um emprego que permita ter-se dias de folga, ter-se bons médicos ao alcance, ter-se o apoio da família, ter-se o acesso à informação e ter-se a preparação psicológica para não se alimentar fantasmas na mente e saber lidar com uma situação destas?

O sistema está montado para que todos estes elementos sejam preenchidos, mas todos nós sabemos que nesta altura é de facto uma minoria que consegue reunir os elementos necessários para que a experiência de saúde não seja traumatizante.


Mais uma vez se vê que a falta de saúde não é o problema se os recursos já existem no planeta para que se comece o acompanhamento médico. Não será então a falta de dinheiro o cancro da nossa sociedade que contamina tudo e todos? Não será então este mais um indicador que o sistema só funciona para alguns e que não existe uma plataforma de segurança social real que garanta o mesmo nível de excelência para todos os co-cidadãos? Não será altura de se investigar a solução da Igualdade Monetária que, na carta dos direitos visa garantir o direito igual à saúde que providencie tudo aquilo que é essencial para se construir corpos físicos fortes, com vitalidade e bem-estar, promovendo ao mesmo tempo a claridade intelectual, o equilíbio emocional e a estabilidade física.

Ilustração: Equal Life Foundation