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Dia 260: Ser Dura Comigo Mesma e Viver Sob o Estado de Zanga Iminente - Confissões


Esta semana tenho estado ciente da tendência de me zangar comigo própria quando não faço as coisas na perfeição ou quando cometo erros. Curiosamente, o conceito de perfeição é determinado por mim o que significa que o feitiço virou-se contra o feiticeiro porque acabo por ficar zangada quando não ajo de acordo com uma ideia que eu criei e impus para mim própria!
Esta rigidez mental ocorre automaticamente e foi preciso alguém perto de mim me ter alertado para o hábito de ser demasiado dura comigo mesma. Esta reação traduz-se em momentos em que eu crio e acumulo fúria dentro de mim, como uma forma de punição por algo que eu tenha dito ou feito e que me julgo como não sendo boa o suficiente.

Por trás disto, existe o factor da zanga, de estar chateada comigo, de me irritar, acumular esta raiva, projectá-la no meu mundo e suprimi-la dentro do meu corpo. Desde que comecei a investigar este ponto dentro de mim tenho visto como esta atitude para comigo mesma está presente em tantas coisas que eu faço no meu dia-a-dia: quando não concordo com algo que o meu parceiro faça, quando estou atrasada, quando algo não corre como planeado, quando começa a chuver, quando um motorista faz uma manobra, quando vou para a cama tarde, quando recebo um comentário negativo, quando vejo uma notícia sobre conflitos e injustiças, e muito mais. A lista é longa no entanto vejo agora que a minha reação para com aquilo que eu faço ou com o que está à minha volta é descenessária. Aliás, se eu parar de estar zangada é menos uma coisa a agravar o problema.

É interessante observar como a maioria destas reações não são exteriorizadas porque não quero passar uma imagem de ser exaltada, ou instável. No entanto, a energia da raiva continua a existir dentro de mim... Suprimida. Esta manifesta-se nas converas que existem dentro da minha mente, na minha visão de como eu vejo as coisas, nos julgamentos e na primeira reação que eu tenho, mesmo que seja por apenas alguns segundos. No passado deixava que estes julgamentos sobre os problemas alimentássem a ideia de impotência e actualmente sou capaz de não me deixar absorver pelo problema e olhar para a solução. No entanto, agora estou ciente que dentro de mim ainda participo na energia da reação baseada na fúria, na zanga, na irritação - a melhor maneira de identificar uma energia é ver como estas emoções duram apenas alguns momentos e, com o passar do tempo, acabam por desvanecer. Normalmente é depois da poeira acentar que se conseguem ver soluções e frequentemente acabamos por nos arrepender de algo que tenhamos dito ou feito sob o efeito da energia da raiva. Por isso pergunto-me: se eu vejo que esta reação não me ajuda e até cria consequências indesejadas, porque é que eu reajo em raiva e me zango? Quem é que eu sou sem participar nesta energia? O que é que eu penso ser quando estou sob o efeito da energia?

Se eu olhar para o passado, consigo identificar momentos na minha vida em que vi pessoas zangadas, de voz exaltada, com gestos largos e com atitudes bruscas. Embora isto me fizesse estremecer por dentro, poucos eram aqueles que desafiavam este estado de raiva e que faziam as coisas de maneira diferente. Portanto, a tendência de me zangar foi  aceite como normal. Está também associado à ideia de respeito e querer ser respeitada, à noção de autoridade, de controlo e de ter medo de ser inferior.

Em vez de me julgar por isso, estou a investigar e a comunicar este ponto - primeiro comigo própria e depois com as pessoas mais perto de mim - com o meu parceiro, com o meu buddy do Processo e amigos mais chegados. Agora chegou o momento de partilhar com o mundo. Tem sido importante expor esta minha tendência com o meu parceiro especialmente porque em momentos em que o João me vê a reagir comigo própria ou com alguma coisa, ele alerta-me e ajuda-me a ver quando me estou a zangar ou a ficar chateada. Este é o processo de lidar com uma energia que tem existido dentro de mim durante muito tempo e que estou agora a parar de participar nela através da respiração, do perdão-próprio e a corrigir-me em tempo real. 

Estou a tomar responsabilidade pelo que se passa em mim e a mudar a minha vida.
Sinto uma leveza dentro de mim desde que me permiti ver que não me tenho de zangar comigo, com nada nem com ninguém. Dá-me vontade de chorar por finalmente libertar este peso. É um peso carregado de moralidade, de ideias de como as coisas devem ser, do julgamento do certo e errado, do bom e do mau. É o peso de um Deus que eu criei dentro de mim própria e contra mim. É o peso de uma imagem de perfeição. É o peso de uma punição que imagino para mim própria quando não correspondo a estas ideias e que justifica os meus medos. É uma amarra à minha expressão e à minha honestidade própria.

Agora pergunto-me: quantos de nós tem vivido sob este estado de zanga iminente? Quantos de nós gritam nos sonhos, o único espaço em que as supressões vêm ao de cima? E quantos de nós se permite tirar o escudo de proteção chamado fúria, sem medo de sermos vulneráveis e gentis connosco mesmos, com os outros, e realizarmos que somos iguais?

Vejo então que a fúria é um mecanismo de defesa do ego. Nenhuma atitude com base na mente de superioridade e de controlo vai produzir resultados benéficos para mim ou para os outros à minha volta: vejo consequências nas minhas relações passadas e recentemente o meu corpo tem-me dado sinais de alerta. Estou grata por ter actualmente pessoas e ferramentas que me apoiam a olhar para dentro e a resolver este problema dentro de mim. Espero que este blog te ajude a lidar com este ponto caso também vejas a tendência para te zangares contigo e projectares essa raiva no mundo à tua volta.


Nos próximos blogues irei também publicar o perdão-próprio que tenho estado a viver em relação a coisas ou momentos que desencadeiam a energia da raiva, irritação, zanga.

Até lá, recomendo que oiças também estas entevistas (em Ingês):

Utiliza a secção de comentários caso tenhas perguntas em relação a este ponto (ou outro na tua vida!) ou sobre o processo de auto-investigação.



Dia: 259: O Peso Dos Julgamentos e da Imagem: Ser Em Vez de Parecer


Hoje depois do meu Periscope apercebi-me de uma limitação mental de julgamentos próprios com base na minha imagem: o aspeto do meu cabelo, a minha cara, os meus olhos, olheiras, os meus óculos e os meus dentes. Estes julgamentos-próprios aparentemente banais e comuns a muitas mulheres têm um impacto maior do que eu possa imaginar, porque ao prender-me a estas criticas que tenho de mim própria estou a petrificar a minha ação e a minha capacidade criativa. Se eu tivesse dado ouvidos à minha mente esta manhã eu não teria feito o Periscope e teria adiado uma vez mais a minha partilha incondicional com o Mundo.

Porque é que ainda permito que os julgamentos da mente controlem as minhas decisõe? E de onde é que vêm estas ideas de como eu devo ou não devo ser e agir?

O meu ponto de partida para fazer vlogs, videos no Periscope e até mesmo publicar fotos no Instagram é o de partilhar o meu processo de descoberta pessoal, de crescimento, e o de ajudar pessoas que passam por situações semellhantes e que também procuram mehorar as suas vidas. Ao ajudar-me a perceber as relações que eu criei comigo, com o meu corpo e com o mundo à minha volta estou a permitir-me mudar-me para desenvolver o meu potencial máximo enquanto ser humano.

Relativamente às imagens da mente, estou ciente que estas são influenciadas pelas imagens que vejo passar na TV, em filmes, séries, e também em fotos e vídeos de outros vloggers. Acabo por me limitar ao pensar que se eu for diferente dessas imagens então serei criticada e julgada pelas pessoas. Mas no entanto, eu vejo também que eu só penso nestes julgamentos porque eles existem primeiramente dentro de mim mesma! Se eu não julgásse o meu cabelo, então eu nem sequer projectaria este pensamento para a outras pessoas (aquilo que eu penso que outras pessoas pensam e dizem sobre mim). Se estes julgamentos existem dentro de mim mesma então não são os outros que me julgam porque sou eu que já estou a fazer isso em mim - e esta separação é inaceitável porque esta sou eu, este é o meu corpo, esta é a minha vida. Não tenho outra e não preciso de outra porque eu estou aqui agora e é nesta vida que eu crio o melhor de mim e o melhor para mim.

Por isso, tenho de primeiro perceber que estas ideias não vêm dos outros e que eu sou responsável por parar os julgamentos-próprios. No fim de contas, eu tenho o potencial de Ser (e não pareCer) a cada momento, cada expressão, cada estilo, e em cada palavra que eu expresso. Se houver outras palavras que eu quero viver para mim própria, por exemplo confiança, concentração, assertividade, então sou eu que tenho de me mudar e aplicar estas palavras naquilo que eu faço. Quando me distraio em pensamentos e julgamentos da mente é um indicador de uma ideia que ainda me defino e que me agarro para querer parecer algo ou alguém para ser aceite pelos outros - embora ao fazer isso estou a mentir-me a mim mesma (e aos outros)!

Em vez de me puxar para trás e evitar fazer vídeos ou fotografias, eu decido investigar o julgamento e re-estabelecer a relação que tenho comigo mesma e em vez de me rejeitar/julgar, eu abraço-me e eu perdoo-me.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido olhar para mim através da mente dos julgamentos próprios.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar o meu cabelo por estar diferente do cabelo de outras pessoas que eu vejo a fazer vlogs ou Periscopes.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido jugar-me como sendo menos interessante por estar com óculos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido projectar os meus julgamentos para os outros e pensar que outras pessoas estão a ter estes pensamentos sobre mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar e acreditar que os julgamentos próprios são reais.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar os meus dentes como não sendo direitos e brancos o suficiente com base na ideia do que é uma boca perfeita.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido evitar mostrar a minha cara com base na ideia de que eu não estou arranjada para a câmara, com maquilhagem e lentes de contacto.
Eu perdoo-me por me estar a permitir e aceitar criticar a minha imagem com base em imagens de outras pessoas que eu uso como referência de beleza e de aceitação. Eu apercebo-me que esta aceitação e julgamentos dos outros tem a ver com os julgamentos que eu ainda me permito ter de mim própria e que são inaceitáveis.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido disTRAIR-me com os julgamentos próprios e com isso separar-me do meu corpo e das palavras que eu estou a dizer.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar estável ao ver a minha cara no vídeo, em vez de criticar a minha imagem e pensar que estas ideias sobre aquilo que eu devia parecer são reais.

Vejo que esta ideia de corresponder a uma imagem é de facto uma forma de me esconder de mim própria e de suprimir ideias que eu ainda tenho contra mim em vez de me descobrir na minha totalidade e corrigir a relação que tenho comigo própria para que seja de apoio incondicional, de amor-próprio, de auto-ajuda e de realmente viver quem eu sou.

Eu apercebo-me que estas imagens são personalidades que eu não quero nem preciso para mim própria porque não são o melhor para mim.

Por isso, quando e assim que eu me vejo a querer vestir, arranjar, maquilhar ou agir para parecer alguém ou alguma personalidade, eu páro e respiro. Ao respirar e acalmar a mente eu vejo que esta pressão que eu coloco em cima de mim não é real e que quem eu sou no meu todo é quem eu quero ser com as outras pessoas - o verdadeiro Eu que me estou a recriar na minha honestidade própria.

Apercebo-me também que as personalidades são máscaras temporárias. Em vez disso, eu comprometo-me a viver as palavras da auto-confiança, estabilidade, independência, movimento e amor-próprio em cada coisa que eu faça, incluindo nos meus vídeos, fotos e blogues.

Quando e assim que eu me vejo a julgar como sendo inferior ou menos capaz quando estou com óculos, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que este julgamento não é real e que eu sou a mesma pessoa com óculos ou com lentes de contacto.

Quando e assim que eu me vejo a querer usar maquilhagem para querer ser respeitada ou vista como mais interessante, eu páro e respiro.

Em honestidade própria eu apercebo-me que este ponto de partida é uma forma de esconder-me de mim própria. Em vez disso, eu comprometo-me a parar de julgar as minhas olheiras, borbulhas ou a cor pálida sem bronze, e dedico-me a investigar a origem das olheiras e das borbulhas para mudar os meus hábitos que estejam a provocar esta reação na minha pele. Quanto ao bronze (ou à falta dele), eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que o bronze de verão é indicador de saúde e de vitalidade. Eu apercebo-me que a minha saúde e vitalidade não estão dependentes do sol e vejo também que o bronze tem a ver com a ideia de beleza e vitalidade que quero que outros tenham de mim.

Quando e assim que eu me vejo a participar na polaridade de querer ser vista como bonita/aceite pelos outros quando estou com maquilhagem e arranjada como uma modelo, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que ao participar na polaridade do positivo estou também a criar a polaridade do negativo quando não estou vestida, maquilhada ou arranjada de uma maneira que é promovida nas revistas e TV.

Vejo então que o que quer que eu decida fazer, ou como eu me decida arranjar, com óculos ou sem óculos, com maquilhagem ou sem maquilhagem, ou com uma determinada roupa tudo isto é uma decisão que eu tomo por mim e para mim, como uma expressão minha. Finalmente, eu comprometo-me a viver as palavras de auto-confiança, honestidade-própria, estabilidade, amor-próprio, autenticidade e auto-criação em tudo aquilo que eu faço e naquilo que eu digo, e é esta a imagem que eu projecto para o mundo como o meu exemplo para ajudar outros a fazerem o mesmo por si.


Eu comprometo-me a ser um e igual com o meu corpo, sem me julgar como superior ou inferior consoante o que eu visto, ou como tenho o cabelo, com ou sem maquilhagem, com ou sem óculos. Eu comprometo-me a ser um e igual com o meu corpo e por isso usar a relação com o meu corpo como uma referência da relação que tenho comigo própria. Ao estar ciente disto, eu comprometo-me então a parar a mente de ideias pre-feitas e a recriar a minha relação comigo própria tendo como ponto de partida o amor-próprio, o bem-estar físico e a minha estabilidade-própria.


DIA 256: Como Parar de Estar Acelerada na Mente e no meu Dia-a-dia




Esta noite sonhei que conduzia na estrada e, ao tentar virar uma curva, tinha saído do viaduto e voado às cambalhotas pelo campo ao lado da estrada, até o jipe parar. Nesse momento, com medo de ver as consequências dos ferimentos, desejei andar para trás no tempo e conduzir mais devagar e não fazer a curva daquela maneira para evitar o acidente.

Ao investigar este sonho, perguntei-me o que é que eu via para além da imagem do acidente. Vejo-me a mim, acelerada na minha mente, a querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo e a desprezar o tempo que as coisas realmente levam a fazer. Vejo também como desejo lidar com o tempo de maneira diferente: desejo ter tempo para não chegar atrasada e para dedicar mais tempo a outras coisas durante o meu dia. Finalmente, vejo o arrependimento de andar acelerada quando o meu corpo começa a dar sinais de stress e de cansaço por participar na energia da mente, dos pensamentos e imaginação.

Esta minha relação com o tempo é, portanto, uma relação de separação, como se o tempo fosse algo separado de mim que eu uso e abuso, embora afinal de contas não seja separado de mim porque o meu corpo está também dependente do tempo - ou seja, o tempo passa e reflecte-se na fome que o meu estômago começa a sentir, na necessidade de descansar, na ansiedade física quando corro para não chegar atrasada e no stress muscular quando passo demasiado tempo focada na minha mente de ideias, imagens e imaginação.

Estar acelerada dentro de mim é um estado mental que requer a minha correção, porque traz consequências para mim e para os outros. Ao andar acelerada na minha mente, a minha noção de tempo é manipulada para corresponder à velocidade quântica da mente, em que as imagens se ultrapassam umas às outras, sem qualquer referência ao tempo real e físico. Por isso, neste processo de correção, eu ajudo-me a alinhar-me ao tempo físico e real, de modo a estar sempre ciente do meu corpo e a garantir que as minha acções são geridas de acordo com o tempo real a cada respiração. Ajudo-me também a usar a mente como um guia para conhecer os meus medos, a minha maneira de funcionar e os meus padrões de pensamento e comportamento. Assim, ao ver o padrão de criar acidentes na minha imaginação eu ajudo-me a parar e a perceber que se estou na mente então não estou ciente do meu corpo/realidade física e por isso estou a colocar-me numa situação propícia a um acidente proveniente de uma distração.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que o tempo quântico da mente é real.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido usar o tempo quântico da mente como uma referência para a realidade e por isso participar na frustração de que as coisas na realidade demoram demasiado tempo a serem feitas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar stress físico no meu corpo ao tentar fazer as coisas de acordo com a imagem do tempo quântico da mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar o tempo real que as coisas levam e por isso não considerar cada passo e prevenir as consequências de andar acelerada.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar o meu corpo/a mim própria por ser lenta e alimentar o julgamento próprio, quando na realidade eu estou entretida na minha mente de ideias e no tempo quântico em vez de estar totalmente dedicada a viver no tempo real e a fazer as coisas de acordo com a leis físicas, quer seja a conduzir, a andar, a fazer, a crescer, a perceber, a aprender e a mudar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar no arrependimento da mente e de desejar voltar atrás no tempo - o que não é possível e não é real. Apercebo-me que a única maneira de corrigir esta tendência é em mudar a minha relação com o tempo e ajudar-me a estar ciente de cada momento para que cada ação minha seja absoluta, em plena certeza e a ser/fazer o melhor que eu posso. Desta maneira, ao estar ciente de mim e ao estar ciente do tempo real e das leis físicas eu vou evitar criar consequências físicas e não irei participar no arrependimento e no desejo inútil de mudar o passado.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que as consequências físicas (acidentes) são uma punição de Deus e assim evitar ver como eu crio as consequências para mim própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que o passar do tempo que vejo nos filmes (e na minha mente) é real e que é possível ser transposto para esta realidade física sem criar consequências. Eu apercebo-me que eu sou responsável por viver em tempo real e em prevenir consequências de stress e acidentes na minha realidade.

Por isso,

Quando e assim que eu me vejo a imaginar eventos na minha mente, eu páro e respiro. Eu ajudo-me a ver que o tempo quântico da mente não é real e que estou a criar uma realidade paralela e fictícia que me disTRAI desta realidade física no mundo. Por isso, eu comprometo-me a parar de criar e participar em realidades paralelas na minha mente e assim ajudar-me a estar sempre ciente de mim e das minhas ações nesta realidade física.
Quando e assim que eu me vejo a criar uma imagem de mim a fazer qualquer coisa, eu páro a imaginação e respiro. Eu comprometo-me a usar o tempo físico como referência e a fazer as coisas do meu dia-a-dia de forma prática e eficaz de modo a fazer o máximo que posso com o tempo que tenho. Apercebo-me também que ao estar totalmente ciente de mim e das minhas ações, serei capaz de criar soluções para mim própria e assim permito-me fazer mais e melhor do que quando me limito com as ideias e padrões da mente.
Quando e assim que eu me vejo a criar a ideia de acidentes na minha mente, eu páro e respiro. Em vez de ficar "presa" emocionalmente a esta imagem, eu ajudo-me a ver e a investigar o que eu estou a mostrar a mim própria e dedico-me a criar a correção e a mudança na minha relação comigo e com o mundo.
Eu apercebo-me que o constante estado de alerta e de stress é evitável se eu estiver ciente de como a minha mente funciona, ciente do meu corpo e desta realidade física. Por isso, quando e assim que eu me apercebo que estou num estado de ansiedade, eu páro e respiro. Eu uso esta manifestação como um indicador de que estou separada de mim/do meu corpo/da realidade física e ajudo-me a parar de participar na mente e, com a ajuda da respiração, eu volto para mim, para o meu corpo, para a Vida Aqui, ciente de cada respiração e da minha ação.

Fotografia de João Maria Alves

Sites que eu recomendo:
http://lite.desteniiprocess.com/ Curso gratuito de Auto-Conhecimento 
http://forum.desteni.org/ Forum de participação, perguntas e respostas





DIA 255: Desconstruir a IDEIAlogia: a família não tem de ser o exemplo a seguir


Comecei a julgar-me pela minha apatia em relaçao às pessoas à minha volta, porque nāo intervi quando as vi reagir ou a serem desonestas com elas proprias. Vejo agora que pouco ou nada se pode fazer pelos outros para ajuda-los a nāo ser eu manter-me estável em mim e agir em mim, sem ser influenciada pelo que os outros dizem ou fazem. Até agora sempre houve uma tendência para me deixar afectar pelo que os outros dizem ou fazem e para querer "salva-los" das suas proprias mentes mas é impossivel salvar uma pessoa de si própria. Realmente, cada um de nós é o seu próprio inimigo.


Desde que estou em Portugal que me apercebo-me da tendência de culpar os outros pelo que quer que seja - ou sao os emigrantes que sao os culpados pela violencia no país, ou é a mulher que nāo levantou a mesa, ou é o filho que nao sabe onde pôs nāo-sei-o-quê; As pessoas gritam em vez de falarem e quem grita mais alto é rei; O apego mental aos bens materiais é possessivo e emocionalmente destrutivo; a falta de planeamento cria stress; A necessidade de se controlar o que os outros dizem ou fazem é desgastante; O vício da justificaçāo impede ver-se que é possível mudar e fazer as coisas de maneira diferente.


DIA 253: Desconstruir a minha ideologia - a guerra fria que criei em mim




Todo o meu programa mental é baseado em ideias que eu criei sobre mim própria e esta é a ideologia que tem servido de guia na minha vida, manifestada nas minhas decisões e atitudes para com as coisas, quer sejam acontecimentos ou pessoas.

De acordo com o dicionário, uma ideologia é "um sistema de ideias, valores e princípios que definem uma determinada visão do mundo, fundamentando e orientando a forma de agir de uma pessoa ou de um grupo social (partido político, grupo religioso, etc.)"*.
Cada um de nós tem a sua própria ideologia que funciona como os nossos óculos (com filtros!) para vermos o mundo e, especialmente, para nos vermos a nós próprios. São exactamente estes filtros/ideias de mim própria e do mundo que eu me proponho desconstruir ao longo do meu processo de investigação, perdão-próprio e auto-correção. Para isso, a primeira decisão foi a de ver que esta ideologia não é necessariamente a minha verdade e que eu não tenho de impor estas ideias a mim própria nem de projectá-las no mundo. Porquê? Porque não tem sido o melhor para mim nem para os outros à minha volta, especialmente nos padrões que se manifestam na minha relação comigo própria, nas minhas relações com os outros e na minha relação com o mundo. Há pontos que eu me tenho tornado ciente e me tenho dedicado a corrigir  ao longo dos últimos anos - tal como uma cebola, à medida que retiro uma camada encontro uma nova ou o mesmo ponto surge para eu lidar novamente, de uma vez por todas.

Vou hoje começar com uma ideia que, embora pareça ser superficial, foi a partir desta que eu comecei a investigar a origem da minha ideologia e que decidi escrever este blog.
Até hoje, tenho-me definido com sendo friorenta e ainda não me tinha apercebido como esta ideia me tem limitado e criado desconforto na minha realidade. Por exemplo, a ideia de ter frio tem-me impedido de sair de casa à noite, de sair da cama de manhã ou até de andar descalça na tijoleira. Se a ideia do frio não existir, aquilo que eu vejo é que é uma questão de hábito e que o meu corpo adapta-se à temperatura rapidamente.
Ou seja, a ideia que eu tenho do choque de temperatura é tudo aquilo que me limita - é a imagem do frio que existe na minha mente que me limita a minha ação, seja ela qual for! Lembro-me de ter ido fazer snowboard e, mesmo dentro do autocarro, já estava a criar uma reação ao frio só de pensar no frio que eu iria sentir  lá fora. Na minha mente, eu crio o desconforto do frio mesmo antes de o sentir porque já tenho registada em mim a ideia do choque de temperatura. No entanto, se eu não reagir contra o frio, irei rapidamente ver/sentir que afinal não custa tanto e que o frio passa, ou que posso fazer com que o frio não se sinta (agasalhar-me melhor, por exemplo)

A importância de analisar a minha experiência do medo do frio reside em identificar um padrão de pensamento que, muito provavelmente, se aplica noutras situações e que pode evoluir para uma fobia. Tal como qualquer medo, este não precisa de existir. O mesmo padrão existe em relação às preocupações: ou seja, pre-ocupamo-nos com algo mesmo antes desse algo existir. Isso é inútil e não ajuda a lidar com a realidade.

Durante a minha infância eu lembro-me de ser chamada "friorenta" porque eu era mais sensível ao frio do que as minhas irmãs. A minha mãe dizia várias vezes que eu "era feita de lãzinha" porque não podia apanhar uma corrente de ar ou sentir um bocadinho de frio sem me queixar. Este tornou-se um automatismo até hoje.
Ao escrever sobre este padrão consigo identificar outros automatismos em mim que são baseados em ideias, ou seja, a minha ideologia passou a ditar as minhas ações. O facto de eu acreditar que sentir o frio do chão ou a brisa do vento é razão para eu reagir faz com que eu reaja. Porquê? Vejo agora que existe o medo de ficar constipada. Quem é que não ouviu dizer: "não apanhes frio ou ainda ficas constipada". Grande parte da educação infantil consiste em ameaças ou em ultimados de "ou fazes isto ou qualquer-coisa-de-mau acontece". Por isso, apanhar frio ou sentir frio passou a ter uma conotação negativa em mim. Quantos de nós temos esta relação de medo ou de preocupação com as coisas?

Este processo é revelador. Quanto da vida estamos a ignorar ou a escolher não ver porque aceitamos e permitir limitarmo-nos com as ideias que impomos a nós mesmos? Quanto de mim estou a limitar ao participar neste padrão de auto-limitação que, tal como um vírus, tem a capacidade de contagiar as minhas outras ações para justificar a "lealdade" à ideologia?

Apesar deste blog ser essencialmente para transmitir o padrão e perceber como é que a mente funciona, escusado será dizer que são exactamente estas ideias que criam separação para com a realidade e isto passa-se tanto nas nossas vidas pessoais como ao nível internacional - basta ver como a ideologia serve de rótulo que bloqueia a comunicação entre grupos definidos por ideologias diferentes.

Não será a Guerra Fria uma manifestação da nossa própria relação com as nossas ideologias e da maneira como nos sentimos ameaçados por ideologias diferentes que desafiam as nossas própria crenças?
Finalmente, não será a ideologia uma barreira invisível e mental que nos separa do mundo físico e da realidade?

Voltando ao exemplo do frio, o facto de eu evitar colocar o pé na tijoleira, estou a sabotar o meu equilíbrio corporal e posso eventualmente magoar-me "a sério" na tentativa de saltar de um tapete para o outro; ter resistência para sair de casa por causa da ideia do frio pode condicionar o meu dia e dificultar a minha comunicação com os outros por estar em modo reactivo;  preocupar-me com a ideia de ficar constipada por sentir frio é meio caminho andado para me permitir estar vulnerável e criar a minha própria doença na minha mente e depois no meu corpo.


Este processo de desconstruir a minha ideologia é o processo de tomar responsabilidade por cada pensamento, por cada ideia, por cada julgamento e por cada verdade ou mentira que eu criei em mim própria. Só tirando estes óculos foscos é que será possível ver o que a vida realmente é, expandir-me e vero o mundo em que andamos, com os pés bem assentes na Terra.


* Referência: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/ideologia;jsessionid=4dEnn8Aioc735WTIZ+kn7Q__

Ilustrações: Andrew Gable, Stop the Cycles of Collapse
                Word from the Well, Ground ourselves



DIA 250: Recriar auto-estabilidade: nesta (mu)dança estou sozinha


De regresso ao meu dia-a-dia citadino após um mês a viver na quinta Desteni na África do Sul, estou a aperceber-me das minhas reações mais rapidamente, ou seja, a instabilidade que os pensamentos causam em mim é reparada no momento e já não ignoro nem aceito a instabilidade como o meu estado "normal". A instabilidade em que eu me habituei a existir consiste num estado de ansiedade constante, de preocupação e de stress que já se acumula desde os tempos da escola e que tem de ser investigada. Aquilo que eu não me tinha apercebido é: a consequência que este estado de ansiedade tem no meu corpo, manifestado na alteração hormonal para corresponder ao estado de alerta associado aos elevados níveis de stress; segundo, que sou capaz de existir estável em mim; e, também, que eu sou responsável por criar a minha estabilidade.


É fascinante ver em mim própria as mudanças provenientes desta decisão de recriar a minha estabilidade onde quer que eu vá e independentemente de quem eu esteja: o facto de regressar ao meu dia-a-dia e continuar a dedicar-me ao meu Processo incondicionalmente é o melhor souvenir que eu podia ter trazido da minha viagem à Africa do Sul. As mudanças que eu estou a criar à minha volta vêm de dentro para for a, isto é, aquilo que eu antes via com sendo um problema eu estou agora a ver com outros olhos: procuro ver com os olhos voltados para uma solução.

 
Em vez de reagir dentro de mim quando alguma coisa na realidade externa não está a bater certo, eu procuro desvendar o porquê de estar a julgar a realidade (por ex. Quais sao as ideias ou desejos que eu tenho sobre como as coisas deviam ser) e pergunto-me o que é que eu posso fazer para me estabilizar (por ex. Escrever sobre determinados pontos) e mudar a situação para melhor, não baseado em desejo mas simplesmente em senso comum sobre como eu posso mudar a minha participação para me expressar livre dos julgamentos da mente. Foi precisamente isto que realizei na minha passagem de ano: apercebi-me que o meu Processo é como uma dança que eu danço comigo própria, primeiramente sozinha e, às vezes, acompanhada.


No primeiro dia do ano comecei o dia a escrever: escrevi o perdão próprio sobre os julgamentos e conversas na minha mente sobre a festa onde eu estava e foi como se um peso saísse de cima de mim - o peso ilusório da mente e dos pensamentos que eu criei e que sou igualmente responsável por parar e limpar em mim. Esta decisão de começar a escrever teve uma pequena resistência inicial mas que se dessipou no momento em que eu peguei no meu caderno e comecei o perdão prório.


Tal como uma (mu)dança, o meu processo de estabilidade/limpar a mente implica vontade própria e o movimento físico para criar soluções e testá-las com novos passos, aperfeiçar-me com novas maneiras de fazer as coisas e estando sempre ciente de quem eu sou a cada momento.

Quanto ao ponto de estar sozinha, isto vem da realização que sou responsável por tudo o que me acontece. Em honestidade própria eu vejo que não há nada nem ninguém a culpar sobre o que quer que eu pense, sinta ou faça, da mesma maneira que não há nada nem ninguém que me possa dar auto-estabilidade. Obviamente que há coisas práticas que podem vir da entreajuda e da cooperação entre nós (it takes two to tango) no entanto, cada um de nós está sempre sozinho em cada passo que decide dar, em cada pensamento que aceita ter e em cada correção que permite aplicar.