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DIA 107: A rejeição não tem a ver com os outros...


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sentir-me rejeitada quando os outros são diretos comigo, como se uma grande conversa fosse sinónimo de diálogo honesto.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me pelas reações ou atitudes que as outras pessoas têm em relação a mim e assim experienciar a atitude e reação dos outros, em vez de me dar direção e garantir que eu sou estável em mim, de dentro para fora.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que fiz algo de errado para a pessoa X não falar comigo, sem me aperceber que esta sensação de rejeição não tem a ver com a pessoa em questão mas com o meu próprio julgamento como estando errada e me ter tornado dependente da resposta externa para eu estar estável comigo mesma.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido realizar que ao participar nestes pensamentos sou eu quem está a criar separação em relação aos outros, em vez de dar direção física e falar com o outro, sem medo de ser rejeitada porque de facto não há nunca qualquer rejeição a não ser a minha separação e julgamentos em relação a mim própria.

Logo, eu páro, respiro e sou Aqui completa, um e igual com a outra pessoa, ciente que sou eu a única responsável pela minha estabilidade, pelo meu bem-estar e por me tratar bem. Eu apercebo-me que ao acreditar que pessoa X me está a rejeitar é estar a criar uma relação de rejeição comigo própria. Eu apercebo-me que tenho de parar a mente quando começo a justificar a rejeição dos outros porque a mente vai num ciclo de auto-destruição, desvalorização e de inferioridade que não corresponde à Vida que eu me proponho criar em mim e à minha volta - No Mundo!

Quando e assim que eu me vejo a julgar as frases diretas como sendo arrogância ou desprezo, eu páro e respiro. Qualquer experiência que eu tenho em relação às palavras ou até mesmo à entoação da frase é a minha reação. Eu dedico-me a investigar porque é que eu reajo às frases diretas - apercebo-me que me habituei a associar as frases diretas a repreensões ou a quando estou chateada. Na realidade eu apercebo-me que ser-se direta é simplesmente falar-se sem rodeios e dizer-se somente o essencial. Vejo agora que eu própria criei resistência a ser direta por não querer que os outros me julguem com arrogante ou que pensem que eu estou chateada com eles. Ora, estes são julgamentos que eu tenho de resolver em mim! Eu dedico-me a parar estes julgamentos próprios e assim parar de projecta-los na minha relação/comunicação com os outros. Ao ser direta, eu estou a dar direção a mim  própria,  a falar em honestidade própria comigo e com os outros, sem rodeios nem medos nem a alimentar as percepções ou associações da mente.

Quando e assim que eu me vejo a pensar que não vou falar com pessoa X porque essa pessoa não tomou a iniciativa de falar comigo, eu páro e respiro. Eu aproveito esta ocasião para ver o julgamento que tenho de mim própria e perdoo-me. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar-me como irrelevante porque a outra pessoa não quer estar ou estar comigo, sem me aperceber que esta ideia que o outro não quer estar comigo ou falar comigo fui eu que criei para mim própria e assumi ser a verdade.

Ao trazer o ponto para mim própria, eu apercebo-me que sou eu que não quero estar sozinha porque eu própria não me estou a suportar. Quando e assim que eu me vejo a desejar estar com pessoa X porque não quero estar sozinha, eu páro e respiro. Eu realizo que mesmo com os outros, eu existo em mim, sozinha, embora um e igual com todos. Eu comprometo-me a recriar a relação que tenho comigo própria com base nos princípios da honestidade própria, direção própria, respeito próprio,  divertimento próprio e auto'perfeição. Este é de facto o meu processo de renascimento e, tal como há 25 anos, eu renasço sozinha e ando pelo meu pé, ciente da unidade e igualdade em que existimos.

Ilustração de Andrew Gable



DIA 36 - Vida dupla?


Porque é que tenho esta ideia de vida dupla quando sou eu que participo em todas as minhas acções?
O que é uma vida em unidade? Será que a ideia daquilo que é "a vida que quero para mim"  não é um julgamento que limita e invalida qualquer caminho que eu tome fora da tal ideia?

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que eu sou responsável por todas as minhas acções e logo não é possível haver uma vida dupla, uma vez que sou sempre eu a participar na ação.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter medo que as pessoas saibam de coisas que eu considero segredos na minha vida - eu realizo  que são somente acções que eu não considerei serem parte da "vida ideal" e portanto julgo ter falhado - realizo que a ideia não é real e que não tenho escolha senão abraçar tudo o que fiz no passado e garantir que tomo total responsabilidade a partir de agora, sem me limitar a ideias que criei de mim própria e que a sociedade à minha volta aprova ou desaprova.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido  estar limitada às ideias e julgamentos de um dado momento da sociedade onde eu existo. Eu apercebo-me que a sociedade é baseada naquilo que eu permito e aceito em mim mesmo - logo, a sociedade existe em julgamento próprio e dos outros porque EU me permito existir em julgamento próprio e dos outros.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na vida dupla da mente, ou seja, nos julgamentos que eu acredito que os outros têm de mim (que eu tenho de mim própria) e portanto "viver" condicionada pelo medo da rejeição e esforçar-me por pintar uma ideia de mim própria de perfeição que é baseada naquilo que eu penso ser aceitável aos outros/à sociedade. Eu realizo que os julgamentos iniciais e aos quais eu me habituei a existir como tal não são reais - são julgamentos sem qualquer senso comum nem respeito pela minha vida. Realizo também que os julgamentos criam separação nesta realidade física e que têm condicionado a minha expansão em mim própria e a minha expansão em relações com os outros.

Eu realizo que tenho criado a minha própria prisão na minha mente baseada em julgamentos que condicionam a minha presença (na mente em vez de existir na totalidade neste mundo). Agora, ao ver-me em honestidade própria, eu comprometo-me a parar os julgamentos ao parar e ao respirar sempre que um julgamento palpita na minha mente.
Eu comprometo-me a tomar decisões em senso comum em vez de me condicionar por memórias e experiências do passado (baseadas sempre na ideia de mim própria e nos julgamentos que eu aceitei e permiti definir-me como).