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DIA 212: Auto-culpabilização e dura comigo própria



No seguimento destas minha andanças recentes, apercebo-me da solidariedade quando se fala de coisas do peito ou de zonas intimas do corpo, como se fosse ainda um tabu, mas vejo então que esta resistência para se falar nestes tópicos tem a ver com o medo de se “apanhar” a doença. Eu própria estava a participar no medo de falar sobre este assunto por medo de agravar a situação, como se só uma notícia mais grave fosse merecedora de um blog!

Afinal, isto não é daquelas coisas que só acontecem só "aos outros". Está aqui na minha realidade e eu tenho as ferramentas para andar este processo, passo a passo.

Mesmo antes de saber que este carocinho no peito se tratava de um quisto inflamado, comecei a aperceber-me do padrão da auto-vitimização e da tendência para me sentir culpada das coisas que acontecem na minha realidade. Mas participar no padrão da culpa não é produtivo e acabo por ser dura comigo própria.

Vejo então que agarrar-me à culpa é uma forma de evitar tomar responsabilidade e olhar para soluções práticas para aplicar correção imediata – por exemplo, começar a acalmar no trabalho, ser prática, fazer uma coisa de cada vez, desacelerar os pensamentos na minha mente, parar os medos, tomar decisões que sejam o melhor para mim, cuidar do meu corpo, respirar e relaxar.


Uma armadilha da mente até agora tem sido o de projectar a culpa nos outros, embora seja tal e qual um espelho de mim própria. Lembrei-me da expressão religiosa do “mea culpa” e vou tomar esta oportunidade para PARAR de participar na facilidade aparente da culpa. Por exemplo, em relação ao meu quisto, a culpa não é do meu emprego per se, porque não é o trabalho que gera o meu stress – Sou eu que permito (ou não) criar a ansiedade e acomodar-me ao estado de stress. Eu apercebo-me que sou responsável por investigar os pensamentos de culpa dentro de mim e ajudar-me a mudar a minha relação comigo própria, em AUTO-SOLIDARIEDADE e aplicar soluções na minha realidade!


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido habituar-me a culpar-me e a ser dura comigo própria quando algum acidente acontece ou alguma coisa corre fora do planeado, sem ver que ao culpar-me e ao ser dura comigo própria eu estou a criar novos problemas na minha mente.


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sentir-me culpada pelas coisas que acontecem à minha volta como se tivesse a perder o controlo, em vez de perceber que posso tomar responsabilidade pela minha vida sem participar na reação de culpa.


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido projectar a culpa para algo fora de mim, quando afinal o padrão de culpa não tem de existir em nada nem em ninguém. Apercebo-me que este padrão de culpa é um auto-massacre baseado em justificações sem realmente olhar para o problema e soluçõesn em plena responsabilidade, claridade e direção-própria.


Apercebo-me que ao simplesmente culpar-me pelas coisas, eu estou a evitar dedicar-me a uma solução prática e duradoura, como se fosse mais fácil culpar-me para “não pensar mais nisso”. No entanto, o padrão da culpa funciona. Em vez disso, eu posso e devo perdoar-me pela acumulação de culpa e dedicar-me a aplicar uma solução prática para o problema.


Quando e assim que eu me vejo a participar no padrão da culpa, tanto contra mim mesma ou a projectá-lo em algo ou alguém, eu páro e respiro.

Em vez de alimentar a culpa, eu procuro investigar em mim porque é que o sistema da culpa surge – e quais são as soluções reais que eu estou a suprimir em mim.


Quando e assim que eu me vejo a agarrar-me ao sistema da culpa como se isso fosse redimir-me das coisas que eu faço ou que eu não faço, eu páro e respiro. Em vez de querer mudar o passado, eu dedico-me a mudar-me no presente, a recriar a minha relação comigo própria em TOTAL COOPERAÇÂO. Eu apercebo-me que a culpa não tem qualquer efeito a não ser criar ansiedade em mim e separação comigo própria.


Ilustração: Andrew Gable

DIA 205: Consegues Ver os automatismos da mente?


Escrever diariamente tornou-se no meu check-up diário.  A razão pela qual é essencial conhecer e perceber a nossa mente tem a ver com sermos os nossos próprios médicos da mente - ao diagnosticarmos e dar-mos um nome ao padrão (por exemplo, o padrão de culpar os outros, o padrão da inveja, o padrão da comparação, o padrão do medo, etc. ) tornar-se mais eficaz perceber qual é o ponto a corrigir dentro de nós - ao saber-se a doença o próximo passo é investigar a cura.
Ao perceber como é que eu funciono, ao procurar soluções e ao expandir o meu auto-conhecimento através da escrita, serei então capaz de ajudar outras pessoas que possam estar a enfrentar padrões semelhantes. Hoje curiosamente, ao aperceber-me que a outra pessoa estava a participar no padrão da acumulação de culpa e auto-vitimização, eu parei qualquer tentativa de defesa e simplesmente dei-me direção para coisas que realmente requeriam a minha atenção. Foi uma decisão tomada no momento - provavelmente há 1 ano atrás iria atrás da mente, e acabaria por alimentar mais o padrão em vez de dar-me direção e não despender o meu tempo a fazer babysitting da mente do outro.

Pergunto-me: - De onde é que vem esta necessidade de se ser vítima aos olhos dos outros? Porque é que ainda permito que sejam as conversas da mente a guiar-me, quando estas conversas da mente são a acumulação cega de pontos mal resolvidos em mim? Não será esta necessidade de culpar os outros uma forma de atirar areia para os meus olhos e continuar nesta cegueira de que o problema está nos outros?

Ainda dou por mim a escrever sobre as minhas relações com os outros e esqueço-me que isto é um guia para eu chegar à minha própria mente.
Onde é que em mim eu não estou estável comigo própria e ainda e acabo por participar na mente do outro só para evitar o conflito das mentes.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na ideia de eu sou uma vítima dos outros e que os outros são vítimas minhas. Em vez disso, eu realizo que a ideia/auto-julgamento de vítima não é real e que, em unidade e igualdade, somos iguais e ninguém se sacrifica por ninguém. Por isso, quando e assim que eu vejo a mente de sacrifício/vitima manifestar-se em mim ou nos outros, eu páro e respiro. Comprometo-me a parar esta sensação de sacrificio/vitima e em vez disso procuro participar/propor uma solução que seja o melhor para ambos/todos.


DIA 189: "Quem foi ao ar perdeu o lugar"?... Educados a ser rivais e a competir


Isto de estar ciente das minha personalidades tem que se lhe diga! Tem sido cada vez mais fácil ver as personalidades surgirem no meu dia-a-dia, como se visualizasse o padrão e percebesse como ele funciona desde o momento em que me torno a personalidade e as consequências na minha realidade. Estar ciente destas personalidades é o primeiro passo para ver a origem, perceber as consequências que ando a criar para mim própria e finalmente mudar para o melhor de mim.

Hoje enfrentei a personalidade da rivalidade numa situação que talvez vos seja familiar: a famosa lenga-lenga do "quem foi ao ar perdeu o lugar". Fomos tão "bem educados" que continuamos a viver essa ideia na vida adulta. No meu exemplo, eu estava num lugar no ginásio durante a primeira parte da aula de dança e, quando saí para beber água no intervalo, uma pessoa tinha ocupado aquele lugar.  No espaço de segundos, perante aquela MUDANÇA eu senti a reação, depois a vergonha e a raiva: a reação de ver o meu lugar ocupado; vergonha ao pensar que as outras pessoas que assistiram à cena estavam a pensar que eu fui "ultrapassada" e portanto sou inferior; e raiva em relação à pessoa que eu pensei ter tido a lata de usar o intervalo para avançar para a linha da frente.
Ao escrever esta situação, vejo que este cenário se repete todos os dias na fila para entrar para o metro: há quase sempre uma fila e, quando o metro abre as portas, há pessoas que tentam avançar e ultrapassar a pessoa da frente. Perante este comportamento social eu manifesto uma sensação de inferioridade em relação à pessoa que avançou sem respeito. Pergunto-me: - Porquê julgar como superiores aqueles que não respeitam os outros? Por outro lado, porque é que eu me deixo afectar quando assisto (ou sou vítima) deste tipo de comportamento? Porque é que não me permito estar estável em mim, naquilo que eu faço, sem ir para o backchat da mente de julgar a outra pessoa como superior ou como imbecil?
Em relação à experiência desta manhã, eu apercebi-me o quão perturbante foi ficar permeável aos pensamentos da mente porque a partir deste episódio estive menos focada, distraída e mais descoordenada. Levei alguns momentos a estabilizar-me com a respiração e a fazer paz com a muDANÇA, ver que havia MAIS lugares e realizar que "ter perdido o lugar" era irrelevante para o meu propósito de DANÇAR, me divertir e de seguir os passos. Escrevo aqui o perdão próprio e as afirmações de auto-correção para prevenir esta reação dentro de mim e esta auto-sabotagem no futuro.

Perdão-Próprio:
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sabotar a minha decisão de dançar com o episódio inesperado de ter "perdido AQUELE lugar na sala".
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que AQUELE lugar é um lugar num espaço que é a sala e que serve apenas o propósito de ter pessoas, sem necessidade de criar uma relação com AQUELE lugar.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar incondicionalmente estável em vez de absorver as ações dos outros e tomá-las como pessoais. Nisto, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido comparar a minha dança com a dança da pessoa que ocupou o meu lugar, o que mostra a competição da mente para manter esta luta dentro da mente contra a outra pessoa.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido levar a atitude da outra pessoa como uma ofensa e como uma "guerra aberta" ao ter ocupado o meu lugar. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar em guerras de competição dentro da minha mente e assim estar a criar separação física que na realidade não existe - eu vejo agora que estávamos ambas na mesma sala e que os lugares são criados onde quer que haja um espaço livre.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me pelo lugar onde eu estou em vez de viver a decisão de ser estável e ciente de mim em qualquer lugar e a qualquer momento.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na imaginação da mente de falar com a rapariga para sair do meu lugar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir com um "grrrrr" e submissão à vontade da outra pessoa, em vez de decidir dar-me direção-própria, observar um lugar livre e em senso comum criar a minha estabilidade, sem ficar "agarrada" à atitude da outra pessoa. 
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar imediatamente que a outra pessoa foi ruim e que fez de propósito para aproveitar o intervalo para ser gananciosa. Ao trazer o ponto para mim própria, eu vejo que EU estava  a ser gananciosa sobre aquele lugar e a considerar a hipótese de "ter o lugar de volta" no próximo intervalo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido dançar no lugar novo contrariada e pensar que o outro lugar era melhor porque via o espelho. Nisto eu apercebo-me que as conversas da mente criam mais distração e "estragos" do que o facto de não ver o espelho!
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido calar a mente e o conflito da mente para me permitir viver a decisão de SIMPLESMENTE estar ali, sem relações com o lugar ou com as pessoas, mas SIMPLESMENTE presente, em mim, física, a dançar!
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que se a outra pessoa tivesse comunicado comigo com um "desculpa" ou ao perguntar se eu queria aquele lugar de volta, então eu não ficaria chateada. Eu apercebo-me que o ponto de não ficar chateada é independente da atitude da outra pessoa. Nisto eu apercebo-me que QUEM EU SOU não é dependente de quem OS OUTROS SÃO.

Afirmações para auto-correção:
Eu comprometo-me a parar a sabotagem da mente quando vejo que estou a ser perturbada por um evento que não estava "agendado". Em vez de reagir, eu ajudo-me a procurar uma solução perante a nova situação e a garantir que me ajudo a estabilizar, em vez de agravar a situação dentro de mim!
Quando e assim que eu me vejo a lutar na mente contra uma pessoa que tenha ocupado o meu lugar, eu páro a mente e respiro. Eu apercebo-me que a luta da mente é uma luta comigo própria e que não é isto que eu quero para mim.
Quando e assim que eu me vejo a julgar-me como fraca porque eu não reajo com a outra pessoa, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a ver as coisas e agir em senso comum - se vir que é relevante falar com a outra pessoa eu falo, se não eu permito-me viver a decisão de não falar e de parar qualquer conversa na mente.
Quando e assim que eu me vejo a julgar a outra pessoa como "má", "ruim", "estúpida", "gananciosa", superior" (curiosamente associamos a ganância à ideia de superioridade), eu páro e respiro. Eu apercebo-me que na minha Vida sou eu quem decido quem eu quero ser a cada momento. Nisto, eu comprometo-me a não ser influenciada pela maneira como as pessoas à minha volta são - porque eu só somente responsável por quem eu sou e, portanto, não me permitirei fazer aos outros aquilo que não quero que seja feito a mim.
Eu comprometo-me a ser SEMPRE o exemplo para mim própria e portanto não me permitir estar instável ou reagir mesmo quando esteja perante uma situação de competição. Aliás, eu apercebo-me que só existe uma situação de competição se eu permitir viver em competição. Realizo que a competição começa em mim e que existe primeiro em mim e que, ao permitir existir competição em mim, vou acabar por projectá-la na minha realidade/nos outros.
Comprometo-me a estar ciente dos pensamentos de competição na minha mente e a parar esta PERSONALIDADE competitiva e de rivalidade que eu crio e participo na minha mente sem qualquer benefício para mim nem para a realidade à minha volta.
Comprometo-me a parar de ver as outras pessoas como minha rivais como se esta vida fosse um jogo de soma nula - eu apercebo-me que há lugar para todos se todos criarmos lugar para todos. Eu apercebo-me que ao criar a minha estabilidade e ao adaptar-me a dançar no meu novo lugar, eu fui o exemplo para mim própria. Comprometo-me então a ver sempre o senso comum da situação e em viver uma solução prática para mim e que seja também o melhor para nós todos em cada momento.
Quando e assim que eu me vejo a ser inflexível comigo própria (que é uma forma de amuo!) ao estar a julgar o novo lugar como prior que o anterior, eu páro este julgamento da mente e respiro... E continuo a dançar no/com o meu corpo físico.
Quando e assim que eu me vejo a culpar a outra pessoa pela minha instabilidade, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que culpar a outra pessoa é a "easy way" e que desejar que a outra pessoa resolva o assunto é uma ilusão da mente. Vejo que a única maneira de garantir que resolvo a minha instabilidade é ao tomar responsabilidade por mim e criar soluções para mim nesta realidade física 

Quando e assim que eu me vejo a desejar que a outra pessoa seja simpática comigo para eu ser simpática com ela, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta ideia de ser simpática é a ideia de agradar a outra pessoa, em vez de perceber que eu sou simpática com a outra pessoa no sentido de respeitar a outra pessoa e de comunicar sem reações.
Eu apercebo-me que a instabilidade da mente é uma mentira porque QUEM EU SOU ESTÁVEL COMO VIDA é incondicional e portanto a minha estabilidade como Vida não está dependente do "desculpa" da outra pessoa, ou de um sorriso. Eu comprometo-me a não me permitir estar à mercê nem da minha mente nem da mente/atitude dos outros.

Foto: Image courtesy of photostock / FreeDigitalPhotos.net


DIA 162: A mudança é uma atitude física, hurrey!


Hoje tive um daqueles momentos em que tomei e vivi a decisão física de mudar um padrão for real. Ao mesmo tempo, o facto de estar a escrever este blog hoje é um sinal de direção própria e de viver o compromisso de recomeçar a cada momento aqui - parar, dar tempo a mim própria e escrever, mesmo quando tenho a casa cheia!
Em relação ao primeiro ponto, não lhe posso chamar um momento de "sucesso" porque este é um processo no qual a eficácia se baseia na minha consistência, no entanto, foi um indicador que vale a pena investigar um ponto em mim e dar-me a oportunidade de "tirar o hábito". Comecei o dia a escrever - primeiro sobre a camada mais superficial de pensamentos e, ao "escavar" mais fundo, fui parar a uma série de realizações - a escrita tornou-se fluente e o perdão próprio foi óbvio. Nesse momento apercebi-me que o meu processo é incondicional ao lugar onde eu estou, àquilo que eu faço ou com quem eu estou. O mais curioso é que ao escrever sobre os pontos que me estavam a ocupar a mente esta manhã, outros pontos vieram ao de cima, como se os tivesse desbloqueado e me permitido tomar responsabilidade pela minha mudança.

A mudança de atitude foi óbvia e apercebi-me do meu poder de criar/mudar a minha realidade. Não vou referir aqui qual foi a ação específica porque trata-se de um padrão - o padrão da zona de conforto. Aquilo que eu vejo ter sido essencial para ver a solução foi o facto de ter desacelerado a mente e ter-me dado o benefício da dúvida de agir de maneira diferente daquela que tenho agido até agora. Não houve um desejo energético, mas foi antes o meu movimento físico (caminhar passo a passo) a criar as condições para que a ação se realizasse, em vez de pensar sobre o assunto!

Apercebo-me que é neste estado de cientização que me quero permitir estar e ser - ciente da mente, mas fora da mente. Um e igual com o meu processo, um e igual com o mundo e pessoas à minha volta, um e igual com o meu corpo e movimento físico, em plena direção própria.
Partilho neste blog partes da minha escrita matinal que foram extremamente reveladores e que serviram de plataforma para passar à ação física.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar na resistência que surge enquanto eu escrevo, baseada na ideia de "isto não é relevante", quando afinal eu estou a escrever para mim e só eu sei o que se passa na minha mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido evitar questionar-me sobre aquilo que eu penso, sobre aquilo que eu digo, sobre a maneira como eu falo, sobre a minha tonalidade, sobre o Porquê de reagir a certas coisas ou a certas pessoas.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido alimentar o papel de apreciar "os outros" sem ver que sou eu quem está a alimentar estes papéis em total interesse-próprio porque estou a usar a ideia que "tenho de agradar os outros" como uma capa e justificação que me mantém presa ao ao medo de mudar. Por trás do medo de mudar, vejo que está o medo de sair da zona de conforto/defesa porque isso implica sair da personalidade de medo.

Apercebo-me que a minha honestidade própria é ser honesta com os outros, e que a minha desonestidade própria é ser desonesta com os outros. Nisto, eu apercebo-me que tudo aquilo que se passa à minha volta é um indicador daquilo que eu Eu permito e aceito ser cúmplice, quer sejam as relações, reações, frustações, sistemas da sociedade, etc. e que a mudança da realidade à minha volta depende da mudança da minha relação comigo e com as coisas à minha volta.

Quando e assim que eu me vejo a entrar nas imagens e pensamentos de antecipação da minha mente, eu páro e respiro.
Quando e assim que eu me vejo a acreditar nas emoções que eu sinto, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que depende sempre de mim criar a minha estabilidade e para isso Parar o programa automático da mente. Eu apercebo-me que em direção própria eu sou muito mais do que a minha mente - eu apercebo-me de coisas que não eram visíveis antes e que sou capaz de transcender a sensação de vitima e impotência.

Quando e assim que eu me vejo a ter resistência para aplicar aquilo que eu realizo, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estou a sabotar a minha própria vida porque a informação está aqui e eu estou a evitar aplicá-la na minha Vida! Não é este um padrão familiar no nosso mundo, em que sabemos aquilo que tem de ser feito mas continuamos a brincar às personagens e a viver papéis para encaixar na sociedade?



DIA 128: Criar um bicho de sete cabeças em vez de resolver a minha mente


Neste processo de auto-realização, eu dou-me a oportunidade de lidar com a minha própria mente e reconhecer aquilo que eu ando a fazer a mim própria. Isto significa que qualquer julgamento ou culpa projetados nas pessoas à minha volta é um reflexo dos julgamentos que eu tenho permitido criar sobre quem eu sou, escondida por trás de vitimizações. Esta oportunidade é única e só eu posso fazer por mim: fazer as pazes comigo própria, para de me esconder na mente e decidir em honestidade própria como e quem é que eu vou ser nesta VIDA.

Estas realizações não foram imediatas - aliás, demorei alguns minutos até eu  tomar a decisão de parar o automatismo da mente e decidi puxar por mim própria para ver aquilo que eu estava a criar. Apercebi-me então que estava a criar um bicho de sete cabeças como uma distração, em vez de solucionar a minha própria cabeça/mente! Estou ciente que estes pontos vão voltar mas que desta vez não haverá justificações - porque eu fiz o "trabalho de casa" e estou preparada para mudar por mim em tempo real.

Quando e assim que eu me vejo a reagir perante palavras que me dizem, eu páro a reação em mim e respiro. Eu permito-me ver que as palavras são palavras e não ofensas - as ofensas são um indicador que há julgamentos associados a tais palavras e que eu tenho de investigar estes pontos em mim - porque é que eu reajo? Qual é o sentimento que se manifesta? Quais são as memórias associadas a este ponto?

Quando e assim que eu me vejo a apontar o dedo a algo/alguém pelo desconforto que eu sinto, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que o padrão de culpa é um mecanismo de proteção da mente que eu tenho de descobrir para me permitir ver a situação em senso comum.

Quando e assim que eu me vejo a sentir obrigada a responder ao outro, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta luta para ver quem é que tem razão não é real. Esta Vida não é uma luta com os outros - aliás, a luta com os outros só existe porque não estamos a tomar responsabilidade pela estabilidade dentro de cada um de nós.

Eu permito-me parar os pensamentos em rodopio na minha mente e tomo responsabilidade por aquilo que eu digo ao outro, em vez de explodir e pôr cá para fora as dúvidas e assunções que eu ainda não resolvi em mim. Eu comprometo-me a tomar responsabilidade por cada pensamento, dúvida e medo que surgem em mim. A partir desta realização, eu apercebo-me que a minha relação com os outros é uma plataforma de potenciais realizações e de potencial correção para ambos, em mútuo apoio para nos tornarmos melhor SERES humanos.

Quando e assim que eu me vejo a sentir a energia da competição e a iniciar uma discussão verbal, eu páro e respiro. Eu tomo responsabilidade pela minha participação, ciente do meu acordo comigo própria de parar de ser a mente EGOísta e de me dedicar a recriar a relação que tenho comigo própria e, consequentemente, a minha relação com os outros.

Eu apercebo-me que ao estar ciente das minhas desonestidade próprias, eu estou ciente da minha capacidade de mudar e tornar-me honesta comigo própria e, ao ser honesta comigo própria,  estou a ser honesta com os outros seres vivos. Ao ser e fazer aquilo que é melhor para mim, estou a ser e a fazer aquilo que é igualmente melhor para os outros.

Quando e assim que eu me vejo a acumular raiva como se fosse um balão de encher, eu páro e respiro. Eu páro este auto-abuso ao expiro todas estas ideias e sentimentos e permito-me começar de novo. Passo a passo, dou-me a oportunidade de fazer replay nesta cena e agir de modo diferente daquele que eu tenho agido até agora e que sei que nada resolve. Esta raiva que existe em mim é de facto contra mim própria - é a frustração de repetir sempre os mesmo erros e acreditar que será/serei sempre assim: por isso, eu páro o papel de vítima, o papel de vencedora, o papel de  "senhora da razão", o papel de arrependida, o papel de mulher, o papel de homem, o papel de filha, o papel de irmã mais nova, o papel de neta,  e permito-me abraçar a Vida que sou e estar em pé de igualdade com o outro.

Eu comprometo-me a falar com os outros estando em pé de igualdade como quem realmente somos, sem ideias de superioridade nem inferioridade, de vencedores e vencidos.

Eu comprometo-me a exigir de mim o auto-respeito pela vida que sou. Eu comprometo-me a parar de estar contra mim própria e a realizar que eu sou a chave para cada um dos meus problemas/desonestidades próprias.

Eu apercebo-me que "naturalmente" eu vou querer agir de acordo com aquilo que eu tenho sido habituada a ser (personalidades) e que este é o momento da minha vida em que eu me estou realmente a conhecer. Eu apercebo-me também que a resistência a aplicar a respiração e a mudar depende da minha aplicação, força de vontade e compromisso de escrever todos os dias, de investigar o meu passado e de utilizar os materiais de apoio que já existem.

Neste processo não há magia. Eu comprometo-me a ter calma comigo própria, a estar um e igual com o meu processo e a não querer ir mais rápido do que as realizações que eu estou ciente de mim própria. Apercebo-me que o desejo de ser super-confiante é tão imaginário como a imagem que criei de mim de ser super-indecisa. Eu sou a mudança que me permito re-escrever e re-criar para mim própria na prática, em total cooperação e assertiva comigo própria.