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DIA 236: Proibido falar de sexo?


O blog de ontem foi uma introdução à jornada que me proponho fazer de desconstruir as ideias geradas à volta do sexo, que têm mantido este tema separado de nós próprios. Quantos de nós têm conversas maduras sobre sexo? Conversas que realmente procuram alargar o nosso entendimento sobre aquilo que é o sexo, sobre quem nós somos no sexo, sobre aquilo que é realmente importante para cada um durante o sexo, sobre os medos atrelados ao sexo, sobre as dúvidas, sobre as paranóias... E falar de tudo isto sem medo de se ser julgado, criticado ou gozado?
Mesmo que quiséssemos falar sobre sexo, como podemos falar sobre algo que ainda não está plenamente estável no nosso ser? Como é que vamos progredir no nosso discurso sobre educação sexual se não há um diálogo construtivo, sem julgamentos, sem agendas, sem desejos, sem interesse próprio, sem ego, sem religião, sem medo e sem ideias pré-feitas? Como é que podemos ensinar aquilo que não sabemos nem vivemos para nós próprios?
É exactamente sobre esta resistência em se estar um e igual com a conversa do sexo que eu vou escrever o perdão-próprio de hoje. Alguns destes pontos foram enfrentados há alguns anos, no entanto, vou partilhá-los agora e viver o compromisso de me estabilizar nesta conversa.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar a palavra sexo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar sobre sexo com amigos, colegas e familiares por pensar que eles não me compreendem ou por pensar que é errado conversar-se sobre sexo. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que é errado falar de sexo só porque este não foi um tópico falado no ambiente e sociedade em que eu cresci - eu apercebo-me que não tenho de copiar aquilo que eu vejo à minha volta, muito menos de participar no silêncio quando vejo que a falta de educação sexual e a falta de honestidade própria criam tantos conflitos  e paranóias pessoais que, por sua vez, trazem consequências e desequilíbrios graves para a sociedade em que vivemos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que só se pode ler coisas sobre sexo ou falar sobre sexo às escondidas uns dos outros, como se o sexo fosse uma conversa suja.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que os meus pensamentos e medos sobre aquilo que as outras pessoas possam pensar sobre o sexo é de facto um espelho/reflexo daquilo que eu permito pensar e acreditar sobre aquilo que o sexo é. Eu apercebo-me que se o pensamento sobre aquilo que o outro pensa existe na minha mente então sou eu que estou a permitir esse pensamento em mim e a projectá-lo no outro, em vez de tomar responsabilidade própria sobre os pensamentos que eu aceito viver. Eu apercebo-me que evitar falar de sexo é estar a limitar o meu auto-conhecimento, estar a limitar o meu próprio esclarecimento e expansão e estar a ignorar um dos elementos que mais influencia a nossa vida mental e física.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o sexo a pornografia e a notícias de violações, somente porque essas são as formas mais comuns de se ouvir falar de sexo nos meios de comunicação social.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que o sexo é uma coisa separada de mim, separada do meu dia-a-dia, separada das outras pessoas.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que quanto mais eu suprimo/nós suprimimos as nossas dúvidas sobre o sexo, mais ideias, crenças e medos alimentamos nas nossas mentes e assim mais distantes estamos da simplicidade sexual e da expressão sexuais.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a resistência em falar de sexo é prova de como o sexo foi manipulado e subvertido na nossa sociedade para controlar as mentes das pessoas através do medo da nossa própria existência e da nossa própria criação (ou será que não somos todos frutos do sexo?)

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter resistência para partilhar os pontos da minha religião do Ser, inclusive as crenças e medos associados ao sexo,  mesmo com as pessoas mais próximas de mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar e escrever abertamente sobre a expressão sexual e o sexo em geral, ao pensar que vou ser julgada, criticada e gozada pelas pessoas que me conhecem. Eu apercebo-me que estes pensamentos que a minha mente me mostra são os pensamentos que eu tenho acumulado em mim e que se tornaram a minha referência e a minha limitação. Eu realizo então que só eu me posso ajudar a caminhar estas resistências, a libertar-me do peso do medo e a parar de impor julgamentos da mente sobre mim, o que é contra a minha expressão própria.



DIA 235: Onde anda a expressão sexual?


Quando ponderei começar a escrever uma série de artigos sobre sexo, pensei que seria desta que chegaria às 200 visitas diárias! E porquê? A meu ver, há de facto uma falta de claridade sobre aquilo que a expressão sexual é ou pode vir a ser nas nossas vidas e reparo na falta de literatura que olha para o sexo em honestidade-própria. Para além das entrevistas da EQAFE, há muito pouco conteúdo sobre sexo que valha realmente a pena ler-se ou ouvir-se.

Mas porque é que o tema sexual no nosso mundo é composto por esta polaridade abominável: ou se trata deste tópico na sua vulgarização máxima com piadas de calibre abaixo do respeitável, ou não se fala dele apesar de estar constantemente a palpitar nas mentes humanas, sem qualquer orientação, tornando-se num tabu sem se saber como se falar dele?
Na continuação da minha escrita e investigação da minha Religião do Ser, começo a ver a minha relação com o aquilo que me foi ensinado como sendo errado, ou doloroso, complicado, vergonhoso e perigoso: o melhor exemplo que eu encontro é a religião criada à volta da expressão física dos corpos chamada de sexo. É incrível como a falta de educação é substituída por uma religião de secretismo à porta fechada, mesmo quando tal cegueira traz tantas consequências para cada um de nós e, consequentemente, para a nossa sociedade.  Na minha mente, este tópico foi também mantido como um secretismo baseado nas histórias que ouvia falar dos outros e da representação daquilo que supostamente o sexo é na indústria cinematográfica.

É uma pena que os adultos não sejam educados a educar as crianças sobre o que a vida sexual é ou pode ser, sem se ter como referência a imprensa oculta de revistas Marias e afins, ou pior, a referência pornográfica que é a completa adulteração daquilo que a expressão sexual humana realmente é. A meu ver, o silêncio do sexo tem sido substituído pela comédia, em que a maioria das piadas vão dar eventualmente a fantasias sexuais que ficaram suprimidas algures nas mentes humanas e que nem sequer nos questionamos sobre a banalidade dos comentários. Vê-se então a paranóia do sexo espalhada por todo o lado associada à nudez das campanhas publicitárias, a objectivação do corpo feminino, a ignorância sobre a origem dos desejos da mente e, finalmente, a consequência global do abuso manifestada em notícias de violações sexuais, de relações desequilibradas, de violência sexual que pode condicionar a vida de um ser-humano para sempre caso não haja um acompanhamento adequado. E no final de contas, somos nós enquanto humanidade que estamos a criar este inferno para as nossas vidas e para as vidas dos outros e portanto cada um de nós é responsável por ajudar-se a si próprio a compreender o que se passa nas nossas mentes e, obviamente, corrigir aquilo que manifesta abuso sobre si próprio e sobre os outros que são afectados directa e indirectamente.

Se tirarmos por momentos todas estas ideias associadas ao sexo, o que é que temos? Corpos que respiram, igualdade, movimento, expressão, descoberta corporal, expansão pessoal, alinhamento com o físico, presença, respeito por si próprio e pelo outro, novidade, carinho, INTIMIDADE COM O SEU PRÓPRIO CORPO, prazer, entrega, vulnerabilidade, estabilidade, sensibilidade, CONFIANÇA EM SI PRÓPRIO, CONFIANÇA NO OUTRO, simplicidade, humildade, partilha e transcendência dos limites que impusemos a nós próprios.

Infelizmente, a extensão do abuso sexual na nossa sociedade comprova que há uma deficiência na maneira como este tema é educado e que consequentemente é deixado à mercê das mentes de cada um e também manipulado pelo sistema de poder e dinheiro.
Todos sabemos que a prevenção é o melhor remédio, e para que haja prevenção tem de haver entendimento sobre o que o sexo realmente é, como é que este tem sido usado e abusado para manter as mentes suprimidas e sob controlo do medo, em vez de cada um de nós ser realmente educado sobre o seu próprio corpo, em estabelecer uma relação de confiança e a saber aquilo que é o melhor para si próprio em unidade e igualdade com os outros.

Abro então um novo capítulo no meu processo em que vou explorar os várias camadas de pensamentos e ideias associados com o sexo como até agora tem sido mal-tratado, e vou abrir caminho a uma nova perspectiva sobre a expressão sexual como sendo o potencial máximo de expressão física, respeito mútuo e auto-conhecimento. Vou andar este processo em tempo-real, re-educando-me de acordo com pontos que eu vou enfrentando e lidando com eles. Sugiro que se oiça também as entrevistas da EQAFE que proporcionam um entendimento da relação que cada um de nós criou com o sexo.



DIA 209: A Religião do Ser: copiar e obedecer


Apercebo-me que esta religião é baseada naquilo que me foi dito e que eu acreditei ser a minha verdade.
A Religião do ser é também aquilo que eu permiti definir-me por ter levado a peito qualquer comentário vindo do outro. Curiosamente, a outra pessoa provavelmente nem se apercebia do impacto que eu estava a permitir que essas palavras tivessem em mim, mas foi também a minha decisão tomá-lo como pessoal.
Quem é que nos ensina esta religião? Será que os pais e os educadores fazem ideia de como é que a mente funciona e como é que nós, desde que nascemos absorvemos a informação à nossa volta?
Se no princípio obedecemos e copiamos a mente dos adultos, quando chegamos à idade adulta passamos a obedecer as nossas próprias mentes.

Esta religião é fascinante: baseia-se naquilo que eu penso de mim e como eu acredito ser, ao mesmo tempo que eu própria me limito com base nesses  julgamentos e pensamentos. Mas como "fui sempre assim", nem sequer vejo que me estou a limitar na minha própria mente.
Vi um vídeo no Youtube recentemente em que uma bébé copiava as expressões dos pais e é brutal ver como ela observava/ouvia os pais e fazia igual, enquanto que assimilava as relações que os pais tinham com a realidade e como julgavam certa coisa como sendo nojenta, e outra como sendo divertida. É assustador e revelador perceber que este processo de desenvolvimento aconteceu com a maioria de nós e que pouco provavelmente nos lembramos ou entendemos de onde vem o nosso julgamento em relação a determinadas coisas, pessoas e palavras.

Tenho-me apercebido então como esta Religião é um abuso-próprio: o facto de não me questionar sobre os pensamentos e os medos que eu permito e aceito passarem-me pela cabeça é sinal de que aceitei tal limitação e sinal de como defeni as palavras de acordo com estas permissões e aceitações. Vejo também como esta religião se manifesta no meu apega a certas coisas, a  sensações, a desejos, a sonhos, a memórias, a julgamentos, a auto-definições. Até mesmo as imagens da mente (a imaginação) não tem qualquer culpa da maneira como eu interpreto essas imagens - tanto aquilo que a mente me mostra como os julgamentos que eu absorvo vindo das outras pessoas são auto-projeções da minha religião. 
Amanhã partilho o perdão-próprio sobre estes pontos para começar a largar estes sistemas da mente.


DIA 208: A justificação do "Tenho Tempo"


Apercebo que a resistência para escrever e a tendência para a procrastinação são redflags a indicar-me aquilo que eu estou a permitir repetir-se em mim. Por trás deste padrão, vejo o pensamento que "tenho tempo" para fazer isto ou aquilo, "tenho anos à minha frente", "vou ter a oportunidade mais tarde", sem sequer considerar a hipótese de criar essa oportunidade agora e começar a encaminhar-me nessa direção. 
Este padrão enquadra-se na Religião do meu Ser, baseada naquilo que me foi ensinado ao longo dos anos. Lembro-me claramente de ouvir dizer "Joana, vai com calma", "tens tempo", "ainda és muito nova", ... E agora já não é preciso ninguém dizer-me isto porque ficou registado e aparece automaticamente na maneira como encaro certas coisas, especialmente coisas novas, e a curiosidade fica suprimida, porque afinal, apesar de me interessar por isto ou aquilo, irei ter tempo e "se calhar" (que é a mesma coisa que dizer "Se Deus quiser") mais tarde irei estar numa posição mais vantajosa para finalmente viver a decisão! Até lá, acumulo uma série de "potenciais" de coisas que quero fazer, imagino o momento em que irei fazer essa coisa nova e admiro aqueles que não hesitaram em começar.
Obviamente, o processo de escrita requer prática e é preciso ir-se com calma, respiração em respiração, e estar-se fisicamente aqui. Mas desde que me tornei ciente desta tendência para adiar, fui mais eficaz em perceber se fazia ou não sentido esperar, ou se afinal a oportunidade de fazer determinada coisa estava/sempre esteve aqui. Finalmente comecei o meu novo blog http://diplomatjourneytolife.blogspot.com/ e tem sido fascinante desenvolver cada artigo e ver novos tópicos com base em informação da actualidade.
A expressão do bad timing poderá ser então a consequência de se ter esperado pelo "momento certo" sem realmente fazer-se nada por se criar esse momento. E não será então esta esperança pelo momento certo mais uma desonestidade que limita a nossa expansão?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido absorver as expressões que me foram/são ditas pelos outros como sendo a "minha verdade" sem me aperceber que eu estou de facto a limitar o meu processo de auto-criação.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir quando oiço alguém dizer-me que "tenho tempo", em vez de perceber se estou ou não a participar nesse padrão, perceber onde é que este padrão se manifesta na minha vida, e como é que eu posso resolver/transcender/parar este padrão em mim.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido questionar-me sobre a minha hesitação em fazer coisas novas e em mudar hábitos, e a partir daqui empenhar-me em dar resposta a essa hesitação e praticar a minha confiança a fazer coisas novas e a praticar a minha eficácia em fazer igualmente todas as coisas que me são benéficas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido imaginar-me a conseguir fazer todas as coisas ao mesmo tempo ou a imaginar-me a ter conseguido fazer um bocadinho tudo sem realmente planear as minhas actividades.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que algumas coisas têm de ser largadas para começar novas e que tal mudança não implica necessariamente ruptura.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar mudar os meus hábitos sem realmente e deliberadamente parar hábitos antigos e começar novos!

Quando e assim que eu me vejo a reagir quando oiço alguém dizer-me que sou "muito nova para pensar nisso" ou que "tenho tempo" ou outra coisa qualquer, eu páro a reação e respiro. Em honestidade própria eu permito-me perguntar porque é que eu estou a levar tais comentário pessoalmente, e permito-me ver em que aspectos é que eu estou de facto a participar nessas ideias. Eu apercebo-me que não sou responsável por aquilo que me é dito, mas que sou responsável por aquilo que eu faço perante aquilo que me é dito.
Quando e assim que eu me vejo a hesitar em começar coisas novas, eu páro e respiro. Apercebo-me que uma das justificações é baseada em "já tenho muitas coisas para fazer, não vou ter tempo agora", no entanto, em honestidade própria eu analiso o que é que eu posso "largar" e substituir pela nova actividade que, neste momento, me será mais benéfica. Se tal decisão implicar outras pessoas, eu comprometo-me a comunicar com os outros a minha decisão, ciente que tais escolhas têm de ser feitas por mim e que não posso ter esperança que alguém decida por mim aquilo que é o melhor para mim.
Quando e assim que eu me vejo a querer conciliar/coexistir em mim os hábitos antigos e os hábitos novos, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que muitas vezes eu estou a manter certos hábitos (especialmente na minha relação com os outros) para agradar os outros, em vez de me disciplinar em ser honesta comigo própria na presença dos outros, um e igual.
Comprometo-me a estar ciente de cada vez que o pensamento/justificação do "tenho tempo" se manifesta e páro esse dominó - em vez de participar na resistência, eu faço exactamente o contrário daquilo que a minha mente dita e dedico-me então a começar essa nova actividade. Para isso, eu adapto e ajusto o meu tempo, e abdico de outras coisas, de modo a conseguir fazer essa actividade que neste momento me será benéfica. Vejo então que uma mudança de hábitos/padrões implica sempre uma mudança prática ao nível das prioridades em honestidade própria, e uma mudança física em se realmente viver as decisões.

Ilustração: Comical Sense - 'Advice', By Andrew Gable

DIA 172: Quem corre por gosto não cansa... toca a praticar, praticar praticar!


Esta expressão surgiu depois de ter escrito o perdão próprio sobre a Carreira profissional: pressão, limitação ou EXPANSÃO? e apercebi-me que fazer as coisas com gosto é fazê-las com gosto próprio. Ou seja, dedicar-me incondicionalmente, aplicar novas soluções para me aperfeiçoar e tornar-me mais eficaz com o tempo que eu tenho. E, como também já foi referido anteriormente, tudo isto requer prática e isso aplica-se em tudo: na escola, nas actividades profissionais, nos tempos livres, no sexo, na comunicação com os outros, no desporto, na música, etc.
É interessante que há esta crença (ou pelo menos eu costumava pensar nisto) do talento de Deus em que não se precisava de fazer nada e, como por magia, seríamos sábios, ou excelentes pianistas, ou uns génios da matemática. Isto é um exemplo de como a mente funciona - salta de um pensamento para o outro sem realmente considerar todos os passos essenciais para que se vá de um objectivo à sua realização. Apesar da mente funcionar com hábitos, aparentemente não gostamos da repetição - chamamos-lhe "monotonia" ou "seca". No entanto, será monótono ganharmos sempre a lotaria? Será monótono termos comida na mesa todos os dias? Será monótono estarmos estáveis dentro de nós?

A resistência da mente manifesta-se na resistência a mudar-se de hábitos e, para se mudar de hábitos, é preciso praticar-se soluções até nos tornarmos essas soluções e seja algo natural na nossa expressão, na nossa comunicação, na nossa relação com os outros e na nossa relação com nós próprios. E tudo isto se pratica: A escrita pratica-se, a comunicação pratica-se, a descoberta de nós mesmos pratica-se, o perdão próprio pratica-se, a honestidade própria pratica-se, a segurança pratica-se, a auto confiança pratica-se...

Talvez seja por isso que eu sempre adorei estar com crianças e aprendo com elas, porque normalmente as crianças não desistem daquilo que estão a fazer - as crianças crescem a praticar as coisas novas e nós assistimos ao seu desenvolvimento e progresso. Elas praticam a linguagem, praticam a expressão corporal, praticam a escrita, praticam a curiosidade, praticam a memória, praticam as brincadeiras, etc... A partir do momento em que nos definimos como personalidades e julgamentos próprios começamos a perder a vontade e agilidade de mudar - porquê? Porque paramos de praticar as coisas novas, focamo-nos na mente de ideias, julgamentos e definições e deixa de haver tempo e espaço para expandirmos quem somos fora destas ideias, julgamentos e definições. Para além disso, passamos a acreditar que as pessoas à nossa volta esperam que nós nos comportemos de determinada maneira e acreditamos que essa relação com o outro é real.
E não será isto também uma monotonia? Não serão os adultos uma "seca"; não será por isso que a política actualmente é vista como uma "seca"? Onde é que existe liberdade de escolha quando afinal nem a nós mesmos nos conseguimos libertar de ideias acumuladas ao longos dos anos que afinal já não se aplicam a esta realidade?
Quando é que nós aceitámos e permitimos que a ideia de que as "coisas são sempre assim" nos limitasse enquanto sociedade? Quando é que nós nos permitimos e aceitámos ser sacrificados? - A religião? Garanto-vos que Jesus não era nenhum sacrificado!

O medo inicial de romper estas ideias é forte - vejamos, há o medo da perda de relações, o medo de largar a âncora dos sacrifícios, o medo de se voltar à "estaca zero" que representa o medo de se perder as personalidades, o orgulho, a riqueza, a imagem que se criou de si próprio. E se eu vos disser que todas estas ideias, personalidades, relações, sacrifícios, riqueza e imagem não são reais? E se afinal isto não seja realmente Viver quem nós somos? Faremos ideia daquilo que andamos a perder?


DIA 139: Uma força invisível que nos puxa para trás?


Será que é isto que não vemos nas crianças? As crianças expressam-se incondicionalmente. Riem quando riem, choram quando choram, mas não vão propositadamente estragar aquele momento de diversão.
Um momento de estabilidade que rapidamente é invadido por esta força invisível  como um peso que se abate sobre nós. Com o passar do tempo, apercebo-me que me habituei a interromper a minha expressividade - algo de errado vai acontecer... não vale a pena... Já sei o que vai acontecer... Isto acontece sempre comigo... Dou por mim a criar uma vida contra mim própria - não será isto um indicador que não estou realmente a viver aqui ainda?
É a mente. Aquilo que tem acontecido com o passar dos anos é a aceitação da mente como o deus dos seres que tudo controla e limita. E é exactamente isso que acontece: eu própria me tenho permitido e aceite auto-limitar a minha expressão e controlar a minha existência; eu própria crio este peso sobre os meus próprios ombros; eu própria criei esta zona de conforto como se vivesse em sacrifício constante, sem ver que esta é uma desculpa da mente para eu manter esta prisão física; eu criei para mim própria a ideia que não posso expandir para além desta proteção da mente que tem o nome de medo; e não será este o padrão ensinado nos primeiros aninhos da catequese sobre a árvore do fruto proibido? Será que nunca vimos que é a árvore que nos dá oxigénio para respirarmos e existirmos primeiramente? Porque é que só vemos aquilo que nos dizem para vermos, sem nos educarem a vermos o senso comum e a expandir a partir dAqui, como novos? Estamos tão bem programados para passarmos ao lado da vida...

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido condicionar o meu presente ao dar azo aos pensamentos que são uma manipulação de imagens do passado e memórias.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido parar de me auto-controlar pela mente de pensamentos e memórias para ver o cúmulo que estou a criar para mim própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido punir-me pelo que eu faço pelo que eu não faço, como se nada do que eu fizesse fosse perfeito, sem nunca me ter apercebido que esta ideia de perfeição é uma manipulação da mente de forma a desprezar aquilo que está aqui neste mundo físico e de forma a sabotar qualquer tentativa de criar algo fora dos padrões da minha mente.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido sair do conforto da mente de medo, para estar aqui no corpo físico e começar a confiar em mim, na minha decisão de estar Aqui, um e igual com os outros e com aquilo que eu estou a fazer.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar a minha capacidade e vontade de parar a mente e mudar quem eu tenho sido até agora (a mente baseada em memórias, ideias sobre mim própria, ideias sobre os outros e ideias de como as coisas vão ser.)
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar e aceitar que o meu futuro/a minha existência na Terra iria ser parada ou limitada por um acidente ou por alguém, sem me ter apercebido que eu tenho sido a única responsável pela minha estagnação e limitação no meu processo de renascer como Vida.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que é a mim e só a mim que eu estou a fazer mal ao prender-me neste ponto e na supressão da mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido antecipar a ideia do que é viver e acreditar que a vida é só isto (a mente) sem sequer me dar a oportunidade de viver cada momento incondicionalmente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar controlar o futuro com base nas supostas aprendizagens do passado, sendo que em honestidade própria nunca houve um presente perfeito.

Eu comprometo-me a tomar responsabilidade por parar de participar na mente, que é como um vício que eu criei em mim.
Quando e assim que eu me vejo a prender-me na mente, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que só eu me estou a prender a mim própria; eu apercebo-me que fui eu que criei estes pensamentos para mim própria e tenho sido eu a permitir controlar a minha expressão.
Quando e assim que eu me vejo a justificar o meu medo do futuro com qualquer ideia que só existe na minha mente, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que qualquer justificação da mente para a limitação da minha expressão será sempre uma sabotagem contra mim própria. Por isso eu comprometo-me a parar de participar nas justificações da mente e vivo a decisão de parar a influencia da minha mente (e da mente dos outros) em mim.
Quando e assim que eu me vejo a pensar que não me posso expressar incondicionalmente, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que a sensação de ter algo a bloquear-me tornou-se um hábito porque repeti e aceitei esta limitação desde sempre.
Quando e assim que eu vejo esta limitação e justificação a sabotar o momento de potencial expressão, eu páro e respiro.
Eu comprometo-me a praticar a minha própria libertação ao parar a mente e ao respirar.
Quando e assim que eu me vejo a pensar que algo vai correr mal quando as coisas em mim estão estáveis, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que esta estabilidade da mente não é real e que não haverá estabilidade enquanto eu continuar a participar na mente. Por isso, eu dedico-me a andar este processo passo a passo, respiração em respiração, a dar-me direção constante e a recriar a relação que tenho comigo própria e a criar uma estabilidade incondicional.

Eu apercebo-me que esta ideia que eu criei sobre a Vida é uma ideia (a minha religião), na qual as coisas nunca acabam bem porque a mente é baseada em medo e na perda.

Quando e assim que eu me vejo a assombrar o meu presente como se me relembrasse que não me posso expressar à vontade, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta censura da mente só existe porque eu permiti criá-la e alimentá-la ao longo do tempo.

Quando e assim que eu vejo o medo de me expressar a surgir em mim na minha mente, eu páro, eu respiro e permito-me ficar no presente. Eu responsabilizo-me por parar a minha participação na mente e parar o hábito de seguir a mente.

Eu comprometo-me a dar uma gargalhada de cada vez que a mente me assombra e permito-me deliberadamente manter-me no presente, sem me permitir afundar na mente de memórias e percepções sobre o passado. Em vez disso, eu foco-me em ver aquilo que é senso comum no presente e mudar-me a partir dAqui, ciente que é da minha responsabilidade começar por mim, um e igual com toda a humanidade.