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DIA 243: Não há desculpas!




Estou ciente que tenho a oportunidade de me conhecer em plena claridade e entendimento. Nunca antes, ao longo dos meus 26 anos de existência, tive tanto material de livros, artigos, entrevistas, chats e cursos através dos quais eu me ajudo a auto-conhecer-me e a abrir-me para mim própria. É cada vez mais óbvio perceber quando estou a evitar escrever sobre um tópico, evitar olhar para determinada memória ou evitar viver a decisão de ser assertiva na minha disciplina no meu processo de escrita diária.
Curiosamente, parece que das coisas mais fáceis nesta vida é decepcionarmo-nos a nós próprios, ignorar os nossos próprios princípios, mentirmos a nós mesmos e fazermos o oposto daquilo que é o melhor para nós. Qual é a desculpa para eu ser desonesta comigo própria? Qual é a desculpa para eu querer manter as minhas personalidades activas? Qual é a desculpa para fugir da minha mudança, fugir das minhas decisões, fugir da minha responsabilidade de clarificar a minha mente?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido estar a escrever separada de mim própria ao pensar no julgamento de quem lê o que eu escrevo.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que o julgamentos que eu projecto nos outros é de facto uma ajuda da minha mente a mostrar-me os auto-julgamentos que não estão resolvidos em mim.
[é fascinante que a palavra auto refere-se a um automatismo e, igualMENTE, refere-se ao eu-próprio]

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido querer ignorar a minha própria decisão de corrigir as desonestidades próprias e a decisão de andar este processo em honestidade própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido procurar "desculpas" e justificações para tudo aquilo que eu faço ou não faço, em vez de realmente investigar de onde é que as decisões vêm e quais são as consequências que eu crio para mim própria com base nessas decisões.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido fugir da minha posição de realmente aplicar-me no meu processo e de mudar a minha atitude comigo própria, auto-definições e auto-julgamentos, ao perceber de onde é que estes padrões vêm e me ajudar a resolvê-los através da minha escrita e entendimento. 

Quando e assim que eu me vejo a procurar justificações e desculpas para aquilo que eu faço e para aquilo que eu não faço, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que tenho as ferramentas necessárias para lidar com as resistências e ultrapassá-las por mim por mim e comigo própria, por isso qualquer desculpa não é real. Dou portanto tempo a mim própria para andar estes pontos em mim.

Quando e assim que eu me vejo separada de mim própria e dos outros, ao seguir aquilo que a minha mente me mostra em vez de ver e ouvir aquilo que eu vejo e oiço, eu páro e respiro. Ao estar na mente eu estou separada desta realidade física e isso traz consequências. Por isso, eu dedico-me a ser irresponsável a lidar com a minha mente, a compreender a minha mente, a perceber como é que eu funciono com os outros.

Quando e assim que eu vejo a minha mente a ir em modo "automático" de correria e ideias, eu páro e respiro. Com a respiração, eu dou-me a possibilidade de ver esse pensamento e padrão que existe em mim de me distrair daquilo que é fundamental para mim, e ajudo-me através da escrita a abrir esse ponto em mim própria, sem desculpas da "falta de tempo" ou de outra justificação da mente. Eu comprometo-me a expandir o meu vocabulário, a re-educar-me sobre as palavras, a comunicar em senso comum e me mantenha honesta para com aquilo que é o melhor para todos. 

Eu apercebo-me que tenho esta vida para dar e ser o meu melhor e é neste Processo que eu me foco, logo, sou responsável por cada pensamento que ocorre na minha mente e que potencialmente requer uma mudança para que eu evolua para ser honesta comigo própria. Eu apercebo-me que ao evitar ver os meus próprios padrões e ver os meus pensamentos é ser deliberadamente irresponsável para comigo própria e para com a Vida em mim pois implica que não estou disposta a corrigir-me, quando na realidade este mundo e os seres humanos só têm uma solução: mudarmos para o melhor de quem somos e para o melhor de todos.


Apercebo-me que escrever sobre este ponto me ajudou a abrir novos pontos em mim de auto-motivação para mudar determinadas atitudes e dar-me direção em algumas das minhas decisões que até agora eu havia mantido em stand-bye por não saber como lidar com elas. Não há desculpas para ficar calada dentro de mim. Não há desculpas para eu reagir dentro de mim. Não há desculpas para eu não mudar.


Recomendo:


Living Words - Part 2: Clarity
How do you live the word “clarity”?
What is clarity?
What does it mean to live the word “clarity”?
How can clarity support you in your process of self honesty?



DIA 196: O stress da indecisão


Durante o fim-de-semana observei-me através de outra pessoa - o que eu quero dizer é que vi uma atitude noutra pessoa que eu própria já experienciei e foi frustrante observar esta personalidade da indecisão! Para quem "sofre" desta dificuldade em tomar decisões espontâneas, talvez seja interessante ver um episódio do TheVoice UK na qual a cantora demorou quase meia-hora (o que na TV é mesmo muito tempo) para decidir o o seu mentor musical. O mais interessante foi ver que nessa altura do programa ela já sabia que tinha passado à fase seguinte, e aquilo que seria aparentemente o mais fácil, ela tornou numa coisa complicada. - Onde é que eu já vi isto!

Pessoalmente, ao ver o episódio da indecisão, apercebi-me das consequências da participação na mente - compromete-se o nosso tempo, o tempo dos outros, alimentam-se os diálogos na mente sobre "é isto", "não, afinal já não é", "e se eu for por aqui", "se calhar faço melhor escolher o outro", "porque é que não posso ter tudo", "não sou boa a escolher", "da última vez escolhi mal", etc etc etc...

Aquilo que eu vejo e que também me tenho apercebido a lidar com o ponto da tomada de decisão é que a indecisão não tem as ver com as escolhas disponíveis, mas que tem a ver com a confusão que se passa dentro das nossas mentes. Ou seja, a indecisão é um reflexo de uma série de padrões com que a mente anda ocupada e que não conseguimos ver o senso comum daquilo que é o melhor para nós próprios, porque nos permitimos estar submersos na insegurança e no medo de "falhar".

No caso da cantora, ela estava a fazer aquilo que queria, tinha conseguido (en)cantar o júri e mesmo assim criou uma situação de insegurança na sua tomada de decisão final. Aquilo que aparentemente seria uma felicidade tornou-se num tormento... Onde é que eu também já vi (e ainda vejo) esta cena? Coisas do meu dia-a-dia que são simples mas que se tornam complicadas - por exemplo, às compras - a indecisão entre gastar dinheiro naqueles sapatos ou não... Ou em comprar o Fair trade, apesar de ser mais caro? Ou a indecisão sobre aquilo que eu vou comer quando há multiplos pratos na ementa... Coisas pequeninas que na minha mente se tornam gigantes, como se a preocupação tivesse uma lugar que tivesse de ser continuamente ocupado dentro de mim. Depois há as "grandes decisões" que têm a ver com a carreira por exemplo - "que curso é que vou seguir?" E depois da escolha ter sido tomada "- será que fiz a escolha certa?", "Será que vou gostar? "...

 Curiosamente, nesse mesmo dia saiu uma entrevista na Eqafe exactamente sobre o tópico de Evitar tomar decisões e que me trouxe uma nova perspectiva sobre o cenário que eu crio/nós criamos para nós próprios em relação às decisões.
Um dos conselhos dados na entrevista é: Não tomar decisões apenas com a mente. Isto porque a mente não considera a realidade física, as várias coisas envolvidas, o ambiente, o momento, o contexto,  e por isso não considera aquilo que é realmente o melhor para nós. A mente apenas as personalidades, o interesse-próprio, os medos, as experiências passadas, os traumas, os desejos...  Há então este conflito interno, como se houvesse esta voz divina dentro de nós a dizer "leva isto"... "era melhor ter levado o outro", quando afinal não temos necessariamente de criar tal instabilidade dentro de nós. Este diálogo interno pode tornar-se obsessivo e, nos momentos em que é demais, o melhor a fazer é escrever num papel as várias possibilidades que vemos, as razões, os medos associados, e perceber quais as condições que estamos a impor a nós próprios. Pela minha experiência, em momentos de decisão eu acabo por imaginar as várias saídas para cada possibilidade e tomo uma decisão com base numa imaginação que não é real (imaginação baseada na mente de medos, desejos e ideias),  em vez de procurar perceber o que é que realmente "está em jogo" e procurar a melhor escolha. Quando a decisão se torna num bicho-de-sete-cabeças é sinal de alarme pois estamos a ver a situação apenas pela mente (imagens baseadas em medos, experiências passadas, informação, desejos, interesse-próprio) em vez de considerarmos a situação realista à nossa frente, em senso comum e honestidade própria.

Uma coisa que é importante ter em conta é a nossa responsabilidade por cada decisão que tomamos e de facto abraçarmos as consequências das nossas decisões. Frequentemente a palavra Consequência é associada a coisas negativas, quando afinal a consequência é um acontecimento que segue ou é resultado de outro. Quando toca a decisões, qualquer decisão que tomamos é um movimento, é uma direção que estamos a dar a nós próprios e somos nós que estamos em controlo das nossas próprias vidas. Apercebo-me também que não existem decisões erradas ou certas, mas que é um processo de dedicação e de nos comprometermos a viver o nosso potencial/a melhor versão de nós próprios. Em responsabilidade própria somos capazes de nos dar direção/decisão a cada momento para nos aperfeiçoarmos e aperfeiçoarmos a nossa tomada de decisão e as nossas decisões, para garantirmos que construímos a nossa auto-confiança com a certeza que fazemos aquilo que é o melhor para nós, tendo em conta a realidade/os outros/as várias possibilidades.

Leiam também o Perdão-Próprio e as afirmações de auto-correção sobre a Tomada de Decisão em: http://joanajesus-renascendo.blogspot.com/2013/02/dia-175-medo-de-tomar-decisoes.html




DIA 179: PERGUNTA-TE: Quem é que eu me permito e aceito ser?


Quem é que eu sou em honestidade própria?
Quem é que eu sou sem medo dos outros e sem medo daquilo que pensam ou dizem de mim?
Quem é que eu seu se eu não levar a peito aquilo que dizem ou pensam de mim?
Quem é que eu sou estável nas minhas decisões?
Quem é que eu sou sem a complicação da mente?
Quem é que eu sou sem os auto-julgamentos?
Quem é que eu sou sem o medo de me expressar?
Quem é que eu sou sem a pressão dos outros ou da mente?
Quem é que eu sou se eu não me permitir ser influenciada pelos outros?
Quem é que eu sou se aprender com os bons exemplos?
Quem é que eu sou sem o medo de acidentes?
Quem é que eu sou sem o medo da morte?
Quem é que eu sou sem o medo da dor?
Quem é que eu sou sem as imagens da mente?
Quem é que eu sou sem a imaginação?
Quem é que eu sou sem o medo de engordar?
Quem é que eu sou sem o medo de estar sozinha?
Quem é que eu sou ciente de cada respiração?
Quem é que eu sou sem as memórias da mente?
Quem é que eu sou sem vergonha de mim própria?
Quem é que eu sou sem inveja dos outros?
Quem é que eu sou sem me comparar aos outros?
Quem é que eu sou sem as projeções no futuro?
Quem é que eu sou sem as 'minhas' personalidades?
Quem é que eu sou em total confiança em mim própria?
Quem é que eu sou sem preocupações?
Quem é que eu sou sem me definir pelo passado?
Quem é que eu sou como a solução para mim própria?
Quem é que eu sou sem o ego?
Quem é que eu sou sem a energia da mente?
Quem é que eu sou sem ciúmes?
Quem é que eu sou sem o medo da perda?
Quem é que eu sou sem o medo da ruptura?
Quem é que eu sou sem desejo?
Quem é que eu sou com assertividade?
Quem é que eu sou sem o medo de mudar?
Quem é que eu sou sem o medo de me corrigir?
Quem é que eu sou sem a realidade paralela da mente?
Quem é que eu sou sem desistir antes de começar?
Quem é que eu sou com paciência comigo própria?
Quem é que eu sou sem medo de falhar?
Quem é que eu sou sem stress em mim?
Quem é que eu sou pontual?
Quem é que eu sou em estabilidade própria?
Quem é que eu sou sem desconfiança?
Quem é que eu sou sem a competição?
Quem é que eu sou em senso comum?
Quem é que eu sou a viver o perdão-próprio?
  
Quem é que eu sou um e igual com toda a gente?

Quem é que eu me permito e aceito ser? 


Ilustração: 'Alternate Realities' by Andrew Gable



DIA 174: Como Lidar com a Previsibilidade da Mente




Hoje comecei o dia com uma enorme resistência e falta de paciência para fazer as minhas tarefas diárias no escritório. Foi como se toda a motivação de fazer aquilo que eu devia estar a fazer tivesse evaporado e me tivesse esquecido do que é que eu estava ali a fazer. É nestes momentos que me apercebo da vantagem de estar ciente destas alterações da mente e vejo o caos que potencialmente era capaz de criar caso seguisse esta "falta de energia" da mente, a quantidade de reações que eu evitei ao simplesmente parar, respirar e mudar de atitude. Demorou algumas horas até me restabelecer. Já não me sentia assim há algum tempo, o que significa que este é um padrão que voltou a bater à porta e que tenho a oportunidade de lidar comigo e recriar-me.

Antes de seguir para o perdão próprio, vou expandir sobre a previsibilidade da mente:
  • Porque é que quando eu tomo a decisão em mim de fazer algo por mim (por exemplo dedicar-me ao máximo no meu emprego), começo deliberadamente a sabotar a minha decisão e a duvidar de mim?
  • Porque é que quando planeio coisas para mim e chega a altura de as fazer, tenho a resistência de realmente fazê-las e acabo por criar desculpas para fazer outra coisa?
  • Porque é que quando vejo que estou sem paciência e que estou a reagir não vejo imediatamente que esta personalidade não sou eu e deliberadamente tomo a decisão de me estabilizar?

O padrão estava mesmo ali, aqui em mim, e eu comecei a procurar justificações para a minha falta de paciência (o período, falta de descanso, má alimentação, problemas na relação) em vez de ver que eu sou o ponto comum em todas essas situações. Logo, se eu resolver o que se passa comigo, vou resolver tudo aquilo em que eu estou envolvida.

Passadas algumas horas foi como se nada daquela confusão matinal estivesse acontecido - como se diz "estava pronta para outra"! E este padrão de desistência e de dúvida e de falta de confiança vai realmente voltar - esta parte da mente é prevísivel. Aquilo que eu posso decidir aqui é garantir que também a minha iniciativa e tomada de direção para parar a mente seja também previsível. Ou seja, que eu recrio em mim esta confiança incondicional e garanto que quando surgem os padrões da mente, eu  sou a solução para mim própria a cada momento e crio esta estabilidade em mim deliberadamente, em qualquer situação.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido deixar-me dominar pela mente de imaginação e de assumpções sobre situações futuras.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido deixar-me dominar pela desconfiança dos outros (que é uma desconfiança de mim própria).
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido parar a mente e realmente parar de participar nos pensamentos da mente, um a um.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que eu TENHO de acreditar nos pensamentos da minha mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido levar os pensamentos a peito como se fossem ofensas pessoais, quando afinal eu própria estou a criar essas ofensas para mim própria.
Eu perdoo-me por me permitir e aceitar acreditar nos pensamentos da mente como uma religião em vez de questionar De onde é que este pensamento vem, Porquê agora, Desde quando é que eu penso isto.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser influenciada pela minha mente e desistir de mim como Vida, em vez de me permitir ver a mente e dar direção para não seguir a mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que a minha estabilidade é um part-time quando afinal o meu corpo está sempre a funcionar para mim e por mim.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar um e igual com a estabilidade do meu corpo e permitir-me Ser de dentro (estabilidade corporal física) para fora (estabilidade da minha ação na minha direção e vontade próprias).

Eu apercebo-me que a cada momento em que tenho uma invasão da mente é uma oportunidade para praticar a minha estabilidade e realmente PUXAR por mim, para permanecer aqui e sair da mente. Ao sair da mente, eu permito-me ver o pensamento, ver as ideias, ver a imaginação e trabalhar nisso ao escrever, ao perdoar-me sobre cada um destes pontos e reescrever a minha história sobre quem eu Sou aqui.

Quando e assim que eu me vejo a permitir entrar no padrão de passividade da mente e de desleixo físico, eu páro e respiro. Eu sou o meu corpo físico, eu sou cada respiração, eu sou cada movimento meu, eu sou esta oportunidade de me mudar como tenho existido em mim até agora. Apercebo-me que esta instabilidade e falta de confiança não são o melhor de mim  e que tenho existido como pensamentos que não são de todo o ponto de partida para uma criação honesta com a Vida.

Eu comprometo-me a estar ciente deste "timeloop" da mente de cada vez que eu começo a desprezar e a desvalorizar aquilo que eu estou a fazer; Eu comprometo-me a parar imediata-mente a desvalorização da mente sobre a minha vida; a partir da realização de que "Isto é a mente, isto é aquilo que eu vejo que tenho permitido fazer e existir em mim", eu apercebo-me que agora é a altura de me aplicar a mudar imediatamente e deliberadamente nesse momento. Ou seja, quando e assim que eu me vejo a ter falta de paciência para aquilo que eu estou a fazer, em vez de desejar ter energia ou motivação, eu RESPIRO fundo, estabilizo-me no meu corpo e realizo que sou a ação que eu me permito fazer. Eu dedico-me então a fazer aquilo que tenho resistência para fazer tal como começar um projecto que eu julgo como complicado; eu dedico-me a escrever sobre aquilo que tenho resistência; eu dedico-me a falar ciente de cada palavras, sem me permitir esconder de mim própria.

Quando e assim que eu me vejo a querer distrair-me com os outros à minha volta porque aparentemente os problemas deles parecem mais fáceis de resolver do que os meus, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que só sou capaz de resolver os meus problemas porque fui eu que os criei. Logo, eu comprometo-me a tomar responsabilidade por resolver cada um dos padrões da minha mente sem medo de mim própria! Eu dedico-me a abrir comigo própria, a escrever sobre aquilo que até agora tenho tido vergonha de ser e fazer, dedico-me a ser a minha melhor amiga e realmente me ajudar a parar de participar nos vícios da mente. Apercebo-me que parar a mente, compreender a mente e corrigir-me na minha mudança física é um trabalho a tempo inteiro tal e qual a respiração e todo o funcionamento do meu corpo. Assim, eu dedico-me a estar um e igual com a estabilidade do meu corpo e a aplicar-me de forma consistente no meu processo de me recriar como Vida a tempo inteiro!





DIA 129: O que me atrasa? Dúvidas da VIDA ou a Vida sem dúvidas



Enquanto andava apercebi-me de cada passo, como se me provasse a mim própria que sou capaz de ir em frente, de andar sozinha, de decidir sozinha, de dar direção por mim e para mim, de dançar comigo, de me divertir comigo própria, de me conhecer, de me corrigir, de me levantar sozinha, de parar a mente sozinha e de desprender-me do passado sozinha.

O que me atrasa? Onde é que eu encalho, a procurar respostas na mente se a mente é o problema?
Apercebi-me que até agora tenho caído na armadilha de pensar que o passado me dá as respostas para o futuro, sem ver que ao viver no passado eu estou a repetir o passado e não me estou a criar a mim. Este ponto torna-se vísivel nas ideias que eu criei sobre a carreira a tomar - O que queres ser quando fores grande? E parece que encalhei na pergunta, sem ver que eu tenho de criar e ser a resposta. Desde que me lembro, quis fazer tudo: desde professora, a pediatra, a astrónoma, a realizadora de cinema, a advogada, a actriz, a desportista, a arqueóloga, a diplomata, a empresária, a mediadora, até ter passado por mais umas quantas janelas pelo caminho. E que caminho é este? Parece que tem havido este fio condutor, como se fosse uma corda da pesca à qual eu continuo agarrada em caso "algo corra mal" ou à espera de estar preparada para uma onda imprevisível que eu prevejo baseado em medos e histórias que eu ouvi falar acontecer "aos outros".
Aquilo que eu ainda não tinha tomado atenção é o meu ponto de partida para qualquer decisão « - quem sou Eu nessa decisão? Sou o medo do futuro? Ou sou a minha expansão? Sou o passado? Ou sou aquilo que é necessário fazer neste momento presente? Sou o conforto da profissão? Ou sou a mudança?

Porque é que eu ainda não comecei a andar numa outra direção diferente daquela que eu tenho percorrido até então? Sempre as mesmas dúvidas e indecisões, tal e qual um disco riscado.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar-me como confusa e indecisa, somente porque desejava que as coisas fossem mais rápidas e fáceis do que aquilo que realmente uma decisão implica - eu apercebo-me que a velocidade da mente não é real e que é da minha responsabilidade ver todas as dimensões da minha criação/decisão e dar tempo a mim própria para testar a mudança.
Apercebo-me que a resistência a aprender uma música no piano era baseada na imagem de mim a tocar a música na perfeição - fisicamente tal magia não é possível - implica dedicação, tempo, prática e auto-descoberta. Curiosamente, nunca pensei vir a ser uma pianista, apesar de ter tocado piano durante 6 anos - porque será que mesmo tocando piano nunca me permiti ser uma pianista e estar um e igual com aquilo que eu tocava? Sempre vi o piano como algo "de mais" para mim, ou "já comecei demasiado tarde" (apesar de ter 12 anos!) Vejo agora que não tenho estado presente naquilo que faço, porque não tenho estado ciente de mim própria - estas preocupações e indecisões da mente projectadas naquilo que eu faço são um espelho daquilo que se passa comigo. Ou seja, a minha realidade exterior só irá mudar quando for um reflexo da minha realidade interna.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ser uma pianista e estar um e igual com a minha ação, sem dúvidas nem medo de falhar nem julgamentos próprios.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar que as coisas à minha volta me definam em vez de eu realizar que a honestidade própria só existe de dentro para fora.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar a ideia de mim como frágil no piano e definir-me como frágil perante os outros e, portanto, inferior.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido manter esta relação de inferioridade com aquilo que eu faço, como se fosse uma forma de punição e sacrifício que tenho de fazer pelo mundo. Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver a praticabilidade de querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo, sem perceber que não conseguirei dar a mesma atenção a tudo, o que não significa que não esteja/seja um e igual com tudo aquilo que eu faço.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido viver para corresponder às expectativas dos então adultos, e desejar trazer brilho à vida deles, enquanto me esforçava por agradar e acabar por me esquecer de mim própria.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido investigar qual a área em que eu quero expandir, ao mesmo tempo estando ciente da realidade/sociedade em que vivemos de modo a ser parte da criação do presente/futuro que seja um mundo melhor do que aquele que tem existido até agora.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me pela ideia que me perdi pelo caminho - que é aquela ideia da "geração perdida" que foi tão bem ensinada na escola... Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que nunca houve qualquer decisão honesta em mim até agora, porque eu não tenho existido em honestidade própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que no passado/infância é que se estava bem, quando o presente é a acumulação do passado e claramente foi a acumulação de muita confusão/ideias/crenças/desonestidades para comigo/com os outros/com a Vida.

Quando e assim que eu me vejo a desejar mudar o passado, eu páro e respiro. O passado mostra-me aquilo que se tem passado comigo e que eu continuo a passar até eu decidir parar a forma como penso de mim e dos outros para começar a recriar uma nova relação comigo própria e com os outros.

Quando e assim que eu me vejo a justificar os pensamentos/dúvidas do presente com base na ideia que sempre fui assim, eu páro e respiro. Eu páro estes julgamentos próprios, respiro e dou-me a oportunidade de ser criativa comigo própria: permito-me investigar a origem e ver os medos/desejos por de trás de cada pensamento/dúvida/decisão.

Quando e assim que eu me vejo a entreter com as ideias de como eu era e sobre todas as profissões que eu gostava de ser, eu páro e respiro. Apercebo-me que em senso comum o que acontecia era eu ir conhecendo novas coisas e ter curiosidade natural por várias destas profissões, sem ter de facto feito e vivido qualquer decisão.

Quando e assim que eu me vejo a desejar que os outros tomem decisões por mim, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que é impossível fugir à minha responsabilidade própria de auto-realização e de parar de existir como mente/passado. Estamos todos no mesmo processo, individualmente mas como um.

Eu apercebo-me que o passado não me define - estas ideias/julgamentos que criei e permiti programar em mim são desprogramáveis porque não são reais. Eu comprometo-me a dar atenção à minha presença aqui, à existência, àquilo que eu faço de facto e a quem eu sou naquilo que faço - a estar ciente do meu ponto de partida e a garantir que o meu ponto de partida é em estabilidade, honestidade própria, igualdade como Vida, justiça, incondicionalidade, presente, senso comum e unidade. Eu comprometo-me a mudar a minha relação comigo própria ao parar os pensamentos/julgamentos/projeções/imagens e ideias de indecisão e punição - eu comprometo-me a continuar a andar ciente de cada passo, sem pressa de avançar nem agarrada ao passado - aqui, estável, ciente de mim, da realidade mundial e da minha participação, de modo fazer aquilo que em senso comum faz sentido ser feito, à escala pessoal, local e à escala global.
Eu dedico-me a aplicar a mim própria aquilo que eu desejo para os outros - libertar-me da polaridade da mente, expressar-me incondicionalmente e finalmente  permitir-me Viver em honestidade própria.

Uma nota importante: no sistema actual de educação/televisão/familiar, somos de facto educados a encalhar e ter medo de tomar decisões; a calar; a não questionar o sistema nem os nossos próprios pensamentos; estas permissões e aceitações foram deliberadamente feitas e promovidas para que  nos mantenhamos em medo e em modo de sobrevivência - na percepção de existirmos uns contra os outros, entretidos em lutas da mente, sem de factos nos conhecermos a nós , aos outros, nem tomarmos ações que beneficiem todos.


DIA 113: Ando a viver para quem? Telenovela da mente



Onde está a minha direção em honestidade própria?
Quem são os outros que eu vejo para além dos meus próprios pensamentos?
Para quem tenho eu vivido afinal, se para mim não tem sido?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que estou a viver para alguém, como se tivesse a ser observada por um Deus ou pelos outros, quando na realidade cada um está entretido com a sua própria mente e, ao participar nesta separação de mim própria estou a perder a desperdiçar a oportunidade de realmente ESTAR e SER Aqui e de realmente conhecer os outros como eu.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que o entretenimento da mente estilo telenovela é uma distração da minha responsabilidade e capacidade de mudar a minha participação aqui e na minha dedicação a tornar-me o melhor de mim. Apercebo-me que todas as ideias da mente são como uma força que puxa para trás e, ao participar nelas, eu estou a limitar a minha expansão.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar estar limitada pelos julgamentos  e pensamentos que foram criados por mim com base nas minhas experiências e assim limitar-me a estar constantemente a reviver o passado, como se fosse um destino superior a mim própria. Eu apercebo-me que esta sensação de estar fora de mim é um indicador de estar na mente - ao estar ciente disto, eu tomo a decisão de me abraçar, respirar fundo e estar fisicamente aqui - este é o meu ponto de partida para viver quem eu sou, em plena direção própria.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que estou a viver a vida dos outros, quando na realidade este pensamento é o que me mantém a evitar viver a minha vida. 

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me de acordo com os outros, quando afinal me apercebo que os outros são a projeção de personalidades que eu acreditei serem "os outros" e por isso nunca saí da minha própria mente! Apercebo que as projeção de personalidades são um mecanismo da mente para me manter presa a estas definições, em vez de me permitir ver que tenho sido eu a criar estas definições e portanto posso também parar estas ideias. 


É incrível ver que a minha existência tem sido baseada em imagens do que deve ser/não deve ser, o que posso/não posso fazer, de acordo com as definições que eu alimentei para mim própria em relação aos outros; e os papéis/personalidades que eu defini para cada um de nós, sem realmente viVER a Vida que somos. Ou seja, o mundo à minha volta tem sido um reflexo daquilo que eu permito em mim - que são todos os padrões da mente que eu enfrento e resolvo em mim ao longo do meu processo.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que qualquer projeção que eu tenha para o futuro, tem a ver com as minhas aceitações e permissões - Em senso comum eu vejo que sou a única responsável pelos pensamentos que crio em mim própria.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sentir-me culpada pelas experiências benéficas durante a minha vida, baseada na ideia que não mereço. Apercebo-me que o sentimento de culpa e a ideia que outros queriam ter as minhas experiências é de facto uma auto-sabotagem, porque não me estou a permitir viver/expressar/estar completa na minha experiência e tomar responsabilidade e dedicação em criar aquilo que é benéfico para mim, nem a permitir estar estável a criar-me como o meu próprio exemplo de senso comum e estabilidade.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que qualquer pensamento que eu tenho relativamente a outra pessoa, é vindo de mim e começou em mim! Apercebo-me que a projeção da minha vida nos outros e projectar a vida dos outros na minha vida é um jogo da mente, como se visse a minha vida de fora (tal e qual um filme). Apercebo-me que é impossível estar a ver o filme ao mesmo tempo que se está a fazer o filme e que qualquer separação que eu tenha em relação a mim própria, quer seja a imaginar outra pessoa a faze-lo ou a desejar fazer algo que outra pessoa está a fazer, é um ponto a parar porque eu não existo separada de mim. 

Por isso, quando e assim que eu vejo o padrão de sentir-me culpada por viver para mim, eu páro e respiro. Eu páro em mim esta luta da mente que eu permito ser puxada para trás  - através destes padrões eu procuro ver e parar a percepção que criei de mim própria, para finalmente tomar direção e tomar decisões  em honestidade própria.

Quando e assim que eu me vejo a pensar que aquilo que eu faço tem mais a ver com a pessoa X, eu páro e respiro. Neste momento apercebo-me que esta é uma projeção, ao pensar que pessoa X tem a ver com aquilo que eu faço, quando na realidade sou eu que estou a fazê-la e, portanto, sou eu e tem a ver comigo.

Em honestidade própria, eu dedico-me a estar ciente destas projeções da mente sobre os outros e das comparações relativamente aos outros, e assim a permitir-me viver plenamente cada decisão que eu tomo por mim, sem dúvida que estou a fazê-lo por mim. Apercebo-me que através dos outros eu estou a ver pontos em mim que até então eu havia ignorado, e tenho a oportunidade de resolver todas as minhas personalidade, desta vez em desonestidade própria.

Quando e assim que eu me vejo a "observar-me de fora" ou a imaginar que um Deus ou alguém me observa, eu páro e respiro. Nesse momento, eu foco-me nos julgamentos que surjam, páro e começo a perdoar cada um em detalhe e assim a desmistificar a mente e a viver a minha decisão de mudar a maneira como tenho existido comigo e na minha relação com os outros. Eu apercebo-me que estas personalidades não são o melhor para mim nem para os outros porque as relações da mente são baseadas na polaridade superior/inferior que não é quem nós realmente somos, em unidade e igualdade. 

Quando e assim que eu me vejo a acreditar estar limitada pelo meu passado, presa às personalidade que eu defini para mim e às pessoas à minha volta, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que a noção de passado é enganadora, porque os padrões manifestam-se em ciclos de tempo até eu parar de participar no padrão e assim mudar o meu presente/futuro.

Logo, eu comprometo-me a parar o stand by mode da minha vida e a recomeçar a cada momento a minha criação a recriar-me em estabilidade própria e auto-aperfeiçoamento. Se eu criei a personalidade, eu dedico-me a desconstruir a personalidade, a parar a reação, a permitir-me ver a origem, a perdoar o medo associado, a parar de culpar o outro e a viver a decisão de começar a existir a cada respiração como criadora da minha expressão de vida. Ao viver para mim em honestidade própria, eu estou a recriar as condições para conhecer so outros/o Mundo também em honestidade própria.


Ilustração Andrew Gable.