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Dicas Para Lidar Com o Fim De Uma Relação




Este vlog surgiu de uma conversa com um amigo que está neste momento a (ultra)passar pelo fim de um relacionamento que durou três anos.

Muitos de nós já passou por esta fase quer no lugar de quem decide terminar ou de quem recebe a notícia, mas raramente se conversa sobre o vulcão de emoções que entra em erupção dentro de nós... Por isso este vlog foca-se na maneira como lidamos com as nossas emoções após o fim de um relacionamento - o que a meu ver vai fazer toda a diferença na relação que temos connosco e com os outros daqui para a frente.

As reações emocionais sentidas por quem se sente rejeitado são normalmente relacionadas com a raiva, a angústia, o medo do futuro, a instabilidade, a melancolia, a vergonha, a rejeição e a mágoa. Quando a minha relação anterior terminou lembro-me da sensação de estar a cair, como se o tapete tivesse sido puxado e não houvesse chão; foi um momento de vazio emocional e de medo como se tivesse perdido uma parte de mim ou se tivesse saltado de um precipicio sem corda. Foi aterrorizante, no entanto o pior foi mais tarde quando "caí em mim" e realmente me apercebi que as coisas tinham acabado. O poder da nossa mente para imaginar tudo e mais alguma coisa e para pensar nas memórias de forma obecessiva é impressionante... Esta é a fase que o meu amigo descreve como "não me reconheço, já não sei quem sou".

No meu vlog eu partilho 3 dicas essenciais para lidarmos com a fase do pós-breakup de forma a não nos deixarmos consumir pelos pensamentos e pela nossa imaginação.

Dica 1# Escreve para Identificares as Emoções Dentro de Ti
Tentar ignorar o que sentimos não vai resolver as emoções que sentimos. Quanto muito vai suprimi-las mais uma vez até voltarmos a passar por situações semelhantes que façam o vulcão explodir outra vez. No entanto, a prevenção é o melhor remédio, por isso a melhor solução é tirar partido desta situação e aprender o máximo possível sobre nós mesmos para não termos de lidar com esta avalanche emocional outra vez mais tarde. Com base na minha experiência, escrever sobre aquilo que sentimos é uma ferramenta essencial para identificarmos as emoções e vermos aquilo que se passa dentro de nós mesmos. Quando as emoções são fortes e batem todas ao mesmo tempo é muito díficil fazer algum sentido dessa informação mas ao escrevermos somos capazes de abrandar o ritmo e acalmarmos; por isso escrever é um exercísio para conhecermos a nossa própria mente e percebermos de onde é que a instabilidade vem. Só assim será possível ver para além da nuvem das emoções e agir em estabilidade emocional outra vez. Falar com alguém e pedir ajuda são também ótimas soluções para se ver as coisas numa perspectiva diferente em vez de assumirmos que aquilo que pensamos é toda a verdade (é apenas a "nossa" verdade).

Dica 2# Não Continues a Alimentar as Emoções
Por muito viciantes que as emoções sejam, nós todos temos a capacidade de parar e de dar direção àquilo que se passa dentro de nós, incluindo as emoções, sentimentos e pensamentos. Em momentos de avalanche emocional o melhor que podemos fazer por nós é respirar fundo... Respirar até a avalanche parar. Curiosamente, todos nós desprezamos aquilo que nos mantém vivos - a nossa respiração! Por isso repira até a avalanche passar e tu conseguires voltar a ver as coisas com clareza e fora da nuvem das emoções.
Lembra-te: este momento da tua vida está a mostrar-te emoções que existem em ti mas que não são quem tu és. Um dos dons de se estar numa relação é desta ser uma plataforma para sermos o melhor de nós mas também de conhecermos o pior de nós - o nosso lado escuro - que normalmente vêm ao de cima nas reações e discussões. Conhecermos o pior de nós não significa que nos tornemos isso. Tu tens a capacidade de decidir quem tu és a cada momento. Por isso, neste momento decides ser uma vítima das tuas próprias emoções ou és a tua vontade de largar o rancor? És a raiva ou és a tua capacidade de compreender o outro? És o arrependimento ou és a tua decisão de aprender e mudar?
Outra emoção muito forte que tende a ocupar a nossa mente nestes momentos de mudança é a culpa - tanto de nos sentirmos culpados ou de culparmos o outro. No entanto, enquanto nos agarrarmos à culpa não estamos a tomar responsabilidade pelas emoções que nós próprios criámos. Por isso, parar de culpar o outro sobre o que quer que tu pensas ou sentes é um passo essencial para te ajudares a sair da avalanche e te empoderares a mudar a tua experiência em relação à outra pessoa. Caso contrário, irás sempre abdicar da tua própria vida e permitir que a tua estabilidade emocional esteja dependente de algo ou alguém fora de ti. Faz sentido?

Dica 3# Põe um ponto final na relação dentro de ti (Closure)
Isto não significa que passes para a polaridade de ignorares o outro ou de te tornares vingativo. Significa que te vais permitir fechar este capítulo da tua vida para entrares na fase de cicatrização e eventualmente voltar a pôr os dois pés bem assentes na terra. Ficar preso ao passado nunca será a solução para criares o teu futuro. Aquilo que eu vejo é que ficamos presos aos planos que tinham sido idealizados e imaginados, e acreditamos que o nosso futuro já não fará sentido sem a outra pessoa. No entanto, esquecemo-nos que os planos não são fixos no tempo e que requerem ajustes, adaptações e muitas vezes substituições. Por isso, em vez de transportares a dor dos planos inacabados ou tentares à força que esses planos ainda aconteçam, foca-te em criares novos planos e objectivos para ti que não estejam dependentes de mais ninguém. Abraça o que existiu e agora liberta os planos que não passaram disso - planos... A outra parte de ti que também estás a lidar neste momento são as memórias. Há a tendência de revisitarmos as mesmas imagens over and over again e desejarmos mudar o passado (o arrependimento) na esperança que isso pudesse mudar o resultado final. Em vez de estares preso ao passado e mudares o impossível, apercebe-te que aquilo que é possivel mudar é quem tu és a partir de agora. As tuas futuras relações serão um espelho da tua mudança pessoal, daquilo que queres para ti e daquilo que queres dar ao outro. Por isso, olha para as memórias como uma lembrança (souvenir) onde podes aprender aquilo que deves mudar e não te deixes afundar pela bagagem que trazes contigo.

Acima de tudo, este é um momento para restaurares a tua confiança e a tua intimidade contigo mesmo. Pergunta-te: o que é que podes aprender sobre ti? O que é que aprendeste com esta pessoa? Em que é que estás grato por teres tido nesta relação?

O tema das relações é muito vasto e tem muitas camadas. Para além das dicas mencionadas neste post para se lidar com o final de uma relação, há dois aspectos essenciais que a meu ver deviamos estar cientes quando começamos ou estamos numa relação de forma a prevenir o cenário de rutura:

  • A imagem da relação perfeita: esta é uma imagem que existe na nossa imaginação e que nos foi imposta pelos filmes, telenovelas e sociedade. Funciona como um holograma que nós usamos como referencia para encontrarmos o homem/mulher "dos nossos sonhos", ou seja, que encaixe na imagem. No entanto, com o evoluir da relação o mais provavel é que a realidade se distancie dessa imagem de perfeição inicial. Nesse momento, nós acreditamos que algo está errado com a relação porque já não corresponde à perfeição idealizada em vez de nos apercebermos que aquilo que é real é a relação que existe, é a pessoa e é o potencial que somos capazes de criar juntos. A solução é simples: se formos capazes de largar a imagem da relação perfeita e decidirmos criar a relação perfeita então o potencial da relação é ilimitado...!
  • A comunicação é o melhor remédio: todas as minhas relações passadas provaram que é a falta de comunicação que leva ao fim das relações. De facto, se eu olhar com atenção para a minha relação anterior vejo que já havia sinais que as coisas entre nós não estavam bem no entanto deixámos o tempo passar e afrustração e descontentamento acumular. A solução é estabeler uma comunicação honesta contigo mesmo e com o teu parceiro - assim que há dúvidas, pensamentos ou emoções a interferir na relação é essencial perceber o que se passa, conversar com o outro e encontrar-se soluções em conjunto; ou se houver hábitos que estejam a ser contra-produtivos e que tenham de ser mudados para que a relação evolua e continue a progredir. A saúde da relação pode ser diagnosticada através da comunicação entre o casal.

Espero que estas dicas e realizações te sejam úteis (quem me dera ter tido esta maturidade quando passei por isto no passado...!)
Este vlog faz parte da nova série A Casa da Joana no Youtube. Subscreve o canal em https://www.youtube.com/c/JoanaJesusVlogs Obrigada!


DIA 253: Desconstruir a minha ideologia - a guerra fria que criei em mim




Todo o meu programa mental é baseado em ideias que eu criei sobre mim própria e esta é a ideologia que tem servido de guia na minha vida, manifestada nas minhas decisões e atitudes para com as coisas, quer sejam acontecimentos ou pessoas.

De acordo com o dicionário, uma ideologia é "um sistema de ideias, valores e princípios que definem uma determinada visão do mundo, fundamentando e orientando a forma de agir de uma pessoa ou de um grupo social (partido político, grupo religioso, etc.)"*.
Cada um de nós tem a sua própria ideologia que funciona como os nossos óculos (com filtros!) para vermos o mundo e, especialmente, para nos vermos a nós próprios. São exactamente estes filtros/ideias de mim própria e do mundo que eu me proponho desconstruir ao longo do meu processo de investigação, perdão-próprio e auto-correção. Para isso, a primeira decisão foi a de ver que esta ideologia não é necessariamente a minha verdade e que eu não tenho de impor estas ideias a mim própria nem de projectá-las no mundo. Porquê? Porque não tem sido o melhor para mim nem para os outros à minha volta, especialmente nos padrões que se manifestam na minha relação comigo própria, nas minhas relações com os outros e na minha relação com o mundo. Há pontos que eu me tenho tornado ciente e me tenho dedicado a corrigir  ao longo dos últimos anos - tal como uma cebola, à medida que retiro uma camada encontro uma nova ou o mesmo ponto surge para eu lidar novamente, de uma vez por todas.

Vou hoje começar com uma ideia que, embora pareça ser superficial, foi a partir desta que eu comecei a investigar a origem da minha ideologia e que decidi escrever este blog.
Até hoje, tenho-me definido com sendo friorenta e ainda não me tinha apercebido como esta ideia me tem limitado e criado desconforto na minha realidade. Por exemplo, a ideia de ter frio tem-me impedido de sair de casa à noite, de sair da cama de manhã ou até de andar descalça na tijoleira. Se a ideia do frio não existir, aquilo que eu vejo é que é uma questão de hábito e que o meu corpo adapta-se à temperatura rapidamente.
Ou seja, a ideia que eu tenho do choque de temperatura é tudo aquilo que me limita - é a imagem do frio que existe na minha mente que me limita a minha ação, seja ela qual for! Lembro-me de ter ido fazer snowboard e, mesmo dentro do autocarro, já estava a criar uma reação ao frio só de pensar no frio que eu iria sentir  lá fora. Na minha mente, eu crio o desconforto do frio mesmo antes de o sentir porque já tenho registada em mim a ideia do choque de temperatura. No entanto, se eu não reagir contra o frio, irei rapidamente ver/sentir que afinal não custa tanto e que o frio passa, ou que posso fazer com que o frio não se sinta (agasalhar-me melhor, por exemplo)

A importância de analisar a minha experiência do medo do frio reside em identificar um padrão de pensamento que, muito provavelmente, se aplica noutras situações e que pode evoluir para uma fobia. Tal como qualquer medo, este não precisa de existir. O mesmo padrão existe em relação às preocupações: ou seja, pre-ocupamo-nos com algo mesmo antes desse algo existir. Isso é inútil e não ajuda a lidar com a realidade.

Durante a minha infância eu lembro-me de ser chamada "friorenta" porque eu era mais sensível ao frio do que as minhas irmãs. A minha mãe dizia várias vezes que eu "era feita de lãzinha" porque não podia apanhar uma corrente de ar ou sentir um bocadinho de frio sem me queixar. Este tornou-se um automatismo até hoje.
Ao escrever sobre este padrão consigo identificar outros automatismos em mim que são baseados em ideias, ou seja, a minha ideologia passou a ditar as minhas ações. O facto de eu acreditar que sentir o frio do chão ou a brisa do vento é razão para eu reagir faz com que eu reaja. Porquê? Vejo agora que existe o medo de ficar constipada. Quem é que não ouviu dizer: "não apanhes frio ou ainda ficas constipada". Grande parte da educação infantil consiste em ameaças ou em ultimados de "ou fazes isto ou qualquer-coisa-de-mau acontece". Por isso, apanhar frio ou sentir frio passou a ter uma conotação negativa em mim. Quantos de nós temos esta relação de medo ou de preocupação com as coisas?

Este processo é revelador. Quanto da vida estamos a ignorar ou a escolher não ver porque aceitamos e permitir limitarmo-nos com as ideias que impomos a nós mesmos? Quanto de mim estou a limitar ao participar neste padrão de auto-limitação que, tal como um vírus, tem a capacidade de contagiar as minhas outras ações para justificar a "lealdade" à ideologia?

Apesar deste blog ser essencialmente para transmitir o padrão e perceber como é que a mente funciona, escusado será dizer que são exactamente estas ideias que criam separação para com a realidade e isto passa-se tanto nas nossas vidas pessoais como ao nível internacional - basta ver como a ideologia serve de rótulo que bloqueia a comunicação entre grupos definidos por ideologias diferentes.

Não será a Guerra Fria uma manifestação da nossa própria relação com as nossas ideologias e da maneira como nos sentimos ameaçados por ideologias diferentes que desafiam as nossas própria crenças?
Finalmente, não será a ideologia uma barreira invisível e mental que nos separa do mundo físico e da realidade?

Voltando ao exemplo do frio, o facto de eu evitar colocar o pé na tijoleira, estou a sabotar o meu equilíbrio corporal e posso eventualmente magoar-me "a sério" na tentativa de saltar de um tapete para o outro; ter resistência para sair de casa por causa da ideia do frio pode condicionar o meu dia e dificultar a minha comunicação com os outros por estar em modo reactivo;  preocupar-me com a ideia de ficar constipada por sentir frio é meio caminho andado para me permitir estar vulnerável e criar a minha própria doença na minha mente e depois no meu corpo.


Este processo de desconstruir a minha ideologia é o processo de tomar responsabilidade por cada pensamento, por cada ideia, por cada julgamento e por cada verdade ou mentira que eu criei em mim própria. Só tirando estes óculos foscos é que será possível ver o que a vida realmente é, expandir-me e vero o mundo em que andamos, com os pés bem assentes na Terra.


* Referência: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/ideologia;jsessionid=4dEnn8Aioc735WTIZ+kn7Q__

Ilustrações: Andrew Gable, Stop the Cycles of Collapse
                Word from the Well, Ground ourselves



DIA 252: Desejo de ajudar os outros e a resistência para me ajudar

Tenho-me apercebido deste fenómeno mental que é o de tentar resolver os problemas dos outros, ajudar os outros e eventualmente salvar os outros de um mal qualquer. Não deixa de ser interessante todo o processo mental de acreditar que o problema do outro é mais simples de resolver, ou até mesmo conseguir ver claramente o que é que o outro deve fazer para resolver o problema. Talvez seja com base neste vírus mental que a sociedade actual apresenta casos em que se espera ser salvo por alguém, ao mesmo tempo que nos sentimentos extremamente orgulhosos quando ajudamos alguém e somos tomados como "anjos".

Porque é que frequentemente somos capazes (de acordo com a nossa mente) resolver mais facilmente o problema que o outro apresente do que resolver os nossos próprios problemas? Será que acreditamos que conhecemos o outro melhor do que ele se conhece a si mesmo?

No meu caso, apercebi-me também que esta personalidade consegue tomar proporções extremas de me punir mentalmente quando não consigo ajudar o outro. Já não é tanto querer ajudar mas é o ego de ser reconhecido pelo outro, de cumprir uma missão, de fazer "o bem", de evitar a dissonância cognitiva entre aquilo que se acredita e o que se faz - no final de contas, trata-se de ter controlo sobre a vida da outra pessoa, o que é uma forma de poder ilusório. Seguramente, aquilo que se perde é o controlo da sua própria vida...

Pergunto-me: desde quando é que não ajudar o outro é um acto de egoísmo? Será que ajudar o outro sem se primeiro ajudar a si próprio não é um acto de desonestidade própria? Como é que se estabelece um equilíbrio de modo a não comprometer-se a própria vida quando se está sob o saviour syndrome?

Ultimamente tenho ponderado sobre estes pontos, especialmente quando se trata de ajudar os outros financeiramente. Convém antes de mais lembrar que, o dinheiro, ao contrário da cultura, não uma coisa que se dá sem se perder: quando se dá dinheiro a outra pessoa, fica-se sem ele. Seria interessante que o dinheiro tivesse a capacidade de se expandir e partilhar da mesma forma como a cultura e a educação passam de uns para os outros. Certamente que muitos problemas neste mundo deixariam de existir...

O outro fenómeno que se tem de ter em consideração é a noção do emprestadar, ou seja, a ilusão de que se vai reaver o dinheiro aparentemente emprestado. Uma ferramenta fundamental nestes casos é a comunicação para que ambas as partes estejam claras sobre o destino do dinheiro e da própria relação - as assumpções que um vai devolver o dinheiro pode não corresponder à vontade do outro e, por isso, se esta situação for planeada e discutida logo desde o princípio podem-se evitar surpresas desagradáveis.

O desejo de ajudar o outro tem uma polaridade: a negação de se ajudar a si próprio. Vejo que ajudar os outros pode facilmente tornar-se num hobbie ou mesmo numa distração para se evitar olhar para os próprios problemas dos quais cada um individuo é responsável.

Quanto à honestidade própria, será que emprestar-se dinheiro realmente ajuda o outro? Dar-se dinheiro a uma pessoa viciada no jogo irá provavelmente alimentar o vício. Dependendo da extensão do vício, negar-se essa ajuda pode ser realmente uma ajuda para a pessoa ver o ciclo que está a criar em si própria. Ao mesmo tempo, é óbvio que dar dinheiro num dia não vai resolver a origem do problema.
Aquando da minha estadia na Africa do Sul, deparei-me com um caso em que um mendigo me abordou de forma implacável e emocionalmente forte e, apesar de inicialmente eu acreditar que o podia ajudar, a situação acabou por envolver os seguranças do centro comercial e causou mais problemas para o mendigo e insegurança em mim. Com isto quero dizer que cada um de nós irá ter de inevitavelmente perceber que nenhuma destas atitudes serve para si próprio: nem a manipulação sentimental dos outros, nem o desejo de ajudar baseado na culpa de se ter mais do que o outro.

No que respeita ao sistema económico, para-se resolver um problema gigante será necessária uma solução em grande, que realmente garanta que cada ser humano tenha acesso aos recursos  necessários para uma vida digna (ver por exemplo Rendimento Básico Incondicional e o Rendimento de Vida).

Ao vermos que aju-dar nem sempre é o melhor remédio, podemo-nos questionar sobre o que é que é realmente honesto na relação com a outra pessoa?  Em vez de dizer o que o outro deve fazer ou ser, porque não sê-lo também e tornar-se num exemplo da eficácia de tal aplicação?

Cada um tem de se responsabilizar pelo que se passa dentro de si mesmo- o seu Processo de Vida.
Outra realização fundamental é a de perceber que nada na realidade individual de cada um vai mudar se a própria pessoa não mudar - e no que toca à mudança (de pensar, de ver as coisas), cada um só pode fazê-lo por si.

A relação que se tem para com o dinheiro e para com os outros reflecte a relação que se tem consigo próprio, e este é um novo ponto a investigar em mim.


Salvar os outros pode ser então um espelho da ideia que tenho de mim própria: a ideia de que preciso de ser salva de algo ou de alguém, a ideia que não sou capaz de resolver os meus problemas e que preciso que alguém os resolva por mim. Por isso, apesar de saber aquilo que tenho de resolver em mim, é aparentemente mais fácil olhar para o problema do outro, talvez porque não conheço a altura do abismo do outro tão bem como conheço o meu. Em honestidade própria eu sei por onde começar.

Ilustração by Andrew Gable.


DIA 236: Proibido falar de sexo?


O blog de ontem foi uma introdução à jornada que me proponho fazer de desconstruir as ideias geradas à volta do sexo, que têm mantido este tema separado de nós próprios. Quantos de nós têm conversas maduras sobre sexo? Conversas que realmente procuram alargar o nosso entendimento sobre aquilo que é o sexo, sobre quem nós somos no sexo, sobre aquilo que é realmente importante para cada um durante o sexo, sobre os medos atrelados ao sexo, sobre as dúvidas, sobre as paranóias... E falar de tudo isto sem medo de se ser julgado, criticado ou gozado?
Mesmo que quiséssemos falar sobre sexo, como podemos falar sobre algo que ainda não está plenamente estável no nosso ser? Como é que vamos progredir no nosso discurso sobre educação sexual se não há um diálogo construtivo, sem julgamentos, sem agendas, sem desejos, sem interesse próprio, sem ego, sem religião, sem medo e sem ideias pré-feitas? Como é que podemos ensinar aquilo que não sabemos nem vivemos para nós próprios?
É exactamente sobre esta resistência em se estar um e igual com a conversa do sexo que eu vou escrever o perdão-próprio de hoje. Alguns destes pontos foram enfrentados há alguns anos, no entanto, vou partilhá-los agora e viver o compromisso de me estabilizar nesta conversa.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar a palavra sexo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar sobre sexo com amigos, colegas e familiares por pensar que eles não me compreendem ou por pensar que é errado conversar-se sobre sexo. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que é errado falar de sexo só porque este não foi um tópico falado no ambiente e sociedade em que eu cresci - eu apercebo-me que não tenho de copiar aquilo que eu vejo à minha volta, muito menos de participar no silêncio quando vejo que a falta de educação sexual e a falta de honestidade própria criam tantos conflitos  e paranóias pessoais que, por sua vez, trazem consequências e desequilíbrios graves para a sociedade em que vivemos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que só se pode ler coisas sobre sexo ou falar sobre sexo às escondidas uns dos outros, como se o sexo fosse uma conversa suja.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que os meus pensamentos e medos sobre aquilo que as outras pessoas possam pensar sobre o sexo é de facto um espelho/reflexo daquilo que eu permito pensar e acreditar sobre aquilo que o sexo é. Eu apercebo-me que se o pensamento sobre aquilo que o outro pensa existe na minha mente então sou eu que estou a permitir esse pensamento em mim e a projectá-lo no outro, em vez de tomar responsabilidade própria sobre os pensamentos que eu aceito viver. Eu apercebo-me que evitar falar de sexo é estar a limitar o meu auto-conhecimento, estar a limitar o meu próprio esclarecimento e expansão e estar a ignorar um dos elementos que mais influencia a nossa vida mental e física.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o sexo a pornografia e a notícias de violações, somente porque essas são as formas mais comuns de se ouvir falar de sexo nos meios de comunicação social.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que o sexo é uma coisa separada de mim, separada do meu dia-a-dia, separada das outras pessoas.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que quanto mais eu suprimo/nós suprimimos as nossas dúvidas sobre o sexo, mais ideias, crenças e medos alimentamos nas nossas mentes e assim mais distantes estamos da simplicidade sexual e da expressão sexuais.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a resistência em falar de sexo é prova de como o sexo foi manipulado e subvertido na nossa sociedade para controlar as mentes das pessoas através do medo da nossa própria existência e da nossa própria criação (ou será que não somos todos frutos do sexo?)

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter resistência para partilhar os pontos da minha religião do Ser, inclusive as crenças e medos associados ao sexo,  mesmo com as pessoas mais próximas de mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar e escrever abertamente sobre a expressão sexual e o sexo em geral, ao pensar que vou ser julgada, criticada e gozada pelas pessoas que me conhecem. Eu apercebo-me que estes pensamentos que a minha mente me mostra são os pensamentos que eu tenho acumulado em mim e que se tornaram a minha referência e a minha limitação. Eu realizo então que só eu me posso ajudar a caminhar estas resistências, a libertar-me do peso do medo e a parar de impor julgamentos da mente sobre mim, o que é contra a minha expressão própria.



DIA 235: Onde anda a expressão sexual?


Quando ponderei começar a escrever uma série de artigos sobre sexo, pensei que seria desta que chegaria às 200 visitas diárias! E porquê? A meu ver, há de facto uma falta de claridade sobre aquilo que a expressão sexual é ou pode vir a ser nas nossas vidas e reparo na falta de literatura que olha para o sexo em honestidade-própria. Para além das entrevistas da EQAFE, há muito pouco conteúdo sobre sexo que valha realmente a pena ler-se ou ouvir-se.

Mas porque é que o tema sexual no nosso mundo é composto por esta polaridade abominável: ou se trata deste tópico na sua vulgarização máxima com piadas de calibre abaixo do respeitável, ou não se fala dele apesar de estar constantemente a palpitar nas mentes humanas, sem qualquer orientação, tornando-se num tabu sem se saber como se falar dele?
Na continuação da minha escrita e investigação da minha Religião do Ser, começo a ver a minha relação com o aquilo que me foi ensinado como sendo errado, ou doloroso, complicado, vergonhoso e perigoso: o melhor exemplo que eu encontro é a religião criada à volta da expressão física dos corpos chamada de sexo. É incrível como a falta de educação é substituída por uma religião de secretismo à porta fechada, mesmo quando tal cegueira traz tantas consequências para cada um de nós e, consequentemente, para a nossa sociedade.  Na minha mente, este tópico foi também mantido como um secretismo baseado nas histórias que ouvia falar dos outros e da representação daquilo que supostamente o sexo é na indústria cinematográfica.

É uma pena que os adultos não sejam educados a educar as crianças sobre o que a vida sexual é ou pode ser, sem se ter como referência a imprensa oculta de revistas Marias e afins, ou pior, a referência pornográfica que é a completa adulteração daquilo que a expressão sexual humana realmente é. A meu ver, o silêncio do sexo tem sido substituído pela comédia, em que a maioria das piadas vão dar eventualmente a fantasias sexuais que ficaram suprimidas algures nas mentes humanas e que nem sequer nos questionamos sobre a banalidade dos comentários. Vê-se então a paranóia do sexo espalhada por todo o lado associada à nudez das campanhas publicitárias, a objectivação do corpo feminino, a ignorância sobre a origem dos desejos da mente e, finalmente, a consequência global do abuso manifestada em notícias de violações sexuais, de relações desequilibradas, de violência sexual que pode condicionar a vida de um ser-humano para sempre caso não haja um acompanhamento adequado. E no final de contas, somos nós enquanto humanidade que estamos a criar este inferno para as nossas vidas e para as vidas dos outros e portanto cada um de nós é responsável por ajudar-se a si próprio a compreender o que se passa nas nossas mentes e, obviamente, corrigir aquilo que manifesta abuso sobre si próprio e sobre os outros que são afectados directa e indirectamente.

Se tirarmos por momentos todas estas ideias associadas ao sexo, o que é que temos? Corpos que respiram, igualdade, movimento, expressão, descoberta corporal, expansão pessoal, alinhamento com o físico, presença, respeito por si próprio e pelo outro, novidade, carinho, INTIMIDADE COM O SEU PRÓPRIO CORPO, prazer, entrega, vulnerabilidade, estabilidade, sensibilidade, CONFIANÇA EM SI PRÓPRIO, CONFIANÇA NO OUTRO, simplicidade, humildade, partilha e transcendência dos limites que impusemos a nós próprios.

Infelizmente, a extensão do abuso sexual na nossa sociedade comprova que há uma deficiência na maneira como este tema é educado e que consequentemente é deixado à mercê das mentes de cada um e também manipulado pelo sistema de poder e dinheiro.
Todos sabemos que a prevenção é o melhor remédio, e para que haja prevenção tem de haver entendimento sobre o que o sexo realmente é, como é que este tem sido usado e abusado para manter as mentes suprimidas e sob controlo do medo, em vez de cada um de nós ser realmente educado sobre o seu próprio corpo, em estabelecer uma relação de confiança e a saber aquilo que é o melhor para si próprio em unidade e igualdade com os outros.

Abro então um novo capítulo no meu processo em que vou explorar os várias camadas de pensamentos e ideias associados com o sexo como até agora tem sido mal-tratado, e vou abrir caminho a uma nova perspectiva sobre a expressão sexual como sendo o potencial máximo de expressão física, respeito mútuo e auto-conhecimento. Vou andar este processo em tempo-real, re-educando-me de acordo com pontos que eu vou enfrentando e lidando com eles. Sugiro que se oiça também as entrevistas da EQAFE que proporcionam um entendimento da relação que cada um de nós criou com o sexo.



DIA 227: Tendência de dizer "sim" a tudo e Resistência a dizer "não"?

É fascinante perceber quando a desonestidade própria está à espreita e, no espaço de segundos, tenho a única escolha que resta: ser honesta comigo própria. O problema que até agora eu tenho enfrentado é que nós não somos educados a ser honestos connosco próprios, a começar pelos primeiros anos de vida em que nos apercebemos que agradar os outros traz uma recompensa imediata e aparentemente "sabe bem". No entanto, quando chegamos à idade adulta e projectamos este padrão no emprego, a necessidade de apreciar o outro começa a dar que pensar: porque raio é que eu digo que sim a tudo quando na realidade não será fisicamente possível fazer todas estas tarefas? Por que é que eu não me dou tempo para avaliar se o meu "sim" é honesto comigo própria e, se assim for, será também honesto com o outro?
O padrão da apreciação é "tricky" ou seja, é traiçoeiro porque no meio da "energia positiva" e reconhecimento vindo do outro, nem conseguimos ver que nos estamos a abusar, mentalmente e depois fisicamente. Este padrão é visivel na escola primária e na necessidade de se agradar a professora para me sentir especial e amada! Por isso, a típica ideia de se entregar uma maçã à Professora que era tão comum nos livrinhos de banda desenhada é, de facto, uma maçã envenenada através da qual vamos transportar este padrão da apreciação para a nossa vida adulta. Sem nos apercebermos, estamos a sofrer de uma lavagem cerebral em que nem sequer nos questionamos, porque é exactamente assim que vamos aceitar o sistema de trabalho como ele existe (disfuncional, desequilibrado e sem igualdade entre as pessoas)
Vejo em mim esta tendência de acumular tarefas ao dizer "sim, faço daqui a pouco", ou "sim, aceito esta missão" no emprego, mas depois o "sim" traduz-se em pressão e auto-tensão quando acabo por ter de deixar outras tarefas para depois ou apressar as coisas, em vez de cooperar comigo própria e ser directa quando alguma coisa está ou vai afectar a minha estabilidade.
Um dia destes, dei por mim a delegar uma tarefa bastante básica, como pedir ao outro que preparasse a salada do jantar e, embora me tenha apercebido que o primeiro pensamento tinha sido o de dizer "nããã, deixa estar que eu faço", vi então que aceitar a ajuda do outro foi a melhor coisa a fazer porque representou a igualdade e a distribuição de tarefas que será igualmente apreciada por todos quando formos todos jantar. Quando esta igualdade prevalece, cria-se um ambiente produtivo e há uma concordância estabelecida entre as pessoas.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar em mim como uma vítima de acumulação de tarefas e uma vítima dos outros, quando afinal tratasse de aceitar essa posição como sendo eu.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ser honesta comigo própria e assim ser honesta com os outros quando estamos numa situação de distribuir tarefas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido  ter medo de dizer que "não" a coisas que me são mesmo quando eu vejo que estarei a comprometer o meu tempo e todas as minhas outras tarefas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na resistência de delegar tarefas ou de dizer que "não posso ajudar" quando afinal delegar tarefas é também uma forma de ser um exemplo para mim e para os outros e que dizer que "não" não implica necessariamente falta de vontade - em honestidade própria, ao não acumular tarefas nem novos compromissos eu estou a ser responsável com os meus compromissos existentes.

Eu apercebo-me que esta ideia de acumular tarefas vem da minha experiência de viver com pessoas dos "7 ofícios" que aceitavam fazer tudo o que lhes era pedido e que isto era o "normal". No entanto, vejo agora que aceitar apreciar-se os outros é uma forma de escravidão mental, baseada no medo de aborrecer os outros, quando afinal a única coisa que se deixa ofender é o ego das pessoas (e o ego não é quem as pessoas realmente são).
Por isso, quando e assim que eu me vejo a aceitar fazer uma tarefa para apreciar a outra pessoas (seja o meu manager, seja um familiar, seja um amigo), eu páro, respiro, e vejo se realmente me poso comprometer com essa tarefa de acordo com o tempo que eu tenho disponível. Comprometo-me também a re-educar-me a ver as coisas em senso comum, em vez de ver com base em laços emocionais ou laços pessoais que geram condicionalidade e medo.
Quando e assim que eu me vejo a ter medo e resistência de dizer que "não" a uma tarefa que me seja pedida, eu páro e respiro. Esta resistência da mente é uma sabotagem da mente/ego para manter a minha personalidade intacta mesmo quando esta personalidade não é o melhor para mim. Por isso, eu dedico-me a respirar quando a energia do medo me invade e ajudo-me a manter-me estável na minha decisão, seja "sim" ou "não". Eu apercebo-me que a necessidade de "apreciar o outro" só existe em mim e que depende de mim alimentar esta necessidade dos egos ou não. Curiosamente, eu apercebo-me que é ridículo fazer uma coisa para ter uma recompensa do outro quando na realidade essa mesma tarefa irá implicar um sacrifício da minha parte. Apercebo-me que a única recompensa que vale a pena dar a mim própria é a garantia de que estou a ser honesta comigo própria nas minhas ações e relações com os outros e que não permito que a minha mente/ego de energias positivas (reconhecimento) ou negativas (medo) dominem as minhas decisões.
Eu comprometo-me a pôr a honestidade própria e o senso comum em primeiro lugar de modo a que as minhas decisões tenham a honestidade própria e o senso comum como princípios base.

Eu apercebo-me também que a energia de apreciar/agradar a outra pessoa não é real e que é desnecessária se houver uma total confiança e se se recriar uma relação e comunicação honesta com o outro, em que o outro saiba que eu não vou dizer que "não" somente para o contrariar, e que ao mesmo tempo não irei dizer que "sim" se isso me for prejudicar. Realizo que depende de mim re-educar-me em honestidade própria e senso comum de modo a aplicar estes princípios no meu dia-a-dia e ser um exemplo para mim própria (logo, para os outros/todos, em unidade e igualdade como quem nós realmente somos).


DIA 221: Mais vale Agora do que Nunca - já é altura de Acertar

A acumulação do processo é uma coisa fascinante - pôr em prática os meus próprios compromissos de ultrapassar as limitações que, ao longo do tempo, tenho imposto em mim própria. São coisas que já estão inconscientes e só as vejo quando puxo por mim para me questionar PORQUE é que eu penso, ajo ou não ajo de determinada maneira - ou seja, ao ir além da fase dos julgamentos próprios, estou agora a avançar para o nível de investigar COMO é que eu posso melhorar a minha experiência comigo própria.
Para quem está a começar o Processo de escrita diária, o Processo de se estar ciente da respiração e de se tomar responsabilidade pelos pensamentos que permitimos em nós próprios, provavelmente não irá ver efeitos imediatos porque não é uma questão de magia. Poderá haver momentos em que se parece voltar à estaca zero mas isso é uma sabotagem da mente: o Processo é mesmo real e, tal como em tudo, requer prática.

Hoje enfrentei um ponto que já tinha visitado no passado mas desta vez puxei ainda mais por mim para ultrapassar a resistência de  que eu estava a ter em relação a confiar no outro. Mais uma vez visitei também o ponto de querer fazer "à minha maneira" mas desta vez, no lugar de me agarrar à ideia e ao desejo de fazer à minha maneira, decidi fazê-lo. Mas ao fazer à minha maneira, foi como se não houvesse prazer e afinal esta era apenas uma imagem. Nesse momento foi como se risse comigo própria, do estilo: "que teimosia inconsciente que andava para aqui a incomodar-me! Não vale a pena manter este desejo. Vamos lá libertar esta imagem", e foi então que aceitei a maneira do outro de fazer a tarefa - e afinal assim fazia mais sentido. Apercebi-me então que era a minha responsabilidade participar também na maneira do outro e criar AQUELA ação em conjunto porque estávamos ambos a participar naquele momento em igualdade! 

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido manter em mim ideias e imagens de como as coisas "deviam ser" ou como é que eu faria "à minha maneira" quando afinal vejo que, se a minha maneira resultasse, então esta não seria mais uma ideia mas passava a ser a minha prática constante.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me com os desejos/teorias/ideias da mente, em vez de realmente me ocupar em pôr as minha ideias e soluções em prática na minha vida, testar e ver se resulta; se não resultar, começo o processo de me corrigir. Eu apercebo-me que ficar na corda-bamba é desonesto comigo própria e é uma auto-sabotagem porque não me permito criar confiança em mim própria, na minha decisão de aplicar soluções na minha realidade e de me aperfeiçoar gradualmente na minha relação comigo própria e com os outros.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido continuar a fazer coisas "à minha maneira" apesar desta maneira nem sempre ser o melhor para mim e que, portanto, trata-se do ego e de uma resistência a mudar/a aprender/a praticar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar o outro por não me ensinar como "devia ser" (de acordo com a minha ideia de como as coisas deviam ser).
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido tomar responsabilidade por mudar a minha atitude naquela ação e por aproveitar cada momento como uma oportunidade de me aplicar no meu processo e de criar estabilidade nas minhas ações. Eu apercebo-me que a imprevisibilidade sobre conseguir ou não conseguir é um reflexo da relação que eu estabeleci com essa ação (por exemplo a minha relação com a culinária e com o sexo).
Como é que eu corrijo a imprevisibilidade das minhas ações? Primeiro ao parar a mente das memórias, parar o medo de falhar, parar de pensar que ainda não consigo corrigir-me ou que não estou preparada. EU realizo que o meu Processo depende única e exclusivamente de mim, por isso em vez de confiar nos meus pensamentos, eu passo a confiar na minha respiração e a empenhar-me fisicamente para aperfeiçoar as minhas ações.

Eu comprometo-me a auto-ajudar-me com regularidade, compromisso e eficácia no meu Processo. EU apercebo-me que por muitas conversas que eu tenha com outras pessoas, no fundo tem a ver com a minha força de vontade, dedicação e persistência em aplicar a minha correção nas coisas que eu faço/digo.
Quando e assim que eu me vejo a desejar continuar a fazer as coisas à minha maneira embora eu veja não ser a mais eficaz, eu páro esta ideia de como as coisas deviam ser e respiro. Eu apercebo-me que ter ideias na mente é inútil e uma perda de tempo - eu comprometo-me a aplicar as soluções no meu dia-a-dia, a testar as soluções. Quando e assim que eu me vejo a interpretar os comentários de outra pessoa como sendo um sermão, eu páro e respiro. Eu permito-me a não levar a correção como sendo uma ofensa. Em vez disso, eu páro de participar no padrão da culpa e ajudo-me simplesmente a tomar responsabilidade por mudar a minha relação naquela circunstância. Até lá, apercebo-me que cada correção funciona como recompensa por parar e mudar.
Eu comprometo-me a ter paciência comigo própria e a praticar o ponto de confiar no meu processo de correção!

Quando e assim que eu me vejo a pensar que o processo de correção é demorado, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que este ponto de partida define e limita logo à partida que eu sou demorada a corrigir-me. Por isso, quando e assim que eu me vejo a assumir as minhas ideias/julgamentos como sendo uma verdade inquestionável, eu páro e respiro e ajudo-me a trazer o ponto para mim própria e ver onde é que eu estou a definir/limitar a minha aplicação prática. Eu apercebo-me que depende somente de mim  estar focada no meu processo, estar disposta a ouvir soluções que eu posso aplicar na minha vida e passar para o "nível seguinte" da correção prática. Apercebo-me também que o Ego por trás da resistência para sair de um padrão só se mantém se eu continuar a alimentar o Ego da raão mesmo depois de perceber que é a mim que a resistência da mente prejudica. Finalmente, realizo que ser e fazer as coisas em honestidade própria é ser e fazer as coisas em senso comum, como aquilo que é o melhor para mim = todos.

Ilustração: Marlen De Vargas Del Razo, Day 258: Vampires in the Soul of Sacred Geometry - ADC - Part 105 http://creationsjourneytolife.blogspot.com/2012/12/day-258-vampires-in-soul-of-sacred.html

DIA 220: As relações que criamos com o mundo à nossa volta

No fundo, em honestidade própria, cada um de nós sabe aquilo que fez e aquilo que não fez para que algo corresse de determinada maneira. Embora eu até há alguns anos atribuísse grande parte das minhas experiências à invisível mão e vontade de Deus, mesmo nessa altura eu conseguia ver o que é que eu andava a criar na minha mente secreta, como se escrevesse um guião de possibilidades e, quando estas se realizavam, eu fazia duas coisas: ou culpava-me (caso o evento fosse negativo), ou glorificava Deus pela ajuda (caso fosse um evento positivo). Agora pergunto-me: o que é que esta relação de polaridade me diz sobre aquilo que eu tenho aceite e permitido em mim própria? Porque é que eu não confio naquilo que eu decido fazer e naquilo que eu não decido fazer? Apercebo-me que a culpa contra os outros surge quando não confio plenamente em mim, e ao não confiar em mim estou a desrespeitar-me como Vida que sou. Ao mesmo tempo, vejo que a procura de justificações é uma continuação da projeção da culpa, quando afinal tem tudo a ver com a relação que eu estabeleço primeiramente comigo e depois com as coisas à minha volta.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me com as emoções que eu própria criei ao aceitar e permitir determinadas relações em mim, tais como a relação de submissão, de sacrifício e de culpa e de vítima.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que as emoções são os laços que me prendem ao passado e que com isso eu não me permito ver a minha realidade em honestidade própria e perceber aquilo que eu estou a criar dentro de mim própria.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido parar a mente, abrandar e dar-me tempo para me conhecer, para perceber como é que a minha mente funciona, perceber as relações que eu criei comigo própria e depois com os outros.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar uma relação de sabotagem comigo própria, em que nos meus pensamentos saboto as minhas própria ações e acabo por criar uma realidade contra a minha própria estabilidade, visto que na minha mente criei já a imagem de instabilidade/desigualdade e aceitei como esta sendo real.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido confiar em mim própria incondicionalmente e por isso garantir que tudo aquilo que eu faço é em cooperação comigo própria, sem medos, nem imagens do futuro, nem esperanças, nem (des)ilusões - eu sou o caminho que ando para/por mim própria a cada passo, eu sou o corpo que vive a cada respiração, eu sou a vida que eu crio a cada momento.

Apercebo-me que ao "alimentar-me" dos pensamentos eu estou a distrair-me de mim própria e daquilo que existe à minha volta, ou seja, distraio-me daquilo que é o meu potencial de recriar quem eu sou e recriar a minha realidade. Quando e assim que eu me vejo a definir-me pelas relações que eu criei comigo própria e, consequentemente com os outros, eu páro e respiro. Ao abrandar a mente, eu permito-me ir ao fundo das relações, perceber a origem da relação, ver o padrão, escrever o perdão-próprio e auto-ajudar-me a puxar por mim para mudar a relação comigo própria/com os outros.
Quando e assim que eu me vejo a pensar nas memórias associadas a uma relação passada, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a não deixar distrair-me com imagens nem com emoções e comprometo-me a ser "fria" com a mente e a ser directa comigo própria - o meu objectivo neste processo é limpar a minha mente e recriar-me como Vida na minha expressão máxima que é o melhor para mim e o melhor para os outros.
Quando e assim que eu me vejo a reagir nas minhas relações com o mundo à minha volta, eu páro e respiro. Sendo que as relações com o mundo à minha volta são um espelho das relações que eu tenho comigo própria, eu permito-me questionar-me em honestidade-própria porque é que eu estou a reagir e permito-me ser franca para ver o padrão da relação (do ego) que eu permiti criar dentro de mim.
Quando e assim que eu me vejo a entrar na bola de neve dos julgamentos-próprios sobre aquilo que eu devia ou não devia ter feito, eu páro e respiro. Por experiência própria eu realizo que as memórias são também uma manipulação que eu permiti em mim própria e que espelha a relação que eu permiti existir em mim/na minha vida. Por isso, em vez de "acreditar" na manipulação da mente, eu páro, respiro, permito-me estar ciente da minha presença aqui e dedico-me a aplicar as técnicas de escrever o perdão-próprio sobre os julgamentos da mente e com isso abrir a minha mente "secreta" para me libertar e corrigir os laços/prisões que só eu criei para mim própria!
Eu apercebo-me que, por ter matutado sobre estas relações e manipulações, eu acabei por acreditar que aquilo que se passa na minha mente sou eu. Realizo que aquilo que se passa na minha mente não é o melhor para mim e portanto é da minha responsabilidade dar-me direção a cada momento para garantir que o o meu Desteni é criado por mim com base no senso comum, igualdade e honestidade própria inerentes à Vida que realmente sou e tudo é.



Dia 170: Está tudo invertido - é tempo de abrandar


Quando e assim que eu me vejo reagir, eu páro e respiro. Porquê? Porque já sei onde é que a reação vai dar e não é essa a direção que quero tomar.
Reparo que a reação é cada vez mais forte mas a minha vontade e dedicação de lidar com a mente também. É tempo de abrandar a mente e ver aquilo que tenho ignorado - os diálogos mentais, as imagens, a imaginação, as projecções, os pensamentos e as projecções. Ultimamente tenho escrito mais regularmente o que me tem ambém ajudado a abrandar porque as minhas mãos não escrevem à velocidade da mente - eu escrevo tão rápido quanto o meu corpo permite e é através/como o meu corpo que eu existe em estabilidade própria.

É tempo de abrandar o desejo de estar noutro lugar - associo este padrão à minha vontade de ir para sítios novos que eu penso serem melhores, embora um ponto chave é a realização que, para onde quer que eu vá, levo-me sempre comigo. Por isso neste momento eu vou focar-me em estar bem comigo própria e a realmente ajudar-me a criar as condições para me aplicar na minha escrita, na minha direção, na minha expansão no processo, no trabalho, nas causas sociais, na informação alternativa e focar-me em mim. Ao abrandar a mente é então possível ver a origem dos julgamentos, a origem dos medos, a origem dos vícios, a origem das projeções; ao abrandar a mente é possível ver-se as soluções práticas para mim e para o mundo à minha volta e, curiosamente, estas soluções estão sempre aqui à espera de serem vividas. Ao abrandar, eu dou-me a possibilidade de me auto-corrigir e de não me permitir cair nas armadilhas da mente.

AbranDar não é passividade. É Dar-se tempo a si mesmo para Viver aqui.
Lembrei-me agora do dito "devagar se vai ao longe" e até agora nunca me havia questionado para onde é que eu quero ir? Com quem é que eu estou a competir? Para quê? Um coração com batimentos estáveis permite um caminhar mais consistente, enquanto que uma vida com constantes reações é um contante pára-arranca sem direção.
Apercebo-me agora que o tempo do processo é irrelevante - e que o tempo da minha aplicação não corresponde ao tempo da mente em que me imagino a mudar!--  simplesmente não funciona querer enganar-me a mim própria.
Por isso, a frustração de querer ir mais rápido ou de me aperceber das coisas mais rapidamente do que aquilo que estou a fazer não é real nem válido. Vejo então que a minha aplicação no processo em Ser/Viver a mudança física é o meu indicador do meu progresso a aplicar as minhas realizações no meu dia-a-dia. E é nesta aplicação no meu processo que eu posso analisar como é que eu estou a participar num "ciclo da mente" ou se estou de facto a mudar a minha atitude/comportamento perante um padrão mental.
Quanto à competição, em igualdade e unidade, cada um de nós está ocupado com a sua própria mente e a lidar com os seus problemas, por isso a prioridade passa a ser em garantir que cada um se ajude o viver as soluções para si próprio, passo a passo, um ponto de cada vez, sempre a dar o nosso melhor para realmente mudarmos na nossa relação connosco, logo, com os outros. O ponto de partida é agora trazer os pontos para mim própria e resolvê-los em mim, em vez de projectar nos outros e disparatar em reações.

Respirar, abrandar e aproveitar para simplesmente andar/mudar os pontos aqui - não há nenhum lugar para se ir que não seja aqui. Apercebo-me que existir como Vida aqui implica não participar nas realidades paralelas da mente.



DIA 135: Medo de se perder aquilo que ainda não se tem


Quantos de nós não tinha medo de andar de avião mesmo antes de ter viajado?

Um exemplo interessante para se descobrir a sabotagem da mente é o de perceber a antecipação da mente (sugiro que também leia o artigo: Prever as coisas atraves da mente) , baseada em ideias que cada um criou para si próprio e se tem regido/limitado pela sua própria "religião".

E medo de andar de mota sem nunca se ter andado de mota? Ou medo de perder um filho sem ainda ter filhos?
Medo da morte sem se ter ainda vivido.
Medo de perder o dinheiro que não se tem.
Medo de perder a carreira que não se tem.
Medo de perder uma reputação que mais ninguém liga.
Medo de se perder a elegância antes de se comer.
Medo de se perder a corrida antes de começar.
Medo de perder o emprego antes de o ter.
Medo de manchar a roupa nova antes de a comprar.
Medo de partir o copo antes de pegar nele.
Medo de chumbar antes de começar o ano letivo.
Medo de acabar o namoro antes de se começar.

A mente é composta por relações extremamente complexas de padrões baseados em memórias, registos visuais, medos, emoções, sentimentos, julgamentos próprios, projeções, crenças, associações de palavras, opiniões, manipulação própria, manipulação dos outros, definições de palavras, justificações e culpa.

Sem se conhecer a mente, a mudança é impossível porque é na mente que está a origem dos nossos problemas. Todos estes padrões que vão surgindo em nós e que nós não sabemos de onde é que surgem, são pontos que temos de resolver em nós próprios e parar de projetá-los no mundo à nossa volta. Este é o processo e quanto mais cedo se começar, menos desonestidade própria acumulamos. 

(Sugiro que se comece a escrever de forma estruturada - vê mais em http://lite.desteniiprocess.com/)

Ilustração:
Looking Within by Andrew Gable
“Giving Up Character” SF on Mind Dimensions (Part 1) – An Artists Journey To Life: Day 143http://wp.me/p2mGTf-aP



DIA 122: Espelho da mente - entretida com as emoções de vítima e a culpar os outros


Quando as coisas não correm como eu quero / como eu imaginei, ainda me vejo como uma vítima. E se me vejo como uma vítima, alguém terá de ser o causador/culpado. Por isso, vou estar sempre à procura de culpar alguém, de procurar um motivo que justifique a minha personalidade de Vítima e, ao mesmo tempo, estarei sempre à procura de algo me salve desta vitimização (uma motivação externa, entretenimento, emoções "positivas" reviver momentos do passado, chocolates, imaginar estar com outra pessoa), criando mais separação entre mim e os outros.

Neste processo, o acordo que faço comigo própria é a decisão de parar o abuso próprio e consequentemente parar o abuso na minha relação com o João. Hoje experiênciei uma forte decepção quando as coisas não correram como eu queria: a ideia de uma grande conversa animada, que acabou por ser ocupada pelo silêncio. A minha reação foi prova-viva que eu não consegui aguentar o silêncio - "isto é uma seca" porque não consigo estar em silêncio comigo própria.

"Assusta-me pensar que o nosso casamento vá ser sempre assim". E foi com base neste medo que eu reaji, como se uma reação fosse evitar que o padrão se repetisse...  Foi também nesse momento que a personalidade do "não sei como resolver esta situação" se manifestou, sem me aperceber que só depende de mim MUDAR a relação que tenho comigo própria - porque a minha relação com os outros é um espelho da relação que tenho comigo própria.

Quando a minha mente começa em rodopio de ideias, julgamentos e sequência de pensamentos , significa que estou a procurar justificação para a minha posição de vítima - como se inserisse um Disco que gira sozinho - e estou "viver" um programa mental. Após ter escrito sobre o evento desta tarde, apercebi-me que o que eu queria era ser entretida. Ou seja, a comunicação com o outro era uma forma de distração e, como esse vício não foi saciado, reagi.

Os programas televisivos funcionam como uma aparente estabilidade em que se sabe que o entretenimento é garantido: de manhã com a emoção infantil, depois será a hora da emoção do jornal, finalmente a emoção da telenovela e, quando se está doente em casa, assiste-se à emoção do programa das 3 da tarde.
Com base neste hábito, também me deixei de questionar a minha troca de humores repentinos, em que num momento tudo bate certo e passado 5 minutos já está tudo errado, porque não corresponde à imagem que eu tinha idealizado!

Pensar como as coisas devem ser com base em imagens de perfeição é um programa da mente de constante insatisfação, porque a realidade não é a mente! E a perfeição da mente é puro interesse-próprio.

A reação que surge imediatamente é a de proteção, que consiste na criação de regras e pensar que só assim é que as coisas são - estilo mandar nos outros e dizer aquilo que os outros devem fazer de um ponto de partida de garantir que a minha posição é assegurada, porque enquanto o outro estiver a sentir-se culpado e a ouvir o meu discurso de "como eu quero que as coisas sejam" estou a garantir que o meu interesse-próprio vence e acreditar por momentos que eu sou superior (yeahhh).

Apercebo-me que este mecanismo de criar regras para mim e para os outros é uma forma de evitar ser julgada pelos outros e evitar ser vista como inferior (que é o meu próprio julgamento). Este processo auto-destrutivo com base julgamentos e vitimizações começa em mim, ao limitar a minha expressão com base ideias pré-feitas e suposto conforto que nada faz. Por isso, eu sou responsável por parar esta limitação e stress na minha relação comigo própria que é projectada na relação com os outros.

Sempre que eu tenho uma reação ou culpo o outro pelo que eu estou a sentir, tudo isto vem dos meus próprios julgamentos e medos - e se eu resolver estes julgamentos e medos dentro de mim através da auto-análise, perdão-próprio e aplicação da correção, eu estarei a criar a minha estabilidade e auto-confiança.

O outro ponto a considerar neste momento é a tendência que eu tenho para comparar o que eu faço com o que os outros fazem, em vez de realizar que cada um está a expressar-se por si, sem certos nem errados. Não é certo nem errado estar-se em silêncio à hora da refeição, por exemplo; não é certo ou errado estar-se sozinho ou acompanhado; É a relação comigo própria que tem de ser primeiramente trabalhada e estabilizada.  Por exemplo, posso usufruir do silêncio para me conhecer em silêncio - ou observar as coisas à minha volta; ou simplesmente saborear a comida; ou comunicar com o outro sem esperar uma resposta que aprove ou rejeite o que eu digo.

O desafio é PARAR os julgamentos próprios e a auto-vitimização, e começar a ver os outros como eles são e não somente um reflexo dos nossos próprios olhos que vêm pela mente de hábitos, imagens, ideias e noções de certo e errado, desprezando toda a realidade que existe aqui e QUEM EU SOU REALMENTE.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar o outro pelo incómodo que senti quando estávamos em silencio, porque eu associo o silêncio a "seca", ou a solidão e por isso criei a imagem de "estar com o outro é sinónimo de entretenimento".

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que, mesmo estando na companhia do outro, eu estou sempre a lidar comigo e o outro funciona como um espelho daquilo que eu ainda me permito participar na mente. Apercebo-me então que, ao estar ciente deste processo de auto-análise, eu estou de facto a dar-me a oportunidade de conhecer os julgamentos, ideias, imagens e medos da mente nos quais eu tenho participado até agora e limitado o meu SER. Apercebo-me que ao ver estes pontos, tenho então a responsabilidade de parar de culpar o outro e dar-me a oportunidade de parar estes julgamentos e medos não são o melhor para mim, --- e assim, tomar a decisão de recriar a minha estabilidade a partir de mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que estar em silêncio é uma seca e que estar sozinha é uma seca. Eu apercebo-me que esta ideia é um julgamento próprio pois estou dizer que eu sou uma seca. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar e acreditar que eu sou uma seca e que sou chata. Eu apercebo-me que ao escrever isto associo tal ideia aos comentários que ouvia das minhas irmãs mais velhas que eu era chata. Apercebo-me que no entanto, eu fui eu responsável por levar estes comentários a peito e definir-me como tal.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar as pessoas que me chamavam de chata quando eu era mais nova pelo julgamento que eu criei sobre mim própria de ser chata. Eu apercebo-me que, com base neste julgamento, eu tenho andado a permitir participar na excitação de querer parecer ser interessante e fazer coisas interessantes, em vez de realizar que não há nada a provar aos outros. Toda esta energia de sentir-me inferior (desvalorizada) VS querer sentir-me superior (valorizada) só existe na mente e não é real.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido entreter-me com as emoções de vítima e com a cegueira de culpar os outros, sem ver que é a mim que eu estou a prejudicar porque continuo a pensar ser impotente para resolver/parar estas emoções em mim e de facto investigar os padrões da mente dos quais ainda me permito estar "viciada" e pensar que sem estes hábitos as coisas não batem certo.