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DIA 254: Ficar na cama para evitar o frio lá fora

No artigo anterior apresentei a nova série "Desconstruir a minha IDEIAlogia" relacionada com as ideias que eu criei sobre mim própria e que constituem a minha ideologia de vida praticada até agora. Eu apercebo-me como uma ideia, quando justificada nas nossas próprias mentes com razões que nós próprios criámos, pode condicionar toda a ação ou qualquer tentativa de se mudar de atitude. O problema e a solução começa dentro de nós próprios. Por isso, eu apercebo-me que a desculpa de "estar frio" para não sair da cama é mais uma ideia que eu aceitei como válida na minha mente. Se para uns é o frio, para o outros é a desculpa da ressaca, outros é o conforto, ou ainda a resistência para se enfrentar o dia. Independentemente da justificação, estamos todos a condicionar o nosso dia a partir do momento em que acordamos e damos ouvidos à voz constante da mente, dos desejos, dos medos, das ideias e das emoções. Partilho agora o meu Perdão-Próprio específico para esta resistência para me levantar da cama quando está frio:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido imaginar a sensação de frio e a minha reação ao frio que possa sentir quando saio da cama ou quando saio de casa.

Eu perdoo-me por me permitir e aceitar justificar a minha decisão de não sair da cama ou de não sair de casa com base na ideia de ir ter frio, sem ver que é a mim que eu estou a limitar a minha ação e expressão com um pensamento.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ficar a imaginar o momento seguinte em vez de viver a decisão de me levantar e de sair da cama sem permitir que as ideias me congelem a ação.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar ir para uma cidade mais quente para evitar enfrentar a minha relação com o frio; no entanto, como eu já percebi, este é um padrão que existe em mim e que se manifesta noutras situações. Logo, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir e limitar pelas ideias que eu criei sobre quem eu sou e por acreditar que esta ideologia é quem/como eu devo agir.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que não sou capaz de andar descalça ou de apanhar frio sem reagir com medo de ficar constipada ou com energia de choque, quando na realidade eu não preciso de participar nesta ideia que eu criei e alimentei para mim própria.

Eu comprometo-me a estabilizar o meu corpo através do perdão próprio em momentos em que eu vou lidar com o ponto do medo de sentir frio. Eu apercebo-me que o frio é uma sensação física que não requer o apego mental ao medo ou à ideia de que o frio vai ser penoso ou que irei ficar doente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido entreter a minha mente com a antecipação do frio e com a ideia de desconforto em vez de me focar na ação de me vestir rapidamente sem julgar o frio como mau, mas simplesmente sentir a temperatura e agasalhar-me até já não ter frio.

Vejo agora que a solução é clara quando se está fora do "estado mental" de resistência para FINALMENTE dar direção a mim própria:

Quando e assim que eu me vejo a imaginar o momento em que eu saio da cama e a ter frio, eu páro e respiro. O pensamento não é real e portanto não tenho de participar nele; posso e devo tomar a decisão de vestir uma roupa quente e começar o dia com plena força de vontade, sem estar presa a qualquer ideia.

Quando e assim que eu me vejo a pensar "só mais 2 minutos" em snooze, eu páro e respiro. Eu relembro-me que foi a minha decisão na noite anterior de acordar aquela hora e, por isso, eu comprometo-me a respeitar os horários que eu vejo serem o melhor para mim.

Quando e assim que eu me vejo a condicionar a minha expressão corporal por medo de ficar constipada, eu páro e respiro. Vejo pela primeira vez que mesmo antes de apanhar frio já estou a pensar na possibilidade de apanhar um resfriado, em vez de me focar em soluções práticas para me agasalhar, para criar o meu conforto incondicionalmente, fora e dentro da cama, e estar estável dentro de mim para prevenir qualquer fraqueza do meu sistema imunitário.

Eu comprometo-me a ajudar-me a parar os pensamentos/ideias que ditam aquilo que eu devo fazer, comprometo-me a estar presente nas minha ações e a fazer aquilo que é simples senso-comum: viver a decisão de me levantar (e vestir mais qualquer coisa caso esteja frio). Eu abraço a minha responsabilidade de criar a minha realidade e de ser/criar a solução para mim própria - neste caso, de garantir que me dou o conforto físico mas sem participar na paranóia nem limitações da mente.

DIA 228: A paranóia da perfeição


Quantos de nós não imaginam e desejam aquilo que seria a vida perfeita, o marido perfeito, a mulher perfeita, os filhos perfeitos, a casa perfeita, o carro perfeito, a viagem perfeita, a carreira perfeita, etc.?
Quantas vezes damos por nós a passar mais tempo nesta nossa mente de imagens perfeitas do que em perceber o que é que está a faltar em nós e na nossa vida para atingirmos o nosso potencial de Vida? Ou será que ninguém pensa sobre isto porque não nos é vendido pelos anúncios de televisão (de facto, nunca se viu um anúncio a promover a auto-reflexão, a auto-correção ou o auto-conhecimento para que cada um saiba resolver os seus próprios problemas - porque isto provava que o consumismo não cura os problemas). No entanto, a industria publicitária faz questão de nos vender imagens de perfeição que são alcançáveis num click ou na sua próxima compra de supermercado!
Pensando bem, é incrível que a mente humana ainda tente justificar as imagens de perfeição como sendo reais, mesmo depois de se saber que os cenários das casas são feitos de cartão, ou que a pele foi retocada no photoshop, ou que aquele casal da telenovela não são um casal na vida real, ou que os diálogos foram escritos por uma equipa e não pelo actor que aparentemente tudo sabe e tem uma confiança invejável!
Não é por acaso que se associa o Euromilhões ou a lotaria a toda esta perfeição - porque de facto, a perfeição vendida pela publicidade, televisão e filmes tem um preço. E daqui eu vejo três saídas:

  1. Passa-se a vida na paranóia de se desejar uma outra vida que está dependente da "sorte" de se acertar nos números e estrelas do euromilhoes. Ora, considerando que a probabilidade de ganhar o euromilhões é 1 em 116,531,800, talvez este seja o número de vezes que andamos a desperdiçar a nossa vida por não tomarmos decisões mais produtivas. Aliás, alguns matemáticos dizem que a probabilidade de ser atingido por um relâmpago é de apenas 1 em cada 700,000 isto significa que é quase 170 vezes mais provável morrer-se antes de se ganhar o euromilhões!*

  1. Passa-se a vida na paranóia de se julgar e comparar a nossa própria vida por não ser igual à dos filmes e das revistas mas acabamos por nos render à ideia que depois da morte haverá o paraíso e que será nessa altura que todos os nossos desejos são oferecidos em troca dos sacrifícios na Terra, sendo que a nossa experiência na Terra traduz-se na polaridade mental de Céu/Terra, perfeição/imperfeição, prazer/sacrifício, sem se considerar que talvez sem estes pensamentos nós seriamos capazes de criar o paraíso na Terra...

  1. Toma-se a decisão de parar de alimentar as imagens da mente com base na realização que as imagens são desfazadas da realidade e não são o melhor para nós pela polaridade e instabilidade que promovem. Este é então o manifesto de que a perfeição da publicidade e dos filmes é uma amostra daquilo que poderia ser o melhor para todos mas que, ao promover o elistismo e a riqueza de uns à custa da pobreza de outros, não se aplica à realidade da igualdade e unidade que existe na Terra. A solução passa então por uma mudança por dentro (nas nossas mentes, naquilo que aceitamos e permitimos como sendo os nossos princípios de vida) e por fora, ao trabalharmos em conjunto por uma sociedade em que os humanos não sejam limitados pela falta de dinheiro, a começar por uma solução prática que garanta um ordenado básico garantido e incondicional para uma vida sã e equilibrada.

Obviamente que no sistema económico actual, com a ajuda do dinheiro estamos todos mais perto daquilo que seria uma perfeição real para todos. Mas considerando que o sistema económico é também uma manifestação da paranóia das mentes dos seres humanos, vamos começar por resolver a nossa mente. A escrita é uma ferramenta essencial para se sair da mente, o perdão-próprio é a ferramenta para se ultrapassar os padrões mentais e a auto-correção é a aplicação de soluções e compromissos nesta realidade física.

Eu perdoo-me por me ter aceite permitido acreditar que as imagens de um casamento perfeito, de um marido perfeito, de uma casa perfeita, de uma família perfeita, do grupo de amigos perfeito, etc. são reais.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que até agora tenho estado a basear as minhas decisões do presente nas imagens de um futuro que só existe na minha mente e que portanto não é real.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido alimentar a paranóia pela perfeição das imagens que eu vejo à minha volta nos anúncios, nas revistas ou nos filmes, e ajudo-me a parar quaisquer pensamentos de comparação ou inveja que surgem na minha mente. Eu tomo essa oportunidade para investigar os desejos que eu ainda continuo a alimentar dentro de mim  e começo a perdoar um a um, com determinação de modo a libertar estas ideias que prendem a minha expressão aqui, no presente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar e limitar-me pela ideia de uma carreira ideal que só existe na minha mente e que eu acabo por usar para julgar o meu emprego, que afinal é mais produtivo do que os pensamentos da mente. Eu apercebo-me que a imagem de carreira perfeita é uma forma de evitar ver o sistema como ele é, em que estamos dependentes de um ordenado em troca da nossa actividade profissional, num sistema que  promove a sobrevivência e o medo da perda e que é tudo menos um sistema em prol do desenvolvimento humano para todos.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido realizar que ao desejar a perfeição eu estou de facto a participar na outra polaridade que é o medo que o pior aconteça e, assim, crio a minha própria instabilidade ao andar na corda bamba das imagens de desejo e de medo da mente.

Quando e assim que eu me vejo a comparar a minha realidade com a imagem de perfeição da minha mente, eu páro e respiro. Em vez de acreditar nestas imagens como sendo "o meu futuro", eu investigo o que é que estas imagens me mostram, o que é que eu não estou a dar a mim própria actualmente, quais são as polaridades que eu estou a aceitar em mim, quais são os medos que eu estou a criar para mim própria, ver como é que eu estou a criar pressão em mim própria sobre uma perfeição que não passa de uma imagem associada à felicidade material.

Eu comprometo-me a olhar para as imagens e pensamentos da minha mente em senso comum, identificar os padrões de inveja, de medo, de insatisfação, de desigualdade, de superioridade, de inferioridade e não me permito levar estas imagens e pensamentos a peito nem como um falhanço pessoal . Como já vimos anteriormente, estas imagens têm sido manipuladas para haver uma constante insatisfação saciada pelo consumismo e pela energia de uma solução rápida que não é real. Foco-me então em recriar soluções em que a perfeição é aquilo que é o melhor para mim, neste preciso momento, passo a passo, da mesma maneira que me permito ver soluções práticas para se aplicar para o melhor de todos, tal como o Rendimento Básico Garantido.

Quando e assim que eu me vejo a participar na paranóia de pensar que nada na minha realidade bate certo por ser diferente da imagem de perfeição que me "foi vendida" pelos anúncios de televisão e filmes, eu páro e respiro. Eu começo por realizar que cada respiração é aquilo que me permite estar aqui e que não são as imagens da mente que ditam ou limitam a minha existência. Eu realizo que as frases dos filmes são perfeitas devido a todo o trabalho de produção que sustenta os diálogos e que portanto não faz sentido projectar tal "perfeição" na minha vida. Apercebo-me que estar aqui, ciente de mim própria a caminhar o processo de auto-correção é um processo de auto-aperfeiçoamento que envolve dedicação, escrita, disciplina, auto-ajuda, paciência, insistência e honestidade-própria.

  



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DIA 224: Bloqueio para Estudar ou Trabalhar? Aprende a identificar os teus medos

Se é por mim que eu ando este processo, também é por mim que eu me desleixo no meu processo. Ou seja, de cada vez que eu me desrespeito em pensamentos, palavras ou ações, é a mim que eu me estou a prejudicar e que estou a atrasar/adiar a minha Vida.
Nestes últimos dias tornei-me ciente de um ponto enraizado em mim há demasiado tempo e, por nunca me ter decido parar o padrão, acabo por participar nele automaticamente - refiro-me à procrastinação baseada no medo de falhar/ego/ideia que eu quero passar aos outros/desejo de ser perfeita sem realmente FAZER por isso na prática.
Reparo então que ultimamente tenho tido como ponto de partida o medo de não conseguir acabar um trabalho - mas em vez de enfrentar o medo e pará-lo, acabei por vivê-lo. Como? Ao adiar o momento em que começo o trabalho, ao imaginar o momento em que finalizo o trabalho e supostamente "está tudo bem".
A minha pergunta de hoje é: Porque é que eu participo nesta preocupação e crio este papão na minha mente?  Quanto mais resisto fazer este trabalho, maior me parece, porque existem camadas de medo, camadas de expectativas, camadas de ideias, camadas de comparações - tudo isto são camadas de energia mental que me prende na realidade. Por isso há também uma petrificação física em que me "sinto" bloqueada e não consigo fazer mais nada do que pensar no trabalho.
Curiosamente, quando me dedico de facto a ler e a escrever para o trabalho, dou por mim a pensar "Afinal não é assim tão difícil". No entanto, aquilo que eu também não estava a ver é que esta é também uma ideia, desta vez baseada na outra polaridade --- positiva. Ou seja, ao pensar que "afinal aquilo que eu criei como um papão não é assim tão grande" estou a fazê-lo sem qualquer indicação real porque o trabalho ainda não está feito. Apercebo-me que era um a ideia mental e que é importante estar ciente do exagero mental, no entanto, qualquer emoção positiva ou até mesmo motivação que possa surgir (como por exemplo imaginar o momento em que acabei o trabalho e há satisfação e alívio) também não é real. Pode depois haver tendência para criar desapontamento pessoal quando a imagem de facilitismo na mente não acontece, porque afinal a imagem de fast-success também não é real!
 A sensação de não ser "tão difícil" é somente baseada na realização que os meus pensamentos de derrota inicias eram escusados, mas não implica que esteja a haver uma mudança prática.  A mudança prática ocorre quando eu realizo que nem os pensamentos negativos nem os positivos são reais, e ponho em prática a realização que o trabalho é feito e escrito aqui, não na mente.  Da mesma maneira que temer um certo evento (por exemplo um exame da faculdade ou uma reunião no emprego) não faz sentido porque a única coisa que tememos é o cenário que criámos na nossa própria mente e que acreditamos que é isso que vai acontecer.
E por isso a única solução é criar o meu trabalho aqui e agora, fazer o melhor de mim e estar disposta e aberta a aperfeiçoar-me.

Para sumarizar, os pontos que eu realizei nesta altura da minha vida são:


  • A resistência que eu tenho para fazer alguma coisa baseia-se no medo de falhar
  • Na minha mente eu facilmente salto da ideia inicial para a imagem do resultado final, sem ver que estou a desprezar por completo o empenho físico real e o tempo real que irá levar a completar a minha ação
  • A imagem do trabalho completo não é real e é um desgaste mental estar a tentar corresponder à imagem da mente
  • A preocupação inicial de não conseguir acabar o trabalho é uma distração e uma crença, porque na realidade ainda nem sequer comecei
  • Quando eu começo e dou por mim a pensar que afinal não é assim tão fácil, eu estou a criar a outra polaridade na minha mente com base na esperança de conseguir terminar o trabalho, e portanto esta motivação também não real
  • Quando estou a fazer o trabalho, não é necessário fazer "cross referencing" com a mente: basta confiar naquilo que está feito aqui no físico e continuar a progredir e a auto-aperfeiçoar aquilo que estou a fazer
  • A ideia que eu criei de mim própria é baseada em falta de confiança-própria e é uma espécie de suicídio mental, porque tenho tendência para desistir de mim e portanto resistir ao processo de mudar quem eu sou e como eu ajo comigo própria
  • Apercebo-me que a única maneira de ultrapassar a resistência é ao não participar na resistência na prática e a começar a fazer o trabalho na prática, passo a passo, em auto-criatividade, auto-descobrimento e expansão pessoal.

Na ilustração, eu vejo também uma pessoa cuja mente está aparentemente iluminada de ideias, mas parada, em modo de observação e a ver a vida a passar ao lado...






DIA 208: A justificação do "Tenho Tempo"


Apercebo que a resistência para escrever e a tendência para a procrastinação são redflags a indicar-me aquilo que eu estou a permitir repetir-se em mim. Por trás deste padrão, vejo o pensamento que "tenho tempo" para fazer isto ou aquilo, "tenho anos à minha frente", "vou ter a oportunidade mais tarde", sem sequer considerar a hipótese de criar essa oportunidade agora e começar a encaminhar-me nessa direção. 
Este padrão enquadra-se na Religião do meu Ser, baseada naquilo que me foi ensinado ao longo dos anos. Lembro-me claramente de ouvir dizer "Joana, vai com calma", "tens tempo", "ainda és muito nova", ... E agora já não é preciso ninguém dizer-me isto porque ficou registado e aparece automaticamente na maneira como encaro certas coisas, especialmente coisas novas, e a curiosidade fica suprimida, porque afinal, apesar de me interessar por isto ou aquilo, irei ter tempo e "se calhar" (que é a mesma coisa que dizer "Se Deus quiser") mais tarde irei estar numa posição mais vantajosa para finalmente viver a decisão! Até lá, acumulo uma série de "potenciais" de coisas que quero fazer, imagino o momento em que irei fazer essa coisa nova e admiro aqueles que não hesitaram em começar.
Obviamente, o processo de escrita requer prática e é preciso ir-se com calma, respiração em respiração, e estar-se fisicamente aqui. Mas desde que me tornei ciente desta tendência para adiar, fui mais eficaz em perceber se fazia ou não sentido esperar, ou se afinal a oportunidade de fazer determinada coisa estava/sempre esteve aqui. Finalmente comecei o meu novo blog http://diplomatjourneytolife.blogspot.com/ e tem sido fascinante desenvolver cada artigo e ver novos tópicos com base em informação da actualidade.
A expressão do bad timing poderá ser então a consequência de se ter esperado pelo "momento certo" sem realmente fazer-se nada por se criar esse momento. E não será então esta esperança pelo momento certo mais uma desonestidade que limita a nossa expansão?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido absorver as expressões que me foram/são ditas pelos outros como sendo a "minha verdade" sem me aperceber que eu estou de facto a limitar o meu processo de auto-criação.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir quando oiço alguém dizer-me que "tenho tempo", em vez de perceber se estou ou não a participar nesse padrão, perceber onde é que este padrão se manifesta na minha vida, e como é que eu posso resolver/transcender/parar este padrão em mim.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido questionar-me sobre a minha hesitação em fazer coisas novas e em mudar hábitos, e a partir daqui empenhar-me em dar resposta a essa hesitação e praticar a minha confiança a fazer coisas novas e a praticar a minha eficácia em fazer igualmente todas as coisas que me são benéficas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido imaginar-me a conseguir fazer todas as coisas ao mesmo tempo ou a imaginar-me a ter conseguido fazer um bocadinho tudo sem realmente planear as minhas actividades.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que algumas coisas têm de ser largadas para começar novas e que tal mudança não implica necessariamente ruptura.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar mudar os meus hábitos sem realmente e deliberadamente parar hábitos antigos e começar novos!

Quando e assim que eu me vejo a reagir quando oiço alguém dizer-me que sou "muito nova para pensar nisso" ou que "tenho tempo" ou outra coisa qualquer, eu páro a reação e respiro. Em honestidade própria eu permito-me perguntar porque é que eu estou a levar tais comentário pessoalmente, e permito-me ver em que aspectos é que eu estou de facto a participar nessas ideias. Eu apercebo-me que não sou responsável por aquilo que me é dito, mas que sou responsável por aquilo que eu faço perante aquilo que me é dito.
Quando e assim que eu me vejo a hesitar em começar coisas novas, eu páro e respiro. Apercebo-me que uma das justificações é baseada em "já tenho muitas coisas para fazer, não vou ter tempo agora", no entanto, em honestidade própria eu analiso o que é que eu posso "largar" e substituir pela nova actividade que, neste momento, me será mais benéfica. Se tal decisão implicar outras pessoas, eu comprometo-me a comunicar com os outros a minha decisão, ciente que tais escolhas têm de ser feitas por mim e que não posso ter esperança que alguém decida por mim aquilo que é o melhor para mim.
Quando e assim que eu me vejo a querer conciliar/coexistir em mim os hábitos antigos e os hábitos novos, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que muitas vezes eu estou a manter certos hábitos (especialmente na minha relação com os outros) para agradar os outros, em vez de me disciplinar em ser honesta comigo própria na presença dos outros, um e igual.
Comprometo-me a estar ciente de cada vez que o pensamento/justificação do "tenho tempo" se manifesta e páro esse dominó - em vez de participar na resistência, eu faço exactamente o contrário daquilo que a minha mente dita e dedico-me então a começar essa nova actividade. Para isso, eu adapto e ajusto o meu tempo, e abdico de outras coisas, de modo a conseguir fazer essa actividade que neste momento me será benéfica. Vejo então que uma mudança de hábitos/padrões implica sempre uma mudança prática ao nível das prioridades em honestidade própria, e uma mudança física em se realmente viver as decisões.

Ilustração: Comical Sense - 'Advice', By Andrew Gable