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DIA 205: Consegues Ver os automatismos da mente?


Escrever diariamente tornou-se no meu check-up diário.  A razão pela qual é essencial conhecer e perceber a nossa mente tem a ver com sermos os nossos próprios médicos da mente - ao diagnosticarmos e dar-mos um nome ao padrão (por exemplo, o padrão de culpar os outros, o padrão da inveja, o padrão da comparação, o padrão do medo, etc. ) tornar-se mais eficaz perceber qual é o ponto a corrigir dentro de nós - ao saber-se a doença o próximo passo é investigar a cura.
Ao perceber como é que eu funciono, ao procurar soluções e ao expandir o meu auto-conhecimento através da escrita, serei então capaz de ajudar outras pessoas que possam estar a enfrentar padrões semelhantes. Hoje curiosamente, ao aperceber-me que a outra pessoa estava a participar no padrão da acumulação de culpa e auto-vitimização, eu parei qualquer tentativa de defesa e simplesmente dei-me direção para coisas que realmente requeriam a minha atenção. Foi uma decisão tomada no momento - provavelmente há 1 ano atrás iria atrás da mente, e acabaria por alimentar mais o padrão em vez de dar-me direção e não despender o meu tempo a fazer babysitting da mente do outro.

Pergunto-me: - De onde é que vem esta necessidade de se ser vítima aos olhos dos outros? Porque é que ainda permito que sejam as conversas da mente a guiar-me, quando estas conversas da mente são a acumulação cega de pontos mal resolvidos em mim? Não será esta necessidade de culpar os outros uma forma de atirar areia para os meus olhos e continuar nesta cegueira de que o problema está nos outros?

Ainda dou por mim a escrever sobre as minhas relações com os outros e esqueço-me que isto é um guia para eu chegar à minha própria mente.
Onde é que em mim eu não estou estável comigo própria e ainda e acabo por participar na mente do outro só para evitar o conflito das mentes.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na ideia de eu sou uma vítima dos outros e que os outros são vítimas minhas. Em vez disso, eu realizo que a ideia/auto-julgamento de vítima não é real e que, em unidade e igualdade, somos iguais e ninguém se sacrifica por ninguém. Por isso, quando e assim que eu vejo a mente de sacrifício/vitima manifestar-se em mim ou nos outros, eu páro e respiro. Comprometo-me a parar esta sensação de sacrificio/vitima e em vez disso procuro participar/propor uma solução que seja o melhor para ambos/todos.


DIA 203: De onde vem esta necessidade de me defender? (Ver com os olhos da mente...)


Hoje apercebi-me da sensação  de pânico em  mim quando o meu director me perguntou se tinha feito uma tarefa - Comecei a responder ao email imediatamente, como se a cada minuto crescesse a sensação de injustiça dentro de mim.
Ao mesmo tempo, apercebi-me que estava a participar na frustração por estar a haver uma falta de comunicação entre as pessoas da equipa e por isso acreditei ser a salvadora!
Mas agora pergunto-me: - De onde é que esta necessidade de me defender vem? Se eu fiz aquilo que era suposto fazer, para quê reagir a uma simples pergunta?
Um dos pontos por trás do pânico tem a ver com a ideia/medo que alguém desconfie do meu trabalho e por isso reajo para me afirmar . No entanto, vejo agora que esta reação é inútil porque o próprio medo daquilo que o outro possa pensar do meu trabalho é inútil, especialmente quando em honestidade-própria eu estou ciente que fiz aquilo que havia a fazer.
Esta atitude serve então de redflag para analisar esta necessidade de me afirmar/defender e a ideia que estou a ser acusada ou alvo de uma injustiça, e que mais uma vez este é um indicador que estou a ver a minha realidade pelos olhos da mente. Neste processo dou-me a oportunidade de conhecer aquilo que se passa na minha mente e assim ajudar-me a emendar estes pontos e a criar a minha própria estabilidade incondicional. Amanhã continuarei a analisar as emoções/pensamentos que surgiram daquele episódio e incluir o meu perdão-próprio e plano de correção.

DIA 189: "Quem foi ao ar perdeu o lugar"?... Educados a ser rivais e a competir


Isto de estar ciente das minha personalidades tem que se lhe diga! Tem sido cada vez mais fácil ver as personalidades surgirem no meu dia-a-dia, como se visualizasse o padrão e percebesse como ele funciona desde o momento em que me torno a personalidade e as consequências na minha realidade. Estar ciente destas personalidades é o primeiro passo para ver a origem, perceber as consequências que ando a criar para mim própria e finalmente mudar para o melhor de mim.

Hoje enfrentei a personalidade da rivalidade numa situação que talvez vos seja familiar: a famosa lenga-lenga do "quem foi ao ar perdeu o lugar". Fomos tão "bem educados" que continuamos a viver essa ideia na vida adulta. No meu exemplo, eu estava num lugar no ginásio durante a primeira parte da aula de dança e, quando saí para beber água no intervalo, uma pessoa tinha ocupado aquele lugar.  No espaço de segundos, perante aquela MUDANÇA eu senti a reação, depois a vergonha e a raiva: a reação de ver o meu lugar ocupado; vergonha ao pensar que as outras pessoas que assistiram à cena estavam a pensar que eu fui "ultrapassada" e portanto sou inferior; e raiva em relação à pessoa que eu pensei ter tido a lata de usar o intervalo para avançar para a linha da frente.
Ao escrever esta situação, vejo que este cenário se repete todos os dias na fila para entrar para o metro: há quase sempre uma fila e, quando o metro abre as portas, há pessoas que tentam avançar e ultrapassar a pessoa da frente. Perante este comportamento social eu manifesto uma sensação de inferioridade em relação à pessoa que avançou sem respeito. Pergunto-me: - Porquê julgar como superiores aqueles que não respeitam os outros? Por outro lado, porque é que eu me deixo afectar quando assisto (ou sou vítima) deste tipo de comportamento? Porque é que não me permito estar estável em mim, naquilo que eu faço, sem ir para o backchat da mente de julgar a outra pessoa como superior ou como imbecil?
Em relação à experiência desta manhã, eu apercebi-me o quão perturbante foi ficar permeável aos pensamentos da mente porque a partir deste episódio estive menos focada, distraída e mais descoordenada. Levei alguns momentos a estabilizar-me com a respiração e a fazer paz com a muDANÇA, ver que havia MAIS lugares e realizar que "ter perdido o lugar" era irrelevante para o meu propósito de DANÇAR, me divertir e de seguir os passos. Escrevo aqui o perdão próprio e as afirmações de auto-correção para prevenir esta reação dentro de mim e esta auto-sabotagem no futuro.

Perdão-Próprio:
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sabotar a minha decisão de dançar com o episódio inesperado de ter "perdido AQUELE lugar na sala".
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que AQUELE lugar é um lugar num espaço que é a sala e que serve apenas o propósito de ter pessoas, sem necessidade de criar uma relação com AQUELE lugar.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar incondicionalmente estável em vez de absorver as ações dos outros e tomá-las como pessoais. Nisto, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido comparar a minha dança com a dança da pessoa que ocupou o meu lugar, o que mostra a competição da mente para manter esta luta dentro da mente contra a outra pessoa.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido levar a atitude da outra pessoa como uma ofensa e como uma "guerra aberta" ao ter ocupado o meu lugar. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar em guerras de competição dentro da minha mente e assim estar a criar separação física que na realidade não existe - eu vejo agora que estávamos ambas na mesma sala e que os lugares são criados onde quer que haja um espaço livre.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me pelo lugar onde eu estou em vez de viver a decisão de ser estável e ciente de mim em qualquer lugar e a qualquer momento.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na imaginação da mente de falar com a rapariga para sair do meu lugar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir com um "grrrrr" e submissão à vontade da outra pessoa, em vez de decidir dar-me direção-própria, observar um lugar livre e em senso comum criar a minha estabilidade, sem ficar "agarrada" à atitude da outra pessoa. 
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar imediatamente que a outra pessoa foi ruim e que fez de propósito para aproveitar o intervalo para ser gananciosa. Ao trazer o ponto para mim própria, eu vejo que EU estava  a ser gananciosa sobre aquele lugar e a considerar a hipótese de "ter o lugar de volta" no próximo intervalo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido dançar no lugar novo contrariada e pensar que o outro lugar era melhor porque via o espelho. Nisto eu apercebo-me que as conversas da mente criam mais distração e "estragos" do que o facto de não ver o espelho!
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido calar a mente e o conflito da mente para me permitir viver a decisão de SIMPLESMENTE estar ali, sem relações com o lugar ou com as pessoas, mas SIMPLESMENTE presente, em mim, física, a dançar!
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que se a outra pessoa tivesse comunicado comigo com um "desculpa" ou ao perguntar se eu queria aquele lugar de volta, então eu não ficaria chateada. Eu apercebo-me que o ponto de não ficar chateada é independente da atitude da outra pessoa. Nisto eu apercebo-me que QUEM EU SOU não é dependente de quem OS OUTROS SÃO.

Afirmações para auto-correção:
Eu comprometo-me a parar a sabotagem da mente quando vejo que estou a ser perturbada por um evento que não estava "agendado". Em vez de reagir, eu ajudo-me a procurar uma solução perante a nova situação e a garantir que me ajudo a estabilizar, em vez de agravar a situação dentro de mim!
Quando e assim que eu me vejo a lutar na mente contra uma pessoa que tenha ocupado o meu lugar, eu páro a mente e respiro. Eu apercebo-me que a luta da mente é uma luta comigo própria e que não é isto que eu quero para mim.
Quando e assim que eu me vejo a julgar-me como fraca porque eu não reajo com a outra pessoa, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a ver as coisas e agir em senso comum - se vir que é relevante falar com a outra pessoa eu falo, se não eu permito-me viver a decisão de não falar e de parar qualquer conversa na mente.
Quando e assim que eu me vejo a julgar a outra pessoa como "má", "ruim", "estúpida", "gananciosa", superior" (curiosamente associamos a ganância à ideia de superioridade), eu páro e respiro. Eu apercebo-me que na minha Vida sou eu quem decido quem eu quero ser a cada momento. Nisto, eu comprometo-me a não ser influenciada pela maneira como as pessoas à minha volta são - porque eu só somente responsável por quem eu sou e, portanto, não me permitirei fazer aos outros aquilo que não quero que seja feito a mim.
Eu comprometo-me a ser SEMPRE o exemplo para mim própria e portanto não me permitir estar instável ou reagir mesmo quando esteja perante uma situação de competição. Aliás, eu apercebo-me que só existe uma situação de competição se eu permitir viver em competição. Realizo que a competição começa em mim e que existe primeiro em mim e que, ao permitir existir competição em mim, vou acabar por projectá-la na minha realidade/nos outros.
Comprometo-me a estar ciente dos pensamentos de competição na minha mente e a parar esta PERSONALIDADE competitiva e de rivalidade que eu crio e participo na minha mente sem qualquer benefício para mim nem para a realidade à minha volta.
Comprometo-me a parar de ver as outras pessoas como minha rivais como se esta vida fosse um jogo de soma nula - eu apercebo-me que há lugar para todos se todos criarmos lugar para todos. Eu apercebo-me que ao criar a minha estabilidade e ao adaptar-me a dançar no meu novo lugar, eu fui o exemplo para mim própria. Comprometo-me então a ver sempre o senso comum da situação e em viver uma solução prática para mim e que seja também o melhor para nós todos em cada momento.
Quando e assim que eu me vejo a ser inflexível comigo própria (que é uma forma de amuo!) ao estar a julgar o novo lugar como prior que o anterior, eu páro este julgamento da mente e respiro... E continuo a dançar no/com o meu corpo físico.
Quando e assim que eu me vejo a culpar a outra pessoa pela minha instabilidade, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que culpar a outra pessoa é a "easy way" e que desejar que a outra pessoa resolva o assunto é uma ilusão da mente. Vejo que a única maneira de garantir que resolvo a minha instabilidade é ao tomar responsabilidade por mim e criar soluções para mim nesta realidade física 

Quando e assim que eu me vejo a desejar que a outra pessoa seja simpática comigo para eu ser simpática com ela, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta ideia de ser simpática é a ideia de agradar a outra pessoa, em vez de perceber que eu sou simpática com a outra pessoa no sentido de respeitar a outra pessoa e de comunicar sem reações.
Eu apercebo-me que a instabilidade da mente é uma mentira porque QUEM EU SOU ESTÁVEL COMO VIDA é incondicional e portanto a minha estabilidade como Vida não está dependente do "desculpa" da outra pessoa, ou de um sorriso. Eu comprometo-me a não me permitir estar à mercê nem da minha mente nem da mente/atitude dos outros.

Foto: Image courtesy of photostock / FreeDigitalPhotos.net


DIA 176: Pensei em beber após três anos sem álcool


Enquanto caminhava para casa dei por mim a pensar na sensação de descontração que eu tinha quando bebia bebidas alcoólicas. Não foi por acaso que esta ideia surgiu - apercebo-me que funcionou como um escape à exaustão sentida após uma semana de trabalho intenso. A minha mente saltou para imagens dos meus tempos de Erasmus, das longas conversas, da lata que eu tinha sob o efeito de álcool e foi como se nesse momento percebesse porque é que as pessoas desejam beber no final da semana - aparentemente o álcool anestesia as preocupações  durante algumas horas, como se se tirasse a carapaça de um peso às costas.
Esta foi provavelmente a segunda vez que pensei em álcool  desde que parei de beber há cerca de três anos, cuja decisão foi tomada no momento em que realizei que o álcool trazia supressões ao de cima sem qualquer direção - como se fosse uma realidade paralela que, ao passar o efeito, nada daquilo faz sentido porque não era real em mim. Ao ver que o hábito de beber álcool não me trazia a estabilidade que eu quero criar em mim, foi claro para mim que iria parar para sempre e que iria dedicar a minha vida a direcionar todos os pontos em plena sobriedade para realmente resolver os pontos/supressões em mim.

Vejo o álcool como uma forma de passar "paninhos quentes" e evitar ver as coisas como elas são, por isso o desejo de voltar a beber surgiu como uma alternativa ao meu cansaço do dia-a-dia. Foi como se a mente tentásse intervir na minha decisão de não beber e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para eu rever a minha posição em relação ao álcool. Curiosamente, estava a ter resistência em escrever sobre isto e em partilhar os pontos sobre o álcool no meu blog. Porquê? Porque beber é cool. Lembro-me das primeiras vezes que disse que não bebia álcool de todo, vi o ar espantado da pessoa à minha frente, como se fosse anormal não beber! Aqui em Inglaterra perguntaram-me se a minha religião não o permitia... Em Portugal pensavam que eu tinha aprendido a lição com um coma álcoolico ou coisa assim. Felizmente não foi preciso aprender a lição da forma  dolorosa - no entanto, lembro-me daquelas manhãs de ressaca horríveis em que passava horas a respirar na casa de banho para não vomitar e em que prometia a mim mesma que não tocaria em álcool nunca mais. Claro que estas palavras ficavam perdidas algures no tempo e voltava a beber ao sabor do momento, da festa e da companhia.
Nunca fui de beber para "partir" mas tinha a ideia que podia beber sempre mais e que aguentava! O momento em que me apercebi do quão prejudicial este hábito podia ser foi durante uma house party em Portugal há cerca de quatro anos. Apesar de estar com um namoro estável, permiti-me sentir uma espécie de atração por um rapaz que estava na festa - já nos conhecíamos há mais tempo mas foi como se naquele momento visse que podia haver mais qualquer coisa entre nós - e pelos vistos ele também estava interessado. A aparente liberdade de poder curtir com aquele rapaz não era real porque não existia antes de estar com o efeito de álcool! Como é que posso acreditar que há alguma liberdade na ditadura da mente sobre o corpo?

Apercebi-me que não estava a permitir-me dar-me direção em honestidade própria (e com o compromisso da minha relação com o João)e estava a desistir dos meus princípios de integridade e de responsabilidade.
A parte boa desta experiência foi o facto de ter aberto em mim a minha atenção para os efeitos do álcool na minha mente e permitir-me dar-me direção mesmo assim. Outra coisa curiosa de ver nesta experiência foi o padrão da imagem - aquele rapaz correspondia à imagem de perfeição da minha mente porque era loiro, de olhos verdes e estrangeiro... Posso dizer que resisti à tentação da mente, no entanto, sei que não resolvo os pontos se não escrever sobre eles e realmente me dedicar a viver a mudança. Nisto, apercebo-me que nunca tinha escrito sobre este episódio e que ainda estava a permitir dar asas a estas ideias e à associação entre álcool e sexo.

Aquele momento de flirt foi sem dúvida motivado pela energia da mente, pela energia do desconhecido, pela energia de fazer algo às escondidas, pela imaginação e pela energia de sair da minha vida rotineira - no entanto, também isto são personalidades passageiras porque não se mantém depois do efeito passar. Por isso, nada disto dura. A verdade é que eu não posso sair da minha Vida rotineira, mas o que eu posso fazer é recriar a minha vida, conhecer-me e mudar-me nos pontos/hábitos que requerem mudança para me tornar uma pessoa melhor para mim e para os outros.
Por isso, volto a rever a minha decisão de não me permitir ingerir álcool no meu corpo e comprometo-me a ser assertiva na minha decisão.

No próximo artigo irei escrever o perdão próprio e escrever a solução para cada vez que estes pensamentos surgem.

Foto de Malin Olofsson http://malingunilla.blogspot.com/



Dia 166: Não aceitar andar aos altos e baixos...



É uma questão de consistência baseada em viver a decisão de parar de andar aos altos e baixos, a começar pela minha estabilidade/consistência  interior (respiração) - externa (ação).

Eu perdoo-me por aceitar e permitir que o meu processo, aplicação e direção tenha altos e baixos.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que qualquer instabilidade (altos e baixos) na minha aplicação e dedicação no meu processo é sempre responsabilidade minha.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido parar de acumular coisas por fazer e focar-me em realmente mudar a minha açção/direção para ser assertiva comigo própria e fazer aquilo que está mesmo aqui ao meu alcance - ao fazer uma coisa de cada vez, focada, a cada respiração e em total auto-confiança.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido usar a desculpa de "estou muito cansada" ou "hoje já trabalhei imenso" ou faço amanhã" para evitar manter a minha consistência pessoal e em dedicar-me ao meu processo em honestidade própria.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a justificação do "não me apetece" é uma justificação da mente baseadaem energia e baseada no padrão de fazer coisas ligadas à excitação da novidade ou da recompensa.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que ao dedicar-me à minha consistência no meu compromisso de escrever todos os dias, ou de trabalhar todos os dias, ou de me alimentar todos os dias, ou de respirar a cada momento, é de facto viver o meu compromisso de vida e de tomar conta de mim como Vida.

Quando e assim que eu me vejo a usar desculpas de "não ter tempo" para manter o padrão de"adiar" as minhas coisas, eu páro e respiro.
 Eu apercebo-me que esta ideia que "eu não tenho tempo para mim" é um engodo da mente porque na realidade é tenho a oportunidade de dar-me a mim própria e de me auto-ajudar a cada momento a estar ciente da minha respiração/corpo.

Quando e assim que eu me vejo a ver que as coisas estão a desmoronar-se, eu páro e respiro. Eu realizo que sou capaz de parar esta tendência de passar de altos e baixos ao parar de participar na procrastinação da mente. Quando e assim que eu vejo a sabotagem da mente a desencorajar-me de tomar decisões e de viver as decisões, eu páro, eu respiro e eu foco-me na minha ação de maneira a ser plenamente eficaz nas coisas que eu faço.

Eu dedico-me a puxar por mim de cada vez que vejo resistência em manter a minha consistência. Para isso, eu comprometo-me a fazer exactamente aquilo que acabo por deixar "para a última", como por exemplo, escrever diariamente, fazer vlogs, traduzir produtos da eqafe, tomar notas no meu caderno e a fazer os exercícios do DIP.

Eu comprometo-me a começar por praticar a minha consistência nas coisas que em honestidade própria eu vejo que tenho estado a procrastinar.  Eu apercebo-me que, se a procrastinação/preguiça da mente é contagiante, vou então inverter esta situação e dedicar-me a recriar uma disciplina de dedicação física a fazer por mim aquilo que é o melhor para mim.



DIA 165: Desejo pela perfeição que não passa de uma imagem


Até agora tenho andado numa corrida constante comigo mesma e que só recentemente me apercebi que podia ser vencida - não por participar nela, mas por mudar a minha atitude para comigo mesma. Ou seja, até recentemente acreditava que as imagens da mente serviam um objectivo a seguir, como se fosse um guião que realmente me ditava aquilo que eu podia ou não fazer, aquilo que era certo e errado, o resultado das minhas ações e a noção de tempo que as coisas levavam. Foi através deste último elemento - o tempo - que me comecei a aperceber da luta que se passava em mim que a ninguém beneficia. Não é por acaso que as imagens da mente são frequentemente desfasadas da realidade, ou que sentimos a frustração de não conseguirmos realizar as coisas que foram idealizadas na mente. Mas este desejo de ser-se visionário e de se trazer para esta realidade aquilo que vai nas mentes humanas é perigoso e doentio - o tempo da mente NÃO é o tempo físico, a força da mente não é a força física, a velocidade da mente não corresponde àquilo que é sustentável aos corpos físicos. Ao seguirmos a velocidade da mente estamos a massacrar o nosso corpo - sinais de stress no meu corpo e uma sensação repentina quando o coração começa a bater demasiado depressa, ou quando atropelo as palavras por querer falar tão rápido como as palavras que voam na mente. Todos estes são indicadores de desfasamento com a realidade física e com o MEU corpo físico! Quantas vezes não estamos aqui e a nossa mente noutro lugar qualquer? E se não estamos atentos ao nosso corpo, como é que garantimos que tomamos conta de nós próprios? A resposta é simples e ao mesmo tempo desafiante - conseguir estar ciente da respiração a cada momento que passa.
As imagens de aparente perfeição da mente não são reais - Tomemos como exemplo a simples ação de cozinhar - penso em fazer o jantar em 20 minutos e, na minha mente, os tais 20 minutos dão perfeitaMENTE para fazer tudo. O que acontece é óbvio: passados 20 minutos, olho para o relógio e reajo comigo própria porque não fui rápida o suficiente. Começo a pensar que não sou suficientemente boa na cozinha, que cozinhar é uma perda de tempo e que alguém vai estar à minha espera porque eu tinha dito que só demorava 20 minutos. De um momento para o outro, a esperança de conseguir fazer tudo em 20 minutos passa a ser uma corrida contra o tempo e contra mim própria. Estou a contar os minutos enquanto corto com uma faca (err, não é boa ideia), reajo com aquele que me relembra que já passaram 20 minutos e começo a pensar que para a próxima encomendo uma pizza. Nãaaaaao! Aquilo que supostamente era uma imagem de perfeição - preparar os legumes e fazer uma sopa do princípio ao fim em apenas 20 minutos tornou-se num pesadelo de stress e de obrigação. A certa altura já não estava presente, já não me estava a divertir, já não me estava a dedicar. Comecei a sabotar a minha expressão a participar no arrependimento de ter começado sequer a cozinhar  e a culpar tudo à minha volta por me estar a atrasar, mas fui só eu quem permitiu criar tal limitação em mim própria.

E como estes há muitos exemplos de como seguir-se a ditadura da mente não beneficia ninguém. Os altos e baixos de esperança VS frustração e stress são auto-destrutivos. E tenho visto que até agora a minha vida tem sido composta de altos e baixos baseada nesta corrida atrás das imagens da mente que eu tenho acreditado ser o máximo que eu posso e devo fazer.

Quem eu sou fora da mente? Como é que eu agiria se estivesse ciente do tempo que eu realmente levo a fazer as coisas fisicamente? Quão rápida sou se estiver plenamente focada na minha ação física e não nas conversas da mente? Tenho dado a resposta a mim própria ao estar focada na minha respiração. Nisto, tenho-me apercebido que quanto mais física eu estou (ciente do mundo à minha volta, ciente da minha respiração, ciente das minhas ações), mais me dedico à minha ação e por isso mais gozo tenho ao fazê-la, como se a minha ação fosse uma continuação de mim própria em estabilidade.

Estas realizações e a aplicação da respiração no meu dia-a-dia têm sido essenciais no meu emprego que requer a gestão de vários projectos ao mesmo tempo e uma total dedicação na preparação de todos os detalhes para que seja tudo tomado em consideração. It is a work in progress / in process...

Reparo também que a minha comunicação está a ser mais clara porque já não ponho cá para fora os pensamentos soltos da mente - em vez disso, eu primeiro procuro compreender aquilo que se passa e, depois, sou capaz de comunicar e explicar com clareza.
O mesmo acontece com a velocidade da fala - lembro-me de ouvir o João dizer  que às vezes não percebe aquilo que eu digo porque eu engulo as frases ou porque faço com um comentário "vindo do nada". Quando isto agora se passa, em vez de reagir ofendida, eu comprometo-me a tomar esse alerta como um apoio para que eu me foque na minha respiração e que não tente seguir desalmadamente a mente - em vez disso, eu dou-me direção a cada respiração, dedico-me a dizer cada palavra com clareza, a realmente estar ciente das palavras que eu estou a dizer/viver e a falar um e igual à velocidade dos meus lábios e língua.

A mente serve então de indicador do meu estado pessoal para que eu veja os medos que ainda permito em mim, veja as noções e ideias que criei para mim própria e veja os padrões em que eu tenho participado - Ao realizar que a mente não é o melhor de mim e não me traz a estabilidade e perfeição na minha vida, eu comprometo-me a usar estes indicadores em auto-ajuda para finalmente ver onde é que posso/tenho de mudar para o meu próprio bem/para a minha criAção em estabilidade e real perfeição física.



DIA 163: Entretida com as desonestidades dos outros...


Aquilo que julgo nos outros é um espelho daquilo que eu julgo em mim.
Este estado de "cansaço de ver e ser padrões" é um indicador de instabilidade própria que eu mesma estou a criar em mim.

  • Porque é que me afecto com os padrões que eu vejo nas pessoas à minha volta?
  • Porque é que eu procuro ver soluções para os padrões dos outros e não para os meus?
  • Porque é que a minha estabilidade de auto-direção e a minha aplicação não são uma constate?

Ainda dou por mim a acreditar neste jogo da mente e a sentir vergonha "do outro", quando em honestidade própria apercebo-me que é de mim que tenho vergonha, que é a imagem de mim que julgo, e que é assim que me estou a massacrar e a criar separação.  No meio da informação constante e da agitação de um dia-a-dia citadino acabo por muitas vezes me distrair do meu processo e passo para o lado da mente, que funciona como um olho que tudo quer saber e que tudo julga! A outra coisa que me tenho apercebido é que eu crio separação com as pessoas à minha volta porque existo em separação comigo própria, a começar pelos julgamentos próprios, pelas ideias que projecto nos outros, pela minha ideia de como as coisas devem ser e pela imagem que eu desejo projectar para os outros.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser afectada e influenciada pelos padrões que eu vejo à minha volta e acabar por comprometer a minha vida ao querer intervir e resolver o problema do outro.

 Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que ocupar-me com os pontos dos outros é uma forma de não olhar para mim e portanto manter-me entretida com a vida dos outros, enquanto que aquilo que eu posso e devo mudar (- eu!) não o faço.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido focar-me nos meus padrões da mesma maneira que analiso e vejo os padrões nos outros.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver a solução para os meus padrões e permitir-me Ser essa solução, ao direcionar-me em honestidade própria e realmente aplicar-me a mudar os padrões em mim a cada momento.
  
Eu comprometo-me a dedicar a minha atenção a resolver os padrões em que eu tenho participado. Por experiência própria (e ao ver o estado do mundo) eu apercebo-me que estes padrões não são o melhor para mim e não me permitem ser/criar-me em estabilidade.

Eu dedico-me a escrever, a analisar e a questionar-me sobre cada ponto que identifico como desonesto, e comprometo-me a aplicar as minhas realizações na prática. Quando e assim que eu vejo um padrão a manifestar-se na minha realidade, eu páro e respiro. Nesse momento, eu apercebo-me que tenho as "ferramentas" para me direcionar e não me permitir ser dis-traida pela mente.

Quando e assim que eu me vejo entretida a pensar nos padrões das outras pessoas, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que se eu vejo o padrão é porque esse mesmo padrão existe em mim! Logo, eu dedico-me a analisar e a ver onde é que eu estou a participar nessa personalidade e ajudo-me a ver como é que eu posso mudar esse ponto em mim de modo a tornar-me numa melhor versão de mim própria.

Realizo também que a melhor maneira (ou a única) de ajudar os outros é a ser a mudança e a viver como um exemplo de VIDA (honestidade própria) para mim mesma no meu dia-a-dia. Vejo também que para me mudar tenho primeiro de saber aquilo que tenho de mudar - para isso, parar e respirar é uma ótima ajuda para parar o rodopio da mente e dar-me espaço para ver aquilo que eu estou a fazer a mim própria. Estar ciente do meu processo, estar ciente das minhas desonestidades próprias e estar ciente da minha mente é essencial para perceber aquilo e COMO é que eu posso mudar.
A honestidade própria  é trabalhada e praticada. Quanto mais eu escrevo, quando mais eu leio sobrehonestidade própria e quanto mais eu me dedico ao processo, mais fácil é direcionar-me, expandir-me e muDar-me.


Ilustração: “When Can I Just Relax” – An Artists Journey To Life: Day 228
http://anartistsjourneytolife.wordpress.com/2012/12/29/when-can-i-just-relax-an-artists-journey-to-life-day-228/