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DIA 258: A Nossa Gaiola Dourada... e a Culpa no Prazer

Sempre que estou em Portugal ou com familiares apercebo-me de maneiras de pensar e de agir que eu julgo como sendo limitadoras, normalmente baseadas naquilo que os outros pensam, e nunca pondo o seu bem-estar em primeiro lugar (nem em segundo, nem em terceiro). Mesmo quando há oportunidade para se sair da toca, descontrair e usufruir de algo gratificante, há uma força invisível de medo que o momento acabe ou que não se repita, ou que não se mereça o melhor, ou sentir-se culpado porque outras pessoas não estão a experienciar o mesmo. Uma amiga minha chamou a este fenómeno a "culpa no prazer".  

Recentemente vi estes padrões auto-destrutivos e de pouco amor-próprio no filme de Ruben Alves "La cage dorée" (A gaiola dourada) que retrata as peripécias de emigrantes Portugueses em Paris,  e questionei-me sobre a nossa aceitação (pessoal e nacional) de vivermos para os outros, sem controlo sobre as nossas vidas, e em modo de vitimização.

Tanto lá fora como cá dentro, há na nossa cultura uma constante angústia intervalada por breves momentos de descontração no café da esquina ou em frente ao ecrã da bola, para depois se voltar a falar dos problemas (normalmente dos outros) e mais uma vez esquecer-se de si próprio. Por muito honestos que sejamos, aquilo que faz da nossa vida uma prisão é a falta de honestidade própria sobre quem somos e quem queremos ser.

Dei por mim a sentir-me claustrofóbica, assustada e a julgar as personalidades que via passar no ecrã por perceber que estes padrões existem de facto e que afectam a vida das pessoas brutalmente - mas mais do que as peripécias que acontecem ao casal Ribeiro, esta foi uma oportunidade para investigar como eu também crio a minha própria gaiola, consciente ou inconscientemente. Sugiro que faças o mesmo por ti.

Algumas das minhas reações foram: apatia e medo em dar direção à minha vida; o medo de desapontar alguem com a minha decisao; a culpa por fazer algo benéfica para mim; o aparente conforto na vitimização e no desconforto; e a energia da fofoquice.

Nos próximos artigos irei desconstruir cada um destes padrões e ver como é que eu posso mudar a minha relação com estes hábitos e automatismos culturais. Por agora convido-vos também a ver o vlog sobre a minha experiência enquanto via o filme. E já agora subscreve o meu canal :)



DIA 220: As relações que criamos com o mundo à nossa volta

No fundo, em honestidade própria, cada um de nós sabe aquilo que fez e aquilo que não fez para que algo corresse de determinada maneira. Embora eu até há alguns anos atribuísse grande parte das minhas experiências à invisível mão e vontade de Deus, mesmo nessa altura eu conseguia ver o que é que eu andava a criar na minha mente secreta, como se escrevesse um guião de possibilidades e, quando estas se realizavam, eu fazia duas coisas: ou culpava-me (caso o evento fosse negativo), ou glorificava Deus pela ajuda (caso fosse um evento positivo). Agora pergunto-me: o que é que esta relação de polaridade me diz sobre aquilo que eu tenho aceite e permitido em mim própria? Porque é que eu não confio naquilo que eu decido fazer e naquilo que eu não decido fazer? Apercebo-me que a culpa contra os outros surge quando não confio plenamente em mim, e ao não confiar em mim estou a desrespeitar-me como Vida que sou. Ao mesmo tempo, vejo que a procura de justificações é uma continuação da projeção da culpa, quando afinal tem tudo a ver com a relação que eu estabeleço primeiramente comigo e depois com as coisas à minha volta.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me com as emoções que eu própria criei ao aceitar e permitir determinadas relações em mim, tais como a relação de submissão, de sacrifício e de culpa e de vítima.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que as emoções são os laços que me prendem ao passado e que com isso eu não me permito ver a minha realidade em honestidade própria e perceber aquilo que eu estou a criar dentro de mim própria.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido parar a mente, abrandar e dar-me tempo para me conhecer, para perceber como é que a minha mente funciona, perceber as relações que eu criei comigo própria e depois com os outros.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar uma relação de sabotagem comigo própria, em que nos meus pensamentos saboto as minhas própria ações e acabo por criar uma realidade contra a minha própria estabilidade, visto que na minha mente criei já a imagem de instabilidade/desigualdade e aceitei como esta sendo real.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido confiar em mim própria incondicionalmente e por isso garantir que tudo aquilo que eu faço é em cooperação comigo própria, sem medos, nem imagens do futuro, nem esperanças, nem (des)ilusões - eu sou o caminho que ando para/por mim própria a cada passo, eu sou o corpo que vive a cada respiração, eu sou a vida que eu crio a cada momento.

Apercebo-me que ao "alimentar-me" dos pensamentos eu estou a distrair-me de mim própria e daquilo que existe à minha volta, ou seja, distraio-me daquilo que é o meu potencial de recriar quem eu sou e recriar a minha realidade. Quando e assim que eu me vejo a definir-me pelas relações que eu criei comigo própria e, consequentemente com os outros, eu páro e respiro. Ao abrandar a mente, eu permito-me ir ao fundo das relações, perceber a origem da relação, ver o padrão, escrever o perdão-próprio e auto-ajudar-me a puxar por mim para mudar a relação comigo própria/com os outros.
Quando e assim que eu me vejo a pensar nas memórias associadas a uma relação passada, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a não deixar distrair-me com imagens nem com emoções e comprometo-me a ser "fria" com a mente e a ser directa comigo própria - o meu objectivo neste processo é limpar a minha mente e recriar-me como Vida na minha expressão máxima que é o melhor para mim e o melhor para os outros.
Quando e assim que eu me vejo a reagir nas minhas relações com o mundo à minha volta, eu páro e respiro. Sendo que as relações com o mundo à minha volta são um espelho das relações que eu tenho comigo própria, eu permito-me questionar-me em honestidade-própria porque é que eu estou a reagir e permito-me ser franca para ver o padrão da relação (do ego) que eu permiti criar dentro de mim.
Quando e assim que eu me vejo a entrar na bola de neve dos julgamentos-próprios sobre aquilo que eu devia ou não devia ter feito, eu páro e respiro. Por experiência própria eu realizo que as memórias são também uma manipulação que eu permiti em mim própria e que espelha a relação que eu permiti existir em mim/na minha vida. Por isso, em vez de "acreditar" na manipulação da mente, eu páro, respiro, permito-me estar ciente da minha presença aqui e dedico-me a aplicar as técnicas de escrever o perdão-próprio sobre os julgamentos da mente e com isso abrir a minha mente "secreta" para me libertar e corrigir os laços/prisões que só eu criei para mim própria!
Eu apercebo-me que, por ter matutado sobre estas relações e manipulações, eu acabei por acreditar que aquilo que se passa na minha mente sou eu. Realizo que aquilo que se passa na minha mente não é o melhor para mim e portanto é da minha responsabilidade dar-me direção a cada momento para garantir que o o meu Desteni é criado por mim com base no senso comum, igualdade e honestidade própria inerentes à Vida que realmente sou e tudo é.



DIA 217: A Ansia da Idade

Será que é possível que quanto mais velha sou mais paranoias tenho? Eis o efeito da acumulação da mente, a cada passo, em cada pensamento, em cada imagem da mente... Até tomar responsabilidade por quem eu sou, por aquilo que eu penso, pelo que eu digo.
Uma das ânsias da idade é a de se perder o que se tem: quer seja a perda do parceiro, a perda de dinheiro, a perda do emprego, a perda de cabelo, a perda de dentes, a perda de memória, a perda de atenção dos outros O medo da perda é tão cego que nem conseguia ver o que ando a perder Aqui Em Mim se eu não estiver ocupada em pensamentos. Vou então aplicar a técnica de trazer este problema para mim própria, ou seja, investigar onde é que eu participo exactamente neste padrão que é a ânsia de perder aquilo que eu tenho. A ansia de perder o João como parceiro, a ânsia de perder a saúde, a ânsia de perder a motivação, a ânsia de perder esta oportunidade de me mudar. Curiosamente, facilmente se substitui a palavra ansia pela palavra medo. Mas porque é que eu tenho medo de perder o João como meu parceiro se estamos juntos? Mas porque é que eu estou a participar no medo de perder a saúde se é exactamente esta ansiedade que me desequilibra o organismo? Porque é que tenho medo de perder a motivação que na realidade é uma energia baseada na polaridade positiva e que portanto nem sequer é real? Porque é que ainda me permito participar no medo de falhar no meu processo de Vida, quando é exactamente nesta vida aqui e agora que eu tenho a oportunidade de aplicar a mudança em mim?
Este texto veio no seguimento de uma realização brutal que é: quando eu culpo alguém sobre alguma coisa que eu pense ou sinta, esta culpa não mais nem menos do que um mecanismo para eu não ver a relação que eu estabeleci comigo própria e portanto não criar a oportunidade de me recriar/corrigir.

A continuar a escrever...

Ilustração: Love is the Light that Hypnotize, Blind to the Fear that Paralyze

www.desteni.org
www.equalmoney.org - the real Light of the World - that Lightens everyone's Load through removing Fear


DIA 212: Auto-culpabilização e dura comigo própria



No seguimento destas minha andanças recentes, apercebo-me da solidariedade quando se fala de coisas do peito ou de zonas intimas do corpo, como se fosse ainda um tabu, mas vejo então que esta resistência para se falar nestes tópicos tem a ver com o medo de se “apanhar” a doença. Eu própria estava a participar no medo de falar sobre este assunto por medo de agravar a situação, como se só uma notícia mais grave fosse merecedora de um blog!

Afinal, isto não é daquelas coisas que só acontecem só "aos outros". Está aqui na minha realidade e eu tenho as ferramentas para andar este processo, passo a passo.

Mesmo antes de saber que este carocinho no peito se tratava de um quisto inflamado, comecei a aperceber-me do padrão da auto-vitimização e da tendência para me sentir culpada das coisas que acontecem na minha realidade. Mas participar no padrão da culpa não é produtivo e acabo por ser dura comigo própria.

Vejo então que agarrar-me à culpa é uma forma de evitar tomar responsabilidade e olhar para soluções práticas para aplicar correção imediata – por exemplo, começar a acalmar no trabalho, ser prática, fazer uma coisa de cada vez, desacelerar os pensamentos na minha mente, parar os medos, tomar decisões que sejam o melhor para mim, cuidar do meu corpo, respirar e relaxar.


Uma armadilha da mente até agora tem sido o de projectar a culpa nos outros, embora seja tal e qual um espelho de mim própria. Lembrei-me da expressão religiosa do “mea culpa” e vou tomar esta oportunidade para PARAR de participar na facilidade aparente da culpa. Por exemplo, em relação ao meu quisto, a culpa não é do meu emprego per se, porque não é o trabalho que gera o meu stress – Sou eu que permito (ou não) criar a ansiedade e acomodar-me ao estado de stress. Eu apercebo-me que sou responsável por investigar os pensamentos de culpa dentro de mim e ajudar-me a mudar a minha relação comigo própria, em AUTO-SOLIDARIEDADE e aplicar soluções na minha realidade!


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido habituar-me a culpar-me e a ser dura comigo própria quando algum acidente acontece ou alguma coisa corre fora do planeado, sem ver que ao culpar-me e ao ser dura comigo própria eu estou a criar novos problemas na minha mente.


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sentir-me culpada pelas coisas que acontecem à minha volta como se tivesse a perder o controlo, em vez de perceber que posso tomar responsabilidade pela minha vida sem participar na reação de culpa.


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido projectar a culpa para algo fora de mim, quando afinal o padrão de culpa não tem de existir em nada nem em ninguém. Apercebo-me que este padrão de culpa é um auto-massacre baseado em justificações sem realmente olhar para o problema e soluçõesn em plena responsabilidade, claridade e direção-própria.


Apercebo-me que ao simplesmente culpar-me pelas coisas, eu estou a evitar dedicar-me a uma solução prática e duradoura, como se fosse mais fácil culpar-me para “não pensar mais nisso”. No entanto, o padrão da culpa funciona. Em vez disso, eu posso e devo perdoar-me pela acumulação de culpa e dedicar-me a aplicar uma solução prática para o problema.


Quando e assim que eu me vejo a participar no padrão da culpa, tanto contra mim mesma ou a projectá-lo em algo ou alguém, eu páro e respiro.

Em vez de alimentar a culpa, eu procuro investigar em mim porque é que o sistema da culpa surge – e quais são as soluções reais que eu estou a suprimir em mim.


Quando e assim que eu me vejo a agarrar-me ao sistema da culpa como se isso fosse redimir-me das coisas que eu faço ou que eu não faço, eu páro e respiro. Em vez de querer mudar o passado, eu dedico-me a mudar-me no presente, a recriar a minha relação comigo própria em TOTAL COOPERAÇÂO. Eu apercebo-me que a culpa não tem qualquer efeito a não ser criar ansiedade em mim e separação comigo própria.


Ilustração: Andrew Gable

DIA 210: Cenários na nossa própria mente: Regresso ao Passado


Hoje ouvi uma entrevista de uma pessoa que passava imenso tempo a reflectir na mente sobre a sua vida, sobre o futuro, sobre a vida dos filhos, sobre os seus medos, quando afinal teria sido mais eficaz se, em vez de passar tempo a divagar na mente, tivesse de facto criado e participado mais na sua própria vida. Um exemplo interessante que esta pessoa dá tem a ver com os pensamentos e preocupações que ela tinha em relação aos filhos, quando na realidade ela tinha de aceitar "deixá-los ir" e que não podia viver por eles.
Ao trazer este ponto para mim, vejo como também eu despendo tempo a pensar em várias hipóteses e cálculos sobre o futuro, quando afinal às vezes basta escrever sobre as minha dúvidas para me esclarecer, ou fazer uma pergunta ao outro para ter a certeza em vez de imaginar a resposta, ou falar com outra pessoa para ouvir uma outra perspectiva fora da minha mente, ou mover-me fisicamente e parar de perder tempo na mente.
Um exercício interessante para se fazer, em vez de nos deixarmos embalar pelos pensamentos, é começar a escrever sobre os pensamentos que surgem nas nossas mentes - isto ajuda a estabilizar-nos e a sermos realistas porque vários pontos são considerados (fora da mente que só vê aquilo que quer)
Partilho então o perdão-próprio no seguimento do artigo de ontem e da realização de hoje.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que as projecções e as imagens da mente são realmente imagens do meu futuro ou de potenciais momentos do futuro, em vez de perceber que a mente é baseada no passado e que é um espelho de memórias tecidas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido abdicar da minha responsabilidade de criar a minha vida e de me mudar. Vejo que se seguir a mente irei estar sempre a seguir os padrões do passado.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar-me com base nas imagens da mente sem realmente investigar de onde é que estas imagens/desejos/aspirações surgiram, em vez de tomar responsabilidade pelas minha decisões/ações com base na minha direção, tendo em conta a minha realidade física e a realidade dos outros à minha volta.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar no "futuro" que me é "mostrado" na minha mente e acreditar ser uma escrava da mente que tenho de seguir e copiar estas imagens - imagens e memórias que  por sua vez são baseadas naquilo que eu vi, naquilo que eu copiei, naquilo que eu fiz e obedeci no passado.
Curiosamente, vejo pela primeira vez que provavelmente nunca imaginei como certos momentos do passado pudessem definir quem eu sou na idade adulta. Por isso, vejo então que a "culpa" não foi do evento per se, mas foi do valor que eu permiti dar a esse momento e ao qual me agarrei por não conhecer mais nada para além da minha mente. É agora momento de largar estes valores e dar valor à Vida que Eu sou e recomeçar a cada momento em auto-correção, a criar uma nova relação (acordo) comigo própria. Eu comprometo-me a fazer todas as minhas coisas estando ciente de mim e ciente das minha ações, e trabalhar com o que está aqui, sem me limitar com os julgamentos, memórias, cenários ou medos da mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido  criar julgamentos sobre mim própria com base nalgum comentário que me tenha sido dito por outra pessoa.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me de acordo com os julgamentos da minha mente/da mente dos outros e descartar a minha responsabilidade de lidar com os meus próprios julgamentos, perceber as origens, perceber o que é que estes julgamentos suprimem. 
Eu apercebo-me que culpar a outra pessoa por qualquer coisa que eu me permita sentir ou pensar é uma forma de evitar perceber a origem do meu problema e evitar tomar responsabilidade por me ajudar a ultrapassar as auto-definições/limitações da minha mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar cenários negativos para mim própria sem ver que estes cenários geram energia de ansiedade, medo e stress e que eu apenas me habituei a viver sob esta pressão continua, a evitar que algo de mau aconteça, porque aparentemente este estado de ansiedade e insegurança é a única coisa que eu conheço/permito.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar (e até rezar) que coisas positivas/boas aconteçam de forma a não pensar momentaneamente nos cenários negativos. Eu apercebo-me que estes desejos da mente são também baseados em medo do negativo e baseados no desejo de controlar o futuro para corresponder à minha imagem positiva. Vejo que este padrão é outra fonte de stress e de pressão constantes.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter medo da minha própria mente e das imagens que eu própria crio ou alimento na minha própria mente, que é uma forma de masoquismo. Ao mesmo tempo, apercebo-me que qualquer reação que eu tenha sobre cenários positivos ou cenários positivos é outra forma de sabotagem e de definir a minha realidade nessa polaridade.
Em vez disso, eu posso ver as imagens da minha mente e decidir por mim e em senso comum aquilo que é o melhor para mim nesta realidade física, sem  me sentir obrigada a seguir a mente.

Quando e assim que eu me vejo perante um cenário negativo/de dor na mente, eu páro e respiro. Eu estou agora ciente que estas imagens são uma desilusão, possessão e distração. Eu ajudo-me a permanecer na minha realidade física e posso investigar qual é o padrão de medo por trás destas imagens. Ao investigar os sistemas da minha mente, eu dedico-me a expandir sobre isso na escrita e no perdão-próprio e a libertar-me destas prisões de pensamentos que eu tenho construído dentro de mim.

Quando e assim que eu me vejo a participar num cenário da mente (quer positivo quer negativo) como se fosse um filme a passar dentro de mim, eu páro e respiro. Eu ajudo-me a realizar que estes cenários não são reais e que só existem na minha mente porque eu os permito. Comprometo-me então a deixar estas imagens e, ao parar estas imagens/cenários, eu começo a recriar a minha realidade aqui, com base na vida física e nas ações que são viáveis. Apercebo-me também que os cenários da mente são uma mentira porque só algumas imagens estão disponíveis (normalmente quando há uma carga emocional) e que a mente está limitada pelo meu passado.

Quando e assim que eu me vejo a culpar alguma pessoa pela carga emocional que eu coloquei num evento, eu páro a culpa e respiro. Eu realizo que a carga emocional que eu permiti foi da minha responsabilidade e pela qual me tenho limitado todo este tempo.
Quando e assim que eu me vejo a guardar esta emoção/memória como forma de proteção para não me permitir cair na mesma "armadilha", eu páro e respiro. Vejo também que me habituei a ter estes medos/reações e que é uma forma de conforto porque "acabei por saber lidar com isto", em vez de realmente parar a relação de medo dentro de mim própria. Eu realizo que esta luta interior é uma forma de separação comigo própria porque é baseada no desejo mudar o passado. Quando e assim que eu me vejo a sentir-me culpada por aquilo que me foi dito como se eu merecesse sofrer, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a restabelecer uma relação de confiança e de honra comigo própria sem ser baseada em ser superior, mas simplesmente em estar um e igual à Vida que eu/todos somos.
Eu apercebo-me que cada memória/emoção/apego às coisas tem a ver com um ponto que não quero largar, por me ter definido pela minha mente. Eu apoio-me a ver que este processo trata-se de remover estes sistemas de personalidade baseados em julgamentos, autodefinições, ideias cujas consequências são contra quem eu Sou como Vida e como a minha vida estável aqui.

Eu apercebo-me que me estou a perder como vida de cada vez que participo na mente e de cada vez que deixo a mente decidir por mim, em vez de me dar a oportunidade de mudar/aperfeiçoar quem eu sou a cada respiração. Dedico-me então a praticar tomar decisões com base na realidade física, ao considerar todos os pontos e em garantir que faço aquilo que é o melhor para mim, e que pratico essa ação em estabilidade própria, sem esperança nem medo do futuro. Aquilo que é necessário aqui sou eu, ciente de mim, de quem eu sou nas minha ações e nas minhas relações com os outros/relações comigo própria. Ao estar ciente de mim própria, vejo que sou capaz de ser humilde para reconhecer os pontos a aprender/corrigir e estar confiante de mim a cada momento, em plena responsabilidade pela criação da minha realidade.

Ilustração: Capa da Entrevista da Eqafe

DIA 203: De onde vem esta necessidade de me defender? (Ver com os olhos da mente...)


Hoje apercebi-me da sensação  de pânico em  mim quando o meu director me perguntou se tinha feito uma tarefa - Comecei a responder ao email imediatamente, como se a cada minuto crescesse a sensação de injustiça dentro de mim.
Ao mesmo tempo, apercebi-me que estava a participar na frustração por estar a haver uma falta de comunicação entre as pessoas da equipa e por isso acreditei ser a salvadora!
Mas agora pergunto-me: - De onde é que esta necessidade de me defender vem? Se eu fiz aquilo que era suposto fazer, para quê reagir a uma simples pergunta?
Um dos pontos por trás do pânico tem a ver com a ideia/medo que alguém desconfie do meu trabalho e por isso reajo para me afirmar . No entanto, vejo agora que esta reação é inútil porque o próprio medo daquilo que o outro possa pensar do meu trabalho é inútil, especialmente quando em honestidade-própria eu estou ciente que fiz aquilo que havia a fazer.
Esta atitude serve então de redflag para analisar esta necessidade de me afirmar/defender e a ideia que estou a ser acusada ou alvo de uma injustiça, e que mais uma vez este é um indicador que estou a ver a minha realidade pelos olhos da mente. Neste processo dou-me a oportunidade de conhecer aquilo que se passa na minha mente e assim ajudar-me a emendar estes pontos e a criar a minha própria estabilidade incondicional. Amanhã continuarei a analisar as emoções/pensamentos que surgiram daquele episódio e incluir o meu perdão-próprio e plano de correção.

DIA 200: A auto-derrota mental


Foi "preciso" passar pelo desespero/stress de bater no fundo para decidir parar este padrão. Lembro-me de ouvir um Professor da faculdade dizer que às vezes era preciso bater com a cabeça na parede para aprender e ver a parede que está mesmo à nossa frente - neste caso não se trata de uma parede física mas de uma barreira mental que me bloqueia a visão. Ontem dei por mim a ver o diálogo da minha mente sobre "Isto é demais para mim", "não consigo" e a tentar encontrar justificações na mente para defender esta reação interna - a verdade é que, mesmo que eu culpe algo ou alguém, a raiva continua em mim e é a mim que estou a prejudicar (e consequentemente os outros/o mundo à minha volta claro). No seguimento desse diálogo auto-derrotador, eu perguntei-me: - mas porque é que quando eu falo com os outros quero dar a entender que está tudo bem e que é tudo mais simples, mas depois na minha mente penso que é tudo em demasia e muito complicado (referia-me aqui à minha carga de trabalho semanal). E nesse momento vi que eu não precisava de alimentar este diálogo dentro de mim, nem de me "mandar abaixo" ou pisar-me, e é este o efeito que estes pensamentos têm em mim - repisar nas decisões, repisar naquilo que me é dito, repisar sobre aquilo que eu fiz ou não fiz, e continuar a bater na mesma tecla em auto-destruição. E isso é demais; torna-se tudo mil vezes mais complicado e parece que o mundo está contra mim  (claro que para aqueles cientes do Processo percebe-se imediatamente que este "mundo" é o espelho de mim própria.)
Por isso, naquele momento decidi deliberadamente parar os pensamentos e ver o que é que acontecia ao pará-los - experienciei então  leveza, como se tivesse pousado uma mala e continuásse a andar -  e continuei a andar, porque de facto não preciso destes pensamentos da mente e sou capaz de ver as coisas sem (me) complicar.

Não me lembro da altura em que os pensamentos de derrota se instalaram em mim mas apercebo-me que é um programa automático para o qual eu tenho tendência de ir. Por isso depende de mim parar esta tendência e dar-me direção a cada momento para não cair na derrota mental.
Esta é também aquele tipo de derrota que surge antes mesmo de começar alguma coisa - pensar que é demais sem sequer tentar uma solução.
No próximo artigo irei partilhar o meu perdão-próprio e plano de como corrigir este padrão em mim.

Ilustração: 'Characters Creating Anger' by Andrew Gable



DIA 173: Quando é que passámos a fazer as coisas por obrigação?


Desde quando é que desistimos de correr por gosto? Quando é que passámos a fazer as coisas por obrigação e porquê? Porque é que aceitamos que as coisas que fazemos são por obrigação? Não será isto falta de amor-próprio?
Uma sugestão para amanhã: sugiro que se páre de julgar aquilo que se faz como sendo uma obrigação - por exemplo: levanta-te, respira, e pára os julgamentos sobre acordar cedo para se ir trabalhar. Estás de pé, estás bem e tens emprego. Para quem não tem emprego, levanta-te à mesma! Ou será que te levantas por obrigação de um patrão?
Depois nos transportes públicos pára o julgamento contra as outras pessoas: elas estão aqui, tu está aqui e estão todos na mesma situação. Quando um julgamento ou crítica ou comparação surgir sobre a outra pessoa, pára e respira. A ideia deste jogo é parar os maus hábitos da mente por isso puxa por ti para não te permitires participar na mente. Quando durante o dia de trabalho surgir um pensamento de má vontade, pára, respira e pergunta-se a ti próprio porque é que está a fazer isto, como é que o fazes e por quem: será que estás a fazê-lo pelo dinheiro*, ou porque acreditas que não sabes fazer mais nada, ou porque os teus pais de obrigaram a ir para a universidade, etc. Vai respirando. Se for preciso, escreve num papel todas essas ideias que te correm na mente e vê as palavras que te tens permitido ser - de onde é que estes julgamentos surgiram? Porque é que ainda culpas os outros por aquilo que andas a fazer ou a estudar? Ao trazeres estes pensamentos para ti próprio que reações surgem em ti? Fúria? Raiva? Tristeza? Desilusão própria? E que tal dar-se uma gargalhada nesse momento, ou talvez chorar por todas estas ideias, limitações, desejos e julgamentos que só nós impusemos a nós próprios. E já que vemos a confusão que andámos a criar para nós próprios, porque não perdoarmo-nos por todas estas limitações e imposições que só nós aceitámos e permitimos na nossa vida? Perdoamo-nos pela guerra interior que criámos em nós próprios - e sem estas ideias de sacrifício e obrigação, vê realmente como te podes expandir no teu dia-a-dia, no teu emprego, nos teus estudos, nas tuas relações: será que a oportunidade de te dedicares por gosto não estava mesmo à tua frente? E se não estiver, o que te impede de passar a ter gosto naquilo que fazes? O que te impede de tomar a iniciativa de fazer melhor aquilo que já fazes?  O que te impede de aprender novas maneiras de fazer as coisas e assim adquirires boas práticas?

Pára, respira, perdoa-te... E abraça-te. A mente funciona como um espelho que nos mostra as nossas desonestidades próprias que temos para corrigir. Requer MUITA prática mudar os maus hábitos da mente e, já que estamos aqui, vale a pena começar a Viver.

  
 * Aproveito para partilhar o site do Sistemade Igualdade Monetária que é uma solução em estudo para a criação de um sistema que põe a Vida em primeiro lugar. Mas até lá, a solução é mudarmo-nos a nós próprios, criar soluções para nós próprios e depois sermos capazes de finalmente criar soluções para o mundo.



DIA 132: Porque ainda choro a ver filmes e a ver esta realidade...


A raiva do filme não era real, a emoção do filme não era real, a tristeza do filme não era real e mesmo assim eu deixei-me contagiar pela mistura emocional "infalível" - porque inconscientemente estava a projetar esses eventos e medos na minha vida - o potencial de uma família que quando pensava estar segura foi invadida pela morte e pela revolta. A relação de suposta perfeição que estava a ser projetada nas personagens desvaneceu-se. Porque é que esta história me está a afectar desta maneira? Porque é que eu chorei?  Para mim, foi a revolta perante a estupidez humana e o desperdício do nosso potencial enquanto estamos vivos. 
Eu própria desejei crescer para mudar e acabei por criar o meu próprio labirinto de ilusões, medos e desonestidades próprias. Chorava porque queria que a história da série fosse diferente -queria que houvesse o dito final feliz para me convencer que está tudo bem embora saiba que nem tudo está bem. Aliás, o mundo é o reflexo do estado do ser humano por isso este mundo está a gritar e a chamar pela nossa atenção. Perante tal envolvimento emocional perguntei-me: What the fuck? O que é que eu posso e tenho de mudar na minha vida para fazer com a MINHA história seja diferente? Em vez de estar neste modo de impotência e vontade de mudar o filme, porque não aplicar esta energia toda a realmente conhecer-me e a ser assertiva com a minha decisão de mudar? Eu sei que não posso mudar o guião do filme, mas posso e devo reescrever o Meu guião - e criar-me a partir de um novo ponto de estabilidade.
De dentro para fora - o mundo somos nós.
A História do mundo tem também de ser reescrita a partir de novos princípios - não deixar que os padrões da TV e da mente humana invadam o potencial da vida em Coexistência entre os humanos e os animais; não se permitir ficar cego de ilusões e esquecer que nós somos a solução para nós próprios; não deixar que a impotência perante uma série me faça pensar que há alguém a escrever o guião da minha vida por mim; não se permitir tomar partidos que sejam contra a Vida em igualdade. Porque não aproveitar esta oportunidade  e canalizar a minha atenção para mudar esta realidade que os meus olhos vêm: conflitos, ciúmes, crime, violações, morte, pobreza, injustiça, comodismo, medo, passividade, aceitação, ódio, ilusões, esperanças, arrependimentos, remorsos, hesitações, complicações, mentiras, percepções e projeções. Ao parar estes padrões em mim eu estou a viver o processo de mudar de dentro para fora e a não permitir que a realidade que eu crio seja baseada em tal instabilidade.
Uma reação semelhante ainda ocorre em mim quando vejo documentários sobre situações de pura ganância e injustiça. Começo por questionar a origem da revolta em mim, a origem da tristeza em mim, a origem das emoções em mim quando vejo estas cenas nas séries e filmes; e perceber que é esta realidade que eu posso mudar - posso mudar aquilo que eu tenho aceite até agora como normal - a violência (em mim própria) não é aceitável, o conflito (em mim própria) não aceitável, o ódio (em mim própria) não é aceitável, as reações (em mim própria) não são aceitáveis, a (auto) destruição não é aceitável. A partir desta realização, eu apercebo-me que é da minha responsabilidade não me permitir criar uma realidade baseada nestes padrões que são contra a Vida em mim, contra os outros e contra o potencial de um mundo melhor para todos.



DIA 122: Espelho da mente - entretida com as emoções de vítima e a culpar os outros


Quando as coisas não correm como eu quero / como eu imaginei, ainda me vejo como uma vítima. E se me vejo como uma vítima, alguém terá de ser o causador/culpado. Por isso, vou estar sempre à procura de culpar alguém, de procurar um motivo que justifique a minha personalidade de Vítima e, ao mesmo tempo, estarei sempre à procura de algo me salve desta vitimização (uma motivação externa, entretenimento, emoções "positivas" reviver momentos do passado, chocolates, imaginar estar com outra pessoa), criando mais separação entre mim e os outros.

Neste processo, o acordo que faço comigo própria é a decisão de parar o abuso próprio e consequentemente parar o abuso na minha relação com o João. Hoje experiênciei uma forte decepção quando as coisas não correram como eu queria: a ideia de uma grande conversa animada, que acabou por ser ocupada pelo silêncio. A minha reação foi prova-viva que eu não consegui aguentar o silêncio - "isto é uma seca" porque não consigo estar em silêncio comigo própria.

"Assusta-me pensar que o nosso casamento vá ser sempre assim". E foi com base neste medo que eu reaji, como se uma reação fosse evitar que o padrão se repetisse...  Foi também nesse momento que a personalidade do "não sei como resolver esta situação" se manifestou, sem me aperceber que só depende de mim MUDAR a relação que tenho comigo própria - porque a minha relação com os outros é um espelho da relação que tenho comigo própria.

Quando a minha mente começa em rodopio de ideias, julgamentos e sequência de pensamentos , significa que estou a procurar justificação para a minha posição de vítima - como se inserisse um Disco que gira sozinho - e estou "viver" um programa mental. Após ter escrito sobre o evento desta tarde, apercebi-me que o que eu queria era ser entretida. Ou seja, a comunicação com o outro era uma forma de distração e, como esse vício não foi saciado, reagi.

Os programas televisivos funcionam como uma aparente estabilidade em que se sabe que o entretenimento é garantido: de manhã com a emoção infantil, depois será a hora da emoção do jornal, finalmente a emoção da telenovela e, quando se está doente em casa, assiste-se à emoção do programa das 3 da tarde.
Com base neste hábito, também me deixei de questionar a minha troca de humores repentinos, em que num momento tudo bate certo e passado 5 minutos já está tudo errado, porque não corresponde à imagem que eu tinha idealizado!

Pensar como as coisas devem ser com base em imagens de perfeição é um programa da mente de constante insatisfação, porque a realidade não é a mente! E a perfeição da mente é puro interesse-próprio.

A reação que surge imediatamente é a de proteção, que consiste na criação de regras e pensar que só assim é que as coisas são - estilo mandar nos outros e dizer aquilo que os outros devem fazer de um ponto de partida de garantir que a minha posição é assegurada, porque enquanto o outro estiver a sentir-se culpado e a ouvir o meu discurso de "como eu quero que as coisas sejam" estou a garantir que o meu interesse-próprio vence e acreditar por momentos que eu sou superior (yeahhh).

Apercebo-me que este mecanismo de criar regras para mim e para os outros é uma forma de evitar ser julgada pelos outros e evitar ser vista como inferior (que é o meu próprio julgamento). Este processo auto-destrutivo com base julgamentos e vitimizações começa em mim, ao limitar a minha expressão com base ideias pré-feitas e suposto conforto que nada faz. Por isso, eu sou responsável por parar esta limitação e stress na minha relação comigo própria que é projectada na relação com os outros.

Sempre que eu tenho uma reação ou culpo o outro pelo que eu estou a sentir, tudo isto vem dos meus próprios julgamentos e medos - e se eu resolver estes julgamentos e medos dentro de mim através da auto-análise, perdão-próprio e aplicação da correção, eu estarei a criar a minha estabilidade e auto-confiança.

O outro ponto a considerar neste momento é a tendência que eu tenho para comparar o que eu faço com o que os outros fazem, em vez de realizar que cada um está a expressar-se por si, sem certos nem errados. Não é certo nem errado estar-se em silêncio à hora da refeição, por exemplo; não é certo ou errado estar-se sozinho ou acompanhado; É a relação comigo própria que tem de ser primeiramente trabalhada e estabilizada.  Por exemplo, posso usufruir do silêncio para me conhecer em silêncio - ou observar as coisas à minha volta; ou simplesmente saborear a comida; ou comunicar com o outro sem esperar uma resposta que aprove ou rejeite o que eu digo.

O desafio é PARAR os julgamentos próprios e a auto-vitimização, e começar a ver os outros como eles são e não somente um reflexo dos nossos próprios olhos que vêm pela mente de hábitos, imagens, ideias e noções de certo e errado, desprezando toda a realidade que existe aqui e QUEM EU SOU REALMENTE.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar o outro pelo incómodo que senti quando estávamos em silencio, porque eu associo o silêncio a "seca", ou a solidão e por isso criei a imagem de "estar com o outro é sinónimo de entretenimento".

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que, mesmo estando na companhia do outro, eu estou sempre a lidar comigo e o outro funciona como um espelho daquilo que eu ainda me permito participar na mente. Apercebo-me então que, ao estar ciente deste processo de auto-análise, eu estou de facto a dar-me a oportunidade de conhecer os julgamentos, ideias, imagens e medos da mente nos quais eu tenho participado até agora e limitado o meu SER. Apercebo-me que ao ver estes pontos, tenho então a responsabilidade de parar de culpar o outro e dar-me a oportunidade de parar estes julgamentos e medos não são o melhor para mim, --- e assim, tomar a decisão de recriar a minha estabilidade a partir de mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que estar em silêncio é uma seca e que estar sozinha é uma seca. Eu apercebo-me que esta ideia é um julgamento próprio pois estou dizer que eu sou uma seca. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar e acreditar que eu sou uma seca e que sou chata. Eu apercebo-me que ao escrever isto associo tal ideia aos comentários que ouvia das minhas irmãs mais velhas que eu era chata. Apercebo-me que no entanto, eu fui eu responsável por levar estes comentários a peito e definir-me como tal.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar as pessoas que me chamavam de chata quando eu era mais nova pelo julgamento que eu criei sobre mim própria de ser chata. Eu apercebo-me que, com base neste julgamento, eu tenho andado a permitir participar na excitação de querer parecer ser interessante e fazer coisas interessantes, em vez de realizar que não há nada a provar aos outros. Toda esta energia de sentir-me inferior (desvalorizada) VS querer sentir-me superior (valorizada) só existe na mente e não é real.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido entreter-me com as emoções de vítima e com a cegueira de culpar os outros, sem ver que é a mim que eu estou a prejudicar porque continuo a pensar ser impotente para resolver/parar estas emoções em mim e de facto investigar os padrões da mente dos quais ainda me permito estar "viciada" e pensar que sem estes hábitos as coisas não batem certo.


DIA 105: A mania que somos uns sacrificados e vítimas


Estas são duas permissões e aceitações provenientes das "lições" da História que até agora tem sido educada com base em medo: o medo de se mudar para pior visto que "antes é que era bom". Mas será que houve alguma época realmente boa, ou estaremos a falar da ideia de "bom para alguns" tal e qual o cenário social actual?
Como é que a auto-definição de ser-se um sacrificado e vítima limita a nossa expressão pessoal e consequentemente participação na sociedade?

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e perceber que a crença de se ser uma sacrificada ou vítima (normalmente de algo ou de alguém) é uma limitação com base na ideia como eu tenho de agir, sem ver e perceber que é a mim que me estou a limitar nas minhas decisões. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar ser "normal" sentir-me como uma sacrificada, sem com isso ver que é a mim, enquanto expressão de vida, que estou a sacrificar. O sacrifício pelos outros não existe - tem sempre a ver com aquilo que eu permito para mim própria.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que sou responsável pelas ideias que eu criei sobre mim própria e que sou igualmente responsável por PARAR de culpar os outros/a sociedade ou de desejar que os outros/a sociedade mudem para eu mudar. Eu realizo que as minhas permissões e aceitações da mente não são dependentes dos outros/da sociedade.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido justificar a lei-do-menor-esforço e a falta de responsabilidade própria com o sacrifício e vitimização, quando em honestidade própria me apercebo que o sacrifício deixaria de existir se eu der o meu melhor naquilo que eu faço e tomar responsabilidade própria por me criar a cada momento em honestidade própria -  Eu apercebo-me que a ideia de sacrifício surge como algo contra a minha vontade, sem primeiro investigar porque é que eu tomo certas ações e por quem as faço. Em relação à vitimização, eu apercebo-me que é uma projecção da responsabilidade que não tomei por mim e portanto projecto nos outros, em vez de realizar que sou a única responsável pelas minhas permissões e aceitações das ideias que criei de mim e dos outros.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar na lavagem cerebral tanto religiosa como política, como dos meus antepassado sobre os sacrifícios de se um ser-humano, quando na realidade, o ser-humano tem o potencial de viver BEM e estável se houver um sistema económico e político que o proporcione e se eu me permitir desenvolver para o melhor de mim, parando as ideias que me limitam e que têm limitado os meus antepassados/humanidade até então.

Quando e assim que eu me vejo a participar na personalidade de vítima e de queixas, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta personalidade é um indicador de impotência que eu permiti e aceitei creditar ser real, quando na verdade a impotência de mudar surge do hábito de se pensar que não se pode mudar porque há um sacrifício a defender.

Quando e assim que eu me vejo pensar que se os outros/a sociedade mudem eu também vou mudar, eu páro e respiro. Eu realizo que esta é uma justificação que adia a minha decisão de mudar as aceitações e permissões sobre aquilo que eu tenho sido até agora. Eu comprometo-me a parar a personalidade do "deixa andar" como se por milagre eu e as coisas à minha volta mudassem. Eu sou responsável a cada momento pela minha participação no mundo, e eu tenho vindo a aperceber que existir como sacrifício e vítima é uma forma fácil de não questionar esta realidade, este sistema económico e as relações entre as pessoas. Assim, eu comprometo-me a questionar as situações em que eu acredito estar a sacrificar-me ou a ser uma vítima, para tomar conhecimento do que se passa à minha volta e em senso comum realizar que se não me definir como uma sacrificada ou vítima poderei dar direção à situação, ciente que cada um de nós é igualmente responsável por mudar as coisas para melhor.

Eu comprometo-me a estar ciente das minhas permissões e aceitações e a rever as minhas permissões e aceitações, questionando-me se estas são de facto o melhor para mim e para os outros.

Ilustração de Andrew Gable



DIA 76: O padrão da desistência - Parte 2


(continuação...)
"É sempre a mesma coisa"
"Isto acontece sempre comigo"

No top de hoje, a frase-cliché da desistência é  "Ele não muda, então também não mudo". Será que a nossa dependência emocional é justificação para desistirmos de nós próprios? Vejamos: a única mudança que se vê é a mudança própria, porque mesmo que o outro mude, estamos demasiado ocupados na nossa mente para ver o que se passa à nossa volta. O mundo é um espelho daquilo que aceitamos em nós próprios.
A boa notícia é que o planeta continua a ser o mesmo, provavelmente o emprego continua a ser o mesmo, o namorado talvez continue a ser o mesmo, os pais serão sempre os mesmos. Temos portanto a oportunidade de mudar por nós próprios e testar a nossa mudança na relação que temos com os outros - sem dependências, sem necessidade de atenção, sem carência, sem ciúme, sem inveja, sem comparação, sem desigualdade... É em nós próprios que podemos garantir que alguma coisa comece a mudar. Em relação ao ponto de partida do cliché do dia "Ele não muda, então também não mudo" é importante limparmo-nos desta ideia fixa que só limita a nossa realidade. Assim:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que a minha mudança está dependente da mudança do outro, como se eu precisasse que o outro desse um passo para eu começar a andar, sem me aperceber que eu tenho as pernas que preciso para começar a andar por mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que quando as coisas à minha voltam mudam eu estou a mudar - eu apercebo-me que as coisas à minha volta são distrações porque os meus padrões continuam a ser os mesmos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desistir de mim própria ao pensar que o outro é mais capaz de mudar do que eu; eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desistir da minha direção ao pensar que se o outro não muda então é inútil eu mudar - eu realizo que eu mudo por mim e que eu sou o exemplo para mim própria a cada momento. Até agora eu tenho sido a única responsável por não tomar a decisão de parar os padrões da mente e mudar a minha relação comigo/com os outros.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que se não fosse o outro/a outra eu não conseguia viver. Eu apercebo-me que dependência é um sistema de sobrevivência e não de vida.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido adiar a minha vida/direção/responsabilidade por mim ao acreditar que preciso algo exterior para me fazer mudar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido cair na desilusão de pensar que preciso de estar preparada - eu apercebo-me que nunca haverá um momento em que eu digo a mim própria "estou preparada" a não ser que eu diga a mim própria. Agora. A todo o momento. (experimenta dizer: "Eu estou preparada para mudar, a cada respiração, eu nasço, eu morro. Crio-me a cada respiração. Não preciso de pensar que estou preparada. Eu já estou aqui.")

Quando e assim que eu me vejo comparar o meu processo/a minha vida/a minha direção com os outros, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a estar um e igual com os outros. Eu apercebo-me que a comparação é uma armadilha da mente de aparente desempoderamento e inferioridade compeltamente contra o principio da existência em unidade e igualdade.

Quando e assim que eu me vejo à espera que o mundo à minha volta/as pessoas mudem para eu mudar, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estas condições são aquilo que eu impus a mim própria e que só a mim eu me estou a condicionar.

Ao realizar que só a mim me tenho limitada à espera que o outro mude, eu tomo a decisão de ser a minha direção. Eu páro de culpar o outro e dedico-me a mudar em mim aquilo que eu desejo que o outro mude - eu apercebo-me que todas as relaçoes/ideias da mente são espelhos dos meus olhos que vêm através da mente.

Quando e assim que eu me vejo limitar/parar ao pensar que não estou preparada ou que não é o momento "ideal", eu páro e respiro. Eu estou sempre aqui a cada momento. Ao parar a mente/o pensamento/a dúvida, eu apercebo-me que  um momento é igual ao próximo momento. Eu dedico-me à minha respiração e à minha presença física. Ao parar a mente, eu estou completa aqui.

Eu comprometo-me a confiar em mim a cada momento da minha criação para o melhor de mim, de quem eu Sou enquanto Vida. Eu comprometo-me a Tornar-me o meu próprio exemplo em honestidade comigo e com os outros, sem dependências, medos, julgamentos, comparações, personalidades, desistência nem desigualdade.

Quando e assim que eu desejo que algo externo mude para eu mudar, eu páro e respiro. Em honestidade própria eu vejo que não estou de modo algum a tomar responsabilidade por mim e pela minha direção. O desejo de mudança exterior é uma distração porque o desejo não cria nada. Logo, eu dedico-me à minha presença física e a tomar direção física para criar a minha mudança que é o processo de me tornar honesta comigo própria e, como um espelho, crio mudanças à minha volta que sejam o melhor para todos.
Resta-nos desistir da mente de sobrevivência e acordar para a Vida.