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DIA 184: Imagina-a-ação e a vida passa ao lado...

Neste blog continuo a analisar as dimensões por trás do caráter/personalidade dos julgamentos próprios aquando da minha última saída à noite.

Quanto à dimensão da imaginação, consigo ver que na altura em que eu estava naquele espaço físico, a minha mente vagueava "fora de mim"... imaginava quem eram aquelas pessoas e onde é que elas iam. Ao mesmo tempo, imaginava-me a libertar-me dos julgamentos e a simplesmente dançar, a falar com as pessoas sem vergonha e sem medo de ser observada. Em relação ao medo de ser observada, vejo que a outra polaridade também se manifestou, em que imaginava a observar-me de fora, como se me visse ao espelho. e apontasse o dedo...  Assim se vê que a imaginação é mais uma dimensão da mente e, em honestidade própria, consigo então descobrir pontos em honestidade própria:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na imaginação da mente que funciona como uma telenovela de entretenimento mas em que as personagens que eu vejo nos outros são personalidades que eu projecto e que, portanto, existem em mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que os outros (personalidades) estão separados de mim quando, ao participar na imaginação da mente, é de mim que eu me estou a separar. Apercebo-me que este tipo de entretenimento funciona como um mecanismo de defesa para não  enfrentar estes pontos da mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido limitar a minha expressão naquela altura ao participar nos episódios da mente e ao imaginar como é que as coisas/eu estaria diferente se tivesse ido a casa por exemplo, ou se tivesse com outra disposição, ou menos cansada, ou mais produzida. Nisto, eu perdoo-me por me ter aceite e permitido condicionar a minha vivência aqui/agora com base na ideia de que faltam coisas para eu estar simplesmente presente! É óbvio que a única coisa que verdadeiramente determina eu estar ou não presente é a minha presença física!

Quando e assim que eu me vejo a cair nas teias da imaginação da mente em que me começo a entreter com a ideia de como as coisas seriam se tivessem corrido de maneira diferente, eu páro e respiro. Foco-me então em parar a imaginação e em ver, no momento presente, o que é que eu estou a impor a mim propria como uma condição para eu ESTAR AQUI, em vez de simplesmente estar e SER aqui; 
Comprometo-me também a ver qual é a atitude que eu acredito e imagino que eu devia estar a ter para supostamente aproveitar melhor aquele momento (por exemplo: a imagem de mim a dançar incondicionalmente e sem vergonha) - apercebo-me que funciona como uma imposição que, se não for cumprida, significa que não me estou a divertir/ que não estou "aqui a fazer nada".

Dedico-me então a ver e a parar o julgamento e a ideia de que estaria melhor a fazer outra coisa do que aquilo que eu estou a fazer naquele momento (mais não seja estar simplesmente sentada em silêncio, ou a observar, ou a conversar); dedico-me também a ver e a parar as ideias de "vida perfeita" que eu projecto nos outros , cuja comparação é desonesta comigo própria e eu me distrai de estar aqui presente a criar o melhor de/para mim onde quer que eu esteja.

Quando e assim que eu me vejo a distanciar-me de mim própria e, ao mesmo tempo, a participar no medo de ser observada, eu páro e respiro. Aproveito então para ver que julgamentos estou a mostrar a mim própria e dedico-me a viver a decisão de parar os julgamentos,a respirar, perdoar e mudar a minha atitude comigo própria.
Quando e assim que eu me vejo a imaginar a vida das outras pessoas, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estas imagens na minha mente são de facto um espelho (normalmente coisas que eu não estou a dar/fazer para mim própria) e por isso é uma oportunidade para ficar ciente destas ideias e ver pontos que eu posso corrigir/aplicar em mim. 


Ilustração: Diss-Order Of Multiple Personalities By Carrie Tooley 



DIA 183: E depois dos julgamentos, vejo o padrão da comparação - dimensão do pensamento


Sugiro que se leia a introdução desta secção em que eu estou a auto-investigar as várias dimensões associadas à experiência dos julgamentos:

Dimensão do pensamento:

Estou num bar trendy em Londres e penso que "há raparigas giras. Eu não sou tao gira como elas mas sou casada". Ou seja, acabo por justificar a comparação sem ver o padrão de polaridade  em que eu me estou a permitir participar (ser menos VS ter mais).

Porque não simplesmente observar e estar um e igual com as pessoas à minha volta? Para quê comparar-me? Para quê julgar? Para quê julgar-me? Para quê entreter a mente e PERDER a expressão da Vida aqui?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido cobrir os julgamentos de inferioridade com a ideia de "pelo menos tenho isto", quase como se fosse um -'toma, toma' a deitar a língua de fora, que é decepção, separação e uma maneira de ignorar o padrão de comparação e inveja.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter resistência a escrever sobre o padrão da inveja por ter vergonha dos meus próprios padrões, sem ver que ao esconder estes padrões de mim própria eu estou a aceitar limitar-me com estes padrões! Ao ver aquilo que se passa na minha mente, vou-me permitir estar a tenta ao padrão e AGIR pro activamente em viver a decisão de mudar a relação comigo própria para começar a viver em plena transparência comigo própria e confiança no meu processo de mudança.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido olhar à minha volta sem qualquer julgamento sobre aquilo que eu vejo e sem qualquer polaridade. Apercebo-me que a primeira polaridade começa por pensar que as outras pessoas são uma coisa e que eu sou o oposto disso, sem me permitir ver aquilo que somos/temos  em COMUM, como por exemplo o facto de estarmos TODOS, AQUI, AGORA.

Eu perdoo-me por nao me ter aceite e permitido ver/reconhecer que os julgamentos que eu tenho dos outros têm sempre a ver comigo e coisas que eu não me estou a permitir ver/criar em mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o bar de Londres a um local de beleza feminina e "trendy" e assim estar a criar separação com o local e acreditar que estes lugares não são para mim depois de um dia de cansaço e de trabalho.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me pelas roupas que eu tenho vestida e julgar as roupas como não sendo adequadas para o bar trendy!

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na vulnerabilidade em relação à mente e participar em cada julgamento, ideia e desejo da mente, que em honestidade própria eu realizo que este é um mecanismo da mente/um escape para não me enfrentar e viver a decisão de parar a insegurança da mente e criar a minha estabilidade de dentro para fora, independentemente de onde eu estou, com quem eu estou, daquilo que tenho vestido ou daquilo que eu faço.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar as mulheres como bonitas ou feias baseadas no estilo que aparentam e assim participar na imagem da mente que não me permite conhecer as pessoas (eu!) realmente e estar um e igual com elas (comigo).

Curiosamente, à medida que fui escrevendo o perdão próprio vê-se que comecei por perdoar os julgamentos em relação aos outros e gradualmente comecei a focar-me em mim (por exemplo toquei no ponto do conflito em relação às roupas que eu tenho vestida). Isto mostra que cada ponto tem várias camadas e que, ao tirar as de cima, começo a ver o que eu tenho acumulado em mim e que tenho literalmente escondido de mim própria. Através da escrita é possível trazer estes pontos em tempo-real e andar cada pensamento desonesto, cada ponto de separação, cada definição e ver com os nossos próprios olhos a maldade que fazemos a nós próprios nas nossas próprias mentes.

Quando e assim que eu me vejo a pensar que a outra pessoa é mais do que eu (quer seja o "mais bonita", "mais artística", "mais inteligente", "mais interessante") eu páro as comparações da mente e respiro. Eu dou espaço a mim própria para me estabelecer "fora do filtro da mente" e permito-me olhar à minha volta sem julgamentos da mente. Eu comprometo-me a auto-investigar a admiração que eu tenho pela personalidade que a(s) outra(s) pessoa(s) representam. Comprometo-me também a ver o que é que eu me estou a ver separada de determinadas qualidade, de forma a começar a fazer aquilo que até agora só associava a ser feito pelos outros!

Quando e assim que eu me vejo a limitar a minha expressão com base nas associações que eu dou sobre "como é que este sítio é" (exemplo: bar trendy)  e "como é que as pessoas se devem comportar" (fashion e extravagantes), eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estes pensamentos são a minha própria limitação e que posso então usar estas ideias para ver a prisão que eu tenho criado em mim e à minha volta. Comprometo-me então a estar um e igual com o sítio e com as pessoas, a estar estável dentro de mim incondicionalmente do local ou com quem eu estou, em plena auto-confiança, direção própria, sem querer parecer mais nem menos, sem querer agradar os outros nem definir os outros.

Eu comprometo-me a parar o pensamento/cadeia de pensamento que vejo surgir no momento em relação ao ambiente/pessoas à minha volta e RESPIRO. Eu procuro ver qual foi o pensamento que despoletou uma determinada personalidade, ou que desejos existem em mim e que eu me estou a dis-trair de mim. Eu apercebo-me que as definições da mente funcionam como uma limitação porque não me deixam ver para além daquilo que é superficial e por isso eu não me estou a permitir auto-investigar, descobrir e resolver em mim estas personalidades. Dedico-me então a estar atenta à dimensão do pensamento e a não tomá-los como pessoais - é um espelho de padrões que me mostra aquilo que eu posso corrigir em mim.

Quando e assim que eu me vejo a querer agir para querer controlar o pensamento que a outra pessoa possa ter sobre mim, eu páro e respiro. Apercebo-me agora da prisão que eu estou a criar para mim própria porque fui eu quem criei o pensamento em mim e que depois acreditei ser real porque projectei-o numa pessoa. Realizo então que as personalidades não são reais e que estas são criadas/alimentadas na minha mente se eu assim o permitir/aceitar.

Apercebo-me agora também que todas as personalidades que eu vejo e julgo à minha volta são pontos que eu posso verificar dentro de mim e ajudar-me a parar estas personalidades para me criar como o exemplo para mim própria.



DIA 182: JulgaMEDOS no meio da multidão


Vejo que os julgamentos que surgem em forma de pensamento ou em forma de supressão, são espelhos de vários caráteres/Personalidades pelos quais eu me tenho permitido definir. Mas de onde vem a primeira permissão e aceitação dos julgamentos próprios?
Vou usar uma experiência recente para investigar o ponto dos julgamentos e perceber a origem e a construção deste padrão na minha mente.
Isto passou-se a semana passada quando fui sair à noite numa zona em Londres considerada trendy e cosmopolita.
Dei por mim a comparar-me com as mulheres presentes, tendo como ponto de partida o medo de não ser tão interessante/gira quanto elas - aparentemente, a origem desta comparação e competição tem a ver com o medo de não ser tão interessante como elas PARA o João! Ou seja, para além da competição do ego, eu estava a participar na potencial competição entre mim e elas, em completa separação.


Como foi explicado no blog anterior, vou começar a usar uma estrutura que inclui as várias dimensões do Caráter/Personalidade e o correspondente perdão próprio e afirmações para a mudança.

Dimensão do medo:
Julgamento próprio com base no medo da perda; medo de não ser boa o suficiente; medo de ser trocada; medo de não ser a melhor; medo de deixar de ser interessante para o João; medo de perder a minha posição de mulher do João.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar nas comparações da mente quando estou com outras pessoas, especialmente com outras mulheres que eu julgo como sendo artísticas, interessantes e bonitas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na aparente separação da mente projectada nas mulheres à minha volta e acabar por pensar que este padrão tem a ver com o Joao. Apercebo-me que os ciúmes são um mecanismo de defesa da mente para eu não ver os julgamentos que eu criei de mim própria por trás destas projecções.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar no medo de não ser interessante o suficiente, querida o suficiente ou bonita o suficiente para os outros, sem ver que em honestidade própria eu não tenho nada a provar aos outros.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser insegura e instável na minha relação comigo própria, que depois se manifesta quando vejo estes padrões noutras mulheres, em vez de Ser honesta comigo própria, a praticar o meu à vontade de dentro para fora, a abrir-me comigo, a parar os medos e as limitações que eu criei para mim própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar e participar na relação de competição com outras mulheres quando isto é claramente uma luta do ego/mente e que não é baseada em igualdade e unidade comigo/com outros.

Eu apercebo-me que os medos que eu projecto na minha relação com as outras mulheres é um espelho dos padrões na relação que eu tenho comigo própria. Por isso, quando e assim que eu me vejo a ser competitiva comigo própria com base no medo/chantagem de perder alguma coisa, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que a vida não se ganha em competição comigo própria nem com a vida que os outros são!
Quando e assim que eu me vejo a ter medo de não ser boa o suficiente para o Joao, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que este medo sobre a perda de mim própria não é real e que é da minha responsabilidade conhecer-me e corrigir-me na minha relação comigo própria que depois se vai reflectir na minha estabilidade e segurança na relação com os outros.
Quando e assim que eu me vejo a ter medo de ser trocada/substituída por outra pessoa, eu páro e respiro. Nisto, apercebo-me que estou a criar separação onde esta não existe - eu sou um e igual com a existência da outra pessoa e, em senso comum, podemos/devemos aprender uns com os outros.
Eu comprometo-me a parar o medo da perda que é baseado em sobrevivência e em controlo. Eu comprometo-me a praticar o meu à vontade de dentro para fora, a abrir-me comigo, a parar os medos e as limitações que eu criei para mim própria.
Eu comprometo-me a estar estável sozinha e a não participar no medo de perder uma experiência/sensação que são puras energias da mente!; eu comprometo-me a trazer para mim própria as comparações que eu faço em relação a outras mulheres e assim ver aquilo que eu estou a admirar nos outros porque não estou a criar essa realidade em mim; comprometo-me então a aprender e aplicar as boas práticas que eu vejo nas outras pessoas.

Ao escrever esta secção do perdão próprio apercebi-me que estava a projectar no João os meus próprios julgamentos através da sabotagem da mente, de desejar mudar PARA O/PELO outro. Realizo que isso é impossível e que isso só me separa da minha própria solução. Por isso, ao escrever sobre os MEUS pontos, estou a viver a decisão de parar as multiplas personalidade, ver o stress que crio para mim própria e dedicar-me a aplicar a mudança por mim/para mim.

No próximo blog vou caminhar pela dimensão do pensamento em relação aos julgamentos que projectei naquela noite.




DIA 180: Começar pelo que aparenta ser complicado


Tenho-me apercebido desta resistência para fazer certas coisas que à partida me parecem ser complicadas. É genial ver que ao escrever esta frase as próprias palavras dão-me a resposta: neste caso, vejo que me tenho andado a sabotar com base no ponto de partida da complicação. Ao julgar algo como sendo complicado estou a criar separação em relação a isso.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido evitar começar as coisas que eu penso serem mais complicadas ou trabalhosas, quando é exactamente esta ideia/pré-julgamento com a qual eu estou a criar separação em relação à minha ação.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que o julgamento da mente funciona como um "peso a mais" que é desnecessário e que faz as coisas parecerem maiores do que são na realidade (em senso comum).

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido evitar ver quando eu estou a resistir fazer algo, em vez de ser honesta comigo própria, enfrentar a resistência (denominada às vezes por preguiça) e ver por mim como eu estava a exagerar na mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido usar experiências do passado para sabotar a minha própria ação neste momento.

Eu apercebo-me que neste processo de aperfeiçoamento eu dou-me a possibilidade de criar soluções para mim própria e aplicá-las. Para isso, a mente pode servir como referência (daquilo que eu já conheço) mas não como ponto de partida. Por isso, eu dedico-me a auto-investigar em honestidade própria os meus padrões de resistência em relação a certas coisas e a investigar por que é que há certas  resistências que eu não alimentei em mim.

Eu comprometo-me a respirar de cada vez que eu enfrento uma resistência a fazer qualquer coisa que aparentemente é "contra a minha vontade". Eu ajudo-me a perceber as resistências e a andar a solução para mim própria através do perdão próprio e da criação de uma estabilidade dentro de mim.

Eu dedico-me a ver a igualdade entre as diferentes coisas que faço e a começar pelas coisas que me parecem ser mais complicadas de modo a recriar a minha estabilidade em relação a esse ponto. 

A continuar....

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DIA 164: As relações públicas tomam-nos como estúpidos


Nem sei por onde começar, mas esta aparente indecisão é também uma distração da mente. Começo por respirar fundo e foco-me naquilo que quero partilhar.  Este "querer partilhar" não é baseado em desejo - é simplesmente um partilhar daquilo que é necessário saber-se. Curiosamente, neste artigo vou falar sobre o desejo que tem sido implementado nos nossos cérebros, mentes e corpos, tal e qual um chip que reage a emoções. Muita desta informação é partilhada em documentários e artigos que eu recomendo investigar-se. Um deles chama-se The Century of Self e explica claramento como é que nós, cidadãos/humanidade temos sido tomados como estúpidos. Estas são palavras do famoso Edward Berneys, sobrinho de Segmund Freud, que aplicou os vários estudos do comportamento das massas nas correntes do consumismo e do mercado livre. Podemos dizer que as gerações antes da nossa foram acorrentados por tal deslumbramento que até hoje nós próprios mantemos certos comportamento irracionais ligados ao consumismo.

Quantos de nós não sente uma energia miudinha quando tudo parece que está "no lugar certo" e se tem um vaipe para fazer compras?

Ou, por outro lado, quando tudo parece estar a desabar, um belo chocolate traz miraculosamente uma estabilidade de infância?

E ainda, sabes de onde e como é que as mulheres começaram a fumar e porquê?

Todos estes fenómenos sociais são explicados e demonstrados neste documentário através de imagens da época alta dos anos 20-30 do século XX. Eu pergunto-me, que Self é este? Será que realmente NÓS somos máquinas de felicidade? Tudo depende daquilo que permitimos e aceitamos ser e fazer. A grande revolução daquela altura foi uma mudança nos hábitos de comportamento através do apelo aos sentimentos e emoções - que tem o nome de lavagem cerebral - num momento em que o desejo tomou conta da necessidade. Esta foi a resposta à pergunta de Edward Bernays sobre como incentivar a produção e consumo em tempo de paz.

Esta manipulação é assustadoramente real - basta ver-se as reações que se manifestam em estádios de futebol ou em comícios políticos, em que a mente de uns quantos comando a vontade da maioria. Enquanto uns se entretêm com emoções, outros enchem os bolsos aos milhões em apostas e investimentos...

Quem dita as regras do socialmente aceite? Vejamos: durante o movimento das sufragettes conseguiu passar-se a vender cigarros a um novo público alvo: as mulheres. Como? Promoveu-se a ideia que um cigarro na boca era sinal de emancipação sob os homens (elemento fálico do cigarro) e que daria poder às mulheres. Mas será que foi realmente este benevolente acto de compaixão e igualdade para com as mulheres que incentivou tanta publicidade? Obviamente que não! Como foi dito pelo Presidente da American Tobacco company, havia potencial no mercado feminino e a sua exploração era como "abrir-se uma mina de ouro no quintal da frente" (It will be like opening a gold mine right in our front yard.”, George Washington, 1928). Ou seja, foi uma encenação com sucesso - juntou-se a conotação emocional da "guerra dos sexos", Edward Bernays pagou às mulheres para percorrem as ruas com cigarro na boca, contratou fotógrafos para capturarem boas imagens, intitulou o evento como as "tochas da liberdade" e distribuiu as noticias nos canais onde tinha influencia.

Assim se criou a ideia de desejo em nome de uma liberdade vendida, sem se ver qual era o grande esquema de controlo a segurar as marionetas. Mais uma vez,  tudo depende daquilo que permitimos e aceitamos ser e fazer. Seremos a mente estúpida em que não se pode confiar, ou somos a decisão de mudar o rumo da História em por uma humanidade verdadeiramente livre da corrupção mental e financeira?

A continuar...



DIA 63: Romper a personalidade elitista


Esta noite participei num evento em Londres e fui apresentada a um business man. Havia curiosidade e apercebi-me que era um desafio estar neste tipo de eventos. Agora pergunto-me: porque é que eu me defini como separada deste tipo de ambientes que eu julgo como elitistas? Qual é a resistência em mim para não estar completamente confortável num evento de negócios? O que é que eu penso que falta em mim para não estar estável em cada momento?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido querer fugir quando me encontro num ambiente novo, tal como um evento de negócios ou uma casa luxuosa.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir as pessoas pelo ambiente em que estas se encontram e por isso querer também fugir das pessoas às quais eu não estou habituada.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar as pessoas como snobs baseadas na maneira como falam e pronunciam as palavras.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido entreter a minha mente com julgamentos em relação às outras pessoas e assim criar separação. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me da minha respiração quando me ponho a julgar as pessoas e os lugares.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar os outros seres à minha volta como diferentes e assim alimentar as personalidades do ego.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter medo de cair ou de falhar à frente de pessoas que são consideradas alta sociedade.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a minha participação tem somente a ver comigo e que culpar o ambiente ou as pessoas à minha volta não é valido. Eu sou responsável por cada momento da minha criação e a minha criação não deverá estar dependente de nada a não ser a minha direção própria, honestidade e igualdade.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido alimentar a "minha" personalidade de não ser suficientemente boa para estar num ambiente de grandes empresas.
EU perdoo-me por não me ter aceite e permitido realizar que eu sou um e igual com as pessoas à minha volta, em qualquer lugar. Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido viver a realização que eu sou um e igual com as outras pessoas no evento.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir as pessoas pelo seu salário ou bens que possuiem.

Quando e assim que eu me vejo a criticar o ambiente à minha volta, quer seja de luxo ou de probreza, eu páro e respiro. Eu não me permitido difinir pelo ambiente à minha volta, nem por memorias ou julgamentos acumulados ao longo to tempo.

Quando e assim que eu me vejo a julgar a pessoas pelo seu apelido, eu páro e respiro. O apelido é irrelevante - eu apercebo-me que estas são ideias da mente que funcionam como uma telenovela.

Eu dedico-me à minha respiração e a partilhar o espaço um e igual com  todos.

Quando e assim que eu me vejo a pensar que não "nasci" para estes ambiente, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta é uma personalidade que me limita. Logo, eu páro e respiro. No meu processo de Vida, Eu nasci no mundo e todo o que está aqui sou eu. Eu comprometo-me a Participar  e a caminhar em Igualdade.

DIA 29 - Fazer as coisas parecerem melhor do que aquilo que são


Apercebo-me que tenho jeito em pintar as coisas melhor do que aquilo que realmente são. De onde é que esta pressão de "fazer parecer" vem? Porquê limitar-me em querer parecer em vez de REALMENTE SER E VIVER ISSO? Apercebo-me que as minhas relações são baseadas em querer manter um castelo feito de areia e também que vejo que não vale a pena - quanto mais eu alimento estas ideias de perfeição mais distante estou daquilo que é real. No lugar de acumular raiva dentro de mim, eu perdoo-me. Perdoo-me pelas ideias de perfeição criadas e alimentadas por mim. Eu sou a única responsável pelas ideias criadas por mim em mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distanciar-me daquilo que realmente se passa com as pessoas à minha volta, na minha tentativa e esforço em querer mostrar que está tudo bem, quando na realidade sou eu que não quero ver o que se passa porque essa não foi a imagem que eu idealizei para mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido querer passar a ideia que não há problemas em minha casa quando na realidade eu apercebo-me que os problemas deste mundo começam todos nas nossas próprias casas.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido refugiar-me em entretenimento de modo a não ter de me focar nos problemas que eu vejo tão perto de mim  e em mim.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter raiva em mim quando eu vejo que as pessoas não estão a contribuir para a minha ideia de um mundo ideal. Eu realizo que este é um processo e que a mudança vai levar o mesmo tempo que se levou a criar o problema.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido comparar a minha situação com a situação das outras pessoas, com o objectivo de me zangar com os outros ou zangar comigo própria, e portanto alimentar a aparente separação entre a minha vida e as dos outros. Eu comprometo-me a parar a atitude de julgamento/auto-julgamento pois só assim eu consigo ver as situações em senso comum e só em senso comum sou capaz de ser honesta comigo própria e projectar honestidade própria nas minhas relações com as outras pessoas.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ver os outros com base em comparar o que eles fazem com aquilo que eu faço, e a partir daqui julgá-los mais ou menos de que eu. Eu perdoo-me por nunca me ter aceite e permitido ver-me um e igual com as pessoas à minha volta, sendo que somos todos seres em processo de nos realizarmos enquanto vida, que por enquanto traduz-se em todos estarmos igualmente a sobreviver nesta terra.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acumular expectativas e esperanças sobre os meus parceiros, quando na verdade todas as esperanças e expectativas são projecções minhas sobre um futuro que eu idealizei para mim mas que não é real. Eu comprometo-me a existir aqui e a re-desenhar as minhas relações sem expectativas nem esperanças, de modo a que eu me conheça e me permita conhecer os outros - só assim sou capaz de ver os meus padrões e os padrões dos outros de modo a que cada um de nós se auto-ajude.

Quando e assim que eu me vejo a distrair com conversas da mente sobre o que os outros fazem, eu páro e respiro. Eu realizo que este processo é sobre a minha Vida e que é nos meus padrões que eu tenho de me focar para finalmente VER quem eu me tornei e a mim própria dar direcção para transcender os padrões e limitações. Eu sou a única capaz de me mudar. Eu sou a minha garantia que sou capaz de mudar para a melhor versão de mim própria igual à Vida que existe.

Quando e assim que eu me vejo a comparar o que eu faço àquilo que o João faz e a comparar o que o João não faz àquilo que eu faço, eu páro e respiro. Eu páro a competição que há dentro de mim e que é projectada no Joao. Eu realizo que este processo não é uma corrida e que a mudança vai levar o tempo que levámos a tornarmo-nos quem somos. Eu realizo que as ideias que eu penso que os outros têm de mim são um reflexo da conversa que existe na minha mente - os outros está cada um entretido também com a sua própria conversa na mente. Ao parar de participar na conversa da minha mente vou ser capaz de me ver quem eu sou enquanto respiração, e ver o outro como ele é, sem julgamentos nem ideias que nos separam de estar aqui no físico. Assim comprometo-me a mudar no físico para criar acções e decisões que sejam o melhor para todos.

Quando e assim que eu me vejo definir as pessoas por aquilo que fazem/que não fazem, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que é assim que eu funciono - ou seja, que eu me tenho definido por aquilo que eu faço sem decidir primeiro quem eu Sou. Logo, quando e assim que eu me vejo definir por aquilo que eu faço, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a estar focada no meu processo de honestidade própria em tudo o que eu faço, sem com isso me definir ou limitar, mas simplesmente SER em tudo o que eu faço.

Quando e assim que eu me vejo apressar a conversa e a distrair-me com planos do futuro em momentos em que a conversa está mais pesada, eu páro e respiro. Eu realizo que eu automaticamente procuro evitar ver a complexidade das coisas, por pensar que é demasiado para mim. Assim, eu comprometo-me a de facto ser específica nas conversas e nos pontos que eu estou a tratar de modo a não haver quaisquer pontos escondidos de mim própria.  Quando e assim que eu me vejo a querer cobrir a conversa com frases de motivação, eu páro e respiro. Eu realizo que não estou a ajudar as outras pessoas a olharem parar a situação com a dedicação que a Vida requer, logo, a motivação e aparente facilidade em resolver o problema é uma ilusão que não vale a pena alimentar. Ao ser honesta comigo própria eu estou ciente da dedicação que será necessária para me auto-corrigir. Eu comprometo-me a ver as coisas como elas estão aqui manifestadas, sem querer impingir as minhas ideias de perfeição tias como a relação perfeita com um homem; a relação perfeita com os pais; a casa perfeita, o trabalho perfeito, o estilo de vida perfeito. Todas estas ideias e imaginação foram pre-feitas, logo não são de confiar porque não estão aqui a ser criadas no momento.

Quando e assim que eu me vejo a exagerar a descrição das minhas relações e experiências de modo a passar uma ideia que eu quero que os outros tenham de mim. Em vez disso, eu dedico-me a tornar-me/dar-me a estabilidade e a avançar no meu processo. Assim serei capaz de criar estabilidade à minha volta e aperfeiçoar-me.

Logo, eu dedico-me a criar a perfeição, sendo o melhor de mim e o melhor para todos, no momento e nesta realidade, olhando para as necessidades reais do momento e a melhor maneira de eu intervir; sem estar limitadas pelas imagens de perfeição que só existem na mente e que não têm resultado até agora. Eu confio em mim no momento para criar o melhor de mim e a participar um e igual com os outros, sem exageros, sem auto-julgamentos, sem julgamentos dos outros, sem imagens, sem ideias que eu penso que os outros têm, nem comparações, nem querer parecer nem mais nem menos do que a minha criação. Eu realizo que o parecer tem a ver com algo que parece ser, mas que não o é. Por isso eu dedico-me a Ser a mudança que quero Criar e Ver em mim/à minha volta.

Não vale a pena enganar-me a mim própria. A real-idade é aqui e agora. Eu igual a Vida sou aqui e agora. O João igual a Vida é aqui e agora. Tudo o resto são ideias do passado e futuro.