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DIA 249: Se eu soubesse aquilo que eu sei hoje...

Apercebi-me desta lenga-lenga na minha mente enquanto eu falava com uma amiga sobre o meu processo e em como eu me permito ainda sentir frustrada quando descubro um ponto em mim que eu desejaria saber mais cedo, com base na ideia de que as coisas poderiam ter sido diferentes/melhores  caso eu estivesse ciente desse ponto em mim. Ao dizer isto, reparei também como isto não passa de uma ideia e, em honestidade-própria, é uma justificação para me manter exactamente no mesmo ponto de auto-vitimização, arrependimento e esperança. Esta é a minha mente e estou a abrir-me para mim, a cada dia, a cada respiração, a cada momento que eu decido viver este processo em plena dedicação própria e aplicação.

Se eu soubesse aquilo que eu sei hoje... o que é que seria realmente diferente? Vendo bem, tenho vários exemplos na minha actual dia-a-dia nos quais eu não aplico aquilo que eu sei: apesar de saber e ter provas em mim de que escrever para mim própria e escrever o perdão próprio sobre os pensamentos e emoções é de facto o melhor para mim, não o tenho feito todos os dias; apesar de saber que é saudável fazer desporto regularmente nem sempre planeio a minha semana de modo a dedicar tempo a essa prática; apesar de saber que avanço no meu processo a fazer os cursos do Desteni tenho tido enorme resistência em fazê-los; apesar de saber que eu estou ciente de mim a cada respiração ainda há grande parte do meu tempo a ser "vivida" em piloto automático... Ou seja, esta sabedoria é irrelevante se não for aplicada. Por isso, é inútil eu sabotar-me a dar azo a esta conversa da mente de "se eu soubesse antes"... Em vez disso, quando eu vejo um ponto novo em mim, posso agradecer-me por ter chegado a este ponto e dar-me esta oportunidade para mudar daqui para a frente com base nessa realização.

Outra coisa que vejo é o valor que dou à sabedoria da mente quando, na realidade, esta não é aplicada e acaba por se transformar em culpa por estar ciente da minha própria desonestidade! Para que é que eu preciso de me agarrar a esta ideia de saber qualquer coisa se isso não for transformado em mudança de hábitos por exemplo? Se eu sei que escrever é-me benéfico para acalmar a mente e dar-me espaço/tempo para ver as coisas por mim própria, porque é que eu pura e simplesmente não começo a escrever!
Penso bastantes vezes que, se tivesse sabido das coisas do Desteni antes da faculdade, teria utilizado o meu tempo livre de forma diferente e começado a lidar com a minha mente em momentos de desespero, solidão, incerteza e medo, típicos da fase da adolescência. Aquilo que eu vejo é que essa fase não tem necessariamente de ser complicada, mas pouco se partilha, pouco se fala, pouco se conhece sobre a mente e sobre as maneiras de nós nos conhecermos e ajudarmo-nos a nós próprios.

Por isso:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar e participar na conversa da mente sobre desejar saber algo há mais tempo com base na esperança e ideia de que isso teria mudado alguma coisa.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que é irrelevante imaginar como é que eu teria feito as coisas de maneira diferente quando por experiência própria eu vejo que mesmo agora ainda continuo a repetir padrões e a desprezar a minha própria honestidade própria. Realizo então que independentemente de saber dos pontos com os quais eu tenho de lidar, trata-se de me tornar na vontade própria de mudar, de realmente puxar por mim para parar os pensamentos automáticos e de sair dos hábitos da minha mente.
Eu perdoo-me por me permitir e aceitar criar uma realidade paralela na minha mente baseada na ideia de como eu as coisas podiam ter sido diferentes, em vez de ver que ao alimentar esta imaginação eu estou a permitir continuar distraída de mim própria e, portanto, a continuar "perdida" na mente, com esperanças do típico "e se"...

Apercebo-me também que esta conversa da mente surge como uma distração em mim; por isso, em vez de alimentar a imaginação de como é que teria sido, eu foco-me naquilo que eu vou fazer e mudar daqui para a frente.
Em momentos em que me apercebo de um ponto, eu comprometo-me então a ser honesta comigo própria e a pôr em ação essa realização, sem perder tempo na mente com ideias de como é que eu podia já ter feito tal mudança antes. O momento de mudar é o momento em que me permito ver essa nova opção em mim, essa nova perspectiva e essa solução para mim própria. Para quê adiar fazer e ser aquilo que é o melhor para mim?
Quando e assim que eu me vejo a participar na conversa da mente de "quem me dera saber isto antes" eu páro e respiro. Eu investigo em mim aquilo que eu desejaria que acontecesse antes e investigo o que é que eu posso realmente fazer aqui e agora. Por experiência própria, passar muito tempo em planos da mente é desgastante e é um pneu furado que não me leva a lado nenhum. Em vez disso, eu posso começar por escrever o padrão que eu enfrento, ver os pontos negativos e positivos aos quais eu ainda tenho uma ligação de arrependimento e desejo, e ver o que é que eu posso fazer para lidar com este ponto de modo a aplicar a realização numa mudança prática e de auto-apoio na minha actual realidade. Eu finalmente vejo que o meu futuro depende em quem eu me torno a cada momento e, para que o meu futuro seja vivido em honestidade-própria, eu terei de ser honesta comigo-própria aqui e agora, sem adiar o meu processo, e em garantir que crio/sou a minha fundação estável para me expandir como o potencial de Vida que eu sou/somos.


No próximo artigo irei escrever sobre a tendência de pensar que seria mais fácil estar numa posição, num tempo ou num lugar diferente daquele onde eu estou.



DIA 238: De volta ao básico: Porquê o sexo?




Há perguntas que cada um de nós pode fazer a si próprio para se conhecer melhor na sua relação com o sexo:
Porquê fazer sexo? Quem é que eu sou no sexo? Como é a minha relação com o meu corpo durante o sexo? O que é que eu julgo no sexo? O que é que eu procuro no sexo? O que é que eu gosto no sexo?

Já alguma vez te colocaste estas questões, ou terá sido o sexo introduzido nas nossas vidas na turbulência da adolescência e aceite como uma pressão da sociedade?
Eu comecei a questionar-me sobre estas dimensões do sexo no Agreementcourse e desde então tenho investigado e escrito sobre a relação que eu criei com o sexo e a relação com o meu corpo. É curioso ver que, apesar do corpo ser quem nós realmente somos, muitos dos tópicos relacionados com o físico do ser humano são suprimidos na nossa comunicação ou abusados na mente com imagens. Por isso, ao escrever para mim própria sobre este tema , tem sido uma caixa de Pandora que tinha ficado algures perdida na infância, altura em que não julgávamos o corpo ou o sexo como certo ou errado até ao momento em que começámos a copiar as manias e tradições da sociedade em que crescemos.

Voltemos ao título: Porquê o Sexo?
Para explorar esta  pergunta, tomemos o exemplo do mito que as mulheres fingem orgasmos para satisfazerem o ego do homem (!). Parece um pensamento retrógrado mas é importante que tanto as mulheres como os homens se questionem sobre o ponto de partida para fazerem sexo. Será que o ponto de partida de dar prazer ao outro não é de facto uma forma de interesse-próprio, porque por trás disso está o medo de se perder o parceiro? Isto é desonesto consigo próprio pela limitação que esta dependência mental provoca, em que se é escravo/a do medo de se estar sozinho. Por sua vez, o medo de se estar sozinho é o medo de se estar consigo próprio e de enfrentar a sua própria mente. Por tanto, dar prazer ao outro em honestidade própria é uma entrega incondicional, sem desejo nem medo.  E ainda, fingir-se a expressão corporal para manter os egos felizes é um desperdício de tempo e só mostra como o nosso sexo/ideia do sexo/ponto de partida do sexo é limitado nas nossas mentes.
Sobre o ponto de partida do sexo, podemos dizer também que a intimidade sexual é um momento de partilha e de confiança, em si próprio e no outro, e que através do sexo se descobre um bocadinho mais de si próprio, permite-se estar no físico, ultrapassam-se medos e papões, e permite-se estar vulnerável. Infelizmente, no nosso mundo actual são talvez poucos os lugares e os momentos em que nos permitimos estar plenamente cientes do nosso corpo, vulneráveis, entregues ao outro corpo, sem medo da dor, sem medo da perda... Vejo o sexo como um processo de auto-conhecimento e aperfeiçoamento e de transcendência dos medos que em frações de segundos invadem as nossas mentes.

Como é que foi possível tornarmos algo com tanto potencial, como o sexo, num tabu e numa coisa abusiva?
A pergunta que merece também atenção é: - será que sabemos o que o sexo realmente é, sem imagens da mente, sem memórias, sem desejo de um orgasmo, sem expectativas, sem arrependimento, sem a procura da energia acumulada na mente? Será que alguma vez nos comprometemos a limpar a nossa mente?
O sexo também não é baseado em conhecimento. Por muitos livros que se leiam, há pontos da mente humana que têm de ser interiorizados, entendidos, perdoados, mudados e recriados em cada um de nós.

Vamos então regressar ao básico do nosso corpo: e para isso, começamos por respirar. Já alguma vez te focaste na tua própria respiração? E na respiração do outro? E se este fôr o ponto de partida do sexo: a igualdade dos corpos, a igualdade da presença e a descoberta de si próprio.


Numa sociedade em que a maioria das pessoas cresceu ou contactou com a religião católica, faz sentido questionarmo-nos também sobre o ponto de partida da procriação. Irei muito provavelmente dedicar um blog para este tema, mas a meu ver é necessário colocar-se as tradições à luz da realidade. Em plena crise económica, talvez não seja o mais indicado ter-se muitos filhos sem que as condições de vida sejam garantidas e por isso é importante que haja o mínimo de senso comum e de responsabilidade própria. A ideia da procriação, como a palavra indica, implica uma pro-Criação, ou seja, um progresso, um upgrade dos pais e uma evolução da vida. No entanto, parece ser contraditório que as pessoas sejam capazes de criar uma melhor versão delas próprias sem primeiro se conhecerem plenamente.



DIA 237: Associar imagens do passado ao presente e desejar fazer sentido na mente




Quando é que a nossa realidade parece fazer sentido? No meu caso, reparo que há uma sensação de satisfação quando as coisas "batem certo", que é o que acontece quando a imagem da minha realidade encaixa com a imagem preconcebida na minha mente. Mas será isto honestidade própria? Tomemos o exemplo da escolha de um parceiro: quais são as ideias pré-concebidas que se criaram na mente e que nos fazem ser consciente ou inconscientemente selectivos? A cor dos olhos? O tipo de cabelo? A forma corporal? A nacionalidade? A personalidade do outro/a?

O "fazer sentido" na mente é o mesmo que dizer que a minha realidade tem de condizer com a imagem e ideia que eu criei na minha mente de como as coisas devem ser, embora eu nunca me tenha questionado se as imagens e ideias na minha mente são práticas, são realizáveis e se são o melhor para mim. Ou de onde é que estas imagens vieram? Apercebo-me que primeiro tenho de conhecer a minha mente para depois me poder dar sentido e direção em honestidade própria. Por exemplo, começar a investigar e a escrever sobre qual o ponto de partida na minha mente para tomar uma determinada decisão, para perceber como é que as associações da minha mente são criadas, quais foram as minhas influências para criar imagens de perfeição na minha mente, e como é que eu tenho permitido esta ditadura da mente na minha vida, sem tomar responsabilidade pela minha existência como um todo.

Este é o Processo de auto-investigação que tenho vivido ao longo dos últimos cinco anos e que continuo a andar, passo a passo, ponto a ponto...

Recentemente apercebi-me da tal sensação de satisfação quando na minha mente punha "certo" em vários aspectos do meu dia-a-dia: marido (checked), casa arrumada (checked), emagrecimento (checked), emprego (checked), viajo com frequência (checked), falo várias línguas (checked), tenho pessoas com quem falo e goste de estar (checked) e por momentos o ego pareceu encher os pulmões, em vez do ar. Obviamente, que é de ar que eu preciso e que estes "checked" não são nada mais nada medos do que aquilo que eu tenho criado para mim própria e que não é preciso anexar qualquer emoção de orgulho a isso. É da minha responsabilidade criar uma relação estável com o meu parceiro, criar um espaço que seja o meu lar, estimar o meu corpo com uma boa alimentação, exercício físico e trabalhar em pontos da mente que se manifestavam no corpo físico, empenhar-me no meu emprego para o manter, gerir o meu tempo para descontrair, estudar para aperfeiçoar a minha actividade profissional e resolver os meus pontos para não descarregar nos outros para eu própria ser uma boa companhia para mim e para os que me rodeiam. Ao ver cada um destes elementos, afinal não há nada de especial sobre isso. Aliás, a meu ver devia ser da responsabilidade do mundo (logo de todos nós) de criar as condiçõesbásicas para que cada ser-humano tenha dinheiro para um lar confortável, uma alimentação de máxima qualidade, tempo para desfrutar a sua existência e assim investir atenção em criar relações equilibradas com outras pessoas e potenciais parceiros.

Afinal de contas, as imagens da mente são baseadas em memórias, em imagens que os nossos olhos viram, nas coisas que os nossos ouvidos ouviram, quer tenha sido na realidade à nossa volta ou nos ecrãs de televisão, cinema, computador, rádio, conversa de outras pessoas, etc. Por isso, faz sentido concluir que, na maioria dos nossos pensamentos, NÃO escolhemos aquilo que pensamos ou imaginamos, porque simplesmente já existia na nossa mente aquilo que foi capturado pelos nossos sentidos (maioritariamente a visão e a audição).

- Quando pensamos, como é que somos capazes de discernir aquilo que é realmente o melhor para nós e que é honesto connosco próprios?
Podemos começar por realizar que tudo aquilo que a mente nos mostra tem de ser questionado. Não necessariamente julgado como certo ou errado, mas questionado sobre o porquê de associarmos a nossa realidade a determinadas memórias e como é que isso pode condicionar a nossa expressão no momento presente. Por isso a respiração é tão importante neste Processo: permite-nos abrandar a velocidade dos pensamentos e somos capazes de estar cientes dos pensamentos que temos, para que possamos darmos direção à nossa criação a partir de agora e pararmos de ser robots a copiar aquilo que vimos e ouvimos no passado.


No próximo artigo vou escrever o perdão-próprio e o meu compromisso de mudar a minha atitude de cada vez que dou por mim a fazer associações na mente e a desejar que a minha realidade corresponda com a perfeição de imagens da mente. Até lá, sugiro que se leia um artigo anterior que aborda a paranóia daperfeição que existe na mente humana. Em honestidade própria, este mundo só será um lugar perfeito para se viver quando cada um deixar de procurar dar sentido à mente e, em vez disso, perdoar e mudar os pensamentos sobre si próprio e redefinir o que é realmente a perfeição em nós, nesta vida e neste mundo.



DIA 228: A paranóia da perfeição


Quantos de nós não imaginam e desejam aquilo que seria a vida perfeita, o marido perfeito, a mulher perfeita, os filhos perfeitos, a casa perfeita, o carro perfeito, a viagem perfeita, a carreira perfeita, etc.?
Quantas vezes damos por nós a passar mais tempo nesta nossa mente de imagens perfeitas do que em perceber o que é que está a faltar em nós e na nossa vida para atingirmos o nosso potencial de Vida? Ou será que ninguém pensa sobre isto porque não nos é vendido pelos anúncios de televisão (de facto, nunca se viu um anúncio a promover a auto-reflexão, a auto-correção ou o auto-conhecimento para que cada um saiba resolver os seus próprios problemas - porque isto provava que o consumismo não cura os problemas). No entanto, a industria publicitária faz questão de nos vender imagens de perfeição que são alcançáveis num click ou na sua próxima compra de supermercado!
Pensando bem, é incrível que a mente humana ainda tente justificar as imagens de perfeição como sendo reais, mesmo depois de se saber que os cenários das casas são feitos de cartão, ou que a pele foi retocada no photoshop, ou que aquele casal da telenovela não são um casal na vida real, ou que os diálogos foram escritos por uma equipa e não pelo actor que aparentemente tudo sabe e tem uma confiança invejável!
Não é por acaso que se associa o Euromilhões ou a lotaria a toda esta perfeição - porque de facto, a perfeição vendida pela publicidade, televisão e filmes tem um preço. E daqui eu vejo três saídas:

  1. Passa-se a vida na paranóia de se desejar uma outra vida que está dependente da "sorte" de se acertar nos números e estrelas do euromilhoes. Ora, considerando que a probabilidade de ganhar o euromilhões é 1 em 116,531,800, talvez este seja o número de vezes que andamos a desperdiçar a nossa vida por não tomarmos decisões mais produtivas. Aliás, alguns matemáticos dizem que a probabilidade de ser atingido por um relâmpago é de apenas 1 em cada 700,000 isto significa que é quase 170 vezes mais provável morrer-se antes de se ganhar o euromilhões!*

  1. Passa-se a vida na paranóia de se julgar e comparar a nossa própria vida por não ser igual à dos filmes e das revistas mas acabamos por nos render à ideia que depois da morte haverá o paraíso e que será nessa altura que todos os nossos desejos são oferecidos em troca dos sacrifícios na Terra, sendo que a nossa experiência na Terra traduz-se na polaridade mental de Céu/Terra, perfeição/imperfeição, prazer/sacrifício, sem se considerar que talvez sem estes pensamentos nós seriamos capazes de criar o paraíso na Terra...

  1. Toma-se a decisão de parar de alimentar as imagens da mente com base na realização que as imagens são desfazadas da realidade e não são o melhor para nós pela polaridade e instabilidade que promovem. Este é então o manifesto de que a perfeição da publicidade e dos filmes é uma amostra daquilo que poderia ser o melhor para todos mas que, ao promover o elistismo e a riqueza de uns à custa da pobreza de outros, não se aplica à realidade da igualdade e unidade que existe na Terra. A solução passa então por uma mudança por dentro (nas nossas mentes, naquilo que aceitamos e permitimos como sendo os nossos princípios de vida) e por fora, ao trabalharmos em conjunto por uma sociedade em que os humanos não sejam limitados pela falta de dinheiro, a começar por uma solução prática que garanta um ordenado básico garantido e incondicional para uma vida sã e equilibrada.

Obviamente que no sistema económico actual, com a ajuda do dinheiro estamos todos mais perto daquilo que seria uma perfeição real para todos. Mas considerando que o sistema económico é também uma manifestação da paranóia das mentes dos seres humanos, vamos começar por resolver a nossa mente. A escrita é uma ferramenta essencial para se sair da mente, o perdão-próprio é a ferramenta para se ultrapassar os padrões mentais e a auto-correção é a aplicação de soluções e compromissos nesta realidade física.

Eu perdoo-me por me ter aceite permitido acreditar que as imagens de um casamento perfeito, de um marido perfeito, de uma casa perfeita, de uma família perfeita, do grupo de amigos perfeito, etc. são reais.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que até agora tenho estado a basear as minhas decisões do presente nas imagens de um futuro que só existe na minha mente e que portanto não é real.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido alimentar a paranóia pela perfeição das imagens que eu vejo à minha volta nos anúncios, nas revistas ou nos filmes, e ajudo-me a parar quaisquer pensamentos de comparação ou inveja que surgem na minha mente. Eu tomo essa oportunidade para investigar os desejos que eu ainda continuo a alimentar dentro de mim  e começo a perdoar um a um, com determinação de modo a libertar estas ideias que prendem a minha expressão aqui, no presente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar e limitar-me pela ideia de uma carreira ideal que só existe na minha mente e que eu acabo por usar para julgar o meu emprego, que afinal é mais produtivo do que os pensamentos da mente. Eu apercebo-me que a imagem de carreira perfeita é uma forma de evitar ver o sistema como ele é, em que estamos dependentes de um ordenado em troca da nossa actividade profissional, num sistema que  promove a sobrevivência e o medo da perda e que é tudo menos um sistema em prol do desenvolvimento humano para todos.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido realizar que ao desejar a perfeição eu estou de facto a participar na outra polaridade que é o medo que o pior aconteça e, assim, crio a minha própria instabilidade ao andar na corda bamba das imagens de desejo e de medo da mente.

Quando e assim que eu me vejo a comparar a minha realidade com a imagem de perfeição da minha mente, eu páro e respiro. Em vez de acreditar nestas imagens como sendo "o meu futuro", eu investigo o que é que estas imagens me mostram, o que é que eu não estou a dar a mim própria actualmente, quais são as polaridades que eu estou a aceitar em mim, quais são os medos que eu estou a criar para mim própria, ver como é que eu estou a criar pressão em mim própria sobre uma perfeição que não passa de uma imagem associada à felicidade material.

Eu comprometo-me a olhar para as imagens e pensamentos da minha mente em senso comum, identificar os padrões de inveja, de medo, de insatisfação, de desigualdade, de superioridade, de inferioridade e não me permito levar estas imagens e pensamentos a peito nem como um falhanço pessoal . Como já vimos anteriormente, estas imagens têm sido manipuladas para haver uma constante insatisfação saciada pelo consumismo e pela energia de uma solução rápida que não é real. Foco-me então em recriar soluções em que a perfeição é aquilo que é o melhor para mim, neste preciso momento, passo a passo, da mesma maneira que me permito ver soluções práticas para se aplicar para o melhor de todos, tal como o Rendimento Básico Garantido.

Quando e assim que eu me vejo a participar na paranóia de pensar que nada na minha realidade bate certo por ser diferente da imagem de perfeição que me "foi vendida" pelos anúncios de televisão e filmes, eu páro e respiro. Eu começo por realizar que cada respiração é aquilo que me permite estar aqui e que não são as imagens da mente que ditam ou limitam a minha existência. Eu realizo que as frases dos filmes são perfeitas devido a todo o trabalho de produção que sustenta os diálogos e que portanto não faz sentido projectar tal "perfeição" na minha vida. Apercebo-me que estar aqui, ciente de mim própria a caminhar o processo de auto-correção é um processo de auto-aperfeiçoamento que envolve dedicação, escrita, disciplina, auto-ajuda, paciência, insistência e honestidade-própria.

  



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DIA 217: A Ansia da Idade

Será que é possível que quanto mais velha sou mais paranoias tenho? Eis o efeito da acumulação da mente, a cada passo, em cada pensamento, em cada imagem da mente... Até tomar responsabilidade por quem eu sou, por aquilo que eu penso, pelo que eu digo.
Uma das ânsias da idade é a de se perder o que se tem: quer seja a perda do parceiro, a perda de dinheiro, a perda do emprego, a perda de cabelo, a perda de dentes, a perda de memória, a perda de atenção dos outros O medo da perda é tão cego que nem conseguia ver o que ando a perder Aqui Em Mim se eu não estiver ocupada em pensamentos. Vou então aplicar a técnica de trazer este problema para mim própria, ou seja, investigar onde é que eu participo exactamente neste padrão que é a ânsia de perder aquilo que eu tenho. A ansia de perder o João como parceiro, a ânsia de perder a saúde, a ânsia de perder a motivação, a ânsia de perder esta oportunidade de me mudar. Curiosamente, facilmente se substitui a palavra ansia pela palavra medo. Mas porque é que eu tenho medo de perder o João como meu parceiro se estamos juntos? Mas porque é que eu estou a participar no medo de perder a saúde se é exactamente esta ansiedade que me desequilibra o organismo? Porque é que tenho medo de perder a motivação que na realidade é uma energia baseada na polaridade positiva e que portanto nem sequer é real? Porque é que ainda me permito participar no medo de falhar no meu processo de Vida, quando é exactamente nesta vida aqui e agora que eu tenho a oportunidade de aplicar a mudança em mim?
Este texto veio no seguimento de uma realização brutal que é: quando eu culpo alguém sobre alguma coisa que eu pense ou sinta, esta culpa não mais nem menos do que um mecanismo para eu não ver a relação que eu estabeleci comigo própria e portanto não criar a oportunidade de me recriar/corrigir.

A continuar a escrever...

Ilustração: Love is the Light that Hypnotize, Blind to the Fear that Paralyze

www.desteni.org
www.equalmoney.org - the real Light of the World - that Lightens everyone's Load through removing Fear


DIA 210: Cenários na nossa própria mente: Regresso ao Passado


Hoje ouvi uma entrevista de uma pessoa que passava imenso tempo a reflectir na mente sobre a sua vida, sobre o futuro, sobre a vida dos filhos, sobre os seus medos, quando afinal teria sido mais eficaz se, em vez de passar tempo a divagar na mente, tivesse de facto criado e participado mais na sua própria vida. Um exemplo interessante que esta pessoa dá tem a ver com os pensamentos e preocupações que ela tinha em relação aos filhos, quando na realidade ela tinha de aceitar "deixá-los ir" e que não podia viver por eles.
Ao trazer este ponto para mim, vejo como também eu despendo tempo a pensar em várias hipóteses e cálculos sobre o futuro, quando afinal às vezes basta escrever sobre as minha dúvidas para me esclarecer, ou fazer uma pergunta ao outro para ter a certeza em vez de imaginar a resposta, ou falar com outra pessoa para ouvir uma outra perspectiva fora da minha mente, ou mover-me fisicamente e parar de perder tempo na mente.
Um exercício interessante para se fazer, em vez de nos deixarmos embalar pelos pensamentos, é começar a escrever sobre os pensamentos que surgem nas nossas mentes - isto ajuda a estabilizar-nos e a sermos realistas porque vários pontos são considerados (fora da mente que só vê aquilo que quer)
Partilho então o perdão-próprio no seguimento do artigo de ontem e da realização de hoje.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que as projecções e as imagens da mente são realmente imagens do meu futuro ou de potenciais momentos do futuro, em vez de perceber que a mente é baseada no passado e que é um espelho de memórias tecidas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido abdicar da minha responsabilidade de criar a minha vida e de me mudar. Vejo que se seguir a mente irei estar sempre a seguir os padrões do passado.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar-me com base nas imagens da mente sem realmente investigar de onde é que estas imagens/desejos/aspirações surgiram, em vez de tomar responsabilidade pelas minha decisões/ações com base na minha direção, tendo em conta a minha realidade física e a realidade dos outros à minha volta.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar no "futuro" que me é "mostrado" na minha mente e acreditar ser uma escrava da mente que tenho de seguir e copiar estas imagens - imagens e memórias que  por sua vez são baseadas naquilo que eu vi, naquilo que eu copiei, naquilo que eu fiz e obedeci no passado.
Curiosamente, vejo pela primeira vez que provavelmente nunca imaginei como certos momentos do passado pudessem definir quem eu sou na idade adulta. Por isso, vejo então que a "culpa" não foi do evento per se, mas foi do valor que eu permiti dar a esse momento e ao qual me agarrei por não conhecer mais nada para além da minha mente. É agora momento de largar estes valores e dar valor à Vida que Eu sou e recomeçar a cada momento em auto-correção, a criar uma nova relação (acordo) comigo própria. Eu comprometo-me a fazer todas as minhas coisas estando ciente de mim e ciente das minha ações, e trabalhar com o que está aqui, sem me limitar com os julgamentos, memórias, cenários ou medos da mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido  criar julgamentos sobre mim própria com base nalgum comentário que me tenha sido dito por outra pessoa.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido definir-me de acordo com os julgamentos da minha mente/da mente dos outros e descartar a minha responsabilidade de lidar com os meus próprios julgamentos, perceber as origens, perceber o que é que estes julgamentos suprimem. 
Eu apercebo-me que culpar a outra pessoa por qualquer coisa que eu me permita sentir ou pensar é uma forma de evitar perceber a origem do meu problema e evitar tomar responsabilidade por me ajudar a ultrapassar as auto-definições/limitações da minha mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar cenários negativos para mim própria sem ver que estes cenários geram energia de ansiedade, medo e stress e que eu apenas me habituei a viver sob esta pressão continua, a evitar que algo de mau aconteça, porque aparentemente este estado de ansiedade e insegurança é a única coisa que eu conheço/permito.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido desejar (e até rezar) que coisas positivas/boas aconteçam de forma a não pensar momentaneamente nos cenários negativos. Eu apercebo-me que estes desejos da mente são também baseados em medo do negativo e baseados no desejo de controlar o futuro para corresponder à minha imagem positiva. Vejo que este padrão é outra fonte de stress e de pressão constantes.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter medo da minha própria mente e das imagens que eu própria crio ou alimento na minha própria mente, que é uma forma de masoquismo. Ao mesmo tempo, apercebo-me que qualquer reação que eu tenha sobre cenários positivos ou cenários positivos é outra forma de sabotagem e de definir a minha realidade nessa polaridade.
Em vez disso, eu posso ver as imagens da minha mente e decidir por mim e em senso comum aquilo que é o melhor para mim nesta realidade física, sem  me sentir obrigada a seguir a mente.

Quando e assim que eu me vejo perante um cenário negativo/de dor na mente, eu páro e respiro. Eu estou agora ciente que estas imagens são uma desilusão, possessão e distração. Eu ajudo-me a permanecer na minha realidade física e posso investigar qual é o padrão de medo por trás destas imagens. Ao investigar os sistemas da minha mente, eu dedico-me a expandir sobre isso na escrita e no perdão-próprio e a libertar-me destas prisões de pensamentos que eu tenho construído dentro de mim.

Quando e assim que eu me vejo a participar num cenário da mente (quer positivo quer negativo) como se fosse um filme a passar dentro de mim, eu páro e respiro. Eu ajudo-me a realizar que estes cenários não são reais e que só existem na minha mente porque eu os permito. Comprometo-me então a deixar estas imagens e, ao parar estas imagens/cenários, eu começo a recriar a minha realidade aqui, com base na vida física e nas ações que são viáveis. Apercebo-me também que os cenários da mente são uma mentira porque só algumas imagens estão disponíveis (normalmente quando há uma carga emocional) e que a mente está limitada pelo meu passado.

Quando e assim que eu me vejo a culpar alguma pessoa pela carga emocional que eu coloquei num evento, eu páro a culpa e respiro. Eu realizo que a carga emocional que eu permiti foi da minha responsabilidade e pela qual me tenho limitado todo este tempo.
Quando e assim que eu me vejo a guardar esta emoção/memória como forma de proteção para não me permitir cair na mesma "armadilha", eu páro e respiro. Vejo também que me habituei a ter estes medos/reações e que é uma forma de conforto porque "acabei por saber lidar com isto", em vez de realmente parar a relação de medo dentro de mim própria. Eu realizo que esta luta interior é uma forma de separação comigo própria porque é baseada no desejo mudar o passado. Quando e assim que eu me vejo a sentir-me culpada por aquilo que me foi dito como se eu merecesse sofrer, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a restabelecer uma relação de confiança e de honra comigo própria sem ser baseada em ser superior, mas simplesmente em estar um e igual à Vida que eu/todos somos.
Eu apercebo-me que cada memória/emoção/apego às coisas tem a ver com um ponto que não quero largar, por me ter definido pela minha mente. Eu apoio-me a ver que este processo trata-se de remover estes sistemas de personalidade baseados em julgamentos, autodefinições, ideias cujas consequências são contra quem eu Sou como Vida e como a minha vida estável aqui.

Eu apercebo-me que me estou a perder como vida de cada vez que participo na mente e de cada vez que deixo a mente decidir por mim, em vez de me dar a oportunidade de mudar/aperfeiçoar quem eu sou a cada respiração. Dedico-me então a praticar tomar decisões com base na realidade física, ao considerar todos os pontos e em garantir que faço aquilo que é o melhor para mim, e que pratico essa ação em estabilidade própria, sem esperança nem medo do futuro. Aquilo que é necessário aqui sou eu, ciente de mim, de quem eu sou nas minha ações e nas minhas relações com os outros/relações comigo própria. Ao estar ciente de mim própria, vejo que sou capaz de ser humilde para reconhecer os pontos a aprender/corrigir e estar confiante de mim a cada momento, em plena responsabilidade pela criação da minha realidade.

Ilustração: Capa da Entrevista da Eqafe