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DIA 258: A Nossa Gaiola Dourada... e a Culpa no Prazer

Sempre que estou em Portugal ou com familiares apercebo-me de maneiras de pensar e de agir que eu julgo como sendo limitadoras, normalmente baseadas naquilo que os outros pensam, e nunca pondo o seu bem-estar em primeiro lugar (nem em segundo, nem em terceiro). Mesmo quando há oportunidade para se sair da toca, descontrair e usufruir de algo gratificante, há uma força invisível de medo que o momento acabe ou que não se repita, ou que não se mereça o melhor, ou sentir-se culpado porque outras pessoas não estão a experienciar o mesmo. Uma amiga minha chamou a este fenómeno a "culpa no prazer".  

Recentemente vi estes padrões auto-destrutivos e de pouco amor-próprio no filme de Ruben Alves "La cage dorée" (A gaiola dourada) que retrata as peripécias de emigrantes Portugueses em Paris,  e questionei-me sobre a nossa aceitação (pessoal e nacional) de vivermos para os outros, sem controlo sobre as nossas vidas, e em modo de vitimização.

Tanto lá fora como cá dentro, há na nossa cultura uma constante angústia intervalada por breves momentos de descontração no café da esquina ou em frente ao ecrã da bola, para depois se voltar a falar dos problemas (normalmente dos outros) e mais uma vez esquecer-se de si próprio. Por muito honestos que sejamos, aquilo que faz da nossa vida uma prisão é a falta de honestidade própria sobre quem somos e quem queremos ser.

Dei por mim a sentir-me claustrofóbica, assustada e a julgar as personalidades que via passar no ecrã por perceber que estes padrões existem de facto e que afectam a vida das pessoas brutalmente - mas mais do que as peripécias que acontecem ao casal Ribeiro, esta foi uma oportunidade para investigar como eu também crio a minha própria gaiola, consciente ou inconscientemente. Sugiro que faças o mesmo por ti.

Algumas das minhas reações foram: apatia e medo em dar direção à minha vida; o medo de desapontar alguem com a minha decisao; a culpa por fazer algo benéfica para mim; o aparente conforto na vitimização e no desconforto; e a energia da fofoquice.

Nos próximos artigos irei desconstruir cada um destes padrões e ver como é que eu posso mudar a minha relação com estes hábitos e automatismos culturais. Por agora convido-vos também a ver o vlog sobre a minha experiência enquanto via o filme. E já agora subscreve o meu canal :)



DIA 246: Recomeço... Quem era o Bernard Poolman



Muita coisa aconteceu desde a última vez que publiquei um artigo no meu blog em Português e quero primeiramente pedir desculpa pela falta de informação da minha parte sobre a razão pela qual desde o dia 5 de Agosto não têm havido novas publicações. Deixei de escrever? Não. Parei o Processo? Nem pensar. Continuo a escrever o mais regularmente possível no meu caderninho. Tópicos para artigos novos surgem constantemente mas por três razões não consegui manter a minha consistência:

Primeiro: desde o princípio de Agosto que estou a passar pela fase mais atarefada do meu emprego que tem envolvido viagens, longas noites de trabalho e começos pela madrugada. Apesar de ter tentado preparar esta época o mais possível, têm havido mudanças de última hora, novos desafios, novos clientes e, consequentemente, menos tempo para me dedicar à escrita;

Segundo: Apesar dos meus 246 dias de Processo, apercebo-me que ainda me permito participar nos altos e baixos da mente (que é energia) e isso reflecte-se na minha falta de disciplina diária em manter-me a par do que se passa dentro de mim, no meu corpo e na minha mente. Sinto neste momento uma terrível sensação de estar a "passar-me ao lado" e que não consigo identificar todos os padrões que eu visito durante o dia e assim perco uma oportunidade de lidar com esse padrão de uma vez por todas. A consequência é que o meu Processo se prolonga, a mente ganha território e transporto comigo este peso de padrões não resolvidos e corrigidos em mim - sem dúvida este é um padrão a trabalhar em mim, com perdão-próprio, honestidade-própria e correção;

Terceiro: finalmente recomecei a escrever o meu blog em inglês http://joanaslifeprocess.blogspot.com/ algo que já estava para fazer há bastante tempo e pelos vistos foi preciso uma motivação fora de mim para me alinhar com a minha decisão. Esta "motivação" funcionou como um chuto no meu rabo para me mexer e parar de procrastinar as minhas decisões que eu sei serem o melhor para todos. De facto, escrever um blog em inglês permite que o meu processo seja acompanhado por muito mais pessoas e posso igualmente apoiar mais pessoas que estejam a passar por pontos semelhantes. Ao mesmo tempo, quis que a minha mensagem chegásse a mais pessoas e infelizmente o público Português ainda não acompanha esta caminhada activamente. Provavelmente são poucos os Portugueses que conheciam o Bernard Poolman mas foi precisamente a sua morte, no dia 11 de Agosto, que me deu este chuto e me
"acordou" para a Vida. O Bernard não precisa de definições nem apresentações: ele está presente em cada palavra que eu escrevo, em cada passo do meu processo, em cada realização e em cada correção. No espaço de cinco anos, desde que eu comecei a interagir no Desteni Forum, a presença do Bernard através dos seus blogs, livros e vídeos, passou a fazer parte da minha vida e em 2012 tive a oportunidade de o conhecer aquando da minha visita à quinta do Desteni na África do Sul. Também é graças ao Bernard que eu e o João ponderámos seriamente a decisão de nos casarmos porque o Bernard era assim: sem hesitações, sem merdas, sem agenda e, em tal liberdade, era capaz de ver o óbvio que poucos conseguem ver. No Forum ele tinha o nickname de CommonSense e era exactamente isso que ele transmitia: uma carga de senso comum que nunca havia sido partilhada comigo por ninguém da minha família, grupo de amigos ou namorados. O Bernard foi e é um exemplo de Vida para mim e para muitos outros que se aperceberam da sorte de o ouvir, de o conhecer, de ler os seus blogs, de participar nos chats, de ter conversas com ele e de andar este Processo de escrita, perdão-próprio e de auto-correção. 

Claro que não era sorte: nós só fomos capazes de ver a "sorte" de conhecermos o Bernard porque aplicámos as suas palavras no nosso dia-a-dia e reparámos que os Princípios que o Bernard vivia eram também o melhor para nós: Igualdade, Unidade, Compaixão, Dar aos outros aquilo que queremos que nos seja dado, Honestidade-Própria, Integridade, Perdão-Próprio, Mudança, Estabilidade, Igualdade Monetária, Auto-Responsabilidade.

Ele era tudo menos preguiçoso porque o Bernard superou a mente e não andava distraído em pensamentos nem medos: ele vivia como Vida, presente, simples-mente ciente do físico, um e igual como toda a existência física universal, prático e incessante no seu apoio àqueles que andavam o Processo. A expressão dele era directa e desafiante, como se olhasse para dentro de mim e visse os meus medos, os meus problemas, as minhas preocupações, as minhas memórias, os meus julgamentos. Por isso, quando ouvi a notícia da sua morte, fiquei em choque e não queria acreditar, mas rapidamente aceitei esta nova fase do meu processo. Apercebo-me que grande parte da resistência em aceitar a sua morte era baseada em interesse-próprio e no medo de não voltar a ter esta pedra basilar ao longo do meu Processo de Vida. A estabilidade que o Bernard me transmitia tenho de ser eu a criá-la em mim; o senso comum que o Bernard manifestava terá de ser vivido em mim para ser real; a confiança que o Bernard me dava quando conversávamos sobre as minhas decisões tem de ser estabelecida por mim e em mim para que eu seja capaz de viver as minhas próprias decisões em plena confiança e auto-motivação. Ou seja, a morte do Bernard representa um recomeço em mim, naquilo que eu me permito e aceito ser no meu processo de me recriar como Vida.


Há novos pontos em mim que eu tenho estado a lidar e que vou partilhar neste blog passo a passo. Por agora, convido-vos a visitarem e a estarem também atentos aos artigos em Inglês que são um complemento aos meus artigos em Português.


Se quiserem saber mais sobre quem era o Bernard Poolman sugiro este site com muitos artigos escritos por pessoas de todo o mundo: http://forum.desteni.org/viewtopic.php?f=29&t=5694



DIA 244: Nada a esconder


Quando há alguma coisa que eu hesito em partilhar ou até mesmo a pensar nisso, é um indicador que estou a esconder algo de mim própria. Vejo que há determinadas coisas que não são faladas abertamente porque de alguma forma, durante o nosso crescimento e educação, fomos "ensinados" a não falar disso, ou simplesmente nunca considerámos perguntar-nos de onde é que vem a nossa própria limitação. Obviamente, há certas coisas ou problemas que não adiantam partilhar com os outros porque primeiramente tem de haver um entendimento sobre si próprio e, no final de contas, cada um só se pode ajudar a si mesmo.

Dei por mim recentemente a preencher um formulário da junta de freguesia local (aqui em Londres é o Council) e tive a memória de um amigo meu a ter resistência em partilhar este tipo de informação. Ele tinha as razões (justificações) dele. Perguntei-me então quais seriam as razões para eu não ser transparente e verdadeira nos meus dados pessoais e porque razão haveria eu querer esconder-me de mim própria, visto que se trata dos meus direitos como residente ter uma voz nas decisões locais. Curiosamente, apercebi-me que ao exigir transparência de mim própria então não há qualquer reacção quando os outros (neste caso o Council) exige transparência de mim. Naquele momento de reflexão, apercebi-me que uma das razões pela qual não se quer desvendar os detalhes pessoais é o medo de se ser perseguido por alguma conta que não tenha sido paga, por exemplo. Ou seja, voltamos à questão do dinheiro que nos mantém separados uns dos outros, no entanto, ao ver que eu própria estava a criar esta ansiedade em mim, tomei esta oportunidade para reformular os meus pagamentos, garantir que estava tudo em ordem e tomar responsabilidade pelas minhas obrigações como cidadã.

Depois de ter resolvido este ponto/medo em mim, comecei então a ver que outros temas ou assunto ainda são tabus em mim e sobre os quais eu evito ainda escrever e que eu projecto no meu futuro. A minha mente mostra-me então o medo de ser notícia de jornal e de estar numa posição de ataque pelos media,o que ultimamente é o medo de ser excluída e gozada. De onde é que vem este medo? Este medo foi criado em mim muito provavelmente pela influência dos próprios telejornais e da maneira como as pessoas se permitem tratar e remexer nas vidas das pessoas para criar histórias em nome dos ratings de audiências. Também vejo a ideia de querer ser parte do grupo da escola para me sentir "protegida" dos "outros". Mas acima de tudo, este medo da mente tocou no ponto de eu garantir que me conheço a 100% e que estou estável em mim em relação a tudo aquilo que eu sou, sem nenhuma agenda de medo ou de vergonha de mim própria, ou uma imagem que não seja a minha honestidade própria e o meu próprio exemplo. Assim, independentemente do brainwashing que possa haver, eu mantenho-me estável incondicionalmente, porque não há razão e não há tempo a perder com os medos, paranóias e julgamentos da mente. Ao ser honesta comigo própria eu garanto que sou honesta com os outros e naquilo que eu faço.


Quando se entra no rodopio da mente, há duas hipóteses: ou se mantém a desonestidade própria e "vive-se" na paranóia da mente até à morte (o que não é recomendado) ou se começa o processo de honestidade-própria, responsabilidade própria e de correção. Quando eu me refiro à correção, esta é essencialmente pararmos os pensamentos que temos de nós próprios, as conversas mentais que permitimos ter, os ressentimentos, os arrependimentos, as ideias e os medos que condicionam e limitam a nossa ação. Conhecermo-nos a nós próprios sem nada a esconder de nós mesmos é a única maneira de mudarmos aquilo que aceitamos ser e assim recriarmos o nosso presente e futuro, de modo a não repetirmos os padrões manifestados no passado. O Perdão-Próprio é sem dúvida das melhores coisas que podemos dar a nós mesmos, neste processo de auto-conhecimento e mudança para uma melhor versão de nós mesmos e da nossa própria Vida.



DIA 243: Não há desculpas!




Estou ciente que tenho a oportunidade de me conhecer em plena claridade e entendimento. Nunca antes, ao longo dos meus 26 anos de existência, tive tanto material de livros, artigos, entrevistas, chats e cursos através dos quais eu me ajudo a auto-conhecer-me e a abrir-me para mim própria. É cada vez mais óbvio perceber quando estou a evitar escrever sobre um tópico, evitar olhar para determinada memória ou evitar viver a decisão de ser assertiva na minha disciplina no meu processo de escrita diária.
Curiosamente, parece que das coisas mais fáceis nesta vida é decepcionarmo-nos a nós próprios, ignorar os nossos próprios princípios, mentirmos a nós mesmos e fazermos o oposto daquilo que é o melhor para nós. Qual é a desculpa para eu ser desonesta comigo própria? Qual é a desculpa para eu querer manter as minhas personalidades activas? Qual é a desculpa para fugir da minha mudança, fugir das minhas decisões, fugir da minha responsabilidade de clarificar a minha mente?

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido estar a escrever separada de mim própria ao pensar no julgamento de quem lê o que eu escrevo.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que o julgamentos que eu projecto nos outros é de facto uma ajuda da minha mente a mostrar-me os auto-julgamentos que não estão resolvidos em mim.
[é fascinante que a palavra auto refere-se a um automatismo e, igualMENTE, refere-se ao eu-próprio]

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido querer ignorar a minha própria decisão de corrigir as desonestidades próprias e a decisão de andar este processo em honestidade própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido procurar "desculpas" e justificações para tudo aquilo que eu faço ou não faço, em vez de realmente investigar de onde é que as decisões vêm e quais são as consequências que eu crio para mim própria com base nessas decisões.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido fugir da minha posição de realmente aplicar-me no meu processo e de mudar a minha atitude comigo própria, auto-definições e auto-julgamentos, ao perceber de onde é que estes padrões vêm e me ajudar a resolvê-los através da minha escrita e entendimento. 

Quando e assim que eu me vejo a procurar justificações e desculpas para aquilo que eu faço e para aquilo que eu não faço, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que tenho as ferramentas necessárias para lidar com as resistências e ultrapassá-las por mim por mim e comigo própria, por isso qualquer desculpa não é real. Dou portanto tempo a mim própria para andar estes pontos em mim.

Quando e assim que eu me vejo separada de mim própria e dos outros, ao seguir aquilo que a minha mente me mostra em vez de ver e ouvir aquilo que eu vejo e oiço, eu páro e respiro. Ao estar na mente eu estou separada desta realidade física e isso traz consequências. Por isso, eu dedico-me a ser irresponsável a lidar com a minha mente, a compreender a minha mente, a perceber como é que eu funciono com os outros.

Quando e assim que eu vejo a minha mente a ir em modo "automático" de correria e ideias, eu páro e respiro. Com a respiração, eu dou-me a possibilidade de ver esse pensamento e padrão que existe em mim de me distrair daquilo que é fundamental para mim, e ajudo-me através da escrita a abrir esse ponto em mim própria, sem desculpas da "falta de tempo" ou de outra justificação da mente. Eu comprometo-me a expandir o meu vocabulário, a re-educar-me sobre as palavras, a comunicar em senso comum e me mantenha honesta para com aquilo que é o melhor para todos. 

Eu apercebo-me que tenho esta vida para dar e ser o meu melhor e é neste Processo que eu me foco, logo, sou responsável por cada pensamento que ocorre na minha mente e que potencialmente requer uma mudança para que eu evolua para ser honesta comigo própria. Eu apercebo-me que ao evitar ver os meus próprios padrões e ver os meus pensamentos é ser deliberadamente irresponsável para comigo própria e para com a Vida em mim pois implica que não estou disposta a corrigir-me, quando na realidade este mundo e os seres humanos só têm uma solução: mudarmos para o melhor de quem somos e para o melhor de todos.


Apercebo-me que escrever sobre este ponto me ajudou a abrir novos pontos em mim de auto-motivação para mudar determinadas atitudes e dar-me direção em algumas das minhas decisões que até agora eu havia mantido em stand-bye por não saber como lidar com elas. Não há desculpas para ficar calada dentro de mim. Não há desculpas para eu reagir dentro de mim. Não há desculpas para eu não mudar.


Recomendo:


Living Words - Part 2: Clarity
How do you live the word “clarity”?
What is clarity?
What does it mean to live the word “clarity”?
How can clarity support you in your process of self honesty?



DIA 242: Disciplina para Mudar PRECISA-SE




Neste meu Processo apercebo-me da tendência de pensar que "voltei à estaca zero", ou  "estou a andar para trás" quando me sinto extremamente cansada fisicamente e apercebo-me que abusei do meu corpo com a aceleração da mente. Curiosamente, nestes momentos tenho tido também o hábito de culpar a minha actividade profissional como sendo demasiado stressante e exigente, mas hoje finalmente realizei que aquilo que eu faço é um reflexo daquilo que eu permito em mim: pensamentos, palavras e ações. Ou seja, independentemente da actividade profissional, sou sempre eu e quem eu sou irá influenciar aquilo que eu faço e como eu faço. O padrão de abuso-próprio por desgaste físico de trabalhar muitas horas seguidas é algo que eu tenho andado a permitir em mim e que está no meu "programa". Vendo bem, cresci a ver o meu pai a trabalhar mais horas do que o normal, a dedicar a sua vida ao trabalho e a fazer mais do que era exigido, e isto para mim ficou registado como sinónimo de sucesso.

Está nas minhas "mãos" mudar este programa que não me é benéfico, de altos e baixos - é de facto uma pressão ridícula que eu coloco em mim própria para exceder na avaliação na empresa embora até lá esteja a comprometer o meu corpo, o meu processo de escrita, a minha aplicação em honestidade-própria e mudança. Para isto, é necessário disciplina para mudar e para que a mudança passe a ser eu e que a minha mudança de atitude para comigo própria integre tudo aquilo que eu faço. Neste caso, é a minha aplicação na mudança do meu programa mental que vai permitir o meu sucesso naquilo que eu faço. É fascinante ver que eu tenho aplicado esta disciplina a seguir o meu programa, sem nunca considerar ser disciplinada em mudar a minha relação comigo própria, a não permitir "pôr mais areia" do que aquela que as minhas mãos conseguem segurar, e em ser constante nesta minha decisão. Ao mesmo tempo, vejo que o processo de acumulação pode ser adaptado para a acumulação de soluções, ao vivê-las em mim e ao mantê-las, caso me sejam benéficas.


Ou seja, eu vejo que tenho as ferramentas todas para lidar com a minha mente, desde que eu me dê direção para realmente mudar dentro de mim, naquilo que eu permito e aceito em mim: se eu aceitar a ideia de sacrificada, o mais provável é criar uma situação em que eu aceite ser vítima do sistema de trabalho, em vez de procurar saber como é que tal sistema me pode ajudar a criar a minha estabilidade. Em vez de ser vítima, eu ajudo-me a ser Vida.

Agora vou-me deitar para viver o meu compromisso de mudar o meu hábito de sono: vou testar deitar-me cedo e acordar com o nascer do dia.



DIA 240: "Uns dias abraço-me, noutros ignoro-me" - Subestimar o Processo




SubEstimamos a nossa própria Vida. SubeEstimamos a nossa honestidade própria. SubeEstimamos o nosso corpo. Consequentemente, acabamos por aceitar e permitir subestimar a Vida na Terra, subestimar os outros e subestimar a matéria física que é tudo o que existe. 

É tempo de Estimarmos quem somos.

Especialmente em momentos de grande distração na mente (quando me permito consumir pelas emoções, pelos medos, pelos sentimentos, pelas imagens, pelos pensamentos), apercebo-me que subestimo o meu potencial de caminhar o meu Processo, duvido de mim própria, entro num estado depressivo em que desvalorizo tudo o que eu faço e toda a minha criação. Os efeitos de me permitir separar de mim própria são devastadores  porque os pensamentos que daí advêm são auto-destrutivos e crio ansiedade no meu corpo que, se eu não parar, começo a viver num mundo paralelo de hipóteses sobre um futuro contra mim própria. Pergunto-me: Até que ponto é que eu tenho de ir para me decidir, de uma vez por todas, viver este Processo inteiramente?
Em vez de ficar à espera de um sinal ou de uma resposta vindo de não-sei-onde, eu decido: Agora e Aqui. Até agora tenho subestimado o meu próprio blog, a minha partilha, a minha capacidade de ajudar os outros - e isto só acontece porque ainda não me estou a ajudar a mim própria em plenitude - na verdade, ainda há separação em mim própria e inconsistência na minha atitude para comigo própria: uns dias abraço-me, noutro dias ignoro-me. há dias em que escrevo o perdão próprio fluentemente, outros dias aceito a resistência e não escrevo; há momentos em que estou ciente da respiração, outros não estou aqui.

De seguida partilho o meu Perdão-Próprio sobre os pontos da subestimação do meu processo. Deixo-vos também este vídeo do Bernard Poolman sobre o Abraço a si Mesmo:




Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar o meu processo de tornar-me ciente de mim, ciente dos princípios de honestidade-própria, ciente de como a minha mente funciona, ciente dos padrões que eu permito em mim e na Vida.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter dias-sim e dias-não, baseados na memória do que fiz no passado e por isso justifico a preguiça, justifico a procrastinação, justifico o medo, justifico o entretenimento, justifico a falta de direção, justifico a confiança ou a falta dela, justifico a energia... quando tudo isso são escapadelas de mim própria e formas de me manter fechada na minha própria mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar a minha capacidade física de existir aqui em plenitude, possível através da minha própria respiração. O facto de ter tomado a respiração (e a saúde em geral) como algo adquirido é um reflexo do estado automatizado das nossas mentes e consequentemente das nossas acções.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar o grupo do Desteni, os cursos e todo o apoio incondicional que eu tenho tido ao longo dos últimos quatro anos. Apercebo-me que mesmo quando se tem todas as ferramentas ao dispor, se não houver a decisão e a vontade própria de aplicá-las, é bem provavel de se deixar a vida passar ao lado. Eu apercebo-me que de cada vez que faço um exercício ou que tenho um chat com o grupo é uma nova camada que eu "descasco" no meu processo e uma nova abertura em mim para olhar para novos pontos até estar um e igual com tudo.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar a minha capacidade de escrever sobre todos os meus pontos da minha mente que têm de ser transcendidos, um a um.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido subestimar a minha capacidade de parar os pensamentos, parar as minhas paranóias, parar os medos, e começar a escrever sobres cada um deles, começar a ler sobre esses pontos, de investigar em mim a origem do problema que eu criei para mim própria.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar o meu potencial de resolver os meus problemas, tanto os mais complexos, como os problemas no trabalho, como os desafios do dia-a-dia e das relações com os outros. Afinal de contas, eu realizo que tudo o que se passa comigo na minha relação com os outros é um espelho daquilo que eu permito dentro de mim e portanto funciona como um indicador de pontos que requerem a minha dedicação, correção e aperfeiçoamento.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido subestimar os pensamentos e os julgamentos positivos/negativos através dos quais eu me baseio para tomar decisões, o que demonstra que a liberdade de escolha é de facto inexistente quando permitimos que a mente decida por nós.

Quando e assim que eu me vejo a subestimar a minha capacidade em tornar-me o meu próprio exemplo de senso comum e de honestidade própria e a fazer aquilo que é o melhor para todos, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que este é o Processo nessa direção e que eu sou responsável por garantir que caminho o Processo por mim.

Quando e assim que eu me vejo perante um problema e tenho logo a reação em pedir ajuda, eu páro, respiro e avalio qual é o problema, escrevo sobre isso e ajudo-me a perceber o problema e como é que eu o criei para mim (mais não seja ao complicá-lo). Curiosamente, vejo que preciso apenas de dedicar a minha vontade de ajudar os outros para me ajudar a mim! Em vez de subestimar a minha capacidade de resolver os meus problemas, eu comprometo-me a pelo menos olhar para o ponto em questão e ver como é que eu posso avançar no meu processo de auto-conhecimento e explorar caminho para a auto-correção e mudança.


Quando e assim que eu me vejo a participar na resistência de avançar nos cursos do Desteni e nos projectos do grupo, eu páro e respiro. Apercebo-me que esta resistência é uma sabotagem da mente porque eu não estou "naturalmente" treinada para ir para além do meu conhecimento e dos meus hábitos. Por isso, eu dou-me esta oportunidade de Vida para explorar o "desconhecido" fora da minha mente, aprender  com os exemplos de honestidade própria dos outros que andam este processo um e igual comigo, e decidir em honestidade e direção própria como me criar a cada respiração.

Quando e assim que eu me vejo a respirar em modo automatizado, eu páro e respiro por mim. Quando e assim que eu me vejo a subestimar a ajuda da respiração no meu processo de estar ciente de mim aqui, eu páro e respiro e vejo por mim própria como é que eu sou a cada respiração e a minha capacidade de me dar direção a cada respiração e de curar-me das possessões da mente.
Eu comprometo-me a estar um e igual com os outros seres com base na nossa respiração em comum e na nossa existência aqui.

Quando e assim que eu me vejo a justificar a resistência para não escrever o perdão próprio, eu páro e respiro. Por experiência própria, eu realizo que escrever sobre aquilo que a mente me mostra e escrever o perdão-próprio especifico é das melhores ajudas que eu dou a mim própria. Seguidamente, eu apercebo-me que pôr em prática a correção no momento em que esses padrões surgem é uma redescoberta de mim própria que nunca pensei ser possível.

Quando e assim que eu me vejo a subestimar o perdão-próprio como uma ferramenta essencial no processo de me tornar honesta comigo própria, eu páro estes pensamentos e respiro. Eu realizo que os meus julgamentos sobre o perdão próprio remontam à ideia do sacrifício e da vitimização que nada têm a ver com o processo de abertura pessoal que eu dou a mim própria através do perdão-próprio. Este é uma ferramenta e não um fim em si mesmo.



Quando e assim que eu me vejo em pleno momento de indecisão ou falta de direção, eu páro e respiro. Eu tenho a capacidade de decidir quem eu vou ser a partir desse momento e qual a direção a tomar, visto que eu sou a minha direção. Eu apercebo-me que a indecisão e a decisão com base em emoções são indicadores de que estou a permitir "viver" o programa automático da mente e a permitir ser escrava da mente de ideias e informação acumuladas ao longo do tempo.

Quando e assim que eu me vejo a reflectir sobre a minha atitude e decisões, eu comprometo-me a verificar quais foram os julgamentos positivos e negativos nos quais eu me baseei para tomar a decisão. Isto ajuda-me a perceber quais são os meus apegos emocionais e energéticos às coisas, em vez de tomar decisões com base em senso comum e naquilo que é o melhor para mim e para os outros.