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DIA 255: Desconstruir a IDEIAlogia: a família não tem de ser o exemplo a seguir


Comecei a julgar-me pela minha apatia em relaçao às pessoas à minha volta, porque nāo intervi quando as vi reagir ou a serem desonestas com elas proprias. Vejo agora que pouco ou nada se pode fazer pelos outros para ajuda-los a nāo ser eu manter-me estável em mim e agir em mim, sem ser influenciada pelo que os outros dizem ou fazem. Até agora sempre houve uma tendência para me deixar afectar pelo que os outros dizem ou fazem e para querer "salva-los" das suas proprias mentes mas é impossivel salvar uma pessoa de si própria. Realmente, cada um de nós é o seu próprio inimigo.


Desde que estou em Portugal que me apercebo-me da tendência de culpar os outros pelo que quer que seja - ou sao os emigrantes que sao os culpados pela violencia no país, ou é a mulher que nāo levantou a mesa, ou é o filho que nao sabe onde pôs nāo-sei-o-quê; As pessoas gritam em vez de falarem e quem grita mais alto é rei; O apego mental aos bens materiais é possessivo e emocionalmente destrutivo; a falta de planeamento cria stress; A necessidade de se controlar o que os outros dizem ou fazem é desgastante; O vício da justificaçāo impede ver-se que é possível mudar e fazer as coisas de maneira diferente.


DIA 191: Saber largar (ideias fixas)




Ainda na onda das discussões, um ponto que surgiu e que estou neste momento a lidar/ultrapassar/aprender é a saber largar ideias fixas. No meu caso, isto tem a ver com uma ideia que eu criei da outra pessoa no momento da discussão e, a partir daí, alimentei uma personalidade que justifiquei com base na memória da discussão. No entanto, ao olhar para o padrão das ideias fixas na minha mente, vejo também que o meu ponto de partida da discussão era baseado numa ideia fixa - mais especificamente, era baseado na imagem de um futuro projectado visualmente na minha mente e, ao ver esta imagem a ser bloqueada por uma força contra a minha vontade, eu própria participei na discussão, como se por dentro gritasse pela imagem que se desvanecia... De certa maneira, tratou-se de um bloqueio mental que eu criei para mim própria e acabei por me permitir amuar. Ainda não tinha tratado deste ponto antes e agora, ao escrever, vejo como podia ter agido de maneira diferente, em vez de dificultar ainda mais a situação. Depois da reação do amuo veio também a vontade de fazer exactamente a outra polaridade, ou seja, deitar tudo ao ar e desistir, ao pensar para mim própria que não valia a pena fazer planos porque era uma perda de tempo... Em senso comum, faço-me ver agora que fazer planos não é o problema: aquilo para o qual eu tenho de estar atenta é o meu ponto de partida para fazer/realizar o plano. Neste exemplo, a razão pela qual eu reagi quando ouvi um "Não" da outra parte foi porque toda a minha construção mental daquele futuro projectado era baseado num "Sim" que não houve...  Pergunto-me: Porque é que não me permitir estar igualmente estável com o "Não? Porque é que eu permiti que o sucesso do meu plano fosse dependente da resposta do outro? Para quê criar um plano desfasado da realidade e assim entreter a mente? Porque é que eu permiti que a minha estabilidade própria estivesse dependente da resposta do outro que eu não posso controlar, em vez de garantir que a minha estabilidade própria é incondicional (e por isso não estar dependente da imagem da mente para me sentir realizada). Apercebo-me também que foi mais fácil culpar do outro do que trazer estes pontos para mim própria, perdoar e finalmente largar...

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido agarrar-me aos pensamentos/ideias fixas da mente como se estas fossem mais reais do que o que realmente se passa aqui. Apercebo-me que a facilidade de se imaginar e projectar um futuro  funciona como um escape para propositadamente ignorar a situação que é mesmo real.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter resistência em aceitar que a situação real não é a situação projectada na minha mente e que é a situação real que eu tenho de considerar de modo a ver todos os pontos que estão aqui.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido parar a reação da mente quando me apercebi da energia de medo quando ouvi o "Não" do outro, associado ao medo de perda.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que este medo da perda não é real porque a projeção/imagem também não era real em primeiro lugar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar o outro como um mecanismo da mente para não ver como eu me permiti/criei esta instabilidade para mim própria ao criar esta condição e chantagem emocional em mim própria, estando supostamente dependente da resposta do outro (para satisfazer, ou não, a imagem da mente)
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido largar o desejo de forçar o outro a cumprir o plano da minha mente.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que ter ideias fixas é "bom" sinal e sinal de força de vontade, quando  na realidade e em honestidade própria, a força de vontade é incondicional e pode ser aplicada a casa respiração em tudo aquilo que eu faça.

Quando e assim que eu me vejo a ter resistência a ouvir o que a outra pessoa me está a dizer porque aparentemente vai contra a minha ideia inicial, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que este conflito com o outro é um espelho do conflito da mente entre a ideia fixa e os argumentos que impedem esta ideia, e apercebo-me também que ambas polaridade existem no medo da perda e que, com esta fixação, eu acabo por ignorar aquilo que está aqui realmente.
Quando e assim que eu me vejo a ter dificuldade em mudar uma ideia na minha mente quando os factos apontam para uma coisa diferente, eu páro e respiro. Eu ajudo-me a ver que se trata de uma ideia fixa na minha mente e que estou de facto a bloquear o senso comum e os factos práticos - Eu dedico-me a olhar para a situação de conflito de interesses em completo senso comum e naquilo que é o melhor para todos neste determinado momento. Eu apercebo-me que a resistência a parar o conflito é alimentada pela energia da mente de pôr a culpa em alguém e que afinal isto só cria mais separação dentro de mim (em honestidade própria) e na relação com os outros.
Eu comprometo-me a investigar sempre o meu ponto de partida na minha tomada de decisão e a garantir a mim própria que não comprometo a minha estabilidade - eu apercebo-me que sou sempre eu a única responsável pela minha estabilidade e que, ao acreditar que a resposta do outro pode limitar ou expandir a minha vida, eu estou deliberadamente a delegar a minha responsabilidade própria. Por isso, eu dedico-me a puxar pela resistência de largar uma ideia fixa e dou-me a possibilidade de recriar a minha realidade considerando aquilo que é o melhor para mim e para os outros, em unidade e igualdade.

Ilustração: Humanity's Journey to Life: Day 107: Blame Character – Commitment Statements http://bit.ly/VYJRrx by Kelly Posey

DIA 190: Estar estável COMIGO nas discussões com os outros




Ultimamente tenho lidado com reações dentro de mim no seguimento de uma discussão. Apercebi-me então que nenhuma destas reações eram novas: era como se este nervosismo, os tremores, o frio corporal, a mudança no meu tom de voz, a minha expressão, o stress, o cansaço e a fraqueza física me fossem familiares, de situações de conflito no passado.
Passei grande parte da tarde a escrever sobre memórias e ainda estou a trabalhar nos vário pontos que entretanto explorei em mim, baseados nas minhas conversas da mente, nas imagens, pensamentos e nos meus medos associados a momentos de conflito-aberto com outra pessoa.

Por agora, gostava de partilhar com vocês duas entrevistas que foram muito úteis para eu perceber o que se passa em mim ainda hoje quando enfrento uma reação da outra pessoa.
Nesta entrevista, a pessoa explica como uma experiência de conflito acabou por comprometer toda a sua vida de uma forma que ela não estava ciente, e dá também uma nova perspectiva de como cada um de nós tem a responsabilidade de ser a resolução de conflito dentro de si próprio e, assim:


Permitir-me criar a minha própria estabilidade independentemente daquilo que o outro diga ou faça; 
Ser responsável por mim e por isso não responder na mesma moeda;
Não me permitir reagir com o outro e assim não alimentar o conflito com mais energia da mente;
Levar a minha estabilidade ao extremo através da respiração; 
Permitir-me manter a voz mais estável e serena do mundo e por isso ser consistente na minha estabilidade dentro de mim; 
Ser o exemplo vivo para mim própria de estabilidade incondicional, de autoconfiança e senso comum na minha relação comigo própria e com os outros.

As entrevistas estão em Inglês. A versão Portuguesa de entrevistas da eqafe estarão disponíveis em breve.