Ainda na
onda das discussões, um ponto que surgiu e que estou neste momento a
lidar/ultrapassar/aprender é a saber largar ideias fixas. No meu caso, isto tem
a ver com uma ideia que eu criei da outra pessoa no momento da discussão e, a
partir daí, alimentei uma personalidade que justifiquei com base na memória da
discussão. No entanto, ao olhar para o padrão das ideias fixas na minha mente,
vejo também que o meu ponto de partida da discussão era baseado numa ideia fixa
- mais especificamente, era baseado na imagem de um futuro projectado
visualmente na minha mente e, ao ver esta imagem a ser bloqueada por uma força
contra a minha vontade, eu própria participei na discussão, como se por dentro
gritasse pela imagem que se desvanecia... De certa maneira, tratou-se de um
bloqueio mental que eu criei para mim própria e acabei por me permitir amuar.
Ainda não tinha tratado deste ponto antes e agora, ao escrever, vejo como podia
ter agido de maneira diferente, em vez de dificultar ainda mais a situação.
Depois da reação do amuo veio também a vontade de fazer exactamente a outra
polaridade, ou seja, deitar tudo ao ar e desistir, ao pensar para mim própria
que não valia a pena fazer planos porque era uma perda de tempo... Em senso
comum, faço-me ver agora que fazer planos não é o problema: aquilo para o qual
eu tenho de estar atenta é o meu ponto de partida para fazer/realizar o plano.
Neste exemplo, a razão pela qual eu reagi quando ouvi um "Não" da
outra parte foi porque toda a minha construção mental daquele futuro projectado
era baseado num "Sim" que não houve... Pergunto-me: Porque é que não me permitir
estar igualmente estável com o "Não? Porque é que eu permiti que o sucesso
do meu plano fosse dependente da resposta do outro? Para quê criar um plano
desfasado da realidade e assim entreter a mente? Porque é que eu permiti que a
minha estabilidade própria estivesse dependente da resposta do outro que eu não
posso controlar, em vez de garantir que a minha estabilidade própria é
incondicional (e por isso não estar dependente da imagem da mente para me
sentir realizada). Apercebo-me também que foi mais fácil culpar do outro do que trazer estes pontos para mim própria, perdoar e finalmente largar...
Eu perdoo-me
por me ter aceite e permitido agarrar-me aos pensamentos/ideias fixas da mente
como se estas fossem mais reais do que o que realmente se passa aqui.
Apercebo-me que a facilidade de se imaginar e projectar um futuro funciona como um escape para propositadamente
ignorar a situação que é mesmo real.
Eu perdoo-me
por me ter aceite e permitido ter resistência em aceitar que a situação real
não é a situação projectada na minha mente e que é a situação real que eu tenho
de considerar de modo a ver todos os pontos que estão aqui.
Eu perdoo-me
por não me ter aceite e permitido parar a reação da mente quando me apercebi da
energia de medo quando ouvi o "Não" do outro, associado ao medo de
perda.
Eu perdoo-me
por não me ter aceite e permitido ver que este medo da perda não é real porque
a projeção/imagem também não era real em primeiro lugar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar o outro como um mecanismo da mente para não ver como eu me permiti/criei esta instabilidade para mim própria ao criar esta condição e chantagem emocional em mim própria, estando supostamente dependente da resposta do outro (para satisfazer, ou não, a imagem da mente)
Eu perdoo-me
por não me ter aceite e permitido largar o desejo de forçar o outro a cumprir o
plano da minha mente.
Eu perdoo-me
por me ter aceite e permitido acreditar que ter ideias fixas é "bom"
sinal e sinal de força de vontade, quando
na realidade e em honestidade própria, a força de vontade é
incondicional e pode ser aplicada a casa respiração em tudo aquilo que eu faça.
Quando e
assim que eu me vejo a ter resistência a ouvir o que a outra pessoa me está a
dizer porque aparentemente vai contra a minha ideia inicial, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que este conflito com o outro é um espelho do conflito da mente
entre a ideia fixa e os argumentos que impedem esta ideia, e apercebo-me também
que ambas polaridade existem no medo da perda e que, com esta fixação, eu acabo
por ignorar aquilo que está aqui realmente.
Quando e
assim que eu me vejo a ter dificuldade em mudar uma ideia na minha mente quando
os factos apontam para uma coisa diferente, eu páro e respiro. Eu ajudo-me a
ver que se trata de uma ideia fixa na minha mente e que estou de facto a
bloquear o senso comum e os factos práticos - Eu dedico-me a olhar para a
situação de conflito de interesses em completo senso comum e naquilo que é o
melhor para todos neste determinado momento. Eu apercebo-me que a resistência a
parar o conflito é alimentada pela energia da mente de pôr a culpa em alguém e
que afinal isto só cria mais separação dentro de mim (em honestidade própria) e
na relação com os outros.
Eu
comprometo-me a investigar sempre o meu ponto de partida na minha tomada de
decisão e a garantir a mim própria que não comprometo a minha estabilidade - eu
apercebo-me que sou sempre eu a única responsável pela minha estabilidade e
que, ao acreditar que a resposta do outro pode limitar ou expandir a minha
vida, eu estou deliberadamente a delegar a minha responsabilidade própria. Por
isso, eu dedico-me a puxar pela resistência de largar uma ideia fixa e dou-me a
possibilidade de recriar a minha realidade considerando aquilo que é o melhor
para mim e para os outros, em unidade e igualdade.