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DIA 236: Proibido falar de sexo?


O blog de ontem foi uma introdução à jornada que me proponho fazer de desconstruir as ideias geradas à volta do sexo, que têm mantido este tema separado de nós próprios. Quantos de nós têm conversas maduras sobre sexo? Conversas que realmente procuram alargar o nosso entendimento sobre aquilo que é o sexo, sobre quem nós somos no sexo, sobre aquilo que é realmente importante para cada um durante o sexo, sobre os medos atrelados ao sexo, sobre as dúvidas, sobre as paranóias... E falar de tudo isto sem medo de se ser julgado, criticado ou gozado?
Mesmo que quiséssemos falar sobre sexo, como podemos falar sobre algo que ainda não está plenamente estável no nosso ser? Como é que vamos progredir no nosso discurso sobre educação sexual se não há um diálogo construtivo, sem julgamentos, sem agendas, sem desejos, sem interesse próprio, sem ego, sem religião, sem medo e sem ideias pré-feitas? Como é que podemos ensinar aquilo que não sabemos nem vivemos para nós próprios?
É exactamente sobre esta resistência em se estar um e igual com a conversa do sexo que eu vou escrever o perdão-próprio de hoje. Alguns destes pontos foram enfrentados há alguns anos, no entanto, vou partilhá-los agora e viver o compromisso de me estabilizar nesta conversa.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar a palavra sexo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar sobre sexo com amigos, colegas e familiares por pensar que eles não me compreendem ou por pensar que é errado conversar-se sobre sexo. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que é errado falar de sexo só porque este não foi um tópico falado no ambiente e sociedade em que eu cresci - eu apercebo-me que não tenho de copiar aquilo que eu vejo à minha volta, muito menos de participar no silêncio quando vejo que a falta de educação sexual e a falta de honestidade própria criam tantos conflitos  e paranóias pessoais que, por sua vez, trazem consequências e desequilíbrios graves para a sociedade em que vivemos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que só se pode ler coisas sobre sexo ou falar sobre sexo às escondidas uns dos outros, como se o sexo fosse uma conversa suja.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que os meus pensamentos e medos sobre aquilo que as outras pessoas possam pensar sobre o sexo é de facto um espelho/reflexo daquilo que eu permito pensar e acreditar sobre aquilo que o sexo é. Eu apercebo-me que se o pensamento sobre aquilo que o outro pensa existe na minha mente então sou eu que estou a permitir esse pensamento em mim e a projectá-lo no outro, em vez de tomar responsabilidade própria sobre os pensamentos que eu aceito viver. Eu apercebo-me que evitar falar de sexo é estar a limitar o meu auto-conhecimento, estar a limitar o meu próprio esclarecimento e expansão e estar a ignorar um dos elementos que mais influencia a nossa vida mental e física.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o sexo a pornografia e a notícias de violações, somente porque essas são as formas mais comuns de se ouvir falar de sexo nos meios de comunicação social.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que o sexo é uma coisa separada de mim, separada do meu dia-a-dia, separada das outras pessoas.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que quanto mais eu suprimo/nós suprimimos as nossas dúvidas sobre o sexo, mais ideias, crenças e medos alimentamos nas nossas mentes e assim mais distantes estamos da simplicidade sexual e da expressão sexuais.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a resistência em falar de sexo é prova de como o sexo foi manipulado e subvertido na nossa sociedade para controlar as mentes das pessoas através do medo da nossa própria existência e da nossa própria criação (ou será que não somos todos frutos do sexo?)

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter resistência para partilhar os pontos da minha religião do Ser, inclusive as crenças e medos associados ao sexo,  mesmo com as pessoas mais próximas de mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar e escrever abertamente sobre a expressão sexual e o sexo em geral, ao pensar que vou ser julgada, criticada e gozada pelas pessoas que me conhecem. Eu apercebo-me que estes pensamentos que a minha mente me mostra são os pensamentos que eu tenho acumulado em mim e que se tornaram a minha referência e a minha limitação. Eu realizo então que só eu me posso ajudar a caminhar estas resistências, a libertar-me do peso do medo e a parar de impor julgamentos da mente sobre mim, o que é contra a minha expressão própria.



DIA 235: Onde anda a expressão sexual?


Quando ponderei começar a escrever uma série de artigos sobre sexo, pensei que seria desta que chegaria às 200 visitas diárias! E porquê? A meu ver, há de facto uma falta de claridade sobre aquilo que a expressão sexual é ou pode vir a ser nas nossas vidas e reparo na falta de literatura que olha para o sexo em honestidade-própria. Para além das entrevistas da EQAFE, há muito pouco conteúdo sobre sexo que valha realmente a pena ler-se ou ouvir-se.

Mas porque é que o tema sexual no nosso mundo é composto por esta polaridade abominável: ou se trata deste tópico na sua vulgarização máxima com piadas de calibre abaixo do respeitável, ou não se fala dele apesar de estar constantemente a palpitar nas mentes humanas, sem qualquer orientação, tornando-se num tabu sem se saber como se falar dele?
Na continuação da minha escrita e investigação da minha Religião do Ser, começo a ver a minha relação com o aquilo que me foi ensinado como sendo errado, ou doloroso, complicado, vergonhoso e perigoso: o melhor exemplo que eu encontro é a religião criada à volta da expressão física dos corpos chamada de sexo. É incrível como a falta de educação é substituída por uma religião de secretismo à porta fechada, mesmo quando tal cegueira traz tantas consequências para cada um de nós e, consequentemente, para a nossa sociedade.  Na minha mente, este tópico foi também mantido como um secretismo baseado nas histórias que ouvia falar dos outros e da representação daquilo que supostamente o sexo é na indústria cinematográfica.

É uma pena que os adultos não sejam educados a educar as crianças sobre o que a vida sexual é ou pode ser, sem se ter como referência a imprensa oculta de revistas Marias e afins, ou pior, a referência pornográfica que é a completa adulteração daquilo que a expressão sexual humana realmente é. A meu ver, o silêncio do sexo tem sido substituído pela comédia, em que a maioria das piadas vão dar eventualmente a fantasias sexuais que ficaram suprimidas algures nas mentes humanas e que nem sequer nos questionamos sobre a banalidade dos comentários. Vê-se então a paranóia do sexo espalhada por todo o lado associada à nudez das campanhas publicitárias, a objectivação do corpo feminino, a ignorância sobre a origem dos desejos da mente e, finalmente, a consequência global do abuso manifestada em notícias de violações sexuais, de relações desequilibradas, de violência sexual que pode condicionar a vida de um ser-humano para sempre caso não haja um acompanhamento adequado. E no final de contas, somos nós enquanto humanidade que estamos a criar este inferno para as nossas vidas e para as vidas dos outros e portanto cada um de nós é responsável por ajudar-se a si próprio a compreender o que se passa nas nossas mentes e, obviamente, corrigir aquilo que manifesta abuso sobre si próprio e sobre os outros que são afectados directa e indirectamente.

Se tirarmos por momentos todas estas ideias associadas ao sexo, o que é que temos? Corpos que respiram, igualdade, movimento, expressão, descoberta corporal, expansão pessoal, alinhamento com o físico, presença, respeito por si próprio e pelo outro, novidade, carinho, INTIMIDADE COM O SEU PRÓPRIO CORPO, prazer, entrega, vulnerabilidade, estabilidade, sensibilidade, CONFIANÇA EM SI PRÓPRIO, CONFIANÇA NO OUTRO, simplicidade, humildade, partilha e transcendência dos limites que impusemos a nós próprios.

Infelizmente, a extensão do abuso sexual na nossa sociedade comprova que há uma deficiência na maneira como este tema é educado e que consequentemente é deixado à mercê das mentes de cada um e também manipulado pelo sistema de poder e dinheiro.
Todos sabemos que a prevenção é o melhor remédio, e para que haja prevenção tem de haver entendimento sobre o que o sexo realmente é, como é que este tem sido usado e abusado para manter as mentes suprimidas e sob controlo do medo, em vez de cada um de nós ser realmente educado sobre o seu próprio corpo, em estabelecer uma relação de confiança e a saber aquilo que é o melhor para si próprio em unidade e igualdade com os outros.

Abro então um novo capítulo no meu processo em que vou explorar os várias camadas de pensamentos e ideias associados com o sexo como até agora tem sido mal-tratado, e vou abrir caminho a uma nova perspectiva sobre a expressão sexual como sendo o potencial máximo de expressão física, respeito mútuo e auto-conhecimento. Vou andar este processo em tempo-real, re-educando-me de acordo com pontos que eu vou enfrentando e lidando com eles. Sugiro que se oiça também as entrevistas da EQAFE que proporcionam um entendimento da relação que cada um de nós criou com o sexo.



DIA 13 - Confortável no mEU corpo


Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar confortável na minha expressão corporal e por isso ser confortável um e igual com o meu corpo.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido realizar que o meu corpo é vida feita da matéria do qual todo o universo é composto e por isso o meu corpo é um e igual com tudo o que existe.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar uma relação com o meu corpo de vergonha, querendo esconder-me de mim e dos outros.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estabelecer uma relação de total intimidade comigo própria, sem julgamentos, sem medo nem arrependimento. Apercebo-me que ao não estar confortável com/sendo o meu corpo, então estarei dependente da atenção dos outros e quando essa atenção não existe, sinto-me descartada - apercebo-me que fui em quem me ignorei primeiro.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido abafar a minha expressão corporal e suprimir a curiosidade pelo meu corpo - estar um e igual com o meu corpo é a melhor ajuda que posso dar a mim própria. Realizo que quanto mais os anos passam, mais eu existo na mente/em pensamentos e menos no físico -- quando é o físico que é real!

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ver o meu corpo como algo separado de mim - eu sou/existo como e no meu corpo. O meu corpo é Vida e eu tenho-me ignorado e esquecido de mim como vida que sou!

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido abusar do meu corpo com os desejos e com os medos da mente, que são as duas faces da mesma moeda. Apercebo-me que tenho de dar tempo e a oportunidade a mim mesma para restabelecer uma relação com o corpo que seja o melhor para mim, baseada em honestidade própria, em apoio incondicional e expressão igual a Vida.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sabotar a minha acção e expressão própria ao estar focada no pensamento ou em imagens da mente, em vez de ser incondicional aqui e criar a minha acção a partir do nada - um nada que vem da estabilidade e da confiança que tudo o que eu faço é o melhor para mim e para os outros.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido tomar responsabilidade pela comida que eu ingiro - apercebo-me que ao comer eu estou a criar o meu corpo e por isso vou dar a mim próprio a comida que suporta o meu corpo, nem mais nem menos.

Quando e assim que eu me vejo a suprimir a minha acção com base na imagem "de fora" que eu tenho de mim própria, eu páro e respiro. Se for preciso eu toco no meu corpo para perceber que esta matéria é real e que eu estou Aqui. Eu sou o movimento, não a imagem que tenho de mim na mente - O mEU corpo não existe na mente.

Eu comprometo-me a estar confortável no meu corpo e a estabelecer uma nova intimidade comigo própria, sem julgamentos, vergonha nem medo.

Quando e assim que eu me vejo obcecada com pensamentos da mente, eu páro e respiro. Apercebo-me que o respirar do meu corpo é a melhor ajuda/ferramenta que eu tenho aqui para me estabilizar aqui- Ao estar ciente de mim e dos meus movimentos, sou capaz de tomar direcção própria em plenitude com o meu corpo, ciente que qualquer decisão que eu tome não irá trazer consequências para o meu corpo/vida.

Quando e assim que eu me vejo participar em pensamentos e imagens que são um abuso de mim própria e um total desrespeito por mim enquanto vida, eu páro e respiro.Eu comprometo-me a respeitar-me enquanto vida que sou e agir de acordo com esta decisão.

Quando e assim que eu me vejo estar tensa na minha expressão, eu páro e respiro. Dou a mim própria o tempo para verificar qual o ponto que está aqui para eu ultrapassar para restabelecer a minha expressão incondicional.

Quando e assim que eu me vejo desejar que outros decidam a comida por mim, eu páro e respiro. Apercebo-me que me tornei preguiçosa e que nunca até agora me dediquei a cuidar do meu corpo de forma estável. Eu dedico-me a tomar responsabilidade e a garantir que tudo o que eu ingiro é um suporte para o meu corpo. Dedico-me também a confiar em mim própria um e igual com o meu corpo e páro de participar como o polícia/deus da mente.