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DIA 242: Disciplina para Mudar PRECISA-SE




Neste meu Processo apercebo-me da tendência de pensar que "voltei à estaca zero", ou  "estou a andar para trás" quando me sinto extremamente cansada fisicamente e apercebo-me que abusei do meu corpo com a aceleração da mente. Curiosamente, nestes momentos tenho tido também o hábito de culpar a minha actividade profissional como sendo demasiado stressante e exigente, mas hoje finalmente realizei que aquilo que eu faço é um reflexo daquilo que eu permito em mim: pensamentos, palavras e ações. Ou seja, independentemente da actividade profissional, sou sempre eu e quem eu sou irá influenciar aquilo que eu faço e como eu faço. O padrão de abuso-próprio por desgaste físico de trabalhar muitas horas seguidas é algo que eu tenho andado a permitir em mim e que está no meu "programa". Vendo bem, cresci a ver o meu pai a trabalhar mais horas do que o normal, a dedicar a sua vida ao trabalho e a fazer mais do que era exigido, e isto para mim ficou registado como sinónimo de sucesso.

Está nas minhas "mãos" mudar este programa que não me é benéfico, de altos e baixos - é de facto uma pressão ridícula que eu coloco em mim própria para exceder na avaliação na empresa embora até lá esteja a comprometer o meu corpo, o meu processo de escrita, a minha aplicação em honestidade-própria e mudança. Para isto, é necessário disciplina para mudar e para que a mudança passe a ser eu e que a minha mudança de atitude para comigo própria integre tudo aquilo que eu faço. Neste caso, é a minha aplicação na mudança do meu programa mental que vai permitir o meu sucesso naquilo que eu faço. É fascinante ver que eu tenho aplicado esta disciplina a seguir o meu programa, sem nunca considerar ser disciplinada em mudar a minha relação comigo própria, a não permitir "pôr mais areia" do que aquela que as minhas mãos conseguem segurar, e em ser constante nesta minha decisão. Ao mesmo tempo, vejo que o processo de acumulação pode ser adaptado para a acumulação de soluções, ao vivê-las em mim e ao mantê-las, caso me sejam benéficas.


Ou seja, eu vejo que tenho as ferramentas todas para lidar com a minha mente, desde que eu me dê direção para realmente mudar dentro de mim, naquilo que eu permito e aceito em mim: se eu aceitar a ideia de sacrificada, o mais provável é criar uma situação em que eu aceite ser vítima do sistema de trabalho, em vez de procurar saber como é que tal sistema me pode ajudar a criar a minha estabilidade. Em vez de ser vítima, eu ajudo-me a ser Vida.

Agora vou-me deitar para viver o meu compromisso de mudar o meu hábito de sono: vou testar deitar-me cedo e acordar com o nascer do dia.



DIA 230: A Paranóia da Sexta-Feira




Será que já nos perguntámos porque razão a sexta-feira é um dia fascinante no calendário dos seres humanos do mundo ocidental? Pelo menos no meu escritório, paira no ar uma alegria estranha, há mais sorrisos, as pessoas vestem-se descontraidamente e há mais tempo para se conversar com o colega do lado. Isto não seria de estranhar se fosse a regra, no entanto, esta motivação quase infantil é a excepção e só ocorre um dia por semana. Ao fim de um ano, provavelmente vai-se ver que dos 260 dias de trabalho, apenas 52 dias foram levados de bom grado. Este comportamento está de tal forma enraizado na sociedade que até deu nome a um franchaising de restauração - o famoso Thank God Is Fridays.
Mas será que é a Deus que agradecemos as nossas vidas semanais miseráveis que requerem um ou dois dias de "descanso", para depois se voltar para a roda dos ratos na corrida contra o tempo? Ou será que não somos nós próprios quem tem consentido com uma vida contra a nossa própria existência, contra o nosso próprio bem-estar, contra a nossa própria estabilidade e segurança de uma vida garantida?

 At least is Friday é outra expressão que está nas bocas de muitos para se aceitar qualquer coisa menos boa que aconteça numa sexta-feira, que realmente significa "quero lá saber"... Foi estranho deparar-me com esta realidade do mercado de trabalho quando me juntei a uma grande empresa porque não estava habituada a ver a influencia da chegada do fim-de-semana e a abertura com que as pessoas expressavam a necessidade e desespero pela chegada das 17:00. Provavelmente não reparei nesta paranóia enquanto trabalhava numa pequena empresa porque espera-se que os empregados gostem daquilo que fazem e normalmente o director encontra-se na mesma sala!

Para mim, a motivação da sexta-feira é como um balão que enche e se esvazia até estar murcho num domingo à noite e não haver qualquer vontade-própria de começar a segunda-feira. No entanto, a partir de quarta-feira, o mesmo balão recomeça a ser enchido pela vontade crescente de se ter dois dias "livres" geridos pela nossa própria decisão. Curiosamente, cheguei à realização que a minha gestão do tempo durante o fim-de-semana é precária quando comparada com a gestão das minhas reuniões durante a semana. Apercebo-me também que a sexta-feira tem um certo "sabor" a rebeldia, em que eu noto a tendência de desejar quebrar a rotina para não pensar no dia seguinte e convencer-me a mim própria que estes eventos fazem sentido e que eu mereço ter este descanso.

Se eu acredito que eu mereço este descanso e se fisicamente o meu corpo necessita deste repouso semanal, então como posso aceitar que no mesmo mundo existem pessoas sem dias de férias nem qualquer motivação externa que as convença que a vida delas vai mudar para melhor? 

SOLUÇÃO

Será que não estaremos nós numa posição privilegiada de questionarmos o sistema que nos prende, de questionarmos as razões pelas quais não estamos plenamente satisfeitos com a nossa actividade diária, nos questionarmos que, se não fosse pelo dinheiro, provavelmente a maioria das pessoas iria fazer qualquer coisa diferente daquilo que faz. E tu, vês a tua paranóia e a paranóia da nossa sociedade? Se realmente estivéssemos empenhados em criar o paraíso na Terra, cada dia seria igualmente importante na vida de cada um, em que cada um de nós respira aqui, se expande sem medo, dedica-se a aperfeiçoar a sua actividade e sabe que está a fazer o melhor por si, para si e pelos outros. 
Sugiro que se comece a investigar soluções a favor de uma sociedade equilibrada na qual a precaridade está fora da Equação - isto será possível se o dinheiro passar a ser uma forma de libertação e não de controlo. Leiam mais sobre o Rendimento Básico Garantido:  http://basicincome.me/




DIA 227: Tendência de dizer "sim" a tudo e Resistência a dizer "não"?

É fascinante perceber quando a desonestidade própria está à espreita e, no espaço de segundos, tenho a única escolha que resta: ser honesta comigo própria. O problema que até agora eu tenho enfrentado é que nós não somos educados a ser honestos connosco próprios, a começar pelos primeiros anos de vida em que nos apercebemos que agradar os outros traz uma recompensa imediata e aparentemente "sabe bem". No entanto, quando chegamos à idade adulta e projectamos este padrão no emprego, a necessidade de apreciar o outro começa a dar que pensar: porque raio é que eu digo que sim a tudo quando na realidade não será fisicamente possível fazer todas estas tarefas? Por que é que eu não me dou tempo para avaliar se o meu "sim" é honesto comigo própria e, se assim for, será também honesto com o outro?
O padrão da apreciação é "tricky" ou seja, é traiçoeiro porque no meio da "energia positiva" e reconhecimento vindo do outro, nem conseguimos ver que nos estamos a abusar, mentalmente e depois fisicamente. Este padrão é visivel na escola primária e na necessidade de se agradar a professora para me sentir especial e amada! Por isso, a típica ideia de se entregar uma maçã à Professora que era tão comum nos livrinhos de banda desenhada é, de facto, uma maçã envenenada através da qual vamos transportar este padrão da apreciação para a nossa vida adulta. Sem nos apercebermos, estamos a sofrer de uma lavagem cerebral em que nem sequer nos questionamos, porque é exactamente assim que vamos aceitar o sistema de trabalho como ele existe (disfuncional, desequilibrado e sem igualdade entre as pessoas)
Vejo em mim esta tendência de acumular tarefas ao dizer "sim, faço daqui a pouco", ou "sim, aceito esta missão" no emprego, mas depois o "sim" traduz-se em pressão e auto-tensão quando acabo por ter de deixar outras tarefas para depois ou apressar as coisas, em vez de cooperar comigo própria e ser directa quando alguma coisa está ou vai afectar a minha estabilidade.
Um dia destes, dei por mim a delegar uma tarefa bastante básica, como pedir ao outro que preparasse a salada do jantar e, embora me tenha apercebido que o primeiro pensamento tinha sido o de dizer "nããã, deixa estar que eu faço", vi então que aceitar a ajuda do outro foi a melhor coisa a fazer porque representou a igualdade e a distribuição de tarefas que será igualmente apreciada por todos quando formos todos jantar. Quando esta igualdade prevalece, cria-se um ambiente produtivo e há uma concordância estabelecida entre as pessoas.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar em mim como uma vítima de acumulação de tarefas e uma vítima dos outros, quando afinal tratasse de aceitar essa posição como sendo eu.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ser honesta comigo própria e assim ser honesta com os outros quando estamos numa situação de distribuir tarefas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido  ter medo de dizer que "não" a coisas que me são mesmo quando eu vejo que estarei a comprometer o meu tempo e todas as minhas outras tarefas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na resistência de delegar tarefas ou de dizer que "não posso ajudar" quando afinal delegar tarefas é também uma forma de ser um exemplo para mim e para os outros e que dizer que "não" não implica necessariamente falta de vontade - em honestidade própria, ao não acumular tarefas nem novos compromissos eu estou a ser responsável com os meus compromissos existentes.

Eu apercebo-me que esta ideia de acumular tarefas vem da minha experiência de viver com pessoas dos "7 ofícios" que aceitavam fazer tudo o que lhes era pedido e que isto era o "normal". No entanto, vejo agora que aceitar apreciar-se os outros é uma forma de escravidão mental, baseada no medo de aborrecer os outros, quando afinal a única coisa que se deixa ofender é o ego das pessoas (e o ego não é quem as pessoas realmente são).
Por isso, quando e assim que eu me vejo a aceitar fazer uma tarefa para apreciar a outra pessoas (seja o meu manager, seja um familiar, seja um amigo), eu páro, respiro, e vejo se realmente me poso comprometer com essa tarefa de acordo com o tempo que eu tenho disponível. Comprometo-me também a re-educar-me a ver as coisas em senso comum, em vez de ver com base em laços emocionais ou laços pessoais que geram condicionalidade e medo.
Quando e assim que eu me vejo a ter medo e resistência de dizer que "não" a uma tarefa que me seja pedida, eu páro e respiro. Esta resistência da mente é uma sabotagem da mente/ego para manter a minha personalidade intacta mesmo quando esta personalidade não é o melhor para mim. Por isso, eu dedico-me a respirar quando a energia do medo me invade e ajudo-me a manter-me estável na minha decisão, seja "sim" ou "não". Eu apercebo-me que a necessidade de "apreciar o outro" só existe em mim e que depende de mim alimentar esta necessidade dos egos ou não. Curiosamente, eu apercebo-me que é ridículo fazer uma coisa para ter uma recompensa do outro quando na realidade essa mesma tarefa irá implicar um sacrifício da minha parte. Apercebo-me que a única recompensa que vale a pena dar a mim própria é a garantia de que estou a ser honesta comigo própria nas minhas ações e relações com os outros e que não permito que a minha mente/ego de energias positivas (reconhecimento) ou negativas (medo) dominem as minhas decisões.
Eu comprometo-me a pôr a honestidade própria e o senso comum em primeiro lugar de modo a que as minhas decisões tenham a honestidade própria e o senso comum como princípios base.

Eu apercebo-me também que a energia de apreciar/agradar a outra pessoa não é real e que é desnecessária se houver uma total confiança e se se recriar uma relação e comunicação honesta com o outro, em que o outro saiba que eu não vou dizer que "não" somente para o contrariar, e que ao mesmo tempo não irei dizer que "sim" se isso me for prejudicar. Realizo que depende de mim re-educar-me em honestidade própria e senso comum de modo a aplicar estes princípios no meu dia-a-dia e ser um exemplo para mim própria (logo, para os outros/todos, em unidade e igualdade como quem nós realmente somos).


DIA 204: Mecanismo de defesa da mente


Continuo a analisar esta "necessidade de defesa" e curiosamente hoje vi a mesma reação noutra pessoa: reparei como o tom de voz se alterou quando o mecanismo de defesa começou a actuar e a voz tomou aquele ar defensivo, como se suplicasse para ser compreendido!
No meu caso de ontem, como eu expliquei no meu artigo De onde vem esta necessidade de medefender? apercebi-me desta vontade/energia para responder imediatamente, sem sequer me dar tempo para analisar os vários pontos envolvidos. Vejo então que o mecanismo de defesa da mente é uma forma de instinto de sobrevivência do ego, no qual manifesto o medo daquilo que o outro possa vir a pensar de mim e portanto tenho esta necessidade de agir o mais depressa possível. No entanto, ao escrever sobre isto, vejo que eu não posso controlar o que quer que seja que o outro possa vir a pensar de mim, porque nenhum desses pensamentos tem de ser tomado como pessoal. Da mesma maneira que qual quer que seja o julgamento que eu possa vir a pensar que o outro tenha de mim tem apenas a ver com o meu próprio julgamento. Nisto, vou então aplicar o perdão próprio sobre a reação de defesa pessoal quando permito sentir-me atacada pelo outro:

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido reagir quando recebi o email do meu colega e por ter levado a pergunta do outro como um ataque ao meu trabalho.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido estar vulnerável à interpretação da mente sobre aquilo que me é dito, em vez de verificar em honestidade-própria se fiz realmente tudo aquilo que eu era suposto fazer naquela tarefa específica.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido entrar no jogo de defesa da mente ao responder com base na ideia de estar a ser atacada, em vez de responder em senso comum e estar aberta ao comentário do outro sem uma personal agenda.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ficar ansiosa perante a questão, em vez de perceber que as outras pessoas podem não estar inteiramente dentro do assunto e é da minha responsabilidade passar essa informação e esclarecer o que é que foi feito. Assim, eu apercebo-me que a questão do outro não tem de ser considerada como um ataque ao meu trabalho, mas simplesmente um pedido de clarificação.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a minha reação não teve a ver com o outro mas que me mostra a insegurança que eu ainda tenho de corrigir em mim em relação ao meu trabalho.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido tomar completa responsabilidade pelas tarefas que eu faço e garantir que sou sempre capaz de responder a qualquer clarificação que me seja pedida, em plena estabilidade, ciente que fiz o melhor que podia e tudo aquilo que estava ao meu alcance. Desta forma, apercebo-me que crio a minha estabilidade à priori e que estou estável nas minhas decisões sobre aquilo que eu faço no meu trabalho.

Quando e assim que eu me vejo a julgar um comentário/pergunta como um ataque pessoal, eu páro e respiro. Em vez de participar no programa automático da mente de defesa, eu comprometo-me a dar direção àquele momento, e permito-me então parar o ataque pessoal em mim e permito-me ver o senso comum da questão. Dou-me também a oportunidade de investigar em mim qual é que o ataque que eu estou a interpretar e ajudo-me a perceber de onde é que o auto-julgamento vem. Neste caso, eu comprometo-me a responder em senso comum àquilo que me é pedido, sem ter qualquer segundas intenções de me defender ou de marcar pontos. Se for preciso, faço perdão-próprio no momento em que sinto a reação e ansiedade em mim, e comprometo-me a parar a ideia de que o outro desconfia das minhas capacidades.Eu apercebo-me que é nestas situações que eu demonstro maturidade a lidar com os problemas e me mantenho como um elemento estável na equipa, como um exemplo para mim própria e para os outros.

Quando e assim que eu me vejo a participar na competição do ego de "querer ganhar a discussão", eu páro e respiro. Eu apercebo-me que esta competição com "o outro" é de facto uma competição comigo própria e que este conflito do ego é uma fonte de instabilidade dentro de mim. Vejo então que a minha relação com os outros é um espelho da relação que tenho comigo própria, e que posso usar a minha relação com os outros como um indicador daquilo que eu sou responsável por mudar em mim, para o meu próprio bem.

Eu apercebo-me que qualquer julgamento que eu possa pensar que o outro tenha de mim é um julgamento que eu tenho sobre mim própria e cabe-me a mim trabalhar esse ponto em mim e verificar onde e como é que eu posso corrigir/aperfeiçoar a minha ação. Ao mesmo tempo, eu apercebo-me que o comentário que vem da outra pessoa é também uma projeção da mente dessa pessoa e que depende de mim aceitar isso como um ataque pessoal ou não.
Em honestidade própria, eu permito-me dar estabilidade numa situação em que sou chamada à responsabilidade, ao estar ciente que tomei as ações necessárias para levar a cabo a minha tarefa. Eu apercebo-me que ao não permitir que a reação se imponha na minha relação com os outros, eu sou capaz de ver a situação em senso comum e estar um e igual com o resto da equipa, sem procurar tomar posições defensivas ou de ataque, mas procuro cumprir a minha responsabilidade individual para com a equipa e para com o resultado final do projecto.


DIA 202: Imaginar o Pior Cenário VS Imaginar o Melhor Cenário (e o "dedo" do Deus nesta história)

Há alguns anos que eu me apercebo desta tendência em mim de criar o pior cenário possível e permitir-me "viver" esse cenário com medo do futuro. Ao mesmo tempo, recordo-me de tentar ao máximo imaginar cenários na minha mente que eu associava com paz e "está tudo bem", tal como fazia à noite ao fechar os olhos e esforçar-me por ver ursos num cenário cor-de-rosa de flores, e pensar que assim evitava ter pesadelos.
Hoje em dia, este padrão é manifestado na projeção de cenários de um futuro que eu temo ser contra mim própria no meu emprego. Dou por mim a imaginar cenários em que me esqueço de uma reunião importante, ou que falho, ou que está toda a equipa à minha espera... Por outro lado, dou também por mim a acumular excitação quando penso que o projecto está quase a acabar, ou a imaginar que é tudo terminado com sucesso e há a imagem do reconhecimento dos outros. Ainda estou no processo de me permitir estar ciente de quando estes eventos mentais ocorrem... Aquilo que me tem escapado tem sido perguntar-me: - quem é que, para além de mim, me tem permitido imaginar/participar nos cenários da minha mente? Ao escrever "minha mente" acabo de dar a resposta à minha pergunta. Sou eu a única responsável por me permitir cair no "buraco negro da mente" e seguir a mente como se fosse um Master...
Provavelmente, a minha crença em Deus durante os primeiros 21 anos da minha vida foi também um factor para me questionar ainda menos e acabar por varrer este padrão para debaixo do tapete com a suposta ideia/esperança que era a vontade de Deus e que portanto era aceitável. No entanto, mais uma vez eu sou a única responsável por ter aceite e permitido a minha crença em Deus e por "descartar" a minha responsabilidade de não seguir a mente.

Apercebo-me que as duas versões dos cenários são desfasadas da realidade: uma representa a polaridade negativa e a outra a polaridade positiva. Ambas são baseadas em energia da mente que tem impacto na minha estabilidade física de cada vez que eu me permito aceitar e alimentar os cenários da mente em mim.
  • Porque é que há a necessidade de criar cenários para o futuro quando estes cenários são contra a minha estabilidade?
Nisto, apercebo-me do ponto da falta de confiança em fazer aquilo que é o melhor para mim considerando todos os pontos da minha realidade e acabo por acreditar que a mente (tal e qual um Deus) vai saber decidir por mim. Ao escrever sobre este padrão começo a encontrar novas perguntas e novas camadas que me podem ajudar a descobrir o padrão, a percebê-lo e a estar ciente da minha correção prática.  Curiosamente, os cenários da mente não são planos que consideram a realidade das coisas - pelo contrário, estas imagens surgem mentalmente como um filme improvisado sem guião. Portanto, uma coisa que eu posso tentar fazer da próxima vez que comece a criar um cenário de futuro na minha mente, é escrever sobre aquilo que a minha mente está a projectar e verificar com base na realidade das coisas se o cenário tem fundamento - em vez de participar no medo reactivo e primitivo da mente, eu ajudo-me a estabelecer soluções práticas para ir eliminando os factores de risco e ver como posso prevenir que uma situação adversa ocorra.

Enquanto que antes eu iria provavelmente rezar/agradecer a um Deus por ter ajudado a que tudo corresse bem, hoje em dia estou ciente que não houve uma magia separada de mim a ditar a minha vida, nem houve um dedo invisível divino - estou ciente que fui eu quem me permitiu dar direção a mim própria, me permiti abrandar o programa de medo da mente, e me permiti ver/APLICAR/viver as soluções para mim própria considerando as várias etapas e elementos envolvidos no projecto por exemplo.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar nos cenário auto-derrotadores da minha mente e acreditar que projecto x está destinado a falhar sem primeiro garantir que estou ciente do projecto, que estou à vontade e que faço o meu "trabalho de casa" de me limpar dos medos pré-concebidos na minha mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido simplesmente adoptar os medos da mente como sendo inquestionáveis, em vez de dizer ESPERA LÁ! Porque é que eu aceito o medo de falhar sem primeiro garantir que eu estou a planear o trabalho passo-a-passo, que estou a considerar os cenários possíveis e a colmatar/prevenir ao máximo os factores de risco que estão ao meu alcance evitar, por exemplo através de uma comunicação clara com os meus colegas, e ao pedir ajuda para coisas que eu possa ainda não saber resolver, ou ao ter em consideração falhas que possam ter ocorrido no passado e que eu tenho a oportunidade de corrigir.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido "perder tempo" e dar atenção às imagens/cenários da mente positivas (desejos) e negativas (medos). Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que depende sempre de mim criar a minha estabilidade própria. Por isso, comprometo-me a parar a espiral da imaginação da mente e dedico-me a investir o meu tempo e a minha atenção na prevenção, na preparação da minha ação para garantir que me estou a dar uma direção que seja o melhor para mim.

No emprego, eu realizo que o resultado final está dependente do meu empenho no processo de preparação e da minha concentração a planear e a executar a minha ação, que por sua vez estão dependestes da minha estabilidade própria e da minha respiração para evitar reações.

Eu realizo que o meu processo de criação tem impacto nos vários elementos da minha vida, nomeadamente na minha relação com os outros e no meu desenvolvimento pessoal/profissional no meu emprego.
Apercebo-me que o processo de auto-criação é um processo de aprendizagem prática em honestidade própria.
Apercebo-me que os medos da mente são baseados na ideia de separação em relação aos outros e na separação de mim própria, quando afinal sou/somos /estamos todos aqui em unidade e igualdade, cada um responsável por si epelo todo.
Em vez de aceitar os medos/padrões da mente como sendo "a regra", ou no lugar de culpar algo ou alguém pela minha experiência, em foco-me em perceber como é que eu estou a participar na minha realidade e comprometo-me garantir que sou responsável pelo auto-aperfeiçoamento das minha ações em considerar todos os pontos envolvidos e aquilo que é o melhor para todos.

Quando e assim que eu me vejo a participar no medo que o resultado seja contrário à minha dedicação, eu páro e respiro. Em honestidade própria, eu verifico onde é que eu estou a hesitar, ou se há medos que me impedem de dedicar a 100%, ou se há algum ponto que eu ainda não resolvi em mim e que esta é uma oportunidade para lidar/transcender esse ponto. Ao mesmo tempo, eu comprometo-me a parar o padrão de ser dura comigo própria , considerando que há alguns elementos que estão fora do meu controle.

Para concluir, posso utilizar os cenários/tendências da mente para estar ciente dos padrões que existem em mim e que eu sou responsável por mudar estes padrões em mim que são fonte de instabilidade e distração mental. Realizo então que a própria ideia de falhanço é uma sabotagem da mente e, em vez de pensar no medo de falhar como uma ameaça ou castigo, tenho a oportunidade/responsabilidade de verificar os passos que têm de ser tomados/corrigidos de modo a recriar uma realidade que seja benéfica para mim/todos em unidade e igualdade.



DIA 200: A auto-derrota mental


Foi "preciso" passar pelo desespero/stress de bater no fundo para decidir parar este padrão. Lembro-me de ouvir um Professor da faculdade dizer que às vezes era preciso bater com a cabeça na parede para aprender e ver a parede que está mesmo à nossa frente - neste caso não se trata de uma parede física mas de uma barreira mental que me bloqueia a visão. Ontem dei por mim a ver o diálogo da minha mente sobre "Isto é demais para mim", "não consigo" e a tentar encontrar justificações na mente para defender esta reação interna - a verdade é que, mesmo que eu culpe algo ou alguém, a raiva continua em mim e é a mim que estou a prejudicar (e consequentemente os outros/o mundo à minha volta claro). No seguimento desse diálogo auto-derrotador, eu perguntei-me: - mas porque é que quando eu falo com os outros quero dar a entender que está tudo bem e que é tudo mais simples, mas depois na minha mente penso que é tudo em demasia e muito complicado (referia-me aqui à minha carga de trabalho semanal). E nesse momento vi que eu não precisava de alimentar este diálogo dentro de mim, nem de me "mandar abaixo" ou pisar-me, e é este o efeito que estes pensamentos têm em mim - repisar nas decisões, repisar naquilo que me é dito, repisar sobre aquilo que eu fiz ou não fiz, e continuar a bater na mesma tecla em auto-destruição. E isso é demais; torna-se tudo mil vezes mais complicado e parece que o mundo está contra mim  (claro que para aqueles cientes do Processo percebe-se imediatamente que este "mundo" é o espelho de mim própria.)
Por isso, naquele momento decidi deliberadamente parar os pensamentos e ver o que é que acontecia ao pará-los - experienciei então  leveza, como se tivesse pousado uma mala e continuásse a andar -  e continuei a andar, porque de facto não preciso destes pensamentos da mente e sou capaz de ver as coisas sem (me) complicar.

Não me lembro da altura em que os pensamentos de derrota se instalaram em mim mas apercebo-me que é um programa automático para o qual eu tenho tendência de ir. Por isso depende de mim parar esta tendência e dar-me direção a cada momento para não cair na derrota mental.
Esta é também aquele tipo de derrota que surge antes mesmo de começar alguma coisa - pensar que é demais sem sequer tentar uma solução.
No próximo artigo irei partilhar o meu perdão-próprio e plano de como corrigir este padrão em mim.

Ilustração: 'Characters Creating Anger' by Andrew Gable