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DIA 236: Proibido falar de sexo?


O blog de ontem foi uma introdução à jornada que me proponho fazer de desconstruir as ideias geradas à volta do sexo, que têm mantido este tema separado de nós próprios. Quantos de nós têm conversas maduras sobre sexo? Conversas que realmente procuram alargar o nosso entendimento sobre aquilo que é o sexo, sobre quem nós somos no sexo, sobre aquilo que é realmente importante para cada um durante o sexo, sobre os medos atrelados ao sexo, sobre as dúvidas, sobre as paranóias... E falar de tudo isto sem medo de se ser julgado, criticado ou gozado?
Mesmo que quiséssemos falar sobre sexo, como podemos falar sobre algo que ainda não está plenamente estável no nosso ser? Como é que vamos progredir no nosso discurso sobre educação sexual se não há um diálogo construtivo, sem julgamentos, sem agendas, sem desejos, sem interesse próprio, sem ego, sem religião, sem medo e sem ideias pré-feitas? Como é que podemos ensinar aquilo que não sabemos nem vivemos para nós próprios?
É exactamente sobre esta resistência em se estar um e igual com a conversa do sexo que eu vou escrever o perdão-próprio de hoje. Alguns destes pontos foram enfrentados há alguns anos, no entanto, vou partilhá-los agora e viver o compromisso de me estabilizar nesta conversa.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar a palavra sexo.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar sobre sexo com amigos, colegas e familiares por pensar que eles não me compreendem ou por pensar que é errado conversar-se sobre sexo. Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que é errado falar de sexo só porque este não foi um tópico falado no ambiente e sociedade em que eu cresci - eu apercebo-me que não tenho de copiar aquilo que eu vejo à minha volta, muito menos de participar no silêncio quando vejo que a falta de educação sexual e a falta de honestidade própria criam tantos conflitos  e paranóias pessoais que, por sua vez, trazem consequências e desequilíbrios graves para a sociedade em que vivemos.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que só se pode ler coisas sobre sexo ou falar sobre sexo às escondidas uns dos outros, como se o sexo fosse uma conversa suja.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que os meus pensamentos e medos sobre aquilo que as outras pessoas possam pensar sobre o sexo é de facto um espelho/reflexo daquilo que eu permito pensar e acreditar sobre aquilo que o sexo é. Eu apercebo-me que se o pensamento sobre aquilo que o outro pensa existe na minha mente então sou eu que estou a permitir esse pensamento em mim e a projectá-lo no outro, em vez de tomar responsabilidade própria sobre os pensamentos que eu aceito viver. Eu apercebo-me que evitar falar de sexo é estar a limitar o meu auto-conhecimento, estar a limitar o meu próprio esclarecimento e expansão e estar a ignorar um dos elementos que mais influencia a nossa vida mental e física.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido associar o sexo a pornografia e a notícias de violações, somente porque essas são as formas mais comuns de se ouvir falar de sexo nos meios de comunicação social.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que o sexo é uma coisa separada de mim, separada do meu dia-a-dia, separada das outras pessoas.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver e realizar que quanto mais eu suprimo/nós suprimimos as nossas dúvidas sobre o sexo, mais ideias, crenças e medos alimentamos nas nossas mentes e assim mais distantes estamos da simplicidade sexual e da expressão sexuais.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver que a resistência em falar de sexo é prova de como o sexo foi manipulado e subvertido na nossa sociedade para controlar as mentes das pessoas através do medo da nossa própria existência e da nossa própria criação (ou será que não somos todos frutos do sexo?)

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter resistência para partilhar os pontos da minha religião do Ser, inclusive as crenças e medos associados ao sexo,  mesmo com as pessoas mais próximas de mim.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ter vergonha de falar e escrever abertamente sobre a expressão sexual e o sexo em geral, ao pensar que vou ser julgada, criticada e gozada pelas pessoas que me conhecem. Eu apercebo-me que estes pensamentos que a minha mente me mostra são os pensamentos que eu tenho acumulado em mim e que se tornaram a minha referência e a minha limitação. Eu realizo então que só eu me posso ajudar a caminhar estas resistências, a libertar-me do peso do medo e a parar de impor julgamentos da mente sobre mim, o que é contra a minha expressão própria.



DIA 235: Onde anda a expressão sexual?


Quando ponderei começar a escrever uma série de artigos sobre sexo, pensei que seria desta que chegaria às 200 visitas diárias! E porquê? A meu ver, há de facto uma falta de claridade sobre aquilo que a expressão sexual é ou pode vir a ser nas nossas vidas e reparo na falta de literatura que olha para o sexo em honestidade-própria. Para além das entrevistas da EQAFE, há muito pouco conteúdo sobre sexo que valha realmente a pena ler-se ou ouvir-se.

Mas porque é que o tema sexual no nosso mundo é composto por esta polaridade abominável: ou se trata deste tópico na sua vulgarização máxima com piadas de calibre abaixo do respeitável, ou não se fala dele apesar de estar constantemente a palpitar nas mentes humanas, sem qualquer orientação, tornando-se num tabu sem se saber como se falar dele?
Na continuação da minha escrita e investigação da minha Religião do Ser, começo a ver a minha relação com o aquilo que me foi ensinado como sendo errado, ou doloroso, complicado, vergonhoso e perigoso: o melhor exemplo que eu encontro é a religião criada à volta da expressão física dos corpos chamada de sexo. É incrível como a falta de educação é substituída por uma religião de secretismo à porta fechada, mesmo quando tal cegueira traz tantas consequências para cada um de nós e, consequentemente, para a nossa sociedade.  Na minha mente, este tópico foi também mantido como um secretismo baseado nas histórias que ouvia falar dos outros e da representação daquilo que supostamente o sexo é na indústria cinematográfica.

É uma pena que os adultos não sejam educados a educar as crianças sobre o que a vida sexual é ou pode ser, sem se ter como referência a imprensa oculta de revistas Marias e afins, ou pior, a referência pornográfica que é a completa adulteração daquilo que a expressão sexual humana realmente é. A meu ver, o silêncio do sexo tem sido substituído pela comédia, em que a maioria das piadas vão dar eventualmente a fantasias sexuais que ficaram suprimidas algures nas mentes humanas e que nem sequer nos questionamos sobre a banalidade dos comentários. Vê-se então a paranóia do sexo espalhada por todo o lado associada à nudez das campanhas publicitárias, a objectivação do corpo feminino, a ignorância sobre a origem dos desejos da mente e, finalmente, a consequência global do abuso manifestada em notícias de violações sexuais, de relações desequilibradas, de violência sexual que pode condicionar a vida de um ser-humano para sempre caso não haja um acompanhamento adequado. E no final de contas, somos nós enquanto humanidade que estamos a criar este inferno para as nossas vidas e para as vidas dos outros e portanto cada um de nós é responsável por ajudar-se a si próprio a compreender o que se passa nas nossas mentes e, obviamente, corrigir aquilo que manifesta abuso sobre si próprio e sobre os outros que são afectados directa e indirectamente.

Se tirarmos por momentos todas estas ideias associadas ao sexo, o que é que temos? Corpos que respiram, igualdade, movimento, expressão, descoberta corporal, expansão pessoal, alinhamento com o físico, presença, respeito por si próprio e pelo outro, novidade, carinho, INTIMIDADE COM O SEU PRÓPRIO CORPO, prazer, entrega, vulnerabilidade, estabilidade, sensibilidade, CONFIANÇA EM SI PRÓPRIO, CONFIANÇA NO OUTRO, simplicidade, humildade, partilha e transcendência dos limites que impusemos a nós próprios.

Infelizmente, a extensão do abuso sexual na nossa sociedade comprova que há uma deficiência na maneira como este tema é educado e que consequentemente é deixado à mercê das mentes de cada um e também manipulado pelo sistema de poder e dinheiro.
Todos sabemos que a prevenção é o melhor remédio, e para que haja prevenção tem de haver entendimento sobre o que o sexo realmente é, como é que este tem sido usado e abusado para manter as mentes suprimidas e sob controlo do medo, em vez de cada um de nós ser realmente educado sobre o seu próprio corpo, em estabelecer uma relação de confiança e a saber aquilo que é o melhor para si próprio em unidade e igualdade com os outros.

Abro então um novo capítulo no meu processo em que vou explorar os várias camadas de pensamentos e ideias associados com o sexo como até agora tem sido mal-tratado, e vou abrir caminho a uma nova perspectiva sobre a expressão sexual como sendo o potencial máximo de expressão física, respeito mútuo e auto-conhecimento. Vou andar este processo em tempo-real, re-educando-me de acordo com pontos que eu vou enfrentando e lidando com eles. Sugiro que se oiça também as entrevistas da EQAFE que proporcionam um entendimento da relação que cada um de nós criou com o sexo.



DIA 232: Mulheres com Confiança e Confiança nas Mulheres




Esta semana assisti a um documentário chamado Miss Representation, num evento organizado por mulheres profissionais que incluiu a partilha da experiência de uma CEO e uma sessão de perguntas e respostas colocadas pelas várias pessoas da audiência. Antes de mais, espero que este tipo de iniciativa inspire as mulheres Portugueses a organizarem tertúlias deste género que aproximam mulheres de diferentes carreiras e origens e promovem um diálogo saudável entre nós. 
O documentário mostra-nos as perspectivas de jovens e de pessoas na área do empoderamento das mulheres sobre a maneira como estas são reapresentadas na sociedade americana, muito em parte como consequência da forma como os meios de comunicação social compõe as notícias. Alguns dos pontos essenciais que eu assimilei deste documentário  foram o preconceito que existe na sociedade (americana e não só) em relação à presença de mulheres em posições de poder, tanto na área empresarial como na esfera política; a "des-educação" que é passada às novas gerações por parte de uma comunicação social podre; e finalmente, a emergência ardente de uma nova geração de mulheres que estão dispostas a cooperar umas com as outras. Sobre os dois primeiros pontos, aconselho vivamente que se veja o filme e se tire as suas próprias conclusões. Em relação à necessidade de cooperação entre as mulheres, a meu ver esta é possível quando cada uma de nós estiver plena em si mesma, quando não nos permitirmos distrair com comparações ou julgamentos em relação ao corpo ou até mesmo as roupas da outra, e quando estivermos dispostas a aprender umas com as outras.
A auto-confiança é uma capacidade que se desenvolve e, portanto, não é necessário definirmo-nos como inseguras porque afinal estamos no processo de desenvolver a confiança em quem nós somos e naquilo que fazemos. Numa sociedade ainda bastante patriarcal, é provável que sejam poucos os homens a congratular as mulheres, a reconhecer o seu esforço e até mesmo a motivá-las para continuarem uma carreira ou a mudar de estilo de vida. No entanto, quem é que precisa de uma motivação exterior quando se tem tudo dentro de si própria?

Relativamente ao processo de desenvolver a confiança, eu aconselho vivamente que se comece uma jornada única de auto-conhecimento através da escrita, do auto-reconhecimento, do perdão-própria e da correção para uma versão melhor de ti própria. Eu iniciei a minha há cerca de quatro anos com o apoio do grupo do Desteni e já não imagino o meu dia-a-dia sem a escrita diária, ou sem as realizações sobre pensamentos que tenho e eque estou ciente da origem e da solução para resolver os meus próprios problemas. Com base na minha experiência, eu recomendo os exercícios do Desteni Lite, uma plataforma online gratuita que oferece uma estrutura fundamental para darmos direção à nossa escrita e começarmos a lidar com a nossa mente passo a passo . É possível sermos livres de medos, de preocupações e de paranóias e só assim nos damos a oportunidade de ir para além das (baixas) expectativas sobre nós próprias.
Finalmente, e para quem nunca se interessou por política ou teve alguma resistência em imaginar uma mulher num cargo de enorme responsabilidade, sugiro que se atreva a ver a série televisiva Borgen (de origem dinamarquesa) que retrata a vida de uma mulher Primeiro-ministro com elevado senso comum, equilíbrio e tacto com a realidade, que para mim tem sido uma enorme inspiração e exemplo que infelizmente não vejo na política actual.

Obrigada a todas pelo vosso interesse em lerem o meu blog e enviarem comentários. Espero que possamos cada vez mais aprender umas com as outras, desenvolvermos a nossa confiança incondicional e o nosso potencial para nos tornarmos os nossos próprios exemplos e sermos de confiança para os outros.






DIA 182: JulgaMEDOS no meio da multidão


Vejo que os julgamentos que surgem em forma de pensamento ou em forma de supressão, são espelhos de vários caráteres/Personalidades pelos quais eu me tenho permitido definir. Mas de onde vem a primeira permissão e aceitação dos julgamentos próprios?
Vou usar uma experiência recente para investigar o ponto dos julgamentos e perceber a origem e a construção deste padrão na minha mente.
Isto passou-se a semana passada quando fui sair à noite numa zona em Londres considerada trendy e cosmopolita.
Dei por mim a comparar-me com as mulheres presentes, tendo como ponto de partida o medo de não ser tão interessante/gira quanto elas - aparentemente, a origem desta comparação e competição tem a ver com o medo de não ser tão interessante como elas PARA o João! Ou seja, para além da competição do ego, eu estava a participar na potencial competição entre mim e elas, em completa separação.


Como foi explicado no blog anterior, vou começar a usar uma estrutura que inclui as várias dimensões do Caráter/Personalidade e o correspondente perdão próprio e afirmações para a mudança.

Dimensão do medo:
Julgamento próprio com base no medo da perda; medo de não ser boa o suficiente; medo de ser trocada; medo de não ser a melhor; medo de deixar de ser interessante para o João; medo de perder a minha posição de mulher do João.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar nas comparações da mente quando estou com outras pessoas, especialmente com outras mulheres que eu julgo como sendo artísticas, interessantes e bonitas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na aparente separação da mente projectada nas mulheres à minha volta e acabar por pensar que este padrão tem a ver com o Joao. Apercebo-me que os ciúmes são um mecanismo de defesa da mente para eu não ver os julgamentos que eu criei de mim própria por trás destas projecções.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar no medo de não ser interessante o suficiente, querida o suficiente ou bonita o suficiente para os outros, sem ver que em honestidade própria eu não tenho nada a provar aos outros.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido ser insegura e instável na minha relação comigo própria, que depois se manifesta quando vejo estes padrões noutras mulheres, em vez de Ser honesta comigo própria, a praticar o meu à vontade de dentro para fora, a abrir-me comigo, a parar os medos e as limitações que eu criei para mim própria.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido criar e participar na relação de competição com outras mulheres quando isto é claramente uma luta do ego/mente e que não é baseada em igualdade e unidade comigo/com outros.

Eu apercebo-me que os medos que eu projecto na minha relação com as outras mulheres é um espelho dos padrões na relação que eu tenho comigo própria. Por isso, quando e assim que eu me vejo a ser competitiva comigo própria com base no medo/chantagem de perder alguma coisa, eu páro e respiro.
Eu apercebo-me que a vida não se ganha em competição comigo própria nem com a vida que os outros são!
Quando e assim que eu me vejo a ter medo de não ser boa o suficiente para o Joao, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que este medo sobre a perda de mim própria não é real e que é da minha responsabilidade conhecer-me e corrigir-me na minha relação comigo própria que depois se vai reflectir na minha estabilidade e segurança na relação com os outros.
Quando e assim que eu me vejo a ter medo de ser trocada/substituída por outra pessoa, eu páro e respiro. Nisto, apercebo-me que estou a criar separação onde esta não existe - eu sou um e igual com a existência da outra pessoa e, em senso comum, podemos/devemos aprender uns com os outros.
Eu comprometo-me a parar o medo da perda que é baseado em sobrevivência e em controlo. Eu comprometo-me a praticar o meu à vontade de dentro para fora, a abrir-me comigo, a parar os medos e as limitações que eu criei para mim própria.
Eu comprometo-me a estar estável sozinha e a não participar no medo de perder uma experiência/sensação que são puras energias da mente!; eu comprometo-me a trazer para mim própria as comparações que eu faço em relação a outras mulheres e assim ver aquilo que eu estou a admirar nos outros porque não estou a criar essa realidade em mim; comprometo-me então a aprender e aplicar as boas práticas que eu vejo nas outras pessoas.

Ao escrever esta secção do perdão próprio apercebi-me que estava a projectar no João os meus próprios julgamentos através da sabotagem da mente, de desejar mudar PARA O/PELO outro. Realizo que isso é impossível e que isso só me separa da minha própria solução. Por isso, ao escrever sobre os MEUS pontos, estou a viver a decisão de parar as multiplas personalidade, ver o stress que crio para mim própria e dedicar-me a aplicar a mudança por mim/para mim.

No próximo blog vou caminhar pela dimensão do pensamento em relação aos julgamentos que projectei naquela noite.




DIA 164: As relações públicas tomam-nos como estúpidos


Nem sei por onde começar, mas esta aparente indecisão é também uma distração da mente. Começo por respirar fundo e foco-me naquilo que quero partilhar.  Este "querer partilhar" não é baseado em desejo - é simplesmente um partilhar daquilo que é necessário saber-se. Curiosamente, neste artigo vou falar sobre o desejo que tem sido implementado nos nossos cérebros, mentes e corpos, tal e qual um chip que reage a emoções. Muita desta informação é partilhada em documentários e artigos que eu recomendo investigar-se. Um deles chama-se The Century of Self e explica claramento como é que nós, cidadãos/humanidade temos sido tomados como estúpidos. Estas são palavras do famoso Edward Berneys, sobrinho de Segmund Freud, que aplicou os vários estudos do comportamento das massas nas correntes do consumismo e do mercado livre. Podemos dizer que as gerações antes da nossa foram acorrentados por tal deslumbramento que até hoje nós próprios mantemos certos comportamento irracionais ligados ao consumismo.

Quantos de nós não sente uma energia miudinha quando tudo parece que está "no lugar certo" e se tem um vaipe para fazer compras?

Ou, por outro lado, quando tudo parece estar a desabar, um belo chocolate traz miraculosamente uma estabilidade de infância?

E ainda, sabes de onde e como é que as mulheres começaram a fumar e porquê?

Todos estes fenómenos sociais são explicados e demonstrados neste documentário através de imagens da época alta dos anos 20-30 do século XX. Eu pergunto-me, que Self é este? Será que realmente NÓS somos máquinas de felicidade? Tudo depende daquilo que permitimos e aceitamos ser e fazer. A grande revolução daquela altura foi uma mudança nos hábitos de comportamento através do apelo aos sentimentos e emoções - que tem o nome de lavagem cerebral - num momento em que o desejo tomou conta da necessidade. Esta foi a resposta à pergunta de Edward Bernays sobre como incentivar a produção e consumo em tempo de paz.

Esta manipulação é assustadoramente real - basta ver-se as reações que se manifestam em estádios de futebol ou em comícios políticos, em que a mente de uns quantos comando a vontade da maioria. Enquanto uns se entretêm com emoções, outros enchem os bolsos aos milhões em apostas e investimentos...

Quem dita as regras do socialmente aceite? Vejamos: durante o movimento das sufragettes conseguiu passar-se a vender cigarros a um novo público alvo: as mulheres. Como? Promoveu-se a ideia que um cigarro na boca era sinal de emancipação sob os homens (elemento fálico do cigarro) e que daria poder às mulheres. Mas será que foi realmente este benevolente acto de compaixão e igualdade para com as mulheres que incentivou tanta publicidade? Obviamente que não! Como foi dito pelo Presidente da American Tobacco company, havia potencial no mercado feminino e a sua exploração era como "abrir-se uma mina de ouro no quintal da frente" (It will be like opening a gold mine right in our front yard.”, George Washington, 1928). Ou seja, foi uma encenação com sucesso - juntou-se a conotação emocional da "guerra dos sexos", Edward Bernays pagou às mulheres para percorrem as ruas com cigarro na boca, contratou fotógrafos para capturarem boas imagens, intitulou o evento como as "tochas da liberdade" e distribuiu as noticias nos canais onde tinha influencia.

Assim se criou a ideia de desejo em nome de uma liberdade vendida, sem se ver qual era o grande esquema de controlo a segurar as marionetas. Mais uma vez,  tudo depende daquilo que permitimos e aceitamos ser e fazer. Seremos a mente estúpida em que não se pode confiar, ou somos a decisão de mudar o rumo da História em por uma humanidade verdadeiramente livre da corrupção mental e financeira?

A continuar...



DIA 124: "Comer ou não comer"


Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido sentir culpa enquanto como o creme do bolo e acreditar que este sentimento de culpa é mais forte do que eu.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido querer suprimir este sentimento de culpa ao procurar uma justificação para não comer bolos, por exemplo - "já comi uma fatia e não posso comer mais", "ontem já comi um chocolate", "sou a única gulosa aqui", em vez de parar de suprimir o padrão que eu estou a alimentar e que está a causar este desconforto em mim, para realmente ver a origem do desejo e ver a origem da resistência a comer o bolo incondicionalmente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que as justificações da mente são reais/honestas só porque as oiço desde criança (hábito).

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido suprimir a vontade de comer bolos com o padrão de culpa e, assim, criar camadas em mim que se manifestam como indecisão - eu apercebo-me que eu tenho de trabalhar em mim a origem do desejo/do hábito e, ao parar os pensamentos sucessivos da mente, eu estarei a permitir-me ver a situação em senso comum e tomar uma decisão em plena confiança.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido tomar a decisão de comer o bolo quando a pessoa com quem eu estava também foi comer bolo - eu apercebo-me que desejava estar tranquila como o outro, em vez de perceber que dependia de mim parar o meu estado preocupado da mente e me permitir estar em igualdade com a minha decisão de comer ou não comer bolo. Eu apercebo-me que quanto mais eu participo no programa da mente, mais as minhas decisões são tomadas em modo automático, em vez de me dar espaço a realmente viver a decisão, auto-analisar-me e garantir que eu estou a criar-me em auto-confiança a cada decisão/ação.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar que estou a ser honesta comigo própria quando copio o que os outros fazem.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que não devo comer bolos porque o açúcar faz mal aos meus dentes, sem me permitir ver que estou mais uma vez a cobrir o padrão inicial do desejo de comer bolos com uma justificação/ameaça de que se comer bolos vou estragar os dentes.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido fazer ameaças a mim própria ao pensar que se eu comer este bolo os meus dentes vão ficar podres, sem ver que estou a impor um castigo no meu corpo e a agir com base em medo, em vez de estar um e igual com o meu corpo e tomar decisões a partir deste ponto de estabilidade própria de que não irei fazer nada que me prejudique deliberadamente. Ao mesmo tempo, apercebo-me que estas ideias criadas à volta dos doces e bolos são baseadas na experiência das outras pessoas e nas minha memórias e julgamento em relação aos meus dentes.
Vejo que as memórias não são baseadas em honestidade própria, pois mostram-me as supressões e pontos que eu me identifiquei como sendo Eu, e esta memória de mim própria tem os filtros de julgamentos e medos da mente.

Deste modo, eu comprometo-me a parar que os padrões da mente associados à memória de comer doces controlem a minha decisão no momento presente. Eu dedico-me a ver/explorar os medos/ultimatos da mente  que me foram transmitidos por pais/educadores/media e que eu adoptei como sendo Eu/reais.

Quando e assim que eu me vejo a reagir à memória dos eventos em que os padrões da minha relação com bolos se manifestaram, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estas imagens da mente/memórias são a consequência da minha aceitação destes padrões como sendo eu - portanto, ao parar de participar nestes padrões, eu apercebo-me que eu páro de reagir a estas memórias.

Quando e assim que eu me vejo a acreditar que as memórias, imagens e percepções da minha mente sobre mim a comer o bolo são reais, eu páro e respiro. Este arrependimento da mente é uma forma de auto-sabotagem pois ainda estou agarrada à ideia que fiz algo de errado. Eu comprometo-me a parar o julgamento das imagens da memória e a parar de dar crédito à mente - eu foco-me na minha estabilidade física e, com base nesta decisão, eu comprometo-me a averiguar no momento presente o que é o melhor para mim, sem abusar o meu corpo com desejos nem dúvidas da mente.

Quando e assim que eu me vejo a sabotar o meu momento presente a reviver a memória e a "castigar-me" por não ter resolvido este ponto ainda, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que estes pontos não são do passado pois eu ainda me defino segundo estas imagens / memórias, embora estejam aparentemente passivos. Por isso, aquilo que eu posso fazer no momento presente é parar os julgamentos imediatamente, dedicar tempo a escrever sobre o ponto, a perceber os julgamentos do passado, a abrir-me comigo própria e preparar-me para parar que a mente/o passado controlem a minha Vida a partir de agora.

Quando e assim que eu me apercebo que estou a pensar " se ele comer, então como também", eu páro e respiro. Eu apercebo-me que através desta conversa da mente eu estou a evitar tomar responsabilidade por mim, pelos pontos que eu tenho de resolver em mim e de mudar por mim para ser honesta comigo própria.

Quando e assim que eu me vejo a participar na indecisão de "comer ou não comer", eu páro e respiro. Ao respirar, eu permito-me parar o programa automatico de desejos da mente e permito-me estar ciente do meu corpo, ajudando-me a estar um e igual com o meu corpo e a tomar decisões que sejam o melhor para o meu corpo. Eu comprometo-me a garantir que a minha decisão / ação nesta realidade é uma expressão de honestidade própria e que não seja baseada em medo/memórias/julgamentos próprios/julgamentos projectados nos outros/sabotagem-própria.

Curiosamente, enquanto escrevia este perdão-próprio apercebi-me que sempre que uma conversa da mente surge/indecisão ou resistência em mim é o indicador que estou perante um ponto de desonestidade própria e que tenho a oportunidade de lidar, tornar-me ciente do padrão, escrever um "plano" de auto-correção e estar preparada para transcender o ponto, em vez de procrastinar a minha honestidade própria e ter de enfrentar esta resistência/indecisão novamente.