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DIA 252: Desejo de ajudar os outros e a resistência para me ajudar

Tenho-me apercebido deste fenómeno mental que é o de tentar resolver os problemas dos outros, ajudar os outros e eventualmente salvar os outros de um mal qualquer. Não deixa de ser interessante todo o processo mental de acreditar que o problema do outro é mais simples de resolver, ou até mesmo conseguir ver claramente o que é que o outro deve fazer para resolver o problema. Talvez seja com base neste vírus mental que a sociedade actual apresenta casos em que se espera ser salvo por alguém, ao mesmo tempo que nos sentimentos extremamente orgulhosos quando ajudamos alguém e somos tomados como "anjos".

Porque é que frequentemente somos capazes (de acordo com a nossa mente) resolver mais facilmente o problema que o outro apresente do que resolver os nossos próprios problemas? Será que acreditamos que conhecemos o outro melhor do que ele se conhece a si mesmo?

No meu caso, apercebi-me também que esta personalidade consegue tomar proporções extremas de me punir mentalmente quando não consigo ajudar o outro. Já não é tanto querer ajudar mas é o ego de ser reconhecido pelo outro, de cumprir uma missão, de fazer "o bem", de evitar a dissonância cognitiva entre aquilo que se acredita e o que se faz - no final de contas, trata-se de ter controlo sobre a vida da outra pessoa, o que é uma forma de poder ilusório. Seguramente, aquilo que se perde é o controlo da sua própria vida...

Pergunto-me: desde quando é que não ajudar o outro é um acto de egoísmo? Será que ajudar o outro sem se primeiro ajudar a si próprio não é um acto de desonestidade própria? Como é que se estabelece um equilíbrio de modo a não comprometer-se a própria vida quando se está sob o saviour syndrome?

Ultimamente tenho ponderado sobre estes pontos, especialmente quando se trata de ajudar os outros financeiramente. Convém antes de mais lembrar que, o dinheiro, ao contrário da cultura, não uma coisa que se dá sem se perder: quando se dá dinheiro a outra pessoa, fica-se sem ele. Seria interessante que o dinheiro tivesse a capacidade de se expandir e partilhar da mesma forma como a cultura e a educação passam de uns para os outros. Certamente que muitos problemas neste mundo deixariam de existir...

O outro fenómeno que se tem de ter em consideração é a noção do emprestadar, ou seja, a ilusão de que se vai reaver o dinheiro aparentemente emprestado. Uma ferramenta fundamental nestes casos é a comunicação para que ambas as partes estejam claras sobre o destino do dinheiro e da própria relação - as assumpções que um vai devolver o dinheiro pode não corresponder à vontade do outro e, por isso, se esta situação for planeada e discutida logo desde o princípio podem-se evitar surpresas desagradáveis.

O desejo de ajudar o outro tem uma polaridade: a negação de se ajudar a si próprio. Vejo que ajudar os outros pode facilmente tornar-se num hobbie ou mesmo numa distração para se evitar olhar para os próprios problemas dos quais cada um individuo é responsável.

Quanto à honestidade própria, será que emprestar-se dinheiro realmente ajuda o outro? Dar-se dinheiro a uma pessoa viciada no jogo irá provavelmente alimentar o vício. Dependendo da extensão do vício, negar-se essa ajuda pode ser realmente uma ajuda para a pessoa ver o ciclo que está a criar em si própria. Ao mesmo tempo, é óbvio que dar dinheiro num dia não vai resolver a origem do problema.
Aquando da minha estadia na Africa do Sul, deparei-me com um caso em que um mendigo me abordou de forma implacável e emocionalmente forte e, apesar de inicialmente eu acreditar que o podia ajudar, a situação acabou por envolver os seguranças do centro comercial e causou mais problemas para o mendigo e insegurança em mim. Com isto quero dizer que cada um de nós irá ter de inevitavelmente perceber que nenhuma destas atitudes serve para si próprio: nem a manipulação sentimental dos outros, nem o desejo de ajudar baseado na culpa de se ter mais do que o outro.

No que respeita ao sistema económico, para-se resolver um problema gigante será necessária uma solução em grande, que realmente garanta que cada ser humano tenha acesso aos recursos  necessários para uma vida digna (ver por exemplo Rendimento Básico Incondicional e o Rendimento de Vida).

Ao vermos que aju-dar nem sempre é o melhor remédio, podemo-nos questionar sobre o que é que é realmente honesto na relação com a outra pessoa?  Em vez de dizer o que o outro deve fazer ou ser, porque não sê-lo também e tornar-se num exemplo da eficácia de tal aplicação?

Cada um tem de se responsabilizar pelo que se passa dentro de si mesmo- o seu Processo de Vida.
Outra realização fundamental é a de perceber que nada na realidade individual de cada um vai mudar se a própria pessoa não mudar - e no que toca à mudança (de pensar, de ver as coisas), cada um só pode fazê-lo por si.

A relação que se tem para com o dinheiro e para com os outros reflecte a relação que se tem consigo próprio, e este é um novo ponto a investigar em mim.


Salvar os outros pode ser então um espelho da ideia que tenho de mim própria: a ideia de que preciso de ser salva de algo ou de alguém, a ideia que não sou capaz de resolver os meus problemas e que preciso que alguém os resolva por mim. Por isso, apesar de saber aquilo que tenho de resolver em mim, é aparentemente mais fácil olhar para o problema do outro, talvez porque não conheço a altura do abismo do outro tão bem como conheço o meu. Em honestidade própria eu sei por onde começar.

Ilustração by Andrew Gable.


DIA 238: De volta ao básico: Porquê o sexo?




Há perguntas que cada um de nós pode fazer a si próprio para se conhecer melhor na sua relação com o sexo:
Porquê fazer sexo? Quem é que eu sou no sexo? Como é a minha relação com o meu corpo durante o sexo? O que é que eu julgo no sexo? O que é que eu procuro no sexo? O que é que eu gosto no sexo?

Já alguma vez te colocaste estas questões, ou terá sido o sexo introduzido nas nossas vidas na turbulência da adolescência e aceite como uma pressão da sociedade?
Eu comecei a questionar-me sobre estas dimensões do sexo no Agreementcourse e desde então tenho investigado e escrito sobre a relação que eu criei com o sexo e a relação com o meu corpo. É curioso ver que, apesar do corpo ser quem nós realmente somos, muitos dos tópicos relacionados com o físico do ser humano são suprimidos na nossa comunicação ou abusados na mente com imagens. Por isso, ao escrever para mim própria sobre este tema , tem sido uma caixa de Pandora que tinha ficado algures perdida na infância, altura em que não julgávamos o corpo ou o sexo como certo ou errado até ao momento em que começámos a copiar as manias e tradições da sociedade em que crescemos.

Voltemos ao título: Porquê o Sexo?
Para explorar esta  pergunta, tomemos o exemplo do mito que as mulheres fingem orgasmos para satisfazerem o ego do homem (!). Parece um pensamento retrógrado mas é importante que tanto as mulheres como os homens se questionem sobre o ponto de partida para fazerem sexo. Será que o ponto de partida de dar prazer ao outro não é de facto uma forma de interesse-próprio, porque por trás disso está o medo de se perder o parceiro? Isto é desonesto consigo próprio pela limitação que esta dependência mental provoca, em que se é escravo/a do medo de se estar sozinho. Por sua vez, o medo de se estar sozinho é o medo de se estar consigo próprio e de enfrentar a sua própria mente. Por tanto, dar prazer ao outro em honestidade própria é uma entrega incondicional, sem desejo nem medo.  E ainda, fingir-se a expressão corporal para manter os egos felizes é um desperdício de tempo e só mostra como o nosso sexo/ideia do sexo/ponto de partida do sexo é limitado nas nossas mentes.
Sobre o ponto de partida do sexo, podemos dizer também que a intimidade sexual é um momento de partilha e de confiança, em si próprio e no outro, e que através do sexo se descobre um bocadinho mais de si próprio, permite-se estar no físico, ultrapassam-se medos e papões, e permite-se estar vulnerável. Infelizmente, no nosso mundo actual são talvez poucos os lugares e os momentos em que nos permitimos estar plenamente cientes do nosso corpo, vulneráveis, entregues ao outro corpo, sem medo da dor, sem medo da perda... Vejo o sexo como um processo de auto-conhecimento e aperfeiçoamento e de transcendência dos medos que em frações de segundos invadem as nossas mentes.

Como é que foi possível tornarmos algo com tanto potencial, como o sexo, num tabu e numa coisa abusiva?
A pergunta que merece também atenção é: - será que sabemos o que o sexo realmente é, sem imagens da mente, sem memórias, sem desejo de um orgasmo, sem expectativas, sem arrependimento, sem a procura da energia acumulada na mente? Será que alguma vez nos comprometemos a limpar a nossa mente?
O sexo também não é baseado em conhecimento. Por muitos livros que se leiam, há pontos da mente humana que têm de ser interiorizados, entendidos, perdoados, mudados e recriados em cada um de nós.

Vamos então regressar ao básico do nosso corpo: e para isso, começamos por respirar. Já alguma vez te focaste na tua própria respiração? E na respiração do outro? E se este fôr o ponto de partida do sexo: a igualdade dos corpos, a igualdade da presença e a descoberta de si próprio.


Numa sociedade em que a maioria das pessoas cresceu ou contactou com a religião católica, faz sentido questionarmo-nos também sobre o ponto de partida da procriação. Irei muito provavelmente dedicar um blog para este tema, mas a meu ver é necessário colocar-se as tradições à luz da realidade. Em plena crise económica, talvez não seja o mais indicado ter-se muitos filhos sem que as condições de vida sejam garantidas e por isso é importante que haja o mínimo de senso comum e de responsabilidade própria. A ideia da procriação, como a palavra indica, implica uma pro-Criação, ou seja, um progresso, um upgrade dos pais e uma evolução da vida. No entanto, parece ser contraditório que as pessoas sejam capazes de criar uma melhor versão delas próprias sem primeiro se conhecerem plenamente.



DIA 237: Associar imagens do passado ao presente e desejar fazer sentido na mente




Quando é que a nossa realidade parece fazer sentido? No meu caso, reparo que há uma sensação de satisfação quando as coisas "batem certo", que é o que acontece quando a imagem da minha realidade encaixa com a imagem preconcebida na minha mente. Mas será isto honestidade própria? Tomemos o exemplo da escolha de um parceiro: quais são as ideias pré-concebidas que se criaram na mente e que nos fazem ser consciente ou inconscientemente selectivos? A cor dos olhos? O tipo de cabelo? A forma corporal? A nacionalidade? A personalidade do outro/a?

O "fazer sentido" na mente é o mesmo que dizer que a minha realidade tem de condizer com a imagem e ideia que eu criei na minha mente de como as coisas devem ser, embora eu nunca me tenha questionado se as imagens e ideias na minha mente são práticas, são realizáveis e se são o melhor para mim. Ou de onde é que estas imagens vieram? Apercebo-me que primeiro tenho de conhecer a minha mente para depois me poder dar sentido e direção em honestidade própria. Por exemplo, começar a investigar e a escrever sobre qual o ponto de partida na minha mente para tomar uma determinada decisão, para perceber como é que as associações da minha mente são criadas, quais foram as minhas influências para criar imagens de perfeição na minha mente, e como é que eu tenho permitido esta ditadura da mente na minha vida, sem tomar responsabilidade pela minha existência como um todo.

Este é o Processo de auto-investigação que tenho vivido ao longo dos últimos cinco anos e que continuo a andar, passo a passo, ponto a ponto...

Recentemente apercebi-me da tal sensação de satisfação quando na minha mente punha "certo" em vários aspectos do meu dia-a-dia: marido (checked), casa arrumada (checked), emagrecimento (checked), emprego (checked), viajo com frequência (checked), falo várias línguas (checked), tenho pessoas com quem falo e goste de estar (checked) e por momentos o ego pareceu encher os pulmões, em vez do ar. Obviamente, que é de ar que eu preciso e que estes "checked" não são nada mais nada medos do que aquilo que eu tenho criado para mim própria e que não é preciso anexar qualquer emoção de orgulho a isso. É da minha responsabilidade criar uma relação estável com o meu parceiro, criar um espaço que seja o meu lar, estimar o meu corpo com uma boa alimentação, exercício físico e trabalhar em pontos da mente que se manifestavam no corpo físico, empenhar-me no meu emprego para o manter, gerir o meu tempo para descontrair, estudar para aperfeiçoar a minha actividade profissional e resolver os meus pontos para não descarregar nos outros para eu própria ser uma boa companhia para mim e para os que me rodeiam. Ao ver cada um destes elementos, afinal não há nada de especial sobre isso. Aliás, a meu ver devia ser da responsabilidade do mundo (logo de todos nós) de criar as condiçõesbásicas para que cada ser-humano tenha dinheiro para um lar confortável, uma alimentação de máxima qualidade, tempo para desfrutar a sua existência e assim investir atenção em criar relações equilibradas com outras pessoas e potenciais parceiros.

Afinal de contas, as imagens da mente são baseadas em memórias, em imagens que os nossos olhos viram, nas coisas que os nossos ouvidos ouviram, quer tenha sido na realidade à nossa volta ou nos ecrãs de televisão, cinema, computador, rádio, conversa de outras pessoas, etc. Por isso, faz sentido concluir que, na maioria dos nossos pensamentos, NÃO escolhemos aquilo que pensamos ou imaginamos, porque simplesmente já existia na nossa mente aquilo que foi capturado pelos nossos sentidos (maioritariamente a visão e a audição).

- Quando pensamos, como é que somos capazes de discernir aquilo que é realmente o melhor para nós e que é honesto connosco próprios?
Podemos começar por realizar que tudo aquilo que a mente nos mostra tem de ser questionado. Não necessariamente julgado como certo ou errado, mas questionado sobre o porquê de associarmos a nossa realidade a determinadas memórias e como é que isso pode condicionar a nossa expressão no momento presente. Por isso a respiração é tão importante neste Processo: permite-nos abrandar a velocidade dos pensamentos e somos capazes de estar cientes dos pensamentos que temos, para que possamos darmos direção à nossa criação a partir de agora e pararmos de ser robots a copiar aquilo que vimos e ouvimos no passado.


No próximo artigo vou escrever o perdão-próprio e o meu compromisso de mudar a minha atitude de cada vez que dou por mim a fazer associações na mente e a desejar que a minha realidade corresponda com a perfeição de imagens da mente. Até lá, sugiro que se leia um artigo anterior que aborda a paranóia daperfeição que existe na mente humana. Em honestidade própria, este mundo só será um lugar perfeito para se viver quando cada um deixar de procurar dar sentido à mente e, em vez disso, perdoar e mudar os pensamentos sobre si próprio e redefinir o que é realmente a perfeição em nós, nesta vida e neste mundo.



DIA 224: Bloqueio para Estudar ou Trabalhar? Aprende a identificar os teus medos

Se é por mim que eu ando este processo, também é por mim que eu me desleixo no meu processo. Ou seja, de cada vez que eu me desrespeito em pensamentos, palavras ou ações, é a mim que eu me estou a prejudicar e que estou a atrasar/adiar a minha Vida.
Nestes últimos dias tornei-me ciente de um ponto enraizado em mim há demasiado tempo e, por nunca me ter decido parar o padrão, acabo por participar nele automaticamente - refiro-me à procrastinação baseada no medo de falhar/ego/ideia que eu quero passar aos outros/desejo de ser perfeita sem realmente FAZER por isso na prática.
Reparo então que ultimamente tenho tido como ponto de partida o medo de não conseguir acabar um trabalho - mas em vez de enfrentar o medo e pará-lo, acabei por vivê-lo. Como? Ao adiar o momento em que começo o trabalho, ao imaginar o momento em que finalizo o trabalho e supostamente "está tudo bem".
A minha pergunta de hoje é: Porque é que eu participo nesta preocupação e crio este papão na minha mente?  Quanto mais resisto fazer este trabalho, maior me parece, porque existem camadas de medo, camadas de expectativas, camadas de ideias, camadas de comparações - tudo isto são camadas de energia mental que me prende na realidade. Por isso há também uma petrificação física em que me "sinto" bloqueada e não consigo fazer mais nada do que pensar no trabalho.
Curiosamente, quando me dedico de facto a ler e a escrever para o trabalho, dou por mim a pensar "Afinal não é assim tão difícil". No entanto, aquilo que eu também não estava a ver é que esta é também uma ideia, desta vez baseada na outra polaridade --- positiva. Ou seja, ao pensar que "afinal aquilo que eu criei como um papão não é assim tão grande" estou a fazê-lo sem qualquer indicação real porque o trabalho ainda não está feito. Apercebo-me que era um a ideia mental e que é importante estar ciente do exagero mental, no entanto, qualquer emoção positiva ou até mesmo motivação que possa surgir (como por exemplo imaginar o momento em que acabei o trabalho e há satisfação e alívio) também não é real. Pode depois haver tendência para criar desapontamento pessoal quando a imagem de facilitismo na mente não acontece, porque afinal a imagem de fast-success também não é real!
 A sensação de não ser "tão difícil" é somente baseada na realização que os meus pensamentos de derrota inicias eram escusados, mas não implica que esteja a haver uma mudança prática.  A mudança prática ocorre quando eu realizo que nem os pensamentos negativos nem os positivos são reais, e ponho em prática a realização que o trabalho é feito e escrito aqui, não na mente.  Da mesma maneira que temer um certo evento (por exemplo um exame da faculdade ou uma reunião no emprego) não faz sentido porque a única coisa que tememos é o cenário que criámos na nossa própria mente e que acreditamos que é isso que vai acontecer.
E por isso a única solução é criar o meu trabalho aqui e agora, fazer o melhor de mim e estar disposta e aberta a aperfeiçoar-me.

Para sumarizar, os pontos que eu realizei nesta altura da minha vida são:


  • A resistência que eu tenho para fazer alguma coisa baseia-se no medo de falhar
  • Na minha mente eu facilmente salto da ideia inicial para a imagem do resultado final, sem ver que estou a desprezar por completo o empenho físico real e o tempo real que irá levar a completar a minha ação
  • A imagem do trabalho completo não é real e é um desgaste mental estar a tentar corresponder à imagem da mente
  • A preocupação inicial de não conseguir acabar o trabalho é uma distração e uma crença, porque na realidade ainda nem sequer comecei
  • Quando eu começo e dou por mim a pensar que afinal não é assim tão fácil, eu estou a criar a outra polaridade na minha mente com base na esperança de conseguir terminar o trabalho, e portanto esta motivação também não real
  • Quando estou a fazer o trabalho, não é necessário fazer "cross referencing" com a mente: basta confiar naquilo que está feito aqui no físico e continuar a progredir e a auto-aperfeiçoar aquilo que estou a fazer
  • A ideia que eu criei de mim própria é baseada em falta de confiança-própria e é uma espécie de suicídio mental, porque tenho tendência para desistir de mim e portanto resistir ao processo de mudar quem eu sou e como eu ajo comigo própria
  • Apercebo-me que a única maneira de ultrapassar a resistência é ao não participar na resistência na prática e a começar a fazer o trabalho na prática, passo a passo, em auto-criatividade, auto-descobrimento e expansão pessoal.

Na ilustração, eu vejo também uma pessoa cuja mente está aparentemente iluminada de ideias, mas parada, em modo de observação e a ver a vida a passar ao lado...






DIA 221: Mais vale Agora do que Nunca - já é altura de Acertar

A acumulação do processo é uma coisa fascinante - pôr em prática os meus próprios compromissos de ultrapassar as limitações que, ao longo do tempo, tenho imposto em mim própria. São coisas que já estão inconscientes e só as vejo quando puxo por mim para me questionar PORQUE é que eu penso, ajo ou não ajo de determinada maneira - ou seja, ao ir além da fase dos julgamentos próprios, estou agora a avançar para o nível de investigar COMO é que eu posso melhorar a minha experiência comigo própria.
Para quem está a começar o Processo de escrita diária, o Processo de se estar ciente da respiração e de se tomar responsabilidade pelos pensamentos que permitimos em nós próprios, provavelmente não irá ver efeitos imediatos porque não é uma questão de magia. Poderá haver momentos em que se parece voltar à estaca zero mas isso é uma sabotagem da mente: o Processo é mesmo real e, tal como em tudo, requer prática.

Hoje enfrentei um ponto que já tinha visitado no passado mas desta vez puxei ainda mais por mim para ultrapassar a resistência de  que eu estava a ter em relação a confiar no outro. Mais uma vez visitei também o ponto de querer fazer "à minha maneira" mas desta vez, no lugar de me agarrar à ideia e ao desejo de fazer à minha maneira, decidi fazê-lo. Mas ao fazer à minha maneira, foi como se não houvesse prazer e afinal esta era apenas uma imagem. Nesse momento foi como se risse comigo própria, do estilo: "que teimosia inconsciente que andava para aqui a incomodar-me! Não vale a pena manter este desejo. Vamos lá libertar esta imagem", e foi então que aceitei a maneira do outro de fazer a tarefa - e afinal assim fazia mais sentido. Apercebi-me então que era a minha responsabilidade participar também na maneira do outro e criar AQUELA ação em conjunto porque estávamos ambos a participar naquele momento em igualdade! 

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido manter em mim ideias e imagens de como as coisas "deviam ser" ou como é que eu faria "à minha maneira" quando afinal vejo que, se a minha maneira resultasse, então esta não seria mais uma ideia mas passava a ser a minha prática constante.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido distrair-me com os desejos/teorias/ideias da mente, em vez de realmente me ocupar em pôr as minha ideias e soluções em prática na minha vida, testar e ver se resulta; se não resultar, começo o processo de me corrigir. Eu apercebo-me que ficar na corda-bamba é desonesto comigo própria e é uma auto-sabotagem porque não me permito criar confiança em mim própria, na minha decisão de aplicar soluções na minha realidade e de me aperfeiçoar gradualmente na minha relação comigo própria e com os outros.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido continuar a fazer coisas "à minha maneira" apesar desta maneira nem sempre ser o melhor para mim e que, portanto, trata-se do ego e de uma resistência a mudar/a aprender/a praticar.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido culpar o outro por não me ensinar como "devia ser" (de acordo com a minha ideia de como as coisas deviam ser).
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido tomar responsabilidade por mudar a minha atitude naquela ação e por aproveitar cada momento como uma oportunidade de me aplicar no meu processo e de criar estabilidade nas minhas ações. Eu apercebo-me que a imprevisibilidade sobre conseguir ou não conseguir é um reflexo da relação que eu estabeleci com essa ação (por exemplo a minha relação com a culinária e com o sexo).
Como é que eu corrijo a imprevisibilidade das minhas ações? Primeiro ao parar a mente das memórias, parar o medo de falhar, parar de pensar que ainda não consigo corrigir-me ou que não estou preparada. EU realizo que o meu Processo depende única e exclusivamente de mim, por isso em vez de confiar nos meus pensamentos, eu passo a confiar na minha respiração e a empenhar-me fisicamente para aperfeiçoar as minhas ações.

Eu comprometo-me a auto-ajudar-me com regularidade, compromisso e eficácia no meu Processo. EU apercebo-me que por muitas conversas que eu tenha com outras pessoas, no fundo tem a ver com a minha força de vontade, dedicação e persistência em aplicar a minha correção nas coisas que eu faço/digo.
Quando e assim que eu me vejo a desejar continuar a fazer as coisas à minha maneira embora eu veja não ser a mais eficaz, eu páro esta ideia de como as coisas deviam ser e respiro. Eu apercebo-me que ter ideias na mente é inútil e uma perda de tempo - eu comprometo-me a aplicar as soluções no meu dia-a-dia, a testar as soluções. Quando e assim que eu me vejo a interpretar os comentários de outra pessoa como sendo um sermão, eu páro e respiro. Eu permito-me a não levar a correção como sendo uma ofensa. Em vez disso, eu páro de participar no padrão da culpa e ajudo-me simplesmente a tomar responsabilidade por mudar a minha relação naquela circunstância. Até lá, apercebo-me que cada correção funciona como recompensa por parar e mudar.
Eu comprometo-me a ter paciência comigo própria e a praticar o ponto de confiar no meu processo de correção!

Quando e assim que eu me vejo a pensar que o processo de correção é demorado, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que este ponto de partida define e limita logo à partida que eu sou demorada a corrigir-me. Por isso, quando e assim que eu me vejo a assumir as minhas ideias/julgamentos como sendo uma verdade inquestionável, eu páro e respiro e ajudo-me a trazer o ponto para mim própria e ver onde é que eu estou a definir/limitar a minha aplicação prática. Eu apercebo-me que depende somente de mim  estar focada no meu processo, estar disposta a ouvir soluções que eu posso aplicar na minha vida e passar para o "nível seguinte" da correção prática. Apercebo-me também que o Ego por trás da resistência para sair de um padrão só se mantém se eu continuar a alimentar o Ego da raão mesmo depois de perceber que é a mim que a resistência da mente prejudica. Finalmente, realizo que ser e fazer as coisas em honestidade própria é ser e fazer as coisas em senso comum, como aquilo que é o melhor para mim = todos.

Ilustração: Marlen De Vargas Del Razo, Day 258: Vampires in the Soul of Sacred Geometry - ADC - Part 105 http://creationsjourneytolife.blogspot.com/2012/12/day-258-vampires-in-soul-of-sacred.html

DIA 197: Desde quando aceitei o papel de sacrificada? Para quê? Por quem?


Esta noite tive um sonho estranho no qual eu estava disposta a sacrificar a minha vida e que eu tinha aceite esse papel de sacrificada, como se isso fosse salvar o resto das pessoas. No entanto, no momento em que supostamente iria suicidar-me pensei "Espera lá, porque é que eu estou a fazer isto? Porque é que estas pessoas aceitam que haja um sacrificado?" E decidi sair e fugir daquele lugar. Apercebi-me que só no momento em que o plano ia para a frente é que vi a gravidade da situação.  Ou seja, tinha aceite tomar uma decisão sem realmente considerar aquilo que eu estava a criar para mim própria. Para além disso, ao escrever sobre o sonho esta manhã vi também que eu pensava que eram os outros que aceitavam haver um sacrificado! Ora, se primeiramente eu não aceitasse ser "a sacrificada" não haveria sequer a aceitação dos outros - portanto, tudo começou no momento em que eu ACEITEI que houvesse um sacrificado e em que eu ACEITEI ser "a" sacrificada, que é baseada na ideia de pensar ser diferente dos outros - mais corajosa e, simultaneamente, merecedora da morte para salvar os outros. WTF!

Ao trazer este ponto para o meu dia-a-dia e para a minha realidade actual, vejo de facto pontos em que eu considero ser capaz de aguentar mais do que os outros - trabalhar mais horas, fazer mais projectos, acarretar mais responsabilidades. Mas será isto uma decisão/direção minha, ou é baseado na ideia que eu me posso dar ao luxo de sacrificar a minha vida? Porquê/quando é que eu aceitei desconsiderar-me desta maneira? Desde quando aceito e permito este suicídio em mim? Este sistema mental é tão bem feito que eu justifico o meu sacrifício com a ideia de que faço-o pelos outros e porque não posso desapontar os outros, quando afinal fui eu quem criou este estilo de vida para mim própria. Por isso o perdão próprio é o perdão sobre aquilo que permitimos e aceitamos em nós próprios, e estas aceitações e permissões estão às vezes tão enraizadas que já não consideramos ser diferentes ou conhecermo-nos de maneira diferente.

E depois foi a fúria, porque me sinto chateada comigo própria por não ter feito as coisas de maneira diferente. E o desapontamento comigo própria por não ter considerado os vários pontos e ter sido honesta comigo própria.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar em mim como aquela que é capaz de fazer aquilo que mais ninguém quer fazer, o que eu vejo ser baseado no ego de querer a atenção dos outros e um momento de "fama".

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido acreditar/pensar que a minha vida é observada pelos outros e que eu tenho de corresponder às expectativas, embora eu vejo que tais ideias existem em mim porque eu as aceito.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar que é errado não corresponder às expectativas dos outros, quando afinal a expectativas "dos outros" têm origem na minha própria mente. Por isso,  eu comprometo-me a parar a mente das expectativas e dedicar-me a considerar os vários pontos envolvidos na minha direção e garantir que o faço por mim em plena responsabilidade própria.

Quando e assim que eu me vejo a participar nesta ideia de ser "a sacrificada" porque sempre foi assim e porque saio a pessoas da minha família que também são assim, eu páro e respiro. 

Comprometo-me então a aprender com os outros a não seguir a mesma mentalidade e a não participar na relação de sacrifício na relação com as outras pessoas. Eu realizo que a minha vida é aquilo que eu permito e aceito ser por dentro (pensamentos) e por fora (ações), comigo e com os outros, e que portanto, a minha vida depende daquilo que eu aceito e permitido para mim e para a minha realidade.

Eu comprometo-me a focar-me no meu bem-estar primeiramente, ciente que sou responsável por cuidar de mim a cada momento da minha Vida, passo a passo. Dedico-me também a praticar tomar decisões em senso comum tendo a certeza que não me prejudico de maneira nenhuma e que corrijo padrões de comportamento para me ajudar a estar um e igual com a Vida Aqui, que eu (todos) somos.