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DIA 248: Presa a opiniões




Estou a partilhar um ponto que estou neste momento a investigar em mim própria. Durante estes últimos meses tenho continuado a caminhar no meu processo pessoal de ver quem é que eu me tornei e a ajudar-me a redescobrir maneiras de mudar a minha relação comigo própria. Isto é possível ao estar ciente de mim e ao perceber as consequências que eu tenho criado para mim própria. Tenho publicado mais artigos no meu blog em Inglês embora continue a escrever em Português. Irei publicar algumas das minhas notas que me parecem ser relevantes para vocês que também andam este processo.


Relativamente ao tópico das opiniões, sugiro que leiam os seguintes artigos escritos em Inglês pela Sunette Spies: DAY 445: How did a Factual World become infected with Opinions? 

Apercebo-me como alguns dos meus juízos de valor não tiveram a ver com a minha experiência mas pela reação que eu vi nos outros: quantos alimentos eu pensava que não gostava somente pelo aspecto deles ou porque sabia de alguém que não gostava também?

A noite passada estive a investigar em mim alguns pontos e fiz o perdão próprio em voz-alta em tempo-real: perdoava os pensamentos que vinham e foquei-me em lidar com aqueles pontos no momento. Disse também os meus compromissos de auto-correção em voz-alta e depois escrevi algumas frases que me ajudaram a esclarecer o ponto das opiniões e, por sua vez, a falta de confiança própria e, finalmente, o ponto de ter resistência em lidar comigo própria/a minha própria mente em honestidade-própria.
Partilho aqui no meu blog os ponto-chave que te poderão ajudar na tua própria auto-investigação.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido levar a peito a reação da outra pessoa sobre qualquer coisa que eu estou a fazer. Apercebo-me que me entreti com esta energia/crença de "estou a a fazer alguma coisa de errado" em vez de realmente investigar a minha definição de errado sobre aquilo que eu estou a fazer, investigar a minha relação em relação a essa ação e os medos de ser "descoberta" derivados do meu julgamento sobre aquilo que eu faço.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido mudar aquilo que eu estou a fazer consoante a reação dos outros à minha volta, em vez de confiar em mim própria e naquilo que eu faço e me permitir continuar estável independentemente das opiniões dos outros.

Quando e assim que eu me vejo a desconfiar daquilo que eu própria decidi fazer, eu páro e respiro. Eu comprometo-me a ser /viver a minha decisão e usar esta oportunidade para investigar de onde é que o julgamento sobre essa específica ação vem. Eu apercebo-me que sou responsável por cada e todas as ideias que me passam pela mente e que sou também responsável por aceitar as opiniões dos outros como minhas.

Quando  e assim que eu me vejo a repetir uma memória de um evento na minha mente, eu páro e respiro. Eu vejo agora que esta memória foi registada como um julgamento próprio e como sendo errado sem nunca até agora me questionar sobre este juízo de valor. Apercebo-me que comprometi a minha decisão e honestidade-própria em detrimento da aceitação pela outra pessoa.

Apercebo-me que os julgamentos que eu criei daquilo que eu faço são inclusive cópias de reações que eu vi nos outros e que associei serem a regra/a definição, sem ver que estava a criar uma luta dentro de mim entre aquilo que eu acredito que devia ser (baseado na imagem e na ideia de perfeição "vendida" pelos outros e pelos media) e aquilo que eu realmente faço, sem nunca verificar em mim própria se eu estava satisfeita comigo própria, se estes conflitos internos faziam sentido e sem me permitir aceitar aquilo que eu faço como sendo eu, sem medo de ser julgada nem ter vergonha de mim própria.


Ilustração por Rozelle de Lange


DIA 227: Tendência de dizer "sim" a tudo e Resistência a dizer "não"?

É fascinante perceber quando a desonestidade própria está à espreita e, no espaço de segundos, tenho a única escolha que resta: ser honesta comigo própria. O problema que até agora eu tenho enfrentado é que nós não somos educados a ser honestos connosco próprios, a começar pelos primeiros anos de vida em que nos apercebemos que agradar os outros traz uma recompensa imediata e aparentemente "sabe bem". No entanto, quando chegamos à idade adulta e projectamos este padrão no emprego, a necessidade de apreciar o outro começa a dar que pensar: porque raio é que eu digo que sim a tudo quando na realidade não será fisicamente possível fazer todas estas tarefas? Por que é que eu não me dou tempo para avaliar se o meu "sim" é honesto comigo própria e, se assim for, será também honesto com o outro?
O padrão da apreciação é "tricky" ou seja, é traiçoeiro porque no meio da "energia positiva" e reconhecimento vindo do outro, nem conseguimos ver que nos estamos a abusar, mentalmente e depois fisicamente. Este padrão é visivel na escola primária e na necessidade de se agradar a professora para me sentir especial e amada! Por isso, a típica ideia de se entregar uma maçã à Professora que era tão comum nos livrinhos de banda desenhada é, de facto, uma maçã envenenada através da qual vamos transportar este padrão da apreciação para a nossa vida adulta. Sem nos apercebermos, estamos a sofrer de uma lavagem cerebral em que nem sequer nos questionamos, porque é exactamente assim que vamos aceitar o sistema de trabalho como ele existe (disfuncional, desequilibrado e sem igualdade entre as pessoas)
Vejo em mim esta tendência de acumular tarefas ao dizer "sim, faço daqui a pouco", ou "sim, aceito esta missão" no emprego, mas depois o "sim" traduz-se em pressão e auto-tensão quando acabo por ter de deixar outras tarefas para depois ou apressar as coisas, em vez de cooperar comigo própria e ser directa quando alguma coisa está ou vai afectar a minha estabilidade.
Um dia destes, dei por mim a delegar uma tarefa bastante básica, como pedir ao outro que preparasse a salada do jantar e, embora me tenha apercebido que o primeiro pensamento tinha sido o de dizer "nããã, deixa estar que eu faço", vi então que aceitar a ajuda do outro foi a melhor coisa a fazer porque representou a igualdade e a distribuição de tarefas que será igualmente apreciada por todos quando formos todos jantar. Quando esta igualdade prevalece, cria-se um ambiente produtivo e há uma concordância estabelecida entre as pessoas.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido pensar em mim como uma vítima de acumulação de tarefas e uma vítima dos outros, quando afinal tratasse de aceitar essa posição como sendo eu.
Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ser honesta comigo própria e assim ser honesta com os outros quando estamos numa situação de distribuir tarefas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido  ter medo de dizer que "não" a coisas que me são mesmo quando eu vejo que estarei a comprometer o meu tempo e todas as minhas outras tarefas.
Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido participar na resistência de delegar tarefas ou de dizer que "não posso ajudar" quando afinal delegar tarefas é também uma forma de ser um exemplo para mim e para os outros e que dizer que "não" não implica necessariamente falta de vontade - em honestidade própria, ao não acumular tarefas nem novos compromissos eu estou a ser responsável com os meus compromissos existentes.

Eu apercebo-me que esta ideia de acumular tarefas vem da minha experiência de viver com pessoas dos "7 ofícios" que aceitavam fazer tudo o que lhes era pedido e que isto era o "normal". No entanto, vejo agora que aceitar apreciar-se os outros é uma forma de escravidão mental, baseada no medo de aborrecer os outros, quando afinal a única coisa que se deixa ofender é o ego das pessoas (e o ego não é quem as pessoas realmente são).
Por isso, quando e assim que eu me vejo a aceitar fazer uma tarefa para apreciar a outra pessoas (seja o meu manager, seja um familiar, seja um amigo), eu páro, respiro, e vejo se realmente me poso comprometer com essa tarefa de acordo com o tempo que eu tenho disponível. Comprometo-me também a re-educar-me a ver as coisas em senso comum, em vez de ver com base em laços emocionais ou laços pessoais que geram condicionalidade e medo.
Quando e assim que eu me vejo a ter medo e resistência de dizer que "não" a uma tarefa que me seja pedida, eu páro e respiro. Esta resistência da mente é uma sabotagem da mente/ego para manter a minha personalidade intacta mesmo quando esta personalidade não é o melhor para mim. Por isso, eu dedico-me a respirar quando a energia do medo me invade e ajudo-me a manter-me estável na minha decisão, seja "sim" ou "não". Eu apercebo-me que a necessidade de "apreciar o outro" só existe em mim e que depende de mim alimentar esta necessidade dos egos ou não. Curiosamente, eu apercebo-me que é ridículo fazer uma coisa para ter uma recompensa do outro quando na realidade essa mesma tarefa irá implicar um sacrifício da minha parte. Apercebo-me que a única recompensa que vale a pena dar a mim própria é a garantia de que estou a ser honesta comigo própria nas minhas ações e relações com os outros e que não permito que a minha mente/ego de energias positivas (reconhecimento) ou negativas (medo) dominem as minhas decisões.
Eu comprometo-me a pôr a honestidade própria e o senso comum em primeiro lugar de modo a que as minhas decisões tenham a honestidade própria e o senso comum como princípios base.

Eu apercebo-me também que a energia de apreciar/agradar a outra pessoa não é real e que é desnecessária se houver uma total confiança e se se recriar uma relação e comunicação honesta com o outro, em que o outro saiba que eu não vou dizer que "não" somente para o contrariar, e que ao mesmo tempo não irei dizer que "sim" se isso me for prejudicar. Realizo que depende de mim re-educar-me em honestidade própria e senso comum de modo a aplicar estes princípios no meu dia-a-dia e ser um exemplo para mim própria (logo, para os outros/todos, em unidade e igualdade como quem nós realmente somos).