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DIA 131: O Dinheiro precisa de "morrer" e nascer de novo


Lembrei-me da letra da Mafalda Veiga ao ponderar sobre a melhor maneira de expressar aquilo que precisa de acontecer ao sistema económico mundial - será que vamos conseguir curar este sistema ou vamos morrer nós primeiro deste vírus?
Estas perguntas vêm no seguimento das afirmações da  Presidente do Banco Alimentar no vídeo da Sic notícias  e da série de comentários que tenho lido na blogosfera. Mas... Será que é disto que o povo gosta? - Entretemo-nos a citar aquilo que é dito, making a point, sem se falar daquilo que é essencial trazer à  superfície, face aos problemas que todos sabemos que REALMENTE existem.

Será que é relevante discutir a moralidade ou imoralidade de uma entrevista, quando basta haver uma pessoa a "sobreviver" na miséria para comprovar a imoralidade de todo o sistema económico?

Quem somos nós quando o dinheiro que temos é inferior às REAIS necessidades? (nisto refiro-me àquilo que sustenta a nossa existência física e o nosso bem-estar comum a todos os seres humanos -- deixemo-nos de extravagâncias egocêntricas)

Será que vamos mesmo permitir bater no fundo para ver que o a vista do fundo não é bonita?

Não é de estranhar que o ser-humano se permita pensar que temos de passar pela pobreza para vermos que não ter dinheiro é um beco sem saída, sem se ver que quando se está nessa posição dificilmente se tem força para mudar o sistema?

Porque é que temos de esperar por estar numa posição diferente daquela em que estamos agora para tomarmos uma posição que realmente traga algo de novo para combater esta velha história das desigualdades sociais?

O que é que é viver acima das possibilidades, quando aquilo que consumimos é-nos primeiramente ditado pelo próprio sistema que nos escraviza e consome?
É tal lavagem cerebral que nem vemos que estamos a ser educados a ser pobres e egoístas.
Viver acima das possibilidades é o sistema em que vivemos fundado na regra dos 80/20, em que 80% dos recursos do planeta pertencem a 20% da população. Já nos questionámos como é o mundo a partir dos olhos de 80% da população mundial?

Aquilo que não é certamente bonito é ver uma sociedade dividida, na qual parece custar pormo-nos na posição daqueles que estão mesmo a passar mal. Quanto tempo mais precisamos, quantos mais sinais precisamos de ter, quantas mais manifestações, quantos mais Nestums são precisos ser comprados para provar que este sistema monetário não bate certo?

Vamos ver soluções, desmascarando conceitos e teorias  económicas quede forma alguma têm apoiado o bem-estar global , para se repensar a maneira como funciona o sistema económico que consequentemente dita a maneira como vivemos. Trata-se de mudar a maneira como pensamos sobre o dinheiro, sobre a riqueza, sobre as nossas motivações e interesses próprios; a realidade prova que ninguém está isolado e que as próprias fronteiras regionais foram criadas por nós próprios. É certo que se continuarmos neste estado mental de sobrevivência será impossível respondermos às questões mencionadas acima sem outro resultado que não seja a impotência: estas questões têm de ser respondidas por cada um de nós em brutal honestidade própria e humildade, cientes que a única solução é tornarmo-nos a solução.

Vejamos projectos que já existem na prática para se colmatar a causa do empobrecimento social e humano:

Renda Básica de Cidadania (no Brasil fortemente promovido pelo Senador Eduardo Suplicy), Rendimento de Cidadania (em Portugal) e o Basic Income Grant (mundialmente) é uma quantia paga em dinheiro incondicionalmente a cada cidadão que visa garantir a satisfação das suas necessidades básicas. Este é um movimento político e social a tomar forma em diversos países e junto da União Europeia. Tem sido promovido pela Basic Income Earth Network (BIEN) fundada em 1986 como a Basic Income European Network.

O Rendimento de Cidadania o tem-se apresentado como uma solução viável e prática para dar resposta à crise do sistema capitalista manifestada em todos os países. Apesar dos entraves do actual sistema económico limitem a expansão e aplicação destas medidas, esta alternativa é um passo fundamental para a implementação dos princípios básicos do Sistema de Igualdade Monetária, à escala mundial que visa establecer um sistema sustentável de confiança e gestão equitativa em prol do desenvolvimento do potencial humano para todos.


   

 " O simples fato de nascer confere direito à saúde, educação, habitação e construção do futuro. É pela livre participação no progresso humano que pode superar a dor e o sofrimento humano". Partido Humanista, Internacional

Habituámo-nos a sobreviver durante demasiados séculos sob a religião do dinheiro sem percebermos que a Humanidade está a castigar-se a si própria. A nossa responsabilidade é criar um sistema económico-social e político que seja sempre adequado aos problemas da atualidade e uma resposta inclusiva que beneficie toda a população. Estou ciente que o primeiro passo é usar a informação dos estudos sociais, das notícias, das entrevistas daqueles que estão no terreno, das crises da história e inevitávelmente tomarmos a decisão de recriar o dinheiro, desta vez como uma solução prática com vista à gestão igualitária e em senso comum.

... Ou será que temos medo de falar em pobreza porque nos assusta ser contagiados pelo vírus da sobrevivência?
Não será este o primeiro sintoma?



DIA 130: Parar de poluir o mundo com a mente - ver o mundo com a ajuda de um cão...


Após um longo dia de trabalho, dei por mim em total descontração e calor humano - num centro comercial onde normalmente só há vultos, luzes e preços, hoje havia vivacidade - ou pelo menos era isso que os meus olhos viam: uma organização estava a promover o trabalho dos cães-guias e estes amigos caninos estavam presentes - realmente presentes, aqui, a respirar, focados na sua missão! Eu estava radiante e nesse momento aquele centro comercial pareceu-me um sítio com vida... Porque é que às vezes vejo vida e outras só morte? Porque é que eu não me permito ver a vida como aquilo que é/como quem nós realmente somos? Porque é que não nos permitimos existir num espaço, aqui, onde eu estou e os outros estão e todos coexistimos? Porque é que até agora não me permiti ver que o cansaço do final do dia é uma lavagem cerebral, de impotência e de queixa, acreditando que a vida é "sempre isto"?

O "sempre isto" é de facto uma oportunidade de começarmos a Viver, respiração em respiração. O "sempre isto" deixa de ser a rotina da mente, e passamos a SER a estabilidade da respiração.

Desta vez até voltei atrás para fazer mais festinhas os meus "amigos caninos" - ou seja, não me permiti criar stresses com as horas por já ser tarde - não haviam ideias sobre o tempo ser tarde! Era o tempo que era, e eu estava ali, tal como vou estar noutro lugar, a outra hora, mas sou sempre Eu, aqui, com os outros.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar estável na presença de todos os seres, quer sejam seres humanos ou animais, numa estabilidade física que não implica os julgamentos, medos, polaridade e instabilidade da mente.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido viver a igualdade na prática em relação à minha relação com os outros seres-vivos e, assim, viver relações estáveis, de dentro para fora, para que as nossas relações sejam de apoio mútuo e o melhor para a nossa coexistência.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido ver/realizar que qualquer reação ou irritação que tenham em relação a outros seres-humanos é apenas o reflexo de reações/irritações que tenho comigo própria. Ou seja, apercebo-me que a realidade é estar/existir estável como Vida e que qualquer excitação/irritação projectada nos outros é um sinal de que eu não estou estável comigo própria e que não estou a ser honesta comigo própria.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar aberta a mudar a minha presença quando eu vejo que não estou a ser honesta comigo própria/com os outros - reações, irritações, sem paciência, culpabilização, julgamentos são indicadores da interferência da mente.

Eu perdoo-me por me ter aceite e permitido julgar a minha expressão de hoje como sendo excessiva, o que é baseado na comparação com as vezes em que eu estou stressada, monótona e irritada com(igo) tudo e com tudos. Vejo que nenhum destes julgamentos é real, pois só a minha presença é real - por isso, se eu vejo que a minha presença está a ser desonesta porque estou a culpar os outros pelos problemas que eu criei em mim própria, eu páro e respiro; se eu vejo que a minha presença está a ser sabotada por energia "positiva" como motivações, desejos e imagens, eu páro e respiro.

Eu perdoo-me por não me ter aceite e permitido estar estável no final do dia, sem projectar o cansaço nem qualquer insatisfação - eu páro esta "bola de neve", respiro, e permito-me recomeçar o dia neste momento, como nova, a agir de maneira diferente daquela que eu acho que tenho razão para estar sem paciência/aborrecida. De facto, é no final do dia que eu sinto o cansaço físico e que tenho de me ajudar a estabilizar e a fazer as coisas de modo a apoiar-me e não o contrário.

Eu comprometo-me a estar ciente da minha presença física ao fim da tarde e perceber qual é o ponto de partida das minhas reações/projeções ou das minhas excitações de modo a trabalhar a minha estabilidade e garantir que toda a minha presença é em expressão própria em honestidade comigo e com os outros.

Quando e assim que eu me vejo a pensar que tudo é monótono e que as pessoas são uma seca/infelizes/apressadas, eu páro o julgamento (próprio), respiro e corrijo a minha presença  e assim páro de projectar os julgamentos da mente naquilo que eu vejo e parar de ser uma "seca/infeliz/apressada".

Eu comprometo-me a parar de poluir o mundo com as merdas da mente e começar a existir como a solução para mim própria - por exemplo ao simplesmente ver onde estou a punir-me com julgamento e parar este abuso próprio; ver onde é que eu estou a criar um padrão do qual não estou satisfeita e assim dedicar-me a mudar a minha atitude; ou a criar soluções para planear o meu tempo de modo a não existir em pressa e distraída de mim/da realidade à minha volta.

Eu comprometo-me a parar o julgamento do centro comercial que é estar a condenar a minha presença e a criar uma realidade de "castigo", obrigação e contradições - em senso comum eu vejo que, se eu estou aqui, então eu existo aqui e a vida é aqui em mim. Cabe a mim própria parar de participar na criação do castigo. Quando e assim que eu me vejo a sufocar em julgamentos em vez de me permitir estar completa na minha presença, eu páro e respiro. Eu liberto-me da mente a cada respiração e permito-me tomar direção para não andar em círculos (da mente) e começar a ser eficaz e fazer as coisas na perfeição/em plenitude.

Quando e assim que eu me vejo a participar na polaridade de excitação para compensar os dias em que eu estive desanimada, eu páro e respiro. Eu apercebo-me que isto é simplesmente manter a frição de energia da mente, em vez de realizar que nenhuma destas experiências são honestas comigo propria, em estabilidade e direção propria.

Eu comprometo-me a viver a decisão de começar a viver a cada respiração, presente, igual aos outros seres-vivos. Eu permito-me parar de julgar os momentos como "negativos" ou "positivos", porque ambos são lentes da mente. Sem a mente eu expresso-me incondicionalmente.

Quando à monotonia de passar todos os dias pelo centro comercial ou pela estação de metro, a única coisa que neste momento eu sugiro é que cada um de nós comece a considerar outras maneiras de gerir o mundo económico, para deixarmos de ser escravos e passarmos a ser criadores de um mundo melhor para todos. Eu sugiro o Equal Money.

Referências:
Foto: Joanalivemedia